CAPÍTULO 3. Necessidades das crianças usuárias de implantes cocleares na escola. Tendências em serviços educacionais

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1 10 GUIA PARA EDUCADORES CAPÍTULO 3 Necessidades das crianças usuárias de implantes cocleares na escola Tendências em serviços educacionais A equipe de apoio ao aluno com implante coclear Equipe clínica cirurgião, audiologista Equipe pedagógica e de reabilitação professores, fonoaudiólogo, etc. Formação da equipe da criança O que esperar Resultados de desempenho Variações de intervenção Outras considerações CLIC It Problemas de leitura Para crianças que usam linguagem de sinais Tendências em serviços educacionais Muitas famílias recorrem ao implante coclear em parte porque desejam que a criança que sofre de surdez freqüente a escola com seus colegas com audição normal. É normal que todos os pais queiram que seus filhos sejam bem-sucedidos na escola, no trabalho e em tudo mais que desejem realizar em suas vidas. Os pais de crianças surdas não são exceção e, em geral, consideram o ambiente escolar normal como o ponto de partida do caminho a ser seguido por seus filhos rumo a vidas produtivas na sociedade. No passado, a maioria das crianças com perda auditiva grave ou profunda era educada em salas de aula independentes onde era possível concentrar a atenção nas necessidades especiais das crianças com perda auditiva significativa. A tendência atual respaldada por legislação federal no âmbito da educação é colocar todas as crianças com deficiências no ambiente considerado menos limitador possível que atenda às suas necessidades. Para uma criança com implante coclear, a meta de colocação em um ambiente escolar normal é agora possível e desejável. Não importa o tipo de ambiente escolar normal, independente ou algo intermediário a maioria das crianças com implantes cocleares ainda precisará de serviços especiais e apoio em algum momento ao longo de sua carreira escolar. Os tipos de serviços e a freqüência com que precisam ser prestados variarão conforme a criança e podem mudar com o tempo para qualquer criança. Podem existir períodos nos quais a criança não precise de serviço algum. Basta ter um ambiente propício à audição e/ou um sistema

2 de FM. Não obstante, é importante continuar a monitorar a criança que usa implante coclear, pois suas necessidades podem mudar. Mesmo alunos que tenham adquirido capacidade de expressão oral condizente com sua faixa etária podem se deparar com novos obstáculos à medida que o conteúdo do currículo escolar fica mais complexo ou outro fator específico à criança cria novas complexidades na escola. O aluno que usa implante coclear deve ser avaliado e monitorado continuamente para assegurar que esteja recebendo o apoio que precisa no momento em que o precisa. Impacto dos programas universais de triagem auditiva de recém-nascidos Com a implementação de programas de triagem auditiva de recém-nascidos em todos os Estados Unidos, um número bem mais elevado de crianças surdas está ingressando em programas de intervenção precoce durante os seus primeiros meses de vida. Em 2005, 93% dos bebês nascidos nos Estados Unidos passaram por triagem para detectar perda auditiva antes de completarem um mês de idade. 1 Esta é uma diferença extraordinária em relação há dez anos, quando o período médio de identificação de perda auditiva era de 30 meses! Esta ênfase recente na identificação da perda auditiva alguns dias após o nascimento da criança permite que a intervenção precoce se inicie enquanto a criança surda ainda está na idade ideal para começar o desenvolvimento da linguagem, ao invés de iniciar o processo depois de a criança já ter passado por vários marcos de desenvolvimento da linguagem e apresentar um atraso acentuado em relação aos seus colegas. Estudos demonstraram que as crianças que recebem serviços de intervenção precoce apropriados antes dos seis meses de idade apresentam melhor desenvolvimento da linguagem do que as que começam depois dos seis meses. 2 Para uma criança considerada boa candidata para receber um implante coclear, o processo pode ter início imediatamente após a identificação da perda auditiva, começando com o uso de aparelhos auditivos e de um programa de terapia auditiva para a criança e sua família. Algumas famílias podem optar por usar linguagem de sinais básica com a criança surda até que tenha idade suficiente para receber um implante coclear 12 meses no caso de perda profunda de audição. A decisão da família de usar linguagem de sinais básica não deve atrasar a introdução de abordagens que empregam a 1 National Center for Hearing Assessment and Management (NCHCAM). State summary statistics: universal newborn hearing screening. Obtido em 27 de maio de 2006 no site 2 C.Yoshinaga-Itano et al.the language of early- and later-identified children with hearing loss. Pediatrics 1998 Nov: 102 (5):

