O PROCESSO DE USO E ADAPTAÇÃO DO LIVRO DIDÁTICO EM AULAS DE LÍNGUA INGLESA NA ESCOLA PÚBLICA 1

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1 O PROCESSO DE USO E ADAPTAÇÃO DO LIVRO DIDÁTICO EM AULAS DE LÍNGUA INGLESA NA ESCOLA PÚBLICA 1 Bruno Caique Sousa Freitas²; Nayara Piovesan Ribeiro³; Ana Cláudia Milani Ramos 4 1 Gostaríamos de agradecer à Coordenação de Aperfeiçoamento de Nível Superior (CAPES) por subsidiar o PIBID; à Escola Estadual Raimundo Pinheiro da Silva (Cuiabá-MT), que abriu suas portas para o nosso projeto; à Profª Paula Beatriz Lima da Silva, que nos supervisionou na escola; e à Profª Drª Eladyr Maria Norberto da Silva, Coordenadora do Subprojeto Pibid-Inglês (UFMT), por nos acompanhar e orientar nesse projeto e na escritura deste artigo. ² Bolsista PIBID, graduando do curso de Letras- Português, Inglês e Literaturas na Universidade Federal de Mato Grosso. ³ Bolsista PIBID, graduanda do curso de Letras- Português, Inglês e Literaturas na Universidade Federal de Mato Grosso. 4 Ex-bolsista PIBID, graduanda do curso de Letras- Português, Inglês e Literaturas na Universidade Federal de Mato Grosso

2 RESUMO O livro didático é uma importante ferramenta no ensino de Língua Inglesa, pois delineia e media o conteúdo e as interlocuções professor-aluno em sala de aula. A partir de 2011, a Língua Inglesa foi incluída no Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), oportunizando seu uso nas aulas da escola pública. Este artigo pretende relatar a experiência dos bolsistas do PI- BID - Inglês/UFMT com o uso e as adaptações do livro didático nas aulas de Língua Inglesa para alunos de ensino médio de uma escola pública de Cuiabá-MT. Palavras-chave: Livro didático, PNLD, Ensino de inglês. ABSTRACT The coursebook is an important tool in English language teaching since it guides and mediates the content and the teacher-students interactions in the classroom. In 2011, the English language was included in the Programa Nacional do Livro didático (PNLD), fostering its use in public school classes. This paper intends to report the lived experience of the PIBID English/UFMT members in using and adapting a coursebook in English lessons for secondary school students of a public school in Cuiabá-MT. Keywords: Textbook, PNLD, English Language Teaching.

3 1. INTRODUÇÃO O Livro Didático (LD) é um material presente no cotidiano da escola. Adotado recentemente para o ensino de língua inglesa na rede pública por meio do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), o LD vem auxiliar o professor de língua a trabalhar questões que vão desde competência discursiva até o senso crítico do aluno, sempre compreendendo a língua como prática social e política. Contudo, o uso do LD na escola pública traz consigo muitos questionamentos e desafios. Geralmente, os LDs de língua inglesa selecionados pelo PNLD para o ensino médio trazem conteúdo extremamente extenso, que implicaria mais de uma aula semanal para que o professor conseguisse trabalhá-lo por completo. Além disso, o nível dos conteúdos frequentemente é acima do nível de língua dos alunos, uma vez que os autores de livros do ensino médio partem do principio de que o aluno já estudou inglês de forma eficaz por quatro anos no ensino fundamental e que, no ensino médio, devem-se consolidar o conteúdo linguístico e a prática das quatro habilidades. Como participantes do PIBID-Inglês/UFMT, vivenciamos os desafios encontrados por uma professora do ensino médio público, nossa professora supervisora, em seu primeiro ano da implantação do uso do LD, em Como parte de nosso plano de trabalho, buscamos orientações e maneiras de utilizá-lo. Relataremos aqui nossa experiência no uso do livro didático para alunos do 1º e 2º Anos do ensino médio da Escola Raimundo Pinheiro da Silva, em Cuiabá-MT, e avaliaremos o seu uso em sala de aula. Inicialmente, realizaremos uma breve descrição do projeto e da escola na qual atuamos. Em seguida, faremos uma revisão da literatura para melhor compreender o papel do LD no ensino de língua inglesa. Para ilustrar o processo por nós vivenciado, descreveremos uma sequência didática do livro adotado pela escola e discorreremos a respeito das modificações feitas. Por fim, avaliaremos as nossas percepções e a dos alunos acerca dessas mudanças e do uso do LD. 2. CARACTERIZAÇÃO DA ESCOLA E DO PIBID O Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid) é um programa financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de nível Superior (CAPES) visando à formação e à inserção gradual do estudante de licenciatura na docência. O PIBID/Inglês da Universidade

