RELATÓRIO DE CONCRETIZAÇÃO DOS OBJECTIVOS DO PROCESSO DE BOLONHA

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1 Ano 2008/2009 Data 30/12/2009 Página 1 de 11 RELATÓRIO DE CONCRETIZAÇÃO DOS OBJECTIVOS DO PROCESSO DE BOLONHA ANO LECTIVO 2008/2009 (em cumprimento do Artigo 66º do Decreto-Lei nº 107/2008, de 25 de Junho) Elaborado: Conselho Técnico-Científico Aprovado:Conselho de Direcção

2 SUMÁRIO Introdução 1 - Mudanças operadas em matéria pedagógica no sentido de uma formação orientada para o desenvolvimento de competências dos estudantes com base no Sistema Europeu de Transferência e Acumulação de Créditos (ECTS) 2 - Informação e indicadores que evidenciem o progresso das mudanças realizadas na instituição que permita comparar com a evolução realizada em outras instituições que se constituam como referência 3 - Indicadores objectivos que considerem a evolução do peso das várias componentes do trabalho do estudante no número de horas de trabalho total 4 - Medidas de apoio à promoção do sucesso escolar 5 - Acções de apoio ao desenvolvimento de competências extracurriculares 6 - Medidas de estímulo à inserção na vida activa 7 Conclusão 2/11

3 Introdução O presente relatório visa apresentar a informação sobre o progresso de concretização do Processo de Bolonha na Escola Superior de Enfermagem da Cruz Vermelha Portuguesa de Oliveira de Azeméis (ESEnfCVPOA), dando cumprimento ao estabelecido no Decreto-lei nº 74/2006, de 24 de Março, alterado e republicado pelo Decreto-lei nº 107/2008, de 25 de Junho. Na sequência da adopção do modelo de organização do Ensino Superior em três ciclos de estudo e consequente utilização do Sistema Europeu de Transferência e Acumulação de Créditos (ECTS), a ESEnfCVPOA efectuou a adequação do Plano de Estudos do Curso de Licenciatura em Enfermagem, com o Registo nº R/B -AD 72/2008 publicado no Diário da República pelo Despacho n.º 6543/2008 de 6 de Março entrando em funcionamento no ano lectivo 2008/2009, para os estudantes do 1º, 2º e 3º anos, já que os estudantes do 4º ano optaram por se manter no Plano de Estudos Pré Bolonha. Tendo em conta os princípios legais, estipulados pelo Decreto-Lei nº 42/2005, de 22 de Fevereiro, o 1º Ciclo de Estudos do Curso de Licenciatura em Enfermagem tem a duração de 4 anos (240 ECTS). Atendendo à sua particularidade, foram seguidas as orientações da Directiva da União Europeia (Directiva nº 36/2005/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 7 de Setembro (Jornal Oficial nº L255, de 30 de Setembro de 2005), a qual indica que, pelo menos 50% do tempo (120 ECTS), tem de ser preenchido com ensino clínico em diferentes contextos da prática dos cuidados de Enfermagem. O Ensino nesta Escola desenvolve-se com base nos princípios da Cruz Vermelha Portuguesa e nos valores da humanidade, da responsabilidade pessoal e profissional ancorados pela Qualidade. Obtivemos a certificação no domínio do Ensino Superior de Enfermagem e Formação Continua - APCER nº2004/cep.2384, ISO 9001:2008. Em Outubro de 2009 foi realizada a Auditoria Externa ao Sistema de Gestão da Qualidade pela APCER Associação Portuguesa de Certificação, tendo a entidade certificadora considerado que estavam reunidas as condições necessárias para a manutenção da Certificação do Sistema de Gestão da Qualidade. 3/11

4 A elaboração deste relatório resulta da análise da informação dos questionários lançados aos docentes e estudantes e de outros indicadores provenientes de outros documentos formais da escola. 1 - Mudanças operadas em matéria pedagógica no sentido de uma formação orientada para o desenvolvimento de competências dos estudantes com base no Sistema Europeu de Transferência e Acumulação de Créditos (ECTS) No sentido de desenvolver a actividade centrada no modelo de competências preconizou-se uma metodologia de ensino mais participativa, centrada no estudante como agente do seu próprio desenvolvimento e no desenvolvimento de competências transversais e específicas. Para efectivar essas mudanças pedagógicas, que exigiram um maior acompanhamento dos estudantes por parte dos docentes, houve necessidade de investir na sensibilização/formação dos agentes e na melhoria continua. No sentido de conhecermos a perspectiva dos docentes, sobre a aplicação do Plano de Estudos Adequado ao Processo de Bolonha, foi aplicado um Questionário de Avaliação da Concretização dos Objectivos do Processo de Bolonha aos responsáveis das unidades curriculares. Da análise do referido questionário, 95% dos docentes que participaram, referiram ter realizado mudanças nas seguintes áreas: utilização de uma abordagem cooperativa baseada na técnica de resolução de problemas, utilização de estratégias de Roll-playing; trabalhos de grupo; metanálise de artigos de investigação; projectos de investigação; simulação prática de casos clínicos em contexto de laboratório. A avaliação contínua, modelo que já vigorava antes da adequação ao Processo de Bolonha, passou a ser o método preferencial na avaliação das Unidades Curriculares; A utilização das novas tecnologias de informação e comunicação, nomeadamente com a utilização da plataforma informática como ferramentas de apoio à docência, permitiu melhorar a comunicação e a interacção entre docentes e estudantes, pela 4/11