3 12 GUIA PARA EDUCADORES linguagem falada (amplificação, terapia auditiva) antes do implante coclear. Quando a criança recebe o implante coclear aos 12 meses de idade ou um pouco depois (ou 25 meses para candidatos apropriados com perda de audição grave a profunda), o período de surdez é minimizado e o acesso à gama completa de sons proporciona maior potencial para o desenvolvimento da linguagem falada. O período imediatamente subseqüente à realização do implante proporciona uma oportunidade especial para procurar desenvolver seriamente a habilidade auditiva e maximizar a oportunidade para a criança chegar ao mesmo nível de entendimento que seus colegas com audição normal. Um período intensivo de terapia deve ser personalizado segundo a idade, os níveis de habilidade auditiva e outros elementos das necessidades singulares da criança. Critérios para determinar a qualificação para receber implante coclear pediátrico 12 meses a 24 meses Perda auditiva sensório-neural bilateral profunda Aparelhos auditivos binaurais apropriados proporcionam benefício limitado Nenhum progresso no desenvolvimento das habilidades auditivas Nenhuma contra-indicação médica Alto nível de motivação e expectativas apropriadas por parte da família 25 meses a 17 anos e 11 meses Perda auditiva sensório-neural bilateral grave a profunda Escores de 30% ou menos no teste MLNT nas condições mais favoráveis (crianças na faixa etária de 25 meses a 4 anos e 11 meses) Escores de 30% ou menos no teste LNT nas condições mais favoráveis (crianças na faixa etária de 5 anos a 17 anos e 11 meses) Nenhum progresso no desenvolvimento das habilidades auditivas Nenhuma contra-indicação médica Alta motivação e expectativas apropriadas (por parte da criança, quando apropriado, e da família)

4 GUIA PARA EDUCADORES 13 Implante precoce = melhores resultados para crianças surdas de baixa idade A identificação precoce da surdez de uma criança permite que ela comece a ser avaliada quanto à possibilidade de receber um implante coclear com uma idade inferior do que jamais fora possível. Conseqüentemente, a idade média de realização do implante (para crianças com menos de três anos de idade) diminuiu para 21,5 meses em Estudos 4 demonstram que as crianças que recebem o implante quando ainda bem jovens desenvolvem aptidões de percepção e produção da fala mais próximas das exibidas por crianças com audição normal, pois as vias de audição do cérebro reagem melhor quando estimuladas precocemente. Sem a exposição ao estímulo proporcionado pelo implante coclear, o sistema auditivo começa a perder sua capacidade (ou plasticidade) de responder aos sinais sensoriais. 5 Os importantes benefícios do implante precoce foram documentados em vários estudos 6 que examinam o impacto da idade da criança ao receber o implante sobre seus resultados em termos de linguagem. Embora três anos já tenha sido considerada uma idade jovem para receber um implante coclear pediátrico, hoje em dia os pesquisadores consideram ser benéfica a realização do implante em uma idade precoce. 7 Crianças com 12 a 18 meses de idade na ocasião da cirurgia podem apresentar os melhores resultados entre todo o grupo. 8 Os profissionais que trabalham com as famílias de crianças pequenas surdas em programas de intervenção precoce desempenham um papel crucial em termos de informar as famílias sobre implante coclear, para que os pais tenham as informações necessárias para tomar decisões sobre o futuro de seus filhos. Se uma família decidir ir adiante com a opção de implante coclear para a criança, poderá fazê-lo no momento em que a intervenção produza os melhores resultados. Uma vez que as crianças recebem implantes cocleares quando são mais jovens, agora geralmente é menor o tempo que passam em uma escola ou programa especial para surdos. As crianças podem freqüentar programas especiais para deficientes auditivos durante vários anos e depois graduarem para ingresso ao sistema pedagógico normal. Também não é incomum que uma criança com implante precoce que receba terapia auditiva intensiva freqüente programas normais de pré-escola junto com seus colegas que têm audição normal, e nunca freqüente escola especial para crianças com deficiências auditivas. Independentemente de onde a criança passe seus anos pré-escolares, muitas crianças com implantes cocleares agora estão prontas para começar o primeiro ano do ensino fundamental em escolas normais! 3 Estimativa da Cochlear Americas para todo o setor. 4 Hammes, Dianne et al. Early Identification and Implantation: Critical Factors for Spoken Language. Annals of Otology, Rhinology, and Laryngology, Supplement 2003; Maio: 189: K. Robinson. Implications of developmental plasticity for the language acquisition of deaf children with cochlear implants. Int j Ped Otorhinolaryngol 1998; 46: Karen Kirk et al.the Volta Review,Vol 102(4) (monografia), K.I. Kirk et al. Cochlear implantation in young children: effects of age at implantation and communication mode. Volta Review (4): D. Hammes et al. Early identification and implications: critical factors for spoken language development. Annals Otol Rhin Laryngol Supplement 2002, Maio. 180:74-78.

