MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ SETOR DE CIÊNCIAS DA SAÚDE COORDENAÇÃO DO CURSO DE ENFERMAGEM

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1 MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ SETOR DE CIÊNCIAS DA SAÚDE COORDENAÇÃO DO CURSO DE ENFERMAGEM REGULAMENTO DE ESTÁGIO DO CURSO DE ENFERMAGEM O Curso de Enfermagem do Setor de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Paraná (UFPR), com duração de 05 anos, teve sua criação autorizada em 27 de maio de 1974, pela Resolução 04/74 do Conselho de Ensino e Pesquisa (CEPE) da UFPR, e reconhecido pela Portaria do MEC nº 100, de 21 de janeiro de O presente regulamento tem a finalidade de normatizar os estágios no âmbito do referido Curso, em consonância com a Lei nº 9394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação - LDB), com a Resolução nº 03/2001 do Conselho Nacional de Educação-CNE (fixa Diretrizes Nacionais do Curso de Graduação em Enfermagem, estabelecendo carga mínima de 20% para o Estágio Supervisionado), com a Lei nº /08 (legislação vigente de estágios) e com a Resolução nº 19/90 do CEPE/UFPR (diretrizes dos estágios no âmbito da UFPR). I. CARACTERIZAÇÃO GERAL DO ESTÁGIO Art. 1º - Em consonância com o Projeto Político Pedagógico do Curso de Enfermagem da UFPR, o Estágio entende o trabalho como princípio pedagógico. Ele enseja o contato do aluno e professor com o contexto real do trabalho, quer seja aplicando as teorias estudadas na Universidade, quer seja vivenciando uma prática sob supervisão (no caso do aluno), e até mesmo confrontando e questionando aquelas teorias, e assim, aperfeiçoar e sedimentar conhecimentos. Em suma, o Estágio propicia adentrar nos processos reais de trabalho, vivenciando suas contradições, suas possibilidades e limites, e seu potencial transformador ou reprodutor das relações sociais de produção. Art. 2º - O Estágio, de acordo com a Resolução nº 19/90 - CEPE, tem o propósito de favorecer: a) o desenvolvimento do trabalho interdisciplinar; b) experiências acadêmico-profissionais orientadas para a competência técnico-científica e para a atuação no contexto de relações sociais diagnosticadas e reconhecidas no âmbito do trabalho; c) o questionamento, reavaliação e reestruturação curricular; d) o relacionamento dinâmico de teorias e práticas desenvolvidas ao longo das atividades de ensino; e) a promoção da pesquisa, do ensino e da extensão; Art. 3º - Os Estágios do Curso de Enfermagem são desenvolvidos sob duas modalidades: Estágio curricular obrigatório e Estágio não obrigatório (opcional). Art. 4º - A jornada da atividade de Estágio, de acordo com o art. 10º da Lei nº 11788/08, inciso II, não deverá ultrapassar 6 horas diárias e 30 horas semanais para estudantes do ensino superior. Parágrafo Único - O Estágio relativo a disciplinas que alternam teoria e prática, nos períodos em que não estão programadas aulas presenciais, poderá ter jornada de até 40 (quarenta) horas semanais, desde que isso esteja previsto no projeto pedagógico do curso e da instituição de ensino. (cf. parágrafo 1 º, art. 10º, da lei acima referida). Art. 5º Para realizar o Estágio, o acadêmico deverá lavrar o Termo de Compromisso de Estágio, conforme a legislação vigente, para caracterizar a natureza acadêmica do mesmo e garantir sua cobertura com seguro obrigatório. Parágrafo Único - Conforme parágrafo único do art. 9º da lei 11788/08, no caso dos estágios obrigatórios do Curso de Enfermagem, a UFPR providenciará a cobertura de seguro para o acadêmico. II. CARACTERIZAÇÃO DO ESTÁGIO OBRIGATÓRIO Art. 6º - O Estágio Obrigatório é condição indispensável para conclusão do Curso de Enfermagem, de conformidade com o art. 2º, parágrafo 1, da lei 11788/08: o estágio obrigatório é aquele definido como tal no projeto do curso, cuja carga horária é requisito para aprovação e obtenção de diploma. Por sua vez, o projeto do curso de Enfermagem seguiu as Diretrizes Curriculares para os Cursos de Enfermagem, instituídas pela Resolução nº 3, do Conselho Nacional de Educação de 7/11/2001, que assim estabeleceu, em seu art. 7º:

2 Na formação do Enfermeiro, além dos conteúdos teóricos e práticos desenvolvidos ao longo de sua formação, ficam os cursos obrigados a incluir no currículo o estágio supervisionado em hospitais gerais e especializados, ambulatórios, rede básica de serviços de saúde e comunidades nos dois últimos semestres do Curso de Graduação em Enfermagem. Parágrafo Único. Na elaboração da programação e no processo de supervisão do aluno, em estágio curricular supervisionado pelo professor, será assegurada efetiva participação dos enfermeiros do serviço de saúde onde se desenvolve o referido estágio. A carga horária mínima do estágio curricular supervisionado deverá totalizar 20% (vinte por cento) da carga horária total do Curso de Graduação em Enfermagem proposto, com base no Parecer/Resolução específico da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação. Atualmente, o Curso de Enfermagem trabalha com dois currículos: 1º - Currículo vigente regulamentado pela Resolução nº 12/96 do CEPE: no que diz respeito a estágios na modalidade Bacharelado, este currículo compreende as Disciplinas Estágio Supervisionado em Enfermagem I (MN095, 360 hs. - 9º período), Estágio Supervisionado em Enfermagem II (MN097, 360 hs. - 10º período), totalizando 720 hs; e na modalidade Bacharelado + Licenciatura, além das anteriores, o Estágio em Prática de Ensino I (EM063, 60 hs 9º período, com 60 hs), totalizando 780 horas. I - Os pré-requisitos para Estágio Supervisionado em Enfermagem I são as disciplinas: Assistência de Enfermagem I, Assistência de Enfermagem II e Assistência de Enfermagem III, respectivamente MN080, MN093 e MN082. O pré-requisito para Estágio Supervisionado em Enfermagem II é a disciplina Estágio Supervisionado em Enfermagem I (MN095). O pré-requisito para a disciplina Prática de Ensino I (EM063) é a disciplina Metodologia do Ensino da Enfermagem (EM070) que, por sua vez, tem como pré-requisito a Disciplina Didática (EM 001). 2º - Currículo vigente regulamentado pela Resolução nº 13/08 do CEPE: com relação a estágios na modalidade Bacharelado, este currículo compreende as Disciplinas Estágio Supervisionado de Planejamento e Administração em Saúde (MN112, 180 hs. - 9º período), Estágio Supervisionado em Atenção Básica à Saúde (MN113, 180 hs. 9º período), Estágio Supervisionado em Enfermagem (MN116, 450 hs. 10º período), totalizando 810 hs., não havendo pré-requisitos para nenhuma delas. Na modalidade Bacharelado + Licenciatura, além das já elencadas, estão as disciplinas: Organização do Trabalho Pedagógico na Escola (EP074, 45 hs. 7º período), Estágio Supervisionado em Processos Interativos na Educação (ET054, 45 hs. 8º período), Prática de Docência no Universo Escolar (EM137, 90 hs. 9º período) e Prática de Docência no Universo Comunitário (EM138, 90 hs. 10º período), totalizando 1215 hs. III. COMISSÃO ORIENTADORA DE ESTÁGIO (COE) Art. 7º Em conformidade com a Res. 19/90-CEPE, o Colegiado do Curso de Enfermagem conta com uma Comissão Orientadora de Estágio (COE), cujos membros serão homologados pelo referido Colegiado, após indicação pelos Departamentos que ofertam disciplinas de estágio para o Curso de Enfermagem. Parágrafo Único Dada sua posição estratégica na condução do Currículo, o Coordenador de Curso será componente obrigatório desta Comissão. Art. 8º As indicações para composição da COE serão feitas pelos Departamentos que ofertam disciplinas de estágio para o Curso de Enfermagem, sendo indicados, preferencialmente, os professores coordenadores dessas disciplinas (onde eles existirem), ou outros professores atuando no Departamento. Parágrafo Único Os mandatos para a COE serão de 2 anos, podendo ser reconduzidos os nomes indicados. Art. 9º A coordenação da COE será exercida pelo Coordenador do Curso. Parágrafo Único - As atividades dos membros da COE devem constar tanto dos planos departamentais como dos planos individuais de trabalho dos professores, sem que se configure dispensa das atividades regulares de ensino. Art. 10º - Na definição do campo de Estágio deverão ser observados os seguintes aspectos: I - Atender aos critérios dispostos na Resolução nº 19/90 CEPE, artigos 5º e 6º e legislação vigente, no que diz respeito às condições do campo de estágio;

