ESCOLA DE PSICANÁLISE KOINONIA

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1 ESCOLA DE PSICANÁLISE KOINONIA CURSO DE TEORIA PSICANALÍTICA A DISTÂNCIA MODULO III APOSTILA 5 1

2 A religião, para Freud e Lacan Colocar dois pensadores ateus, da envergadura de Freud e Lacan, para falar de religião, é tarefa difícil. Mas, como ambos foram analistas e críticos da cultura, o fenômeno religioso não poderia estar fora de suas reflexões, dada a influência da religião na sociedade, nas pessoas, em geral, e nos pacientes que buscavam na análise uma compreensão da experiência humana como um todo. Já em 1907, no artigo sobre Atos obsessivos e práticas religiosas, encontramos uma frase de Freud que é emblemática: A religião é uma neurose obsessiva coletiva, enquanto que a neurose obsessiva é uma religião particular. O ponto de comparação são as cerimônias e os rituais repetitivos tanto dos religiosos quanto dos neuróticos obsessivos, atos estes que funcionam como medidas defensivas e auto protetoras. Discutir sobre religião, em qualquer contexto, suscita reações emocionais ou apaixonadas, agressivas também. E como Freud foi sempre um crítico implacável da religião, as polêmicas que provocou sempre foram acirradas. Seu livro mais contundente foi escrito em 1927: O futuro de uma ilusão. Ele temia e previa criar animosidade com o catolicismo, por causa deste texto. De fato, já antes, em 1921, quando o freudismo entra na Itália, a Igreja Católica desencadeou uma campanha contra o que chamava de pansexualismo freudiano. Depois de 1945, três Papas fizeram críticas oficiais à psicanálise, pelo teor materialista e ateísta de sua doutrina. Pio XII, em discurso publicado em 1960, voltou à carga sobre a teoria pansexualista de uma certa escola de psicanálise. Mais recentemente, Paulo VI e João XXIII ratificaram a posição tradicional da Igreja a respeito da psicanálise. Em 1923, Freud fica sabendo que tinha um tumor maligno no maxilar superior, que era urgente extirpar. Viveu mais 16 anos, durante os quais fez 31 cirurgias, o que o obrigava a usar uma incômoda prótese na boca. O médico que o acompanhou todo esse tempo, Max Schur, escreveu uma biografia de seu paciente e, devidamente autorizado, comprometeu-se a antecipar seu desenlace, no momento oportuno, quando a vida já não lhe oferecesse perspectivas de dignidade. É nesse contexto sombrio que surgem as novas reflexões sobre a religião. Depois de ter descrito a experiência edipiana, sua e de seus pacientes, Freud estava convicto do caráter doentio da religião. Neste último livro, diz que a criança depende em tudo dos pais, sente-se desamparada, amedrontada, e carente da proteção dos adultos, considerados poderosos, fortes e sábios. Mas, ao crescer, vendo que os pais não são bem aquilo que pensava e esperava deles, a pessoa 2

3 projeta um outro pai, agora Todo-poderoso, um Deus que, criado à sua imagem e semelhança narcísica, não vai mais decepcionar. O raciocínio não é feito só do ponto de vista ontogenético. Também filogeneticamente, a humanidade passa pela mesma evolução. A religião corresponde a uma fase infantil da humanidade, fase que deve desaparecer tão logo os homens adquiram a maturidade. Nesse ponto de vista, a religião é uma grande ilusão. Ilusão, para Freud, não é sinônimo de erro. Significa simplesmente que a crença é baseada numa tentativa de realização de desejos. Além disso, muitas crenças religiosas se mantêm devido ao desconhecimento ou ignorância das verdadeiras causas de muitos fenômenos da natureza. Antecipando-se às teses de Lévi-Strauss sobre a passagem da natureza à cultura, Freud disse: Foi, precisamente, por causa dos perigos com que a natureza nos ameaça, que nos reunimos e criamos a civilização. Quais são estas ameaças da natureza, o domínio incontrolável que exerce sobre nós? Freud acreditava que o avanço da ciência se encarregaria de esclarecer os fenômenos naturais desconhecidos, dispensando o recurso a uma crença em Deus. Em lugar do Deus religioso, sugere a primazia do intelecto, o Deus Logos. E acrescenta que este é um dos poucos pontos sobre o qual se pode ser otimista a respeito do futuro da humanidade. Retoma o refrão marxista de que a religião é o ópio do povo, dizendo que o efeito das consolações religiosas é semelhante ao de um narcótico. Há os elementos que parecem escarnecer de qualquer controle humano: a terra, que treme, se escancara e sepulta toda a vida humana e suas obras; a água, que inunda e afoga tudo num torvelinho; as tempestades, que arrastam tudo o que se lhes antepõe; as doenças, que só 3

4 recentemente identificamos como sendo ataques oriundos de outros organismos e, finalmente, o penoso enigma da morte, contra o qual remédio algum foi encontrado e, provavelmente, nunca será. É com essas forças que a natureza se ergue contra nós, majestosa, cruel e inexorável; uma vez mais nos traz à mente nossa fraqueza e desamparo, de que pensávamos ter fugido através do trabalho da civilização. (S.Freud, em O futuro de uma ilusão). Mas, muita cautela ao ler este texto de Freud! Apesar de tudo, ele reconhece benefícios na religião. Por exemplo: Você não deve ficar surpreso que eu perore em favor da retenção do sistema doutrinal religioso, como base da educação e da vida comunal do homem. Trata-se de um problema prático, e não de uma questão de valor de realidade. [...] Não poucas pessoas encontram sua única consolação nas doutrinas religiosas, e só conseguem suportar a vida com o auxílio delas. Você as despojaria de seu apoio, sem ter nada melhor a lhes oferecer em troca. Admite-se que, até agora, a ciência ainda não conseguiu muita coisa, mas, mesmo que progredisse mais, não bastaria para o homem. [...] E harmoniza-se bem com isso o fato de os crentes devotos serem, em alto grau, salvaguardados do risco de certas enfermidades neuróticas; sua aceitação da neurose universal poupa-lhes o trabalho de elaborar uma neurose individual. Também, contrariando o discurso crítico e agressivo à religião, Freud manteve um inacreditável diálogo, de profundo respeito e honestidade intelectual, com Oskar Pfister ( ), um pastor protestante suíço. Durante uns vinte anos, eles foram muito amigos, a ponto de suas respectivas famílias se hospedarem mutuamente nos períodos de férias. Além de pastor, Pfister era também analista. Freud postergou a publicação de seu livro sobre a religião, em consideração a seu amigo, com receio de magoá-lo. Mas, em vez da mágoa, o que aconteceu foi um profundo debate de alto nível entre os dois. Logo no ano seguinte, 1928, Pfister publicou, a pedido do próprio Freud, uma resposta, com o título de A ilusão de um futuro: uma discordância amigável com o Prof. Sigmund Freud. A inversão não foi só no título. Pfister virou pelo avesso todo o texto de Freud, (um panfleto, disse), argumentando e discordando sobre cada afirmação do mestre. E viu, no texto de Freud, um sentimento religioso, apesar do combate à religião. Esta mesma sensação temos, ainda hoje, quando lemos o último trabalho importante de Freud, escrito um ano antes de morrer, Moisés e o monoteísmo, um livro eminentemente respeitoso com relação à religião judaica. 4

