3. EDUCAÇÃO. O Estado reconhece a todos o direito à educação e à cultura (CRP, art.º 73º), bem como ao ensino (CRP, art.º 74º).

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1 3. EDUCAÇÃO Quadro legal O Estado reconhece a todos o direito à educação e à cultura (CRP, art.º 73º), bem como ao ensino (CRP, art.º 74º). A Lei de Bases do Sistema Educativo (Lei n.º 46/86, de 14 de Outubro, alterada e republicada em anexo à Lei nº 49/2005, de 30 de Agosto) enuncia como um dos princípios organizativos do sistema educativo assegurar a igualdade de oportunidades para ambos os sexos, nomeadamente das práticas de coeducação ( ) (Art. 3º, alínea j). Este princípio nunca foi objecto de regulamentação. A Lei nº 47/2006, de 28 de Agosto, estabelece como princípio orientador do regime de avaliação, certificação e adopção dos manuais escolares do ensino básico e do ensino secundário, a equidade e a igualdade de oportunidades no acesso aos recursos didáctico-pedagógicos, e obriga a que a avaliação para a certificação dos manuais escolares atenda aos princípios e valores constitucionais, designadamente da não discriminação e da igualdade de género. O sistema oficial de educação tem a seguinte composição: Educação Pré-Escolar Facultativa e gratuita (dos 3 anos de idade até à entrada no ensino básico). Ensino Básico Obrigatório e gratuito (com a duração de 9 anos). Ensino Secundário Facultativo, com a duração de 3 anos. O ensino secundário organiza-se em percursos opcionais: - uma via predominantemente orientada para o prosseguimento de estudos Cursos Científico-Humanísticos - uma via predominantemente orientada para a vida activa - Cursos Tecnológicos. Há ainda a considerar as seguintes alternativas: Cursos de Ensino Artístico Especializado, subdivididos em 3 áreas: Artes Visuais e Audiovisuais, Dança e Música. Nos ensinos básico e secundário, existem, ainda, como oferta alternativa, os cursos das Escolas Profissionais, que conferem um diploma de estudos de equivalência ao 9º ou ao 12º anos, viabilizando o prosseguimento da formação no ensino superior e conferindo o certificado de qualificação profissional de nível II ou III. Mais recentemente, foram criados os Cursos de Educação e Formação que permitem concluir a escolaridade obrigatória, através de um percurso flexível de sequência de etapas, do tipo1 ao tipo 7. Para quem conclui o ensino secundário, existem os Cursos de Especialização Tecnológica que correspondem a formações pós-secundárias, não superiores, que conferem uma especialização científica ou tecnológica, numa determinada área de formação. Ensino Superior Facultativo: a habilitação geral ao acesso ao ensino superior é o 12º ano de escolaridade. A primeira matrícula e a inscrição no ensino superior estão sujeitas aos critérios de selecção e seriação, da competência dos estabelecimentos de 1

2 ensino superior. Os maiores de 23 anos, titulares de qualificações pós-secundárias ou que, não sendo titulares de habilitação de acesso ao ensino superior, realizem provas específicas, têm acesso ao ensino superior. Educação extra-escolar Com o objectivo de complementar a formação escolar ou suprimir a sua carência, sendo um dos seus vectores fundamentais a eliminação do analfabetismo, literal e funcional. Alguns dados significativos Em 2005 o nível de instrução da população com 15 e mais anos era o seguinte (em percentagem): Grau de instrução Homens Mulheres Total Nenhum 8,7 17,7 13,4 Básico 69,7 57,8 63,5 Secundário 13,6 13,6 13,6 Superior 8,0 10,9 9,5 Total 100,0 100,0 100,0 Fonte: Perfil de Género, INE (%) 68,9 47,4 52,2 59,8 52,1 A proporção de mulheres sem nenhum grau de instrução continua a ser mais elevada que a dos homens, reflectindo a situação das mulheres mais idosas, que apresentam ainda altas taxas de analfabetismo. Em contrapartida, as mulheres representam cerca de 60% da população habilitada com o ensino superior. Em 2004/2005 era a seguinte a participação feminina, em percentagem, nas matrículas em cada um dos níveis de ensino: 1 Ano lectivo de Nível de ensino Educação Pré-Escolar 49,2 Ensino Básico 1º Ciclo 48,6 Ensino Básico 2º Ciclo 47,0 Ensino Básico 3º Ciclo 49,4 Ensino secundário 52,6 Ensino superior 1 Bacharelato Licenciatura bi-etápica Licenciatura 55,2 56,9 50,7 56,1 2