3 II - A escolha do campo de estágio ficará a critério de cada disciplina, em concordância com o conteúdo programático dos planos de ensino; III - No caso das disciplinas de Estágio do Bacharelado, e quando o campo de Estágio for em hospitais, clínicas, centros e unidades de saúde, o serviço deve possuir Enfermeiro com atuação direta, de modo a ser uma referência para o acadêmico, de acordo com o plano de Estágio. Campos de Estágio de outra natureza terão sua pertinência apreciada pela COE, sempre atendendo as disposições gerais deste Regulamento; IV - O Estágio poderá ser realizado na cidade de Curitiba ou nos demais municípios do Estado do Paraná ou, a critério da COE, em outros municípios do país, desde que ofereçam as condições acadêmicas. Art. 11º - Para cada disciplina de Estágio deverão estar assegurados os seguintes profissionais, com as respectivas atribuições: I - Professor coordenador da Disciplina de Estágio: é aquele que desempenha atividades administrativas da disciplina, tendo uma visão geral do quadro de alunos, professores e campos de estágios envolvidos em cada semestre letivo; a ele também compete intermediar as relações interinstitucionais, viabilizar novos campos de estágio, bem como dirimir dúvidas e intermediar a solução de possíveis conflitos entre aluno e campo. II - Professor supervisor: a supervisão das disciplinas de Estágio do Bacharelado deverá ser realizada exclusivamente por professor do Departamento de Enfermagem - quando a disciplina for ofertada pelo mesmo - ou por professor-enfermeiro lotado em outro departamento acadêmico. O professor supervisor é o principal responsável por acompanhar e avaliar o desempenho acadêmico do aluno, de acordo com o plano de ensino da disciplina, bem como se responsabilizar tecnicamente pela atuação do aluno, conforme exigência do Conselho Regional de Enfermagem do Paraná (COREN-PR). III - Enfermeiro supervisor de campo: é o profissional de campo que é referência para o aluno na dinâmica do Estágio. Atua como colaborador da instituição de ensino nos aspectos de desenvolvimento acadêmico e avaliação do aluno. Parágrafo Único - No campo onde não houver enfermeiro, o papel deste será assumido pelo professor supervisor. Art. 12 º - Compete ao Professor Coordenador da Disciplina de Estágio: a - Observar o Código de Ética do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN); b - Manter contato com o(s) enfermeiro(s) supervisor(es) de campo e estagiário(s), para verificar as condições de campo de Estágio e regulamentação administrativa; c - Promover a adequada articulação com o campo, de forma a obter os meios para a efetiva execução do Estágio; d - Comunicar à COE as irregularidades verificadas no cumprimento do plano de Estágio; e - Promover a articulação docência-serviço mediante relacionamento com o campo de Estágio; f - Participar de todas as reuniões da COE e dos eventos por ela organizados. Art. 13 º - Compete ao Professor Supervisor de Estágio: a - Observar o Código de Ética do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN); b Realizar a supervisão do Estágio em conformidade com o Plano de Ensino e o art. 1º deste Regulamento; c Estabelecer, com o aluno e, quando for o caso, com o supervisor de campo, o plano de Estágio, definindo aspectos prioritários a serem observados no desenvolvimento do mesmo, bem como os critérios tomados para a avaliação do Estágio; d - Comunicar irregularidades verificadas no cumprimento do plano de Estágio ao professor coordenador da disciplina; f Realizar, durante e ao final do Estágio, preferencialmente com o enfermeiro supervisor de campo, a avaliação dos resultados alcançados pelo estagiário. Art. 14 º - Compete ao Enfermeiro Supervisor de Campo: a - Observar o Código de Ética do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN); b Participar, se for do seu interesse, da elaboração do plano de Estágio e da avaliação, juntamente com o professor supervisor e estagiário(s); c - Orientar o estagiário no desenvolvimento do Estágio proposto (no caso de supervisão semi-direta e indireta). d - Requisitar, se necessário, a presença do professor supervisor; e - Comunicar ao professor supervisor possíveis mudanças ou irregularidades em relação ao desenvolvimento do Estágio por parte do aluno.

