A EDUCAÇÃO INFANTIL E OS DESAFIOS DA DOCÊNCIA NO ÂMBITO DA FORMAÇÃO DE PROFESSORES Ana Paula Reis de Morais 1 Kizzy Morejón 2

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1 728 A EDUCAÇÃO INFANTIL E OS DESAFIOS DA DOCÊNCIA NO ÂMBITO DA FORMAÇÃO DE PROFESSORES Ana Paula Reis de Morais 1 Kizzy Morejón 2 RESUMO: O presente artigo trata da especificidade da ação pedagógica voltada à educação infantil, traz reflexões acerca do espaço e do profissional que atua nessa etapa do ensino. Questiona o discurso comumente ouvido do senso comum e por parte dos profissionais que não concebem seu papel de educadores e atribuem ao professor da educação infantil a função de cuidadores. O texto aponta para a necessidade de se ter clareza sobre cada um desses processos: cuidar e educar, para que na prática os professores possam organizar experiências educativas significativas. Na EI/Educação Infantil é preciso entender que o ensino deve ser simples e variado. Toda criança tem uma necessidade de se sentir amada, por isso o educador precisa estar atento, pois ela necessita ouvida e escutada, precisa de um toque de carinho, mesmo que seja por breves instantes. A atenção desta faixa etária é governada pelas circunstâncias, sua compreensão é limitada, mas entende mais do que consegue repetir. Seu vocabulário é pequeno, mas aprende com facilidade novas palavras. Além de tudo a criança deve brincar! Para que haja aprendizagem prazerosa. Palavras- chave: educação infantil; cuidar; educar INTRODUÇÃO A prática pedagógica na Educação Infantil revela-se bastante complexa e exige muitas competências e habilidades de seus profissionais que na sua ação precisam cuidar e educar as crianças em seu processo de desenvolvimento o qual é muito peculiar, um profissional que respeite a criança enquanto sujeito de sua aprendizagem e respeite o seu direito de ter infância, de crescer, de se desenvolver de maneira saudável. Sabendo que a Educação Infantil tem uma identidade que a diferencia e essa diferenciação não nos remete apenas a uma questão de faixa etária, mas, primordialmente a uma questão de educação é proposta aqui uma discussão sobre o dois processos complementares e indissociáveis do espaço pedagógico da Educação Infantil: educar e cuidar, e o perfil do seu profissional. 1 Acadêmica do Curso de Pedagogia da Universidade Luterana do Brasil ULBRA/Campus Guaíba. 2 Professora do Curso de Pedagogia da ULBRA/Guaíba, orientadora do trabalho e doutora em Psicologia/USP.

2 DA CONCEPÇÃO DE EDUCAÇÃO INFANTIL De acordo com as discussões teóricas e a legislação vigente a Educação Infantil é o espaço em que se consolida o processo sistemático de humanização e o desenvolvimento da inteligência em todos os seus aspectos, em que o cuidar e o educar encontram como partes integrantes da educação, contribuindo para que a criança se desenvolva como ser humano. No Brasil, podemos considerar que são relativamente recentes as iniciativas que visam a garantia à todas as crianças um atendimento educacional de qualidade em instituições de Educação Infantil. Em 1988 as creches e pré-escolas apareceram pela primeira vez na Constituição Federal, no capítulo referente à educação, reafirmada pela LDB 9394/96. Ao longo de sua história, a EI perpassou por concepções bastante divergentes sobre sua finalidade e missão social. O uso de creches e pré-escolas foi utilizado como estratégia na tentativa de combater a pobreza e resolver problemas sociais ligados à sobrevivência das crianças. Não raro encontramos instituições, particularmente creches, que mais se parecem com depósitos de crianças do que especificamente instituições de cunho educacional. No entanto, o debate sobre a educação das crianças pequenas, além da busca pela qualidade, vem ganhando força e importância na medida em que se amplia seu espaço social como, por exemplo, a expansão de discussões e ampliação do processo de formação dos educadores a partir do Referencial Curricular Nacional para a EI; como princípio para subsidiar a melhoria e equalização deste atendimento, oferecendo orientações didáticas que permitam a implementação de trabalhos educacionais que tenham por objetivo o respeito e a formação de crianças cidadãs. A EI visa oferecer às crianças bem estar físico, afetivo-social e intelectual, na qual o trabalho seja realizado por de atividades lúdicas, criando oportunidades para que estas se desenvolvam, provocando a curiosidade, espontaneidade e harmonia de seu corpo com o mundo. A LDB (Lei de Diretrizes e Bases) n. º 9394 de 20/12/1996, diz em seu artigo 30 que: a educação será oferecida até três anos de idade e a pré-escola de quatro a seis anos. Seu objetivo é o desenvolvimento integral da criança até os seis anos de idade, em aspectos físicos, psicológicos, intelectual e social, complementando a família e ação na comunidade. Alguns dos desafios concretos para a EI encontram-se calcados não somente na escola, uma vez que a causa e solução destes não estão somente em seu interior, mas também em

