NOVAS TECNOLOGIAS: APOIO PARA FORMAÇÃO DE PROFESSORES

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1 1 NOVAS TECNOLOGIAS: APOIO PARA FORMAÇÃO DE PROFESSORES Lúcia Helena de Magalhães 1 Neuza Maria de Oliveira Marsicano 2 O papel das tecnologias da informação na atual sociedade da informação vem sendo amplamente discutido tanto por meios de comunicação públicos como privados. O presente artigo aborda a natureza das tecnologias da informação e paradigmas da formação de professores através das políticas públicas proposta pelo governo federal, e dos cursos de formação de professores. Os documentos legais tais como a (LDB) Lei n 9.394/96; os Referenciais para Formação de Professores (1999) e o Plano Nacional de Educação (PNE ) foram avanços para o desenvolvimento de uma nova proposta na formação de professores. Uma análise desses documentos evidencia que a formação de docentes adquire ênfase bastante distinta daquela que até então lhe fora dispensada na agenda das políticas educacionais brasileiras. Esses marcos definem o anúncio de um tempo onde a formação de professores se constitui como objeto central das políticas públicas em educação. Esse período coincide também com a realização de iniciativas das diferentes esferas do Poder Público (União, Estados e Municípios), muitas das quais financiadas com apoio de organismos internacionais. Em sintonia com toda uma retórica de valorização do professor, são concebidos programas de formação inicial e continuada visando seu aprimoramento profissional. 1 Pós Graduada em Desenvolvimento e Aplicações para Web, Curso Especial de Formação de Professores, Aluna Especial do Mestrado em Engenharia de Produção - COPPE, Prof.ª dos cursos de Pedagogia e Computação da UNIPAC/CAMPUS-II 2 Mestre em Educação, Coordenadora e professora dos cursos Pedagogia e Normal Superior Pesquisadora do NUPE/UNIPAC/ CAMPUS II

2 2 O recurso às chamadas novas tecnologias veio a se configurar enquanto política pública federal a partir de 1995, explicitando-se através de iniciativas na área de formação de professores e informatização de escolas, mais explicitamente através de três programas TV ESCOLA, PROINFO (Programa Nacional de Informática na Educação) e PROFORMAÇÃO (Programa de Formação de Professores) desenvolvidos pela Secretaria de Educação a Distância (SEED) do MEC, criada em A TV ESCOLA foi lançada experimentalmente em 1995, passando a operar em caráter definitivo em março de Através desta iniciativa as escolas de ensino fundamental com mais de 100 alunos passaram a receber um kit tecnológico, integrado por televisor, vídeo cassete e antena parabólica, o que lhes possibilita receber ou gravar programas educativos elaborados pelo Ministério da Educação. Tais produções têm por finalidade enriquecer o processo de aprendizagem, promover a capacitação continuada de docentes e gestores, bem como aprimorar atividades de recuperação e aceleração escolar e outras estabelecidas pelo projeto pedagógico de cada escola. Segundo o MEC, em 2000, mais de 56 mil escolas contavam com este equipamento, tendo sido distribuídos 14 milhões de materiais impressos de apoio aos programas educativos no período (BRASIL. MEC.INEP a, p. 23). O PROINFO, concebido com o intuito de introduzir a informática nas escolas públicas foi lançado em Seus objetivos são: democratizar o acesso à telemática, educar para o exercício da cidadania no mundo contemporâneo e permitir a educadores e alunos da escola pública o uso das modernas tecnologias de informática e telecomunicações (IDEM). Envolve a aquisição de computadores para uso escolar, a capacitação de professores e técnicos através de Núcleos de Tecnologia Educacional (NTE), os quais se configuram como estruturas descentralizadas de apoio técnico-pedagógico às escolas. No plano federal, essas iniciativas são apoiadas pelo Centro de Experimentação em Tecnologia Educacional (CETE), do MEC, que tem por finalidade facilitar e viabilizar a evolução harmônica do conjunto de ações do PROINFO. Segundo informe do Ministério, até o ano 2000 o PROINFO apresentava os seguintes números: 105 mil computadores, dos quais 100 mil destinados a 6 mil escolas e 5 mil aos NTEs; 223 NTEs, espalhados por todo o País; 27 programas estaduais em andamento; professores multiplicadores, técnicos de suporte e 25 mil professores capacitados; 7,5 milhões de alunos beneficiados (IDEM).