5 14 GUIA PARA EDUCADORES Impactos sobre os resultados de desenvolvimento da linguagem Idade na qual a perda de audição da criança foi identificada e quando a intervenção precoce foi iniciada. A identificação precoce e a prestação de serviços de intervenção durante a janela de oportunidade durante a qual ocorre o desenvolvimento da linguagem, influenciam a probabilidade de que o desenvolvimento da linguagem por parte da criança seja semelhante ao de seus colegas com audição normal. 10 As crianças matriculadas em programas de intervenção precoce antes dos seis meses de idade, em média, apresentam os melhores resultados em termos de desenvolvimento da linguagem. 2 Idade da criança quando o implante coclear foi realizado. Implantes realizados entre 12 e 18 meses de idade tendem a produzir os melhores resultados. 7 Com o implante precoce, muitas crianças não sofrem atraso no desenvolvimento da linguagem. Cuidados cirúrgicos e fonoaudiológicos ideais. A inserção de pelo menos 8 a 12 eletrodos 11 por um cirurgião especializado em implantes cocleares, com MAPeamento de acompanhamento realizado por um audiologista treinado nesta especialidade, influenciará o acesso por parte da criança à gama completa de sons da fala. O uso de tecnologia atualizada e/ou estratégias apropriadas de codificação da fala deve ser considerado parte dos cuidados pós-cirúrgicos supervisionados pelo audiologista no centro de implantes cocleares que atendeu a criança. A realização de terapia auditiva para a criança, combinada com um ambiente doméstico que incentive a família a aproveitar todas as oportunidades para usar a linguagem falada, é crucial para o progresso da criança que recebeu implante. O modo de comunicação na sala de aula determina até que grau o programa didático da criança enfatiza a fala e a audição em relação à comunicação por sinais. Foi comprovado que ambientes que enfatizam o uso da audição e da fala, onde a criança e seus colegas usam exclusivamente a linguagem falada, têm um impacto significativo sobre o desenvolvimento auditivo da criança com implante coclear. 12 De quais serviços educacionais a criança com implante precisará? Os serviços educacionais necessários para apoiar uma criança com implante coclear dependerão de seu desenvolvimento da linguagem e de outras necessidades. Estima-se que 40% das crianças com implantes cocleares terão outras deficiências, 9 além da perda auditiva, que também podem ser significativas em termos educacionais e precisam ser levadas em consideração no ambiente escolar. Entre elas incluem-se problemas físicos, sensoriais ou cognitivos, que podem ser amenos ou podem apresentar ainda maiores desafios do que a surdez da criança. A necessidade de considerar e tratar destes problemas, junto com a perda de audição da criança, é crucial para seu êxito na escola. Uma abordagem multidisciplinar e colaborativa para tratar das necessidades da criança beneficia qualquer criança com implante coclear, mas é particularmente importante quando existem outras questões a serem consideradas. Os aspectos de desenvolvimento da linguagem, aptidões sociais e emocionais e outras necessidades da criança devem determinar os serviços a serem prestados na escola. Os resultados em termos de desenvolvimento da linguagem são influenciados por diversos fatores vários anos após o implante coclear. Uma pesquisa recente de pais de crianças com implantes cocleares Nucleus examinou as tendências em 09 C. Perigoe and R. Perigoe. Foreword. Multiple Challenges Multiple Solutions: Children with Hearing Loss and Special Needs.Volta Review 2004, 104(4): Y.S. Sininger et al.the case for early identification of hearing loss in children: auditory system development, experimental auditory deprivatioand development of speech perception and hearing. Pediatric Clinics of North America 1999, 46: M. Dorman et al, Word recognition by children listening to speech processed into a small number of channels: Data from normal hearing children and children with cochlear implants. Ear and Hearing, 2000, A Geers, C. Brenner and L. Davidson. Factors Associated with Development of Speech Perception Skills in Children Implanted by Age 5. Ear and Hearing, Lippincott Williams & Wilkins, D.L. Sorkin,T.A. Zwolan,Trends in educational services for children with cochlear implants, Cochlear Implants, Elsevier (2004).