3 730 questões colocadas pela vida social e pelo mundo fora da escola, ou, ainda, pelos interesses impostos a ela. Isso posto, concretizemos um pouco mais nossa reflexão trazendo algumas questões como objetos de discussão, ou num sentido mais reprodutivo, ou num sentido mais democratizante, pela forma como encaramos o trabalho atual nas escolas, o início de um processo que é um grande desafio por si só: a melhoria da qualidade educacional na EI concretizar o desafio posto de EDUCAR E CUIDAR! A educação da criança pequena segundo Bujes (2001) envolve simultaneamente os dois processos: educar e cuidar, os quais se complementam e são indissociáveis. Para Bujes ao mesmo tempo em que as crianças tomam contato com o mundo que as cerca, através das experiências diretas com as pessoas e as coisas deste mundo e com as formas de expressão que nele ocorrem, elas necessitam de atenção, carinho, segurança. É importante por isso, termos claro o que significa cada um desses processos para que na prática possamos organizar experiências educativas significativas. 2. AFINAL O QUE SIGNIFICA CUIDAR E EDUCAR? Segundo Bujes (2001), não podemos reduzir cuidar àqueles cuidados primários: higiene, sono, alimentação, cuidar significa realizar essas atividades e mais que isso inclui a promoção de ambientes acolhedores, seguros, alegres, instigadores, com adultos bem preparados, organizados para oferecer experiências desafiadoras e aprendizagens adequadas às crianças de cada idade, a preocupação com a organização do tempo, do espaço, a atenção aos materiais que são oferecidos, o respeito às manifestações da criança (de querer estar sozinha, de não querer participar da brincadeira), aos seus ritmos, etc. O cuidado inclui o acolhimento, a segurança, o lugar para a emoção, para o gosto, o desenvolvimento da sensibilidade, das habilidades sociais, a curiosidade, proporcionar experiências diversificadas e enriquecedoras, a fim de que as crianças possam fortalecer sua auto-estima e desenvolver suas capacidades. No dia-a-dia da Educação Infantil encontram-se muitos desafios. Tentar aprender com a experiência oportunizada tendo um posicionamento crítico diante das teorias da diferentes áreas que estão sistematizadas e das descobertas e construções da prática cotidiana é fundamental. Diariamente é preciso questionar-se acerca das experiências que são oportunizadas aos alunos, se seus ritmos e os seus tempos são respeitados. Manter a preocupação de não acelerar