4 Federal de Mato Grosso (UFMT) funciona desde maio de Ao todo, compondo o grupo, são 10 bolsistas, 1 coordenadora e 2 professoras supervisoras. O trabalho de inserção dos bolsistas na sala de aula é gradual, acompanhado e orientado todo o tempo, tanto pela coordenadora do projeto quanto pelas professoras supervisoras. A escola com a qual trabalhamos é a Escola Estadual Raimundo Pinheiro da Silva, instituição pública de ensino de nível médio, vinculada ao Poder Público Estadual, que está situada na Avenida Fernando Corrêa da Costa, n Seu horário de funcionamento é integral, pois oferece aos seus alunos os turnos matutino, vespertino e noturno, atendendo a 17 turmas do ensino médio. Este trabalho em específico foi supervisionado pela professora do período vespertino, Paula Lima da Silva. Os alunos da Escola Raimundo Pinheiro da Silva são provenientes de escolas de Ensino Fundamental de diferentes regiões da cidade, alguns deles não tiveram a disciplina de inglês nas séries iniciais, chegando assim ao ensino médio com pouco conhecimento de inglês. A maioria dos alunos teve o inglês na sua grade curricular no ensino fundamental, mas muitos deles alegam que de forma resumida, descontextualizada e sem foco, dificultando assim o trabalho com esses estudantes quando chegam ao ensino médio. Com a adoção dos novos livros didáticos fornecidos pelo PNLD, a escola fez a escolha de trabalhar com o livro Globetrekker Inglês para o Ensino Médio, Vol. II (COSTA, 2010), e desde a adoção desse novo material didático vimos a necessidade de entendê-lo e adaptá-lo para melhor andamento do trabalho dos bolsistas e melhor entendimento dos alunos. 3. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA O LD se tornou um material indispensável à prática pedagógica, seja ele usado como norteador ou como material de apoio no preparo das aulas. Proporciona ao professor um conteúdo pronto e revisado por profissionais qualificados na área da Linguística Aplicada e do Ensino de Língua Inglesa. No entanto, alguns autores, como Cunningsworth (1984, p.1 apud RAMOS, 2011, p.178) dizem que o LD é um bom criado, mas um mestre pobre. Pessoa (2009, p.61) elenca percepções negativas e positivas de alunos e professores a respeito do uso do LD dentro de sala de aula, afirmando que este restringe o andamento da aula quando

5 seguido rigidamente. Expõe, ainda, sua fragilidade quando diz que ele limita tanto o professor como o aluno. Por outro lado, a autora diz que o LD pode auxiliar no desenvolvimento da autonomia do aluno. Richards (2002, p. 27), atenta para seu alto apelo visual como elemento facilitador para o aluno. Aos professores iniciantes o livro didático se mostra como uma excelente fonte de pesquisa na preparação de planos de aula, planos de curso, plano de ensino, projetos, produção de material entre outros. Entretanto, Richards (2002, p.27) aponta que o LD pode desabilitar o professor, transformando-o em um mero técnico transmissor de materiais preparado por outros, caso o usem como fonte primária, deixando que a maioria das decisões instrucionais sejam tomadas pelo próprio LD e pelo manual do professor. É nesse contexto que se insere o uso do LD pelo professor que, autorizado pela instituição escolar, legitima o material comercializado, considerando-o a base para o seu trabalho em sala de aula (CORACINI, 1999). Assim, para professores e alunos, o LD funciona como portador de verdades e, também, frequentemente, o único material do qual o professor faz uso para se atualizar dos assuntos da matéria que leciona. Na tentativa de usar o LD nas aulas de inglês e selecionar conteúdo e atividades relevantes para nossos alunos, nos baseamos nos estudos de Sávio Siqueira (2010, p. 229), que desmembra o LD e tece críticas a respeito do mundo plástico construído pelo LD e o papel do professor na desconstrução deste mundo, em que o foco principal é o inglês falado pelo nativo e a cultura vivida por ele. Na seleção e adaptação das atividades do LD nos valemos das sugestões de Harmer (2007, p ) e Spratt, Pulverness, Williams (2011, p ). De acordo com os autores, o LD pode ser adaptado por meio das seguintes ações: extensão das atividades, adição de temas, atividades e objetivos, reescritura de atividades e objetivos, substituição das atividades, reorganização da ordem das atividades e redução de atividades e objetivos. 4. DESCRIÇÃO DA EXPERIÊNCIA Para iniciarmos o nosso trabalho com o uso do LD nas aulas e para entendermos como o livro adotado pela escola funcionava, foi realizada a Oficina "O livro didático de língua inglesa no cenário da escola pública: expectativas, desafios e possibilidades" no âmbito do Pibid-Inglês da