6 GUIA PARA EDUCADORES 15 termos de necessidades educacionais. 13 O estudo identificou que dois-terços das crianças de 7 a 13 anos de idade com implantes cocleares freqüentavam escolas públicas ou particulares normais, apesar de não terem iniciado necessariamente seus estudos neste tipo de ambiente. Mais da metade das crianças nesta faixa etária que freqüentavam escolas normais quando a pesquisa foi realizada havia freqüentado uma escola com apoio especial para crianças com deficiências auditivas, como uma escola particular que segue o sistema OPTION de ensino oral ou escola pública em centros para deficientes auditivos antes de passarem a freqüentar uma escola normal. Muitas crianças com implantes cocleares apresentam melhor desempenho em ambientes escolares que proporcionem apoio inicial intensivo. Para algumas famílias, é importante dar início à educação de seus filhos em escolas que ofereçam alto grau de apoio para impulsionar o aprendizado da linguagem por parte das crianças e ajudá-las a alcançar os marcos de desenvolvimento da linguagem desejados antes de passarem a freqüentar escolas normais. Os serviços escolares descritos a seguir, classificados em ordem de número de menções pelos pais (na pesquisa mencionada acima), são geralmente prestados a crianças com implantes cocleares em algum momento de suas vidas escolares. A duração e a freqüência da prestação dos serviços varia por criança e com o tempo. A próxima seção, intitulada Integrantes da equipe da criança, contém descrições de cada um dos vários serviços e provedores (por exemplo, Serviços tipicamente prestados na escola a crianças com implantes cocleares Fonoaudiologia Tecnologia FM Serviços educacionais para surdos Apoio didático individual ou em pequenos grupos Interpretação (inglês sinalizado exato, linguagem de sinais americana, fala complementar ou oral) Audiologia Legendas CART Anotação Terapia da audição Modificações acústicas fonoaudiólogo ou audiologista). As modificações acústicas e a tecnologia de FM são tópicos abrangidos detalhadamente nos capítulos 5 e 7, respectivamente. 13 D.L. Sorkin,T.A. Zwolan,Trends in educational services for children with cochlear implants, Cochlear Implants, Elsevier (2004).

