XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias SNBU 2014

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1 1 XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias SNBU 2014 EXTENSÃO EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS: O CASO DO PROJETO LITERACIA NA UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ Raimundo Nonato Ribeiro dos Santos Kleber Lima dos Santos Ana Patricia Celedónio da Silva

2 2 RESUMO Apresenta o Projeto de Extensão Literacia: competência informacional nas escolas, desenvolvido no Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará, com foco na ação de extensão Proposta de Normalização de Trabalhos Escolares. O Projeto Literacia objetiva demonstrar como o desenvolvimento educacional está relacionado com a competência em informação, ratificando a biblioteca como um ambiente fundamental de geração de conhecimento e aprendizagem. Destaca a extensão universitária como um fator importante para o desenvolvimento da sociedade e como linha de ação que as bibliotecas universitárias podem se inserir para promover e estender seus serviços. Palavras-chave: Competência em informação. Extensão universitária. Biblioteca escolar. ABSTRACT Presents the Extension Literacy Project: information literacy in schools, developed at the Library System of the Universidade Federal do Ceará, with a focus on action Extension Proposal for Standardization of School Works. The Literacy Project objective to demonstrate how the educational development is linked to the information literacy, ratifying the library a key environment knowledge generation and learning. Highlights the university extension as an important factor to the development of society and as a line of action that university libraries can insert to promote and extend their service. Keywords: Information competence. University extension. School library.

3 3 1 Introdução A biblioteca é um espaço peculiar de aprendizagem, como um lócus estratégico de ações correlatas e complementares das ações desenvolvidas em sala de aula. Nesse sentido, a experiência com a leitura e com o comportamento investigativo, tão importante para o avanço educacional, podem ser ampliados no espaço de uma biblioteca escolar, desde que minimamente estruturada para tal. As bibliotecas, como agentes envolvidos nos processos de geração, gestão e disseminação da informação necessitam promover habilidades de uso da informação, ou seja, ensinar os alunos a: definir suas necessidades, acessar, selecionar, avaliar, organizar e usar informações visando gerar seu próprio conhecimento. Milanesi ([20--]) apud Belluzzo (2005, p. 33), afirma que: uma prática de ensino, para incluir a leitura e a discussão, exige transformações na escola, mudando a cena, alterando a sala de aula, mudando o papel do professor de mero transferidor de conteúdo, incrementando a biblioteca e incentivando todas as formas de acesso à informação registrada e a produção de novas informações. A educação hoje deve estar voltada para os processos de construção, gestão e disseminação do conhecimento, com ênfase no aprendizado ao longo da vida, necessitando dos indivíduos que desenvolvam a competência em informação. Pessoas competentes em informação são capazes de compreenderem suas necessidades de informação, de pesquisar corretamente, de serem aprendizes autônomos. É preciso aprender a aprender; aprender a ler criticamente; aprender a manusear informações em diversos suportes, em virtude do excesso de informações e da oferta constante das tecnologias presentes no nosso dia-a-dia. Considerando-se que a competência em informação se caracteriza pela ênfase na aprendizagem pela pesquisa orientada, verifica-se que, nesse sentido, a ação da escola (direção, professores, biblioteca) é incipiente. Embora reconheça-se a importância da questão e sua responsabilidade com relação a ela, observa-se que falta sistematizar ações coletivas e permanentes para o desenvolvimento efetivo da competência em informação. Nesse meio, a necessidade de um padrão de apresentação de trabalhos escolares corresponde à compreensão de que a iniciação científica é contínua e gradual, e dessa maneira, abrindo espaço para que se pense a pesquisa escolar de forma consciente, orientada e inequivocamente formativa. Neste sentido, se deter em certos elementos mais simples nas séries iniciais e elementos complementares e mais complexos nas séries mais avançadas

