Índice 1 INTRODUÇÂO 2 A INDÚSTRIA DO CIMENTO NO CENÁRIO DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS 3 REFERÊNCIAS INTERNACIONAIS

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2 Índice 1 INTRODUÇÂO 2 A INDÚSTRIA DO CIMENTO NO CENÁRIO DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS 3 REFERÊNCIAS INTERNACIONAIS 4 2º INVENTÁRIO BRASILEIRO DE EMISSÕES DE GASES DE EFEITO ESTUFA 5 PERSPECTIVAS E DESAFIOS 6 SOBRE O SNIC

3 1 INTRODUÇÃO Conciliar o desenvolvimento de sua atividade com a proteção ao meio ambiente não é um compromisso novo para a indústria do cimento. Da extração de matéria-prima até a última etapa do processo produtivo, são muitas as medidas que vêm sendo tomadas pela indústria para reduzir emissões, reaproveitar materiais e preservar a natureza. Por todas essas ações, a indústria do cimento nacional está entre uma das mais eficazes no combate aos gases de efeito estufa. Nesse sentido, a atuação da indústria na redução das suas emissões de CO 2 está baseada em três pilares fundamentais: Eficiência Energética Adições ao Cimento Combustíveis Alternativos Principais números da indústria do cimento no Brasil - Produção: 51,9 milhões de toneladas (2008) - Consumo: 51,6 milhões de toneladas (2008) - Capacidade instalada: 63 milhões de toneladas (2009) - Fábricas em operação: 69 (47 fábricas integradas e 22 moagens) - Grupos cimenteiros: 12

4 2 A INDÚSTRIA DO CIMENTO NO CENÁRIO DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS A indústria do cimento no Brasil caminha lado a lado com a sustentabilidade. Conciliar o desenvolvimento de sua atividade com a proteção do meio ambiente e o comprometimento com a sociedade sempre foi prioridade para o setor. Tal compromisso se faz presente desde a extração da matéria-prima, com medidas para diminuir o impacto ambiental local, até o final do processo produtivo, com a redução das emissões. Para atender a essas premissas, as empresas produtoras vêm, há muito tempo, realizando elevados investimentos. Nos últimos anos, a questão das mudanças climáticas concentrou o foco das discussões de caráter ambiental. Internacionalmente, o mundo está discutindo a revisão do Protocolo de Kyoto - acordo internacional promovido pelas Nações Unidas, com a intenção de reduzir os gases de efeito estufa - em Copenhague (COP-15), na Dinamarca. No âmbito nacional, o país, através do MCT (Ministério da Ciência e Tecnologia), elabora o 2º Inventário Nacional de Emissões de CO 2, que produzirá um retrato detalhado sobre a liberação de gás carbônico pelos diferentes setores da economia, para o período de 1995 a (Obs.: Os números preliminares deste Inventário, recentemente divulgados pelo MCT, são apresentados no Capítulo 4 deste documento). Todo esse debate vem sendo acompanhado de perto pela indústria de cimento brasileira, que realiza há muitos anos, de forma reconhecida internacionalmente, uma série de ações e programas para reduzir suas emissões e combater as mudanças climáticas. EMISSÕES DE GÁS CARBÔNICO Pouco mais da metade da emissão de CO 2 na indústria do cimento é inerente ao processo de produção e ocorre durante a transformação físico-química do calcário em clínquer (principal componente do cimento), reação denominada descarbonatação. A outra parcela é predominantemente resultante da queima de combustíveis no forno de clínquer, cuja chama atinge uma temperatura de até o C. A indústria do cimento em todo o mundo responde por aproximadamente 5% do total de CO 2 emitido pelo homem. No Brasil, onde as queimadas florestais são as principais emissoras de CO 2, o 1 o Inventário Nacional de Gases de Efeito Estufa, que levantou dados de 1990 a 1994, classificou a participação do setor como de menos de 2% do total das emissões nacionais.

