II D e l o i t t e A n o s n o B r a s i l

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1 100 Anos no Brasil

2 II D e l o i t t e A n o s n o B r a s i l

3 D e l o i t t e A n o s n o b r a s i l III

4 IV D e l o i t t e A n o s n o B r a s i l

5 Esta publicação é dedicada a todas as pessoas que, ao longo de um século, ajudaram a construir a grande organização que hoje é a Deloitte no Brasil. O legado deixado por elas é como o ponto verde que acompanha a nossa logomarca no mundo inteiro consistente, completo, único. Exatamente como são a história e os serviços oferecidos pela Deloitte.

6 Pelo sucesso dos próximos 100 anos Vamos dar continuidade ao trabalho realizado neste século, contribuindo para construir um país sempre melhor para as próximas gerações da Deloitte, para nossos clientes e pelo futuro do Brasil. O resgate da história da Deloitte em seu primeiro século de atuação no Brasil nos oferece a oportunidade de conhecer um pouco melhor o nosso próprio país. A narrativa que as pessoas de nossa organização vêm escrevendo desde 1911, quando ela aportou no Rio de Janeiro para auditar companhias ferroviárias britânicas, se mescla a muitos dos episódios mais importantes do desenvolvimento do ambiente de negócios brasileiro. A Deloitte esteve presente em todos os momentos relevantes da história econômica nacional desse período, apoiando seus clientes empresas estrangeiras e locais a endereçar os desafios que se apresentaram, sucessivamente, em meio a alterações profundas e frequentes no mercado. Mais do que presente, nossa organização se envolveu fortemente com o Brasil sua economia, suas empresas, sua gente. Nossa história, que tem muitos de seus fatos relatados nesta publicação, evidencia o envolvimento da Deloitte com o Brasil encurtando as distâncias entre as necessidades locais e as melhores práticas reconhecidas mundialmente e auxiliando os agentes de mercado a acelerar a integração do País a uma economia global e de transformações cada vez mais intensas. Apesar de já termos entrado para o clube das centenárias, a Deloitte no Brasil continua sendo uma organização muito jovem. Nossa alma é a dos que se apaixonam por desafios de todos os tipos, dimensões e níveis de dificuldade. Levamos para o nosso dia a dia o mesmo prazer dos desbravadores que construíram novos caminhos na história da humanidade. E é na vanguarda que queremos nos manter, posicionados efetivamente sempre um passo à frente, acreditando que é possível e necessário fazer tudo cada vez melhor. Destes 100 anos no Brasil, podemos afirmar que nunca houve um momento tão próspero como este que hoje vivemos. Com fundamentos econômicos firmes, taxas de crescimento acima da média mundial, mais investimentos, maior consumo e melhor distribuição de renda, o País avançou muito. E, mais uma vez, junto com o Brasil e com nossos clientes, a Deloitte também cresceu. Entre os sócios da nossa organização, há um compromisso mútuo o de entregar uma Deloitte cada vez melhor às próximas gerações. Para os próximos 100 anos da Deloitte no País, queremos renovar e ampliar esse compromisso agora, para toda a sociedade brasileira. Vamos dar continuidade ao trabalho realizado neste século, contribuindo para construir um país sempre melhor para as próximas gerações da Deloitte, para nossos clientes e pelo futuro do Brasil. Juarez Lopes de Araújo Presidente da Deloitte no Brasil

7 Oportunidade para alçar novos voos Considerando os incríveis avanços feitos pela Deloitte no Brasil nos últimos 100 anos e o ambiente no qual opera hoje, não há limite para o que pode ser alcançado. A Deloitte no Brasil tem hoje bons motivos para comemorar. Tendo como pano de fundo o crescimento econômico sem precedentes do País, a firma-membro da Deloitte registra neste ano um marco importantíssimo de sua história 100 anos de prestação de serviços. Criada no Brasil em 1911, a Deloitte é hoje uma das principais organizações locais de serviços profissionais, atendendo a mais de 3 mil clientes em todo o País. O crescimento e a longevidade da firma brasileira são prova da qualidade de sua liderança no decorrer dos anos e da dedicação, da inovação e dos serviços excepcionais oferecidos aos clientes por seus profissionais. Mesmo com essas conquistas, acredito que o melhor ainda está por vir para a Deloitte no Brasil. Uma nova era está despontando. Com o Brasil bem posicionado para se tornar uma importante potência econômica, empresas e investidores de todo o mundo estão prestando atenção no País. Portas que nunca antes estiveram ao alcance estão começando a se abrir, e novas oportunidades de negócios abundam. O fato de o Brasil ter sido escolhido para sediar a próxima Copa do Mundo (2014) e a Olimpíada (2016) eventos que trarão ao País visibilidade, receita e oportunidades de emprego significativas ilustra essa mudança. Essa será a primeira vez em 64 anos que a Copa do Mundo será realizada no Brasil e a primeira vez na história que os Jogos Olímpicos serão sediados na América do Sul. Como previram os economistas nos últimos anos, a hora do Brasil chegou. E, junto com isso, vem a oportunidade de a nossa rede global da Deloitte alçar novos voos. O sucesso futuro da organização Deloitte será conduzido em grande parte pelas firmas-membro cujas economias oferecem as maiores oportunidades de crescimento. Assim, à medida que o Brasil se torna um país central no cenário internacional, a firma brasileira torna-se também um agente central na condução de nossa aspiração global fazer crescer os negócios, fortalecendo a conexão das firmas e das áreas de negócios da Deloitte e operando como uma organização global sem fronteiras, As One. Como CEO da Deloitte Touche Tohmatsu Ltd., não posso deixar de me empolgar com o que estou vendo. O futuro se mostra brilhante. Considerando os incríveis avanços feitos pela Deloitte no Brasil nos últimos 100 anos e o ambiente no qual opera hoje, não há limite para o que pode ser alcançado. Feliz 100 anos! Obrigado aos sócios, profissionais e clientes da Deloitte no Brasil por contribuir para levar nossa rede global a um futuro de potencial sem limites. Barry Salzberg CEO da Deloitte Touche Tohmatsu Limited DTTL

8 Sumário O começo de tudo Quem é e como surgiu uma das maiores organizações de auditoria e consultoria do mundo Nos trilhos do Brasil O que motivou uma firma inglesa de auditoria a desembarcar no Brasil agrícola 100 anos atrás O passar dos anos Os momentos mais importantes da trajetória da Deloitte, no mundo e no Brasil 38 Um celeiro de talentos Por que e como a Deloitte conquista seus profissionais: eles entram como assistentes e fazem carreira na Firma 46 No mapa do Brasil As cidades em que a Deloitte estabeleceu sua bandeira

9 26 de Crescendo com o Brasil A história da Deloitte mescla-se com o desenvolvimento do País e das práticas auditoria e consultoria anos que valeram por 100 A evolução do mercado de auditoria na última década e um olhar sobre o papel das práticas de consultoria no mundo de hoje 64 A marca dos líderes Os presidentes que fizeram história 67 A transição para o 2º século Consolidação de avanços internos e projeção global 54 Olhares externos Pontos de vista de personalidades do mercado sobre o que significa se tornar uma organização centenária 62 O legado que promovemos A contribuição da Deloitte para disseminar conhecimento, apoiar o esporte e construir um país socialmente responsável 68 De geração para geração Os compromissos legados e deixados pelos sócios

10 O começo de tudo Quem é, onde e como surgiu uma das maiores organizações de auditoria e consultoria do mundo, que mais tarde desembarcaria nos trópicos brasileiros 6 D e l o i t t e A n o s n o B r a s i l

11 Este livro nasceu para brindar o primeiro século de vida da Deloitte no Brasil, recuperando não apenas a trajetória da organização, mas também uma série de episódios importantes do ambiente de negócios do País desde o início do século 20. No entanto, para narrar essa história protagonizada no Brasil, é preciso voltar bastante no tempo e ultrapassar as fronteiras nacionais. Os primórdios da organização que hoje é denominada Deloitte se deram ainda no final da primeira metade do século 19, em Londres, que era então a maior cidade do mundo. Foi na capital britânica que surgiu o embrião daquela que se tornaria uma das maiores organizações de auditoria e consultoria do mundo, hoje com 700 escritórios espalhados em mais de 150 países e uma rede de 182 mil profissionais. Esse resgate dos anos iniciais de formação da Deloitte no mundo serve hoje para evidenciar que a sua jornada está ligada diretamente à história da própria profissão de auditor independente, nos moldes como hoje conhecemos. Em especial, à carreira do inglês William Welch Deloitte, que, aos 15 anos, foi trabalhar como assistente do síndico da Corte de Falências de Londres, onde adquiriu todas as bases necessárias para a profissão de auditor. A atividade contábil começava a tomar impulso devido ao lucrativo negócio de Quando William Welch Deloitte faleceu, em 1898, a Londres em que ele havia aberto o escritório precursor da atual Deloitte ainda era o centro do maior império do mundo. Era de lá que as mais modernas práticas de negócios se irradiavam mundo afora. A auditoria das demonstrações financeiras estava entre elas. D e l o i t t e A n o s n o b r a s i l 7

12 A tríade que originou o nome Deloitte Os três principais empreendedores que construíram as bases da história da organização desde 1845 William Welch Deloitte George A. Touche Admiral Nobuzo Tohmatsu William Welch Deloitte Um dos pais da profissão de auditor. A trajetória de William Welch Deloitte, neto do Conde de Loitte, um refugiado da Revolução Francesa de quem se originou o sobrenome que denominaria a futura firma, está diretamente ligada à história da auditoria independente. Nascido na Inglaterra, começou sua carreira muito cedo. Fundou o embrião do que seria a Deloitte em 1845, aos 25 anos, quando abriu seu próprio escritório, em frente à Corte de Falências, na Basinghall Street. Em 1888, foi fundador do Institute of Chartered Accountants. Em 1893, abriu escritórios nos Estados Unidos, e a Deloitte s, como era conhecida, começou a auditar empresas fabricantes de velas e sabonetes, setor que se encontrava em expansão. George A. Touche George A. Touch (ainda sem a vogal que iria adquirir mais tarde) teve desde o princípio uma carreira pautada pela reputação e integridade. Recebeu o passaporte (ou sua habilitação) de auditor em Edimburgo, Escócia, em Assim como muitos de sua geração, ele partiu para a Inglaterra em busca de sucesso. Optou por acrescentar a vogal e ao seu sobrenome, com a esperta intenção de evitar um erro de pronúncia bastante comum. Tornou-se, então, George Touche. A sua reconhecida austeridade em fazer cumprir a lei rendeu-lhe a oportunidade de expandir os negócios durante um período de desastres financeiros no setor de administração de recursos de terceiros. O sucesso em salvar e reestruturar empresas fadadas ao fracasso abriu caminho para a formação da George A. Touche & Co., em Em 1900, com John Niven, filho de seu primeiro professor de contabilidade, abriu a firma Touche, Niven & Co., na cidade de Nova York. No Reino Unido, a General Electric Company era um de seus clientes mais importantes. Admiral Nobuzo Tohmatsu Sempre prezou pelo bom atendimento às empresas japonesas. Após trabalhar como adido naval na embaixada de Londres e como instrutor na Academia da Marinha, tornou-se auditor. Em 1952, aos 57 anos, Tohmatsu recebeu o título de Certified Public Accountant (CPA) e tornou-se sócio da afiliada estrangeira de uma firma de auditoria e diretor de uma empresa privada. Em 1967, assumiu a presidência do Instituto Japonês de CPAs. A pedido do Japão, que queria atrair firmas de auditoria para o país, Tohmatsu incentivou o setor. Em maio de 1968, formou-se a Tohmatsu & Co. (anteriormente Tohmatsu Awoki & Co.). Um dos fatores determinantes para seu crescimento foi a decisão de exportar sócios e colaboradores para outros países, visando estimular a troca de experiências. Algo que já revelava o enfoque da organização internacional que ele ajudaria a construir. 8 D e l o i t t e A n o s n o B r a s i l

13 administração de massas falidas e, depois, do avanço do mercado de capitais. Em 1845, aos 25 anos, ele abriu seu próprio escritório próximo ao miolo financeiro londrino (leia mais a respeito no quadro da página ao lado). Na época, havia nada menos do que 200 escritórios de contabilidade na capital inglesa, já que, nessa época, estavam sendo aprovadas importantes leis que formaram o alicerce para as modernas sociedades por ações. Persistente, William Deloitte foi consolidando seu nome, sobretudo à medida que um setor em particular se expandia o de transporte ferroviário. Havia o calor da industrialização, há de se lembrar. Em 1849, ele se tornou o primeiro auditor independente contratado por uma empresa. Atuando na Great North Railway, descobriu irregularidades e criou um sistema de contas específico para companhias ferroviárias, que visava proteger os investidores da má administração dos recursos. Tornou-se um especialista no assunto. A sua conexão com a Great Western Railway fez com que fosse visto como o primeiro auditor independente do mundo. O prestígio de seu trabalho lhe rendeu uma safra de outros clientes na indústria ferroviária, como a Lancashire, a Yorkshire e a South Wales todas de capital britânico e com negócios espalhados pelo mundo, incluindo o Brasil. Associações certeiras O sucesso da Deloitte deu-se, entre outros aspectos, por conta de uma série de associações bem-sucedidas, realizadas com o passar dos anos (leia a cronologia completa a partir da página 19). Mais tarde, no início dos anos 1950, a Deloitte e a empresa de origem norte-americana Haskins & Sells uniriam suas operações, criando uma organização de porte e cobertura global. No final da década de 80, duas outras associações de expressão ocorreriam, com a firma do escocês George A. Touche, e com a do japonês Admiral Nobuzo Tohmatsu. Tal como William W. Deloitte, cada um havia construído sua firma e partido para a expansão. A união dos três só poderia resultar, então, num caso de sucesso e visibilidade internacional. Qual é a empresa mais antiga do mundo? respeitado livro dos recordes, o Guinness Book, deu o O posto à inglesa Favershaw Oyster Fishery, fundada em Mas há controvérsias. Exatos 596 anos antes dela, o templo budista de Shitennoji, localizado no Japão, já existia. Surgiu pelas mãos da família Kongo Gumi. Atualmente, Kongo Gumi Co. está sob o leme de Masakazu Kongo, o 40º representante da família. E, além de manter os templos, a organização administra e constrói igrejas, escolas e asilos. O segredo do sucesso? A empresa tratou a sucessão como um tesouro valioso. Mesmo sendo de origem japonesa, em que reza a regra de passar o comando ao filho primogênito, a direção optou, todas as vezes, por escolher para o cargo o filho mais comprometido com o negócio. Uma firma séria e, claro, com as contas em dia (www.kongogumi.co.jp). D e l o i t t e A n o s n o b r a s i l 9

14 Nos trilhos do Brasil O que motivou uma firma inglesa de auditoria a desembarcar no Brasil agrícola de 100 anos atrás, governado por mineiros e paulistas em uma república de capital carioca