5 possibilidade de lançamento de horários, sumários, resultados da avaliação e outras informações relevantes. A Escola encontra-se a desenvolver a plataforma de e-learning, como forma de apoiar estas mudança, optimizar a comunicação e contribuir para o sucesso escolar, estando previstas acções de formação para docentes e discentes na área das novas tecnologias e metodologias mais consentâneas com o espírito de Bolonha. Importa, ainda, referir o trabalho contínuo desenvolvido pelo Gabinete de Qualidade e Auditoria, na monitorização do desempenho global da Escola e dos seus colaboradores. Obtiveram-se taxas de satisfação global dos estudantes muito positivas das quais se destacam: 75% de satisfação com o desenvolvimento das Unidades Curriculares Teóricas e 85% de satisfação com o desenvolvimento das Unidades Curriculares Ensinos Clínicos; 83% de satisfação relativa ao desempenho dos docentes e 87% de satisfação com o desempenho dos Orientadores dos Ensinos Clínicos. 2 - Informação e indicadores que evidenciem o progresso das mudanças realizadas na instituição e que permita comparar com a evolução realizada em outras instituições que se constituam como referência A adopção pela Escola dos princípios contidos na Declaração de Bolonha implicou a alteração do plano curricular do curso, bem como a mudança de metodologias de ensino/aprendizagem - agora mais explicitamente dirigidas para o estudo autónomo e para a aquisição de competências pelos estudantes e a adopção de um novo sistema de créditos (ECTS). Neste contexto, a Escola tem-se pautado pela adopção dos seguintes princípios: O estudante como centro e agente do processo educativo através da aquisição de uma cultura de trabalho, propiciadora da progressiva autonomia do estudante. Aprendizagem Activa encarada como um processo de construção activa e pessoal, na qual docentes e estudantes colaboram activamente no sentido do fomento das competências propiciadoras de maior autonomia. Desenvolvimento de competências isto é a capacidade, por parte dos 5/11

6 estudantes, de mobilização, de forma integrada, de conhecimentos, aptidões e atitudes para a resolução de problemas específicos da sua área científica, técnica e profissional. Metodologias de avaliação que são discutidas com os estudantes e dadas a conhecer atempadamente, de modo a permitir um melhor planeamento do seu trabalho. A existência de um Coordenador de ano permite uma distribuição regular da carga de trabalho exigida ao longo do ensino lectivo e pedagógico. Uma vez que a implementação do Processo de Bolonha tem apenas 1 ano de existência, não havendo ainda licenciados segundo o Plano de Estudos de Bolonha, não é viável apresentar indicadores fiáveis e um histórico mínimo que permita garantir mudanças mais subtis, a nível cientifico-pedagógico. Apesar das parcas evidências que traduzam o progresso das mudanças realizadas, destaca-se objectivamente, as elevadas taxas de sucesso escolar por ano de frequência, neste primeiro ano lectivo, de implementação do Processo de Bolonha: 1º ano apresentou 93% de aprovação; 2º ano com 95% e finalmente o 3º ano com uma taxa de aprovação de 100%. 3 - Indicadores objectivos que considerem a evolução do peso das várias componentes do trabalho do estudante no número de horas de trabalho total Tendo por base a análise dos questionários de avaliação da Concretização dos Objectivos do Processo de Bolonha, aplicados aos responsáveis das Unidades Curriculares, relativamente ao peso das várias componentes do trabalho do estudante (número de horas de trabalho total, total de horas de contacto, componente teórica, teórico-prática, prática e laboratorial, seminários, trabalho experimental e componente projecto), 55% dos docentes que responderam propõem como sugestões: aumento da carga horária teórico-prática, prática e laboratorial; criação da tipologia de orientação tutorial com vista a um acompanhamento mais individualizado dos estudantes. Quando questionados os estudantes, relativamente ao equilíbrio entre as horas de trabalho do estudante não presenciais e horas de contacto, constatamos que os estudantes referem um equilíbrio no peso das horas de contacto, bem como nas 6/11

