Lutas operárias em São Paulo e no ABC nos anos 70

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "Lutas operárias em São Paulo e no ABC nos anos 70"

Transcrição

1 LUGAR COMUM Nº25-26, pp Lutas operárias em São Paulo e no ABC nos anos 70 Jean Tible Os anos 1970 representam para o Brasil um período bastante particular. Trata-se do momento em que novos personagens entraram em cena, título de um dos relatos mais conhecidos dos movimentos de resistência daquela década (Sader, 1988). Nosso objetivo, neste artigo, é o de narrar (e interpretar) as lutas operárias nos anos 70 na Grande São Paulo, buscando enfatizar as próprias práticas dos trabalhadores e suas formas de luta. Esta década marca uma novidade na história brasileira: trabalhadores em movimento e em grande número, criando suas práticas de luta num processo de autoconstrução. Neste contexto, como destaca Marco Aurélio Garcia (1982), foi a prática da luta social que levou os trabalhadores a avanços inigualáveis em termos de consciência e organização. Assim, inverteu-se a expectativa de que um dia a teoria chegasse à classe operária, para melhor guiá-la: foi a classe que chegou à teoria. Contextos Econômico, Político A partir dos anos 30, com a industrialização do Brasil, São Paulo vai se tornando, em detrimento do Rio de Janeiro, o principal pólo econômico do país e da América Latina, passando a produzir tecidos, sapatos, móveis, materiais de construção, peças de locomotiva e material ferroviário. Ao mesmo tempo, com uma crescente intervenção do Estado na economia, são criadas várias estatais da indústria pesada, tais como a Companhia Vale do Rio Doce, Petrobrás e Companhia Siderúrgica Nacional. Ocorre uma progressiva diversificação e indústria de bens de capital, tais como máquinas, tratores, geradores. Nos anos 50 tem início a indústria de autopeças, a partir da implantação das indústrias automotivas, baseada no tripé desenvolvimentista do governo JK: Estado, empresas nacionais e capital internacional. Esta década assinala uma forte mudança na classe operária, que cresce numericamente e se diversifica, ao mesmo

2 292 LUTAS OPERÁRIAS EM SÃO PAULO E NO ABC NOS ANOS 70 tempo em que se verifica uma intensa migração do campo em direção à cidade; em poucas décadas, o Brasil transforma-se de rural para urbano. No final dos anos 60 e início dos 70 ocorre o chamado milagre econômico, com altas taxas de crescimento do PIB, com base em outro tripé: forte endividamento (produzido, em boa parte politicamente, em apoio ao regime militar); fortes investimentos na indústria pesada, construção civil, eletroeletrônica e automobilística; e, enfim, arrocho salarial, aumento da exploração, das horas extras e do ritmo de trabalho. Ao final da década de 70, 400 mil metalúrgicos seriam empregados em mais de dez mil empresas na Grande São Paulo. Em 1964, ocorre o golpe de Estado civil-militar, que já havia sido ensaiado em diversas oportunidades na década anterior, como, por exemplo, na crise política que culminou no suicídio de Getúlio Vargas em 54, ou na tentativa de impedimento da posse de João Goulart, após a renúncia de Jânio Quadros, posse que somente seria garantida pela Campanha da Legalidade, em 61. As primeiras medidas da ditadura foram de intervenção nos sindicatos e movimentos estudantis, instauração da censura, proibição das greves, cassação de mandatos de parlamentares e criação de um serviço secreto de informações. Com o Ato Institucional número 5 (AI-5), efetua-se uma virada ainda mais autoritária, com o fechamento do Congresso Nacional e outorga de poderes quase ilimitados ao Executivo. Resistências Como se organizaram as diversas resistências à ditadura no final dos anos 60 e início dos anos 70? No plano sindical, formaram-se chapas de oposição para disputar as eleições dos sindicatos com uma série de reivindicações: contra o arrocho salarial, pela estabilidade do emprego, contra a estrutura sindical e defesa da organização de comissões de fábrica democraticamente eleitas. Tais mobilizações ocorriam e revelavam uma articulação com militantes católicos, notadamente a JOC (Juventude Operária Católica) e a ACO (Ação Católica Operária). Naquele contexto, a chapa de oposição venceria a eleição em Osasco, tendo como cabeça de chapa José Ibrahim, membro da comissão de fábrica da COBRASMA, além de ser militante de uma organização de esquerda clandestina. O mesmo ocorreu em Contagem (Minas Gerais), onde a chapa de oposição saiu vitoriosa, sendo, no entanto, obrigada a travar uma dura batalha na Justiça do Trabalho, sofrendo intervenção do Ministério do Trabalho e a destituição do presidente eleito e de três membros da diretoria, antes de tomar posse.

3 Jean Tible 293 Foi neste cenário que ocorreram as greves de Osasco e Contagem em Nas duas cidades, os trabalhadores ocuparam as fábricas e elegeram em grandes assembléias comandos de greve unificados. Em Contagem, mais de 20 mil operários aderiram à greve. O governo ditatorial ocupou, então, a cidade com tropas da Polícia Militar, o que acabou levando à desmobilização das greves. Num contexto de crescentes mobilizações, aconteceu a comemoração do primeiro de maio na Praça da Sé, em São Paulo, momento em que foi organizado um ato unitário dos sindicatos de São Paulo, Osasco e São Bernardo. Por um lado, os pelegos e interventores (nomeados pelo governo após o golpe de 64) convidaram o governador de São Paulo, nomeado pela ditadura, Abreu Sodré, gerando forte tensão. Por outro lado, militantes do Sindicato de Osasco, das oposições sindicais (que eram maioria no ato), apresentaram suas reivindicações de fim do arrocho salarial, por uma greve geral, pelo direito de organização operária e pelo fim da ditadura. O desenlace desta tensão se deu durante a fala do Governador, momento em que o palco foi apedrejado, tomado pelos manifestantes e incendiado. Enquanto a maior parte dos presentes saiu em passeata, o Governador refugiou-se na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo. No mês seguinte, eclode a greve em Osasco na COBRASMA, fábrica de material ferroviário, onde existia desde 63 uma comissão de fábrica. Em efeito dominó, outras fábricas foram paralisadas, juntando seis mil grevistas. O exército foi enviado, invadiu o sindicato, prendeu a direção e quinhentos grevistas. É importante lembrar que, no âmbito estudantil, também ocorreram várias mobilizações estudantis, como a passeata dos 100 mil no Rio. Esses são marcos de tentativas de resistência à ditadura em sua fase de menor repressão. Depois disso, com o AI-5, veio a supressão dos direitos políticos individuais e coletivos e a permissão para intervenção em entidades sem necessidade de autorização judicial. Assim, no final da década de 60, a maioria das organizações de esquerda acabou optando pela luta armada para derrubar a ditadura militar. Essas organizações, por sua vez, seriam totalmente esmagadas até Cabe enfatizar que a repressão do Estado não incidia somente contra as organizações e grupos que tomaram este rumo, mas também contra qualquer tentativa de organização operária, estudantil, de bairro. Após mortes, prisões e torturas, parte dos que optaram pelo enfrentamento armado iriam se juntar a iniciativas de organização dos trabalhadores, por sua vez fortalecidas por um longo esforço, pelo trabalho de formiguinha dos militantes. Muitos destes, ao negar a via armada, tentavam criar e reforçar a organização nas fábricas e nos bairros, um tipo de mobilização e organização que iria desabrochar no decorrer dos anos 70.

4 294 LUTAS OPERÁRIAS EM SÃO PAULO E NO ABC NOS ANOS 70 Também deve ser registrada a presença de grupos de teatro e cinema, centros de estudos e imprensa alternativa que, numa conjuntura de certa abertura do regime militar, irão florescer. Isto tudo aconteceu num contexto de crise do movimento de 64, já que, a partir do governo Geisel (74-79) e depois de Figueiredo (79-85), houve uma distensão: a abertura lenta, gradual e segura, apesar dos assassinatos políticos de opositores ao regime (direção do PCdoB, Vladimir Herzog, sindicalistas, invasão da PUC-SP etc.). No plano internacional, Jimmy Carter elege-se e defende uma política de direitos humanos mais efetiva (Freire, 2000). Cabe enfatizar aqui o fato de as greves na Grande São Paulo terem chacoalhado esta abertura lenta, gradual e segura e sua volta à normalidade democrática. Essas greves marcaram a presença dos trabalhadores, em vez da transição orquestrada pelos militares em conjunto com empresários, políticos da situação, após o fim da década do milagre econômico. Isto porque, para parte da esquerda (PCB em particular), esta abertura significava uma grande aliança com a burguesia nacional e democrática. Aproveitando certas brechas, os operários entraram em cena e mudaram o país. Para alguns, tratava-se somente de reivindicações particulares destinadas a somar-se ao projeto democrático-burguês, num contexto de reorganização social e política do país. Porém, ao contrário, a ação da classe trabalhadora trouxe novos elementos para pensar a democracia e a constituição de direitos historicamente ignorados no Brasil. Os movimentos: São Paulo e ABC Tratamos aqui de duas experiências de organização operária no período dos anos 70: a Oposição Sindical Metalúrgica de São Paulo e o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo. Ambos são processos de organização que desabrocharam no final da década, após um longo trabalho de organização operária no local de trabalho nas fábricas da ponta mais avançada da produção industrial nacional. Isto se deu frente ao ostensivo sistema de repressão contra qualquer forma de organização e resistência operária nas empresas (Sader, 1988, p. 73), chegando a ter o DOPS uma sala em certas fábricas para interrogar e descobrir autores de boletins e panfletos. Trata-se então, antes de mais nada, de processos de resistência, a partir de contatos pessoais, troca de informações, estabelecimento de relações, de confiança coletiva. Lutas operárias foram travadas no interior das fábricas em busca de uma organização autônoma dos trabalhadores. Diante do poder absoluto das chefias

5 Jean Tible 295 e das punições, das exigências de maior produção, do aumento do ritmo das máquinas, do controle das atividades cotidianos (existência e duração da pausa para o cafezinho, possibilidade ou não de circular na empresa, idas ao banheiro), foi construída a proposta de um contra-código operário: inscrevem-se necessidades de controle operário quanto ao ritmo de trabalho, à capacidade de produção, à mobilidade na fábrica (...) que são atribuições das chefias. Tal busca do controle operário sobre o ocupante do cargo acabou pondo em xeque o próprio cargo, seu conteúdo e atribuições (Maroni, 1982, p. 108). Os dois movimentos que estamos tratando surgiram da prática das lutas sociais; são processos de múltiplas formas de luta contra a opressão e a exploração capitalistas, nas quais os trabalhadores descobrem-se como classe, transformada em consciência de classe. De acordo com Marco Aurélio Garcia, a análise do movimento operário não partirá de causas estruturais, entendidas enquanto racionalidade que se encontra fora dele. O movimento operário não é refl exo de estruturas econômicas ou políticas. Ele se autodetermina; sua racionalidade está no seu interior, na forma pela qual ele faz (e se constitui na) história, isto é, na luta de classes (1982). Desta forma, a comissão de fábrica foi essencial para a emergência desse sujeito coletivo, representando momentos de auto-afirmação dos grupos operários. A comissão de fábrica é decorrência do encaminhamento concreto da luta. Ou seja, ela não é formulada a priori como objetivo (...). Quando são eleitos os participantes da comissão, evidencia-se o processo democrático do qual ela não é senão o produto final (Maroni, 1982, p. 87). Ambas as experiências sofreram, em seu processo de organização, as conseqüências e ensinamentos do isolamento e derrota das greves de Osasco e Contagem no fim dos anos 60. Esses exemplos de luta permaneceram, no entanto, como marco da necessidade de ruptura com o sindicalismo oficialista e de cúpula. Indicam, além disto, os limites e fragilidades das mudanças que, mesmo seguindo uma direção combativa, teriam que ser enfrentados: a permanente possibilidade de intervenção governamental/estatal. A perspectiva de constituição de um sindicato organizado desde baixo começou a ser retomada no decorrer dos anos 70 na Grande São Paulo. No intervalo entre os dois momentos ocorreram práticas clandestinas de organização e trabalho de formiga. As mobilizações de São Paulo e São Bernardo vão ganhando espaço e força em virtude do contexto de uma certa abertura no governo Geisel, mas, sobretudo devido a uma série de reivindicações dos moradores da