15 Pode ser um exercício curioso e historicamente rico pensar no Brasil de 100 anos atrás e conhecer quais foram os atrativos que uma nação genuinamente agrícola despertou em uma firma britânica de auditoria. Afinal, quando chegou por aqui em 1911 antes mesmo de desembarcar em grandes mercados internacionais como Chicago, nos Estados Unidos, ou Montreal, no Canadá, a Deloitte já era uma empresa com mais de seis décadas de vida e alguns grandes clientes mundo afora. E o Brasil não vivia o seu melhor momento. Era uma república muito jovem, sob o leme do presidente Hermes da Fonseca, que teve um governo marcado pela renegociação da dívida externa. A economia vivia basicamente do café, o ouro negro. O País detinha mais de um terço da produção mundial da cultura e as vendas ao exterior respondiam por 60% da pauta de exportações do Brasil. A logística para transportar o produto até os navios ainda era pouco avançada. Havia, contudo, a grande promessa de que as ferrovias cortariam o Brasil de Norte a Sul, aposentando de vez o lombo das mulas. William Welch Deloitte, que emprestou o sobrenome para fundar a firma de auditoria, na Inglaterra de 1845, já havia feito fama exatamente por sua expertise em verificar as demonstrações financeiras das companhias ferroviárias. Os ingleses estavam investindo no Brasil e a Deloitte instalou-se no País justamente para atendê-los, lembra o escocês Hugh McManus, sócio aposentado que chegou por aqui em 1959 e presidiu a Firma de 1976 a Quando cheguei, as empresas brasileiras não tinham a necessidade de serem auditadas, mas as subsidiárias das multinacionais que estavam no Brasil precisavam prestar contas à matriz, acrescenta. As ferrovias britânicas estão fortemente ligadas aos primeiros anos da Deloitte, tanto na Europa como no Brasil Estavam sendo feitos investimentos na ampliação da malha ferroviária do País, algo que traria o sopro para sua industrialização e a vantagem de escoar mais produtos agrícolas, além do café. Foi justamente nesse contexto que se iniciou a longeva e certeira como se veria depois trajetória da Deloitte no Brasil. O contador inglês D e l o i t t e A n o s n o b r a s i l 11

16 Por essa razão, havia forte demanda das companhias britânicas pelos serviços da Deloitte. Até porque, ou justamente por isso, a Grã-Bretanha continuava vivendo e liderando as novas fases da revolução industrial. Para crescer e sustentar o inevitável êxodo rural, empresas de origem inglesa levantavam capital com a venda de ativos para investidores, uma prática que se repete até hoje no mercado mundial de capitais. Tal movimento fez crescer o número de companhias abertas, com ações listadas em bolsa, e, com elas, surgiram revezes inerentes ao setor. Logo, a auditoria passou a ser compulsória. O que, como lembrou McManus, favoreceu a expansão da firma brasileira da Deloitte. À medida que as companhias da Grã-Bretanha expandiam seus negócios em países como o Brasil, tornava-se interessante poder contar, onde quer que fosse, com uma firma inglesa para auditar suas contas. Foi a partir daquele núcleo inicial que a Deloitte expandiu seus negócios para outros setores da economia e outras áreas de atuação. 12 D e l o i t t e A n o s n o B r a s i l

17 Por que a cidade maravilhosa? O desembarque da Deloitte no Brasil deu-se com a abertura de seu primeiro escritório no Rio de Janeiro. Além de abranger a capital da República, o Estado concentrava 33% da produção brasileira, enquanto São Paulo, 17%. A depois reconhecida Cidade Maravilhosa vivia o glamour da sua belle époque, com a inauguração do Theatro Municipal, réplica fiel da Opéra National de Paris, e da Avenida Rio Branco, que sediaria, logo depois, grandes empresas nacionais e estrangeiras. As decisões político-econômicas atraíam importantes instituições financeiras para a capital. Entre elas, estavam o London and Brazilian Bank, maior banco inglês naqueles tempos, e a casa bancária de N.M. Rothschild & Sons, que foi uma das principais credoras do Brasil desde os tempos de Dom João VI. Com um mercado de consumo de proporções razoáveis e sede dos grandes bancos, aptos a financiar investimentos, o Rio era o polo mais importante do País. Na cidade, havia uma estrutura social mais complexa, em que se concentravam setores menos dependentes da atividade agrícola. Havia, por exemplo, uma classe média profissional e de burocratas, incluindo muitos militares de carreira, alguns deles egressos da tradicional Escola Militar, localizada em Angra dos Reis (RJ). Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em torno de 1911: a cidade foi a primeira a receber um escritório da Deloitte no Brasil, que, por coincidência, está hoje localizado nas redondezas do histórico edifício centenário Eram essas as instituições financeiras que bancavam, em grande parte, o desenvolvimento da infraestrutura nacional: não apenas a construção de ferrovias, como também de obras dos setores de energia elétrica e gás. O governo, naquele tempo, fazia concessões de seus serviços públicos. A concessionária de energia elétrica do Rio, sob o nome The Rio de Janeiro Tramway, Light and Power Co. Ltd., por exemplo, era de capital canadense. E, entre outras atividades, explorava os serviços de bondes no tradicional bairro de Santa Tereza. D e l o i t t e A n o s n o b r a s i l 13

18 Lyndon Johnson, que adotou o Brasil como pátria em 1972: subsidiárias de empresas estrangeiras sujeitas a diversas exigências desde os anos 30 Locomotivas pelo território nacional Embora seu escritório estivesse no Rio de Janeiro, o interesse da Deloitte estava no Brasil inteiro. Inicialmente, ou com mais força, estava nos trilhos de ferro que prometiam cortar o território nacional de Norte a Sul, com as suas locomotivas movidas a vapor. As mariasfumaça representavam o progresso do Brasil, e as primeiras ferrovias com capital inglês chegaram ao País pelos portões do Nordeste. Com isso, em 1917, quando já estava há seis anos por aqui, a Deloitte abriu outro escritório. Desta vez, no Recife. Lá, nasceu a Recife and São Francisco Railway Company, que começou a ser construída em setembro de 1855, sendo, logo depois, comprada por outra empresa britânica, a Great Western Railway. Ao longo do tempo em que permaneceu no Brasil, a Great Western chegou a possuir mais de quilômetros de ferrovias, atravessando diversos Estados do Nordeste. Os britânicos estavam presentes em outros segmentos da economia do Estado de Pernambuco, como nos negócios de comunicação, com investimentos da Western Telegraph. E havia integração entre funcionários da Great Western Railway e da Western Telegraph, que jogavam futebol nos quintais de suas casas. Do entusiasmo desses homens, nasceu o Sport Uma vila inglesa no Brasil Estrada de Ferro Santos-Jundiaí foi construída em várias partes. A O primeiro trecho foi entre São Paulo e o porto de Santos. No alto da serra, foi implantada uma estação que serviu de acampamento para os operários, denominada Paranapiacaba. Ela possibilitava a troca de sistema pelos trens, ou seja, era centro de controle operacional e residência para os funcionários da São Paulo Railway Limited, empresa inglesa de trens, auditada no Brasil pela Deloitte. Em 1898, foi erguida uma nova estação, mais moderna, com madeira, ferro e telhas francesas trazidos da Grã-Bretanha. Essa estação tinha como característica principal o grande relógio fabricado pela Johnny Walker Benson, de Londres, que se destacava no meio da neblina muito comum naquela região. No fim do século 19, com a inauguração da nova estação, também se discutia a ampliação da estrada de ferro, com um segundo sistema. Nesse ponto, os ingleses iniciaram a construção da Vila Nova (ou Martin Smith) e, em conjunto, fizeram melhorias na Vila Velha. Juntas, as duas ficaram conhecidas como Parte Baixa ou Vila Inglesa. A Vila Inglesa, criada para operários morarem durante a construção da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, controlada então por uma das companhias britânicas atendidas pela Deloitte 14 D e l o i t t e A n o s n o B r a s i l

19 Club do Recife, o primeiro clube de futebol da cidade, fundado em 13 de maio de O Recife sempre teve tradição para a nossa organização, por conta do começo da sua história no Brasil, com as ferrovias. E ganhou força, passando a ser um polo importante da Deloitte no Nordeste, diz Claudio Lippi, sócio hoje responsável pela Firma na região, que abrange os escritórios de Recife, Salvador e Fortaleza. Mesmo que a Deloitte tenha tido raízes firmes no Recife, a mais importante companhia ferroviária que ela atenderia no Brasil estava no Sudeste. Trata-se da São Paulo Railway Limited, cuja malha ligava São Paulo a Santos e se prolongaria até Jundiaí (SP), sua última estação. O seu embrião nasceu em junho de 1860, quando investidores ingleses, convencidos pelo apoio do barão Lionel de Rothschild ao empreendimento do Visconde de Mauá, decidiram apostar no negócio. Concessão criada por decreto imperial, com duração de 90 anos, a estrada de ferro tinha 146 quilômetros de extensão. Foi inaugurada em 1867, iniciando a malha ferroviária paulista, que, no início do século 20, já tinha quilômetros. Em 1910, o Brasil tinha 21,4 mil quilômetros de ferrovias; desse total, 23% estavam no Estado de São Paulo. Na capital paulista, tempos depois Em 1920, a Deloitte abriu seu escritório na cidade de São Paulo. O Brasil ainda era um país essencialmente agrícola. Segundo o censo daquele ano, das 9,1 milhões de pessoas em atividade, 6,3 milhões, ou 70%, se dedicavam à agricultura, enquanto 1,2 milhão, à indústria, e 1,5 milhão, aos serviços. A realidade mostrava que, para que o Estado se desenvolvesse e reduzisse sua dependência do campo, era preciso ampliar a indústria, aumentar o setor de serviços e abastecer seu mercado interno com bens agrícolas. Indústrias de tecelagem, de metalurgia e de fabricação de papéis já começavam a crescer, apostando na expansão do mercado interno. Do começo ao fim da década de 20, o Brasil e o mundo mudaram. Era o fim da Primeira República e da Política Café com Leite, pela qual as oligarquias de São Paulo e Minas Gerais se alternavam no Governo Federal. E as dissidências políticas indicavam que começava a surgir um novo Brasil, fruto da urbanização e de um surto de industrialização. Os resquícios da crise de 1929 se desdobravam em várias exigências para as companhias abertas, a partir de 1933, o que forçava ainda mais as subsidiárias instaladas em outros países a prestar contas, afirma o norte-americano Lyndon Johnson, sócio aposentado da Firma, que veio para o Brasil em Exemplos que se encaixam nesse movimento eram os serviços que a Deloitte prestava para a família Salles Souto, dona do Grupo Lion que, entre outros negócios, detinha a representação da norte-americana Caterpillar no comércio de tratores e ceifadeiras, e para o Grupo Matarazzo, então uma potência D e l o i t t e A n o s n o b r a s i l 15

20 Ernesto Marra, sócio aposentado, aos 96 anos: testemunha de uma história de crescimento industrial e econômica e que necessitava do trabalho de auditoria para atender a compromissos assumidos com bancos suíços. Por décadas, o desenvolvimento da Deloitte limitouse, então, a atender a essa clientela cativa. Até que, em dezembro de 1976, a Lei nº estabeleceu a obrigatoriedade de auditoria independente para as companhias abertas e impôs obediência aos princípios contábeis na escrituração das companhias. A Deloitte percebeu que era hora de acelerar seu crescimento e se voltar, também, para o mercado interno. Os sócios da Firma queriam participar desse novo mercado e também abrir novas oportunidades, afirma o sócio aposentado José Beisl Barretto, que, em 1992, se tornaria o primeiro brasileiro a assumir a presidência da Deloitte no País. Até aqueles meados da década de 70, a organização era, no Brasil, uma empresa comandada por estrangeiros para atender a estrangeiros. Ainda em 1976, a Firma se funde a uma das maiores empresas brasileiras de auditoria e consultoria tributária, 16 D e l o i t t e A n o s n o B r a s i l

21 a Revisora Nacional, e traz, junto, os sócios Hilário Franco, Ademar Franco, Ernesto Marra e Luiz Mussolini. Com a fusão à Revisora Nacional, na década de 70, é que a Deloitte passou a atender uma gama muito maior de empresas de capital brasileiro, diz Marra, hoje sócio aposentado, com a memória de quem era egresso da empresa comprada. Com a Revisora Nacional, vieram alguns clientes importantes. Entraram na carteira, por exemplo, organizações como o Banco Mercantil, o Banco Francês e Brasileiro, o Banco Real e o Grupo Camargo Corrêa. Fusões e aquisições feitas fora do Brasil ajudaram a desenvolver outros negócios no País, como a que aconteceu com a Touche Ross que já estava associada à firma japonesa Tohmatsu. Da operação, vieram clientes como a Toyota, o Banco de Tóquio e a Komatsu. E, com eles, uma mescla de culturas em toda a organização, tanto aqui quanto lá fora. Afinal, como diz Altair Rossato, sócio que hoje lidera os Programas de Mercados e Clientes da Deloitte, os nossos desafios são buscar oportunidades onde elas estiverem e ajudar nossos clientes a serem bem-sucedidos. A São Paulo do início do século 20: terceira cidade brasileira a receber um escritório da Deloitte

22 O passar dos anos Os momentos mais importantes da trajetória da Deloitte, no mundo e no Brasil, contextualizada com grandes fatos econômicos e políticos

23 1845 William W. Deloitte, com apenas 25 anos, abre escritório em Londres, dando início à organização que mais tarde se chamaria Deloitte. A organização expandese rapidamente e chega, até mesmo, a prestar serviços na Rússia, antes da Revolução Comunista de A Deloitte faz sua primeira parceria, com Thomas Greenwood, após um aporte de 800 libras esterlinas no capital da Firma. Passa a se chamar Deloitte & Greenwood A Firma absorve um novo sócio, John George Griffiths, que exerceu uma grande influência sobre o crescimento da organização até sua aposentadoria, em É rebatizada de Deloitte, Dever, Griffiths & Co Associa-se à Plender e passa a ser conhecida como Deloitte, Plender, Griffiths & Co A Deloitte que hoje conhecemos inaugura seu primeiro escritório no Brasil, desembarcando no Rio de Janeiro, a capital federal da época É inaugurado o escritório do Recife, em Pernambuco. Naquele tempo, a cidade abrigava o porto de entrada para navios que vinham da Europa. Apesar de agrícola, como a maior parte do País, o Estado atraía famílias estrangeiras com outras vertentes empreendedoras, além do campo No início da década, a Deloitte volta-se para o Estado de São Paulo. Em 1920, um escritório da organização se estabelece na capital paulista. Um ano depois, abre um escritório em Santos. A cidade litorânea hospedava uma parte importante da malha ferroviária nacional, que desembocava justamente no porto de Santos principal canal para escoar mercadorias agrícolas, em especial, o café. O escritório de Santos permaneceu ativo até Mundo afora A Primeira Guerra Mundial ( ) Nos primeiros anos da Deloitte no Brasil, houve movimentos significativos mundo afora que geraram reflexos também em terras latinas. A Primeira Guerra foi o mais marcante. O conflito redesenhou o mapa geopolítico: pôs de um lado os impérios britânico, francês e russo mais os Estados Unidos e, de outro, os impérios alemão, austro-húngaro e turco-otomano. Sob o escudo da Tríplice Entente, britânicos e franceses, com o apoio dos norte-americanos, vencem a batalha. A vitória, porém, quebra a hegemonia europeia e abre flancos para a expansão de poder dos norte-americanos no cenário internacional. Os efeitos da guerra foram devastadores para a economia brasileira. Afinal, o conflito desorganizou o mercado internacional de commodities e trouxe novas dificuldades para a exportação do café, forçando o governo a desvalorizar sua cotação. Esse cenário trouxe novos desafios para o ambiente de negócios nacional, em que a Deloitte já estava inserida, prestando seus serviços de auditoria para empresas estrangeiras instaladas no País. Conflito desestruturou a já frágil economia brasileira D e l o i t t e A n o s n o b r a s i l 19