4 Art. 15 º - Compete ao Estagiário: a - Observar o Código de Ética do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN); b Participar, com o(s) professor(es), da definição do campo de Estágio (quando previsto na disciplina) e apresentar a proposta ao Coordenador da Disciplina de Estágio; c Elaborar, juntamente com o professor supervisor e supervisor de campo, o plano de Estágio; d - Comunicar ao professor supervisor as dificuldades encontradas no desenvolvimento do Estágio; e - Seguir as orientações dos supervisores, cumprindo o plano de Estágio e as normas e regulamentos internos do campo de Estágio; f - Cumprir os prazos determinados pela disciplina para entrega do Relatório Final do Estágio ou outras atividades acordadas na disciplina. Art. 16º - A supervisão de Estágio dar-se-á de conformidade com a Resolução nº 19/90 - CEPE, artigo 10º, como segue: I - Supervisão direta: acompanhamento e orientação do planejado por observação contínua e direta das atividades ocorrentes nos campos de Estágio ao longo de todo processo, podendo se complementar com entrevistas e reuniões, no âmbito da Universidade Federal do Paraná e/ou no campo de Estágio; II - Supervisão semidireta: acompanhamento e orientação do planejado por meio de visitas sistemáticas ao campo de Estágio pelo professor supervisor, que manterá também contatos com o profissional responsável pelo(s) estagiário(s), além do complemento de entrevistas e reuniões com os estudantes; III - Supervisão indireta: acompanhamento feito via relatórios, reuniões ou visitas ocasionais aos campos de Estágio, onde se processarão contatos e reuniões com o profissional responsável. Esta supervisão ocorre principalmente quando o Estágio é realizado em instituições de outras cidades fora da Região Metropolitana. Art. 17º - De acordo com o art. 13º da Resolução nº 19/90 CEPE, a avaliação do estagiário será efetuada pelo professor supervisor, de forma sistemática e contínua, com a participação do estagiário e podendo contar ocasionalmente com a colaboração enfermeiro supervisor de campo. Parágrafo Único - Ao final do Estágio, o aluno deverá apresentar à Coordenação da respectiva Disciplina o Relatório de Estágio, conforme modelo previsto no Plano de Ensino da Disciplina. Art. 18º - Para ser considerado aprovado, o aluno deverá ter uma freqüência mínima de 95% da carga horária total da disciplina. Parágrafo Único - A nota final deverá ser igual ou superior a 50 (na escala de 0 a 100), não cabendo exame final ou segunda avaliação final, conforme Resolução nº 37/97 - CEPE, artigos 98 e 100. IV - CARACTERIZAÇÃO DO ESTÁGIO NÃO OBRIGATÓRIO (OPCIONAL) Art. 19º - O Estágio não obrigatório, de acordo com a Resolução nº 19/90-CEPE, artigo 5º é realizado voluntariamente pelos estudantes para complementação de sua formação acadêmico-profissional, desde que não causem prejuízo à integralização de seus currículos plenos. 1 º - A realização de Estágios não obrigatórios no Curso de Enfermagem deverá estar em conformidade com a Instrução Normativa nº 01/93 do CEPE e poderá ser convalidada como atividade formativa complementar prevista na Resolução nº 13/08 do CEPE 2 º - Para realizar o estágio não obrigatório a solicitação do aluno deverá ser apreciada pela COE, que analisará a compatibilidade entre a natureza do Estágio e as disciplinas já cursadas. Art. 20º - O aluno deverá entregar à COE os documentos devidos: Termo de Compromisso assinado pela parte concedente e pelo estagiário, o Plano de Estágio assinado pelo professor supervisor, enfermeiro supervisor de campo, estagiário e COE, e o Histórico Escolar. Art. 21º - A supervisão do Estágio não obrigatório dar-se-á de conformidade com a modalidade de supervisão indireta, de acordo com o art. 10º da Resolução nº 19/90-CEPE, que assim dispõe: acompanhamento feito via relatórios, reuniões, visitas ocasionais ao campo do estágio onde se processarão contatos e reuniões com o profissional responsável. 1º - Caberá ao aluno pretendente ao Estágio não obrigatório a escolha de um professor da UFPR como supervisor de suas atividades, observando-se as disposições do art. 7º da Resolução nº 19/90-CEPE.