6 296 LUTAS OPERÁRIAS EM SÃO PAULO E NO ABC NOS ANOS 70 periferia por melhorias no transporte, por mais escolas, creches, contra a elevação do custo de vida, culminando com as maciças votações no MDB em novembro de 74, e pequenas greves de seção em várias fábricas (Sader, 1988). Assim, vários esboços de organização operária começaram a eclodir. A Oposição Sindical Metalúrgica de São Paulo A Oposição Sindical Metalúrgica de São Paulo nasce de três instituições em crise: a Igreja, a esquerda marxista e o sindicalismo (Sader, 1988). A primeira pedra originária da Oposição é a Igreja. No âmbito do Concílio II do Vaticano e da ação dos Papas João XXIII e Paulo VI, houve uma mudança na alta hierarquia católica, que passou a se engajar na luta em defesa dos pobres, da participação social dos trabalhadores e dos direitos humanos, com a criação das comissões de Justiça e Paz. Isto marca, no Brasil, uma mudança significativa, uma vez que a Igreja havia apoiado o golpe civil-militar de 64, tendo o Vaticano rapidamente reconhecido o novo regime. Em 1968 foi realizada a Conferência dos Bispos da América Latina em Medellín, cujo objetivo era pensar as diretrizes do Concílio II do Vaticano a partir da América Latina. Esta Conferência permitiu, além disto, enfatizar a opção preferencial pelos pobres e o comprometimento da Igreja com a denúncia das estruturas sociais geradoras de desigualdades, pobreza e miséria. No Brasil, a opção preferencial pelos pobres expressou-se principalmente com o surgimento, em 1968, das Comunidades Eclesiais de Base (CEB), cujo primeiro encontro nacional aconteceu em Frei Betto estima que em 1981 as CEBs congregavam dois milhões de pessoas (Sader, 1988, p. 156). Em 1970, Dom Paulo Evaristo Arns, importante figura na luta contra a ditadura, tornou-se arcebispo de São Paulo. A principal diretriz do trabalho católico tradicional com os operários era o de união e colaboração entre empregados e patrões, tendo em vista o combate ao comunismo. Isto foi evidenciado na primeira encíclica papal sobre a questão operária, a Rerum Novarum. Além das mudanças na hierarquia, foram sendo organizados diversos círculos católicos que rompiam com as diretrizes conservadoras, inspirados pelo método ver-julgar-agir da educação popular de Paulo Freire, em trabalhos sindicais de base, numa perspectiva favorável à organização dos trabalhadores em comissões de fábrica. No fim de década de 50 e início da de 60, foram realizados estudos sobre a classe operária e passou a ganhar força a percepção das limitações da estrutura sindical, em virtude de uma concepção de sindicato circunscrito a sua diretoria, da exigência de autorização do Ministério do Trabalho e do não-reconhecimento da organização dos trabalhadores na empresa. Foram então organizados peque-

7 Jean Tible 297 nos grupos e nucleações nas fábricas e locais de trabalho, constituindo o maior exemplo a comissão de fábrica da COBRASMA, que se tornou um símbolo com a conquista de seu reconhecimento em 63, após greve. Em 1970, oficializou-se a criação da Pastoral Operária (Rossi, 2006). A segunda pedra originária da Oposição é a Esquerda. Militantes marxistas de organizações críticas ao stalinismo e às organizações ligadas à III Internacional (PCB, PCdoB, MR-8) enfatizavam a idéia de independência de classe dos trabalhadores e construção de uma sociedade socialista, o sindicato tornando-se uma espécie de escola do poder operário (Stan, 2006). Deste movimento participaram grupos como a Ação Popular, POLOP (Política Operária), POC (Partido Operário Comunista) e outros, que questionavam a política do PCB, já antes de 64. São muito críticos do reformismo do PCB, que defendia a aliança com a burguesia nacional, que não se preparou para o golpe de 64 e que, no plano sindical, defendia uma postura conciliadora com os sindicatos oficialistas. Além disto, esses militantes adotavam um referencial marxista de independência de classe, transformação da sociedade e papel dos operários como um poder autônomo, pensando na articulação entre lutas econômicas e luta política contra a ditadura. A terceira pedra originária da Oposição são os operários e sindicalistas independentes, ou seja, sindicalistas com experiência sindical anterior a 64 e outros que exerceram sua militância sobretudo a partir de suas próprias experiências de luta, como a formação de grupos de trabalhadores, comissões de fábrica e criação e representação nas CIPA (Comissão Interna para a Prevenção de Acidentes). Deste modo, a Oposição nasce, em 67-68, ao formar uma chapa de oposição à direção do Sindicato, constituída, por sua vez, por sindicalistas católicos simpatizantes do PCB e sindicalistas descontentes com a atuação do Sindicato. Esta Chapa Verde propunha o pleno reconhecimento dos conselhos de empresa, eleitos livremente pelos trabalhadores em cada local de trabalho (Batistoni, 2001, p. 41). A chapa de oposição é derrotada, havendo suspeitas de fraude. No contexto do AI-5, o espaço de atuação estreita-se ainda mais, inclusive com o assassinato de dois de seus militantes (Olavo Hansen e Luis Hirata). Dezenas de militantes são presos e enquadrados na Lei de Segurança Nacional (LSN), muitos passam para a clandestinidade. Além disto, tendo em vista os riscos de infiltração policial, as reuniões são semi-clandestinas. Em 72 a Oposição organiza uma segunda chapa, sendo novamente derrotada. Isolada pela repressão, a Oposição dependia do Sindicato para manter contato com os trabalhadores através da participação em cursos e nas colônias de

8 298 LUTAS OPERÁRIAS EM SÃO PAULO E NO ABC NOS ANOS 70 férias. É um momento bastante difícil, a ponto de o Sindicato não ser apenas um espaço de pouquíssimas lutas operárias, mas pior, de delação e perseguição. Apesar desta situação nacional adversa, acontecem pequenas práticas de resistência, espontâneas. Ainda mais do que isso, numa fábrica em particular, a Metalúrgica Villares, desenvolve-se uma greve, em 1973, a partir de pequenas paralisações de 20, 30 minutos, em turnos, setores e horários alternados. Os trabalhadores conquistaram com esta greve aumento salarial e criaram um comitê inter-fábricas, reunindo dez empresas da zona sul de São Paulo. Este comitê manteve um enraizamento e mostrou-se muito útil no final da década. Muitos dos demitidos encontraram emprego em outras fábricas da região, o que acabou fortalecendo o comitê (Batistoni, 2001). Naqueles anos, ações, queixas e reclamações cotidianas sinalizavam o descontentamento dos operários e o início de focos de resistência, por conta dos banheiros sujos, do horário inadequado do café, da qualidade da comida, da duração da fila no restaurante, o que causava a perda de boa parte do horário de almoço. Diante da repressão da ditadura em sua fase mais violenta, a Oposição não consegue formar uma chapa em 75. Mas, por outro lado, seus militantes, dispersos e com contatos esporádicos entre si, mergulham em pequenas lutas e diversas mobilizações locais; por exemplo, no boicote ao restaurante na Arno, que permitiu a obtenção de melhorias, uma conquista que, embora pequena, teve importância fundamental no momento em que interrompeu uma seqüência de tentativas frustradas de greve em anos anteriores, levando à maior autoconfiança dos trabalhadores. Também em 75 formou-se uma nova coordenação da Oposição, que ganhou consistência ainda maior a partir de 76. Através da vivência no cotidiano dos trabalhadores, do trabalho de base nos bairros e nas fábricas, a Oposição começou a ganhar mais força, favorecendo a formação de grupos de fábrica. A Oposição foi se consolidando na organização e integração da resistência operária no dia-a-dia do conflito fabril e isto constituiu sua base. Ao mesmo tempo, ela se organizava nos bairros, enquanto o trabalho da Pastoral Operária garantia uma retaguarda importante. Com a onda grevista de 78-79, a Oposição tornou-se um movimento de massas. Em sua maioria, os grevistas repudiavam a direção do Sindicato e apoiavam a Oposição. Formaram-se comissões de fábrica e parte destas comissões conquistou reconhecimento das empresas, como no caso da Toshiba. Tornaram-se praticamente as únicas interlocutoras do patronato, já que o Sindicato não tinha

9 Jean Tible 299 representatividade e os patrões, naquele momento e em alguns casos, passam a legitimá-las. A Oposição conseguiu formar uma nova chapa em Eram três chapas concorrendo: a Chapa 1, do pelego Joaquinzão; a Chapa 2, dos reformistas; e a Chapa 3, da Oposição. Esta última foi formada num amplo processo democrático, tendo definido sua composição nas fábricas e através da participação nas CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes), em greves e no interfábricas. O resultado oficial deu a vitória à Chapa 1. Diante da fraude evidente, o procurador Osvaldo Preus declarou anuladas as eleições. Contudo, duas semanas depois, Joaquinzão foi empossado pelo Ministro do Trabalho, fazendo a seguinte declaração: meus amigos, o que passou, passou. A opressão e a intervenção do Ministério do Trabalho prevaleceram, respaldadas pela legislação sindical, e foi bloqueada a possibilidade dos movimentos de muitas fábricas dialogarem no âmbito do Sindicato (Oliveira, 2006). Em 1979 foi realizado o I Congresso da Oposição, momento de afirmação do objetivo de desmantelar a estrutura sindical, substituindo-a por outra, independente dos patrões e do Estado, colocando igualmente o combate ao imposto sindical e a importância das comissões de fábrica para a democratização do sindicato. Houve, além disto, várias outras eleições do maior sindicato da América Latina em 81, 84 e 87, que terminaram em derrota. Não se pode deixar de enfatizar que foram mais uma vez eleições fraudadas. Em 87, mais um revés, os metalúrgicos do ABC apóiam outra chapa e não a da Oposição, dividindo os sindicalistas mais combativos e favorecendo a vitória dos pelegos. O Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema Na região metropolitana de São Paulo em São Bernardo e Diadema uma outra experiência de organização dos trabalhadores ganha vida. Nesta experiência, duas dinâmicas vão se combinar: a resistência nas fábricas e a atuação combativa do sindicato. Num contexto de reduzidas liberdades civis, de compressão salarial, disciplinarização e feitura de listas negras, começava a ter lugar uma teia de pequenas ações: jogar dominó, diminuir a cadência, demorar-se e/ou colar recorte no banheiro. A estas, seguiram-se outras ações mais coletivas: operações tartaruga, sabotagens, protestos, greves. Segundo Garcia (1982), explorada e dominada como nunca, isolada socialmente, privada das antigas alternativas para os trabalhadores, a classe foi-se descobrindo e, nesta descoberta, se constituindo.