6 UFMT. Essa oficina contou com a leitura de textos relevantes sobre o LD. Também foram realizadas palestras com profissionais que estudam o uso e a adaptação do LD nas aulas de língua inglesa. Por fim, realizarmos uma análise minuciosa do livro adotado pela escola. O fator motivador dessa experiência foi a escola ter adotado uma das coleções do PNLD. Estávamos dando início aos nossos trabalhos na escola juntamente com a professora supervisora, que enfrentava o desafio de utilizar aquele material pela primeira vez em suas aulas no ensino médio. Antes de descrever a experiência em si, falaremos brevemente sobre os princípios que orientam o PNLD, uma vez que os LDs adotados na escola pertencem ao programa. 5. O PNLD O Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) tem como principal objetivo nortear o trabalho pedagógico dos professores por meio da distribuição de coleções de livros didáticos aos alunos da educação básica. Só em 2011 o PNLD começou a vigorar para a Língua Estrangeira (LE) no ensino médio. O processo de seleção do material, sigiloso e rigoroso, é realizado por uma equipe especializada de avaliadores, neste caso, da área de língua estrangeira, sob coordenações regionais e nacional. Após avaliadas e selecionadas, as coleções de livros aprovados são encaminhadas à instituição de ensino onde o professor deverá escolher aquela que melhor se adéqua ao Plano Político Pedagógico da escola. No que diz respeito aos critérios para a seleção dos LDs no PNLD, pode-se afirmar que, dentre outros, a base da ficha de avaliação para a escolha do LD é a compreensão da linguagem como atividade social e política. Os avaliadores levaram em conta também a diversidade de temas e de gêneros dos textos verbais ou não verbais, tentando assim representar a diversidade étnica do país. Um dos objetivos da escolha das coleções do LD é criar a autonomia de seu usuário, na tentativa de fazer com que a Língua Estrangeira seja parte da formação do aluno como cidadão (BRA- SIL, 2011). 6. A ANÁLISE DO LIVRO DIDÁTICO NO PIBID/LI As análises incluíram os aspectos físicos, sua divisão, função de cada atividade e o Guia do Professor. Também foram feitas análises detalhadas das unidades, incluindo temas, gêneros, conte-

7 údo linguístico, exercícios, textos e atividades presentes na coleção Globetrekker. Para finalizar a oficina, foram feitas sínteses escritas das análises e as possibilidades de uso do livro nas aulas da escola em que atuávamos. Nas sínteses das análises notou-se que o conteúdo programático do LD está organizado com base em uma abordagem múltipla, envolvendo gêneros textuais, itens gramaticais e lexicais, sendo apresentado por progressão de dificuldade. Os temas abordados envolvem o cotidiano do aluno, são transversais e de caráter interdisciplinar, com tentativas de multiletramento, através de atividades de letramento crítico e de letramento digital. Há o predomínio de práticas da habilidade de leitura e das suas estratégias e proporciona diversidade de gêneros textuais. Contudo, os textos estão acima do nível de língua do aluno e não estimulam o pensar crítico, sendo grande parte deles adaptados. A habilidade de escrita é proposta por meio de exercícios nem sempre possíveis de serem feitos no nosso contexto. As atividades de audição contemplam diferentes gêneros, porém notou-se que são muito longas e complexas, excluindo diferentes sotaques; a habilidade de fala é a mais periférica de todas e com maior grau de dificuldade. Isso acontece porque os livros do ensino médio do PNLD partem do princípio de que o aluno já estudou inglês de forma eficaz por quatro anos no ensino fundamental e que, no ensino médio, cabe consolidar o conteúdo linguístico e a prática das habilidades. Contudo, essa não é a nossa realidade, pois sabemos que em Cuiabá a maioria das escolas ensina espanhol e, quando se ensina inglês, nem sempre dá conta de cobrir o conteúdo completo do ensino fundamental. Isso significa que nossos alunos chegam ao ensino médio com pouco ou nenhum insumo da Língua Inglesa, sendo esse um dos fatores que dificultam o uso do livro didático. Por meio dessa etapa de reflexões e análises constatamos ainda que o material trazia unidades e conteúdos muito além do que poderíamos abordar em aulas de 50 minutos ministradas uma vez por semana. Percebemos também que, apesar de abordar as quatro habilidades, a ênfase maior do material era na leitura. Após esse processo de reconhecimento do material usado pela escola, elaboramos planos de cursos para as turmas do 1º e 2º Anos, visando a nortear o trabalho que seria realizado nas turmas com as quais os bolsistas trabalhariam. Para definirmos o conteúdo de cada aula, reuniões de trabalho eram realizadas e nelas os bolsistas, juntamente com a professora supervisora e a professora coordenadora, decidiam quais atividades do livro seriam usadas na e quais precisariam de adaptações.