5 No país, uma série de características do processo de produção e de medidas adotadas há muitos anos pelo setor posicionaram a indústria nacional entre as mais eficazes no controle de suas emissões, resultando em um dos menores níveis de CO 2 por tonelada de cimento produzida no mundo. Tais características e ações são melhor descritas a seguir: Parque industrial moderno - A indústria do cimento no Brasil possui um parque industrial moderno e opera com altos níveis de eficiência energética quando comparados aos de outros países, o que resulta em redução da queima de combustíveis e, consequentemente, na liberação de menos CO 2. Isso ocorre porque 99% do cimento brasileiro é produzido por via seca, processo industrial que garante a diminuição do uso de combustíveis em até 50%. Além disso, torres com pré-aquecedores e pré-calcinadores reaproveitam os gases quentes da saída do forno para pré-aquecer a matéria-prima previamente à entrada do forno, diminuindo ainda mais o consumo de combustíveis. Com isso, de acordo com o Balanço Energético Nacional, elaborado pelo MME (Ministério de Minas e Energia), o setor atinge níveis de consumo térmico da ordem de 653 kcal/kg de cimento e elétrico de 104 kwh/ton de cimento, confirmando a posição da indústria nacional como uma das mais eficientes em consumo específico de energia, abaixo dos padrões médios mundiais. Uso de adições ao cimento - Os cimentos com adições, feitos com aproveitamento de subprodutos de outras atividades e matérias-primas alternativas, são desenvolvidos de forma pioneira há mais de 50 anos no país, prática que vem sendo seguida hoje por todo o mundo. Os cimentos compostos têm diversas aplicações e inúmeras vantagens, principalmente ambientais. Tudo isso mantendo sempre a qualidade do produto e atendendo às especificidades estabelecidas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Quadro 1 Normas Técnicas ABNT Adições ao Cimento

6 O uso de cimentos com maior percentual de adições, como escórias siderúrgicas, cinzas de termelétricas e fíler calcário, diminui a utilização de clínquer e a conseqüente liberação de CO 2 proveniente do consumo de combustíveis no forno e da transformação química do calcário (calcinação), reduzindo, assim, as emissões totais de CO 2 por tonelada de cimento produzido. Gráfico 1 Evolução do Uso de Adições no Brasil Uso de combustíveis alternativos - O uso de energias renováveis está cada vez mais presente na produção do cimento. Isto é possível pelo coprocessamento de resíduos (como pneus, óleos usados, plásticos, tintas etc.) e/ou pelo uso de biomassa (moinha de carvão vegetal, casca de arroz, bagaço de cana etc.), que emitem, muitas vezes, menor quantidade de CO 2 que os combustíveis tradicionais utilizados. Através do coprocessamento, a indústria aproveita resíduos como substitutos de combustível ou matéria-prima. Esse processo, além de dar uma destinação ambientalmente adequada a rejeitos de outras atividades, permite, ainda que parcialmente, reduzir o uso de combustíveis tradicionais não-renováveis, como o coque de petróleo, o óleo combustível e o carvão mineral. Atualmente, o país tem 35 fábricas com fornos licenciados pelos órgãos ambientais para coprocessar resíduos, possuindo uma capacidade potencial de destruição de 2,5 milhões de toneladas. Só em 2008, a indústria cimenteira nacional deu destinação a cerca de um milhão de toneladas de resíduos (incluindo aproximadamente 33 milhões de pneus inservíveis). A utilização desses resíduos como combustível alternativo já representa hoje uma substituição de 15% de combustíveis fósseis não-renováveis.

7 Gráfico 2 - Evolução do Co-Processamento no Brasil SINTONIA COM O MUNDO A indústria do cimento no Brasil está alinhada com os esforços internacionais contra as mudanças climáticas e, para tal, o SNIC, a ABCP e os grupos associados criaram, em 2008, um Comitê de Mudanças Climáticas, reunindo especialistas em meio ambiente do setor. Entre outras ações, esse Comitê vem dando o suporte necessário ao MCT, na elaboração do 2 o Inventário Nacional de Emissões de Gases de Efeito Estufa. No âmbito internacional, a indústria do cimento criou a CSI (Cement Sustainability Initiative), vinculada ao WBCSD (World Business Council for Sustainable Development), com o objetivo de estimular práticas sustentáveis na indústria, dentre elas o monitoramento, controle e redução de suas emissões de CO 2. 3 REFERÊNCIAS INTERNACIONAIS Dados internacionais levantados pela CSI (Cement Sustainability Initiative), vinculada ao WBCSD (World Business Council for Sustainable Development), apontam que a América Latina, onde o Brasil é o principal produtor, é uma das regiões que responde pelos menores índices de emissões de CO 2 por tonelada de cimento.