10 300 LUTAS OPERÁRIAS EM SÃO PAULO E NO ABC NOS ANOS 70 Por outro lado, São Bernardo apresentava um diferencial marcante: a atuação do sindicato e de (parte de) sua direção. As duas dinâmicas fusionaram a partir de 78, permitindo a explosão social. Em suma, se é certo dizer que a prática sindical teve influência na ação da classe, não é menos certo afirmar que a ação da classe pesou significativamente no comportamento do sindicato (idem). Um sindicato habitual (naquele espaço e naquela época) concentrava-se na administração do aparelho burocrático e nas funções assistenciais. Em São Bernardo houve uma transformação por dentro, o sindicato passou a assumir lutas e reivindicações dos operários. Em menos de uma década, de uma organização esvaziada, tornou-se uma agência de mobilização dos operários. O significado de sindicato passou a ser o de um edifício para a luta na fábrica. De acordo com Eder Sader, uma particularidade notável do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo residiu na sua capacidade de assimilar e estimular as múltiplas e difusas formas de resistência operária que ocorriam nas empresas. Essas ações surgiram em geral à margem do sindicato, e seus agentes olhavam o sindicato com muita desconfi ança. Mas terminarão vendo nele um meio eficaz para a defesa de seus interesses (1988, p. 288). Cabe fazer uma pequena digressão histórica para melhor compreender este processo. Em 1964 o Sindicato sofreu intervenção após o golpe e passou a ser administrado por seus interventores. Em 69, Paulo Vidal foi eleito e assumiu a presidência, em detrimento da esquerda, num contexto difícil, visto que pós-greve de Osasco. Vidal, ao mesmo tempo em que defendia a disposição de colaborar com o governo, reivindicava uma contrapartida para os trabalhadores, na forma de melhoria de suas condições de vida. Apoiava os trabalhadores nos conflitos, a partir da peça-chave do departamento jurídico do Sindicato. Teve assim início uma certa combatividade frente aos patrões, como a campanha pela antecipação salarial em 71 em condições desfavoráveis (forte repressão ditatorial) apesar de se ainda manter uma perspectiva de sindicato como prestador de serviços. Vidal reelegeu-se em 1972, vencendo a chapa de oposição apoiada por grupos de esquerda, que sofrem perseguição da polícia e vêem vários de seus membros serem presos. Luiz Inácio da Silva (Lula) foi eleito primeiro secretário. O Sindicato começava a ganhar confiança dos trabalhadores com o ganho na justiça de algumas causas, como a do pagamento de adicional da insalubridade na Ford, a limitação a duas horas-extras diárias, e a conquista de um dia de descanso semanal.

11 Jean Tible 301 Em 1974 houve uma série de mobilizações por reajustes salariais. Primeiro dos ferramenteiros da Ford, depois Volkswagen (VW), Mercedes, Villares e Brastemp. Formavam-se pequenos grupos de fábrica num momento em que se verificava uma importante distância entre fábrica e sindicato. O fato de Vidal ser bastante conciliador acabou gerando descontentamento no grupo da direção (Lula e outros), que defendia uma maior ênfase no trabalho de base e no apoio às reivindicações operárias. A sensibilidade destes dirigentes para com as resistências no chão-de-fábrica favoreceu a formação de uma instância intermediária, um elo, entre a luta na empresa e a organização sindical: o Conselho de Coordenação dos Trabalhos de Base. O ano de 1974 foi também o momento de organização do I Congresso dos Trabalhadores Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema, marcando o distanciamento da pouco combativa Federação dos Metalúrgicos de São Paulo e afirmando sua preocupação com as condições de trabalho nas empresas. Na Declaração de São Bernardo, eram enfatizadas as críticas à estrutura sindical e afirmava-se a busca da liberdade sindical, com a revogação das restrições presentes na CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas). Trata-se do início do fortalecimento e de um maior vínculo entre fábrica e sindicato. No ano seguinte, Vidal deixa o sindicato e a ala mais combativa o assume, Lula sendo eleito presidente. O discurso do Sindicato vai progressivamente passar da conciliação à contestação. Da defesa dita responsável dos interesses dos trabalhadores a reivindicações mais contundentes, havendo denúncias crescentes de abusos das empresas e empenho em incentivar os trabalhadores e capacitá-los em suas lutas. Num contexto de descoberta da manipulação dos índices de inflação, ocorre a Campanha pela reposição salarial de 77. Isto dá mais legitimidade por conta do reconhecimento público das manipulações das estatísticas, inclusive por parte do Banco Mundial às reivindicações operárias, provocando, ao mesmo tempo, um duplo enfrentamento: contra os empresários e contra o governo. Porém, apesar das intensas mobilizações, o resultado foi negativo. Representou, contudo, um momento importante para as novas lideranças sindicais e para o poder de mobilização dos operários. Reforçando a avaliação da necessidade de elevar o patamar de lutas, Lula declara: os patrões só escutarão a voz dos trabalhadores quando cessar o barulho das máquinas (Sader, 1988). Além de sua contribuição na greve de 78, o Sindicato articula e dirige a greve de 79. Acontecem mobilizações massivas, articuladas com um trabalho sólido nas fábricas. No entanto, essas grandes concentrações fortalecem a direção e tencionam a relação base-sindicato, com desfecho desfavorável em 79 e intervenções em 79 e 80. Foi se consolidando, deste modo, uma tensão entre direção

12 302 LUTAS OPERÁRIAS EM SÃO PAULO E NO ABC NOS ANOS 70 e base, entre a capacidade efetiva de um sindicato muito cioso de suas prerrogativas, preocupado em afirmar seu caráter de entidade condutora do movimento, apesar da crítica que seus dirigentes nunca esconderam à estrutura sindical brasileira (Garcia, 1982). Tal valorização da estrutura sindical por parte da direção levou-a a aceitar, em 79, um acordo praticamente sem ganhos para os operários, em troca do levantamento da intervenção decretada o que ocasionou o esvaziamento da assembléia, além de vaias, ao contrário das unanimidades anteriores. No primeiro de maio de 1980, 130 mil operários juntaram-se no Estádio da Vila Euclides. Desta vez a sustentação da greve veio das fábricas e dos bairros. Surgiam novas formas de ação e era reforçada a dinâmica desde a base. Foi fundamental naquele momento o Fundo de Greve, organizado fora do âmbito do sindicato oficial. O bairro tornou-se retaguarda (com atividades cotidianas de apoio) e oito mil participaram do Fundo de Greve. Porém, o Sindicato sofreu intervenção estatal e foi fechado, sendo os dirigentes presos e enquadrados na LSN (Lei de Segurança Nacional). Listas de demissão foram elaboradas e a reposição dos dias parados exigida. As lideranças, por sua vez, assim que foram libertadas, voltaram às bases, às portas de fábrica. Uma série de greves e outras mobilizações tiveram lugar, como o boicote à decisão da VW de montar um simulacro de comissão de fábrica e a derrota imposta à direção no plebiscito sobre redução da jornada e dos salários em troca de estabilidade. A experiência de São Bernardo indica dinâmicas e articulações às vezes contraditórias, sendo necessário mergulhar nos problemas reais e nas lutas operárias para ver o papel da fábrica e do sindicato e suas articulações e processos de construção. Duas experiências distintas de auto-organização operária Quais seriam as relações entre essas duas interessantes experiências de auto-organização dos operários dos setores de ponta da indústria brasileira (em suas convergências e divergências)? Primeiramente, cabe colocar as diferenças concretas entre o ABC e São Paulo. Por exemplo, com relação ao tamanho e concentração das fábricas. Se na capital existia maior dispersão em milhares de fábricas, em sua maioria médias e pequenas, dando condições favoráveis à manipulação burocrática e pelega, São Bernardo tinha uma concentração de grandes indústrias, dez delas fornecendo metade dos seus sindicalizados. Embora as grandes greves do ABC tenham tido influência na mobilização dos movimentos em São Paulo, e esses últimos tenham se solidarizado com os trabalhadores do ABC, principalmente em 80, quando os sindicalistas e mili-

13 Jean Tible 303 tantes ligados ao PCB e PCdoB retiraram seu apoio às mobilizações do ABC por temer pelo processo de redemocratização, existiram divergências importantes no que toca ao papel do sindicato, às comissões de fábrica e à relação entre estas e o sindicato. Sempre houve reticências por parte de São Bernardo e seus dirigentes em relação às comissões de fábrica e o temor de paralelismo sindical, como se pode ver nas teses defendidas no II Congresso (1976). Vários autores destacam, além disto, o excessivo apreço de São Bernardo pelo sindicato e a estrutura a ele atrelada. Marco Aurélio Garcia (1982) interroga a este respeito se não teria sido oportuno, por exemplo, aproveitar a intervenção do Ministério do Trabalho no sindicato para romper de vez com esta estrutura atrelada, criar um sindicato livre, convocando os trabalhadores de todo o país a fazer o mesmo. Ao que agrega Amneris Maroni (1982): [os sindicatos do ABC] de um lado tornam-se a expressão da luta pela autonomia e liberdade sindical, pelo direito de greve, contra a política econômica do governo etc.; de outro lado, procurarão absorver as lutas difusas contra alguns aspectos da organização do processo de trabalho. Os limites dos sindicatos no encaminhamento dessas últimas lutas se farão sentir rapidamente (p. 116). Outro importante militante da Oposição, Hélio Bombardi (2000), também declara que: ora defendiam delegados sindicais eleitos nas fábricas para fazer a ponte entre a fábrica e o sindicato, ora defendiam as eleições das comissões de fábrica ligadas organicamente e subordinadas aos sindicatos. Exemplo disso é que em várias comissões de fábrica o sindicato indica um diretor para fazer parte da comissão (p. 37). Por outro lado, foram feitas muitas acusações de que o alto nível político e ideológico da Oposição, suas bandeiras socialistas, de luta de classes, de enfrentamento com patrões, tê-la-ia feito desprezar as eleições do Sindicato, sendo esta uma das causas de sua derrota. Tal posicionamento tê-la-ia transformado em uma vanguarda distanciada das bases, contribuindo para a derrota de seus objetivos imediatos, qual seja, ganhar as eleições sindicais. São Bernardo, por sua vez, não possuía tanta elaboração ideológica, mas muita combatividade, muito espírito de luta e organização. Para nós, não faz sentido estabelecer uma polarização entre as duas experiências de modo sectário. Nem São Bernardo constituiu apenas um sindicato