24 1930 A Deloitte consolida-se na capital paulista, justamente no momento em que o Brasil vivia uma profunda transformação política e econômica. Era a época da Revolução de 30, com um golpe que colocou Getúlio Vargas no poder. A sua política prometia implantar um plano de desenvolvimento industrial para o País. Havia o clamor para se investir em infraestrutura de base, apoiada em setores como os de siderurgia e de mineração. Naquela década, que terminaria com o advento da Segunda Guerra Mundial, a Deloitte, com três escritórios no País, continuava firme, acompanhando a presença de organizações estrangeiras que decidiam atuar em um Brasil de profundas mudanças A Deloitte une-se à sua concorrente Haskins & Sells, a maior dos Estados Unidos. O objetivo era reforçar a sua presença no mercado norte-americano, no qual a H&S reinava absoluta, enquanto a Deloitte tinha escritórios Mundo afora Depois do crash ( ) Deloitte já estava no Brasil há quase A duas décadas quando o mundo parecia viver em ebulição. O dia 24 de outubro de 1929 entrou para a história. A quinta-feira negra foi o crash da Bolsa de Nova York, uma tragédia que fez fortunas evaporarem, empresas tradicionais fecharem as portas e uma multidão perder seu emprego. Entre 1929 e 1931, a produção industrial nos Estados Unidos caiu 30%. O efeito dominó se replicou no mundo. Não foi diferente no Brasil, que ainda tinha a economia com base agrícola e voltada para as exportações de café, açúcar e borracha. Houve uma queda vertiginosa nos preços de commodities e, lá fora, uma escassez generalizada no crédito. As vendas externas brasileiras desabaram em mais de 50%, em quatro anos. A Bolsa de Nova York irradia uma crise mundial 20 D e l o i t t e A n o s n o B r a s i l

25 em Nova York, Boston, Cincinnati, Saint Louis e Los Angeles. Também se associou à MacLaren, Goode & Co., de São Francisco, para operar na costa do Oceano Pacífico. Depois, a MacLaren, Goode & Co. também é incorporada. O negócio ajuda a ampliar as operações no Brasil, onde a Deloitte passa a atender também a clientes norte-americanos, como a Procter & Gamble, a Monsanto, a General Motors, a Chrysler e a Dow Chemical, para as quais já prestava serviço no exterior. A organização muda globalmente o seu nome para Deloitte Haskins & Sells A Deloitte abre, pela primeira vez, um escritório em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. A finalidade era atender de modo mais próximo às empresas com negócios na região, a exemplo do que já ocorria com clientes como Pepsi, Quaker, Amforp, Wilson Sons e Souza Cruz. O escritório gaúcho seria descontinuado anos depois para retomar suas atividades, com muito mais força, na década de 90. Uma curiosidade deste momento da história da Deloitte no País: depois de a organização global incorporar a filial Haskins & Sells de Paris, o gerente norteamericano Henry Forbes é transferido para São Paulo, onde logo se tornaria sócio. Ao todo, somam-se quatro escritórios no Brasil: Rio de Janeiro, Recife, São Paulo e Porto Alegre Sob o nome de Deloitte, Plender, Griffiths & Co., com quatro escritórios e quatro sócios, a Deloitte decide mudar a sede do Rio de Janeiro que ainda era capital federal para São Paulo, que continuava a se expandir economicamente, preparando-se para ser o principal parque industrial da América Latina A Deloitte passa por uma grande reorganização mundial. Abre mais escritórios no Reino Unido e na Irlanda, mas segmenta a gestão por blocos econômicos. Brasil adentro O ouro negro (anos 20 e 30) preço internacional do café desabou de 67,3 libras esterlinas O para 26,2 libras esterlinas a saca, entre 1929 e A escassez de crédito internacional fez com que o governo colocasse um fim no Convênio de Taubaté, de Por meio dele, o governo contraía empréstimos no exterior e comprava excedentes de produção cada vez que a demanda caía e, assim, ditava as variações no preço do café. Entretanto, para pagar os juros dos empréstimos, cobrava uma taxa sobre as sacas exportadas. As dificuldades decorrentes da recessão mundial levaram o País a estimular a indústria e a promover a substituição de importações. Entre 1920 e 1929, a agricultura ainda se sobressaía: cresceu 4,4% ao ano no período, enquanto a indústria, 2,8%. Já entre 1933 e 1939, perdeu o brilho e a sua taxa de expansão, com uma alta anual de apenas 1,7%. Enquanto isso, a indústria acelerava seu ritmo, passando a crescer 11,2% ao ano. Mundo afora O avanço da auditoria ( ) Os reflexos da quebra da Bolsa de Nova York resultam, pela primeira vez, na regulação do mercado de capitais, em 1933, quando deputados e senadores dos Estados Unidos aprovaram o Glass-Steagall Banking Act. A proposta era estabelecer normas mais firmes para os mercados e reduzir a alavancagem econômica de empresas e investidores. Conjuntamente, criou-se a Securities and Exchange Commission (SEC), com a missão de ser a xerife do mercado financeiro, fiscalizando operações e empresas. A nova legislação muda a forma de atuação das instituições financeiras e das firmas de auditoria. Bancos são proibidos de atuar em atividades como seguros, ramos imobiliários ou consultoria, sendo obrigados a contratar empresas externas para analisar situações delicadas de algumas empresas, como as que estavam em estágio pré-falimentar. Esse cenário contribuiu para um rápido crescimento dos auditores contábeis e para a institucionalização das consultorias. D e l o i t t e A n o s n o b r a s i l 21

26 A divisão norte-americana da Deloitte assume a administração de alguns países, incluindo os da América Latina. Um sócio dos Estados Unidos é nomeado managing partner (sócio-líder) para a região e estabelece-se em Santiago, Chile O escritório de São Paulo, já como sede nacional da Deloitte, transfere sua base para o Edifício Metrópole, na Praça Dom José Gaspar A Deloitte fatura no Brasil seu primeiro milhão de dólares norte-americanos. E aproveita para se modernizar, instalando um sistema computadorizado para controlar horas, despesas e faturamento de clientes. Até então, esses processos eram feitos manualmente A firma norte-americana decide tornar autônomas as firmas da Deloitte na América Latina A firma brasileira da Deloitte funde suas operações com a Revisora Nacional, de capital brasileiro, e abre escritório em Salvador. São Paulo, fim dos anos 50: nova sede brasileira da Deloitte Modernidade: controle de horas, despesas e faturamento passa a ser feito por um sistema computadorizado na década de D e l o i t t e A n o s n o B r a s i l

27 Brasil adentro Das S.As. ao desenvolvimento da indústria (anos 40) Às vésperas do Decreto-lei nº 2.627, de setembro de 1940, a terceira norma legal a regulamentar as atividades das Sociedades Anônimas, podia ser identificada a intenção de alguns contabilistas em criar a obrigatoriedade do exame das demonstrações financeiras por contador independente. Em 1945, haveria avanços nos aspectos legais e técnicos, já que, naquele ano, foi editado o Decreto-lei nº 7.988, de 22 de dezembro, o qual regulamentava a educação superior nos cursos de Economia, Contabilidade e Ciências Atuariais. Na mesma década, a indústria florescia no Brasil. O passo decisivo foi dado em abril de 1941, quando o governo instituiu a criação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda (RJ). Um ano depois, em junho de 1942, cria a então Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). Ambas eram empresas de capital misto formadas para impulsionar a exploração das riquezas minerais do subsolo brasileiro, principalmente o minério de ferro. O petróleo é nosso (anos 50) presidente Getúlio Vargas cria a Petrobras, em O outubro de Sob o calor do desenvolvimentismo, o Brasil movimentava o setor de bens de capital, iniciando o embrião da fabricação de equipamentos para a indústria de base. Em seguida, em 1956, Juscelino Kubitschek assume e define uma política econômica em seis grandes grupos: energia, transportes, alimentação, indústrias de base, educação e construção de Brasília. Com o lema 50 anos em 5, quer atrair investimentos privados, tanto nacionais quanto estrangeiros, e melhorar a infraestrutura, com a construção de hidrelétricas e de rodovias. De 1957 a 1961, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 7% ao ano, com uma taxa per capita de 4%. O presidente Getúlio Vargas na criação da Petrobras: um marco para o desenvolvimento econômico do País D e l o i t t e A n o s n o b r a s i l 23

28 1980 Com dez sócios e 200 profissionais no Brasil atuando integralmente nas áreas de Auditoria e Consultoria Tributária, a Firma ganha autonomia administrativa em relação à organização global. 1989/1990 A Deloitte Haskins & Sells une suas operações com a Touche Ross que já era associada com a japonesa Tohmatsu. Brasil adentro O mercado de capitais ganha impulso (anos 60) crédito continuava aquém das necessidades de O financiamento da produção e do consumo, o que impedia a expansão da economia. Para superar esse obstáculo, o governo militar pós-1964 modernizou o Sistema Financeiro Nacional (SFN), criou o Sistema Financeiro de Habitação (SFH) para impulsionar a construção civil e fez uma reforma bancária, criando o Banco Central (BC) e o Conselho Monetário Nacional. A Lei nº trouxe a profissionalização do setor, com corretores de fundos públicos sendo obrigados a se tornarem Sociedades Corretoras. Criaram-se os bancos de investimento, as Bolsas de Valores e uma diretoria no BC voltada para o mercado de capitais. A Lei nº também citou, pela primeira vez, a expressão auditores independentes, confirmando a importância da análise externa especializada dos balanços corporativos. Em 1967, com o surgimento das Sociedades Corretoras e do operador de pregão, a Bolsa paulista, criada em 1890, passava a se chamar Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Em 1970, os negócios na Bolsa passaram a ser registrados eletronicamente Com 25 sócios, a Deloitte inicia a sua grande transformação no Brasil. Pela primeira vez, um brasileiro, José Beisl Barretto, passa a ocupar a presidência da firma brasileira, após a saída do escocês Hugh McManus A organização adota o nome Deloitte Touche Tohmatsu A base de profissionais é ampliada e é inaugurado o escritório de Belo Horizonte, no Estado de Minas Gerais. Bolsa de Valores de São Paulo, em torno dos anos 60: auditores independentes começam a adquirir maior reconhecimento público no mercado brasileiro 24 D e l o i t t e A n o s n o B r a s i l

29 1996 A Firma abre escritório em Curitiba, no Estado do Paraná O escritório de Brasília, capital da República, é inaugurado A Deloitte abre escritório em Campinas, no interior de São Paulo, e reabre o de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Alcides Hellmeister Filho assume a presidência da Deloitte no Brasil A Firma inaugura o escritório de Fortaleza, no Ceará A Deloitte dá um grande salto: contrata grande número de profissionais da Andersen e, no Brasil, alcança a marca de profissionais A marca Deloitte Touche Tohmatsu é substituída em nível mundial por Deloitte. No Brasil, é aberto o escritório de Joinville, em Santa Catarina Após conduzir a Firma por uma década, em um período marcado por altas taxas de crescimento e forte expansão dos negócios nas áreas de consultoria financeira e empresarial, Alcides Hellmeister Filho transfere a liderança para Juarez Lopes de Araújo e assume a posição de chairman Com cerca de profissionais e 11 escritórios no País, a firma brasileira comemora 100 anos de atuação local, como parte de uma rede global de 182 mil profissionais, em mais de 150 países, comprometidos com o objetivo de fazer da Deloitte o padrão de excelência do mercado. A Deloitte no Brasil continua crescendo muito acima do ritmo da economia nacional, com a consolidação das suas práticas de consultoria, a integração de todas as suas soluções sob o conceito Deloitte As One, o incremento à especialização de seus profissionais por setores de atividade e o fortalecimento do atendimento a empresas emergentes. D e l o i t t e A n o s n o b r a s i l 25

30 Crescendo com o Brasil A história da Deloitte mescla-se com o desenvolvimento do Brasil e das práticas de auditoria e consultoria, confundindo-se, muitas vezes, com a própria modernização do ambiente de negócios

31 Sabe-se que o trabalho de auditoria tem papel muito importante para o equilíbrio dos mercados, pelo fato de apresentar uma opinião independente sobre a adequação das demonstrações financeiras das empresas. Com base em demonstrações financeiras auditadas, investidores definem a aplicação de seus recursos, instituições financeiras determinam taxas de juros a serem aplicadas em operações de crédito e empresas tomam decisões sobre acordos comerciais. Se não houvesse a figura do auditor, não seria possível imaginar o funcionamento dos mercados. Haveria uma assimetria tal de informações que requereria dos investidores, de instituições financeiras e das organizações em geral o dispêndio de tempo e recursos incalculáveis para a tarefa de compreender a situação das empresas, o que inviabilizaria o fechamento de negócios na velocidade requerida pelos mercados atualmente. Como mostra este livro, especialmente nos capítulos Nos trilhos do Brasil (página 10) e O passar dos anos (página 18), a prática de auditoria da Deloitte teve sempre uma atuação muito importante no mercado brasileiro, apoiando empresas estrangeiras que aqui se estabeleceram desde 1911 e, nas décadas mais recentes, uma quantidade cada vez maior de organizações de capital nacional. Por muito tempo, ao se falar em Deloitte, falava-se em auditoria de demonstrações financeiras. A atuação da Deloitte foi se fortalecendo à medida em que o ambiente de negócios se tornava mais robusto e complexo e o cenário regulatório se modernizava. Os anos 70 marcariam transformações significativas nesse processo, principalmente com a Lei nº 6.404, que obrigou as companhias abertas do País a contarem com auditoria independente. No entanto, não foram apenas os auditores que sofreram impactos das mudanças, mas toda a comunidade de profissionais ligados à contabilidade. Promulgada em 1976 e com vigência a partir de 1978, a Lei nº representava uma mudança radical em relação ao Decreto-Lei nº (antiga Lei das Sociedades por Ações). Além da modernização no tratamento societário, a nova lei trazia diversas modificações contábeis. Para se ter uma ideia do impacto que a lei causou na época, muitos contadores preferiram se aposentar a estudar as novas regulamentações, recorda José Beisl Barretto, primeiro brasileiro a liderar a Deloitte no País. Barretto afirma que, apesar de a Lei nº /07 ter ajustado alguns pontos da Lei das S.A.s, adaptando-a ao atual ambiente de negócios e fortalecendo o mercado de capitais com a implementação de normas contábeis e de auditoria internacionais, as mudanças não se comparam com a revolução ocorrida na década de 70. A foi uma lei extremamente D e l o i t t e A n o s n o b r a s i l 27