3 Complemento de formação Especialização Mestrado Doutoramento 82,1 66,9 59,1 51,7 Fonte: Estatísticas da Educação 2004/2005, GIASE; Ministério da Educação OCES, Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior No ensino secundário, onde surge a possibilidade de opção por áreas diferenciadas, verifica-se que raparigas e rapazes se orientam para diferentes modalidades de ensino: Modalidades Total de matriculados (%) Ensino Regular Cursos Científico-Humanísticos (10º ano) Cursos Gerais (11º e 12º anos) Cursos Tecnológicos (10º ano) Cursos Tecnológicos (11º e 12º anos) ,6 57,9 58,5 40,4 43,6 Ensino Artístico Especializado ,0 Ensino Profissional Cursos Profissionais de nível ,6 Ensino Qualificante Cursos de Educação e Formação Tipo 4 e 5 e Curso Formação Complementar ,7 Ensino Recorrente ,1 TOTAL ,6 Fonte: Estatísticas da Educação 2004/2005. Verifica-se, por um lado, a maior orientação das raparigas para os Cursos Científico- Humanísticos (57,9% do total de alunos matriculados) e para os Cursos Gerais (58,5%), e uma menor orientação para os Cursos Tecnológicos (respectivamente 40,4% e 43,6% no 10º ano e nos 11º e 12º anos); quanto ao Ensino Qualificante, do total de matriculados apenas 32,7% são raparigas. Quanto aos diplomados no ensino superior, por áreas científicas, foram os seguintes, em 2004: Área Científica Total de Diplomados (HM) Diplomadas Feminização (%) Educação ,3 Artes e Humanidades ,5 Ciências Sociais, Comércio e Direito ,9 Ciências, Matemática e Informática ,3 Engenharia, Indústrias Transformadoras e Construção ,4 Agricultura ,1 Saúde e Protecção Social ,8 Serviços ,6 3

4 Total ,9 Fonte: Evolução do número de diplomados no Ensino Superior, por Distrito e NUTS II: , OCES, Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior A entrada em massa das raparigas no ensino superior tem sido acompanhada por um alargamento do seu leque de opções de áreas científicas, de tal modo que actualmente elas são maioritárias em todas as áreas, com excepção da Engenharia, Indústrias Transformadoras e Construção. Um sector específico, no entanto, apresenta um panorama preocupante. Trata-se das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), que sendo uma área da maior importância revela não atrair facilmente as mulheres. De acordo com um estudo realizado no âmbito do Observatório da Ciência e do Ensino Superior 2 ( ) a distribuição por género no sector TIC é a inversa da distribuição nacional. Por exemplo, 60% dos inscritos pela primeira vez em todos os cursos do ensino superior em eram alunos do sexo feminino, enquanto que no sector TIC só 15% eram mulheres. Quando analisados à saída do sistema de ensino superior, a percentagem de diplomadas no total dos cursos foi de 67%, enquanto que no sector das TIC apenas 21% correspondem a diplomas obtidos por mulheres. Mesmo assim, a nível europeu, Portugal está entre os países que apresentam maiores taxas de das áreas científicas e tecnológicas no ensino superior. De acordo com um estudo publicado pelo EUROSTAT 3, são as seguintes as percentagens de mulheres no total de diplomados nas áreas de Ciências, Matemática e Informática e Engenharia, Indústrias Transformadoras e Construção (dados de 2003): Países Ciências, Matemática e Informática Engenharia, Indústrias Transformadoras e Construção Bélgica 31,7 19,3 Republica Checa 38,7 24,7 Dinamarca 30,6 30,1 Alemanha 34,9 17,2 Estónia 44,6 40,8 Grécia : : Espanha 37,7 25,6 França 41,0 21,7 Irlanda 45,3 18,7 Itália 52,2 27,9 2 Contributos para a caracterização das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) no Ensino Superior e no Sistema de Ciência e Tecnologia em Portugal (Versão preliminar), Junho de 2006, OCES, Teresa de Lemos e Nuno Boavida. 3 L Union Européenne compte 17 millions d étudiants dans l enseignement supérieur, Statistiques en bref, Population et conditions sociales 4

