EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR E ESPORTE: CONTRIBUIÇÕES PARA A INCLUSÃO

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1 EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR E ESPORTE: CONTRIBUIÇÕES PARA A INCLUSÃO Priscila Reinaldo Venzke Luciano Leal Loureiro RESUMO Este trabalho é resultado da pesquisa realizada para a construção do referencial teórico do relatório final do Estágio Supervisionado III em Educação Física, realizado com a 6º série,nas turmas 61 e 62, na Escola Municipal de Ensino Fundamental 15 de Novembro, que se localiza em Santa Auta 5 distrito de Camaquã - RS. O estágio foi realizado com 25 alunos na turma 61 e 21 alunos na turma 62, na faixa etária dos 12 aos 14 anos, na maioria filhos de trabalhadores rurais nas plantações de fumo, com baixo poder aquisitivo. Este artigo visa refletir os meios de exclusão e inclusão na escola, e como a disciplina pode contribuir para esta questão. Palavras-chave: Exclusão, Inclusão, Educação Física, Escola. INTRODUÇÃO Este artigo visa refletir os meios de exclusão existentes na escola e como a Educação Física contribui para a possibilidade da inclusão, dando ênfase à participação do aluno e caracterizando a escola como um espaço público e democrático. A escola é um lugar privilegiado, onde o aluno aprende, conhece, desenvolve e exercita o cumprimento de direitos e deveres, para que isso aconteça é necessário que escola proporcione aos alunos um ensino de qualidade. Este trabalho fala de como a Educação Física é trabalhada dentro da escola, refletindo sobre as práticas inclusivas e participativas. Para Bracht (1992, p. 90) a educação física escolar é uma educação transformadora que propõe o incentivo, a participação e a expressão do aluno nas aulas, levando-os a um pensamento mais elaborado de suas vivências. EDUCAÇÃO FÍSICA E INCLUSÃO Na educação, muitas vezes, os termos exclusão e inclusão têm sido associados aos alunos portadores de deficiências físicas e mentais. Mas já se sabe que estes não são os únicos casos de exclusão na escola, é preciso entender que questões ligadas ao Acadêmica da disciplina Estágio Supervisionado em Educação Física III do Curso de Educação Física da Universidade Luterana do Brasil. Docente do Curso de Educação Física e da Universidade Luterana do Brasil e orientador deste trabalho.

2 preconceito étnico, lingüístico, sexual, condições econômicas dos alunos, vão interferir decisivamente para esse processo de exclusão-inclusão. A criança é um ser em desenvolvimento e, por causa disso, suas necessidades mudam, surgindo novos interesses e novas maneiras de ver o mundo. É uma fase interessante, onde muitas atitudes e comportamentos acabam rotulando a criança de desatenta, impulsiva, hiper-ativa, enfim, é tratada diferentemente das outras, o que pode causar a exclusão e a evasão escolar. A Educação Física, na sua prática, remete o papel do brincar, oferecendo a criança novas formas de aprendizado, com dinâmicas, assim, devolvendo a ela a autoconfiança, a auto-estima, concretizando a aprendizagem. Brincar é indispensável à saúde física, emocional e intelectual da criança. É uma arte, um dom natural que, quando bem cultivado, irá contribuir, no futuro, para a eficiência e o equilíbrio do adulto. (CUNHA, 1988, p. 19) O desenvolvimento físico, segundo Barros (2002, p. 40), diz que as habilidades físicas influenciam, de fato, a aquisição e o desempenho de habilidades de outros domínios do desenvolvimento, como, por exemplo, o autoconceito irão, certamente, influenciar no processo de inclusão. Como sabemos a Educação Física demonstra uma popularidade muito grande dentro da escola, onde devemos explorar este gostar, que a maioria das crianças tem em relação a esta disciplina, para beneficiá-las, tornando o aprender mais prazeroso. A Educação Física é uma boa alternativa para evitar a exclusão na escola, desde que ministrada corretamente, pois quando sem nenhuma significação e sem um profissional com o devido conhecimento, uma didática diferenciada e formação necessária, certamente se tornará mais uma forma de exclusão, à medida em que se incentivar a competição, engrandecer os mais habilidosos, discriminar os mais fracos, diferenciar meninos e meninas de forma inadequada. Cabe, portanto, ao professor de Educação Física, facilitar a conscientização dos elementos sócio-afetivos que possam frear tensões, conflitos, competições, agressividade, permitindo uma melhor auto-regulação individual e do grupo em relação às dificuldades e aos problemas de interrelação. Só assim os objetivos de socialização e inclusão serão verdadeiramente alcançados (FERREIRA, 2006, p. 69). A prática da Educação Física tradicional, onde esta prioriza o rendimento, a eficácia, não respeita as diferenças individuais dos alunos, corre o risco de terminar