5 Pfister se pergunta se os aspectos negativos, apontados por Freud, fazem parteda essência da religião ou são características de determinados grupos de pessoas fanáticas. É a pergunta que todos fazemos hoje, por exemplo, se o fundamentalismo islâmico, com sua violência terrorista, faz jus ao Alcorão, se é da essência do Islamismo, ou se são facções suicidas, criminosos comuns, equivocados em supostas motivações religiosas. Hoje, podemos afirmar que a profecia freudiana, segundo a qual a religião tenderia a desaparecer, com o progresso da ciência, da tecnologia, da informática, foi uma previsão também equivocada. A despeito de que a ciência vem progredindo assustadoramente, não há indícios de enfraquecimento da religião, nem de que a ciência venha a substituí-la. A ciência não tem sido garantia nem da verdade e, muito menos, da felicidade. Com frequência, suas descobertas são desmascaradas e, o que é pior, usadas contra o homem. O mal-estar de nossa civilização é intrínseco e inerente à condição humana. Certamente que determinada visão da religião, enquanto oficial, institucionalizada, dogmática, tradicionalista, reacionária, retrógrada, ritualista e triunfalista, está em decadência. Vai uma grande diferença entre esta religião e a religiosidade ou espiritualidade. Esta faz parte do ser humano, como uma resposta à questão da morte. E continua viva. Recente livro de Karin Wondraceck, retomando o jogo de palavras, O futuro e a ilusão, faz uma interessante citação do teólogo católico, cassado pela Igreja, Leonardo Boff. É uma definição de espiritualidade que pode ser, igualmente, aplicada a religiosos e ateus: Espiritualidade é aquela atitude que coloca a vida no centro. Há um grande equívoco na avaliação que se faz comumente de Freud. O fato de que ele era ateu não impede que cultivasse a espiritualidade, no sentido de Boff. Freud utilizava a palavra alma (Seele, em alemão), mas a tradução oficial optou por psique, psiquismo. Quer dizer, Freud sempre defendeu a existência da alma, objeto de todas as suas pesquisas. Só que era uma alma mortal, porque a imortalidade da alma já é uma questão de fé religiosa, isto é, acredita-se ou não, porque provas não há. René Laforgue ( ), fundador do movimento psicanalítico francês, nascido na Alsácia, França, quando esta província pertencia à Alemanha, em sua vasta correspondência com Freud, fez um elogio ao livro sobre a religião, e recebeu como resposta de Freud: É o meu pior livro. 5

6 Freud recebeu uma herança pessimista do alemão niilista Friedrich Nietzsche, um dos poucos filósofos que admirava. Nietzsche nasceu em Rökken ( ), destinado pela família a ser pastor luterano, como seu pai. Aos cinco anos, perde o pai e, logo em seguida, a fé. Foi um crítico mordaz da religião, especialmente do Cristianismo. Seu conceito de Übermensch (superhomem) não teria gerado o Über-Ich (Supereu) de Freud? As atitudes de Freud com relação à religião trazem a marca de sua origem judaica. Moisés aparece ali como um personagem central, título de dois livros: O Moisés de Michelangelo e Moisés e o monoteísmo. Já a teoria de Lacan traz o selo do catolicismo, religião de sua família, que ele nunca praticou. Um de seus irmãos, Marc-François era monge beneditino. O conceito de Nome-do-Pai é uma alusão clara. Freud pensa numa religião do Pai, enquanto Lacan fala da religião do Filho. Entretanto, na teoria de Lacan, a religião não tem tanta presença como na de Freud. Mesmo assim, Lacan cunhou expressões muito fortes, como Deus é inconsciente, substituindo o epitáfio nietzscheano Deus está morto. E outra ainda mais enigmática, afirmando que a verdadeira religião é a religião católica. Para explicá-la, temos que recorrer a conceitos de topologia, que serão analisados na décima lição deste curso. As teorias sexuais infantis Depois da invenção do Complexo de Édipo, que era uma experiência erotizada, ninguém estranharia que Freud se debruçasse sobre a sexualidade infantil. E o fez magistralmente. Assustou e escandalizou meio mundo, se não o mundo inteiro. Não é que o tema do sexo já não tivesse despontado antes dele, e de maneira bastante difundida e alvoroçada. Mas, Freud se destacou duplamente. Voltou o foco para a infância, fato inédito na história e, como em sacações anteriores, alterou totalmente o enfoque sobre a sexualidade humana, em geral. De fato, o escândalo foi mais um atordoamento, porque as pessoas começaram a observar melhor seus filhos pequenos, e verificar a existência gritante de algo tão escancarado, mas que nunca tinha sido visto. Freud encontrou meio caminho trilhado antes dele, embora na direção errada. 6

7 Contemporaneamente a Freud, o poder da sexualidade criou o novo discurso da sexologia, a ciência biológica e natural do comportamento sexual, com autores eminentes que Freud consultou e pesquisou. Já na primeira página de seu clássico Três ensaios sobre a teoria da sexualidade, Freud cita, entre outros, os nomes pioneiros de Krafft-Ebing, Albert Moll e Havelock Ellis. Krafft-Ebing ( ), psiquiatra austríaco, publicou, em 1886, com grande êxito editorial, e traduzido no mundo inteiro, o livro Psychopathia Sexualis, contendo, em descrição pormenorizada, um catálogo de todas as formas de perversão sexual. Não foi somente o título que veio em latim, também quando o assunto esquentava, a língua latina tentava esconder do público leigo as passagens mais interessantes. Peter Gay, em Freud, uma vida para nosso tempo, cita o seguinte trecho do livro de Krafft-Ebing, com o relato de um médico homossexual: Albert Moll ( ), médico alemão, frequentou, como Freud, as aulas de Charcot, em Paris. Moll ficou famoso internacionalmente pelo livro sobre hipnose, dedicando-se depois ao estudo das perversões sexuais. Publicou, em 1897, o livro Libido sexualis, em que propõe desconstruir a pecha de patologia das perversões, que seu antecessor, Krafft-Ebing, chamava de psicopatia. Também levantou dúvidas sobre a veracidade das acusações de abuso sexual feito pelos adultos contra as crianças, ideia que Freud acatou com relação aos relatos de sedução feitos pelas histéricas. Freud inspirou-se em Albert Moll para elaborar sua teoria sobre a sexualidade infantil, embora numa direção oposta. Moll ficou ofendido, publicou também um livro sobre sexualidade da criança, sem ao menos citar Freud que, por sua vez, magoado, reivindicou para si a descoberta da sexualidade infantil. 7