32 Eis que chega a estabilização da moeda O início de uma nova era para a economia e o ambiente de negócios, favorecendo à Deloitte ampliar sua atuação, com sete novos escritórios abertos em nove anos Foram anos de fracassos. De 1986 a 1993, naufragaram seis planos de estabilização monetária no Brasil: Cruzado 1 (fevereiro de 1986), Cruzado 2 (novembro de 1986), Bresser (1987), Verão (1988), Collor 1 (1990) e Collor 2 (1991). Em 1º de agosto de 1993, o governo promoveu a sétima mudança de moeda no Brasil, de cruzeiro para cruzeiro real, para efeito de ajuste de valores. Era o início do Plano Real, que se desdobrou em três fases e, diferentemente dos anteriores, foi anunciado antecipadamente à sociedade. Em nenhum momento, houve congelamento de preços. A primeira fase, que durou do final de 1993 a fevereiro de 1994, consistiu no Programa de Ação Imediata um conjunto de medidas que preparou a economia para o lançamento do Plano Real. O programa apontava para algumas medidas enérgicas. Entre elas, estavam o corte de gastos públicos no orçamento; a recuperação da receita com o combate à evasão fiscal, inclusive das grandes empresas; a austeridade no relacionamento com Estados e municípios; os ajustes nos bancos estaduais; a redefinição das funções dos bancos federais; e as privatizações de empresas dos setores siderúrgico, petroquímico e de fertilizantes. O governo sustentou que as empresas públicas estavam reféns de interesses políticos e econômicos. A segunda etapa do Plano Real foi marcada pela progressiva cotação dos preços em Unidade Real de Valor (URV), uma referência estável de valor. O cruzeiro novo não saiu de cena de imediato. Os bens e serviços continuavam a ser pagos em cruzeiros novos, mas passaram a ter referência em uma unidade de valor estável. Assim, a URV permitiu o alinhamento dos preços sem necessidade de congelamento. No dia 30 de junho de 1994, iniciou-se a terceira fase do Plano Real, com a emissão da nova moeda, o real, em lugar do cruzeiro novo. Era o início da estabilização da economia e o fim dos tempos de hiperinflação. Com a estabilização econômica, a Deloitte intensificou sua atuação em todo o País. Entre 1994, ano do advento do real, e 2003, a Firma abriria, em média, quase um escritório por ano: Belo Horizonte, Curitiba, Brasília, Porto Alegre, Campinas, Fortaleza e Joinville. Tempos de privatização Além da estabilidade econômica, os anos 90 trouxeram também as privatizações, a concessão de serviços públicos e a criação das agências reguladoras. A ideia era modernizar o Estado brasileiro, no qual já não havia mais recursos para investir em saúde e educação, nem na indústria de base. Foi uma fase nova para os investimentos, trazendo capital externo, novas regulamentações e a exigência de que as companhias privadas tivessem de publicar suas demonstrações financeiras. E a Deloitte atuou em muitos dos processos mais importantes de privatização conduzidos no País àquela época, especialmente, no setor financeiro. 28 D e l o i t t e A n o s n o B r a s i l

33 inovadora. Pode-se dizer que a contabilidade e a auditoria se dividem entre antes e depois da sua implementação. Foi na década de 70 que o papel do contador se modificou, com o advento de novas regulamentações. As exigências para as empresas de capital aberto se tornaram mais rígidas. E a função do contador passou a ser fundamental, em especial, para fazer demonstrações financeiras mais completas que as anteriores, quando a legislação não era tão rigorosa. Esse escopo de atuação exclusiva em auditoria foi, porém, se ampliando significativamente para a Deloitte com o passar dos anos, especialmente nas últimas décadas, à medida que ela adicionou aos seus negócios uma prática de consultoria robusta, com braços em diversos ramos. Ela se tornou, assim, uma firma genuinamente completa de serviços profissionais. Nesse processo de criação e fortalecimento das práticas de consultoria, a Deloitte participou de empreitadas importantes e consolidou sua posição de liderança no mercado. Luiz Alberto Fiore, atuação em processos de privatização e recuperação de empresas, como sócio de Corporate Finance Oportunidades em recuperação de empresas Assim que os principais processos de privatização foram concluídos no Brasil, no início dos anos 2000, a Deloitte sabia que precisava de novos grandes desafios diretamente relacionados à vanguarda do desenvolvimento do ambiente de negócios do País. Uma de suas novas frentes de atuação, no campo das finanças corporativas, deu-se no âmbito da recuperação e reestruturação de empresas. Para recordar esse papel, é importante lembrar do advento de uma legislação que quebrou paradigmas na história corporativa brasileira: a Lei nº , a chamada nova Lei de Recuperação de Empresas e Falências, de fevereiro de Depois de longos 12 anos de tramitação no Congresso Nacional, a Lei entrou em vigor, substituindo os dispositivos de um decreto-lei promulgado 60 anos antes. Nasceu com a missão de estimular a recuperação de empresas em situação de crise financeira, enquanto se mostrassem viáveis. Percebemos que havia um desafio importante, afirma o sócio hoje aposentado Luiz Alberto Fiore, que atuou como o administrador judicial da Varig. Antes mesmo de a Lei ser aprovada, a Deloitte estudou a fundo a legislação, e seus sócios correram o País, ministrando palestras voluntárias nas escolas de magistraturas. O objetivo era explicar para os juízes qual a real importância de se ter conhecimento administrativofinanceiro, contábil e tributário na hora de determinar, ou não, a falência de uma empresa. Um juiz conhece as leis, mas não entende necessariamente de negócios e contabilidade. A dedicação deu certo. Depois de idas e vindas, a Deloitte foi nomeada para ser o administrador judicial da companhia aérea Varig. E a sua recuperação judicial foi a maior da América Latina e a segunda maior do mundo. Foram quase três anos de trabalho intenso, que, algumas vezes, exigiu mais de 100 colaboradores da Deloitte. Um novo filão de negócios se abria para a Firma, que se tornou líder nessa área. A Deloitte também atua como consultora em casos de recuperação extrajudicial, em que não é mandatória, por designação de um juiz. D e l o i t t e A n o s n o b r a s i l 29

34 E o mercado interno, enfim, cresceu O Brasil dos anos 2000 continuou se modernizando, agora com distribuição de renda e ampliação do consumo mais oportunidades às empresas e ao crescimento da Deloitte Na primeira década do século 21, o Brasil passou por uma profunda transformação social, em razão de três fatores principais: a ascensão das classes sociais mais pobres, a consolidação de nichos de consumo desde pessoas solteiras ou que moram sozinhas até idosos e casais sem filho e o início de um ciclo de bônus demográfico (População Economicamente Ativa se tornando preponderante). Mais de 48 milhões de brasileiros passaram a pertencer à classe média entre 2003 e O novo padrão de consumo permitiu um amplo ciclo de investimentos, estimulando de redes varejistas a fabricantes em geral. Nesse cenário, praticamente todo o ambiente de negócios brasileiro entrou em efervescência. E a Deloitte aproveitou o momento para apresentar ao mercado um conjunto diversificado de soluções. Todas as áreas de negócios da Firma prosperaram em meio a essa nova fase do mercado interno. 30 D e l o i t t e A n o s n o B r a s i l

35 A Deloitte sempre se pautou em acompanhar e participar do desenvolvimento dos negócios do Brasil e se orgulha de ter estado presente nestes diferentes momentos: da industrialização do País, com a construção de ferrovias, estradas e grandes grupos nacionais, até os recentes processos de modernização do ambiente de negócios como um todo. Também contribuiu com sua expertise para o crescimento local e a internacionalização das empresas brasileiras que expandiram suas atividades para o exterior, com operações de lançamento de American Depositary Receipts (ADRs) via mercado de ações, aquisições de outras empresas e estabelecimento de bases produtivas e comerciais. Ao longo dos anos, desempenhou o seu papel de ajudar os clientes a conviver com as dificuldades conjunturais do Brasil: juros elevados, alta carga tributária, carência de linhas de financiamento, alto custo financeiro, câmbio desfavorável para exportações, restrições governamentais à evasão de recursos, lacunas de infraestrutura, mão de obra pouco qualificada e pressões de toda espécie. Nos anos 90, a Deloitte expandiu negócios por todo o território nacional, especialmente após a estabilização econômica do País, vivenciada a partir de meados da década. Marcou presença significativa, por exemplo, no amplo processo de privatização brasileiro daqueles tempos, desde o seu começo, prestando consultoria corporativa tanto no serviço de avaliação patrimonial das empresas quanto no de modelagem de venda. A Firma chegaria, assim, ao século 21, pronta para firmar bases muito sólidas em diversas áreas de consultoria. A primeira década dos anos 2000 marcaria, para a história da Deloitte, um tempo de grandes transformações, como mostra o capítulo seguinte deste livro. Em todos os territórios do Brasil por onde circularam o capital, as empresas, as oportunidades de negócio e o desenvolvimento, a Deloitte fez questão de lá estar. Sempre optou por estar próxima de seus clientes, inclusive geograficamente, estabelecendo filiais estratégicas em mercados relevantes. D e l o i t t e A n o s n o b r a s i l 31

36 10 anos que valeram por 100 A evolução dos mercados de auditoria e consultoria no período mais crítico, rico e próspero de sua história

37 Cem anos guardam muitas histórias, e poucas são as empresas que podem se orgulhar de ter a reserva de experiência que a Deloitte adquiriu no Brasil. Uma trajetória secular não é linear. E pode-se dizer que os últimos dez anos do primeiro século da Deloitte no Brasil reservaram grandes desafios, mas também novas e enormes oportunidades, que foram muito bem aproveitadas pela Firma, tanto nas áreas de auditoria quanto de consultoria. Foram, assim, 10 anos que valeram por 100. O século 21 nasceu com novas e severas regras para a prática de auditoria, em meio a um mercado que se tornava cada vez mais complexo. A consequência dessas mudanças abalou a profissão, houve pressão e até maior desconfiança sobre o papel do auditor, observa José Roberto Carneiro, atual sócio da área de Auditoria da Deloitte e líder dessa prática de negócio da Firma entre 2001 e A Lei Sarbanes-Oxley, que uniu, nos Estados Unidos, um democrata e um republicano na sua concepção, foi fruto desses tempos. No bojo das novas normas, foi instituído um novo órgão de fiscalização da profissão o Public Company Accounting Oversight Board (PCAOB). A ideia de uma regulação mais estreita do mercado começou a ganhar força também entre organismos reguladores de outras partes do mundo. No Brasil, a onda regulatória sobre o setor já havia se iniciado anos antes, quando foi instituído pela CVM o rodízio obrigatório de firmas de auditoria, a cada cinco anos, para as companhias de capital aberto. De parte das próprias auditorias, o que se viu, além do empenho em se adequar ao novo cenário, foi um esforço acentuado em contribuir para um mercado em transformação e que almejava o mesmo objetivo que elas próprias: a disseminação da transparência nas práticas de negócios. Foi justamente nesse período que as firmas reforçaram uma série de iniciativas, como a educação continuada aos profissionais, além da rotação de sócios no atendimento ao cliente já existente em grande parte delas e o peer review, a revisão dos trabalhos pelos pares. As firmas de auditoria intensificaram então um processo que já existia desde as décadas de 80 e 90: o foco na formação de profissionais de excelente qualidade técnica e sintonizados às mudanças advindas das novas regulamentações. Acabaram criando verdadeiras universidades internas para suprir as deficiências das escolas, que ainda formam profissionais sem o preparo adequado para um ambiente globalizado, com normas internacionais de contabilidade sendo adotadas a pleno vapor. Elas viraram, assim, celeiros de talentos para empresas de diversos setores. D e l o i t t e A n o s n o b r a s i l 33

38 José Roberto Carneiro, líder da área de Auditoria de 2001 a 2011: período de grandes desafios para o exercício da profissão A grande ebulição da primeira década do novo século pode já ter ficado para trás, mas as lições continuam valendo. Ser auditor ainda é e sempre será a busca incessante pela integridade em um mercado que, cada vez mais, cobra resultados e no qual a eficiência é medida nos mínimos detalhes. É um equilíbrio sutil, que exige desprendimento e vocação. Esta é a profissão da ética, observa o sócio hoje aposentado Ariovaldo Guello, que atuou na Deloitte por 40 anos. Ele é um dos mais reconhecidos entusiastas e colaboradores da profissão de auditoria no Brasil, com firme atuação no Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon). Para ele, os momentos difíceis contribuem, de alguma maneira, para a melhora dos profissionais da área tanto dos atuais quanto dos futuros. Os auditores são profissionais que têm de zelar pela honestidade sete dias por semana, 24 horas por dia. A falta de um entendimento claro sobre o papel do auditor fez com que a profissão saísse de sua usual, e justificada, posição low profile (de baixa exposição) para uma postura mais atuante na defesa de seus interesses. Era necessária uma atuação conjunta, em prol de uma causa comum. Por mais acirrada que fosse a competição entre as firmas, havia algo sem o qual nenhuma delas sobreviveria: a integridade da profissão. No Brasil, os auditores já estavam cientes dos problemas de comunicação, como mostrava a conclusão de um estudo do Ibracon: Urge que a profissão se vocalize. Urge que a profissão se una em torno de uma posição que seja tecnicamente defensável em qualquer fórum, coerente em qualquer parte do mundo, acima de eventuais interesses comerciais. Urge que a profissão se posicione corajosamente a partir de sua melhor verdade técnica, independentemente de o ambiente e clima vivenciados publicamente serem ou não inóspitos a nós. Uma prática de gestão de riscos O fato é que, entre as firmas que vivenciaram o período difícil da primeira década do século, a era de regulação reforçada acabou por não trazer prejuízos; longe disso. Elas souberam adaptar-se bem 34 D e l o i t t e A n o s n o B r a s i l

39 aos novos tempos. Além disso, as companhias do mercado tiveram de pedir socorro justamente para seus auditores quando viram a carga pesadíssima de exigências que recaiu sobre elas, especialmente no que dizia respeito ao aperfeiçoamento dos controles internos. No caso da Deloitte, a nova conjuntura de preocupações do mercado abriu espaço para a expansão de uma área de negócios que se tornou particularmente promissora desde a virada do século 21: a de consultoria em gestão de riscos empresariais. Os profissionais dessa prática aplicavam-se a ajudar as empresas na melhoria de seus controles, no estabelecimento de mecanismos de auditoria interna e, em última instância, na garantia de maior transparência e segurança diante de cenários tão instáveis nos negócios. O Brasil foi justamente um dos países nos quais a prática de gestão de riscos mais prosperou entre as firmas-membro da organização mundial. Consultoria para desafios globalizados Se, por um lado, a prática de auditoria teve de se superar em um tempo de mudanças profundas no mercado mundial aprendendo até a se reinventar tantas vezes fossem necessárias nos primeiros anos do século 21, as funções de consultoria ganharam matizes até então desconhecidos. E, dessa vez, o Brasil não esteve lá tão distante do epicentro das transformações mundiais que se abateram sobre a economia, os negócios e como não poderia deixar de ser a forma de atuar das firmas de consultoria e auditoria. Muito pelo contrário, como grande país emergente, que aprendeu a atrair capital e a desmistificar alguns dos clichês que historicamente o caracterizavam, o Brasil intensificou, como nunca, sua entrada na economia globalizada. As distâncias ficaram curtas demais com o advento da internet, das novas tecnologias e da abertura sem precedentes dos mercados nacionais. E os desafios das empresas brasileiras, chinesas, indianas, mexicanas, norte-americanas ou de qualquer país do mundo começaram a ficar muito parecidos. No novo fluxo das relações corporativas, as novas empresas transnacionais locais precisaram se preocupar cada vez mais com problemas que eram típicos de multinacionais de outros países. Tinham agora de manter controles internos rígidos e uniformes, padronizar relatórios gerenciais e demonstrações financeiras de acordo com as melhores práticas, modernizar seu capital humano e sua estrutura de governança e conviver com dificuldades conjunturais já conhecidas: câmbio muitas vezes desfavorável, juros elevados, alta carga tributária, carência de linhas de financiamento, alto custo financeiro, restrições governamentais à saída de Ariovaldo Guello, sócio aposentado da área de Auditoria e atuante no Ibracon: Esta é a profissão da ética D e l o i t t e A n o s n o b r a s i l 35

