UMA REALIDADE COMO CANAL DE FINANCIAMENTO

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1 BOLSA DE VALORES: UMA REALIDADE COMO CANAL DE FINANCIAMENTO EMISSÕES BATEM RECORDE EM 2010 Quando há uma expansão da bolsa, é importante ver como os preços altos das ações se transmitem ao resto da economia. Não adianta a Bolsa subir se não houver algum impacto do lado real, da produção. A forma como esta transmissão ocorre é permitir o maior financiamento de empresas. E isso está ocorrendo, o que é benéfico. Tenho a impressão de que deveríamos estar caminhando mais devagar. Há uma fila muito grande de IPOs (Initial Public Offerings, lançamentos primários de ações), há muito financiamento vindo por aí. Temos de ter o discernimento do que é bom e do que é ruim. Existe muita coisa boa, mas temos de ter cuidado para não embarcar na onda de que tudo vale. Muitas empresas podem entrar no mercado mais pela liquidez e disponibilidade de financiamento do que por serem boas. Ilan Goldfajn. Ofertas de ações realizadas Muitos argumentam que o grande canal de financiamento do País para o setor produtivo deve passar, antes de tudo, pela bolsa de valores, dado o grande volume de captações ocorridas, com destaque para os IPOs (Ofertas públicas de Ações). Nos tempos atuais, dado o grande diferencial de juro interno e externo, sendo a nossa taxa de curto prazo uma das mais altas do mundo, a opção acaba recaindo sobre as operações subsidiadas pelo BNDES. Com o juro recuando ao longo do tempo, a tendência é de que o mercado de capitais volte a ganhar destaque. As operações de emissão primária e secundária recentes são um forte indício neste sentido. Nos últimos oitos anos foram 215 ofertas realizadas, num total de R$ 355 bilhões. Nestas, as aberturas primárias chegaram a 128 empresas - aquelas que tinham capital fechado e passaram a ofertar ações em bolsa de valores totalizando 123 empresas. A meta para os próximos cinco anos, sob o governo da Presidente Dilma Roussef, é chegar a 200 empresas ingressando no mercado. Para este ano de 2011, as previsões são de algo entre 40 e 60, ofertadas em operações de oferta pública. Atualmente, o número de empresas listadas em bolsa de valores chega a 470, pouco se comparado aos outros países do BRIC. A Rússia possui 1,2 mil empresas listadas, a Índia 3,6 mil e a China 1,7 mil. No nível global, 10% das aplicações de ações são feitas em países emergentes, com destaque para China e Brasil, embora estes representem cerca de 30% do PIB global. Ou seja, o potencial de crescimento do nosso mercado é considerável. InterBolsa do Brasil 2011 Página: 1

2 De 2002 ao dia 13 de dezembro de 2010, o salto foi impressionante, com volume de negócios saindo dos R$ 558 milhões para algo em torno de R$ 6,5 bilhões. A alta acumulada do Ibovespa neste período foi impressionante, saindo de 11 mil pontos para algo em torno de 69 mil pontos recentes. Investidor estrangeiro em bolsa Neste processo, o ingresso de investidores estrangeiros vem tendo importância estratégica, atualmente representando cerca de 30% do total de recursos aplicados em bolsa de valores. Devemos destacar também o fato de que os mercados dos países desenvolvidos não vêm primando pela boa evolução, gerando esta migração de recursos para os emergentes. A título de ilustração, pela BMF Bovespa, em 2010 o saldo do investidor estrangeiro no segmento Bovespa fechou positivo, contribuindo para a leve alta de 1,04% no ano. Este foi o segundo ano consecutivo em que os investidores desembarcaram com mais recursos na bolsa paulista, embora a desaceleração do fluxo tenha sido marcante de um ano para outro. Em 2009, o saldo líquido de estrangeiros na Bovespa foi de R$ 20,6 bilhões, enquanto em 2010 o saldo foi de R$ 5,96 bilhões, com queda de quase 75%. Vale notar que, em dezembro, o fluxo foi negativo, com investidores não residentes enxugando R$ 334,3 milhões do país, após três meses consecutivos de saldo positivo. Foram registradas compras de R$ 43,07 bilhões e vendas de R$ 43,4 bilhões. O segmento Pessoa Física também vendeu mais do que comprou no último mês, com saldo negativo de R$ 1,8 bilhão em dezembro. As vendas totalizaram R$ 27,7 bilhões, com compras de R$ 25,9 bilhões. O responsável, portanto, pela alta de 2,36% do Ibovespa em dezembro foi o investidor institucional, que comprou na Bovespa montante superior em R$ 5,8 bilhões às vendas. SALDO DE INVESTIDORES ESTRANGEIROS EM 2010 InterBolsa do Brasil 2011 Página: 2