8 O outro sexólogo, citado por Freud, foi Havelock Ellis, médico inglês ( ). Era um homossexual revoltado contra a moralidade da época. Sua grande obra foi Estudos de psicologia sexual. Dedicou todo o primeiro volume à inversão sexual. O livro causou escândalo. Ellis interessou-se pela obra de Freud, trocou correspondência com o mestre, embora discordantes. Freud adotou a noção de autoerotismo proposta por Ellis. Desenvolveu-se, nesta época, uma escola alemã de sexologia, com Magnus Hirschfeld e Ivan Bloch ( ), com a proposta de lutar pela igualdade de direitos com relação às diferentes formas de práticas e identidades sexuais: homossexualidade, heterossexualidade, bissexualidade, perversão, travestismo, transexualismo, zoofilia etc. Esta escola transformou-se na Sociedade Médica de Ciência Sexual e Eugênica, posteriormente dissolvida pelos nazistas. Depois da Primeira Guerra Mundial, surge a figura controvertida do psiquiatra e psicanalista austríaco, Wilhelm Reich ( ), de família judia, educado longe de qualquer religião. Com a idade de 14 anos, teve um papel importante no suicídio de sua mãe, ao revelar ao pai a ligação desta com seu preceptor. Assumiu uma atitude política de liberação sexual, afirmando que a função do orgasmo é manter a saúde física e mental. Disse também que as pessoas precisam treinar para conseguir o que chamou de orgasmo total, uma liberação total da energia sexual que é reprimida pelo poder econômico e social. Tentou conciliar a psicanálise com o marxismo, conseguindo desagradar a ambos. Depois da Segunda Guerra Mundial, a sexologia passa a estudar os comportamentos sexuais de massa. Surgem os famosos relatórios de Albert Kinsey, contendo pesquisas realizadas entre 1948 e 1953, e do casal William Masters e Virginia Johnson, publicado em Tais relatórios descreviam pormenorizadamente os comportamentos sexuais, em termos estatísticos: quantas vezes por dia, semana, mês e ano, as pessoas se masturbavam, tinham orgasmos, tinham relações sexuais, quanto tempo duravam as preliminares, a ereção, a penetração, quantos segundos durava um orgasmo, a diferença entre homens e mulheres, casados e solteiros, nas várias faixas etárias, nos vários países do mundo. Uma parafernália sexual, que acabou sendo 8

9 usada pelas pessoas como indicador de uma olimpíada sexual, à qual todos deveriam se adaptar, para serem considerados normais, saudáveis, campeões ou perdedores. No dever orgástico, a quantidade vencia a qualidade. Toda esta história acabou em um destino funesto. A psicanálise veio mostrar o grande equívoco. Restringir-se ao aspecto biológico e fisiológico do sexo, era só o lado animal, importante, sem dúvida, mas pobre. Isso pouco interessa à psicanálise. O conceito de orgasmo nem é um conceito psicanalítico. Evidentemente, é bom as pessoas terem uma vida sexual satisfatória, gratificante ou, até, exuberante. O que a psicanálise veio trazer de novo é o lado propriamente humano e psicológico da sexualidade, mostrando a que ponto a questão do sexo está presente no inconsciente, e não simplesmente a atividade sexual. O destino da sexologia não foi totalmente funesto. A grande exceção foram os nomes do filósofo Michel Foucault ( ), e do historiador Philippe Áriès ( ). Pesquisando a história da sexualidade, influenciados já pela psicanálise, ambos trouxeram profundas contribuições para a psicopatologia, a antropologia, a própria psicanálise e as ciências humanas, em geral. Sexualidade Ao invés de se limitar a descrever o componente hormonal da atividade sexual, na linha comportamental da sexologia, a psicanálise vai pesquisar os determinantes psíquicos inconscientes da sexualidade humana. E, sobretudo, marcar a diferença entre genital e sexual. Assim, por exemplo, na sexualidade infantil, e na adulta também, o que está em jogo é o componente erógeno, libidinal, e não necessariamente o genital. Para Freud, o conceito de sexual é bem mais abrangente que o de genital. Já no bebê se notam manifestações eróticas do sexual, neste sentido, sem genitalidade. Portanto, diferente de todos os mentores da sexologia que, entretanto, influenciaram o mestre, Freud foi o primeiro e único a inventar uma inédita conceituação da sexualidade, definindo-a como uma disposição psíquica universal, tirando dela o fundamento puramente biológico, anatômico e genital, para alçá-la à condição de essência da atividade humana. A sexualidade deixa de ser natural, instintiva, para se transformar numa atividade pulsional, cultural, regida pela palavra, pela lei social. O mais inesperado, contudo, foi a coragem e firmeza com que Freud defendeu a existência da sexualidade infantil, desmistificando uma crença milenar de que as crianças eram inocentes do ponto de vista sexual. O livro sagrado desta tese são os Três ensaios sobre a teoria da sexualidade, publicado em 1905, pouco depois da teoria sobre os sonhos. 9