40 recursos, burocracia e infraestrutura deficiente. E passaram, claro, a precisar de apoio especializado para captar recursos, melhorar processos e gestão, integrar informações e tecnologias, expandir negócios e se reorganizar. Um dos movimentos mais marcantes a incidir sobre o ambiente de negócios foi a gradativa e consistente transição verificada nas empresas brasileiras quanto ao modelo de administração. Cada vez mais, organizações familiares passaram a adotar padrões profissionais de gestão, trazendo demandas relacionadas à constituição de bons padrões de governança corporativa. Trata-se de um fenômeno que se dissemina hoje também entre as empresas emergentes de todo o País. E, à medida que empresas familiares ou de qualquer outro modelo de controle melhoram seus modelos de governança, maiores são as perspectivas de interesse por parte de outras organizações e investidores para uma eventual transação de compra ou fusão. A própria globalização da economia, com a atuação mais frequente de fundos de investimento internacionais no Brasil, potencializa esse processo. No movimento de internacionalização de muitas médias e grandes organizações brasileiras, os desafios vieram na mesma proporção do mundo que pretendiam conquistar. Viram-se, em outros mercados do mundo, diante de políticas locais de restrição econômica e de legislações peculiares nas áreas trabalhista, comercial e de repatriação de capital e remessa de dividendos. A Deloitte esteve sempre ao lado das empresas que vislumbraram oportunidades, dentro e fora do País. E, assim, desenvolveu e expandiu suas diversas linhas de serviço. Consultoria Tributária, Consultoria Empresarial, Corporate Finance, Gestão de Riscos Empresariais e Outsourcing foram as denominações das áreas de negócio sob as quais as práticas de consultoria da Deloitte avançaram fortemente na primeira década do milênio, proporcionando à Firma taxas anuais de crescimento que atingiram até a casa de dois dígitos. 36 D e l o i t t e A n o s n o B r a s i l

41 A primeira década do século 21 Economia forte e novas perspectivas em consultoria Abaixo, alguns dos números que mostram a evolução da nova economia brasileira, que abriu caminhos para grandes demandas das empresas na área de consultoria. Como consequência, os anos 2000 coincidiram com uma fase de grandes avanços para todas as práticas de consultoria da Deloitte, que apoiou as organizações em seus novos desafios de negócio, no mercado interno e no exterior. 201, , ,1 32,8 48,5 758, Exportações brasileiras (US$ milhões) Investimento Estrangeiro Direto (US$ milhões) 2,3 11,5 Investimento Brasileiro Direto (US$ milhões) Consumo das famílias (R$ milhões) Nº de operações de fusões e aquisições Fontes: Banco Central do Brasil, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e Research Deloitte (com base em dados públicos) Ibovespa (pontos) D e l o i t t e A n o s n o b r a s i l 37

42 Um celeiro de talentos Por que e como a Deloitte conquista seus profissionais: eles entram para aprender com muitos dos grandes consultores e auditores do mercado e constroem carreiras de sucesso na organização

43 A Deloitte é uma empresa de pessoas, formada por pessoas e que tem como seu principal ativo pessoas. É uma organização que vende serviços, inteligência. Por isso, o capital humano se torna um tesouro no qual a Firma investe e que ela preserva. A gestão de pessoas vem passando, nos últimos anos, por um processo de profunda transformação no mercado. E as organizações à frente do seu tempo conseguem enxergar o devido potencial nas competências de cada um de seus funcionários. Nesta empresa, qualquer pessoa tem o espaço que quiser, só depende dela, diz o sócio Altair Rossato, que lidera os Programas de Mercados e Clientes da Deloitte. Essa foi a sensação que tive desde o meu primeiro dia de trabalho na Firma, em 1988, acrescenta. Rossato entrou como um jovem talento e teve a oportunidade de crescer, trilhando um caminho que reúne desde a aquisição de experiência no exterior até o desbravamento em outras áreas de negócios e a chance de tornar-se sócio. Aqui, podemos dizer que há o incentivo à formação profissional e pessoal, garante. A sócia-líder para o atendimento à indústria de Infraestrutura, Iara Pasian, que entrou na Firma em 1977 quando a presença de mulheres no mercado de auditoria era uma exceção, é outra que seguiu carreira na Deloitte e teve a chance de enriquecer seu currículo no exterior. Em 1997, foi enviada para Washington D.C., onde participou de um programa de especialização no atendimento a empresas do setor de energia elétrica. Já tinha tido uma experiência importante com fundos de pensão, e a Firma percebeu que poderia me transferir para o setor elétrico, uma atividade regulada e que, com certeza, iria crescer no Brasil, recorda. Hoje, a Deloitte é referência nesse setor, tanto no segmento de auditoria quanto de consultoria. Primeira mulher a tornar-se sócia da Firma em 1997, Iara sabe que teve uma participação importante. Hoje, mais de 50% das pessoas admitidas nos testes do Programa Novos Talentos são mulheres. Elas estão por toda parte e em diferentes postos e atribuições. É o caso de Lucilene Domingos de Carvalho, secretária do escritório do Recife. Ela conta que, quando entrou na Firma, a empresa ainda se chamava Deloitte Haskins & Sells. Era 1985, e Lucilene chegou apenas para cobrir férias, prestando o serviço de datilógrafa. Acabou ficando. Ela lembra que, apesar de na época a Deloitte já contar com máquinas de escrever elétricas, chegou a fazer trabalho em um taquígrafo. Apenas mais tarde é que vieram as máquinas de escrever eletrônicas. Eu tinha 18 anos, foi o meu primeiro emprego e é aqui que vou me aposentar, diz, convicta. No escritório, fez de tudo um pouco sempre na área administrativa, tornando-se secretária em Iara Pasian, primeira mulher a se tornar sócia, hoje é a líder para os segmentos de Infraestrutura e uma das maiores especialistas do País em auditoria para empresas do setor elétrico D e l o i t t e A n o s n o b r a s i l 39

44 Almira Maria de Oliveira, a Dona Mira : amor pela Deloitte A trajetória de Rita Nikolian, que já atuou como secretária e hoje é supervisora administrativa e RH operacional da área de Consultoria Tributária do escritório de São Paulo, também percorreu muitos ciclos de profundas mudanças. Na Deloitte desde 1988, Rita acredita que sua carreira evoluiu porque teve a oportunidade de trabalhar com sócios que enxergaram nela competências que ela mesma não conseguia enxergar. Aprendi muito dentro da Deloitte, vivi muitas coisas boas e algumas ruins, mas é assim que a gente cresce. Minha forma de agradecer à Firma é fazer o meu trabalho da melhor maneira possível. Mudanças e avanços A mudança constante se apresenta com frequência nas trajetórias profissionais mais bem sucedidas. A carreira do consultor Ricardo Balkins acumula uma série de transformações e caminhos percorridos. Ele chegou à Deloitte em 1989, contratado para ajudar a montar uma área de Auditoria de Sistemas, que contava, na época, com apenas quatro pessoas. O negócio floresceu. Em 1998, tornou-se sócio e liderou a área de Consultoria em Gestão de Riscos Empresariais. Nos fortalecemos ainda mais quando profissionais egressos da firma Andersen se juntaram a nós. Foi um período de grande aprendizado, diz. Em 2006, mudou-se para a área de Consultoria Empresarial, que hoje lidera. Balkins está à frente de centenas de profissionais que, juntos, reúnem uma gama amplamente diversificada de competências de gestão de pessoas a gerenciamento de riscos empresariais. O sócio João Alfredo Branco, que liderou a área de Consultoria Tributária da Deloitte até 2011, integrou-se à organização depois de 29 anos na firma Andersen. Sou imensamente grato à Deloitte, como organização, por permitir a continuidade de minha carreira e de outros profissionais que trabalhavam conosco durante tantos anos. Realmente, eu visto a camisa da Deloitte com o mesmo amor com que eu visto a camisa do Corinthians para ir a um jogo do meu timão, conta, com graça, o sócio. Esse sentimento também é citado por Almira Maria de Oliveira: Eu amo trabalhar na Deloitte. É assim que Dona Mira, que ingressou na Firma no dia 12 de julho de 1977, define a importância de seu trabalho. Em mais de 30 anos de dedicação, a copeira conta que viu muitos profissionais entrarem na empresa como novos talentos e se tornarem sócios, e ainda pôde acompanhar a aposentadoria de tantos outros. Não tenho palavras para agradecer por tudo o que ela me proporcionou. Tudo o que eu tenho, o que eu conquistei em todos esses anos, devo ao meu trabalho nessa empresa, afirma, emocionada, Dona Mira. 40 D e l o i t t e A n o s n o B r a s i l

45 O carioca Clodomir Félix, sócio-líder para o atendimento à indústria de Serviços Financeiros e Saúde, se diz maravilhado com o universo da Deloitte e a sua firme estrutura organizacional mundo afora. Na Firma, ele galgou posições pela área financeira. Essa capacidade de se renovar e avançar é o grande diferencial da Deloitte, afirma. Na vida, é preciso ser um desbravador para vencer, receita. Para os talentos que trabalham na Firma, a Deloitte consolidou uma imagem forte, de organização que forma o seu profissional e aceita as correções de rotas ao longo das curvas do tempo e por que não dizer da história? Temos imbuído em nossa cultura o desejo de mudança, de querer aprender mais, de querer investir em outras áreas de nossas vidas, analisa o sócio Michael J. Morrell, líder nacional de Talent. D e l o i t t e A n o s n o b r a s i l 41

46 Olhares de dentro e de fora Quem optou por seguir carreira fora da Firma reconhece o aprendizado. Augusto Flores foi profissional da Deloitte até abril de 2009, quando saiu para ocupar uma posição de liderança na área de impostos de uma montadora automobilística. A minha passagem pela Deloitte foi fundamental, formou o meu caráter profissional e consolidou em mim uma série de aspectos importantes para a minha carreira, como a necessidade de estudar e aprender sempre, de compartilhar o conhecimento com os mais novos, de saber lidar bem com as pessoas (colegas, chefes, subordinados e clientes), de trabalhar em equipe e de estar sempre um passo à frente, relata. Para Leandro Lecheta, que hoje trabalha nos Estados Unidos como vice-presidente e CFO mundial de uma empresa dedicada ao ramo de máquinas agrícolas e de construção, a Deloitte ensinou-lhe questões essenciais. Tive uma sólida formação técnica e sempre fui exigido a entregar o melhor de mim, diz ele. Sempre tive exposição a grandes projetos, nacionais e internacionais, e a vários desafios. E, na Deloitte, tive o apoio necessário para superá-los. Além do excelente aspecto técnico, a formação do caráter pessoal e profissional foi fator-chave para ter sucesso em minha carreira. Quem vem do mercado também reconhece a diversidade de desafios e oportunidades que a Deloitte proporciona. É o caso de Eduardo Tavares Raffaini, sócio do escritório da Firma no Rio de Janeiro desde 2009, que pôde olhar o trabalho sob outro ponto de vista. Ele conta que, na Deloitte, teve de mudar seu mindset (mentalidade). Basicamente, tive de aprimorar meus skills (competências) para me tornar um empreendedor, o que me fez um profissional muito mais completo. Sempre admirei a Deloitte e tinha o sonho de me juntar a uma empresa centenária no Brasil e líder do mercado de consultoria mundial e local, diz. A Deloitte é assim: pessoas de todos os lugares, conhecimentos e aspirações são bem recebidas para crescer e desenvolver seu talento, como o do baiano José Othon Tavares de Almeida. Hoje sócio-líder para o atendimento à indústria de Manufatura, Othon 42 D e l o i t t e A n o s n o B r a s i l

47 entrou na Deloitte aos 23 anos, sonhando em ser selecionado para uma disputada vaga na Firma, em Salvador. Passou por uma concorrida seleção que contou com mais de 300 candidatos e, na entrevista final, fez uma sugestão ao sócio que o entrevistou: Me contrate, você não se arrependerá. Deu certo. Ingressou na Deloitte em 1983, tornou-se sócio em 1997 e permaneceu no escritório da capital baiana até 2005, quando recebeu um convite para trabalhar na sede paulista. Tornou-se o líder para a indústria de Manufatura. O que vale é o conhecimento que você tem, independentemente de onde você venha, diz, referindo-se à disposição da Firma para contratar profissionais dos mais diferentes sotaques e nacionalidades. Histórias pitorescas Além de proporcionar espaço para crescer, a Deloitte também coleciona histórias curiosas vividas por quem faz o dia a dia da empresa. O sócio da área de Consultoria Ulisses de Viveiros, há 30 anos na Firma, recorda da época em que a tecnologia era outra e as apresentações e propostas de serviços eram entregues sempre pessoalmente. Não havia essa agilidade da internet. Os trabalhos eram feitos em papel, manualmente, havia um pool de datilografia para transcrever os relatórios. Ficava um arquivo enorme e o que tinha de mais moderno na época era um furador de papel importado, diz, lembrando que, certa vez, foi parado na alfândega Como administrar ideias, aspirações e projetos de tantos sócios? É difícil, mas, comprovadamente, viável. Afinal, é o que a Deloitte vem conseguindo realizar, ano após ano mesmo diante do crescente número de sócios admitidos, como reflexo da expansão dos negócios. O segredo do sucesso pode ser definido em uma única palavra: consenso. Por trás desse conceito, há um conjunto de ações e, sem dúvida, uma estratégia de gestão pautada por uma eficiente estrutura de governança corporativa. Desenhado com base nas premissas da organização global e devidamente adaptado às necessidades locais, o programa de governança da Deloitte no Brasil busca contemplar, de maneira consistente, os objetivos gerais de todos os sócios. Somos uma sociedade de pessoas que se juntaram para explorar os seus conhecimentos na forma de um negócio. À medida que enxergamos que precisamos crescer, olhamos para dentro de casa e vamos buscar qual o melhor profissional para atender às nossas necessidades, diz o chairman Alcides Hellmeister Filho, que hoje lidera o seu board. Aos 62 anos, a saída de cada sócio é compulsória, para dar oportunidades a novos talentos. Ainda como parte do modelo de governança, um mesmo sócio pode permanecer na presidência executiva da Firma por, no máximo, dois mandatos de quatro anos. A filosofia dessa organização é entregar para a próxima geração uma firma melhor do que a geração anterior de sócios nos legou. Somos todos sócios temporários, com data de entrada e de saída, explica Alcides. vindo de um voo internacional porque sua bagagem soou no alerta vermelho. Eram 30 furadores de papel espalhados pela mala e comprados, inocentemente, para agilizar o trabalho na firma brasileira. Hoje, as mudanças são rápidas, feitas por apenas um clique no computador. Nos tempos do sócio aposentado Ariovaldo Guello, a área de Auditoria ainda tinha efeitos surpresas, como dar incertas em uma empresa para auditar os seus serviços. Entrávamos em um banco, por exemplo, às cinco da tarde, e passávamos a noite conferindo seus D e l o i t t e A n o s n o b r a s i l 43

48 Ulisses de Viveiros: lembranças de um tempo no qual o que havia de mais moderno era um furador de papel importado recursos, que iam da compensação até contar todas as notas de dinheiro que estavam no cofre, uma por uma, recorda-se. O fato curioso é que não havia celular, e não podíamos nem avisar em casa, para não dissipar a informação. Afinal, o intuito da operação era ser secreta. A graça, com seu modo pitoresco, também fez parte da história do sócio da área de Consultoria André Gargaro, que teve um crescimento relativamente rápido, com passagem pelo exterior, e se tornou sócio aos 35 anos. Entrou na Firma meio por acaso, depois de ver um pequenino e discreto cartaz na faculdade, que dizia: Recrutamos novos talentos para Auditoria de Sistemas. Era o último dia para enviar o currículo e as greves dos Correios e do sistema de transporte público pareciam conspirar contra o futuro do jovem. Com a ajuda de sua mãe, que lhe emprestou o carro, conseguiu fazer com que seu currículo pousasse nas mãos de uma recepcionista da Firma, no escritório então localizado no Edifício Itália, no centro velho de São Paulo. Não tinha a menor ideia do que e de onde era essa empresa, recorda sincero. Uma semana depois, foi chamado para uma entrevista e acabou ganhando a vaga. A exemplo de André Gargaro, todo profissional da Deloitte tem histórias peculiares para contar. Hoje, se orgulham da empresa, porque sabem que vêm construindo uma história e deixarão um legado para as novas gerações. 44 D e l o i t t e A n o s n o B r a s i l