5 2º - É imprescindível que o professor supervisor conheça e avalie as condições da unidade concedente antes da assinatura do Termo de Compromisso. Art. 22º - Os casos omissos neste regulamento serão apreciados pela COE do Curso de Enfermagem. Art. 23º - O presente Regulamento entrará em vigor no período letivo subsequente à homologação pelo Colegiado do Curso. Obs. Este regulamento foi homologado pelo Colegiado do Curso em reunião realizada no dia 08 de dezembro de 2009 no Setor de Ciências da Saúde/Centro.

6 Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos LEI Nº , DE 25 DE SETEMBRO DE Dispõe sobre o estágio de estudantes; altera a redação do art. 428 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, aprovada pelo Decreto-Lei n o 5.452, de 1 o de maio de 1943, e a Lei n o 9.394, de 20 de dezembro de 1996; revoga as Leis n os 6.494, de 7 de dezembro de 1977, e 8.859, de 23 de março de 1994, o parágrafo único do art. 82 da Lei n o 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e o art. 6 o da Medida Provisória n o , de 24 de agosto de 2001; e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: CAPÍTULO I DA DEFINIÇÃO, CLASSIFICAÇÃO E RELAÇÕES DE ESTÁGIO Art. 1 o Estágio é ato educativo escolar supervisionado, desenvolvido no ambiente de trabalho, que visa à preparação para o trabalho produtivo de educandos que estejam freqüentando o ensino regular em instituições de educação superior, de educação profissional, de ensino médio, da educação especial e dos anos finais do ensino fundamental, na modalidade profissional da educação de jovens e adultos. 1 o O estágio faz parte do projeto pedagógico do curso, além de integrar o itinerário formativo do educando. 2 o O estágio visa ao aprendizado de competências próprias da atividade profissional e à contextualização curricular, objetivando o desenvolvimento do educando para a vida cidadã e para o trabalho. Art. 2 o O estágio poderá ser obrigatório ou não-obrigatório, conforme determinação das diretrizes curriculares da etapa, modalidade e área de ensino e do projeto pedagógico do curso. 1 o Estágio obrigatório é aquele definido como tal no projeto do curso, cuja carga horária é requisito para aprovação e obtenção de diploma. 2 o Estágio não-obrigatório é aquele desenvolvido como atividade opcional, acrescida à carga horária regular e obrigatória. 3 o As atividades de extensão, de monitorias e de iniciação científica na educação superior, desenvolvidas pelo estudante, somente poderão ser equiparadas ao estágio em caso de previsão no projeto pedagógico do curso. Art. 3 o O estágio, tanto na hipótese do 1 o do art. 2 o desta Lei quanto na prevista no 2 o do mesmo dispositivo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, observados os seguintes requisitos: I matrícula e freqüência regular do educando em curso de educação superior, de educação profissional, de ensino médio, da educação especial e nos anos finais do ensino fundamental, na modalidade profissional da educação de jovens e adultos e atestados pela instituição de ensino; II celebração de termo de compromisso entre o educando, a parte concedente do estágio e a instituição de ensino;

7 III compatibilidade entre as atividades desenvolvidas no estágio e aquelas previstas no termo de compromisso. 1 o O estágio, como ato educativo escolar supervisionado, deverá ter acompanhamento efetivo pelo professor orientador da instituição de ensino e por supervisor da parte concedente, comprovado por vistos nos relatórios referidos no inciso IV do caput do art. 7 o desta Lei e por menção de aprovação final. 