3 IBOVESPA NA COMPARAÇÃO ENTRE INVESTIDORES ESTRANGEIROS E LOCAIS (Contratos IBOV Futuros, Em pontos) Histórico da bolsa de valores brasileira Na verdade, a bolsa de valores brasileira vem se consolidando nos últimos anos por uma injunção de fatores tanto no terreno regulatório, como no microeconômico e no macroeconômico. No terreno regulatório poderíamos lembrar a criação do Novo Mercado, com regras mais exigentes e de transparência para as empresas, necessidade de governança corporativa, garantias de tag along de 100% com venda de controle, permissão de venda de ações sem direito a voto, etc. Seguido a isto, foi criada a Lei das S.A. de 2001, uma série de medidas também foram aprovadas, como proteção aos acionistas minoritários ( preferencialistas ), direito de venda conjunta das ações pelos minoritários (tag along) em caso de venda de controle, dentre outras medidas. Poderíamos destacar também, no terreno microeconômico, o fim da CPMF para as bolsas de valores no governo FHC, em 2002, como mais um fator a impulsionar a Bovespa, além da redução do IR sobre ganhos de capital para aplicações em renda variável (recuou de 20% para 15%), venda abaixo de R$ 20 mil, isenta de IR, maior fiscalização da CVM sobre as empresas de mercado e em 2010, a mudança do padrão de contabilidade para o modo internacional (IFRS), usado em mais de 120 países. No terreno macroeconômico, a estabilização da moeda realmente teve grande repercussão sobre os mercados de ativos pela ampliação do horizonte de planejamento que isto trouxe aos investidores. Isto porque com a inflação controlada, os mercados passaram a ter mais previsibilidade e transparência para operar, e os investidores passaram a se interessar pelo horizonte de mais longo prazo. InterBolsa do Brasil 2011 Página: 3

4 Desempenho em 2010 Ofertas de Ações Em 2010, a economia real teve um desempenho exuberante, crescendo mais de 7,5% - nossa projeção é de algo entre 7,6% e 7,8% - mas o Ibovespa patinou numa fraca performance em termos de valorização alta de 1,04% ( pontos). Mesmo assim, os volumes de ações ofertados, nos mercados interno e externo, foram recordes. Até novembro deste ano o valor total de valores mobiliários ofertados chegou a R$ 290,7 bilhões, com alta de 105% contra o mesmo período de Segundo dados da CVM até o dia 16, foram registradas 31 ofertas de ações primárias e secundárias neste ano, movimentando mais de R$ 149 bilhões. No segmento de renda fixa, foram captados até o final de novembro cerca de R$ 142 bilhões (incluindo emissões externas), segundo a Anbima, com alta de 48% em relação ao mesmo período de Importante lembrar que o desempenho excepcional do mercado de ações neste ano se deveu à capitalização da Petrobras, que movimentou R$ 120 bilhões, como mostra o quadro comparativo da Anbima ao fim. Não considerando a capitalização da estatal, foram levantados R$ 29 bilhões até novembro com emissões na renda variável, queda de 38,4% frente aos R$ 47 bilhões vistos em 2009 e recuo de 17% em relação ao montante de R$ 35 bilhões de Uma pesquisa da consultoria KCSA, indica que o Brasil é o mercado em que os executivos mais confiam para aumentar o número de empresas com ações em Bolsa de Valores no mundo. Esta indagação foi feita a representantes de 50 companhias, responsáveis por 75% das novas emissões de ações nos EUA. O Brasil ficou na primeira colocação com 37% das preferências dos investidores. Em seguida veio a Índia, com 30%. Em síntese: este otimismo no lançamento de novas ações se relaciona ao crescimento da demanda e os bons resultados econômicos desses dois países na última década. O que esperar de 2011? Esta é a pergunta feita por todos. Temos novo governo, mas um cheiro forte de continuísmo. No entanto, buscando ser otimistas, acreditamos que as reformas estruturais surgem como possibilidade concreta, partindo-se da tributária e da política. Mesmo assim, nossa visão é a de que será um ano forte em IPOs (Oferta Inicial de Ações) - Aberturas Iniciais e follow ons. Ibovespa a 84 mil pontos em Nos mercados globais, as incertezas ainda são regra na Europa, em função das indefinições na rolagem de dívida e os duros ajustes fiscais necessários, assim como a desaceleração da economia chinesa, necessária para o controle da inflação, e a retomada errática dos EUA. Mesmo assim, com o governo Dilma conduzindo bem as expectativas dos agentes, com o anúncio de reformas essenciais como a tributária, e depois do fraco desempenho em 2010, acreditamos num desempenho melhor da bolsa paulista neste ano de Estamos prevendo os setores, que devem performar bem: mineração, com a demanda por commodities ainda aquecida; consumo interno, InterBolsa do Brasil 2011 Página: 4