14 304 LUTAS OPERÁRIAS EM SÃO PAULO E NO ABC NOS ANOS 70 atrelado, nem a Oposição formou-se unicamente por comissões. Parece-nos mais correto analisar as possibilidades concretas de cada uma, perceber duas estruturas sindicais distintas, com trajetórias próprias e particularidades. O depoimento de Elias Stein (2000), que militou em ambos movimentos, ajuda a situar melhor essas questões: em São Bernardo, nos anos 1976 a 1980, tive o privilégio de ver e participar ativamente de uma experiência sindical que também me marcou profundamente. Em vez de milhares de empresas dispersas, com poucos sócios como em São Paulo, a maioria dos operários de São Bernardo e Diadema estava concentrada nas grandes montadores automobilísticas e grandes fábricas de autopeças. Uma classe operária jovem, trabalhando em empresas modernas, que ofereciam transporte, alimentação, convênios médicos, tudo para ter uma mão-de-obra preparada para produzir lucros cada vez maiores. Joaquinzão e seu sindicalismo pelego e assistencialista não teriam nenhuma condição de sobrevivência em São Bernardo. (...) Essa diferença sobre o papel dos sindicatos, das Comissões de Fábrica, da autonomia da luta operária em relação ao aparelho sindical, que poderia levar a uma troca de experiências muito rica, acabou resultando numa desconfi ança mútua, que trouxe prejuízos tanto para a Oposição quanto para os dirigentes de São Bernardo. Enquanto a Oposição via no sindicalismo de São Bernardo uma luta puramente economicista, que acabava reforçando a estrutura sindical vigente, os militantes e dirigentes de São Bernardo viam no trabalho da Oposição de São Paulo um perigo do sindicalismo paralelo. Claro que nem um nem outro estavam certos nessa visão (p. 28). O essencial foi que cada um, a partir de suas especificidades, mudou o curso da história do Brasil, num momento de crescente organização dos de baixo, que se desdobrou na criação do PT, da CUT, do MST e na reorganização da UNE. E, mais tarde, na vitória de 2002 nas eleições presidenciais. As lutas, em movimento Estrutura sindical e trabalhista O início da organização sindical no Brasil é fruto de uma incipiente classe operária da primeira década do século passado, que se concretizou na criação da Confederação Operária Brasileira (COB), de inspiração anarquista e recebendo forte influência dos imigrantes, principalmente espanhóis e italianos. Em 1917 eclodiu uma greve geral que se estendeu a outras cidades, sofrendo fortíssima re-

15 Jean Tible 305 pressão policial. Naquele momento, o Estado tratava qualquer conflito trabalhista como caso de polícia. No decorrer das décadas de 30 e 40, com o Governo Getúlio Vargas, isto se transforma. Foi garantida uma série de direitos trabalhistas ao mesmo tempo em que se reprimia qualquer iniciativa de organização autônoma das forças de oposição, sobretudo comunistas. Deste modo, foi sendo criada uma estrutura sindical vertical, por ramo de atividade e mantendo a representação sindical a um único sindicato oficial por município. Em 1937 foram proibidas as greves e três anos depois instituiu-se o imposto sindical obrigatório, atrelando as organizações sindicais ao Estado. Em 1943, Getúlio proclama a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que unifica numa mesma peça jurídica vários dispositivos, selando a dependência das organizações sindicais frente ao Estado. Tais medidas permitiram intervenções do Estado nos sindicatos, tornando-os ilegais, por exemplo em 64 (golpe civil-militar) e no final dos anos 70, além de manter um controle político permanente via Ministério do Trabalho; os sindicatos funcionavam como uma espécie de órgão consultivo do Estado. O então sindicalista Lula chegou a declarar que a CLT é o AI-5 da classe trabalhadora (French, 2001, p. 71). Ao longo dos anos 50 e início dos 60 foram feitas diversas tentativas de organização sindical, com greves realizadas em 53, 54 e 57. Eram lutas contra a inflação, contra o alto custo de vida, que prenunciavam o início de novas formas de organização dos trabalhadores através de comissões de salários e de empresas, delegados sindicais. Há nesta época uma divisão entre vermelhos (nacionalistas e comunistas), amarelos (oficialistas, conservadores) e renovadores (cristãos, comunistas dissidentes, socialistas, sindicalistas independentes). Com o golpe de 64, ocorre a intervenção nos sindicatos, com a cassação e nomeação de dirigentes. Os sindicatos tomam o rumo assistencialista, de prestação de serviços (farmácia, colônia de férias, ambulatório médico etc.), graças aos fundos do imposto sindical. A CLT é complexa e ambígua. Em uma dimensão repressiva e centralizadora, definiu os limites da (auto)organização operária, ao mesmo tempo em que exerceu um papel-chave na garantia de alguns direitos mínimos dos trabalhadores, despertando esperanças militantes e ajudando a constituir um horizonte comum do que deveria ser dignidade e justiça nas questões de trabalho (Paoli, 1988). A ação do Estado teve efeitos paradoxais, criando também um espaço para a organização dos trabalhadores. Além disto, outro problema foi sua pequena aplicação prática. As conquistas na forma de leis não tiveram repercussão concreta, tendo tido uma aplicação irregular. A CLT regula as condições de trabalho; no entanto,

16 306 LUTAS OPERÁRIAS EM SÃO PAULO E NO ABC NOS ANOS 70 seus benefícios só poderiam concretizar-se através da mobilização vinda de baixo, com um crescente protagonismo dos trabalhadores. As questões sociais deixam de ser questões unicamente de polícia. Para Maria Célia Paoli (1988), a legislação trabalhista desprivatizou o espaço fabril, introduzindo direitos genéricos, mas públicos (p. 64). De acordo com French (2001), neste contexto, podemos considerar que a legalização do movimento sindical, quaisquer que fossem os motivos de seus arquitetos, teve um impacto favorável sobre seu processo de organização (p. 82). Além disto, ao julgar o novo papel do Estado nas relações industriais, a questão crucial é se a legislação e as iniciativas políticas que a fundamentaram criaram espaço para reforçar o poder e a organização da classe operária que é precisamente o que fi cou demonstrado pela experiência nas regiões industrializadas como o ABC paulista, e ocorreu com força ainda maior nas regiões periféricas do país (p. 91). Comissões de fábrica Um dos eixos das práticas e lutas dos operários é a organização em comissões de fábrica. A pioneira neste período foi a já citada comissão da CO- BRASMA, em Osasco. Trata-se de um processo de organização dos trabalhadores em seu local de trabalho, inspirado na Comuna de Paris, nos Soviet da Revolução Russa e nos Conselhos Operários de Turim na década de 20 e 70. É importante frisar que a CLT não contempla nenhuma forma de organização no local de trabalho. Em geral, essas comissões têm início com pequenas reivindicações: almoço ruim, ausência de bebedouro, autoritarismo patronal, ritmo de produção. Forma-se um grupo de fábrica com quatro ou cinco membros. Depois, reuniões inter-fábricas. No decorrer dos anos 70 e 80, com as milhares de greves pelo país, mais de cento e vinte comissões de fábrica foram formadas (Bombardi, 2006). Um dos melhores exemplos é o da comissão da Asama, fábrica de construção de máquinas, com operários altamente qualificados. A comissão já existia, porém seguia as normas ditadas pela empresa. Em fevereiro de 82 uma chuva inundou a fábrica, deixando-a parada por três dias. A diretoria da fábrica exigiu compensação dos dias parados, ao que os trabalhadores responderam com um boicote liderado pelo grupo de fábrica; a empresa acabou cedendo, havendo posteriormente uma nova comissão, com nova concepção apesar da violenta pres-

17 Jean Tible 307 são do Sindicato. Definiram-se as seguintes instâncias deliberativas: assembléia dos trabalhadores; comissão; presidente da comissão; revogabilidade da comissão em assembléia. O Sindicato era ainda apenas um órgão consultivo da comissão, invertendo a ordem natural. Com estabilidade conquistada, auto-sustentação financeira, mantida através da contribuição de 80% dos trabalhadores, esta comissão chegou a estabelecer uma dualidade de poder. A empresa começou, a partir de 84, a buscar formas de destruir a comissão, o que culminou com invasão da PM em agosto de 85 e a demissão da comissão por justa causa após três meses de paralisação. Como esses trabalhadores demitidos tinham estabilidade, foram reintegrados em seguida, fato inédito no movimento sindical (Silva, 2006). Da fábrica para sociedade As grandes greves e mobilizações do ABC e de São Paulo ganharam o apoio de trabalhadores de todo o país e de outras organizações. O curioso é que, no início, pelo menos no ABC, havia uma certa resistência quanto a lutas mais gerais, como a luta pela anistia dos presos políticos. No entanto, a própria prática de questionamento da ditadura conduziu esses movimentos a uma outra perspectiva. Os líderes metalúrgicos foram enquadrados na Lei de Segurança Nacional (LSN), veio a intervenção no sindicato e os militantes acabaram juntando-se à luta das comissões pela anistia. Por outro lado, formou-se um amplo Comitê de Solidariedade às greves do ABC e de São Paulo, composto por militantes sindicais, associações de bairros, estudantes, feministas, negros, ala esquerda do MDB, imprensa alternativa, artistas, organizações que saíam da clandestinidade. Este movimento acabou dando um respaldo político, mobilizando forças de apoio e não permitindo o isolamento da greve. Além disto, o apoio dos trabalhadores de todo o país facilitou a posterior formação da CUT, que nasceu com as bandeiras da autonomia sindical e de organização dos trabalhadores, que desde sua origem defende a democracia operária e a independência dos patrões e dos governos. Começaram a pipocar greves em diversos outros setores: bancários, funcionários públicos, canavieiros (Freire, 2000). As raízes da CUT estão nas duas experiências abordadas neste artigo. De um lado, a prática de organização dos trabalhadores, a recusa do sindicalismo pelego e imobilista, práticas em que se destacam o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, os metalúrgicos de João Monlevade, os bancários de São Paulo, Porto Alegre e Belo Horizonte e os petroleiros de Paulínia. De outro, as oposições sindicais, da cidade e do campo, em luta pela criação de uma nova estrutura sindi-

18 308 LUTAS OPERÁRIAS EM SÃO PAULO E NO ABC NOS ANOS 70 cal, movimentos compostos pelos metalúrgicos de São Paulo e Osasco, químicos de São Paulo, além de trabalhadores rurais de Santarém (PA) e Colatina (ES) (Giannotti, 2006). As greves na Grande São Paulo também marcaram a divisão do sindicalismo brasileiro. De um lado, a luta pela organização autônoma e pelas greves. De outro, a avaliação de momentos de não-confronto, ou seja, o gradualismo e a moderação do PCB e sua defesa do pacto social. As grandes assembléias de São Bernardo e as mobilizações nas fábricas de São Paulo constituem um divisor de águas, juntando o sindicalismo de grandes mobilizações de São Bernardo com a organização autônoma de São Paulo frente ao Estado. Estas duas experiências, conjugadas com a reorganização das forças de esquerda no período pós-ditadura, foram fundamentais para a democratização em curso no Brasil e são igualmente importantes para compreendermos o processo atual em suas potencialidades e limites. Referências BATISTONI, M. R. Entre a Fábrica e o Sindicato: Dilemas da Oposição Sindical Metalúrgica de São Paulo ( ). Tese de doutorado, PUC-SP, BOMBARDI, H. Comissões de Fábrica. In: Revés do Avesso, abril/maio de FRENCH, J. Afogados em Leis: a CLT e a cultura política dos trabalhadores brasileiros. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, FREIRE, A. Organizações e movimentos populares e de trabalhadores na segunda metade dos anos 70 ou de um tempo quando não havia guias geniais dos povos. Fundação Perseu Abramo, GARCIA, M. A. São Bernardo: A (auto) construção de um movimento operário. In: Desvios, nº 1, novembro de 1982, p Disponível em: portal/modules/news/article.php?storyid=1448. GIANNOTTI, V. As Duas Raízes da CUT. In: Revés do Avesso, abril/maio de MARONI, A. A Estratégia da Recusa: análise das greves de maio de 78. São Paulo: Brasiliense, OLIVEIRA, A. B. Um Amplo Processo Democrático. In: Revés do Avesso, abril/maio de PAOLI, M. C. Labor, Law and the State in Brazil: Tese de doutorado em História, Birkbeck College, University of London, ROSSI, W. A Primeira Batalha. In: Revés do Avesso, abril/maio de 2006.