7 16 GUIA PARA EDUCADORES Formação de uma equipe de apoio à criança Uma criança com implante coclear precisa de uma equipe de apoio para atender suas necessidades. A equipe deve incluir profissionais na escola, funcionários da clínica de implantes cocleares, um fonoaudiólogo (que pode fazer parte da equipe da clínica), pais e familiares, a criança e seus colegas na escola. É crucial que haja comunicação constante entre os diversos integrantes da equipe. Por exemplo, os profissionais da escola podem ajudar o audiologista do implante coclear a conseguir realizar um mapeamento ideal ao fornecer informações sobre a capacidade de audição e articulação da fala da criança e como podem ter evoluído desde o último mapeamento. A criança não apresenta progresso no desenvolvimento de uma habilidade auditiva? Ela tem dificuldade para pronunciar certos sons? Pode ser importante fornecer informações ao audiologista do implante coclear sobre como o processador de som é ajustado e como ela reage a ambientes específicos. Pode ser útil aos profissionais da escola acompanharem a família durante uma sessão de MAPeamento na clínica para estabelecer afinidade com a equipe da clínica e entender melhor o processo de MAPeamento. Do mesmo modo, é importante que a equipe da clínica mantenha os profissionais da escola informados sobre quaisquer mudanças que podem ter sido feitas no mapeamento de uma criança. O Formulário de Acompanhamento da Equipe 14 proporciona uma estrutura útil para incentivar este tipo de comunicação bidirecional. Integrantes da equipe da criança Principais integrantes da equipe do centro de implantes cocleares Audiologista do implante coclear. O audiologista realiza a avaliação audiológica para determinar os níveis de audição e monitora os benefícios gerados pela amplificação para determinar se a criança é uma boa candidata para o implante coclear. Se, depois de um período de teste com aparelhos auditivos, for determinado que a criança é uma boa candidata e a família decidir ir adiante com a cirurgia de implante coclear, o audiologista do centro trabalhará com a criança e a família para mapear (ou programar) o processador de som e registrar o progresso da criança em termos de audição. O audiologista do centro instrui a criança e a família sobre como usar e cuidar dos dispositivos e faz recomendações sobre procedimentos apropriados de acompanhamento e habilitação. O audiologista fornece aos demais integrantes da equipe do implante, à família e à escola informações constantes sobre o progresso e as necessidades da criança. Psicólogo e/ou assistente social. Muitas equipes de implantes incluem estes profissionais para tratar das expectativas e responsabilidades antes e após a cirurgia, visando assegurar que a família consiga fornecer o grau de apoio necessário para que a criança tenha bons resultados com o implante coclear. O implante coclear é um procedimento cirúrgico que requer acompanhamento e habilitação para produzir o resultado esperado. Os resultados sofrerão se as famílias não conseguirem ou não estiverem dispostas a participar de reuniões de acompanhamento e fornecer apoio em casa. 14 Team Tracking Form (Formulário de Acompanhamento da Equipe),The Moog Center for Deaf Education,

8 Cirurgião do implante coclear. O cirurgião do implante realiza um exame médico e dos ouvidos minucioso e determina a viabilidade do implante. O médico conversará com a família, o psicólogo ou o assistente social, o audiologista e outros integrantes da equipe sobre qualquer preocupação que possa ter. O interesse na criança por parte do cirurgião não termina com a cirurgia, pois continua envolvido e monitora a habilitação do paciente para promover o melhor resultado possível. Foniatra ou fonoaudiólogo. Muitos centros com números elevados de pacientes pediátricos contam com um fonoaudiólogo particular ou que faz parte da equipe que trabalha com eles. Em geral, estes profissionais são formados em fonoaudiologia, audiologia ou educação de deficientes auditivos, além de terem concluído treinamento especializado em terapia auditiva. Mesmo se o benefício da amplificação for mínimo para uma criança pequena surda, recomenda-se que a criança e sua família passem por terapia da audição antes do implante coclear a fim de iniciar o quanto antes possível o processo de aprendizagem da linguagem falada. Após a criança receber o implante coclear,um programa intensivo de terapia da audição deve ser iniciado para preparar a função auditiva e proporcionar a base para o desenvolvimento contínuo da habilidade auditiva. Consultor pedagógico. Muitas equipes de centros de implantes incluem um professor especializado em deficientes auditivos, às vezes denominado consultor pedagógico. Sua função é trabalhar com a equipe da escola da criança para desenvolver conjuntamente um programa de habilitação contínua e assegurar que os serviços de apoio necessários estejam implementados para atender às necessidades da criança. Às vezes um audiologista clínico, fonoaudiólogo ou assistente social desempenha esta função. Integrantes da equipe da escola Professor. Se a criança freqüentar uma escola normal, pode ser que o professor nunca tenha instruído uma criança com implante. Portanto, é importante iniciar o processo de preparação do professor bem antes do início das aulas. Os pais devem se assegurar de que o professor tenha o apoio e o treinamento necessários. É importante que os pais se comuniquem com o professor com antecedência e freqüência. Checkups e atualizações regulares devem ocorrer durante todo o ano. O professor deve ser incentivado a encontrar suas próprias soluções para atender às necessidades da criança, e não simplesmente ser colocado em uma posição de seguir a liderança alheia. Algumas das melhores idéias para inclusão eficaz originaram-se de professores atentos à situação que não tinham experiência prévia com crianças com deficiência auditiva na sala de aula. O professor será