4 731 os processos de alfabetização e/ou numeralização, por exemplo, de flexibilizar os horários, de que as rotinas não sejam repetitiva, de evitar a distribuição de atividades em folhas e realizadas na mesa, etc. A avaliação diária enquanto reflexão da ação que auxilia o professor a refletir sobre as condições de aprendizagem oferecidas e modificar a prática conforme as necessidades que são apresentadas pelos alunos é indispensável. Outro aspecto a ser considerado é o predomínio do sonho, da fantasia, da afetividade, da brincadeira nas atividades que são propostas. A LDBEN, lei nº 9394/96, regulamenta a educação infantil, definindo-a como primeira etapa da educação básica e que, tem por finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, sem seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade. A educação Infantil tem por tanto a função de junto com a família oferecer o que a criança necessita para seu desenvolvimento e para a sua felicidade. Redin (2000) escreve sobre o espaço e o tempo da educação infantil, institucionalizado e formalizado como espaço público, gratuito e obrigatório por parte do Estado e direito por parte da criança e afirma que esse espaço tem todas as características do espaço familiar e mais: o fazer intencional, organizado em função da convivência estimulante, cooperativa, inter pares ; o fazer organizado, para acesso a experiências, conhecimentos e formas de expressão ali facilitada, e o tempo e o espaço das relações pedagógicas purificadas de qualquer autoritarismo, pressão, ameaças, temores e medos tempo e espaço estes conhecidos pelos avanços da psicologia no estudo do psiquismo infantil. (p.50) Em relação ao ensino sistemático e intencional de saberes, a mesma autora diz que do período da educação infantil eles devem ser viabilizados ao ritmo do psiquismo infantil, com a alegria da descoberta, da surpresa, do espanto, do encanto, do belo, do novo, do prático; do tateio, do cooperativo, do original no coletivo, do lúdico, do plástico, do harmonioso/desarmonioso, do surpreendente mundo autenticamente humano. Por ser um espaço e um tempo pedagógico e ter uma função educativa explícita e organizada exige ação de profissionais especificamente preparados. 3. SOBRE OS PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO INFANTIL

5 732 Crayde (2001) afirma que conforme determina a LDBEN, os educadores deverão ter sempre que possível o curso superior e como formação mínima o curso normal com especialização em educação infantil. Em relação ao papel do professor, Felipe (2001) faz a seguinte afirmação: A perspectiva teórica do sociointeracionismo destaca o papel do adulto frente ao desenvolvimento infantil, cabendo-lhe proporcionar experiências diversificadas e enriquecedoras, a fim de que as crianças possam fortalecer sua auto-estima e desenvolver suas capacidades. (Felipe, 2001, p 31). A professora da Educação Infantil tem que ser sensível e se preocupar em criar situações, atividades e relações que deixem as crianças felizes. Precisa ser capaz de animar o tempo e o espaço da educação infantil, atender questões de saúde, higiene, alimentação com competência e saber encaminhar atividades de arte, linguagem e/ou conhecimento científico ao mesmo tempo. CONCLUSÃO A partir do desenvolvimento deste trabalho, é possível inferir que, na Educação Infantil, o papel do professor é vital como mediador, fazendo boas perguntas que instiguem o olhar curioso das crianças nessa faixa etária, como criador de vínculos e de um clima pedagógico que permita a expressão dos alunos, através do acolhimento, que permite a criança expressar tudo que sente. Deve ser também investigativo, apostar nas capacidades dos alunos, propor situações conflitantes que gerem crescimento. Cabe ainda saber avaliar o desenvolvimento da criança e seu próprio trabalho a fim de possa dar continuidade com maior êxito em ambos os processos. Todas essas proposições reforçam a possibilidade do professor de qualificar o espaço da educação infantil através de uma ação pedagógica cuidadora e educativa. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Brasília: BUJES, Maria Isabel Edelweiss. Escola Infantil: Pra que te quero? In CRAYDE, Carmem Maria e KAERCHER, Gládis Elise P, da Silva. Educação Infantil: pra que te quero? Porto Alegre: Artmed Editora, 2001.

6 733 CRAYDE, Carmem Maria. A Educação Infantil e as Novas definições da Legislação. In CRAYDE, Carmem Maria e KAERCHER, Gládis Elise P, da Silva. Educação Infantil: pra que te quero? Porto Alegre: Artmed Editora, REDIN, Euclides. O espaço e o tempo da criança: se der tempo a gente brinca! Porto Alegre: Mediação, 2000 (Cadernos Educação Infantil V. 6)

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