19 Jean Tible 309 SADER, Eder. Quando novos personagens entraram em cena: experiências e lutas dos trabalhadores da Grande São Paulo Rio de Janeiro: Paz e Terra, SINDICATO DOS METALÚRGICOS DE SÃO BERNARDO E DIADEMA. Declaração de São Bernardo do Campo. São Bernardo, Disponível em: www. abcdeluta.org.br. Sobre Comissões de Fábrica. São Bernardo, Disponível em: www. abcdeluta.org.br SILVA. G. F. Comissão da Asama. In: Revés do Avesso, abril/maio de STAN. A Esquerda e a Oposição. In: Revés do Avesso, abril/maio de Jean Tible é doutorando em sociologia (IFCH/Unicamp), mestre em relações internacionais (IRI/PUC-Rio) e membro do grupo de pesquisa Movimentos Sociais na Arena Transnacional (NUPRI/USP).

Capítulo. A ditadura militar no Brasil

Capítulo. A ditadura militar no Brasil Capítulo A ditadura militar no Brasil ARQUIVO/O GLOBO 1 Do golpe militar ao AI-5 O golpe militar de 1964 João Goulart é derrubado pelos militares, em 31 de março de 1964, por meio de um golpe, apoiado

Leia mais

Getúlio Vargas e a Era Vargas

Getúlio Vargas e a Era Vargas Getúlio Vargas e a Era Vargas http://www.suapesquisa.com/vargas/ AGOSTO RUBEM FONSECA Getúlio Vargas e a Era Vargas: ASPECTOS A RESSALTAR Vida de Getúlio Vargas; Revolução

Leia mais

50 ANOS DO GOLPE MILITAR

50 ANOS DO GOLPE MILITAR 50 ANOS DO GOLPE MILITAR (1964-1985) Prof. Dr. Rogério de Souza CAUSAS Guerra Fria Contexto Internacional: Construção do Muro de Berlim (1961) Cuba torna-se Socialista (1961) Crise dos Mísseis (1962) CAUSAS

Leia mais

Na ditadura não a respeito à divisão dos poderes (executivo, legislativo e judiciário). O ditador costuma exercer os três poderes.

Na ditadura não a respeito à divisão dos poderes (executivo, legislativo e judiciário). O ditador costuma exercer os três poderes. Ditadura: É uma forma de governo em que o governante (presidente, rei, primeiro ministro) exerce seu poder sem respeitar a democracia, ou seja, governa de acordo com suas vontades ou com as do grupo político

Leia mais

Tese da AJR para o XI Congresso dos Estudantes da USP. Fora Rodas! Fora PM! Ensino público e gratuito! Poder Estudantil!

Tese da AJR para o XI Congresso dos Estudantes da USP. Fora Rodas! Fora PM! Ensino público e gratuito! Poder Estudantil! Tese da AJR para o XI Congresso dos Estudantes da USP Fora Rodas! Fora PM! Ensino público e gratuito! Poder Estudantil! Fora PM da USP! O estado de sítio na USP, com a instalação de bases da Polícia Militar

Leia mais

3. Autonomia frente aos partidos e parlamentares e Independência em relação aos patrões e governos

3. Autonomia frente aos partidos e parlamentares e Independência em relação aos patrões e governos Eixo III: Programa de trabalho para a direção do SISMMAC Continuar avançando na reorganização do magistério municipal com trabalho de base, organização por local de trabalho, formação política e independência

Leia mais

Aula 14 Regime Militar Prof. Dawison Sampaio

Aula 14 Regime Militar Prof. Dawison Sampaio Aula 14 Regime Militar 1 Contexto do Regime Militar Contexto interno: Colapso do Populismo (polêmica das Ref. de Base) Contexto externo: Guerra Fria e os interesses dos EUA (risco de cubanização do Brasil

Leia mais

PERÍODO MILITAR (1964/1985) PROF. SORMANY ALVES

PERÍODO MILITAR (1964/1985) PROF. SORMANY ALVES PERÍODO MILITAR (1964/1985) PROF. SORMANY ALVES INTRODUÇÃO Período governado por GENERAIS do exército brasileiro. Adoção do modelo desenvolvimento dependente, principalmente dos EUA, que subordinava a

Leia mais

A juventude em luta no país inteiro!

A juventude em luta no país inteiro! A USP é uma universidade pública, gratuita e de qualidade? A resposta para esta questão está em disputa na Universidade de São Paulo. De um lado, sucessivas reitorias fecham as portas da universidade à

Leia mais

HISTÓRIA DO LEGISLATIVO

HISTÓRIA DO LEGISLATIVO HISTÓRIA DO LEGISLATIVO Maurício Barbosa Paranaguá Seção de Projetos Especiais Goiânia - 2015 Origem do Poder Legislativo Assinatura da Magna Carta inglesa em 1215 Considerada a primeira Constituição dos

Leia mais

PROVA BIMESTRAL História

PROVA BIMESTRAL História 9 o ano 4 o bimestre PROVA BIMESTRAL História Escola: Nome: Turma: n o : Leia o texto e responda às questões 1 e 2. O primeiro de maio estava sendo comemorado na vila de esportes do Sindicato dos Têxteis.

Leia mais

Prof. Thiago Oliveira

Prof. Thiago Oliveira Prof. Thiago Oliveira Depois da 2ª Guerra Mundial o Brasil passou por um período de grandes transformações no campo da política, economia e sociedade, superando o Estado Novo de Getúlio e experimentando

Leia mais

Revolução de 1930. Fatores: Crise de 1929. Movimento Tenentista. Resultado das eleições.

Revolução de 1930. Fatores: Crise de 1929. Movimento Tenentista. Resultado das eleições. Revolução de 1930 Revolução de 1930 Fatores: Crise de 1929. Movimento Tenentista. Resultado das eleições. Revolução de 1930 Responsável pelo fim da chamada Política café com leite Política café com leite

Leia mais

BREVE HISTÓRICO DO SINDICATO UNIFICADO DOS TRABALHADORES SAPATEIROS E COUREIROS DE SÃO PAULO

BREVE HISTÓRICO DO SINDICATO UNIFICADO DOS TRABALHADORES SAPATEIROS E COUREIROS DE SÃO PAULO BREVE HISTÓRICO DO SINDICATO UNIFICADO DOS TRABALHADORES SAPATEIROS E COUREIROS DE SÃO PAULO A organização sindical dos trabalhadores na indústria coureiro-calçadista de São Paulo, remonta ao início da

Leia mais

EXERCÍCIOS DE REVISÃO DE HISTÓRIA A ERA VARGAS-1930-1945

EXERCÍCIOS DE REVISÃO DE HISTÓRIA A ERA VARGAS-1930-1945 EXERCÍCIOS DE REVISÃO DE HISTÓRIA A ERA VARGAS-1930-1945 01) Sobre o Estado Novo (1937-1945), é incorreto afirmar que: a) Foi caracterizado por um forte intervencionismo estatal. b) Criou órgãos de censura

Leia mais

REFORMA SINDICAL: PORTA PRINCIPAL PARA A TÃO FALADA REFORMA TRABALHISTA.

REFORMA SINDICAL: PORTA PRINCIPAL PARA A TÃO FALADA REFORMA TRABALHISTA. REFORMA SINDICAL: PORTA PRINCIPAL PARA A TÃO FALADA REFORMA TRABALHISTA. INTRODUÇÃO Recentemente o Governo Federal, por seu Ministro do Trabalho e Emprego, Ricardo Berzoini, um mineiro de Juiz de Fora

Leia mais

criação da União Nacional dos Estudantes (UNE) em 1937

criação da União Nacional dos Estudantes (UNE) em 1937 História da ENESSO No Brasil, desde o período colonial podemos observar a participação dos estudantes na política do país, mesmo não possuindo um caráter organizado que só aconteceria no século XX. A primeira

Leia mais

ATIVIDADES ON LINE 9º ANO DITADURA MILITAR

ATIVIDADES ON LINE 9º ANO DITADURA MILITAR ATIVIDADES ON LINE 9º ANO DITADURA MILITAR 1-"O movimento de 31 de março de 1964 tinha sido lançado aparentemente para livrar o país da corrupção e do comunismo e para restaurar a democracia, mas o novo

Leia mais

O SINDICALISMO RURAL NO BRASIL

O SINDICALISMO RURAL NO BRASIL O SINDICALISMO RURAL NO BRASIL (...) Colocamos-nos, nesse momento, diante do desafio de trazer ao debate questões que se inserem nas reflexões em torno do enraizamento histórico do sindicalismo rural no

Leia mais

CONSTRUINDO A DEMOCRACIA SOCIAL PARTICIPATIVA

CONSTRUINDO A DEMOCRACIA SOCIAL PARTICIPATIVA CONSTRUINDO A DEMOCRACIA SOCIAL PARTICIPATIVA Clodoaldo Meneguello Cardoso Nesta "I Conferência dos lideres de Grêmio das Escolas Públicas Estaduais da Região Bauru" vamos conversar muito sobre política.

Leia mais

História Fascículo 03 Cinília Tadeu Gisondi Omaki Maria Odette Simão Brancatelli

História Fascículo 03 Cinília Tadeu Gisondi Omaki Maria Odette Simão Brancatelli História Fascículo 03 Cinília Tadeu Gisondi Omaki Maria Odette Simão Brancatelli Índice História do Brasil Política trabalhista na República Velha e na Era Vargas... 1 Exercícios...2 Gabarito...5 História

Leia mais

Período Democrático e o Golpe de 64

Período Democrático e o Golpe de 64 Período Democrático e o Golpe de 64 GUERRA FRIA (1945 1990) Estados Unidos X União Soviética Capitalismo X Socialismo Governo de Eurico Gaspar Dutra (1946 1950) Período do início da Guerra Fria Rompimento

Leia mais

Discurso do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na cerimônia em comemoração ao Dia Internacional da Mulher

Discurso do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na cerimônia em comemoração ao Dia Internacional da Mulher , Luiz Inácio Lula da Silva, na cerimônia em comemoração ao Dia Internacional da Mulher Palácio do Planalto, 12 de março de 2003 Minha cara ministra Emília Fernandes, Minha cara companheira Benedita da

Leia mais

Módulo 13 - Brasil. Prof. Alan Carlos Ghedini www.inventandohistoria.com

Módulo 13 - Brasil. Prof. Alan Carlos Ghedini www.inventandohistoria.com Módulo 13 - Brasil Prof. Alan Carlos Ghedini www.inventandohistoria.com Marechal Castello Branco (1964 1967) Chegou a presidência via eleição INDIRETA No seu governo foram criados 4 atos institucionais

Leia mais

Profª: Sabrine Viviane Welzel

Profª: Sabrine Viviane Welzel História 9 ano Ditadura Militar 1 Leia com a tençao, o depoimento do general bandeira a respeito da participaçao dos militares na politica brasileira: no movimento de 1964, a ideologia politica foi puramente

Leia mais

CENTRO POPULAR DE CULTURA DO PARANÁ (1959-1964): ENCONTROS E DESENCONTROS ENTRE ARTE, EDUCAÇÃO E POLÍTICA. Resumo

CENTRO POPULAR DE CULTURA DO PARANÁ (1959-1964): ENCONTROS E DESENCONTROS ENTRE ARTE, EDUCAÇÃO E POLÍTICA. Resumo CENTRO POPULAR DE CULTURA DO PARANÁ (1959-1964): ENCONTROS E DESENCONTROS ENTRE ARTE, EDUCAÇÃO E POLÍTICA Ana Carolina Caldas Mestra em História de Educação UFPR Resumo Este artigo é parte da dissertação

Leia mais

Questões sobre a Ditadura Militar no Brasil (respostas no final da página) 1. Como teve início a Ditadura Militar no Brasil que durou de 1964 a 1985?

