AS PROCURADORIAS GERAIS DOS ESTADOS E AS PROCURADORIAS DAS AUTARQUIAS E FUNDAÇÕES PÚBLICAS (pessoas jurídicas de direito público)

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1 AS PROCURADORIAS GERAIS DOS ESTADOS E AS PROCURADORIAS DAS AUTARQUIAS E FUNDAÇÕES PÚBLICAS (pessoas jurídicas de direito público) No art. 132 da CR 88 está escrito: Art Os Procuradores dos Estados e do Distrito Federal, organizados em carreira, na qual o ingresso dependerá de concurso público de provas e títulos, com a participação da Ordem dos Advogados do Brasil em todas as suas fases, exercerão a representação judicial e a consultoria jurídica das respectivas unidades federadas. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) Grifos nossos Tal norma dispõe claramente e sem sombra de dúvida que as procuradorias dos estados e do Distrito Federal apenas representarão judicialmente e exercerão as consultorias jurídicas das respectivas unidades federadas, ou seja, as procuradorias dos estados, a representação dos estados; a procuradoria do Distrito Federal, do Distrito Federal. Sabe-se que o Estado é uma pessoa para o direito e tem então como um de seus órgãos a sua procuradoria, ou seja, a Procuradoria Geral do Estado, a qual, como já fora dito, fará a representação das pessoas jurídica de direito público denominada Estado e apenas dele (unidade federada). Todavia existem ainda as outras pessoas jurídicas de direito público, quais sejam, os municípios, as autarquias e fundações públicas e outras, as quais são pessoas jurídicas e distintas do Estado do Rio de Janeiro, Assim sendo, a representação judicial e consultorias das autarquias e fundações públicas são exercidas por órgãos existentes nas mesmas e não pela Procuradoria Geral de determinado estado, pois se assim o fosse a Procuradoria Geral do Estado estaria agindo em desconformidade com a CR 88 e as leis sobre a questão. Sabe-se que entre as diversas pessoas de direito público não há hierarquias, mas apenas controle, o que demonstra mais ainda que as procuradorias gerais dos estados não podem ter qualquer ingerência sobre as procuradorias das demais pessoas de direito público. 1

2 Tanto é verdade que a própria CR 88 assevera que: Art. 29. Enquanto não aprovadas as leis complementares relativas ao Ministério Público e à Advocacia-Geral da União, o Ministério Público Federal, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, as Consultorias Jurídicas dos Ministérios, as Procuradorias e Departamentos Jurídicos de autarquias federais com representação própria e os membros das Procuradorias das Universidades fundacionais públicas continuarão a exercer suas atividades na área das respectivas atribuições. Grifos nossos Assim demonstrado está que na própria CR 88 existem as procuradorias de autarquias e também das universidades fundacionais públicas. Pensar que não se pode ter procuradorias das demais pessoas de direito público (autarquias e fundações públicas) e que a representação judicial e consultorias destas só pode ser feita pela Procuradoria Geral do Estado, é pensar de modo inconstitucional e ilegal, pois como já escrito, as procuradoria de estados só podem atuar na representação judicial dos estados e não nos estados. Há diferença em dos e nos e a CR 88 usa dos e não nos estados. Pensar diferente entendo é rasgar todos os livros de direito administrativo sobre organização administrativa e processar todos os autores por ensino errado. No livro Curso de Direito Administrativo de Celso Antônio Bandeira de Mello, 5ª edição, Editora Malheiros, está escrito: A desconcentração está sempre referida a uma só pessoa, pois cogita-se da distribuição de competências na intimidade dela, mantendo-se, pois, o liame unificador da hierarquia. Pela descentralização rompe-se uma unidade personalizada e não há vínculo hierárquico entre a Administração e a pessoa estatal descentralizada. Assim, a segunda não é subordinada à primeira. Grifos nossos 2

3 Como um simples órgão de uma pessoa de direito público (Procuradoria Geral do Estado órgão de determinada unidade federada) pode fazer a representação judicial e consultoria de outra pessoa jurídica de direito público sem pertencer à mesma? Ressalta-se, como foi escrito acima, que rompe-se uma unidade personalizada. Um órgão não pode agir em nome de uma pessoa jurídica de direito público ao qual não pertence. Cada pessoa jurídica de direito público tem seus próprios órgãos, incluindo seus órgãos de representação judicial e consultoria. Outrossim, as autarquias e fundações de direito público são responsabilizadas pelos seus próprios atos, tanto que alerta Celso Antônio Bandeira de Mello em livro já citado: 16. Na mesma linha e pelos mesmos fundamentos, doutrina e jurisprudência sempre consideraram, outrossim, que quaisquer pleitos administrativos ou judiciais decorrentes de atos que lhes fossem imputáveis, perante elas mesmas ou contra elas teriam de ser propostos e não contra o Estado. Disto se segue igualmente que, perante terceiros, as autarquias são responsáveis pelos próprios atos. A responsabilidade do Estado, em relação a eles, é apenas subsidiária. (...) Por ser sujeito de direitos, a autarquia, como se disse, responde pelos próprios atos. Apenas no caso de exaustão de seus recursos é que irromperá responsabilidade do Estado. Grifos nossos Pode-se pesquisar decisões do STF e STJ e serão achadas várias decisões de acordo com o que foi exposto até aqui. E, para finalizar, será necessário citar normas do Código Civil e do Código de Processo Civil relacionadas ao caso: Art. 1 o Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil. (...) 3

4 Art. 40. As pessoas jurídicas são de direito público, interno ou externo, e de direito privado. Art. 41. São pessoas jurídicas de direito público interno: I - a União; II - os Estados, o Distrito Federal e os Territórios; III - os Municípios; IV - as autarquias; IV - as autarquias, inclusive as associações públicas; (Redação dada pela Lei nº , de 2005) V - as demais entidades de caráter público criadas por lei. Art. 12. Serão representados em juízo, ativa e passivamente: I - a União, os Estados, o Distrito Federal e os Territórios, por seus procuradores; II - o Município, por seu Prefeito ou procurador; III - a massa falida, pelo síndico; IV - a herança jacente ou vacante, por seu curador; V - o espólio, pelo inventariante; VI - as pessoas jurídicas, por quem os respectivos estatutos designarem, ou, não os designando, por seus diretores; VII - as sociedades sem personalidade jurídica, pela pessoa a quem couber a administração dos seus bens; VIII - a pessoa jurídica estrangeira, pelo gerente, representante ou administrador de sua filial, agência ou sucursal aberta ou instalada no Brasil (art. 88, parágrafo único); IX - o condomínio, pelo administrador ou pelo síndico. Grifos não pertencem ao original. 4

5 E, o art. 12 do C.P.C., o qual foi recepcionada pela CR 88, abrange também as autarquias e fundações públicas, as quais serão representadas por seus procuradores, pois na referida norma claramente está demonstrado sobre a representação jurídica do Estado (pelas suas procuradorias), não expondo que as procuradorias dos estados representariam as fundações e autarquias, caso contrário, tal norma não teria sido recepcionada pela CR 88. Rio de Janeiro 18 de julho de Karla da Silva Vasconcellos Procuradoria da UERJ 5

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