10 Há controvérsia sobre a aceitação deste livro pelo público, quando de seu lançamento. Freud se queixou, mas os historiadores registram que o livro foi muito bem aceito, inclusive no meio dos sexólogos, e foi bem vendido, mas a questão é que Freud esperava muito mais. Um dos grandes divisores de água deste texto é a distinção entre objeto e objetivo sexuais. Durante pelo menos dois milênios, e um pouco ainda no terceiro, imperou soberana a tese defendida pelas religiões, especialmente a católica, segundo a qual o objetivo da sexualidade é a procriação. Segundo Santo Agostinho, mesmo numa relação sexual visando à procriação, o prazer deve ser excluído, por ser pecaminoso. Então, a única atividade sexual, considerada aceita e normal, é a relação heterossexual, mesmo assim, se for usada de modo a não impedir a procriação. O atual Papa chega a ser cansativo nas proibições do uso de preservativo, do aborto e da homossexualidade, por serem práticas impeditivas da procriação. Logo, o objeto sexual, nesta proposta religiosa, é claramente definido: o sexo oposto. Qualquer desvio desta rota é considerado pecado, para os religiosos, e perversão, para uma parte da medicina, do direito etc. A proposta de Freud, retomando a tradição platônica, afirma que o objetivo da sexualidade é a obtenção de prazer. A procriação está no segundo plano. Por conseguinte, qualquer atividade sexual, que produza prazer, cumpre sua finalidade. E o objeto, por sua vez, deixa de ser específico. A heterossexualidade é simplesmente mais uma entre as várias opções, não a melhor necessariamente. Neste raciocínio, nenhuma atividade sexual é, intrinsecamente, má em si mesma, exceção feita para a pedofilia, como já foi dito, em função da dessimetria existente na questão do consentimento entre as pessoas, que se exige numa relação a dois. Na pedofilia, o que a criança aceita não coincide com a má intenção da oferta do adulto. 10

11 Estamos falando da diferença entre o instinto e a pulsão (tema do módulo IV). Diante disso, a clássica lista das perversões cai por terra, embora Freud tenha mantido o conceito de perversão, mas só no sentido de uma estrutura clínica, indicando uma posição psíquica subjetiva diante da castração, como foi dito na apostila anterior. Na infância, antes que o processo de educar venha impor suas restrições, a criança busca o prazer em tudo, de várias formas, em seu próprio corpo e no dos outros, de maneira espontânea, o que levou Freud a batizá-la com o nome perverso polimorfo. Por exemplo, são consideradas atividades claramente eróticas: chupar o dedo, reter as fezes, manipulação dos genitais, rivalidades ou brincadeiras sexuais com os irmãos. E existem as chamadas zonas erógenas, como a boca, o ânus, os genitais, nas quais a criança encontra o foco do prazer sexual. Se bem que, para a psicanálise, qualquer parte do corpo pode ser eleita como zona erógena, investida libidinalmente. O que significa a palavra perversão? Em sua etimologia, o prefixo per implica algo que se faz várias vezes, como na palavra perfeito : algo só fica perfeito depois de várias tentativas e repetições; versão, do verbo verter, virar, mudar, como em conversão, inversão, subversão, reversão, indicando mudanças de direção. Fala-se também em versão dos fatos, relatos diferentes de uma mesma história. Sendo assim, para a psicanálise, perversão implica em várias e diferentes formas de prazer, sem conotação pejorativa ou moralista, sem julgamento ou condenação. A pedofilia na Internet Com a expansão da internet no mundo inteiro, imune a qualquer tipo de controle ou barreira nacional ou internacional, a pornografia infantil assumiu proporções assustadoras. No Brasil, o Ministério Público Federal computou denúncias só nos últimos dois anos. Mais de 80% delas envolvem o serviço de relacionamentos Orkut, da empresa Google. Recentemente, foi criada a CPI da Pedofilia, que já aprovou a quebra de sigilo de 3261 álbuns de pornografia infantil. (Extraído do Jornal A Folha de S. Paulo, de ). No caso de Freud, este raciocínio prima pela elegância e honestidade, porque exigiu dele um grande esforço para superar suas resistências pessoais para admitir a sexualidade infantil. E foilhe também difícil aceitar outras modalidades de sexualidade fora do padrão heterossexual em que foi educado, como era típico em sua época. 11

12 Donatien Alphonse François, Marquês de Sade ( ), (foto acima), escritor francês, ficou famoso pelos desregramentos (flagelação, sodomia, sacrilégio) que lhe valeram 30 anos de prisão. Aí escreveu obras controvertidas: Os 120 dias de Sodoma, Justine, A Filosofia na alcova, e outras. Consideradas, durante algum tempo, obras pornográficas, foram depois reconsideradas, pelos surrealistas, como obras de filosofia, que descrevem a revolta de um homem livre contra Deus e a sociedade, e a vontade de libertar o homem de todas as opressões. Sade opõe-se ao otimismo dos Enciclopedistas, afirmando que é a própria natureza que ensina ao homem que o mal e a violência, sob todas as suas formas, fazem parte da normalidade. Materialista e ateu, dizia que o sofrimento, em geral de origem erótica, infligido ao outro, é uma oportunidade de gozo, além de conferir a felicidade de conhecer em si a destruição, que é a grande lei da natureza. Lacan ilustrou a capa de seu Seminário sobre a Ética, com a foto do quadro do Marquês de Sade. Freud faz referência ao Banquete de Platão, em que o amor homossexual era erigido em ideal do todo amor. E também se deparou com as descrições de várias versões, nos livros dos sexólogos que o precederam: masturbação, homoheterossexualidade, voyeurismo, exibicionismo, pedofilia, bestialidade ou zoofilia, sodomia, fetichismo, coprofilia, necrofilia, sadismo, masoquismo, travestismo, transexualismo e, hoje, o metrossexualismo etc. Os manuais oficiais da Psiquiatria, no mundo inteiro, mantiveram estas descrições com o nome de perversões, até o ano de 1995, quando o DMS-IV-TM, (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), decidiu trocar a designação de perversões pelo novo significante parafilias. Isto significa, mais ou menos, amor paralelo, e foi possivelmente influenciado pela psicanálise. Das elaborações freudianas, duas conclusões se impõem: 1. O objeto da sexualidade não é específico (por exemplo, o homem não é necessariamente o complemento sexual para a mulher, e vice-versa). 12

13 2. A existência de várias versões prova que a sexualidade humana não é inata, nem natural, ela é cultural e adquirida. Em outras palavras, nossa sexualidade não é instintiva e determinada, não é ligada à necessidade, como nos animais, ela é livre, pulsional, ligada ao desejo e personalizada. Outra desmistificação feita por Freud foi no sentido de não considerar as ditas perversões como degenerescência, como algo incompatível com o ser humano normal. E ele avança ainda mais, afirmando que todos temos uma bissexualidade, somos femininos e masculinos, temos uma homossexualidade latente raramente aceita, como uma inclinação inconsciente universal, presente nos pacientes neuróticos que deitavam no divã, e nos que supostamente seriam normais. Hoje, há um fenômeno social ganhando força. Entre os jovens de idade ou de espírito, e alguns intelectuais, é Cult dizer que se é gay. Dizer-se homossexual é quase uma censura aos heterossexuais, considerados caretas, conservadores e moralistas. As paradas gay agregam multidões que atingem números milionários. São mudanças culturais acontecendo. E a legislação vai legitimando uniões homossexuais, com o mesmo estatuto dos casamentos tradicionais. A neurose é o negativo da perversão, foi uma discutida afirmação de Freud. Pode ser entendida como a passagem da fase infantil, polimorfamente perversa, para uma vida adulta em que a educação repressora transforma a perversão em neurose. Quer dizer, o perverso, adulto, faz o que o neurótico não tem coragem de fazer, mas gostaria de fazer, até porque já o fez na infância. 13