4 4 demonstra ser o mais adequado e o que condiz com a formação gradual do alunado. Desenvolvido no Projeto de Extensão Literacia, do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará, este trabalho tem como objetivo geral a proposição de uma padronização para trabalhos escolares, refletindo sobre temáticas importantes como competência em informação, pesquisa escolar e normalização de trabalhos científicos. 2 Competência em informação A sociedade atual caracteriza-se pela multiplicidade de informações, pela aceleração dos seus processos de produção e de disseminação, tornando-se necessário preparar cidadãos capazes de selecionar, avaliar, interpretar e utilizar as fontes de informação habilmente, conhecendo seus mais variados suportes e formatos. A busca pela formação de cidadãos competentes no uso da informação deve ser iniciada na escola, fase introdutória dos indivíduos ao ambiente da biblioteca escolar e às fontes de informação, sendo o período propício para a realização da instrução da competência em informação. No contexto educacional, a competência em informação é de suma importância para as funções pedagógicas, apoiando no processo de aprendizagem, e desenvolvendo as capacidades dos alunos. De acordo com Belluzo (2005), entende-se que a competência em informação deve ser compreendida como uma das áreas em que o processo de ensino e aprendizagem esteja centrado. Segundo a American Library Association (1989), os requisitos básicos para o indivíduo ser competente em informação são: saber buscar, avaliar, filtrar e usar a informação, ou seja, aquelas pessoas que aprenderam a aprender. Contudo antes de tornarem seus alunos competentes em informação, é necessário que os professores dominem tal competência. Com a competência em informação, o professor será capaz de reconhecer quando tem necessidades de informação, selecionar fontes de informação, utilizar estratégias de busca, avaliar a qualidade e relevância das informações e aplicá-las na resolução de problemas. 2.1 Competência em informação e normalização de trabalhos escolares Baseado no exposto, em 2011 foi criado no Sistema de Bibliotecas da Universidade

5 5 Federal do Ceará (UFC) o Projeto de Extensão intitulado Literacia: competência informacional nas escolas, que tem como objetivo geral promover a competência em informação em escolas de Fortaleza. Para tal, seguirá os seguintes objetivos específicos: a) discutir o conceito de pesquisa na escola, com professores e alunos; b) apresentar exemplos de fontes de pesquisa; c) orientar o acesso às informações contidas nas fontes de pesquisa; d) mostrar as etapas para a elaboração de um trabalho de pesquisa; e) conscientizar o aluno sobre a importância da leitura para a elaboração do trabalho escolar; f) oportunizar a realização de pesquisas para colocar em prática os conhecimentos teóricos apresentados em sala de aula; g) promover a biblioteca escolar; e h) colaborar para a uniformização e a padronização da apresentação dos trabalhos escolares através de um projeto de normalização. O Projeto está em fase de implantação, desenvolvendo ações voltadas para a rede pública de ensino de Fortaleza. Sua equipe é composta por 02 (dois) bibliotecários do Sistema de Bibliotecas da UFC e 01 (uma) bolsista de Extensão, graduanda em Biblioteconomia. O desenvolvimento de projetos de competência em informação na comunidade escolar, por meio da biblioteca, possibilita que o aluno seja formado como usuário da informação em passos gradativos para buscar, entender, organizar, interpretar, avaliar, utilizar e comunicar a informação. Não significa que seja um processo de aquisição somente de habilidades formais de busca em catálogos e ferramentas eletrônicas, mas também sirva de mola propulsora para mudança de atitude a respeito da informação, do conhecimento, da preparação escolar para a resolução de problemas e tomada de decisões. O que se espera é o desenvolvimento do desejado espírito crítico e criativo do estudante no decorrer da vida toda (MACEDO, 2005). A educadora norte-americana Carol C. Kuhlthau desenvolveu a obra Como usar a biblioteca na escola, que se fundamenta nos estágios cognitivos de Jean Piaget e consiste em um programa de atividades progressivo, que aborda os diferentes recursos informacionais da biblioteca escolar. Seu objetivo é capacitar crianças e jovens para acessar, avaliar e utilizar os diversos recursos informacionais, em suportes impressos ou eletrônicos (KUHLTHAU, 2002).