3 3 Estão em curso no país, outras alternativas que fazem uso da educação à distância, a exemplo de programa do Conselho Nacional de Secretários de Educação (CONSED) voltado para a de Formação de Gestores Escolares. Esta iniciativa contou com a participação de especialistas em diferentes áreas de conteúdo e, de início, deverá beneficiar 16 estados brasileiros. Ações dessa natureza podem vir a se configurar como experiências exemplares. Um novo significado social para o uso de novas Tecnologias vem sendo abordado no currículo dos cursos de formação de professores para Educação Infantil e Séries Iniciais do Ensino Fundamental: A inclusão da disciplina educação e novas tecnologias. Trata-se de estimular as tecnologias de um modo especial o uso do computador como ferramenta de apoio e que por certo, essa perspectiva aponta para desenvolvimento da aprendizagem interativa, promovendo a mudança de posturas frente às tecnologias de educação, superando velhas concepções que acreditam ser suficientes a introdução de instrumentos tecnológicos para a modernização da escola. A tecnologia deverá ocupar um papel de destaque, tendo uma contribuição efetiva e decisiva na medida em que: Permitir quebrar as paredes e os muros das escolas, expandindo as fronteiras do conhecimento; Favorecer a criação de novos meios de acesso e apresentação da informação; Permitir novas posturas no ensino e na aprendizagem; Possibilitar novas formas de relacionamento entre as pessoas. Na dimensão do processo de ensino-aprendizagem, a grande vantagem na utilização da tecnologia está relacionada ao fato dela permitir um novo caminho de acesso ao conhecimento, onde o aprendiz (aluno, usuário) passa a ser construtor do seu próprio conhecimento, interferindo ativamente na busca da informação e no seu processo de aprendizagem, conforme ilustrado na figura 2. Para BELHOT (1997), esse novo caminho criado pela tecnologia muda fundamentalmente a relação de ensino, fazendo com que o professor deixe de ser o único elo com o conhecimento.

4 4 FIGURA 1 - A tecnologia cria um novo caminho até o conhecimento (modificada de BELHOT, 1997, p.75) Evidentemente, deve estar claro que o aluno não estará sozinho nesse caminho alternativo criado pela introdução da tecnologia: a presença do educador não apenas continuará existindo, como ainda será muito importante. No entanto, o educador substituirá seu papel de fonte de informações para o de facilitador da aprendizagem, dando condições para o aluno participar ativamente da busca do conhecimento. As constantes em educação são ajudar o indivíduo a compreender seu mundo, a ser capaz de lidar com a mudança e a ser humano cívico. Como fazer essas mudanças é algo que muda em certos aspectos, mas continua constante em outros. Uma vez que existe tanto a aprender, precisamos ser mais seletivos e estratégicos, e precisamos ajudar os indivíduos a continuar aprendendo depois que saem da escola.(gardner, 1995) A experiência na docência vem demonstrando que o rápido crescimento das redes de computadores, entre elas a Internet, e o desenvolvimento de novos equipamentos e serviços que melhoram a capacidade de comunicação, criam uma sala de aula mundial, permitindo que o aluno pesquise a informação de seu interesse onde quer que ela se encontre, além de transformar drasticamente a relação professor-aluno, quebrando limitações de tempo e espaço. Evidentemente, a simples introdução da tecnologia no processo de ensinoaprendizagem não caracteriza, por si só, uma mudança de paradigma e nem tampouco tem essa ambição: essa é uma postura que deve ficar absolutamente clara entre os educadores, principalmente entre os seus maiores defensores. Uma mudança de paradigma é algo muito mais profundo, que exige mudanças em termos de comportamento, conceitos, valores e ações, e uma mobilização por parte de todas as classes dos envolvidos.

5 5 O grande desafio é formar o professor, não apenas para usar o computador, mas para buscar conhecimentos técnicos e pedagógicos necessários ao melhor emprego dessa tecnologia na sala de aula, tais como: O software didático Software educativo pode ser definido como um produto orientado a diversas finalidades pedagógicas, concebido de modo a ser aplicado a diferentes estratégias e podendo ser construído com ferramentas mais ou menos complexas. Deve ter o objetivo de levar o professor a construir conhecimento e habilidades, de maneira diversa, mais agradável, permeado de desafios. Uma primeira característica do software didático é a sua capacidade interativa, característica essa que envolve o sujeito no processo, ele é ativo e participante e pode, de uma certa forma, modificar algo que estava preestabelecido. Alguns elementos podem favorecer e até mesmo ajudar esta interatividade como: o conteúdo da disciplina, a motivação e os aspectos externos do software (cores, textos, flexibilidade, recursos multimídia, capacidade de feedback, de diálogo), isso tudo, porém, de conformidade com o usuário ao qual se destina o aplicativo. Existem teorias bastante elaboradas, baseadas em estudos sobre o desenvolvimento cognitivo, de como se dá a aprendizagem dos conteúdos das matérias escolares. As teorias de aprendizagem associadas a importantes estudiosos deste século, como Jean Piaget, Vygotsky etc., deveriam estar na base das concepções dos softwares educativos, não apenas sobre o ponto de vista da interatividade que estes permitem, independente da sua qualidade pedagógica, mas apenas por força das suas propriedades computacionais, isto é, dadas pelo computador (gráfica, multimídia, sons, animações etc.). Hipertexto Segundo BELHOT (1997), o hipertexto é uma solução tecnológica para organizar o acesso à informação. Para PIMENTEL (1989), o hipertexto organiza o armazenamento das informações de um documento, permitindo a realização de pesquisas não seqüenciais.