14 Lacan inverte a afirmação anterior dizendo: A perversão é o negativo da neurose. Utilizando a analogia com os instrumentos ópticos, bem ao gosto de Freud, Lacan fala da perversão como o filme negativo da fotografia, que é a primeira versão de uma foto, com as cores invertidas. Num segundo tempo, revelado o negativo, aparece o positivo, a foto com as cores esperadas. O neurótico seria, então, o perverso anterior, infantil, agora domesticado, porque o adulto tem que renunciar à espontaneidade do prazer infantil. Outro ponto de destaque no texto de Freud são as teorias sexuais infantis, fantasias que as crianças inventam para explicar a origem dos bebês. Por exemplo, pela teoria da cloaca, a criança entende que os bebês nascem pelo ânus, como as fezes, ou nascem pelo umbigo da mãe. Há também a ideia de que os bebês são concebidos pela urina ou pelo beijo, ou que nascem logo depois do coito ou, ainda, de que tanto os homens quanto as mulheres podem ter filhos. A história da cegonha não é uma teoria infantil, é dos adultos mesmo, e as crianças não acreditam facilmente. Freud insistia para que os adultos contassem a verdade para as crianças, o que evitaria o sofrimento, a ansiedade e a dúvida por ignorarem um assunto tão essencial na experiência humana, bem como faria com que elas acreditassem e desenvolvessem um sentimento de maior confiança nos pais. Embora tendo uma orientação positivista e antimetafísica, Freud não dispensava a colaboração de alguns filósofos, quando convinha. Assim é que atribuía ao alemão pessimista Arthur Schopenhauer ( ), a afirmação de que as ações e intenções da humanidade são determinadas por impulsos sexuais, corroborando suas teses. E, como já foi dito, de Platão aproveitou o conceito de erotismo, ou Eros. Sexualidade feminina Quando Freud afirmou, no texto de 1905, que a libido é de natureza masculina, isto é, ativa, desencadeou uma grande contestação, vinda especialmente da Escola Inglesa, na época da Grande Controvérsia, surgindo daí o debate, que ainda não terminou, sobre a sexualidade feminina. Independentemente do sexo biológico, Freud atribuía ao conceito de masculino, a característica de atividade (nos homens e nas mulheres) e, ao conceito de feminino, a característica de passividade (nas mulheres ou nos homens). Entre as chamadas teorias infantis da sexualidade, talvez a mais importante seja aquela que afirma a existência do pênis nas crianças e adultos de ambos os sexos, nos animais e até nos objetos. Trata-se da premissa universal do pênis. Já é um indício de que o pênis, para as crianças, tenha outro significado além do simples órgão anatômico, isto é, alguma coisa que se define pela presença ou ausência. Com base nesta fantasmagoria, e com dados clínicos, Freud postulava que a menina desconhece a existência da vagina, e reconhece o clitóris como um projeto de pênis que vai crescer, ou como resquício de um pênis que já foi cortado por sua mãe. Por sua vez, o menino, percebendo a ausência de pênis na menina, passa a temer que ele também corra o risco de perder seu pênis. Assim, segundo Freud, a sexualidade da menina se organiza em torno do falicismo: ela quer ser um menino, tem inveja do pênis do pai e, no processo do Complexo de Édipo, deseja um filho deste pai. 14

15 Entretanto, a psicanálise, seguindo a trilha da libertação feminina em relação ao discurso médico masculino, da época de Charcot, abriu suas portas para que as mulheres ingressassem na instituição psicanalítica, no mesmo pé de igualdade com os homens. Muitas delas se dedicaram à análise de crianças, e tiveram oportunidade de fazer uma escuta mais próxima e mais competente que o próprio Freud, que não atendia crianças. Em princípio, as analistas da Escola Vienense, Anna Freud incluída, acataram as teses freudianas. Mas, a partir de 1920, as analistas da Escola Inglesa, lideradas por Melanie Klein, discordaram da tese freudiana de uma libido única, masculina, propondo uma especificidade da sexualidade feminina, negando o desconhecimento da vagina por parte da menina, e enfatizando as relações arcaicas da menina com sua mãe. Já que o debate sobre a sexualidade feminina se travava, de novo, entre Anna Freud e Melanie Klein, Freud se ressentia dos ataques dirigidos à sua filha e, com isso, não tinha a necessária imparcialidade para uma opinião crítica. Sandor Ferenczi chegou a afirmar que a masculinização da sexualidade feminina, por parte de Freud, explicava-se pela relação deste com sua mãe. Mas a honestidade de Freud era suficiente para reconhecer que Melanie Klein estava com a razão. No primeiro de dois artigos sobre a sexualidade feminina, ele afirmou que as analistas estavam mais aptas do que ele para compreender a questão da sexualidade feminina, na medida em que elas ocupavam, na análise, o lugar de um substituto materno. No segundo artigo, reconhece que é impossível compreender a mulher, sem levar em conta seu apego pré-edipiano à mãe. Por coincidência ou não, nesta época entre as duas Guerras Mundiais, surge o movimento feminista, com a emancipação sexual, social, política e jurídica das mulheres. A partir de 1945, Simone de Beauvoir ( ) publica o livro revolucionário O segundo sexo, e surgem os grandes pensadores, Jacques Lacan, Michel Foucault e Jacques Derrida, que impulsionam o debate sobre a sexualidade feminina, interrogando sobre a diferença entre os sexos e, finalmente, a distinção entre sexo e gênero. Segundo Elisabeth Roudinesco, Freud poderia ter contribuído mais para o estudo da feminilidade. Mas mostrou-se, às vezes, misógino, conservador, marido ciumento, pai incestuoso em relação a Anna, bom representante da autoridade patriarcal tradicional. Mas não se pode negar que, sem ele, a questão da sexualidade em geral, e da sexualidade feminina, particularmente, não seria a mesma que conhecemos hoje. 15