6 6 A obra foi adaptada por um grupo de pesquisadores da Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Apresenta-se a seguir o modelo da educadora americana Carol Kuhlthau (2010, p. 17) para o processo de pesquisa escolar, dividido em sete estágios: 1) início do trabalho; 2) seleção do assunto; 3) exploração de informações; 4) definição do foco; 5) coleta de informações; 6) preparação do trabalho escrito; 7) avaliação do processo O modelo de Kuhlthau serviu como base para o desenvolvimento do Projeto Literacia. A proposta de normalização de trabalhos escolares é o foco do sexto estágio: preparação do trabalho escrito. Nela está embutida a ideia de possibilitar aos alunos o desenvolvimento gradual da linguagem científica e do rigor dos métodos científicos. Neste sentido, têm-se como outros objetivos o desenvolvimento de capacidade de reflexão, uma melhor análise de textos escritos e imagéticos e a estruturação coerente e apresentação confiável da informação recolhida, em um processo prévio de busca de informação. É importante ter atenção aos anos da educação básica, pois assim pode-se orientar a qualidade da formação do aluno em adquirir conhecimentos e meios de aprendizagem que ele levará a etapa do ensino superior, no mercado de trabalho e no meio social. A disseminação da normalização e da escrita científica entre os alunos da educação básica reforça a ponte entre ensino fundamental e médio com o ensino universitário, produzindo justamente a continuidade formativa que tornará mais consistente a formação científica do aluno. O padrão de trabalho escolar deve partir, logicamente, de um padrão já existente e válido. Neste caso, a proposta de normalização de trabalhos escolares a ser construída baseiase nas normas de Documentação e Informação elaboradas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Destacamos a NBR Trabalhos acadêmicos, NBR 6023 Referências, NBR 6027 Sumário, NBR Citações. O objetivo geral da Proposta de Normalização de Trabalhos Acadêmicos é refletir sobre e implementar a construção de um modelo de apresentação de trabalhos escolares para

7 7 alunos do ensino fundamental da Escola Centro dos Retalhistas. Daí, surgem os seguintes objetivos específicos: a) Fomentar nos alunos do ensino fundamental o desenvolvimento gradual da linguagem científica e do rigor dos métodos científicos; b) Refletir sobre a conciliação entre orientação pedagógica e orientação metodológica na prática do ensino; c) Desenvolver habilidades e competências nos alunos, principalmente as relacionadas ao protagonismo e a reelaboração própria de conteúdos, a partir do ensino pela pesquisa. 3 Pesquisa escolar A pesquisa pode ser definida como um processo presente em vários costumes rotineiros, tendo como atividade a busca, indagação, investigação da realidade e que sustenta tomada de decisões e geração de novos conhecimentos, auxiliando na compreensão e na reconstrução própria pelo aluno. Tomada num sentido amplo, pesquisa é toda atividade voltada para a solução de problemas; como atividade de busca, indagação, investigação, inquirição da realidade, é a atividade que vai nos permitir, no âmbito da ciência, elaborar um conhecimento, ou um conjunto de conhecimentos, que nos auxilie na compreensão desta realidade e nos oriente em nossas ações (PÁDUA, 1996, p. 29). Porém, na educação básica, a pesquisa deve ser compreendida para além de seus aspectos estritamente utilitários, se tornando um poderoso princípio formativo e didático. De modo que, o aprender a aprender está embutido na perspectiva investigativa proposta pela mobilização de conhecimentos, habilidades e atitudes inerentes à pesquisa. (DEMO, 2007). Matos e Castanha [s.d.] dão ênfase a ligação entre o ensino e a pesquisa; o professor deve estar atento às individualidades e contexto social em que estão inseridos os alunos para desse modo adequar metodologias de trabalho, motivando o interesse, a curiosidade assim como a criatividade e a investigação, evitando simples reproduções de ideias ou a prática do copiar e colar. A internet é uma grande fonte de aquisição de conhecimentos, porém é necessário que haja um direcionamento nessa atividade de pesquisa onde o aluno não aproveite respostas prontas e sim analise e consiga argumentar suas próprias conclusões. Em um relato de experiência de Guedes e Farias (2007) é observado na questão do uso de tecnologias da informação em bibliotecas escolares que a maioria se utiliza de fontes eletrônicas para a