9 18 GUIA PARA EDUCADORES responsável por assegurar que a criança ocupe o assento apropriado na sala de aula e por confirmar que entenda o que seja dito durante as aulas. Isto deve ser feito sem que seja preciso mencionar constantemente a condição de perda auditiva da criança. Uma professora perspicaz concebeu a idéia de um sinal secreto que pediu que o aluno usasse quando não estivesse conseguindo acompanhar a matéria apresentada na sala de aula. Este era o sinal para que retrocedesse e reiterasse o assunto para que o aluno tivesse oportunidade de assimilá-lo no mesmo nível que seus colegas. A maioria dos professores considera que este tipo de ênfase nos pontos principais da matéria lecionada ajuda a todas as crianças na sala de aula. Crianças com deficiências auditivas podem ter dificuldade para interagir socialmente; portanto, esta é outra área na qual o professor pode monitorar e ajudar a criança conforme necessário. Professor de crianças com deficiências auditivas. Em um ambiente escolar normal, este profissional geralmente será um professor itinerante, atendendo várias escolas ou até mesmo distritos. Em uma escola em centros para deficientes auditivos, o professor atende a vários alunos com deficiência auditiva total ou parcial em um único local. Também chamado de professor de deficientes auditivos, sua função é atuar como elo de ligação entre a equipe e os pais, visando ajudar a atender as necessidades singulares da criança. Além disso, proporciona treinamento e apoio a profissionais de outras escolas, pais e alunos. Sua função inclui todos os aspectos relacionados à promoção da prestação ideal de serviços para a criança com perda auditiva, incluindo confirmar que o sistema de FM esteja funcionando, prestar serviços diretos ao aluno, apoiar a criança com problemas de integração social e desenvolver ou implementar o plano de educação individualizado (PEI) do aluno.

10 GUIA PARA EDUCADORES 19 Audiologista educacional. O audiologista educacional monitora a audição da criança na sala de aula, sendo responsável por ajustar e resolver problemas com o sistema de FM, para assegurar que funcione corretamente. Outras responsabilidades incluem a atenção à acústica da sala de aula e a instrução de outros funcionários da escola (e da criança) sobre aspectos relacionados à perda de audição. Fonoaudiólogo. A maioria das crianças com implantes cocleares recebe serviços de desenvolvimento da fala em algum momento de sua vida escolar. Geralmente, este profissional é responsável por avaliar e desenvolver um plano de intervenção, bem como por prestar serviços diretamente ao aluno para incentivar o desenvolvimento de habilidades de audição, fala e expressão oral. Embora, no passado, a fonoaudiologia em geral se concentrasse na produção da fala, o implante coclear possibilita o uso de um modelo mais natural e integrado para dominar a linguagem especialmente no caso de crianças que recebem o implante quando ainda bem jovens. No caso de crianças que recebem o implante coclear com idade mais avançada, pode ser necessário adotar a abordagem de reabilitação mais tradicional. Intérprete. Embora a maioria dos alunos com implantes cocleares usará a linguagem falada, aproximadamente um terço delas usam um modo de Comunicação Total na escola e, portanto, precisam de intérprete. Um número menor de alunos com implantes cocleares usam a linguagem de sinais americana ou fala complementar, exigindo estes tipos de apoio visual. Um aluno aplicado pode atuar como Anotador na sala de aula da criança. Esta função também pode ser desempenhada por um adulto de fora. Professor assistente. A presença de um professor assistente responsável por realizar várias tarefas que ajudam o aluno a ficar a par das atividades da sala de aula pode ser benéfica para algumas crianças. O assistente pode ajudar o aluno a se concentrar no orador, rever ou resumir a matéria (antes ou depois da aula), introduzir novo vocabulário ou monitorar o uso da tecnologia de FM e/ou do implante coclear. Outros especialistas da escola. Pode ser que seja necessário pessoal adicional para atender às necessidades específicas do aluno. Possíveis especialistas incluem um terapeuta ocupacional, assistente social, psicólogo, especialista em didática ou leitura. O administrador ou o diretor da escola às vezes deixa de ser visto como integrante da equipe, mas tem a capacidade singular de proporcionar a liderança necessária para resolver problemas e incentivar a cooperação na equipe. O diretor também pode alocar fundos quando os recursos são limitados. Legendador. À medida que a complexidade do currículo escolar aumenta, especialmente no ensino médio, alguns alunos que antes usavam a audição para assimilar as matérias passam a ter dificuldade para acompanhá-las sem reforço visual. Os serviços de legendagem passaram a ser mais comuns como ferramenta de PEI.