16 Bibliografia Freud, Sigmund. Novas conferências introdutórias sobre Psicanálise. Conferência XXXIII. ESB. vol. XXII, Rio de Janeiro, Imago, Freud, Sigmund. O futuro de uma ilusão. ESB. vol. XXI, Rio de Janeiro, Imago, Freud, Sigmund. Sexualidade feminina. ESB. vol. XXI, Rio de Janeiro, Imago, Freud, Sigmund. Três ensaios sobre a teoria da sexualidade. ESB. vol. VII, Rio de Janeiro, Imago, Hisgail, Fani. Pedofilia, um estudo psicanalítico. São Paulo, Iluminuras, Netto, Geraldino A.F. Deus é inconsciente. In Revista Pulsional, nº 85, São Paulo, Livraria Pulsional, Nietzsche, Friedrich. O nascimento da tragédia. São Paulo, Companhia de Bolso, Pfister, Oskar. A ilusão de um futuro: uma discordância amigável com o Prof. Sigmund Freud. In revista Pulsional, nº 85, São Paulo, Livraria Pulsional, Roudinesco, Eslisabeth. Dicionário de Psicanálise. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, Wondracek, Karin H. O futuro e a ilusão. Um embate com Freud sobre psicanálise e religião. Petrópolis, Vozes, Próxima apostila: Teoria do gozo fálico, do gozo feminino, e a sexuação, segundo Lacan. Respostas às questões da apostila anterior 1. Como explicar a dependência às máquinas? (Ivan Vale) R. Esta é uma questão típica da modernidade. A cada dia a tecnologia nos impinge novos aparelhos que aposentam os anteriores, trazendo sempre mais utilidades impensadas, das quais não sentíamos necessidade. Espelhamo-nos, contudo, nos outros que já compraram as geringonças feitas na China ou nos States, e temos que comprar também, para não ficarmos atrás. Cada dia passamos mais tempo no computador, no celular, na TV. Estamos afundados na Era da Conectividade. Segundo o cientista em tecnologia, o brasileiro Sílvio Meira, com o dilúvio de informações, sofremos da neurose que pode ser chamada de agonia informacional. Na reflexão freudiana, o que mais se aproxima destas engenhocas é o autômato, um boneco ou máquina que se comporta como se fosse vivo, ou inteligente, como se diz hoje. É o estranho, o duplo, o sinistro, que nos amedronta e fascina, ao mesmo tempo. E quando falta energia elétrica ou acaba a bateria, é um surto quase psicótico, certamente histérico. Dialogar horas a fio pela internet, ou namorar vendo só a imagem da outra pessoa, sem poder abraçar ou beijar, com uma presença apenas virtual, cheira a paranoia, é a fuga do corpo-a-corpo, mas, mesmo assim, pode dar em casamento. Evidente que não é possível negar a utilidade e vantagens destas tecnologias, mas, como tudo na vida, é preciso saber usar. Criar qualquer tipo de dependência significa abdicarmos de nossa autonomia e liberdade. Deixarmo-nos controlar pela Matrix é o mesmo que nos transformarmos em robôs. 2. De onde vem o vício das drogas? (Ivan Vale). R. Interessante a etimologia da palavra vício. Significa vez. O vice é o que faz as vezes do titular. Ter um vício significa repetir algo várias vezes. Em geral, a gente repete aquilo que é prazeroso, portanto, a origem de um vício é sempre algo agradável. O bebê suga o seio, se satisfaz, se 16

17 acalma, e deseja que a experiência se repita várias vezes. É um viciado, seio-adito. Mas o próprio organismo impõe limites. Vai chegar a hora do desmame, para que ele passe aos alimentos sólidos, e mãe se libere de amamentar, porque o leite seca. Freud assinala que, por exemplo, o orgasmo, com todo o prazer que proporciona, é limitado a alguns segundos, e se a gente insiste em continuá-lo à força, ou repeti-lo várias vezes seguidas, causa desprazer, até mesmo dor. Quando alguém recorre à droga, álcool, fumo, por exemplo, está regredindo às atividades orais prazerosas da primeira infância. Se não houver também aí um desmame, caracteriza-se uma situação em que já não se sente mais prazer, não se consegue se livrar do vício, comprometendo a saúde, a vida, e incomodando meio mundo. É a passagem da pulsão de vida, do prazer, para a pulsão de morte, de destruição de si mesmo. 3. O desejo da mãe (de ser o falo, de completude) vem da incompletude causada pela interdição do incesto? (Débora Gomes) R. Quando se quer encher uma vasilha, é porque ela está vazia. Assim, quando a mãe ou qualquer pessoa busca a completude, já percebeu o vazio. E não é só pela interdição do incesto, porque anterior a ela está o fato de sermos seres falantes e faltantes. As palavras apontam para a ausência da coisa que elas representam. A interdição do incesto é uma das muitas restrições que a cultura nos impõe, para nos 'educar' com relação à falta. Mas procuramos driblar esta falta (o desamparo, a precariedade), que entra em conflito com nosso narcisismo e desejo de onipotência. 4. A expressão 'desejo do outro' refere-se ao pequeno ou ao grande Outro? (Débora Gomes) R. Refere-se aos dois. O pequeno outro é nosso semelhante, que procuramos, em geral, agradar e não contrariar ou ofender. Na vida amorosa, acontece até de um dos parceiros mudar de religião para agradar e seguir o desejo do outro. O desejo do grande Outro (nosso inconsciente, a cultura) é um pouco mais complicado, porque entra em jogo um conflito (o querer consciente e o desejo inconsciente). Alguém quer muito namorar uma pessoa, mas quando a aborda, comete uma gafe que inviabiliza o projeto. Isto é, queria, mas não desejava. Como somos divididos, nosso consciente pode planejar algo que o nosso inconsciente vai boicotar. 5. O homem pensa ter o falo, a mulher é o falo. Se o falo é o significante da falta, que é que o homem pensa que tem? (Débora Gomes) R. Ter um pênis não anula nem encobre a falta constitutiva de todos nós. Por isso, a mulher é mais lúcida, autêntica e verdadeira, admitindo, de pronto, sua falta. Já o homem vive o grande equívoco de pensar imaginariamente ter o que não tem, razão pela qual é considerado um tonto, sempre iludido. 6. Para a psicanálise, qual é a origem da homossexualidade? (Marcos Cunha) R. Pode-se perguntar o mesmo com relação à heterossexualidade. E a resposta é a mesma. É a bissexualidade presente em todos nós. 7. O que acontece à criança quando não tem um pai nem um substituto? (Marcos Cunha) R. O importante é que a função paterna seja exercida por alguma pessoa, inclusive pelas instâncias sociais, a escola, a religião, a polícia. Não faltará quem substitua o pai. A questão é se o sujeito vai reconhecer este pai ou esta função. Se ele não a reconhece, mesmo quando tem um pai real e responsável, o destino pode ser a psicose ou a sociopatia. Há uma saída pela chamada suplência da função paterna, através da criatividade na literatura, nas artes e até na religião. 8. Quais são as perversões, do ponto de vista psicanalítico? (Marcos Cunha) 17