5 Chipre 47,2 26,5 Letónia 46,8 29,9 Lituânia 47,8 32,2 Luxemburgo : : Hungria 33,2 24,3 Malta 35,7 18,4 Holanda 29,3 12,8 Áustria 33,8 16,9 Polónia 51,0 23,8 Portugal 58,2 33,9 Eslovénia 39,3 22,4 Eslováquia 41,2 30,5 Finlândia 48,5 20,5 Suécia 46,4 28,6 Reino Unido 42,2 19,2 Fonte: L Union Européenne compte 17 millions d étudiants dans l enseignement supérieur, Statistiques en bref, Population et conditions sociales, 19/2005 Também ao nível dos doutoramentos, tem havido uma evolução sensível da participação das mulheres, que representaram, em 2005, 48,8% do total de doutoramentos realizados ou reconhecidos por universidades portuguesas 4. De notar, no entanto, que quando se consideram os doutoramentos realizados em Portugal e os realizados no estrangeiro, as taxas de apresentam uma diferença sensível: se as mulheres constituem 50,1% dos doutoramentos realizados em Portugal, são apenas 37,0% dos realizados no estrangeiro, o que parece indiciar a menor mobilidade geográfica das mulheres, associada provavelmente às responsabilidades familiares. Foi a seguinte a evolução dos doutoramentos obtidos por homens e por mulheres, nos últimos dez anos: Homens Mulheres , , , , , , , ,2 4 Doutoramentos realizados ou reconhecidos por Universidades Portuguesas ( ), OCES, Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior 5

6 , , ,8 Fonte: Doutoramentos realizados ou reconhecidos por Universidades Portuguesas ( ), OCES, Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior Pessoal Docente O pessoal docente, segundo o sexo, nos vários níveis de ensino, era o seguinte, no Continente, em 2004/2005: Níveis de ensino Total de docentes Mulheres (%) Educação pré-escolar ,8 Ensino básico (1º ciclo) ,3 Ensino básico (2º ciclo) ,0 Ensino básico (3º ciclo) e secundário) ,7 Escolas profissionais ,1 Ensino Superior ,6 Fontes: Estatísticas da Educação 2004/2005, GIASE, Ministério da Educação; O Sistema do Ensino Superior em Portugal , OCES, Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior As Mulheres e a Ciência alguns aspectos Os dados do Inquérito ao Potencial Científico e Tecnológico Nacional de 2001 revelam que a relação entre mulheres investigadoras e homens investigadores apresenta alguma variação consoante os sectores: 56,4% de mulheres e 43,6% de homens no sector do Estado, 46,5% de mulheres e 53,5% de homens no Ensino Superior, 41,2% de mulheres e 58,8% de homens no sector privado não lucrativo, e apenas 26,8% de mulheres e 73,2% de homens no sector empresarial 6. As mulheres e as novas tecnologias alguns aspectos O Inquérito à Utilização das Tecnologias da Informação e da Comunicação pela População Portuguesa 7, refere que, no total da amostra, 51% das mulheres são utilizadoras de computador, contra 57% dos homens. A situação comparada é semelhante quando se trata de utilização da Internet: 40% das mulheres contra 45% dos homens. 5 Ano lectivo de 2002/ Ciência e Tecnologia Principais Indicadores Estatísticos 2003 (Livro de Bolso), OCES, Ministério da Ciência e do Ensino Superior 7 Inquérito à Utilização das Tecnologias da Informação e da Comunicação pela População Portuguesa, Resultados 2004 (Resultados Provisórios), Observatório da Inovação e Conhecimento, Unidade de Missão Inovação e Conhecimento. 6

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