8 7. DECISÕES TOMADAS Com o conhecimento obtido na oficina e com base nas idéias de Siqueira (2010) sobre o uso do LD em aulas de inglês, trabalhamos na elaboração de planos de aula para selecionar as atividades mais viáveis e que supriam as necessidades dos alunos, sempre tendo em mente as condições reais das aulas de inglês na escola. Em relação às providências tomadas para o uso do livro em sala de aula, decidimos que o LD seria trabalhado como uma ferramenta de apoio e que, devido ao número de horas/aula semanal, seria preciso fazer seleção de unidades, textos, conteúdo e atividades mais relevantes para a aprendizagem do aluno, pensando no ensino de língua como prática social, através do letramento crítico, que busca a formação do cidadão. Proporcionaríamos materiais extras, como jogos, música e atividades criativas, que atendessem às preferências dos alunos e os motivassem à aprendizagem da língua. Ficou também estabelecido que seriam realizados encontros periódicos entre os participantes do Pibid/LI para discussão de suas práticas pedagógicas, do uso do LD e de formas de lidar com as dificuldades encontradas. 8. O PROCESSO DE ADAPTAÇÃO DO LIVRO DIDÁTICO Para dar início ao processo de adaptação de maneira que ficasse de acordo com o nosso contexto e nossos propósitos, recorremos à literatura especializada na área de ensino de língua inglesa (HARMER, 2007, p ; SPRATT, PULVERNESS, WILLIAMS, 2011, p ). Conforme as necessidades observadas e o tempo disponível para o trabalho em sala de aula, fizemos adaptações diversificadas no LD. Em alguns casos, estendemos, adicionamos ou reduzimos atividades, temas ou objetivos, em outros reformulamos atividades e objetivos, substituímos atividades ou reorganizamos sua ordem de apresentação. No final do processo, que durou quatro meses, analisamos os planos de curso e de aulas, as atividades do livro e as atividades adaptadas e elaboramos fichas de avaliação das unidades adaptadas do material, para nos ajudar a compreender melhor o trabalho realizado e seus resultados. A seguir, apresentamos uma sequência didática de uma das unidades trabalhadas nas turmas do 2º ano do ensino médio.

9 9. AMOSTRA DE UMA SEQUÊNCIA DIDÁTICA ADAPTADA A amostra que será aqui apresentada foi escolhida com base nos resultados de um questionário aplicado aos alunos ao final do bimestre, em que lhes foi pedido para avaliarem cada uma das unidades e atividades trabalhadas. Suas respostas demonstraram grande receptividade pelo modo como o trabalho foi desenvolvido, a qual pode também ser notada pela dupla de bolsistas que ministraram as aulas nas turmas. A sequência didática foi desenvolvida nas turmas do segundo ano do ensino médio e envolveu o tema bullying, sugerido na unidade 7 do livro didático. Cada etapa aqui relatada foi desenvolvida em aulas de 50 minutos e foram necessárias 4 aulas para o cumprimento dessa unidade. Trabalhamos com toda a unidade, seguindo-a do começo ao fim, mas, para a melhor compreensão do conteúdo da unidade, foram necessárias algumas adaptações. A primeira delas ocorreu na etapa inicial da sequência didática, em uma seção do livro chamada Speak your mind; essa seção tem o objetivo de introduzir o assunto da unidade e fazer com que o alunos expressem sua opinião sobre ele. Para ajudá-los a formular suas opiniões, o livro apresenta algumas frases em inglês para lhes dar o suporte linguístico necessário e assim se posicionarem. Apresentamos, então, as frases sugeridas pelo livro, adicionando outras que achamos que seriam relevantes para eles, por meio slides que ilustravam situações de bullying. Inserimos imagens com o intuito de ajudá-los a melhor entender o significado de cada uma das situações. À medida que as frases eram apresentadas, os alunos eram conduzidos a refletir se aquela ação era realmente bullying, se eles já tinham visto alguém sofrendo aquele tipo de assédio e se eles próprios já tinham agido daquela forma. (Ver Figura 1). Figura 1 - Exemplo de slide para ilustrar situações de bullying