8 8 pesquisa, mas uma porcentagem menor oferece um treinamento de ensino para o aprimoramento dessas buscas. Neste sentido, baseados no modelo construtivista, entendemos que os alunos, desde o início de sua escolarização, devem desenvolver habilidades de localizar, selecionar e usar informações que os capacitem para aprender a aprender, de forma autônoma, não só durante sua formação escolar, mas ao longo da vida, cerne compartilhado também pela competência em informação. 4 Extensão universitária As atividades extensionistas dentro da Universidade são de suma importância para o desenvolvimento político, social e cultural, aprimorando competências profissionais e contribuindo para o progresso social. Segundo Garrafa (1989, p. 109) extensão é conceituada como um processo educativo cultural e cientifico que articula o ensino e a pesquisa de forma indissociável e viabiliza a relação transformadora entre universidade e sociedade. Sob uma ótica político-metodológica, o meio social é o objeto da extensão e o principal beneficiado, exercendo assim uma ferramenta articuladora do ensino e da pesquisa, considerados os três pilares da Universidade pública brasileira. Estes não podem ser tratados de modo isolado, mas sim de forma integrada e em consonância com os anseios e necessidades da sociedade. Não obstante, esta relação dá-se de forma recíproca, haja vista a Universidade também beneficiar-se neste processo, pois a extensão possibilita a interação entre o pensar e o fazer universitário, conforme indica Serrano (2001). Dessa forma é possível a Universidade atingir funções de cunho: acadêmico (que se fundamenta nas bases teóricometodológicas), social (em que busca promover a organização social e a construção da cidadania) e articulador (do saber e do fazer e da universidade com a sociedade). Nogueira (2000, p. 63 apud OLIVEIRA, 2004, p. 2) ressalta que a Universidade deve induzir programas e projetos que visem enfrentar os problemas específicos produzidos pela situação da exclusão. Partindo disto, compreende-se que a Universidade, especialmente a pública, tem a responsabilidade de aliar educação e cultura, e contribuir para o fortalecimento da cidadania. De acordo com Tavares (1997), a extensão universitária aparece para uma pequena

9 9 fração da comunidade acadêmica como a possibilidade de dar suporte a um novo paradigma de produção de conhecimento no âmbito da Universidade, tendo uma relação próxima com a sociedade em um processo de troca e complementaridade, constituindo um objeto catalisador das bases sociais. Nesta perspectiva, nota-se que as bibliotecas universitárias, têm privilegiado em suas práticas informacionais o compromisso com a comunidade acadêmica. As evidências desta escolha são perceptíveis pelos produtos e serviços orientados para docentes, discentes, funcionários e pesquisadores, como se as bibliotecas universitárias não fossem sensíveis à comunidade do seu entorno. Faz-se necessário situar as bibliotecas universitárias como um espaço de cidadania, construído por meio de experiências de extensão planejadas para e com os grupos e sujeitos sem vínculos formais com a Academia, mas que moram no entorno e por vezes possuem acesso precário à informação, sobretudo em função das condições socioeconômicas que marcam a vida cotidiana de parte significativa da população brasileira. Começa-se a notar na literatura da área, as possibilidades de engajamento dos profissionais da informação que atuam nessas organizações em atividades de promoção da leitura, palestras e oficinas para a comunidade externa aos campi. (VICENTINI et al., 2007; COSTA et al. 2008). Ferreira (2012, p. 86) destaca: [...] os projetos de extensão também viabilizam formas de ação mais direcionadas às necessidades sociais de informação dos segmentos populares da sociedade. São empreendimentos desse tipo que permitem situar os(as) bibliotecários(as) como agentes de intervenção numa realidade nacional ainda tão desigual em termos de oportunidades de acesso às TIC, de educação de qualidade, de ampliação do conhecimento e de condições mínimas para uma vida mais cidadã para homens, mulheres e crianças. Neste sentido, o projeto do qual trata este trabalho busca estimular a sociedade (na parcela representada por seus participantes) para a importância da competência em informação como meio de inclusão informacional e esta última como instrumento de conscientização, mobilização e transformação social. 5 Materiais e métodos Cientificamente, este estudo baseia-se na metodologia participativa da pesquisa-ação onde a equipe do Projeto Literacia e a comunidade escolar trabalham juntos, compartilhando saberes com o propósito de disseminar entre os alunos o espírito científico e a competência