18 R. Hoje em dia, a psicanálise não reconhece as clássicas perversões da psiquiatria ou do direito (masturbação, homossexualidade, exibicionismo, masoquismo, e uma lista enorme). Para a psicanálise, tudo isto são versões normais da sexualidade, com a única exceção da pedofilia. O conceito psicanalítico atual é o de perversão, no singular, como uma estrutura clínica, sem conotação moralista ou pejorativa, que será explicado numa próxima apostila. 9. Qual é a causa da psicose? (Elisabete Pesatto) R. Nos filmes, ela aparece ligada a um trauma. Algum trauma todos nós temos, porque a castração é traumática. Por que algumas pessoas escolhem a estrutura psicótica, é um desígnio insondável. É possível até encontrar justificativas 'a posteriori', mas não é possível prever nada nem ter uma explicação convincente. 10. Existem mulheres fálicas, apegadas ao poder, usando subterfúgios para conseguir mandar, mostrando uma aparência, quando, de fato são inseguras? (Maria Cristina) R. Ser homem ou mulher não é determinado anatomicamente. São escolhas subjetivas, inconscientes. Quanto ao falo (símbolo da falta e do poder), todos queremos sê-lo, em consequência do narcisismo. Quando não se consegue ser, procura-se tê-lo, no real ou no imaginário. É aí que os homens se iludem, pensando tê-lo no corpo. Então, há mulheres fálicas, como muitos homens também, e isso mostra que o falo não é sinônimo de pênis. É a competição generalizada. Agora, usar de subterfúgios para enganar é a própria perversão, como será mostrado numa próxima apostila. Os travestis, por exemplo, podem ser chamados de perversos, não, necessariamente, por causa de sua sexualidade, mas pelo fato de aparentarem que são mulheres e, assim, enganarem as pessoas. 11. O apego dos homens aos carros, motos e máquinas possantes (potentes) é fálico? Outros homens não precisam desta prova. (Maria Cristina) R. As máquinas funcionam como objetos fálicos, inclusive substitutos da mulher. Na língua inglesa, a gramática permite o uso do pronome feminino para as máquinas, quando o certo seria o neutro. Se o homem precisa deste subterfúgio, pode ser por medo ou insegurança quanto à mulher. 12. Por que os homens têm mais resistência a fazer análise? (Maria Cristina) R. Porque a análise os força a falar de seus sentimentos e emoções, que eles consideram 'coisa de mulher'. De fato, o grande medo e ameaça de muitos homens é ter que enfrentar o feminino que está dentro de todos eles. 13. Os homossexuais masculinos são mais sensíveis para admitir a falta? (Maria Cristina) R. Eles são mais sensíveis e delicados, em geral, que os heterossexuais, no tocante ao convívio social. Eles aceitam melhor a própria feminilidade. Mas, com relação à falta, talvez, não. O que leva os homossexuais, masculinos ou femininos, à sua escolha é justamente o narcisismo, onde não há falta. O sexo oposto sempre aponta à falta: para mulher, a presença do pênis no homem vai lembrar que ela não tem; para o homem, a ausência do pênis na mulher vai ameaçá-lo de perder o seu. Para ambos, está em jogo a castração já realizada ou anunciada. 14. A cultura sempre agiu para reprimir a mulher, e as mães perpetuam esta repressão nos filhos. Como sair desta? (Maria Cristina) R. É inegável um movimento, ainda que lento, mas constante, de mudar o parâmetro. Isto é irreversível e recebeu grande impulso da psicanálise, que também faz parte da cultura. Ainda bem que a cultura evolui muito mais rapidamente do que a natureza. A presença e visibilidade cada vez maior da mulher no mundo vai incrementar o movimento e regatar uma dívida histórica. 18