6 6 Em um documento hipertexto, não existe uma única opção que imponha a seqüência na qual o texto deve ser lido, já que o autor do documento deixa algumas alternativas para os leitores explorarem. Assim, o leitor pode escolher, no momento em que estiver lendo o texto, quais opções adotará na leitura. (NIELSEN,1995, 72). A figura representa uma estrutura simples de hipertexto. Os documentos hipertexto podem ser organizados em diversos tipos de estruturas, dependendo das ligações existentes. Para NIELSEN (1995), o hipertexto é bastante adequado para aplicações abertas de aprendizagem em que o aluno tem liberdade de ação e é encorajado a tomar a iniciativa. Internet Para GOMES (1998), os benefícios da utilização das redes estão diretamente relacionados às novas formas de aprendizagem em que a interação, o acesso ilimitado às informações, a questão multidisciplinar e colaborativa se unem para redimensionar os modelos educacionais. Em atividades de ensino-aprendizagem, é possível afirmar que a Internet já se tornou indispensável: universidades virtuais, cursos completos e aulas on-line, tutoriais, publicações científicas e artigos crescem a cada dia na rede. A Internet tem proporcionado novos meios de

7 7 ensino-aprendizagem como alternativa aos tradicionais. Sua flexibilidade facilita a publicação e a atualização da informação. Portanto, a utilização da Internet é um desafio que os professores e as escolas estarão enfrentando neste final de século, pois ela apresenta uma concepção socializadora da informação. Pierre Lévy em seu livro Cibercultura, defende a tese que a tecnologia futuramente tomará frente às escolas tradicionais e que passaremos a conhecer novas formas de ensinar e organizar as escolas. Refletir sobre as Novas Tecnologias trouxe- nos a oportunidade de rever questões das quais participamos como coordenador e professor nos cursos de Pedagogia e Normal Superior. A revisão de literatura referente as políticas públicas e os recursos da tecnologia, sobretudo, a partir da nova lei de Diretrizes Básicas de Educação Nacional ao apontar eixos de mudanças necessárias a melhoria da qualidade do ensino, destacou a necessidade das novas tecnologias para formação de professor. A utilização dos softwares educativo, assim como dos ambientes virtuais de aprendizagem permitem ampliar a capacidade de pensar de modo inimaginável, pois, estes estimulam o aprendizado pelas características multissensoriais e lúdicas..

8 8 BIBLIOGRAFIA BRASIL.MEC. Desenvolvimento da Educação no Brasil Decreto 3.276, de 06 de dezembro de 1999.Dispõe sobre a formação em nível superior de professores para atuar na educação básica. Lei nº 9394, de 20 de dezembro de Diretrizes Básicas da Educação Nacional.. INEP. EFA 2000 Educação para Todos. Informe Nacional. Brasília: O Instituto, 2000-a. Lei , de 9 de janeiro de Plano Nacional de Educação. Brasília, Plano Editora, BELHOT, R.V. Estratégias de Ensino e de Aprendizagem, in COBENGE 97. Congresso Brasileiro de Ensino de Engenharia, Escola Politécnica da UFBA 12 a 15 de outubro de 1997, vol.4, Salvador. CASTELLS, Manoel. A Sociedade em Rede. São Paulo: Paz e Terra, CHESNEAUX, Jean. Modernidade-Mundo. Petrópolis: Vozes, GARDNER, H. Inteligências múltiplas: a teoria na prática, Porto Alegre: Artes Médicas Sul NUNES, C. Ensino Normal: Formação de Professores. Rio de Janeiro: DP&A, PIAGET, Jean. Aprendizagem e Conhecimento. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1979.

9 9 PIMENTEL, M.G.C. (1989). Sistemas Hipertexto: discussões, um projeto e sua implementação. São Carlos. 129p. Dissertação (Mestrado) Instituto de Ciências Matemáticas de São Carlos, Universidade de São Paulo TEDESCO, G. C. Educação e Novas Tecnologias. São Paulo: Cortez, VIEIRA, Sofia Lerche. Política educacional em tempos de transição ( ). Brasília: Editora Plano, VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Marins Fontes, 1984.

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