49 Mais do que vagas, oportunidades de carreira jovem Josiane Maria Poleski tem uma A relação estreita e particularmente especial com a Deloitte. Deficiente auditiva, ela ingressou na Firma em Trabalha no escritório de Curitiba (PR), onde executa, entre outras funções, o treinamento das áreas de Auditoria e de Consultoria Tributária, além do processo de recrutamento de novos profissionais locais. Começou timidamente na Firma, fazendo pequenos trabalhos, aqui e ali. Fui crescendo e mostrando o meu potencial na área administrativa, diz. Aprendi muito, emenda. Até que, um dia, foi chamada para aceitar um desafio na área de Outsourcing, onde permaneceu por seis meses, até voltar para o setor administrativo. Para Josiane, a iniciativa da Deloitte de incluir profissionais com deficiência é um incentivo fundamental. A empresa apostou em mim, sem cobrar sequer um dia de experiência. Fiquei insegura no começo por ser a primeira profissional com deficiência a ser contratada, conta. Com o passar do tempo, me sinto satisfeita em trabalhar na Deloitte, porque hoje somos três profissionais com deficiência no escritório de Curitiba. Esses profissionais foram contratados a partir do programa DeloitteInclui, que propõe mais do que a simples inclusão de profissionais com deficiência no mercado de trabalho. O seu compromisso é admitir e desenvolver essas pessoas, sempre respeitando suas diferenças. Atualmente, são mais de 120 profissionais atuando em vários escritórios da Deloitte no Brasil, nas mais diversas funções ocorrem, em média, 30 contratações por ano pelo DeloitteInclui. Além dos avanços profissionais, Josiane também teve a oportunidade de contribuir com o seu talento ao ministrar aulas de Libras (Língua Brasileira de Sinais) no Impact Day, evento anual que compõe o calendário do programa Inteligência Social da Deloitte no Brasil e que visa promover uma série de atividades em benefício das comunidades locais. As conquistas saltaram da área profissional para outro campo sim, faz sentido o trocadilho. A profissional é atleta de futsal e, desde 2009, vem saboreando algumas vitórias. Em 2010, foi campeã, pela Associação dos Surdos de São José dos Pinhais, da Copa Brasil de Futsal para Surdos. Em 2011, foi convocada para representar a seleção brasileira da modalidade no Mundial da Suécia. Josiane Maria Poleski, contratada em Curitiba a partir do programa DeloitteInclui D e l o i t t e A n o s n o b r a s i l 45

50 46 D e l o i t t e A n o s n o B r a s i l

51 No mapa do Brasil Uma homenagem às cidades brasileiras em que a Deloitte sustenta sua bandeira ao completar seu primeiro século no País A Deloitte, que sempre optou por estar geograficamente próxima de seus clientes, já tinha filiais em localidades estratégicas no Brasil desde os idos da década de 20 como Rio de Janeiro, Recife e São Paulo e se expandiu muito mais, principalmente a partir de Naquele momento, desembarcou na capital mineira, Belo Horizonte e, dois anos depois, pousou em Curitiba, no Paraná. Hoje com cerca de profissionais, opera em todo o País a partir de 11 escritórios: São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Recife, Fortaleza, Salvador, Curitiba, Joinville e Porto Alegre. A seguir, junto do perfil das cidades, estão depoimentos de pessoas que fazem a Deloitte acontecer em cada um desses escritórios, revelando suas relações com a empresa, suas histórias de vida, seus desafios enfim, seus sonhos, que se tornam realidade. D e l o i t t e A n o s n o b r a s i l 47

52 Belo Horizonte Em 1994, quando a Deloitte chegou à capital mineira, Belo Horizonte já contava com mais de 2 milhões de habitantes. Na década de 90, a cidade passou por diversas transformações, como a valorização dos espaços urbanos e o reforço da estrutura administrativa, com a aprovação, em 1990, da Lei Orgânica do Município e, em 1996, do Plano Diretor. Terceiro em representatividade no PIB nacional, Minas Gerais privilegiou-se com a privatização da indústria siderúrgica e conta com um polo automotivo relevante. Há 16 anos, entrei na Firma como auxiliar de escritório. A Deloitte, para mim, foi e está sendo tudo. Hoje é a base que tenho. Paulo Henrique Vieira, analista financeiro, que entrou no escritório de Belo Horizonte pouco mais de um ano após sua inauguração Brasília A capital federal recebeu o escritório da Deloitte em Com o toque peculiar do traçado de Oscar Niemeyer, Brasília concentra o poder decisório do País: Executivo, Legislativo e Judiciário federais. Tem uma população de mais de 2,5 milhões de habitantes e uma das maiores rendas per capita do Brasil. Ganhou fama mundial por ser a única cidade planejada tombada pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade. A Firma teve e tem uma importância fundamental na minha vida. Sandra Maria Ramos Maia do Vale, secretária, na Deloitte há cerca de quatro anos O diferencial da Deloitte são as pessoas. Pode parecer óbvio, por ser uma empresa de serviços, mas é justamente isso que faz da Deloitte uma empresa diferenciada. As pessoas aqui estão o tempo todo preocupadas em se empenhar ao máximo para entregar um serviço de altíssima qualidade aos nossos clientes. Rodrigo D'Amico de Moraes, gerente de Consultoria, na Firma desde D e l o i t t e A n o s n o B r a s i l

53 Campinas Em 1998, a Firma aterrissou em Campinas, cidade reconhecida como um importante polo de inovação e tecnologia no Estado, responsável por 40% da inovação gerada em São Paulo e 15% da produção tecnológica criada no Brasil. Tornou-se um centro de referência logística do País. Na cidade e em municípios próximos, há fabricantes de computadores e de outros eletroeletrônicos que lá se instalaram, antevendo a enxurrada de investimentos que viriam com a privatização do Sistema Telebrás que, sob o comando da iniciativa privada, demandaria novos equipamentos. A concessão dos serviços públicos no Estado atraiu, ainda, empresas de energia elétrica, como a CPFL e a Elektro, ambas de controle privado. Em 12 anos, a Deloitte contribuiu significativamente para o meu desenvolvimento profissional. Atualmente, minhas decisões levam em consideração as necessidades da Deloitte, minhas necessidades e as perspectivas de contínuo crescimento profissional. Paulo de Tarso, gerente sênior de Auditoria, 32 anos, na Firma desde 1999 Todos os trabalhos na Deloitte são desafiantes e incorporam momentos de pressão e descontração, seja junto à equipe, com momentos de brincadeiras que fortalecem o companheirismo e melhoram o ambiente de trabalho, seja pelas especificidades de algumas atividades. Priscila Aparecida Martins, gerente de Consultoria, desde 2006 na Firma Curitiba Com pouco mais de 1,3 milhão de habitantes em 1996, quando a Deloitte abriu seu escritório na capital paranaense, a cidade atraía investimentos de empresas que estavam de olhos abertos no mercado nacional e nas vantagens fiscais criadas com o Mercosul. No ano anterior, o Estado do Paraná havia ganhado destaque em razão do acordo automotivo assinado com a Argentina. Montadoras como Renault, Volkswagen, Volvo e Chrysler se instalaram no Estado, injetando mais de US$ 2 bilhões e gerando mais de 50 mil empregos diretos e indiretos. Atualmente, o Estado contribui com pouco mais de 6% do PIB Nacional. Há pouco tempo foi divulgado um material promocional da Deloitte que foi muito feliz na descrição do ambiente interno que construímos a cada dia e que nos diferencia das demais empresas. Em resumo foi: Nós somos pessoas obcecadas pelo desafio de fazer certo, bem feito e em grupo. Marco Alessandro Letzow, diretor de Outsourcing, na Firma há 10 anos D e l o i t t e A n o s n o b r a s i l 49

54 Fortaleza Em 2001, a Firma chegou à Fortaleza, capital cearense. Com pouco mais de 2,4 milhões de habitantes, é responsável por 47% do PIB estadual. A região onde está inserida receberá investimentos importantes, por conta de fatores como a construção da ferrovia Nova Transnordestina, que ligará a cidade de Eliseu Martins, no Piauí, aos Portos de Suape e de Pecém, nas regiões metropolitanas do Recife e de Fortaleza, respectivamente. A malha deverá cortar praticamente todo o território dos Estados de Pernambuco e Ceará. Já a Petrobras pretende erguer a Refinaria Premium 2, que deverá começar a operar a partir de A Firma foi a responsável por uma guinada em minha carreira. Divido com a Deloitte o mérito pelo meu crescimento profissional e pessoal, alcançados durante os últimos sete anos. Cyntia Andrade Gurgel, gerente de Auditoria, na Firma desde 2004, quando ainda era estudante Na minha família, sempre fui influenciado a praticar o bem. No Impact Day de 2006, tive a oportunidade de visitar um lar de idosos, o que foi muito gratificante, pois pude vivenciar na empresa que trabalho os mesmos ensinamentos trazidos de minhas raízes. Fabiano Moraes de Albuquerque, gerente de Consultoria Tributária, há oito anos na Firma Joinville A Deloitte chegou ao município mais populoso de Santa Catarina e segundo maior do interior da Região Sul em Com pouco mais de 500 mil habitantes, Joinville é o polo econômico e tecnológico do Estado, respondendo por cerca de 20% do PIB catarinense. É reconhecidamente um polo metal-mecânico e hospeda as maiores empresas do segmento. Entre elas, as gigantes Embraco, Whirpool e WEG. A cidade possui um dos mais altos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) entre os municípios brasileiros. A Deloitte é uma escola fantástica, que oferece uma oportunidade de carreira, além de desenvolvimento pessoal e profissional. Alex Stasiak, gerente sênior de Auditoria, há quase 10 anos na Firma, quatro deles em Joinville Aprendi a ser líder, fiz muitos amigos, recebi apoio nos momentos difíceis, também pude compartilhar momentos de alegria. Sou muito feliz aqui. LetÍcia Thais Henrique de Oliveira, assistente administrativa, há seis anos na Deloitte 50 D e l o i t t e A n o s n o B r a s i l

55 Porto Alegre Capital do Estado mais meridional do Brasil, Porto Alegre tinha pouco mais de 1,2 milhão de habitantes em 1998, quando a Deloitte reabriu seu escritório na cidade. Entre 1990 e 2000, a região metropolitana de Porto Alegre criou 13% mais postos de trabalho, com a expansão das áreas de serviços, construção civil e comércio. A criação do Mercosul e o mercado brasileiro relativamente aquecido atraíram montadoras, como a General Motors. Os investimentos tiveram impacto positivo na cidade gaúcha, despertando o interesse de fornecedores de bens de capital e prestadores de serviços. As iniciativas do Inteligência Social (programa de responsabilidade social da Deloitte) me atraem muito. Ano passado, por exemplo, participei como voluntária de treinamento em escolas públicas, e foi ótimo. Fomos a uma escola ministrar uma palestra sobre a importância do estudo e tivemos boa aceitação da gurizada. Me senti importante ao ajudar os outros, e sinto orgulho em fazer parte de uma empresa que se preocupa com o próximo. Cleunice Velleda Ribeiro, secretária, na Firma desde 2002 A Deloitte possui uma grande preocupação com o bem-estar do seu pessoal e oferece oportunidades para desenvolver o conhecimento e a carreira dos seus profissionais. Carlos Eduardo Zanotta, gerente de Auditoria, na Firma há seis anos Recife A capital pernambucana sempre teve lugar ao sol na história da Deloitte. A Firma abriu seu escritório no Recife em 1917, seis anos depois de chegar ao Rio de Janeiro. Havia um movimento forte para a construção de malhas ferroviárias que cortariam o território nacional de Norte a Sul, e os maiores investidores eram companhias inglesas, como a Great Western Railway. Atualmente, conta com 3,7 milhões de habitantes, e seu papel é ser um forte e centralizador polo econômico em seu Estado, com uma área de influência que abrange outras capitais, como João Pessoa, Maceió, Natal e Aracaju. Em pesquisa encomendada pela MasterCard Worldwide, foi apontada como uma das 65 cidades com economia mais desenvolvida dos mercados emergentes no mundo. As amizades que fiz em todos esses anos são as melhores coisas que a Firma me proporcionou. Lucilene Domingos de Carvalho, secretária, na Deloitte desde 1985, quando a Firma ainda se chamava Deloitte Haskins & Sells Temos a oportunidade de trabalhar em uma empresa em que a única certeza é que o dia de amanhã precisa ser e será diferente do dia de hoje. Estamos sempre crescendo e inovando. Essa constante sensação de movimento e dinamismo é fascinante para quem gosta de desafios. Carlos Hunka, gerente de Corporate Finance, desde 2004 na Firma D e l o i t t e A n o s n o b r a s i l 51

56 Rio de Janeiro Porta de entrada da Deloitte no País, a cidade maravilhosa foi, no começo do século 20, a grande sede de estrangeiros dispostos a aplicar dinheiro novo no desenvolvimento da infraestrutura nacional. Lá estavam o banco inglês London and Brazilian Bank e a casa bancária de N.M. Rothschild & Sons. Em 1911, o Rio de Janeiro era a capital federal e tinha uma população de mais de 900 mil pessoas, contingente que São Paulo só atingiria 20 anos depois. Perdeu o status de capital para Brasília em 1960, diante do projeto de Juscelino Kubitschek de interiorizar o crescimento do Brasil. O Estado é hoje o segundo mais importante em representatividade no PIB nacional. Famosa por suas belas praias e pelos cartões postais que representam o País no exterior, a cidade agora aguarda um novo estrelato ao sediar os Jogos Olímpicos de A minha vida foi na Deloitte. Tive a oportunidade de crescimento profissional e pessoal nessa empresa que completa 100 anos. Tenho muito orgulho por fazer parte de todo esse crescimento. Maria Luzia Dias, gerente administrativa, na Firma desde 1981 Participar da organização Deloitte é como fazer parte de uma grande família, que está sempre preocupada em oferecer serviços de qualidade e superar as expectativas dos clientes, sem esquecer, entretanto, que o seu maior ativo são as pessoas que integram esta família. Alberto Bertocco, gerente sênior de Consultoria Tributária, há 16 anos na Deloitte Salvador A Firma chegou a Salvador em 1976, quando o governo do general Ernesto Geisel tinha a ambição de mudar o perfil da indústria nacional, fortemente concentrada na Região Sudeste. A meta era reinserir o Norte e o Nordeste na economia nacional, criando parques industriais. Foi assim que nasceu o segundo polo petroquímico brasileiro o primeiro tinha sido criado na região do ABC, em A escolha recaiu sobre a cidade de Camaçari, na região metropolitana de Salvador. O polo foi inaugurado em 1978, alterando substancialmente a economia baiana, tanto do ponto de vista de geração de receita tributária quanto industrial. A Deloitte contribuiu em minha vida ajudando a superar os obstáculos e vencer os desafios. Cleide Ribeiro Lopes, gerente administrativa, na Deloitte desde 1995 É gratificante participar dos processos seletivos dos novos talentos da Deloitte e ver o respeito e reconhecimento que a Firma possui. É muito marcante você ver jovens tentando, 1, 2 e até 3 vezes fazer parte da Deloitte. Em três anos que participo das dinâmicas e entrevistas do Programa Novos Talentos, já vi muitos discursos e atitudes interessantes dos candidatos. Eles decoram a história da Firma, citam experiências dos pais, tentam demonstrar suas melhores habilidades, é fantástico. Márcio Mourão, gerente de Consultoria, oito anos de Firma 52 D e l o i t t e A n o s n o B r a s i l