Questões sobre a Ditadura Militar no Brasil (respostas no final da página) 1. Como teve início a Ditadura Militar no Brasil que durou de 1964 a 1985? Questões sobre a Ditadura Militar no Brasil (respostas no final da página) 1. Como teve início a Ditadura Militar no Brasil que durou de 1964 a 1985? A - Através de eleições democráticas que levaram ao

Leia mais

Como citar este artigo Número completo Mais artigos Home da revista no Redalyc

Como citar este artigo Número completo Mais artigos Home da revista no Redalyc Diálogos - Revista do Departamento de História e do Programa de Pós-Graduação em História ISSN: 1415-9945 rev-dialogos@uem.br Universidade Estadual de Maringá Brasil Castanho, Sandra Maria POLÍTICA E LUTAS

Leia mais

CARTILHA TRABALHADOR DIREITO DE GREVE. Como romper o cerco? uma realização da:

CARTILHA TRABALHADOR DIREITO DE GREVE. Como romper o cerco? uma realização da: CARTILHA DO TRABALHADOR DIREITO DE GREVE Como romper o cerco? uma realização da: O que é DIREITO DE GREVE? 05 O que diz a Constituição Brasileira sobre o DIREITO DE GREVE? Como surgiu o DIREITO DE GREVE?

Leia mais

CADERNO DE EXERCÍCIOS 2F

CADERNO DE EXERCÍCIOS 2F CADERNO DE EXERCÍCIOS 2F Ensino Fundamental Ciências Humanas Questão Conteúdo Habilidade da Matriz da EJA/FB 1 Movimento operário e sindicalismo no Brasil H43 2 Urbanização nas regiões brasileiras H8,

Leia mais

país. Ele quer educação, saúde e lazer. Surge então o sindicato cidadão que pensa o trabalhador como um ser integrado à sociedade.

país. Ele quer educação, saúde e lazer. Surge então o sindicato cidadão que pensa o trabalhador como um ser integrado à sociedade. Olá, sou Rita Berlofa dirigente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Brasil, filiado à Contraf e à CUT. Quero saudar a todos os trabalhadores presentes e também àqueles que, por algum motivo, não puderam

Leia mais

Regimento Interno da Articulação de Esquerda

Regimento Interno da Articulação de Esquerda Regimento Interno da Articulação de Esquerda A Articulação de Esquerda (AE) é uma tendência interna do Partido dos Trabalhadores. Existe para a defesa de um PT de luta, de massa, democrático, socialista

Leia mais

João Goulart organizou a reforma agrária, direito ao voto, intervenção estatal e economia de regulamentação de remessas de lucro ao exterior.

João Goulart organizou a reforma agrária, direito ao voto, intervenção estatal e economia de regulamentação de remessas de lucro ao exterior. Resenha Crítica CARA MILINE Soares é arquiteta e doutora em Design pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo na Universidade de São Paulo (FAU-USP). É autora do ensaio já publicado: Móveis Brasileiros

Leia mais

ANÁLISE DAS CATEGORIAS SUBVERSÃO E RESISTÊNCIA A PARTIR DA RELAÇÃO IGREJA- ESTADO DURANTE A DITADURA MILITAR NO BRASIL Camila da Silva Portela *

ANÁLISE DAS CATEGORIAS SUBVERSÃO E RESISTÊNCIA A PARTIR DA RELAÇÃO IGREJA- ESTADO DURANTE A DITADURA MILITAR NO BRASIL Camila da Silva Portela * ANÁLISE DAS CATEGORIAS SUBVERSÃO E RESISTÊNCIA A PARTIR DA RELAÇÃO IGREJA- ESTADO DURANTE A DITADURA MILITAR NO BRASIL Camila da Silva Portela * Este artigo traz indagações referentes a uma pesquisa mais

Leia mais

PROGRAMA DA CHAPA PARTIDO E GOVERNO COM O POVO PARA O PT CONTINUAR LIDERARANDO UM NOVO CICLO DE TRANSFORMAÇÕES NO BRASIL E EM GUARULHOS

PROGRAMA DA CHAPA PARTIDO E GOVERNO COM O POVO PARA O PT CONTINUAR LIDERARANDO UM NOVO CICLO DE TRANSFORMAÇÕES NO BRASIL E EM GUARULHOS PROGRAMA DA CHAPA PARTIDO E GOVERNO COM O POVO PARA O PT CONTINUAR LIDERARANDO UM NOVO CICLO DE TRANSFORMAÇÕES NO BRASIL E EM GUARULHOS "As manifestações são parte indissociável do nosso processo de ascensão

Leia mais

EXPOSIÇÃO NO ENCONTRO INTERNACIONAL DO 39º CONGRESSO DA FEDERAÇÃO NACIONAL DAS INDÚSTRIAS QUÍMICAS DA FRANÇA CGT ÊLE DE RÉ, FRANÇA, 29.04.

EXPOSIÇÃO NO ENCONTRO INTERNACIONAL DO 39º CONGRESSO DA FEDERAÇÃO NACIONAL DAS INDÚSTRIAS QUÍMICAS DA FRANÇA CGT ÊLE DE RÉ, FRANÇA, 29.04. EXPOSIÇÃO NO ENCONTRO INTERNACIONAL DO 39º CONGRESSO DA FEDERAÇÃO NACIONAL DAS INDÚSTRIAS QUÍMICAS DA FRANÇA CGT ÊLE DE RÉ, FRANÇA, 29.04.2014 Boa tarde companheiras e companheiros, Primeiramente a Central

Leia mais

Mapa Mental Sobre a Metodologia no Curso da ENFOC REAPROPRIAÇÃO TEMÁTICA E METODOLÓGICA DO PRIMEIRO MÓDULO

Mapa Mental Sobre a Metodologia no Curso da ENFOC REAPROPRIAÇÃO TEMÁTICA E METODOLÓGICA DO PRIMEIRO MÓDULO Mapa Mental Mapa Mental Sobre a Metodologia no Curso da ENFOC REAPROPRIAÇÃO TEMÁTICA E METODOLÓGICA DO PRIMEIRO MÓDULO Dois Focos Temáticos Sistema Capitalista História Contradições Desafios para a classe

Leia mais

Escola de Formação Política Miguel Arraes. Módulo I História da Formação Política Brasileira. Aula 2 A História do Brasil numa dimensão ética

Escola de Formação Política Miguel Arraes. Módulo I História da Formação Política Brasileira. Aula 2 A História do Brasil numa dimensão ética LINHA DO TEMPO Módulo I História da Formação Política Brasileira Aula 2 A História do Brasil numa dimensão ética SEC XV SEC XVIII 1492 A chegada dos espanhóis na América Brasil Colônia (1500-1822) 1500

Leia mais

BRASIL REPÚBLICA (1889 ) DITADURA MILITAR (1964-1979)

BRASIL REPÚBLICA (1889 ) DITADURA MILITAR (1964-1979) Divisões entre os militares: SORBONNE: oriundos da ESG (Escola Superior de Guerra, intelectuais, veteranos da 2ª Guerra, próximos da UDN, alinhados com os EUA, anticomunistas, executivo forte e soluções

Leia mais

Aprofundar mudanças rumo a um modelo de desenvolvimento sustentável

Aprofundar mudanças rumo a um modelo de desenvolvimento sustentável Este artigo é cópia fiel do publicado na revista Nu e va So c i e d a d especial em português, junho de 2012, ISSN: 0251-3552, . Aprofundar mudanças rumo a um modelo de desenvolvimento sustentável

Leia mais

Construção das Políticas Públicas processos, atores e papéis

Construção das Políticas Públicas processos, atores e papéis Construção das Políticas Públicas processos, atores e papéis Agnaldo dos Santos Pesquisador do Observatório dos Direitos do Cidadão/Equipe de Participação Cidadã Apresentação O Observatório dos Direitos

Leia mais

TEMA 3 UMA EXPERIÊNCIA

TEMA 3 UMA EXPERIÊNCIA TEMA 3 UMA EXPERIÊNCIA DOLOROSA: O NAZISMO ALEMÃO A ascensão dos nazistas ao poder na Alemanha colocou em ação a política de expansão territorial do país e o preparou para a Segunda Guerra Mundial. O saldo

Leia mais

Curso de Formação de Conselheiros em Direitos Humanos Abril Julho/2006

Curso de Formação de Conselheiros em Direitos Humanos Abril Julho/2006 Curso de Formação de Conselheiros em Direitos Humanos Abril Julho/2006 Realização: Ágere Cooperação em Advocacy Apoio: Secretaria Especial dos Direitos Humanos/PR Módulo II: Conselhos dos Direitos no Brasil

Leia mais

Cuida das relações coletivas de trabalho, onde os interesses cuidados são os de um grupo social. São instituições do direito coletivo do trabalho:

Cuida das relações coletivas de trabalho, onde os interesses cuidados são os de um grupo social. São instituições do direito coletivo do trabalho: Legislação Social Profª Mestre Ideli Raimundo Di Tizio p 38 DIREITO COLETIVO DO TRABALHO Cuida das relações coletivas de trabalho, onde os interesses cuidados são os de um grupo social. São instituições

Leia mais

OS MOVIMENTOS POPULARES PARA A REABERTURA POLÍTICA NO INTERIOR DO PARANÁ

OS MOVIMENTOS POPULARES PARA A REABERTURA POLÍTICA NO INTERIOR DO PARANÁ OS MOVIMENTOS POPULARES PARA A REABERTURA POLÍTICA NO INTERIOR DO PARANÁ Felipe Melo de Carvalho PIBID/História/UEL Resumo: O presente projeto foi elaborado para o Programa Institucional de Bolsa da Iniciação

Leia mais

Proposta de Recomendações. GT dos Trabalhadores da CNV

Proposta de Recomendações. GT dos Trabalhadores da CNV Proposta de Recomendações GT dos Trabalhadores da CNV DOS CRIMES CONTRA A HUMANIDADE 1. Reconhecer e acatar as normas do direito internacional sobre crimes contra a humanidade. Ratificação da Convenção

Leia mais

Resistência à Ditadura Militar. Política, Cultura e Movimentos Sociais

Resistência à Ditadura Militar. Política, Cultura e Movimentos Sociais Resistência à Ditadura Militar Política, Cultura e Movimentos Sociais Visão Panorâmica Introdução à ditadura Antecedentes do Golpe A Ditadura A Resistência A Reabertura Duração: 1964 à 1985 Introdução

Leia mais

1 - Organização de base: democratizar os sindicatos e estimular a autodeterminação dos trabalhadores

1 - Organização de base: democratizar os sindicatos e estimular a autodeterminação dos trabalhadores 1 Introdução A forma organizativa (estrutura e funcionamento) dos sindicatos ou de qualquer organização corresponde ao projeto político que buscam realizar. No Brasil, a estrutura sindical vigente é profundamente

Leia mais

ELEIÇÕES 2008 A RELAÇÃO ENTRE VEREADORES, ADMINISTRAÇÕES PETISTAS E O MOVIMENTO SINDICAL SUGESTÕES

ELEIÇÕES 2008 A RELAÇÃO ENTRE VEREADORES, ADMINISTRAÇÕES PETISTAS E O MOVIMENTO SINDICAL SUGESTÕES ELEIÇÕES 2008 A RELAÇÃO ENTRE VEREADORES, ADMINISTRAÇÕES PETISTAS E O MOVIMENTO SINDICAL 1) INTRODUÇÃO SUGESTÕES Ao longo dos seus vinte e oito anos e com a experiência de centenas de administrações que

Leia mais

* Alunos graduandos do Curso de Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Fianciamento: FAPERJ e CNPQ

* Alunos graduandos do Curso de Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Fianciamento: FAPERJ e CNPQ Mobilizações na cidade do aço: memórias da greve na CSN 1988 Paulo Alves, Márcia Barroso, Luanda Lima e Luna Ribeiro* Resumo: O artigo analisa a construção de memórias sobre os movimentos sociais da década

Leia mais

MÓDULO 19- O BRASIL DA DITADURA MILITAR( 1964-1985)

MÓDULO 19- O BRASIL DA DITADURA MILITAR( 1964-1985) OS PRESIDENTES MILITARES: MÉDICI GEISEL COSTA E SILVA FIGUEIREDO CASTELLO BRANCO 1 - O governo CASTELLO BRANCO (Sorbonne 1964 1967): PAEG (Plano de Ação Econômica do Governo): Fim da Estabilidade no emprego.