10 Outra atividade de adaptação, feita através de extensão e reescritura, foi a atividade 4 do Reading 1, da unidade 7, chamada Trouble-shooting and decision-making, que consistia em escolher um caso de bullying apresentado na canção Don t laugh at me, do cantor Mark Wills e, então, achar a melhor solução para esse problema. Para isso, isso os alunos tinham que utilizar a estrutura gramatical going to para dizer o que planejavam fazer para resolver aquela situação de bullying. Pensando em ajudar os alunos com vocabulário e com o uso da estrutura gramatical going to, que eles ainda não haviam estudado, nós lhes fornecemos uma lista com os problemas descritos na música e adicionamos possíveis soluções para que, em duplas, pudessem discutir e escolher um deles e a melhor solução para resolvê-lo (ver Figura 2). Dessa forma, os alunos receberam suporte para poderem realizar a atividade, expandiram seu vocabulário em inglês e puderam expressar sua opinião aos colegas com mais desenvoltura. Figura 2 - Atividade 4, Trouble-shooting and decision-making, adaptada da seçao Reading 1 (Unidade 7)

11 Para consolidar a discussão sobre bullying, acrescentamos uma atividade que proporcionou também a apresentação e a prática do uso do futuro com will, estrutura gramatical proposta pela unidade. A atividade envolvia o uso de slides sobre uma história com o tema bullying intitulada The bullies (DEGNAN-VENESS, 2003, p.12). Cada slide contava uma parte da história de uma estudante que sofria situações de bullying na escola, e os alunos eram convidados a predizer qual seria a melhor atitude a ser tomada por ela para resolver a situação em que se encontrava, a partir de três alternativas com o uso de will para expressar predições (ver Figura 3 e 4). Figura 3 Exemplo de slides de história sobre bullying em contexto escolar Figura 4 Exemplo de slides de história sobre bullying em contexto escolar Buscamos, por meio de recursos visuais e materiais de apoio, a otimização do posicionamento do aluno como ser crítico nas aulas de língua inglesa. Com base nesse tema atrativo, aproveitamos para inserir estruturas gramaticais do futuro em inglês juntamente com temas comuns ao cotidiano do aluno. As adaptações feitas no material do LD auxiliaram os alunos a melhor compreender o conteúdo e a participar mais efetivamente das aulas.

12 10. AVALIAÇÃO DOS RESULTADOS Após todo o processo de estudo e trabalho na escola, podemos constatar que o planejamento, a adaptação e a elaboração de material didático demandam tempo e dedicação do professor. Contudo, a adaptação do conteúdo e de atividades do LD se faz necessária, pois têm o intuito de otimizar o trabalho com o aluno, buscando oferecer- lhe suporte para a compreensão e prática de vocabulário e das estruturas gramaticais da unidade. Como o nível de língua desse aluno não é suficiente para que ele alcance essa compreensão sozinho, o professor possibilita sua participação nas aulas, dandolhe todo o suporte necessário para a sua inclusão. No caso do trabalho do PIBID, as adaptações também foram feitas visando a levar para sala de aula uma discussão crítica sobre os assuntos abordados pelo o livro, ajudando, assim, o aluno a se posicionar criticamente frente a várias questões trazidas pelo livro e que são vivenciadas em seu meio vivem. Baseados nas afirmações de que o processo de escolha do LD é formador do professor (JORGE; TENUTA, 2011, p.130), acreditamos que o processo de análise e adaptação do livro didático nos preparou não apenas para a confecção e adaptação de material didático, como também para o uso efetivo do LD em sala de aula. Essa experiência nos ajudou, também, a entender melhor o trabalho com o LD e sua relevância nas aulas de inglês. Por parte dos aprendizes de língua notamos boa receptividade das atividades propostas, bem como comprometimento e excelente participação nas aulas. Percebemos, também, um posicionamento crítico e consciente dos alunos perante os assuntos apresentados nas unidades. O sucesso das aulas pode ser confirmada por meio dos resultados do questionário avaliativo das atividades que aplicamos no final do semestre. Dentre todas as atividades trabalhadas, a sequência didática sobre bullying foi unanimemente avaliada como excelente pelos alunos, deixando evidentes sua satisfação com as aulas e o interesse que cada atividade despertou neles. Entretanto, tendo em vista que esse foi um primeiro contato com o LD, tanto por parte do professor quanto dos alunos do ensino médio, as expectativas não foram totalmente atendidas. Houve um estranhamento inicial e natural da parte de ambos, professores e alunos, já que esse processo ocorreu no primeiro ano de implantação do LD no ensino médio nas escolas públicas, gerando assim uma dificuldade em saber como lidar com o novo material. Entendemos que o LD deve usado como material de apoio em sala de aula. O professor precisa saber usá-lo e suprir as demais necessidades do aluno com atividades extras ou substituição do