57 São Paulo O coração dos negócios no Brasil é, desde 1959, a sede da Deloitte no País. Quando se transferiu do Rio de Janeiro para São Paulo, a cidade tinha 3,5 milhões de habitantes e uma economia fervilhante e diversificada. Era e ainda é o maior parque industrial da América Latina. Entre as décadas de 50 e 60, as indústrias paulistas empregavam quase 600 mil operários. O parque automotivo se consolidava na época e mais de 90% das indústrias de autopeças instalaram-se na Grande São Paulo. Mesmo com esse impulso, a capital paulista já conhecia, décadas antes, o calor do crescimento econômico. Foi assim desde o século 19, quando recebeu imigrantes europeus que vinham em busca de fazer a vida nas lavouras de café e nas oportunidades surgidas com a distribuição de produtos importados chegados ao Porto de Santos. Hoje em dia, o Estado de São Paulo tem, isoladamente, uma participação de cerca de um terço no PIB nacional. Sempre busquei um local de trabalho onde se valorize o aprendizado constante, o desenvolvimento pessoal e profissional e altos padrões éticos. Encontro tudo isto na Deloitte e, por isto, estou aqui. Antenor Castro Minto, gerente sênior de Consultoria Tributária, há 12 anos na Deloitte Uma das melhores recompensas em se trabalhar na Deloitte é a possibilidade de lidar com pessoas. Clientes, colegas de trabalho. Pessoas inteligentes, corajosas, persistentes. Pessoas que me inspiram, me ensinam e que acabam se tornando uma família. Luciana Chmelik Pucci, gerente sênior para Empresas Emergentes, que entrou na Firma pelo Programa Novos Talentos em 2002 D e l o i t t e A n o s n o b r a s i l 53

58 Olhares externos Pontos de vista de personalidades do mercado sobre o que significa se tornar uma organização centenária

59 O segredo da longevidade das empresas Confiança no futuro Empresas centenárias parecem anomalias no quadro de permanente transitoriedade característico da moderna economia de mercado. A velocidade da inovação, a instabilidade financeira e a hiperconectividade das empresas, das pessoas, dos mercados e dos negócios fazem crer, em princípio, que tudo o que é velho está imóvel, encerrado em um museu ou mais abaixo. O mundo moderno nos faz descrentes de coisas duradouras, mas, ao mesmo tempo, a teoria econômica reconhece a (quase) imobilidade e a permanência como essenciais no que costuma designar como instituições, que funcionam como pilares da construção, ou como a infraestrutura da economia de mercado, ou ainda como partes componentes do palco onde se desenrolam os grandes dramas da economia. Duas premiações com o Nobel em economia nos anos 1990 foram para economistas cujo trabalho tinha a ver com instituições, ou sobre o modo como o funcionamento do mercado, no decorrer da história, formava instituições como soluções que definiam, sobretudo, e genericamente, as regras da boa convivência econômica. E, desde então, muitos economistas, destacadamente os que trabalham em bancos de desenvolvimento internacionais, se ocupam em definir países com boas instituições, com isso, querendo designar a qualidade das suas leis, tribunais e códigos, como também suas agências reguladoras, suas práticas comerciais e sua ética nos negócios. As instituições se tornaram, portanto, um dos paradigmas de virtude no mundo moderno, algo que distingue e eleva um país diante dos outros. É este, talvez, o olhar que deve ser dirigido às empresas muito antigas, que adquiriram técnicas, valores e práticas que lhes asseguraram uma durabilidade incomum e um status assemelhado ao das instituições. Essas empresas, em geral, se confundem com a sua atividade e o seu mercado, pois foram as criadoras destes, de tal sorte que não se concebe a atividade sem a empresa que a executa. Essas empresas assim longevas possuem virtudes cujo enunciado é tão simples quanto difícil de fazer acontecer, e as minhas três favoritas são: visão estratégica profundamente ajustada e focada em uma atividade e seus mercados presentes e futuros; a flexibilidade na gestão e no atendimento presente e futuro ao cliente; e uma governança eficiente que produza perfeito alinhamento de incentivos, presentes e futuros. Talvez este enunciado revele pouco sobre a singularidade dessas empresas, exceto por uma dimensão que atravessa todas essas considerações: o fato de as estratégias sempre acomodarem presente e futuro. Talvez seja este o grande segredo para a durabilidade das empresas: um olhar diferenciado sobre o tempo, a certeza de que estarão funcionando no futuro, que vale muito mais que o presente. Gustavo Franco Foi secretário adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, diretor de Assuntos Internacionais e presidente do Banco Central do Brasil; é sócio da Rio Bravo Investimentos O Brasil como a Deloitte mudou, está mudando e continuará a mudar. Apesar, e por causa de inúmeros desafios, porque não existe a opção de ignorá-los e porque esses desafios sinalizam oportunidades a serem exploradas. Não é fácil, nunca foi e nunca será. Mas quem acompanha como a Deloitte a extraordinária evolução do ambiente de negócios no País, pode se permitir olhar o futuro do Brasil no mundo com um muito razoável grau de confiança. A mesma confiança no futuro com a qual a Deloitte há 100 anos trabalha no País. Pedro S. Malan Foi ministro da Fazenda nos dois mandatos do presidente Fernando Henrique Cardoso ( ); economista, atuou antes como negociador da dívida externa brasileira e foi um dos arquitetos do Plano Real, construindo uma das carreiras mais respeitadas do País na área pública D e l o i t t e A n o s n o b r a s i l 55

60 Pronta para novos desafios Competência em inovar Referência para o setor Uma empresa que entra para o clube das centenárias mostra que foi capaz de se adaptar às mudanças tecnológicas e de ambiente que acontecem em tão longo período. Demonstra dispor de governança para não sucumbir às crises típicas de qualquer empresa, particularmente as relacionadas a questões sucessórias. A empresa centenária sobreviveu aos seus fundadores ou às disputas familiares, o que poucas conseguem. A empresa centenária terá vivido experiências que plasmaram a constituição de mecanismos internos propícios à sua continuidade. É mais profissional e estará mais preparada para enfrentar novos desafios. Maílson da Nóbrega Economista, foi ministro da Fazenda, após longa carreira no Banco do Brasil e na administração direta do Governo Federal; é sócio da empresa Tendências Consultoria Integrada Completar 100 anos evidencia a competência da Deloitte em inovação e em sua capacidade de mudar, acompanhando a evolução econômica e sociocultural do País. Uma empresa caracterizada por seus serviços de consultoria e auditoria tem como diferencial as pessoas de sua organização. Ao longo destes 100 anos, a Deloitte está de parabéns por saber atrair e reter pessoas talentosas e comprometidas, que interagem e agregam valor às empresas para as quais presta serviços. É esta capacidade de diferenciar-se com sua equipe que a fez ser centenária e a fará comemorar outros centenários no Brasil, ajudando as empresas a serem eficientes e se diferenciarem competitivamente, tornando-as também bem sucedidas, como a Deloitte, contribuindo para o crescimento e desenvolvimento do País. Joaquim Kavakama Superintendente Geral da Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP) Desde o início de seus negócios no Brasil, a Deloitte vem participando diretamente do desenvolvimento da auditoria independente no País. Ao completar 100 anos, a empresa estabelece um marco e referência importante para o setor, dados pelo período de atuação e história construída na prestação de serviços no Brasil. A contribuição da Deloitte também tem se materializado como uma importante e concreta presença no próprio Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon), através de sua participação e colaboração constante na construção da relevância e excelência da atividade. Ana Maria Elorrieta Presidente da Diretoria Nacional do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon) 56 D e l o i t t e A n o s n o B r a s i l

61 Novas estratégias A evolução de todos nós Iniciativas pioneiras Na última década, a economia mundial passou pelas maiores transformações dos últimos 100 anos, com a ascensão dos países emergentes e o surgimento de vulnerabilidades crescentes nos países ricos. À medida que o crescimento global continue a ser liderado por China e Índia nesta década, uma gradual, mas marcante, mudança do centro de gravidade da economia mundial em direção aos países emergentes acentuar-se-á, criando oportunidades e desafios espetaculares às empresas. O Brasil, em particular, continuará a beneficiar-se de uma expansão mais rápida, puxado pelo agronegócio e pelos setores de construção civil, serviços e comércio. O crescimento mais acelerado do interior do País e de regiões mais pobres, mudanças demográficas e uma nova rodada de transformações socioeconômicas redesenharão o País. Enfim, em um ambiente de mutações profundas, a necessidade de novas estratégias voltadas ao futuro e não ao passado criará oportunidades e desafios únicos à Deloitte e aos seus clientes. Ricardo Amorim Economista e sócio da Ricam Consultoria Empresarial Ltda. O centenário da Deloitte no Brasil é a confirmação do amadurecimento das empresas brasileiras. A prestação de contas, a transparência e a auditoria só se tornam necessárias quando existem sócios ou credores interessados em financiar o crescimento das empresas, compartilhando com elas os riscos de empreender. Dessa forma, os 100 anos da presença de uma firma de auditoria no Brasil é um reconhecimento da evolução de todos nós. Um orgulho para o Brasil. Parabéns à Deloitte por acreditar no país do futuro, agora mais presente e vigoroso do que nunca. Os avanços dos últimos anos levam a crer que a melhor parte dessa parceria duradoura está apenas começando. Simone Azevedo Jornalista e sócia-diretora da Revista Capital Aberto A história da Deloitte no nosso país se entrelaça com os caminhos que o Brasil trilhou no último século e no início deste em que estamos. Suas iniciativas pioneiras foram o caminho natural para uma empresa que tem contribuído como referência para o desenvolvimento da economia brasileira e do nosso mercado de capitais. O IBRI tem sido prestigiado em parcerias e pesquisas com a Deloitte, que permitem a atualização dos profissionais de relações com investidores e agregam cada vez mais conhecimento para as companhias brasileiras. Parabéns por mais uma conquista! Ricardo Florence Diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (IBRI) D e l o i t t e A n o s n o b r a s i l 57

62 Referência profissional Padrão de qualidade Uma grande inspiradora A Deloitte integra de forma destacada o grupo de empresas responsáveis pelo desenvolvimento da auditoria no País. A sua história está intimamente relacionada com a evolução da ciência contábil e dos negócios de milhares das mais importantes empresas. Ao final dos anos 60, alguns dos seus mais destacados dirigentes participaram ativamente do núcleo que fundou a Anefac e, nestas mais de quatro décadas, este grupo tem se renovado e colaborado no fortalecimento da proposta da entidade. Além disso, há 30 anos, desde o início da minha carreira, tenho a Deloitte como referência de alto nível e a honra de desfrutar da amizade profissional e pessoal de dezenas de seus especialistas. Parabéns à Deloitte pelo seu centenário e pela iniciativa de imprimir a sua trajetória. João Carlos Castilho Garcia Presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) Os grandes avanços e desafios vividos pelo nosso país ao longo dos últimos 100 anos confundem-se com a história de sucesso da Deloitte. A enorme gama de clientes, onde me incluo, vivenciou o crescimento seguro e competente na prestação de serviços especializados nas diferentes e sensíveis áreas de sua atuação e nos estudos e pesquisas sobre tendências e perspectivas relacionadas ao ambiente de negócios brasileiro e global. É merecedora de aplausos uma empresa que atua nas áreas de auditoria e consultoria, prestando serviço de altíssima qualidade por tanto tempo, num mercado fortemente competitivo. O alto padrão de qualidade oferecido pela Deloitte nos permite afirmar, sem risco de errar, que o futuro dessa organização já está garantido para as próximas gerações de clientes e usuários dos serviços e estudos oferecidos, e que certamente comemorarão com a mesma galhardia o seu bicentenário. Os CFOs reconhecem na Deloitte a capacidade técnica sempre à disposição das empresas clientes na consecução dos mais complexos e sofisticados serviços profissionais. Sérgio Silveira Melo Presidente nacional do Instituto Brasileiro dos Executivos de Finanças de São Paulo (IBEF) Uma empresa internacional que apostou no Brasil em 1911? Certamente não são muitas. E a Deloitte não apenas aceitou esse desafio como colaborou com o Brasil de várias formas: foi uma grande inspiradora e formadora de capital humano em nosso país o que pode ser comprovado ao observar a qualidade dos profissionais que iniciaram suas carreiras na Deloitte. Foi, também, inspiradora da adoção de posturas pioneiras, como, por exemplo, na área de sustentabilidade não apenas dentro da própria firma, mas também ao conduzir importantes estudos, ao guiar as empresas na direção de se tornarem mais sustentáveis e apoiar organizações sociais como o Akatu e outras no seu trabalho em favor de causas de interesse público. Poucas empresas têm o privilégio de mostrar um currículo de trabalho tão consistente ao longo do tempo. Aliás, não há outra forma de chegar ao feito de apagar 100 velinhas no bolo de aniversário. Parabéns à Deloitte pelos 100 anos no Brasil. E parabéns ao Brasil por ter sabido atrair e manter uma empresa dessa qualidade entre nós. Helio Mattar Diretor-presidente do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente 58 D e l o i t t e A n o s n o B r a s i l

63 Antecipação e inovação Brasil, 100 anos à frente Parece algo inatingível com olhares de hoje, mas, se considerarmos que os avanços institucionais no Brasil têm elevadas chances de seguirem sólidos, assim como os ganhos educacionais e de inovação na vigência de uma moderna democracia racial, não seria nada mal se tivéssemos isso como visão de futuro. Talvez precisemos apenas nos auditar permanentemente para que esse sonho não seja só uma ficção. E a Deloitte certamente estará presente para nos ajudar nessa tarefa. Octavio de Barros Diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco Certamente não é o design, a cor azul ou a sonoridade das sílabas que apaixonam e eternizam a marca Deloitte. Uma marca consegue chegar aos 100 anos antecipandose nas respostas aos seus clientes sobre as novas situações que determinarão o futuro do ambiente de negócios de um país e suas interconexões pelo mundo. Dessa maneira, transfere e cria valor para seu consumidor e ainda inova-se continuamente nas posturas econômica, política e sócio-ambiental. Percebo também nas atitudes da Deloitte que, para se manter tão saudável e moderna durante 100 anos neste país, ela certamente entrega além daquilo que o cliente espera. E é essa imagem e esse exemplo que transmitimos aos nossos empreendedores nascentes no Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec) quando iniciam suas vidas empresariais e rabiscam as primeiras linhas tentando dizer qual será a missão de seu empreendimento. Sergio Wigberto Risola Diretor do Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec) O grande Niels Bohr, pai da física quântica e prêmio Nobel, dizia que fazer previsões é muito difícil, especialmente sobre o futuro. É uma verdadeira aventura especular sobre o futuro. Mas, nós, economistas, somos teimosos e sempre gostamos de criar cenários visionários. Pois bem: o que pensar sobre o futuro do Brasil dentro de 100 anos? Tarefa difícil, mas vamos lá. Ficcionalmente estamos em Como a terceira ou quarta economia do mundo, o Brasil se afirma como um país desenvolvido de elevado índice de desenvolvimento humano, com fontes de energia cada vez mais limpas, com ganhos contínuos de produtividade bem compartilhados socialmente, gerando os incentivos adequados ao fortalecimento de uma tradição inovadora e nível de poupança responsável, sempre de olho nas futuras gerações. Tudo isso, sem se envolver em guerras, sem terrorismo e com uma unidade e coesão nacional em torno de valores humanistas e ousadia cultural. D e l o i t t e A n o s n o b r a s i l 59