Leia mais

ESTADO, SOCIEDADE E MOVIMENTOS SOCIAIS: REFLEXÕES CRÍTICAS À LUZ DA QUESTÃO SOCIOAMBIENTAL

ESTADO, SOCIEDADE E MOVIMENTOS SOCIAIS: REFLEXÕES CRÍTICAS À LUZ DA QUESTÃO SOCIOAMBIENTAL DELOS Revista Desarrollo Local Sostenible DELOS Desarrollo Local Sostenible Revista Desarrollo Local Sostenible Grupo Eumed.net y Red Académica Iberoamericana Local Global Vol 5. Nº 14 Junio 2012 www.eumed.net/rev/delos/14

Leia mais

S I N O P S E S I N D I C A L S E T E M B R O D E 2 0 0 6

S I N O P S E S I N D I C A L S E T E M B R O D E 2 0 0 6 S I N O P S E S I N D I C A L S E T E M B R O D E 2 0 0 6 ALIMENTAÇÃO. Com data-base em 1º de setembro, o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Alimentação (Setor de Derivados de Milho e Soja), representando

Leia mais

Resenha. De forma sintética e competente, faz uma reconstituição histórica desde os processos de colonização que marcaram as sociedades latino-

Resenha. De forma sintética e competente, faz uma reconstituição histórica desde os processos de colonização que marcaram as sociedades latino- Revista Latino-americana de Estudos do Trabalho, Ano 17, nº 28, 2012, 229-233 Resenha O Continente do Labor, de Ricardo Antunes (São Paulo, Boitempo, 2011) Graça Druck A iniciativa de Ricardo Antunes de

Leia mais

Aparticipação do movimento sindical brasileiro no processo de transição

Aparticipação do movimento sindical brasileiro no processo de transição Transição política e reconstrução sindical no Brasil Adhemar Lopes de Almeida * Aparticipação do movimento sindical brasileiro no processo de transição política e reorganização sindical pode ser divida

Leia mais

Os direitos dos trabalhadores no Brasil não caíram do céu, não

Os direitos dos trabalhadores no Brasil não caíram do céu, não Por que esta cartilha? Os direitos dos trabalhadores no Brasil não caíram do céu, não foram concessões patronais ou de governos, como os patrões tentam nos fazer parecer. A história da classe trabalhadora

Leia mais

A DITADURA BRASILEIRA DE 1964

A DITADURA BRASILEIRA DE 1964 A DITADURA BRASILEIRA DE 1964 Dalmo A. Dallari * 1. A DITADURA E SUAS VARIANTES A história da humanidade tem sido uma confirmação reiterada do acerto da advertência do eminente político e historiador inglês

Leia mais

No entanto, a efetividade desses dispositivos constitucionais está longe de alcançar sua plenitude.

No entanto, a efetividade desses dispositivos constitucionais está longe de alcançar sua plenitude. A MULHER NA ATIVIDADE AGRÍCOLA A Constituição Federal brasileira estabelece no caput do art. 5º, I, que homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações e reconhece no dispositivo 7º a igualdade de

Leia mais

INTEIRATIVIDADE FINAL CONTEÚDO E HABILIDADES DINÂMICA LOCAL INTERATIVA. AULA 11.2 Conteúdo: Brasil na Era Militar

INTEIRATIVIDADE FINAL CONTEÚDO E HABILIDADES DINÂMICA LOCAL INTERATIVA. AULA 11.2 Conteúdo: Brasil na Era Militar 11.2 Conteúdo: Brasil na Era Militar Habilidades: Compreender os principais acontecimentos no Brasil durante o regime civil-militar Regime Civil-Militar no Brasil Período: 1964 a 1985. Governos Militares

Leia mais

Paulo Sérgio de Jesus *

Paulo Sérgio de Jesus * A Cidade de Osasco: JOC (Juventude Operária Católica), ACO (Ação Católica Operária), JUC (Juventude Universitária Católica) no movimento operário (1960-1970) Paulo Sérgio de Jesus * Este texto é produto

Leia mais

Modelos de Gestão no setor público e intervenção política

Modelos de Gestão no setor público e intervenção política Modelos de Gestão no setor público e intervenção política Agnaldo dos Santos Observatório dos Direitos do Cidadão Participação Cidadã (Instituto Pólis) Apresentação O Observatório dos Direitos do Cidadão,

Leia mais

Democracia em movimento! Tese do coletivo Universidade em Movimento para o XI Congresso das/dos Estudantes da USP

Democracia em movimento! Tese do coletivo Universidade em Movimento para o XI Congresso das/dos Estudantes da USP Democracia em movimento! Tese do coletivo Universidade em Movimento para o XI Congresso das/dos Estudantes da USP Concepção de Universidade e Fundação da USP Cada vez mais torna-se necessário discutir

Leia mais

GRUPO FIAT CNM/CUT - CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS METALÚRGICOS DA CUT

GRUPO FIAT CNM/CUT - CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS METALÚRGICOS DA CUT CNM/CUT - CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS METALÚRGICOS DA CUT DIEESE - DEPARTAMENTO INTERSINDICAL DE ESTATÍSTICA E ESTUDOS SÓCIO-ECONÔMICOS SUBSEÇÃO CNM/CUT GRUPO FIAT Mundo A FIAT iniciou suas atividades em

Leia mais

A CONSTRUÇÃO DO MODELO SOVIÉTICO E O SEU IMPACTO NO MUNDO

A CONSTRUÇÃO DO MODELO SOVIÉTICO E O SEU IMPACTO NO MUNDO A CONSTRUÇÃO DO MODELO SOVIÉTICO E O SEU IMPACTO NO MUNDO Império russo (início do século a 1917) Território * Governo Maior império da Europa, estendendo-se da Ásia ao pacífico * Monarquia absoluta e

Leia mais

Tese CONSTRUÇÃO. Construir um movimento unificado contra a repressão e a privatização da Universidade

Tese CONSTRUÇÃO. Construir um movimento unificado contra a repressão e a privatização da Universidade Tese CONSTRUÇÃO Construir um movimento unificado contra a repressão e a privatização da Universidade O XI Congresso da USP é um espaço importante para os estudantes trocarem experiências, discutir a universidade

Leia mais

Gabarito oficial preliminar: História

Gabarito oficial preliminar: História 1) Questão 1 Segundo José Bonifácio, o fim do tráfico de escravos significaria uma ameaça à existência do governo porque Geraria uma crise econômica decorrente da diminuição da mão de obra disponível,

Leia mais

POLÍCIA E POLÍTICA: RELAÇÕES ESTADOS UNIDOS/AMÉRICA LATINA Police and Politics: the United States/Latin America relations

POLÍCIA E POLÍTICA: RELAÇÕES ESTADOS UNIDOS/AMÉRICA LATINA Police and Politics: the United States/Latin America relations POLÍCIA E POLÍTICA: RELAÇÕES ESTADOS UNIDOS/AMÉRICA LATINA Police and Politics: the United States/Latin America relations Andréa Roloff Lopes * HUGGINS, Martha K. Polícia e Política: relações Estados Unidos/América

Leia mais

Papa Bento XVI visita o Brasil

Papa Bento XVI visita o Brasil Papa Bento XVI visita o Brasil Análise Segurança Fernando Maia 23 de maio de 2007 Papa Bento XVI visita o Brasil Análise Segurança Fernando Maia 23 de maio de 2007 No período de 09 a 13 de maio, o Papa

Leia mais

XVI. A Revolução de 1930

XVI. A Revolução de 1930 XVI. A Revolução de 1930 Queda da Bolsa de Valores de Nova York. A Crise do capitalismo e o Café. Desestruturação do poder tradicional. Consciência trabalhista. Problema de salário é caso de polícia. (Presidente

Leia mais

1 a Questão: (2,0 pontos) APRESENTAÇÃO

1 a Questão: (2,0 pontos) APRESENTAÇÃO APRESENTAÇÃO Para dar uma definição compreensível de revolução, diremos que ela é uma tentativa de substituir o poder estabelecido por outro poder, usando meios ilegais. Esses meios, geralmente, implicam

Leia mais

Sindicato Nacional do Ensino Superior - Associação Sindical de Docentes e Investigadores

Sindicato Nacional do Ensino Superior - Associação Sindical de Docentes e Investigadores PROGRAMA DA DIREÇÃO DO SNESup Lista A Mandato 2012-2014 Vivemos uma crise, um período em que as respostas às dificuldades sentidas já não são conseguidas no quadro em que nos situamos. Apesar dos naturais

Leia mais

Seminário Análise e Proposta do Modelo de Negociações Trabalhistas no Brasil ABINEE E ABIMAQ. São Paulo 15/07/2013

Seminário Análise e Proposta do Modelo de Negociações Trabalhistas no Brasil ABINEE E ABIMAQ. São Paulo 15/07/2013 Análise das relações trabalhistas no Brasil e em diferentes países Seminário Análise e Proposta do Modelo de Negociações Trabalhistas no Brasil ABINEE E ABIMAQ São Paulo 15/07/2013 1. Introdução 2. Estados

Leia mais

BANCÁRIOS. Uma História marcada por lutas e conquistas

BANCÁRIOS. Uma História marcada por lutas e conquistas BANCÁRIOS Uma História marcada por lutas e conquistas 1 932 18/04/1932 1ª Greve dos Bancários Iniciada em Santos, formada por funcionários do Banco Banespa que reivindicavam melhorias salariais e das condições

Leia mais

A LUTA EM DEFESA DA EDUCAÇÃO PÚBLICA PROTAGONIZADA PELOS PROFESSORES DA EDUCAÇÃO BÁSICA NO MARANHÃO NA DÉCADA DE 80 E 90: PRIMEIRAS APROXIMAÇÕES

A LUTA EM DEFESA DA EDUCAÇÃO PÚBLICA PROTAGONIZADA PELOS PROFESSORES DA EDUCAÇÃO BÁSICA NO MARANHÃO NA DÉCADA DE 80 E 90: PRIMEIRAS APROXIMAÇÕES A LUTA EM DEFESA DA EDUCAÇÃO PÚBLICA PROTAGONIZADA PELOS PROFESSORES DA EDUCAÇÃO BÁSICA NO MARANHÃO NA DÉCADA DE 80 E 90: PRIMEIRAS APROXIMAÇÕES Malila da Graça Roxo Abreu 1 1. Para início da discussão