7 diferentes tipologias e uma sobrecarga no peso das horas de trabalho autónomo. 4 - Medidas de apoio à promoção do sucesso escolar Em constante cooperação e colaboração os Conselhos Directivo, Técnico-Científico e Pedagógico, Coordenadores da Licenciatura e os docentes, desenvolvem um conjunto de acções para promover o sucesso escolar, que foi referenciado como adequado pelos estudantes. Constituíram-se como exemplos de algumas medidas de apoio ao sucesso escolar: a utilização de novas metodologias de ensino e de avaliação, com valorização da avaliação continua; a diversificação das metodologias de ensino; a disponibilização de horário de atendimento ao estudante; a acessibilidade dos estudantes aos docentes; a divisão das turmas em pequenos grupos; a realização de aulas de práticas laboratoriais em contexto real; a dinamização do Gabinete de Apoio ao Estudante e Inserção na Vida Activa, através do apoio psicológico ao estudante; o alargamento do horário de funcionamento do Serviço de Documentação Informação e Biblioteca; o acesso a base de dados B- on; a amplificação do sistema wireless; o aumento dos recursos informáticos de hardware e software; as novas instalações da escola com espaços apropriados para o estudo individual e de grupo; o apoio social aos estudantes. 7/11

8 5 - Acções de apoio ao desenvolvimento de competências extracurriculares É promovida a participação dos estudantes em diversas actividades extracurriculares (congressos, jornadas, encontros científicos, workshops, visitas de estudo, entre outros), para possibilitar contactos mais directos com o conhecimento científico e com outras realidades, de forma a dar significado e consolidação às aprendizagens desenvolvidas nas unidades curriculares. Este elemento foi ainda reforçado com a inserção de unidades curriculares de opção para que os estudantes também possam dirigir o seu processo de aprendizagem. Os estudantes têm colaborado, activamente, em diversas actividades desenvolvidas na e para a comunidade no âmbito do Gabinete de Apoio ao Estudante e Inserção da Vida Activa em mostras de oferta formativa, rastreios à comunidade e apoio aos peregrinos, sessões de educação para a saúde em instituições da rede escolar e IPSS s. Desde 2007 que os estudantes finalistas organizam um encontro anual Encontro Cientifico da ESEnfCVPOA, tendo como objectivo central divulgar trabalhos académicos, partilhar experiências e promover intercâmbios com instituições de saúde e de ensino. Participação dos estudantes finalistas no Projecto de Intervenção Par a Par com a Saúde em parceria com a Escola Secundária Soares Basto, com vista à promoção de hábitos salutogénicos. No sentido de desenvolver o espírito de cooperação e competências sociais e relacionais os estudantes criaram, mantendo-se activas, as Tunas Académicas, uma masculina e outra feminina, a Associação Académica e a Associação dos Antigos Estudantes da Escola, por forma a fomentar actividades de carácter social, cientifico, formativo e de investigação. A internacionalização é um pilar fundamental da modernização e desenvolvimento da Escola. Neste sentido, no âmbito da promoção da mobilidade e internacionalização de estudantes e docentes, no ano lectivo de 2008/09, a escola alargou as parcerias com Instituições Europeias de Ensino Superior estabelecendo novos Acordos Bilaterais de cooperação Erasmus, através da atribuição da Carta Universitária de Erasmus Extended à Cruz Vermelha Portuguesa em Abril de A Escola tem Acordos Bilaterais com a Escola Creu Roja Barcelona (Acordo Bilateral 2008/2013) e a University Stavanger Noruega (Acordo Bilateral 2008/2013). 8/11