2 o O descumprimento de qualquer dos incisos deste artigo ou de qualquer obrigação contida no termo de compromisso caracteriza vínculo de emprego do educando com a parte concedente do estágio para todos os fins da legislação trabalhista e previdenciária. Art. 4 o A realização de estágios, nos termos desta Lei, aplica-se aos estudantes estrangeiros regularmente matriculados em cursos superiores no País, autorizados ou reconhecidos, observado o prazo do visto temporário de estudante, na forma da legislação aplicável. Art. 5 o As instituições de ensino e as partes cedentes de estágio podem, a seu critério, recorrer a serviços de agentes de integração públicos e privados, mediante condições acordadas em instrumento jurídico apropriado, devendo ser observada, no caso de contratação com recursos públicos, a legislação que estabelece as normas gerais de licitação. 1 o Cabe aos agentes de integração, como auxiliares no processo de aperfeiçoamento do instituto do estágio: I identificar oportunidades de estágio; II ajustar suas condições de realização; III fazer o acompanhamento administrativo; IV encaminhar negociação de seguros contra acidentes pessoais; V cadastrar os estudantes. 2 o É vedada a cobrança de qualquer valor dos estudantes, a título de remuneração pelos serviços referidos nos incisos deste artigo. 3 o Os agentes de integração serão responsabilizados civilmente se indicarem estagiários para a realização de atividades não compatíveis com a programação curricular estabelecida para cada curso, assim como estagiários matriculados em cursos ou instituições para as quais não há previsão de estágio curricular. Art. 6 o O local de estágio pode ser selecionado a partir de cadastro de partes cedentes, organizado pelas instituições de ensino ou pelos agentes de integração. CAPÍTULO II DA INSTITUIÇÃO DE ENSINO Art. 7 o São obrigações das instituições de ensino, em relação aos estágios de seus educandos: I celebrar termo de compromisso com o educando ou com seu representante ou assistente legal, quando ele for absoluta ou relativamente incapaz, e com a parte concedente, indicando as condições de adequação do estágio à proposta pedagógica do curso, à etapa e modalidade da formação escolar do estudante e ao horário e calendário escolar; II avaliar as instalações da parte concedente do estágio e sua adequação à formação cultural e profissional do educando; III indicar professor orientador, da área a ser desenvolvida no estágio, como responsável pelo acompanhamento e avaliação das atividades do estagiário; IV exigir do educando a apresentação periódica, em prazo não superior a 6 (seis) meses, de relatório das atividades;

8 V zelar pelo cumprimento do termo de compromisso, reorientando o estagiário para outro local em caso de descumprimento de suas normas; VI elaborar normas complementares e instrumentos de avaliação dos estágios de seus educandos; VII comunicar à parte concedente do estágio, no início do período letivo, as datas de realização de avaliações escolares ou acadêmicas. Parágrafo único. O plano de atividades do estagiário, elaborado em acordo das 3 (três) partes a que se refere o inciso II do caput do art. 3 o desta Lei, será incorporado ao termo de compromisso por meio de aditivos à medida que for avaliado, progressivamente, o desempenho do estudante. Art. 8 o É facultado às instituições de ensino celebrar com entes públicos e privados convênio de concessão de estágio, nos quais se explicitem o processo educativo compreendido nas atividades programadas para seus educandos e as condições de que tratam os arts. 6 o a 14 desta Lei. Parágrafo único. A celebração de convênio de concessão de estágio entre a instituição de ensino e a parte concedente não dispensa a celebração do termo de compromisso de que trata o inciso II do caput do art. 3 o desta Lei. CAPÍTULO III DA PARTE CONCEDENTE Art. 9 o As pessoas jurídicas de direito privado e os órgãos da administração pública direta, autárquica e fundacional de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, bem como profissionais liberais de nível superior devidamente registrados em seus respectivos conselhos de fiscalização profissional, podem oferecer estágio, observadas as seguintes obrigações: I celebrar termo de compromisso com a instituição de ensino e o educando, zelando por seu cumprimento; II ofertar instalações que tenham condições de proporcionar ao educando atividades de aprendizagem social, profissional e cultural; III indicar funcionário de seu quadro de pessoal, com formação ou experiência profissional na área de conhecimento desenvolvida no curso do estagiário, para orientar e supervisionar até 10 (dez) estagiários simultaneamente; IV contratar em favor do estagiário seguro contra acidentes pessoais, cuja apólice seja compatível com valores de mercado, conforme fique estabelecido no termo de compromisso; V por ocasião do desligamento do estagiário, entregar termo de realização do estágio com indicação resumida das atividades desenvolvidas, dos períodos e da avaliação de desempenho; VI manter à disposição da fiscalização documentos que comprovem a relação de estágio; VII enviar à instituição de ensino, com periodicidade mínima de 6 (seis) meses, relatório de atividades, com vista obrigatória ao estagiário. Parágrafo único. No caso de estágio obrigatório, a responsabilidade pela contratação do seguro de que trata o inciso IV do caput deste artigo poderá, alternativamente, ser assumida pela instituição de ensino. CAPÍTULO IV DO ESTAGIÁRIO Art. 10. A jornada de atividade em estágio será definida de comum acordo entre a instituição de ensino, a parte concedente e o aluno estagiário ou seu representante legal, devendo constar do termo de compromisso ser compatível com as atividades escolares e não ultrapassar: I 4 (quatro) horas diárias e 20 (vinte) horas semanais, no caso de estudantes de educação especial e dos anos finais do ensino fundamental, na modalidade profissional de educação de jovens e adultos;

9 II 6 (seis) horas diárias e 30 (trinta) horas semanais, no caso de estudantes do ensino superior, da educação profissional de nível médio e do ensino médio regular. 1 o O estágio relativo a cursos que alternam teoria e prática, nos períodos em que não estão programadas aulas presenciais, poderá ter jornada de até 40 (quarenta) horas semanais, desde que isso esteja previsto no projeto pedagógico do curso e da instituição de ensino. 2 o Se a instituição de ensino adotar verificações de aprendizagem periódicas ou finais, nos períodos de avaliação, a carga horária do estágio será reduzida pelo menos à metade, segundo estipulado no termo de compromisso, para garantir o bom desempenho do estudante. Art. 11. A duração do estágio, na mesma parte concedente, não poderá exceder 2 (dois) anos, exceto quando se tratar de estagiário portador de deficiência. Art. 12. O estagiário poderá receber bolsa ou outra forma de contraprestação que venha a ser acordada, sendo compulsória a sua concessão, bem como a do auxílio-transporte, na hipótese de estágio não obrigatório. 1 o A eventual concessão de benefícios relacionados a transporte, alimentação e saúde, entre outros, não caracteriza vínculo empregatício. 2 o Poderá o educando inscrever-se e contribuir como segurado facultativo do Regime Geral de Previdência Social. Art. 13. É assegurado ao estagiário, sempre que o estágio tenha duração igual ou superior a 1 (um) ano, período de recesso de 30 (trinta) dias, a ser gozado preferencialmente durante suas férias escolares. 1 o O recesso de que trata este artigo deverá ser remunerado quando o estagiário receber bolsa ou outra forma de contraprestação. 2 o Os dias de recesso previstos neste artigo serão concedidos de maneira proporcional, nos casos de o estágio ter duração inferior a 1 (um) ano. Art. 14. Aplica-se ao estagiário a legislação relacionada à saúde e segurança no trabalho, sendo sua implementação de responsabilidade da parte concedente do estágio. CAPÍTULO V DA FISCALIZAÇÃO Art. 15. A manutenção de estagiários em desconformidade com esta Lei caracteriza vínculo de emprego do educando com a parte concedente do estágio para todos os fins da legislação trabalhista e previdenciária. 