5 mesmo que num patamar mais fraco do que em 2010, pelos apertos de crédito recentes; infraestrutura, com os projetos de Copa do Mundo e Olimpíadas em curso, somados ao PAC; construção civil, com o crédito imobiliário avançando num ritmo monitorado pelo BACEN; assim como setor bancário, abaixo da média histórica, mas com potencial de alta em função da tendência de elevação de juro e aperto do crédito. A Petrobras, depois de recuar quase 30% em 2010, deve recuperar parte destas perdas. No gráfico abaixo, observamos a indefinição de tendência do Ibovespa em 2010, por estas incertezas externas citadas. Com a zona do euro encaminhando bem suas pendências e a China crescendo menos, mas acima de 8%, acreditamos que a bolsa poderá ter um desempenho melhor, em torno de 84 mil pontos (+21,2%); Realização de 30 a 60 IPOs em 2011, tendo-se em vista o bom momento vivenciado pela economia doméstica, as oportunidades com a Copa do Mundo e as Olimpíadas e a exploração do petróleo na camada do pré-sal. Outras boas expectativas vêm dos EUA, com fundos de pensão (entre outros); na China, surgem novos fundos interessados, somados a outros asiáticos e no Oriente Médio. Lembremos que nove dentre dez companhias, que abriram capital em 2010, registram retorno superior ao Ibovespa, com ganhos superiores a 100%. Para o primeiro trimestre, são previstas dez ofertas de ações - entre IPOs e follow ons - com volume total de pelo menos R$ 5 bilhões; Medida importante neste sentido, veio da CVM, dia 25/11, com a edição da Instrução nº 487. Esta traz boas práticas no que se refere às ofertas públicas de aquisição de controle de companhias de capital aberto. Ainda é cedo, no entanto, para avaliarmos seu impacto. Ou seja, o governo vem tentando tirar o excesso de demanda do setor privado por financiamentos para investimentos produtivos junto ao BNDES, principal canal de operações de longo prazo no País; Maiores desafios em 2011 virão do aumento da base de investidores pessoa física, forte dependência do capital externo, aperfeiçoamento do arcabouço regulatório, necessidade de capitalização de empresas de menor porte, para InterBolsa do Brasil 2011 Página: 5