8 900 Emissões Médias de CO 2 por ton cimentício (Todos os membros CSI) 800 kg CO2 / ton cimentício Fonte: CSI Am. Norte Ex-URSS Asia África Japão/Oceania China/India Am. Latina Europa Da mesma forma, em trabalho recentemente publicado pela IEA International Energy Agency (Energy Technology Transitions for Industry - set/2009), foi analisado o potencial de redução das emissões de CO 2 dos principais setores industriais, dentre os quais a do cimento. Os resultados demonstram que a indústria do cimento brasileira, em virtude do grau de excelência já alcançado e baseado nas melhores práticas hoje existentes, como a de melhor aproveitamento dos recursos disponíveis para redução de suas emissões de CO 2, comparativamente aos principais países produtores, que ainda não conseguiram implementar plenamente as mesmas ações.

9 4 2º INVENTÁRIO BRASILEIRO DE EMISSÕES DE GASES DE EFEITO ESTUFA Números preliminares do 2º Inventário Brasileiro de Emissões de Gases de Efeito Estufa (http://www.mct.gov.br/index.php/content/view/ html) divulgados recentemente pelo MCT (Ministério da Ciência e Tecnologia) apontam que as emissões totais no país tiveram um aumento de 62% entre 1990 e 2005, totalizando quase 2,2 bilhões de toneladas de CO 2 equivalente em Participação dos Setores % 16% Energia 2% Processos Industriais Agropecuária 58% Fonte: Ministério da Ciência e Tecnologia - MCT 22% Mudança de Uso da Terra e Florestas Tratamento de Resíduos Nesse mesmo período, as emissões da Indústria do Cimento oriundas da descarbonatação apresentaram variação de apenas 30%, ao mesmo tempo em que a produção de cimento aumentou 50%, evidenciando o esforço da indústria do cimento nacional em produzir mais emitindo menos CO 2. Variação das Emissões Totais de Gases do Efeito Estufa /2005 Setor Variação 1990/2005 Energia 68% Processos Industriais 39% Produção de Cimento 30% Agropecuária 41% Mudança no Uso da Terra e Florestas 70% Tratamento de Resíduos 77% Total 62% Fonte: MCT - 2 Inventário Nacional de Emissões de Gases de Efeito Estufa

10 Variação das Emissões de Gases de Efeito Estufa / % 80% 77% 70% 60% 68% 70% 62% 50% 40% 39% 41% 30% 30% 20% 10% 0% Energia Processos Industriais Produção de Cimento Fonte: MCT - 2 Inventário Nacional de Emissões de Gases de Efeito Estufa Agricultura Mudança no Uso da Terra e Florestas Tratamento de Resíduos Total Produção de Cimento e Emissões CO 2 (mil ton) Variação Prod. Cimento ( ): 49,7% Variação Emissões CO2 ( ): 29,7% Fonte: SNIC/MCT Cimento Emissões Com isso, as emissões do setor, relativas à transformação química da matéria-prima (descarbonatação), reduziram a sua participação no total das emissões brasileiras de 0,8% (1990) para 0,7% (2005). A tabela a seguir apresenta os resultados preliminares do 2º Inventário Brasileiro de Emissões de Gases de Efeito Estufa, subdividido entre os cinco principais setores de emissão, onde é possível avaliar a participação da emissão da indústria do cimento pela descarbonatação, bem como a de outros subsetores.

11 Emissões Totais de Gases de Efeito Estufa Dados Preliminares - MCT

12 5 PERSPECTIVAS E DESAFIOS O Brasil tem hoje um importante programa de infraestrutura para ser implementado com obras para projetos como o PAC e o Minha Casa, Minha Vida, e para grandes eventos, como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de O cimento é a base para que sejam construídas casas, hospitais, escolas, sistemas de saneamento, portos, aeroportos, rodovias, estradas de ferro, pontes, hidrelétricas, instalações esportivas etc. O grande desafio é produzir cimento suficiente para todos esses projetos, com baixo nível de emissões de CO 2 por tonelada produzida. 6 SOBRE O SNIC O Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) foi fundado em 1953 com o objetivo de representar as empresas produtoras de cimento do Brasil, promover estudos, estatísticas e relatórios de interesse do setor. Ao longo desse período, o SNIC tem apresentado soluções para problemas individuais e coletivos das associadas, negociado questões institucionais com entidades governamentais e orientado o posicionamento da indústria. SNIC Assessoria de imprensa FSB Comunicações Adriana Alves (21) / Rua da Assembléia, 10 - grupo 4001 Centro / Rio de Janeiro RJ Telefone: (21) Fax: (21) Para obter informações técnicas sobre o setor, entrar em contato com a Associação Brasileira de Cimento Portland ABCP (www.abcp.org.br) no telefone (11)

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