10 10 em informação. A pesquisa-ação é concebida por Thiollent (2011, p. 8) como um conjunto de procedimentos para interligar conhecimento e ação, visando extrair da ação novos conhecimentos que irão transformar a situação-problema. A pesquisa-ação pressupõe uma forma de ação planejada de caráter social, educacional, técnico ou outro (THIOLLENT, 2011, p. 14). Além disso, a pesquisa-ação permite entrelaçar objetivos de ação e objetivos de conhecimento que remetem a quadros de referência teóricos, com base nos quais são estruturados os conceitos, as linhas de interpretação e as informações colhidas durante a investigação (THIOLLENT, 2011, p. 8). Assim, a pesquisa-ação é orientada em função da resolução de problemas ou de objetivos de transformação. Como vantagem, a pesquisa-ação oferece aos pesquisadores e ao grupo de participantes os meios de se tornarem capazes de responder com maior eficiência aos problemas da situação em que vivem, em particular sob a forma de diretrizes da ação transformadora. O método da pesquisa-ação consiste essencialmente em elucidar problemas sociais e técnicos, cientificamente relevantes, reunindo os pesquisadores, os membros da situação-problema e outros atores e parceiros interessados na transformação da realidade, formulando respostas sociais, educacionais, técnicas e/ou políticas adequadas. Dessa forma, a Proposta de Normalização de Trabalhos Escolares resultará de uma ação da equipe do Projeto Literacia visando qualificar estudantes do ensino básico na comunicação e escrita científicas, competências informacionais essenciais para a construção da aprendizagem. A Proposta de Normalização de Trabalhos Escolares do Projeto Literacia tem como lócus de execução a Escola de Ensino Fundamental Centro dos Retalhistas da rede pública. Será apresentada junto à diretoria e corpo docente, para discussão da viabilidade da proposta levando em conta sua contextualização quanto à realidade da Escola Centro dos Retalhistas. Depois de um consenso entre os proponentes do Projeto Literacia e a escola e da formalização de padrão para apresentação de trabalhos escolares, a aplicação da proposta será efetivada, à medida do necessário, pelos professores em todas as atividades escolares. Discutido sobre o modelo de padrão adequado, deve-se criar um documento consensual, formalizado pela diretoria da escola, no qual todos os professores devem estar cientes de seu cumprimento. Além da proposta de normalização de trabalhos escolares existe um acompanhamento da rotina e atividades da escola, uma aproximação com os professores

11 11 para se colocar em prática tarefas de pesquisa que siga os moldes expostos na proposta. Contudo, vale ressaltar que alguns empecilhos podem ser identificados nessa trajetória como a uma estrutura pedagógica rígida, posicionamentos didáticos retrógrados, alunado resistente e etc. Por isso, essa é uma perspectiva que deve ser abraçada por todos indistintamente. A escola deve refletir em todo seu espaço a pesquisa. Desde ações mais simples, como um concurso de poesia até mais elaboradas como a exposição de resultados de uma pesquisa para a comunidade num evento como uma feira de ciências, de modo que tudo deve está entrelaçado e planejado. Daí a importância crucial do planejamento pedagógico que endossa a perspectiva da pesquisa. Abrir tanto quanto possível espaços para a pesquisa nas atividades didáticas ou sempre manter a perspectiva de elaboração própria em todas as atividades. Ações paralelas fortes são e serão necessárias: leitura em pesquisa, conhecimento e disseminação de experiências didáticas que enfoquem a pesquisa, concursos de poesias, jornais escolares, recitais, teatro, projetos com fanzines, vídeos e etc., mas dentre todas as ações ressalta-se que um projeto de leitura atuante, contextualizado e criativo deve existir, sob pena fatal de engessar e desvirtuar a educação pela pesquisa. Esta, como sabemos, não é bem realizada sem interpretação de informações e consequentemente da própria realidade, que é, sem sombra de dúvidas, um terreno onde vicejam as mais provocantes perguntas que embasam uma pesquisa relevante. 6 Resultados A proposta de apresentação de trabalhos escolares está embasada em elementos constituintes de todo trabalho de pesquisa científico em forma de monografia, a saber: a) Elementos obrigatórios: Capa, Folha de Rosto, Sumário, Introdução, Desenvolvimento, Conclusão, Referências. b) Elementos opcionais: Apêndices e Anexos. As normas utilizadas nesta proposta são: a) NBR 14724/2011 Trabalhos Acadêmicos Apresentação; b) NBR 6023/2002 Referências Elaboração; c) NBR 6027/2003 Sumário Apresentação; e