19 15. A submissão das mulheres é herdada pela repressão, ou é o fato da falta de pênis que as faz sentirem-se' menos'. (Maria Cristina) R. Bem antes de surgir a psicanálise, os monoteísmos (judeu, muçulmano e cristão) capricharam em desmerecer a mulher. Houve época em que teólogos perguntaram se a mulher tinha alma. No Novo Testamento, o apóstolo São Paulo é explícito: as mulheres sejam submissas aos seus maridos. A origem de tudo está na religião, que é cultural. Freud tentou sair desta armadilha, mas foi infeliz com a teoria da inveja do pênis que, entretanto correspondia à cultura da época. Ele escutava isto na clínica. Hoje mudou muito. Se o problema fosse biológico, orgânico, não haveria solução, por depender da natureza. Mas, como é cultural, é possível mudar. Freud avançou, mesmo assim, quando estipulou as equivalências simbólicas: pênis, bebê, dinheiro, fezes: tudo isto é sujeito a trocas simbólicas. Começando pelo bebê, que oferece como presente, ou como recusa aos pais, as fezes, em troca de um pedido de amor. No meu entender, estas equivalências ainda fazem sentido. Só que a escuta clínica de hoje mostra claramente que as mulheres, além de não terem nenhuma inveja do pênis, não fazem tanta questão dele, a não ser quando querem ter um bebê. Existe também o banco de sêmen, que torna o homem desnecessário e descartável. Isto é notório: tanto os homens quanto as mulheres já se deram conta de que a equivalência simbólica agora funciona diferente: troca-se o pênis pelo cartão de crédito ou conta bancária e, sobretudo, entende-se o conceito de falo no sentido correto e simbólico, de poder. As mulheres querem mandar nos homens e o fazem de maneira discreta e competente. Sobretudo depois de Lacan, se formos falar em submissão, é dos homens. A mulher tem mais poder, com um outro gozo que o homem desconhece, o gozo feminino (vai ser explicado em outra apostila). Resumindo: hoje é o homem que tem inveja da mulher, pelo poder criador que ela detém, e pela constatação de que todos os homens foram gestados por uma mulher, não sendo isto um dado cultural mutável, mas uma premissa da natureza que, esta, não muda. E ainda outra coisa que deixa os homens perplexos: a descoberta freudiana de que todos somos masculinos e femininos ao mesmo tempo. Assim, ninguém tem que submeter ninguém. Outro conceito freudiano que caiu em desuso é a passividade ligada ao feminino. Já que masculino e feminino são escolhas psicológicas (culturais) e não naturais (anatômicas), ninguém sabe bem quem é homem ou mulher. As mulheres preferem ser caracterizadas como receptivas, em vez de passivas. 16. No texto 'How to Read Lacan', Slavoj Zizek fala o seguinte: For Lacan, the goal of psychoanalytic treatment is not the patient s well-being or successful social life or personal self-fulfillment, but to bring the patient to confront the elementary coordinates and deadlocks of his or her desire. Ou seja, para Lacan, o objetivo do tratamento psicanalítico não é o bem-estar do paciente, o seu sucesso social ou a sua completude pessoal, mas fazer o paciente confrontar seus bloqueios, desejos e ações elementares. Daria para você comentar um pouco essa observação? (Maria Lúcia Ferreira) R. Esses diálogos a respeito da psicanálise nos fazem investigar mais fundo os mistérios dos desejos e anseios humanos. Desde Freud, a preocupação clínica era no sentido de mitigar a dor e, sobretudo, o sofrimento psíquico que as neuroses causam nas pessoas, travando-as, engessando-as desnecessariamente, já que poderiam ter uma vida mais saudável e produtiva, no amor e no trabalho. Com Lacan, como bem descreveu o Zizek, aumentaram as críticas, sobretudo a uma abordagem americana da psicanálise, preocupada com a adaptação do paciente aos padrões sociais, aí incluído o sucesso, o bem-estar, a completude. Por que a crítica? Primeiro, porque a adaptação ou conformismo sociais podem ser mais doentios do que uma desadaptação. Segundo, porque as promessas de completude e felicidade só encontram respaldo na religião, que sobrevive por dar uma esperança de glória eterna. Como ninguém voltou da outra vida para confirmar ou negar a realização de tais promessas, os fiéis, na dúvida, preferem esperar e crer. Mas a psicanálise não é uma religião, e considera a religião como uma ilusão, como diz o título do livro de Freud: 'O futuro de uma ilusão'. O que Freud e Lacan 19

20 defendem é que a civilização, por mais avançada, produz em nós o mal-estar. E não podia ser diferente, pois nossa condição humana é sujeita à falta, à morte. É justo que busquemos a completude, mas a psicanálise nos adverte de não apostarmos todas as fichas nisto, porque não temos condição de concretizar este objetivo. Sendo assim, a psicanálise não promete nada, no que também desaponta muitas pessoas. Mas é honesta e realista. 17. Como está sendo feita a releitura da psicanálise, baseada nas atuais pesquisas e descobertas sobre o cérebro e seu funcionamento, pois quando Freud desenvolveu sua teoria, no princípio do século passado, assim como Lacan, em 1960, e assim por diante, as informações que tínhamos sobre o funcionamento cerebral e as correlações com as emoções, eram outras. Gostaria, se possível, que você me recomendasse leitura a esse respeito (Maria Lúcia Ferreira) R. Quanto às recentes e surpreendentes pesquisas sobre o funcionamento do cérebro, é interessante notar que Freud esperava uma aliança da psicanálise com a ciência, para destruir a religião. Ele se equivocou. Aconteceu o contrário, a religião e a ciência, mesmo sem fazerem uma aliança explícita, tentam minar as bases da psicanálise. Mas as brilhantes descobertas científicas sobre o funcionamento do cérebro não colocam em xeque a psicanálise, porque o objeto de estudo de ambas é completamente diferente. A psicanálise não se ocupa do funcionamento do cérebro, e as pesquisas das neurociências não se ocupam nem têm condição de acessar as produções do inconsciente. Não existe nenhuma glândula que produza o desejo, cuja natureza não é hormonal, é psíquica. As pesquisas feitas sobre a fisiologia dos sonhos, por exemplo, que trouxeram grandes esclarecimentos sobre o fenômeno, não conseguiram dizer nada a respeito do conteúdo dos sonhos e suas motivações, que era só o que interessava a Freud. Um livro interessante para ler sobre estes temas é 'Por que a psicanálise?', de Elisabeth Roudinesco, Jorge Zahar Editor. Neste livro, ela deixa claro que o pensamento não se reduz a um neurônio, e o desejo não é uma secreção química. 18- Gostaria de saber um pouco o que diz a teoria da psicanálise (se é que diz alguma coisa sobre) a respeito de pessoas que tratam bem ao outro, fazem elogios, mandam s saudosos etc, mas na verdade, são extremamente agressivas quando se referem a esse outro junto a outras pessoas, poderíamos dizê-las "cínicas". Gostaria de entender um pouco o que faz uma pessoa ficar elogiando, bem tratando ao(s) outro(s), sendo que não precisa disso, nem ao menos dessa(s) pessoa(s), quando na verdade o que gostaria era de detoná-la(s), e faz isso pela linguagem. (Neuza Michel) R. A vida cotidiana confirma estes fatos à exaustão. Popularmente, costuma-se dizer que são pessoas invejosas as que agem assim. Numa linguagem mais psicanalítica, podemos dizer que são pessoas que se identificam com a outra, porque esta outra realiza determinados desejos que a primeira tem, mas não consegue realizar. A agressividade é a maneira de se punir o outro idealizado, quando não se tem coragem ou clarividência para se punir a si mesmo. Se o comprometimento é maior, temos indícios, traços ou, até mesmo, confirmação de que se trata de perversão, no sentido de que alguém dá a entender um entorno simbólico, convencer o outro de uma atitude amistosa, quando, de fato, a intenção é contrária, é imaginária, em função da ambiguidade do significado. 19- "... a psicanálise trabalha sempre com o desejo que, embora desejo do outro,..." poderias me falar/explicar um pouquinho mais sobre o que significa este "desejo do outro" para a psicanálise? (Neuza Michel) R. Na apostila nº 4 foi comentada a etimologia da palavra desejo. Remete à falta. Deseja-se o que não se tem. Todos sentimos o desamparo, que algo nos falta, somos carentes de amor, e supomos que o outro tem aquilo que nos completaria. Mas, quando falamos em desejo do outro, não nos damos conta de que, no outro, existe a mesma falta. E como não nos damos 20

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