EXPERIMENTAÇÕES DE PROCESSOS AGROECOLÓGICOS EM UM ASSENTAMENTO DE REFORMA AGRÁRIA, NO SUDOESTE DE GOIÁS (1)

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1 EXPERIMENTAÇÕES DE PROCESSOS AGROECOLÓGICOS EM UM ASSENTAMENTO DE REFORMA AGRÁRIA, NO SUDOESTE DE GOIÁS (1) SILVA, Tarcísio Ramos (2) ; ASSUNÇÃO, Hildeu Ferreira (3) LIMA, Tatiane Melo (4) MARTINS, Caroline Porn (5) (1) Trabalho derivado do Projeto financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MDA) por meio do edital nº29/2009. (2) Aluno do curso de Agronomia da Universidade Federal de Goiás - UFG, Campus Jataí, Unidade Jatobá, BR 364, km 192, Setor agro industrial, Jataí GO; (3) Professor do Curso de Geografia, Universidade Federal de Goiás - UFG. Campus Jataí. Orientador Coordenador; (4) Professora do Curso de Agronomia, Universidade Federal de Goiás - UFG. Campus Jataí. (5) Aluna do curso de Biomedicina da Universidade Federal de Goiás - UFG, Campus Jataí, Unidade Jatobá, BR 364, km 192, Setor agro industrial, Jataí GO; Palavras-chave: Agricultura familiar, agroecologia, ambiente protegido. Introdução Grande parte dos alimentos produzidos no Brasil são oriundos da agricultura familiar, sendo que parte da produção é destinada ao consumo e o excedente é comercializado para complementar a renda familiar (IBGE, 2006). Parte dos alimentos produzidos por agricultores familiares são destinados ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), feirinhas e prefeitura do município, sendo estes distribuídos entre escolas, asilos e creches (MDA, 2011). Muitos agricultores familiares desenvolvem suas atividades em lotes de assentamentos rurais, onde a produção agropecuária é bem diversificada. Esses agricultores trabalham com a produção de leite e derivados, produção de hortaliças, apicultura, piscicultura, culinária, entre outras. Isto, contribui com a qualidade de vida e segurança alimentar dos assentados, que encontra-se bastante superior em relação aos trabalhadores rurais, mesmo com vários problemas que enfrentam, a saber, baixo nível educacional, falta de apoio financeiro, insuficiência de assistência técnica, dificuldades na logística do transbordo dos alimentos para a cidade, entre outros (DIAS et al., 2009). A segurança alimentar e nutricional requer, no entanto a implementação de estilo de agricultura sustentável baseados nos princípios científicos da agroecologia Resumo revisado pelo Coordenador da Ação de Extensão - Implantação de Processos Agroecológicos e Redesenho de Agroecossistemas em Unidades Produtivas no Sudoeste de Goiás Edital CNPq/MDA 29/ Código cadastro CAJ-478- Hildeu Ferreira da Assunção.

2 (CAPORAL; COSTABEBER, 2003). Desse modo, ambientes protegidos são adequados para produção hortaliças. Esses ambientes podem ser construídos por diversos materiais como: madeira, concreto, ferro, alumínio, etc. Cobertos com materiais transparentes que permitam a passagem da luz solar para crescimento e desenvolvimento das plantas (REIS, 2005). Além disso, o mesmo propicia um microclima adequado ao desenvolvimento vegetal, protegendo conta ataque de pragas e intempéries climáticas, contribuindo com uma melhor produtividade em relação ao cultivo em céu aberto (OLIVEIRA, 1995). Em ambientes protegidos é necessário o uso de irrigação. Neste caso o sistema de irrigação por gotejamento (irrigação localizada) apresenta uma série de vantagens, mantendo a umidade do solo, diminuição das doenças, de modo que são obtidos efeitos positivos na produção por área e por água consumida, assim como na época da colheita e na qualidade do produto (BERNARDO et al., 2006). Objetivos O Objetivo deste trabalho foi avaliar dos benefícios dos ambientes protegidos para os agricultores familiares do Projeto de Assentamento Santa Rita no município de Jataí GO. Metodologia Este projeto foi desenvolvido no Projeto de Assentamento Santa Rita (PASR), situado a 30 quilômetros de Jataí-GO. A comunidade que atualmente conta com 23 famílias, que possuem a divisão de trabalho com base na agricultura familiar, com parcelas de 30 hectares em média, sendo que a área total do PASR é de 946,25 hectares incluindo reserva comunitária. A principal estrada que dá acesso ao Assentamento é a BR-158 no sentido Caiapônia. As coordenadas UTM 22 K da sede do Projeto de Assentamento Santa Rita são: L ,32 m, S ,39 m e 747 metros de altitude. A área do assentamento possui relevo ondulado, solos rasos e em alguns pontos classificados como litossolo, sua vegetação é predominantemente típica do cerrado. Há principio foi organizado uma reunião com os assentados com intuito de levantar aspectos negativos e positivos do local, a saber, o tipo de atividades