12 12 d) NBR 10520/2002 Citações Apresentação. Estrutura do trabalho escolar. O trabalho seguirá a seguinte estrutura: Capa: É a proteção do trabalho, contém elementos de identificação; Folha de rosto: Exibe todos os dados essenciais de identificação do trabalho como o título, nome do aluno e do professor, disciplina e data; Sumário: Enumera as partes do trabalho na ordem em que são apresentadas; Introdução: explica-se rapidamente do que se trata o trabalho e o que se pretende; Desenvolvimento: é o miolo e a parte mais importante do trabalho. É recomendado que se desenvolva um texto claro e objetivo, explicando o assunto abordado, dando exemplos, citando trechos de livros (sempre entre aspas e com citação bibliográfica), levantando hipóteses etc.; Conclusão: expõe o ponto de vista adquirido sobre o assunto, fazendo uma síntese ou sugerindo ideias, encerrando o trabalho com uma conclusão final; Referências: Conjunto padronizado de descrição das obras que foram utilizadas para se fazer o trabalho; Apêndices: documentos elaborados pelo autor que complementam o trabalho como gráficos ou tabelas; Anexos: documentos não elaborados pelo autor que servem para de fundamentação, comprovação ou ilustração. O formato atenderá as seguintes especificidades: a) Papel branco ou reciclado, formato A4. b) Fonte da letra: tamanho 12 para todo o texto. c) Usar cor da fonte preta em todo o trabalho. d) O trabalho deverá ser digitado no anverso, atendendo as margens de: Esquerda e Superior: 3 cm; Direita e Inferior: 2 cm. A proposta deve ser de uso comum entre todas as séries do ensino fundamental, cabendo ao professor, cobrar, a rigor, a aplicação dos parâmetros para a apresentação de trabalhos escolares. Pressupõe-se a realização de treinamentos sobre normalização com os professores, caso seja detectado a necessidade. Procuramos atender as questões frequentes, como por

13 13 exemplo, o que deve ser exposto na introdução, no desenvolvimento e na conclusão ou questões pontuais como a diferenciação de anexos e apêndices, por exemplo, assim como fornecer dicas para uma boa elaboração e estruturação dos trabalhos. Ao mesmo tempo pretendemos divulgar as ações do projeto em uma página na internet, ocasionando uma maior visualização, comunicação e dinamicidade com o públicoalvo e outros que compartilhem interesse pela referida temática. A proposta de padrão de trabalhos escolares da Escola Centro dos Retalhistas será publicada online no Blog do Projeto Literacia para download, assim os alunos terão acesso livre a este material para seu uso correto, conjuntamente com as inserções explicativas e didáticas empreendidas pelos professores durante suas aulas além de outros recursos de auxílio à pesquisa, reforçando assim, a proposta didática da orientação metodológica do alunado. 8 Considerações finais Acredita-se que a padronização de apresentação de trabalhos escolares acarretará uma qualidade imprescindível aos trabalhos escolares do alunado, tornando-os mais cientes da estrutura lógica de desenvolvimento de uma ideia e da defesa de um ponto vista, o que coincide com uma educação que preza a autonomia e a construção própria do aluno. A integração com o ambiente escolar é essencial para o cumprimento eficiente da proposta, deve-se mostrar para os professores e diretoria os benefícios que serão produzidos e abrir espaço para ações paralelas que contribuam para despertar o interesse dos alunos e alimentar a exposição de ideias e produções próprias. A participação de bibliotecários neste processo é determinante, assim como o uso da biblioteca. No âmbito pedagógico é necessário que a biblioteca esteja integrada ao currículo do alunado, sob pena da descaracterização de uma proposta mais autônoma de aprendizagem. Espera-se que a implementação do padrão de apresentação de trabalhos escolares na Escola Centro dos Retalhistas contribua para que professores e alunos se integrem em uma perspectiva investigativa que ponha em evidência a criticidade e a criatividade do processo educacional, ou seja, o aprender a aprender.

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