13 conteúdo do material, respeitando o principal critério de base de avaliação do livro didático do PNLD, que é ver a linguagem como atividade social e política. 11. CONSIDERAÇÕES FINAIS O trabalho de adaptação e uso do LD de uma maneira criativa e consciente demanda tempo, experiência e bom nível de proficiência na língua que o professor ensina. Nem sempre todos esses requisitos estão presentes na prática do dia a dia do docente. Percebe-se que o professor atuante no ensino público deve se preparar para escolher ou não utilizar esse material; sendo assim, precisa se inteirar mais sobre as implicações de seu uso ou não uso dentro e fora da sua sala de aula, considerando-as para si mesmo e para seus alunos. Diante desses novos desafios encontrados pelos professores da rede pública, deu-se o processo de adaptação do livro didático das aulas de língua inglesa de turmas do ensino médio no contexto da Escola Estadual e do Pibid-Inglês da UFMT. REFERÊNCIAS BRASIL (MEC). Guia de Livros Didáticos: PNLD 2012: Língua Estrangeira Moderna. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, Disponível em: %C3%A9dio. Acessado em: 20 de abril de CORACINI, M. J. R. F. O processo de legitimação do livro didático na escola de ensino fundamental e médio: Uma questão de ética. CORACINI, M. J. R. F. (Org.). Interpretação, autoria e legitimação do livro didático. Campinas, SP: Pontes Editores, p COSTA, M. B. Globetrekker: inglês para o ensino médio. 2ª Ed. São Paulo, SP: Macmillan, (Volumes 1, 2) CUNNINGSWORTH, A. (1984). Evaluating and selecting EFL teaching materials. Londres: Heineman DEGNAN-VENESS, C. English Pratice and Progress: grammar activities (elementary). London: Mary Glasgow Magazines, HARMER, J. The Practice of English Language Teaching. 4 th Ed. Harlow, Essex: Pearson- Longman, 2007.

14 PESSOA, R. R. O livro didático na perspectiva de formação dos professores. Trabalhos em Línguistica Aplicada, v. 48, n. 1, p , Jan/Jun RAMOS, R. C. G. O livro didático de língua inglesa para o ensino fundamental e médio: papéis, avaliação e potencialidades. In: DIAS, R.; CRISTOVÃO, V. L. L. (Orgs.). O Livro Didático de Língua Estrangeira: múltiplas perspectivas. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2011, p RICHARDS, J. C. The role of textbooks in a language program. New Routes, 17, São Paulo, SP: DISAL, April 2002, p SIQUEIRA, S. O papel do professor na desconstrução do mundo de plástico do livro didático de língua estrangeira. In: BARROS, S M.; ASSIS-PETERSON, A. A. (Orgs.), Formação Crítica de Professores de Línguas: desejos e possibilidades. São Paulo, SP: Pedro & João Editores. 2010, p SPRATT, M.; PULVERNESS, A.; WILLIAMS, M. The TKT Course: modules 1, 2 and 3, 2 nd Ed. Cambridge: Cambridge University Press, TENUTA, A. M.; OLIVEIRA, A. L. A. M. Livros didáticos e ensino de línguas estrangeiras: a produção escrita no PNLD-2011/LEM. Linguagem & Ensino, v. 14, n. 2, p , 2011.

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