6 muitos, grande desafio para A BM&F Bovespa vem fazendo ótimo trabalho na divulgação do Bovespa Mais, que ainda não decolou; Emissão de títulos de dívida privada em 2011 será, como em 2010, um dos mecanismos mais usados pelas empresas para financiar projetos. Neste ano, acreditamos que haverá expressivo aumento do número de emissões, havendo, de forma paralela, uma redução do valor médio de cada transação; Início de dezembro, BACEN anunciou isenção de exigência de reservas para a emissão de Letras Financeiras, a fim de fomentar uma nova alternativa de capitalização. Segundo a Anbima, até o final de novembro havia um estoque de Letras Financeiras em torno de R$ 21 bilhões, 2,4% do total de títulos bancários movimentados no mercado doméstico, atrás, somente, do CDB. Mesmo com estes dados em pouco tempo, esta isenção terá efeito moderado quanto ao volume de emissão de Letras Financeiras. Importante destacar que as instituições financeiras de pequeno e médio porte ainda dispõem de um vasto limite de emissão de CDBs não sujeito a recolhimento de compulsório; Expectativa de ritmo forte no segmento de renda fixa, entre ofertas de debêntures, bônus externos e Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC). Apesar do aumento das captações pelas empresas, a maioria das operações ainda se concentra em prazos mais curtos, mas a expectativa é de que essa realidade mude após o anúncio do governo de uma série de medidas para estimular o financiamento de longo prazo; Demanda por investimentos em infraestrutura deve superar a casa de R$ 1 trilhão nos próximos anos e o mercado de capitais se torna a melhor forma de canalizar esses recursos. Uma das iniciativas da ANBIMA é a criação do chamado "Novo Mercado de Renda Fixa", uma alusão ao segmento da BM&FBovespa no qual estão listadas as ações de empresas com práticas mais rigorosas de governança corporativa. O objetivo é propiciar a criação de um mercado de títulos de dívida de longo prazo no país. Acreditamos que o investidor estrangeiro deve contribuir para acelerar o processo de alongamento da dívida, a exemplo do que aconteceu com os títulos públicos quando o governo isentou o capital externo do pagamento de imposto de renda; Os bancos também ganham um instrumento importante de captação de longo prazo com a criação da Letra Financeira (LF), instrumento semelhante a uma debênture. InterBolsa do Brasil 2011 Página: 6

7 Certificação O relatório foi elaborado pelo economista Julio Hegedus Netto para uso exclusivo de seus clientes, com o objetivo de informar. Não pode ser reproduzido ou distribuído pelos clientes a qualquer pessoa, sem a expressa autorização da InterBolsa. Baseia-se em informações disponíveis ao público. O responsável certifica que seus pontos de vista e previsões expressos anteriormente, refletem a visão pessoal e que nenhuma parte de sua remuneração esteve, está ou estará relacionada direta ou indiretamente a recomendações específicas ou pontos de vista contidos no presente relatório. O mesmo não é uma oferta de compra ou venda, solicitação de compra ou venda de qualquer ativo financeiro. Instrução CVM 388/03 O analista declara que: 1) As recomendações indicadas neste relatório refletem única e exclusivamente opiniões pessoais e foram elaboradas de forma independente e autônoma, inclusive em relação à InterBolsa; 2) Não mantém vínculo com pessoas que atuem no âmbito da (s) companhia (s) analisada (s) anteriormente; 3) A InterBolsa, para a qual trabalha, pode estar envolvida na aquisição, alienação ou intermediação de títulos da (s) companhia (s) analisada (s) neste relatório; 4) Não possui valores mobiliários, que ultrapassem 5% de seu patrimônio pessoal, da (s) companhia (s) analisada (s) no presente relatório; 5) Não recebe remuneração por serviços prestados ou apresenta relações comerciais com a (s) companhia (s) analisada (s) neste relatório, ou com pessoas físicas ou jurídicas, fundos ou universalidade de direitos que atuem representando o mesmo interesse da (s) companhia (s). No entanto, a InterBolsa pode receber remuneração por serviços prestados, apresentar relações comerciais com a (s) Companhia (s) analisada (s) neste relatório, com pessoas físicas ou jurídicas, fundos ou universalidade de direitos que atuem representando o mesmo interesse da (s) companhia (s); 6) Sua remuneração não está atrelada à precificação de quaisquer valores mobiliários emitidos pela (s) companhia (s) analisada(s) neste relatório, ou às receitas provenientes dos negócios e operações financeiras realizadas pela InterBolsa. InterBolsa do Brasil 2011 Página: 7

8 InterBolsa do Brasil 2011 Página: 8

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