Leia mais

POR QUE LIVRO 1 CRUZAMOS OS BRAÇOS. Coleção

POR QUE LIVRO 1 CRUZAMOS OS BRAÇOS. Coleção Coleção POR QUE CRUZAMOS OS BRAÇOS LIVRO 1 GREVES NO BRASIL (de 1968 aos dias atuais) DEPOIMENTOS DE LIDERANÇAS ÊNIO SEABRA JOSÉ IBRAHIN JOÃO PAULO PIRES VASCONCELOS JOSÉ FRANCISCO DA SILVA LUIZ INÁCIO

Leia mais

RESOLUÇÕES DO V ENCONTRO NACIONAL DO RAMO DA CONSTRUÇÃO E DO MOBILIÁRIO DA CTB

RESOLUÇÕES DO V ENCONTRO NACIONAL DO RAMO DA CONSTRUÇÃO E DO MOBILIÁRIO DA CTB RESOLUÇÕES DO V ENCONTRO NACIONAL DO RAMO DA CONSTRUÇÃO E DO MOBILIÁRIO DA CTB O Encontro Nacional do Ramo da Construção e do Mobiliário da CTB, este ano em sua 5ª edição, realizado nos dias 28 e 29 de

Leia mais

COMISSÃO DE CULTURA PROJETO DE LEI Nº 3388, DE 2012

COMISSÃO DE CULTURA PROJETO DE LEI Nº 3388, DE 2012 COMISSÃO DE CULTURA PROJETO DE LEI Nº 3388, DE 2012 Dá o nome de Ponte Herbert de Souza Betinho, à atual Ponte Presidente Costa e Silva, localizada do km 321 ao 334, na BR 101/RJ. Autor: Deputado Chico

Leia mais

TESE DAS/DOS ESTUDANTES DO FÓRUM ABERTO PELA DEMORATIZAÇÃO DA USP AO XI CONGRESSO DE ESTUDANTES DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

TESE DAS/DOS ESTUDANTES DO FÓRUM ABERTO PELA DEMORATIZAÇÃO DA USP AO XI CONGRESSO DE ESTUDANTES DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO TESE DAS/DOS ESTUDANTES DO FÓRUM ABERTO PELA DEMORATIZAÇÃO DA USP AO XI CONGRESSO DE ESTUDANTES DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO DIREITO À VERDADE, MEMÓRIA E JUSTIÇA POR UMA COMISSÃO DA VERDADE DA USP A ditadura

Leia mais

Brasil: o novo sindicalismo no setor público.

Brasil: o novo sindicalismo no setor público. Brasil: o novo sindicalismo no setor público. Maurício Sardá de Faria( ) No Brasil, o reconhecimento do direito à greve e à organização sindical dos servidores públicos foi efetivado somente com a Constituição

Leia mais

Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação

Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação Coordenação de Biblioteca ASSINATURA DO SEGURO-DESEMPREGO E

Leia mais

TEXTO 1. 1.Texto de problematização:

TEXTO 1. 1.Texto de problematização: TEXTO 1 1.Texto de problematização: A partir de 1922, o quadro começa a se modificar. Apesar dos presidentes Arthur Bernardes e Washington Luís pertencerem ainda ao esquema do café com leite, a nova situação

Leia mais

CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS Próximo HISTÓRIA O BRASIL, O MUNDO E A PAZ NUCLEAR. Caderno 10» Capítulo 4. www.sejaetico.com.

CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS Próximo HISTÓRIA O BRASIL, O MUNDO E A PAZ NUCLEAR. Caderno 10» Capítulo 4. www.sejaetico.com. CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS HISTÓRIA O BRASIL, O MUNDO E A PAZ NUCLEAR Caderno 10» Capítulo 4 www.sejaetico.com.br CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS A experiência democrática no Brasil (1945-1964)

Leia mais

DE VARGAS A LULA: CAMINHOS E DESCAMINHOS DA LEGISLAÇÃO TRABALHISTA NO BRASIL

DE VARGAS A LULA: CAMINHOS E DESCAMINHOS DA LEGISLAÇÃO TRABALHISTA NO BRASIL DE VARGAS A LULA: CAMINHOS E DESCAMINHOS DA LEGISLAÇÃO TRABALHISTA NO BRASIL Ricardo Antunes 1 Resumo: A maior obra da engenharia política do presidente Getulio Vargas foi trazer as classes trabalhadoras

Leia mais

Liberdade+Autonomia. se constrói com Igualdade. snmt@cut.org.br http//:paridadeja.cut.org.br PARIDADE JÁ!

Liberdade+Autonomia. se constrói com Igualdade. snmt@cut.org.br http//:paridadeja.cut.org.br PARIDADE JÁ! Liberdade+Autonomia se constrói com Igualdade snmt@cut.org.br http//:paridadeja.cut.org.br PARIDADE JÁ! A história da CUT, desde a sua fundação, em 1983, é marcada pelo compromisso com a construção da

Leia mais

A América Central continental Guatemala, Costa Rica, Honduras, Nicarágua e El Salvador já foram parte do

A América Central continental Guatemala, Costa Rica, Honduras, Nicarágua e El Salvador já foram parte do p. 110 A América Central continental Guatemala, Costa Rica, Honduras, Nicarágua e El Salvador já foram parte do México até sua independência a partir de 1823; Em 1839 tornam-se independentes fracasso da

Leia mais

AULA 22.1 Conteúdos: Governo Geisel e a economia Governo Geisel e a política Governo João Figueiredo: anistia e novos partidos (diretas já)

AULA 22.1 Conteúdos: Governo Geisel e a economia Governo Geisel e a política Governo João Figueiredo: anistia e novos partidos (diretas já) CONTEÚDO E HABILIDADES FORTALECENDO SABERES DESAFIO DO DIA AULA 22.1 Conteúdos: Governo Geisel e a economia Governo Geisel e a política Governo João Figueiredo: anistia e novos partidos (diretas já) 2

Leia mais

Arquitetura da participação no Brasil: avanços e desafios da democracia participativa. Renovando Utopias

Arquitetura da participação no Brasil: avanços e desafios da democracia participativa. Renovando Utopias Arquitetura da participação no Brasil: avanços e desafios da democracia participativa. Renovando Utopias IPEA: Governança Democrática no Brasil Contemporâneo: Estado e Sociedade na Construção de Políticas

Leia mais

Golpe Militar: A Psicologia e o Movimento Estudantil do Rio Grande do Sul

Golpe Militar: A Psicologia e o Movimento Estudantil do Rio Grande do Sul 1919 X Salão de Iniciação Científica PUCRS Golpe Militar: A Psicologia e o Movimento Estudantil do Rio Grande do Sul Pâmela de Freitas Machado 1, Helena B.K.Scarparo 1 (orientadora) 1 Faculdade Psicologia,

Leia mais

Para Além dos Muros! No Brasil e no mundo, o novo pede passagem!

Para Além dos Muros! No Brasil e no mundo, o novo pede passagem! No Brasil e no mundo, o novo pede passagem! Para Além dos Muros! Apesar daqueles que queriam decretar o fim da história e a morte das grandes mobilizações, o mundo todo está repleto de históricas lutas

Leia mais

SÉCULO XIX NOVOS ARES NOVAS IDEIAS Aula: 43 e 44 Pág. 8 PROFª: CLEIDIVAINE 8º ANO

SÉCULO XIX NOVOS ARES NOVAS IDEIAS Aula: 43 e 44 Pág. 8 PROFª: CLEIDIVAINE 8º ANO SÉCULO XIX NOVOS ARES NOVAS IDEIAS Aula: 43 e 44 Pág. 8 PROFª: CLEIDIVAINE 8º ANO 1 - INTRODUÇÃO Séc. XIX consolidação da burguesia: ascensão do proletariado urbano (classe operária) avanço do liberalismo.

Leia mais

CAMPANHA SALARIAL 2013 PAUTA DE

CAMPANHA SALARIAL 2013 PAUTA DE CAMPANHA SALARIAL 2013 PAUTA DE REIVINDICAÇÕES ruas. Este tem sido um ano de intensas lutas, seja nas fábricas, seja nas São muitas as greves e mobilizações por melhores condições de trabalho, plano de

Leia mais

Aula 10.1. Avaliação da Unidade II Pontuação: 7,5 pontos

Aula 10.1. Avaliação da Unidade II Pontuação: 7,5 pontos Aula 10.1 Avaliação da Unidade II Pontuação: 7,5 pontos 1ª QUESTÃO (1,0) Em seu discurso de despedida do Senado, em dezembro de 1994, o presidente Fernando Henrique Cardoso anunciou o fim da Era Vargas,

Leia mais

De sindicalização, tendo como foco principal a juventude trabalhadora; Pela inclusão da Filosofia e da Sociologia no currículo do ensino básico;

De sindicalização, tendo como foco principal a juventude trabalhadora; Pela inclusão da Filosofia e da Sociologia no currículo do ensino básico; PLANO DE LUTAS DA CUT/SP CALENDÁRIO DE ATOS PÚBLICOS 24/05 Ato em Brasília pela estabilidade do serviço público. Dia Nacional de lutas em defesa do funcionário público admitido em caráter temporário. Estabilidade

Leia mais

ENCONTRO Juventude e Igualdade entre Mulheres e Homens

ENCONTRO Juventude e Igualdade entre Mulheres e Homens ENCONTRO Juventude e Igualdade entre Mulheres e Homens RESOLUÇÃO LUTAR CONTRA AS DISCRIMINAÇÕES CONSTRUIR A IGUALDADE Marinha Grande 15 de Maio de 2015 RESOLUÇÃO Lutar contra as discriminações Construir

Leia mais

Terceiro Setor - fator de confluência na ação social do ano 2000

Terceiro Setor - fator de confluência na ação social do ano 2000 Terceiro Setor - fator de confluência na ação social do ano 2000 Alceu Terra Nascimento O terceiro setor no Brasil, como categoria social, é uma "invenção" recente. Ele surge para identificar um conjunto

Leia mais

História B Aula 21. Os Agitados Anos da

História B Aula 21. Os Agitados Anos da História B Aula 21 Os Agitados Anos da Década de 1930 Salazarismo Português Monarquia portuguesa foi derrubada em 1910 por grupos liberais e republicanos. 1ª Guerra - participação modesta ao lado da ING

Leia mais

OS CURSOS PRÉ-VESTIBULARES POPULARES

OS CURSOS PRÉ-VESTIBULARES POPULARES COMO CITAR ESTE TEXTO: Formato Documento Eletrônico (ISO) NASCIMENTO, Alexandre do. Os Cursos Pré-Vestibulares Populares. [Acesso em dd/mm/aaaa]. Disponível em http://www.alexandrenascimento.com. OS CURSOS

Leia mais

A América Latina na Guerra Fria A ditadura militar no Brasil

A América Latina na Guerra Fria A ditadura militar no Brasil ID/ES Tão perto e ainda tão distante A 90 milhas de Key West. Visite Cuba. Cartão postal de 1941, incentivando o turismo em Cuba. 1 Desde a Revolução de 1959, Cuba sofre sanções econômicas dos Estados

Leia mais

O GOLPE DE 64 E O REGIME MILITAR (1964-1985): O governo dos generais

O GOLPE DE 64 E O REGIME MILITAR (1964-1985): O governo dos generais 1 O GOLPE DE 64 E O REGIME MILITAR (1964-1985): O governo dos generais Lourival de Oliveira Santos 2 Santos, Lourival de Oliveira. C681g O golpe de 64 e o regime militar (1694-1985) o governo dos generais

Leia mais