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1 1 ROSENTHAL E SARFATIS METTA ADVOGADOS INFORMATIVO JURÍDICO NÚMERO 6, ANO III JUNHO DE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NÃO PODEM SER DEDUZIDOS DA CSLL De acordo com o CARF, os valores provisionados para o pagamento de tributos não poderão ser abatidos da base de cálculo da CSLL. Confira íntegra na página ESTADO NÃO PODE COBRAR ITCMD SOBRE PARTILHA DE BENS NO EXTERIOR Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo declara inconstitucionalidade de dispositivo da Lei Paulista. Leia mais na página 3. REMESSA DE ROYALTIES ESTÃO ISENTAS DE PIS E COFINS Receita Federal entendeu que a remessa de royalties para o exterior não está sujeita a essas contribuições. O artigo completo segue na página 3. 4 NOVA LEI DIFICULTA PRISÀO ANTES DO FIM DO PROCESSO PENAL Legislação prevê novas medidas em substituição às prisões cautelares e estabelece regras para a concessão de fiança. Leia na página 4.

2 2 1 TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NÃO PODEM SER DEDUZIDOS DA CSLL Recentemente, a Câmara Superior do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF entendeu que os tributos com exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151 do Código Tributário Nacional, provisionados na contabilidade, não podem ser deduzidos da base de cálculo da CSLL. Nos termos da decisão do CARF, a mais alta instância administrativa, por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por traduzir-se em nítido caráter de provisão. Assim, a dedutibilidade de tais rubricas somente ocorrerá por ocasião de decisão final da justiça, desfavorável à pessoa jurídica. Em sua defesa, o Contribuinte alegou que a natureza desses valores escriturados seria de contas a pagar, e não de provisão, visto que, embora o tributo estivesse com sua exigibilidade suspensa, ele já seria devido, identificável e mensurável. Entretanto, o Conselheiro Relator entendeu que as despesas com tributos cuja exigibilidade esteja suspensa, têm natureza de provisão, e não de contas a pagar, motivo pelo qual são indedutíveis da base de cálculo da CSLL. sobre o assunto. Ressaltamos que essa foi a primeira decisão da Câmara Superior

3 3 2 ESTADO NÃO PODE COBRAR ITCMD SOBRE PARTILHA DE BENS NO EXTERIOR Recentemente, o Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo declarou a inconstitucionalidade de um dispositivo da Lei n /10, que previa a competência do Estado para cobrar o Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação ITCMD sobre inventários e doações realizadas no exterior. A Constituição Federal determina que, se o doador tiver domicílio ou residência no exterior, ou se o de cujus possuía bens, era residente ou domiciliado ou teve o seu inventário processado no exterior, a instituição do ITCMD será regulamentada por Lei Complementar. Entretanto, como a Legislação Complementar não foi editada, os Estados passaram a editar suas próprias leis. De acordo com o Desembargador Relator do caso: os Estados não dispõem de competência tributária para suprir ausência de lei complementar exigida pela Magna Carta. A decisão em comento representa um precedente importante, uma vez que o problema ainda não foi analisado pelos Tribunais Superiores. 3 REMESSAS DE ROYALTIES ESTÃO ISENTAS DE PIS E COFINS A Receita Federal pacificou o entendimento de que não incidem PIS-importação e Cofins-importação sobre as remessas de royalties para o exterior.

4 4 O entendimento foi pacificado na Solução de Divergência nº 11 de 28/04/2011 do COSIT da Receita Federal. De acordo com a decisão, para que não haja incidência das contribuições sobre a importação, o contrato deverá discriminar os valores dos royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada. Caso os valores não estejam individualizados no contrato, a decisão determina que o valor total deverá ser considerado referente a serviços e sofrer a incidência da mencionada contribuição. 4 NOVA LEI DIFICULTA PRISÀO ANTES DO FIM DO PROCESSO PENAL Legislação que alterou o Código de Processo Penal prevê novas medidas cautelares em substituição às prisões cautelares e estabelece regras para a concessão de fiança. No último dia 5 de maio, foi sancionada a Lei /11, que cria diversas medidas alternativas às prisões cautelares, bem como define novos parâmetros para concessão de fiança na fase policial. A nova legislação, que entra em vigor no próximo dia 4 de julho, estabelece que somente nos crimes de maior potencial ofensivo (crimes dolosos com pena máxima superior a quatro anos) poderá ser decretada a prisão preventiva. Esta, porém, não poderá ser aplicada sem ter havido anteriormente a concessão das diversas medidas cautelares. Nos demais casos que infelizmente constituem a maioria dos tipos penais a prisão preventiva não será mais possível, devendo o juiz conceder as novas medidas cautelares, permanecendo o acusado em liberdade.

5 5 Tais medidas cautelares foram criadas para tentar resolver o problema da superlotação das penitenciárias do país. Representando cerca de cinqüenta por cento dos aprisionados, os presos provisórios que são acusados de crimes com pena máxima inferior a quatro anos de prisão e não reincidentes, serão automaticamente colocados em liberdade. Isso significa que criminosos que cometeram crimes como homicídio simples, roubo, lesão corporal grave, desvio de verbas públicas, extorsão, corrupção passiva, corrupção de menores, dentre vários outros, dificilmente serão encarcerados. As medidas cautelares impostas pela nova lei em substituição às prisões cautelares preventiva e temporária justificam-se, além da superlotação dos presídios, pelo preceito constitucional de que todos são presumidamente inocentes até decisão final transitada em julgado, sendo a prisão física medida de caráter extremo. As mencionadas medidas cautelares se dividem em nove diferentes situações e poderão ser aplicadas isolada ou cumulativamente. Comparecimento em juízo para justificar as atividades; proibição de freqüentar determinados locais; proibição de manter contato com determinada pessoa; proibição de ausentar-se da comarca aonde reside; recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga; suspensão do exercício de função pública; internação provisória em clínica de psiquiátrica; fiança e monitoramento eletrônico, são as novas medidas estabelecidas pela lei que altera o Código de Processo Penal. Com o reconhecimento dessas medidas, a decretação de prisões cautelares, que já conservava seu caráter excepcional, passará a ser subsidiária, ou seja, apenas cabível quando não possível substituir a prisão física por uma das medidas cautelares. Vislumbra-se, também, que a Lei /11 alterou amplamente o conceito de liberdade provisória com ou sem fiança. Antes do advento do novo diploma legal, a fiança concedida pela Autoridade Policial (Delegado de Polícia) somente poderia ocorrer em casos aonde o delito em apuração fosse apenado com

6 6 pena máxima de três meses. A partir de agora, cabe à Autoridade Policial conceder liberdade provisória com ou sem fiança para crimes apenados com pena privativa de liberdade de até quatro anos. Assim, a soma da ideologia assistencialista do Estado, com a vitimização social que é inferida aos criminosos irá transformar a realidade da segurança física e jurídica de nosso país. Mais uma vez, enquanto os criminosos gargalham com a promulgação da nova lei, a sociedade trabalhadora se acovarda atrás dos portões de suas casas e de seus automóveis blindados, rezando para não ser a próxima vítima.

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