64 Valores preservados Elixir da longevidade Para se ter uma vida longa não se precisa, evidentemente, manter-se sob o comando de uma mesma família. O primordial é o alinhamento. A Deloitte, por exemplo, escolheu o caminho da associação, a partir do agrupamento de firmas-membro mundo afora, unidas sob uma gestão de valores únicos e contínuos. Uma solução que se mostrou vencedora tanto global, como localmente. Tim-tim para o seu primeiro século no Brasil. Chris Martinez Jornalista e autora do livro Empresas Brasileiras Centenárias, escrito em parceria com o consultor Renato Bernhoeft (Editora Agir, 2011) Vivemos num mundo altamente globalizado e, como tudo na vida, essa globalização tem seu lado positivo e também o negativo. O positivo é o acesso fácil às informações, à tecnologia e à ciência em geral. O negativo é o acirramento da competição entre empresas do Norte, do Sul, do Leste e do Oeste do globo terrestre. Nesse contexto, as constantes coligações, incorporações ou aquisições de empresas criam gigantes e extinguem os fracos. E, nesse intenso processo, a ética é um valor que necessita ser preservado. Portanto, empresas como a Deloitte, prestes a comemorar 100 anos de atividades no Brasil, demonstram sua força e capacidade nesse mercado rigoroso. A Abece, que, no ano que vem, estará comemorando sua maioridade (18 anos), parabeniza a Deloitte e se propõe a chegar à mesma marca, se Deus quiser e a competência e união da engenharia de estruturas persistirem na luta. Eduardo Millen Presidente da Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural (Abece) A história dos últimos 100 anos, no Brasil e no mundo, é uma soma de percalços, desafios, superações e, claro, alguns sobreviventes. Um primoroso grupo de empresas já ultrapassou a barreira dos 100 anos no País. Algumas delas em 2011, como a Deloitte. A Firma passa a fazer parte de um conjunto de corporações que ajudaram a construir este país de dimensões superlativas e gente vibrante. Independentemente do setor das empresas centenárias presentes no Brasil, elas integram uma lista de sobreviventes em um país onde a longevidade é modesta. Cerca de um terço das empresas nacionais morrem no primeiro ano de operação e aproximadamente 60% delas não conseguem completar o quinto aniversário, segundo estatísticas do Sebrae-SP. Não existem estudos detalhados, ou precisos, que possam afiançar quantas empresas centenárias brasileiras ou estrangeiras estão fincadas no Brasil. Sabe-se que a maior parte delas, porém, é de capital nacional e ainda está sob gestão familiar. 60 D e l o i t t e A n o s n o B r a s i l

65 Fórmula de sucesso Capacidade de se manter relevante empresa completar 100 anos. É uma prova de que eles têm uma importância para a sociedade bastante acima do normal para sobreviver ao passar dos anos. Em abril de 1911, o Financial Times publicava nota informando aos investidores ingleses que seria um bom negócio investir no Brasil, apontando o aumento da malha ferroviária brasileira como sinal do desenvolvimento econômico no País... Neste mesmo ano, a Deloitte foi uma das primeiras multinacionais a acreditar e a investir no Brasil. Ao longo destes anos, a empresa cresceu junto com o País e investiu na inovação de seus serviços para atender às necessidades dos clientes e da sociedade. Além disso, soube ganhar a confiança dos seus clientes. Em tantos anos, vimos muitas empresas surgirem e desaparecem. Sobreviveram somente aquelas companhias que trilharam um caminho no qual incorporaram as boas lições do passado e projetaram, a cada passo, as bases do futuro. Esta é a fórmula de sucesso das marcas longevas. Carlos Faria Presidente da Associação Nacional dos Consumidores de Energia (Anace) Diversos estudos comprovam que o nosso cérebro foi selecionado pela natureza para tentar achar padrões em tudo o que acontece ao nosso redor. Aqueles que associaram, há dezenas de milhares de anos, um mato se mexendo com a possibilidade de serem atacados por um predador e fugiram todas as vezes mesmo que fosse fato somente em 50% delas conseguiram não ser engolidos por uma leoa, ao contrário dos que não conseguiram estabelecer essa relação, nem outras. A busca incessante de um padrão em quase tudo nos dá também a sensação de compreensão, de ordem, de domínio e, principalmente, de sentido para as coisas e para a nossa existência. Isso, em parte, explica por que é tão agradável sentirmos que estamos completando algum ciclo e/ou iniciando outro e também por que gostamos tanto de comemorar datas e aniversários, principalmente os redondos, que seguem um padrão: não temos como evitar o prazer que eles nos proporcionam. É óbvio também que existem muitas outras razões não evolutivas e bastante objetivas para nos sentirmos felizes ao vermos uma pessoa, um movimento artístico, um fato ou uma Mas, focando no mundo dos negócios: o que explica a durabilidade de algumas empresas e marcas? O que as torna exceções, já que o tempo costuma corroer sonhos, energias, intenções, reputações e imagens? Cem anos não são para qualquer empresa. E não foram 100 anos quaisquer: duas sangrentas guerras mundiais, importantes conflitos ideológicos, culturais, religiosos, avanços científicos inimagináveis, crises financeiras inéditas e devastadoras, mudanças drásticas de atitudes, de consumo, de relacionamento entre as pessoas, os países e as empresas; um século que pôs à prova, como nenhum outro, a capacidade de se manter relevante. Qual o segredo? Tem segredo? Obviamente, não existe uma única resposta e, talvez, nem múltiplas respostas sejam uma resposta. Mas parece haver um denominador comum a todas as empresas que atravessaram o tempo, um valor que nasce da genuína determinação de compreender as pessoas e o que as move e de atuar de acordo com o momento histórico de cada época. E, com isso, transformar em concreto o imaginado; aproximar, ao máximo, os gestos da intenção. Curiosidade. Sensibilidade. Conhecimento. Ação. Essa parece ser a essência comum às empresas bem-sucedidas também no tempo. Não por coincidência, a essência do trabalho da Deloitte. Celso Loducca Sócio e presidente da Loducca, uma das maiores agências de publicidade do Brasil D e l o i t t e A n o s n o b r a s i l 61

66 O legado que promovemos A contribuição da Deloitte para disseminar conhecimento, apoiar o esporte e construir um país socialmente responsável Conhecimento compartilhado A Deloitte tem histórico consistente de geração e disseminação de conhecimento sobre economia e negócios dezenas de pesquisas primárias, estudos de mercado e conteúdos editoriais são realizados e divulgados anualmente. Estudos, pesquisas e produtos de informação: conhecimento compartilhado com a sociedade 62 D e l o i t t e A n o s n o B r a s i l

67 Apoio ao esporte A Deloitte apoia o esporte brasileiro, por meio de patrocínios e prestação de serviços. As Confederações Brasileiras de Rúgbi e Tênis, o nadador paralímpico André Brasil e a ONG Luta pela Paz que reabilita jovens em comunidades carentes a partir do boxe e das artes marciais são foco das iniciativas nessa área. Confederação Brasileira de Tênis: estudo de mercado sobre os indicadores do esporte Confederação Brasileira de Rúgbi: apoio em plano estratégico para desenvolver a modalidade no País Responsabilidade social A Deloitte conta com o Programa Inteligência Social, que consolida iniciativas de profissionais voluntários baseados em todos os seus escritórios no País, sempre com o objetivo de apoiar a formação de jovens e o desenvolvimento das comunidades em que a Firma atua. André Brasil, nadador paralímpico, recordista mundial e atleta da Seleção Paralímpica Brasileira Luta pela Paz : serviços de auditoria à ONG carioca, que faz prevenção e reabilitação de crianças e adolescentes de comunidades carentes, por meio do boxe e das artes marciais D e l o i t t e A n o s n o b r a s i l 63

68 A marca dos líderes Os presidentes que fizeram história Uma vida dedicada à Deloitte No fim da década de 50, o escocês Hugh McManus desembarcou no Brasil, a serviço da Deloitte. Era para ficar apenas três anos. Até hoje, permanece por aqui, em terras cariocas. A vinda para o Brasil mudou totalmente a minha vida, diz com um misto de sotaque estrangeiro com o de carioca. Nove em cada 10 profissionais da Deloitte entrevistados para este livro cita o seu nome. E, de fato, não há como dissociar a vida dele da história da Deloitte no País. E vice-versa. Afinal, pode ser considerado um dos mais profundos conhecedores da trajetória da Firma por aqui. Em 1964, com apenas 28 anos, tornou-se sócio fato do qual se orgulha até hoje. Na época e até a minha saída, em 1996, fui o mais jovem a chegar a ser sócio, afirma. A sua carreira começou pela filial da Cidade Maravilhosa, onde trabalhou de 1959 até Logo depois, zarpou para outro balneário brasileiro: desta vez, o Recife, onde ficou até Assim que passou a ser sócio, naquele ano, mudou-se para São Paulo, onde trabalhou na área técnica e depois na de Practice Development (marketing). Em 1975, regressou ao Rio. E, um ano depois, foi coroado com o melhor momento da sua vida: tornou-se presidente da Deloitte no Brasil. A nomeação fez com que retornasse à capital paulista em 1980, quando também assumiu a responsabilidade pelo escritório. Deixou a presidência em 1992, regressando para o Rio, onde reside até hoje, quando não está jogando golfe mundo afora. Afinal, pendurou as chuteiras em 1996, quando completou 60 anos. Hugh McManus, último estrangeiro a presidir a Deloitte no Brasil: referência essencial para a história da Firma

69 Habilidade em liderar pessoas Aos 73 anos, José Beisl Barretto tem o vigor de um jovem. Sou como um maverick, diz ressaltando seu posicionamento independente e arrojado. Um entusiasmo semelhante ao que tinha quando entrou na Deloitte, em 1966, com 28 anos. Atualmente, mesmo aposentado da Firma desde 2002, ele tem se dedicado a ministrar cursos relacionados à contabilidade. Dou aulas para executivos de grandes empresas, sobre temas que estão na atualidade, como IFRS, conta, enquanto descreve que está sentado na bucólica varanda de sua casa no Itanhangá, no Rio de Janeiro. Vejo tucanos e estou de frente para a Mata Atlântica. de nascimento e carioca de coração, que deixou a cadeira de presidente para o sucessor Alcides Hellmeister Filho. Barretto começou na Deloitte aos 28 anos, como auxiliar de escritório, no Rio. E, por 35 anos, fez uma meteórica carreira, o que incluiu administrar o escritório do Recife e inaugurar o de Salvador. Comecei a vida profissional na aeronáutica, como controlador de voo, e, depois que entrei na Deloitte, mudei de vida. Esta casa, aliás, é um divisor de águas na carreira de Barretto. Em julho de 1992, quando havia acabado de construí-la, ele tornou-se, aos 54 anos, o primeiro brasileiro presidente da Deloitte no País. E, por isso, teve que se mudar para São Paulo, com a família. A casa ficou fechada durante dez anos e só voltei quando me aposentei. Por uma década, ele assumiu o leme da Firma. Nos primeiros seis anos, como managing partner (presidente), por dois mandatos, e nos quatro seguintes, como chairman. Foi difícil, em cargos como esses, o sucesso depende da habilidade de conduzir e entender as pessoas, recorda este baiano José Beisl Barretto, primeiro brasileiro a liderar a Deloitte no Brasil: momento importante na história da Firma D e l o i t t e A n o s n o b r a s i l 65

70 De novo talento a presidente que transformou a Firma Alcides Hellmeister Filho, ex-presidente e atual chairman da Firma: uma trajetória singular de liderança Em 1972, com apenas 19 anos, o descendente de alemães e italianos Alcides Hellmeister Filho chegou à Deloitte para atuar como trainee. A organização chamava-se Deloitte, Haskins & Sells, e, no Brasil, tinha pouco mais de 50 profissionais e apenas quatro sócios, todos dedicados à única prática então existente: a Auditoria. Hoje, depois de uma carreira incontestavelmente vencedora, que incluiu o comando executivo da firma brasileira por 10 anos, Alcides ocupa o posto de chairman, liderando o board da organização. Ao longo desses anos, ele viveu as mudanças dos tempos, com ventos que alteraram o curso da Firma e do mercado. Logo no começo, quando Alcides era um entusiasmado iniciante, a Deloitte voltavase, praticamente, apenas a clientes estrangeiros que tinham negócios no Brasil. Por décadas, a Deloitte atendeu essencialmente a clientes de origem estrangeira, até porque, no Brasil, não havia a cultura e a obrigatoriedade de se auditar as demonstrações financeiras, lembra. Sob sua liderança, de 1998 a 2008, a Deloitte adotou no Brasil uma estratégia clara de crescimento e diversificação dos negócios. Alcides se mostrou um visionário, identificando as oportunidades que o mercado oferecia e trabalhando pelo desenvolvimento de novas áreas de negócio. Ele conseguiu efetivar, assim, a expansão e consolidação da firma brasileira, que acabaria se tornando uma das mais bem sucedidas da rede global da Deloitte. Também foi Alcides quem, em 2002, percebeu a oportunidade de acolher os profissionais egressos da firma Andersen à base de cerca de profissionais da Deloitte. Alcides foi o primeiro sócio brasileiro a fazer parte do board internacional da Deloitte. Durante sua gestão, a Deloitte saiu de uma posição intermediária no mercado brasileiro para um posto de liderança reconhecida. E, desse modo, a Firma protagonizou um crescimento exponencial sob seu comando, com taxas de expansão em torno de 20% ao ano. 66 D e l o i t t e A n o s n o B r a s i l

71 A transição para o 2º século Consolidação de avanços internos e projeção global uando assumi a liderança da firma brasileira da Deloitte, em junho de 2008, tive o privilégio de herdar uma organização estruturada sob o legado de uma década de significativas conquistas. Desde então, dediquei todos os esforços para consolidar uma série de avanços essenciais para que a Deloitte atingisse a marca dos 100 anos desfrutando de invejáveis níveis de expansão nos mais diversos aspectos. De faturamento a número de profissionais, de ofertas de serviços à conquista de novos clientes, a firma brasileira está hoje vivenciando a entrada no segundo século de sua história no Brasil sob um ritmo de expansão forte e sustentável. Para aprimorar continuamente a Firma a partir de quatro pilares estratégicos talentos, clientes, excelência operacional e marca, queremos continuar sendo reconhecidos como o padrão de excelência do mercado. Dentro da rede global da Deloitte, a imagem da firma brasileira tem conseguido uma projeção importante, o que hoje se reflete no fato de compormos o board internacional da nossa organização. Trata-se de um espaço oferecido somente para as maiores firmas da Deloitte no mundo. Adotando um modelo de cooperação cada vez maior com as lideranças das firmas da Região das Américas e com toda a cadeia global de firmas-membro da Deloitte, o Brasil vem exercendo um papel sempre mais relevante na dinâmica de decisões da organização. É assim que a firma brasileira passou a ser apontada como um mercado prioritário para os investimentos da Deloitte no mundo. E é assim que estamos conseguindo construir, juntos, a nossa transição para o segundo século da Deloitte no Brasil. Juarez Lopes de Araújo Presidente da Deloitte no Brasil D e l o i t t e A n o s n o b r a s i l 67

72 De geração para geração

73 Esta é a atual geração de sócios da Deloitte, que recebeu das gerações que a antecederam uma organização de que todos se orgulham. O compromisso deles é entregar à próxima geração uma Deloitte ainda melhor.

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