11 20 GUIA PARA EDUCADORES Os Pais devem ter presença constante e prestativa na escola para que fiquem totalmente a par de como as necessidades de seus filhos estão sendo atendidas. (Os pais geralmente são as pessoas que mais conhecem as necessidades de seus filhos). A lei federal reconhece este fato e coloca-os no mesmo nível dos profissionais que atendem à criança. Os pais devem se empenhar em fornecer à escola informações a respeito do implante e do processador, incluindo detalhes das sessões de MAPeamento, para ajudar a equipe a entender como pode ajudar. Os pais também devem incentivar ativamente a comunicação entre a escola e o centro de implantes. Em casa, os pais devem monitorar os deveres de casa e a tecnologia de implante coclear (certificando-se diariamente de que esteja funcionando sem problemas), seguir uma rotina e ajudar a criança a aprender a assumir o controle de sua perda auditiva. É óbvio que os pais devem participar plenamente no estabelecimento das metas da criança e na definição de como o PEI atingirá tais metas. A Criança deve ser considerada integrante contribuinte importante da equipe e ser incentivada a participar no processo do Plano de Educação Individualizado (PEI) assim que esteja apta a fazê-lo. Embora a IDEA (lei federal de educação) não exija que a criança participe no PEI antes do início do planejamento da transição (quando tiver 14 anos de idade ou aproximadamente esta idade), muitos especialistas consideram este período de espera muito longo. É desejável que a criança se sinta parte da equipe enquanto ainda cursa o ensino elementar, pois é geralmente a melhor pessoa com a qual conversar sobre suas necessidades e também porque seu envolvimento a incentiva a aprender a ser proativa em relação à perda auditiva. Colegas de Classe da criança também são uma parte essencial de seu sucesso na escola. Familiarizar os colegas com a tecnologia de implante coclear antecipadamente, informando-os como podem ajudar seu colega de classe, pode fazer uma enorme diferença no desenvolvimento de atitudes positivas sobre a perda auditiva e, ao mesmo tempo, incentivar o apoio à criança surda.

12 A comunicação entre os integrantes da equipe é crucial para o sucesso. Ela é facilitada quando eles: Mantêm comunicação aberta, franca e coerente entre si por meio de ferramentas como cadernos de anotações coletivos, s ou mensagens de correio de voz. Incluem metas oportunas, observações, áreas notáveis, ou áreas nas quais o aluno tenha realizado progresso aparente, e áreas aperfeiçoáveis, ou áreas nas quais é preciso enfoque contínuo. Agem com antecipação ao invés de reação, permitindo que cada integrante da equipe possa trabalhar efetiva e eficientemente. Mantêm coerência na comunicação sobre o que precisa ser ensinado ou debatido antes de ser apresentado em classe, bem como ensinado ou revisto depois como reforço ao tópico abrangido em classe. Já que cada membro da equipe interage com a criança em situações diferentes, o ensino antecipado e o reforço posterior podem ser muito eficazes como ferramentas adicionais em vários ambientes didáticos. Têm expectativas e funções claras coerentes com as áreas de especialidade de cada integrante da equipe. Reúnem-se para debater as questões que podem ser incoerentes com o que a equipe tenha mutuamente concordado. É melhor eliminar estas questões antes que dêem origem a uma situação possivelmente difícil. Acolhem o feedback e as sugestões apresentadas de maneira construtiva e positiva. Outras considerações Leitura e a criança com implante coclear Historicamente, as crianças com perda auditiva grave ou profunda concluem o ensino médio com capacidade de leitura equivalente a alunos do quarto ano do ensino fundamental. Um dos resultados mais positivos do implante coclear está relacionado à capacidade de leitura. O acesso à audição proporcionado pelo implante coclear permite que muitas