1 o A instituição privada ou pública que reincidir na irregularidade de que trata este artigo ficará impedida de receber estagiários por 2 (dois) anos, contados da data da decisão definitiva do processo administrativo correspondente. 2 o A penalidade de que trata o 1 o deste artigo limita-se à filial ou agência em que for cometida a irregularidade. CAPÍTULO VI DAS DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 16. O termo de compromisso deverá ser firmado pelo estagiário ou com seu representante ou assistente legal e pelos representantes legais da parte concedente e da instituição de ensino, vedada a atuação dos agentes de integração a que se refere o art. 5 o desta Lei como representante de qualquer das partes. Art. 17. O número máximo de estagiários em relação ao quadro de pessoal das entidades concedentes de estágio deverá atender às seguintes proporções: I de 1 (um) a 5 (cinco) empregados: 1 (um) estagiário;

10 II de 6 (seis) a 10 (dez) empregados: até 2 (dois) estagiários; III de 11 (onze) a 25 (vinte e cinco) empregados: até 5 (cinco) estagiários; IV acima de 25 (vinte e cinco) empregados: até 20% (vinte por cento) de estagiários. 1 o Para efeito desta Lei, considera-se quadro de pessoal o conjunto de trabalhadores empregados existentes no estabelecimento do estágio. 2 o Na hipótese de a parte concedente contar com várias filiais ou estabelecimentos, os quantitativos previstos nos incisos deste artigo serão aplicados a cada um deles. 3 o Quando o cálculo do percentual disposto no inciso IV do caput deste artigo resultar em fração, poderá ser arredondado para o número inteiro imediatamente superior. 4 o Não se aplica o disposto no caput deste artigo aos estágios de nível superior e de nível médio profissional. 5 o Fica assegurado às pessoas portadoras de deficiência o percentual de 10% (dez por cento) das vagas oferecidas pela parte concedente do estágio. Art. 18. A prorrogação dos estágios contratados antes do início da vigência desta Lei apenas poderá ocorrer se ajustada às suas disposições. Art. 19. O art. 428 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, aprovada pelo Decreto-Lei n o 5.452, de 1 o de maio de 1943, passa a vigorar com as seguintes alterações: Art o A validade do contrato de aprendizagem pressupõe anotação na Carteira de Trabalho e Previdência Social, matrícula e freqüência do aprendiz na escola, caso não haja concluído o ensino médio, e inscrição em programa de aprendizagem desenvolvido sob orientação de entidade qualificada em formação técnico-profissional metódica o O contrato de aprendizagem não poderá ser estipulado por mais de 2 (dois) anos, exceto quando se tratar de aprendiz portador de deficiência o Nas localidades onde não houver oferta de ensino médio para o cumprimento do disposto no 1 o deste artigo, a contratação do aprendiz poderá ocorrer sem a freqüência à escola, desde que ele já tenha concluído o ensino fundamental. (NR) Art. 20. O art. 82 da Lei n o 9.394, de 20 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 82. Os sistemas de ensino estabelecerão as normas de realização de estágio em sua jurisdição, observada a lei federal sobre a matéria. Parágrafo único. (Revogado). (NR) Art. 21. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Art. 22. Revogam-se as Leis n os 6.494, de 7 de dezembro de 1977, e 8.859, de 23 de março de 1994, o parágrafo único do art. 82 da Lei n o 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e o art. 6 o da Medida Provisória n o , de 24 de agosto de Brasília, 25 de setembro de 2008; 187 o da Independência e 120 o da República.

11 LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA Fernando Haddad André Peixoto Figueiredo Lima Este texto não substitui o publicado no DOU de

Lei nº 11.788, de 25 de setembro de 2008

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