3 exercidas nas propriedades e atividades de interesses. A partir desse levantamento foi verificado que entre as atividades desenvolvidas pelos agricultores a produção de hortaliças para entrega no PAA e feirinha era predominante. A partir do estudo prévio das necessidades das famílias do PASR, chegou-se a conclusão que seria de grande utilidade a implantação de ambiente protegido acompanhado com um kit de irrigação por gotejo, na qual aperfeiçoaria a produção de hortaliças viabilizando a produção o ano todo. Os ambientes protegidos foram construídos utilizando os materiais existentes na própria propriedade, seguindo o modelo apresentado na Figura 1. Esse modelo é coberto com filme de polietileno de baixa densidade (PEBD), transparente para passagem de luz, tela antiofídica de 30 meche, com dimensões de 6 metros de largura e 12 de comprimento. Figura 1:Ambientes protegidos, construídos com estruturas de madeira e metal. (Reis, 2005). A irrigação foi efetuada para suprir as necessidades hídricas das culturas, irrigando em media 1h/dia -1. O sistema de gotejamento trabalha com uma vazão de 1,7 l/h -1, operando com uma pressão de 0,2 bar. O sistema é desenvolvido especialmente para o uso familiar, composto por um reservatório de água de 1000 litros, válvula de controle, tubos de distribuição de água e emissores (gotejamento), irrigando uma área de 72 m 2. O sistema não requer o uso de energia, pois funciona pela ação da gravidade a partir de um depósito de água instalado a 2 metros de altura. O manejo da irrigação ficará por conta da equipe técnica, onde será feito um cronograma relacionando quando e quanto irrigar.

4 RESULTADOS A diversificação é a essência do sistema de produção agroecológica, nesse sentido os trabalhos desenvolvidos no PASR contemplaram os produtores que se encaixaram nesse perfil agroecológico. Na qual, 26% das famílias dos respectivos lotes 07, 12, 13,15, 19 e 20 seguiram o perfil do plantio em ambiente protegido. Entretanto, os mesmos tinham como exigência, melhorar as condições de plantio para o ano todo e maximizar a produção, pois grande parte enfrentavam os problemas no plantio na época da chuva, pelo excesso de umidade e às doenças. A efetivação da construção do ambiente protegido foi por conta dos agricultores PASR, de modo que houve uma integração do conhecimento e da participação de ambas as partes. Sendo, à conta partida do projeto o fornecimento da lona transparente para cobertura, tela antiafídea, kit de irrigação por gotejo e a instalação posterior à construção dos canteiros. As visitas foram feitas semanalmente, para auxiliar e orientar os agricultores familiares sobre a manutenção das estufas. Nesses momentos foram tratados assuntos importantes como: calendário para escalonamento de plantio, culturas de interesses comerciais e como operar e manejar a irrigação (Figura 2). Os agricultores optaram produzir hortaliças, pelo fato de ter uma maior saída no comércio e pela precocidade no ciclo. Figura 2:Orientação dos produtores sobre a construção do ambiente protegido. Foto: Karoline, Por tanto, a atuação do corpo técnico no PASR deixou os mesmos mais seguros e satisfeitos com a idéia do perfil agroecológico no assentamento, além disso, é esperado que com o término deste projeto os agricultores continuem

5 buscando novas alternativas de produção agroecológica, disseminando as experiências quando atingirem o sucesso alcançado pelas próprias mãos. Assim esperamos haja uma percepção de que a produção dos alimentos tendo como base a sustentabilidade garanta tanto a preservação do meio ambiente quanto o bem estar e saúde, de forma que essa técnica de produção seja repassada de geração a geração. Conclusão Os agricultores mostraram-se mais dispostos com a atuação do projeto. Com o ambiente protegido houve um aumento considerável na produção devido às inúmeras vantagens que o ambiente protegido proporcionou, além disso foi possível cultivar as hortaliças durante todos os períodos do ano. Com a irrigação as culturas mostraram-se mais vigorosas, uma vez que não a estresse hídrico. REFERENCIAS BERNARDO, S.; SOARES, A.; MANTOVANI, E.C. Manual de Irrigação. Viçosa: UFV, p.484, CAPORAL, F. R.; COSTABEBER, J. A. Segurança alimentar e agricultura sustentável: uma perspectiva agroecológica Disponível em: Acesso em 27 de Julho de DIAS, M. S.; RIBEIRO, D. D.; ASSUNÇÃO, H. F. Reaplicação e reprodução de sementes de milho crioulo no assentamento rio claro em jataí (go): estratégia para autonomia de agricultores familiares. XI Enegeo Simpósio Regional de Geografia. Jataí-GO; OLIVEIRA, M.R.V. O emprego de casas de vegetação no Brasil: Vantagens e desvantagens. PesquisaAgropecuária Brasileira, Brasília, v.30, n.8, p , IBGE -Censo Agropecuário, Agricultura Familiar. Disponível em:www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=146 6&id_pagina=1. Acesso em: 16 de Julho de REIS, N.V.B. Construção de estufas para produção de hortaliças nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Circular técnica 38, Brasília- DF: Embrapa Hortaliças, MDA - O encontro da agricultura familiar com a alimentação escolar. Disponível em:www.biblioteca.sebrae.com.br/bds/bds.nsf/2867a518be2d6ab F277/$File/NT00042AC6.pdf. Acesso em: 18 de julho de 2011.

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