crianças realizem avanços importantes no desenvolvimento da linguagem falada, o que, por sua vez, desempenha um papel crucial em sua capacidade de ler e escrever. Ao ajudarmos as crianças a desenvolver um vocabulário apropriado às suas respectivas faixas etárias, bem como as aptidões de raciocínio e compreensão que acompanham a capacidade de ler em voz alta, podemos proporcionar às crianças surdas as ferramentas que precisam para desenvolver uma capacidade de leitura semelhante a de seus colegas com audição normal. As habilidades de desenvolvimento da linguagem que ajudam a promover a leitura devem ser incentivadas pelos pais e profissionais que trabalham com crianças pequenas por meio de programas de intervenção precoce ou préescolares. 15 Tais habilidades incluem: Estabelecer correlações entre as histórias e as experiências da vida real Entender a idéia principal por meio da narração de histórias Colocar os eventos em seqüência ao recontar uma história na ordem correta Prever o final de uma nova história 15 Para obter informações detalhadas, consulte HOPE Note: Issues in Reading, Cochlear Americas, 2006.

13 22 GUIA PARA EDUCADORES Fazer inferências, preenchendo os espaços em branco Tirar conclusões a partir de informações incompletas em uma história Crianças que usam linguagem de sinais Embora a maioria das crianças com implantes cocleares use a linguagem falada, cerca de um terço das crianças de 7 a 13 anos de idade usam alguma forma de linguagem de sinais. 11 Alguns pais optam por usar a linguagem de sinais com a criança antes do implante coclear e, depois, envidam esforços para que a criança passe a usar a comunicação oral depois do implante. Outros pais, especificamente aqueles cujos filhos recebem o implante coclear com mais idade, continuam a usar uma das diversas formas de linguagem de sinais. A comunicação total, às vezes denominada de comunicação simultânea, envolve falar e fazer sinais ao mesmo tempo. Proporciona a melhor oportunidade para uma criança com implante que usa sinais desenvolver aptidões de audição e fala. Uma criança com implante que usa sinais deve ser incentivada a: 16 Expressar-se verbalmente usando o idioma completo em termos gramaticais Passar a usar com mais freqüência a linguagem falada Aproveitar as oportunidades onde pode exclusivamente ouvir e falar Procurar realizar metas predefinidas para aperfeiçoar a linguagem falada dentro e fora da escola Como melhorar as condições de audição na sala de aula Você pode ajudar o aluno com implante coclear a maximizar seu aprendizado auditivo proporcionando o melhor ambiente de audição possível e assegurando-se de que o ato de ouvir seja uma parte integral do dia letivo. A melhor maneira de passar de uma postura aprender a ouvir para ouvir para aprender é assegurar que o aluno seja exposto à linguagem falada de maneira natural, e não apenas durante as sessões de terapia. Desta maneira, ele aprenderá a integrar naturalmente a audição em seu cotidiano. O ambiente da sala de aula deve ser estruturado de maneira que: 17 As expectativas em relação a ouvir e falar sejam elevadas O professor se empenhe para encontrar o equilíbrio correto das variáveis audição, linguagem, familiaridade com os conceitos para garantir o sucesso O uso de habilidades auditivas por parte da criança fomente novas habilidades que a ajudem a realizar metas viáveis Existam amplas oportunidades para ouvir e falar, pois isto é crucial para o avanço das habilidades auditivas da criança. A meta definitiva seja integrar a audição e a fala de uma maneira natural em todos os segmentos do dia letivo da criança 16 Para obter informações detalhadas, consulte HOPE Note: Children Who Sign, Cochlear Americas, Para obter informações detalhadas, consulte o seminário on-line da HOPE CLIC IT! Creating Listeners in the Classroom: Ideas for Teaching.

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