9 6 - Medidas de estímulo à inserção na vida activa A Escola, através do Gabinete de Qualidade e Auditoria, preocupada com a aquisição gradual das competências profissionais, ao longo do 1º ciclo de Estudos do Curso de Licenciatura em Enfermagem, faz a auscultação das Entidades Empregadores, relativas à sua satisfação face ao desempenho da escola e dos estudantes em ensino clínico. Esta estratégia tem permitido à escola monitorizar e melhorar continuamente o seu processo de ensino aprendizagem, com vista, a facilitar a integração dos estudantes no mercado de trabalho. Com o objectivo de melhor preparar a inserção dos diplomados na vida activa, organiza anualmente seminários (no último ano do curso) procurando dar respostas aos estudantes sobre a carreira de Enfermagem e inserção na vida profissional. Para o efeito, são convidadas várias entidades como por exemplo a Ordem dos Enfermeiros e Associações Sindicais. Além disso, são realizados Workshops sobre Como elaborar um Curriculum vitae e sobre Preparação de uma entrevista profissional de selecção. Tem sido também preocupação dar a conhecer alternativas de empregabilidade e de mobilidade, promovendo actividades que melhorem a informação sobre o mercado de trabalho nacional e internacional através de uma relação estreita com todas as instituições que mantém protocolos de colaboração. A Escola no âmbito da Formação Continua realiza anualmente várias actividades de formação, com a atribuição de bolsas aos antigos estudantes. No sentido de promover o empreendedorismo, foram ainda organizados momentos de partilha com antigos estudantes da escola que, com sucesso, criaram o seu próprio emprego. O protocolo de parceria com a Escola Inglesa, tem possibilitado o apoio aos antigos estudantes com interesse em exercer a sua actividade profissional fora do país, através do contacto, informação e encaminhamento com instituições estrangeiras parceiras da Escola Inglesa, nomeadamente com a Irlanda e Inglaterra. Esta parceria tem sido muito importante, para a inserção na vida activa e acompanhamento na fase inicial dos recém-licenciados, que decidem ir trabalhar para o estrangeiro. Isto só foi possível pela introdução no Plano de Estudos de uma língua estrangeira (Inglês ou Espanhol), embora inicialmente tenha criado algumas dificuldades na organização dos tempos lectivos e também alguma ansiedade nos estudantes que, em abono da verdade, justificada pela falta de bases para dar resposta às exigências que se impuseram. Ao mesmo tempo, e na medida que o processo se foi desenvolvendo, os 9/11

10 estudantes foram percebendo a sua importância e utilidade, quer para o processo de formação quer para o ingresso no mercado de trabalho Global. 7 - Conclusão Este relatório apresenta uma série de indicadores e de considerações relativas à implementação do Processo de Bolonha, e às suas alterações curriculares e estruturais no 1º Ciclo de Estudos do Curso de Licenciatura em Enfermagem ministrado na Escola. Promoveu-se uma análise às medidas realizadas a nível pedagógico decorrentes da adequação ao Processo de Bolonha. Foram também apresentadas informações que evidenciam as mudanças realizadas em termos de organização e desenvolvimento curricular do novo plano de estudos. Apresentamos as medidas de apoio à promoção do sucesso escolar, ao desenvolvimento de competências transversais através da realização de actividades extracurriculares e de inserção na vida activa. A aplicação do Plano de Estudos adequado ao Processo de Bolonha obteve por parte dos estudantes, docentes e colaboradores grande aceitação. O ano escolar decorreu sem perturbações ao processo de mudança, tendo o complexo processo de transição do anterior para o novo plano de estudos decorrido sem sobressaltos, graças em grande parte ao trabalho realizado pelos Coordenadores de Ano. Houve por parte de docentes e estudantes uma adesão empenhada e participativa às alterações introduzidas nas metodologias de ensino/aprendizagem. Dos resultados obtidos podemos concluir que a concretização da adequação ao plano de estudos do 1º, 2º e 3º anos do 1º Ciclo de Estudos do Curso de Licenciatura em Enfermagem está em relativa concordância com as expectativas dos estudantes, docentes e colaboradores na medida em que: houve um maior envolvimento da comunidade educativa no processo de ensino/aprendizagem; o esforço a desenvolver pelos estudantes mostrou-se mais equilibrado e melhor distribuído ao longo do semestre/ano lectivo; melhor conhecimento do funcionamento da Escola e maior consciência das dificuldades associadas ao funcionamento do curso, nomeadamente no plano pedagógico, científico e da gestão; os objectivos do curso encontram-se melhor definidos em função das competências a adquirir pelos estudantes; 10/11

11 maior interacção entre a Escola e as organizações/instituições do seu meio envolvente. No entanto, estamos conscientes que existem aspectos a melhorar dos quais se salientam: a necessidade dos estudantes se percepcionarem como elementos centrais no processo de ensino/aprendizagem; a necessidade de se investir mais nas medidas de apoio ao sucesso escolar dos estudantes; maior sensibilização dos docentes e estudantes para um novo paradigma e em especial para a implementação de estratégias ensino/aprendizagem mais activas e de promoção da avaliação continua; melhorar a adequação da licenciatura às necessidades da vida profissional, quer a nível técnico-científico, quer a nível comportamental; dificuldade de interiorização, por parte dos estudantes, da necessidade de maior autonomia na gestão do tempo e no processo de ensino/aprendizagem; definição mais clara e articulada do perfil de conhecimentos e de competências a adquirir pelos estudantes ao longo do seu percurso formativo; escassa produção científica. A Escola continuará a investir no sentido de consolidar uma oferta formativa de qualidade, projectando a sua imagem a nível nacional e internacional. 11/11

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