3 como um adestramento e não como educação e, consequentemente, aqueles que não alcançarem o ponto mais alto se sentirão excluídos. A Educação Física no ensino fundamental deverá associar uma pedagogia de desenvolvimento que respeite aquilo que a criança traz em si e uma pedagogia de formação preocupada em oferecer-lhe mais poder sobre seu corpo, além de formar (...) um cidadão que lute param que o profundo abismo entre incluídos e excluídos seja diminuído, e quem sabe, um dia, eliminado. (Chalita, apud FERREIRA, 2006, p. 70) A prática constante de atividades físicas beneficia os órgãos, os músculos e os ossos, onde assim, consegue-se uma boa condição física. Entretanto, os benefícios relacionados ao afetivo, psicológico e a auto-estima são muito mais importantes quando se fala de inclusão. É dever do professor, por meio do amor pela sua profissão e pelo aluno orientar, incentivar e conscientizar o aluno a praticar exercícios regularmente para ter esses benefícios que a Educação Física pode proporcionar. A Educação Física por meio de suas especificidades contribuirá de forma muito significativa na inclusão escolar, quando suas práticas coletivas valorizarem as diferenças e respeitarem as diversidades, observando sempre as capacidades e habilidades individuais. O esporte, uma especificidade da Educação Física, tem um significado social muito grande. Ferreira, (apud Costa, 2006, p. 72) diz que o esporte é um meio de socialização, onde, a atividade coletiva favorece o desenvolvimento da consciência comunitária e é uma atividade de prazer, ativa para os praticantes e passiva para os que assistem aos espetáculos esportivos. Como ressalta Ferreira (2006, p. 72): O esporte ministrado nas aulas de Educação Física sob a forma de recreação, de treinamento de habilidades e desenvolvimento de competências, passa a ser de fundamental importância no processo de inclusão escolar, pois evidencia todas as faixas etárias, sexos, raças, níveis sociais e culturais, diferenciando-se nas suas perspectivas finalísticas e nas suas valorizações de conteúdo, permitindo uma participação consciente e crítica na vida escolar e contribuindo para o conhecimento humano, reconhecimento de si e dos outros. A escola deve, para a inclusão, criar projetos interdisciplinares relacionando-os à saúde, educação, cidadania e conseguindo que as atividades esportivas façam parte do

4 processo de formação cultural dos alunos, como fator de educação e lazer e, consequentemente, de inclusão escolar. Cabe à escola perceber o papel que o esporte pode transmitir para a resolução dos problemas, utilizando este meio para o fortalecimento democrático do aluno, resultando assim no desenvolvimento e inclusão dos participantes. Para Ferreira (2006) o esporte deve ser compreendido no ensino fundamental como uma manifestação educacional e deverá vincular-se a três áreas pedagógicas: da integração social, do desenvolvimento motor e das atividades físicas educacionais. O esporte escolar deve ter por finalidade: dar oportunidade, formar para a cidadania e não a de formar atletas, o que pode provocar o desinteresse e a desmotivação dos alunos ao participarem destas atividades. Segundo a Diretriz Curricular: Ao trabalhar o conteúdo estruturante esporte, os professores devem considerar os determinantes histórico-sociais responsáveis pela constituição do esporte ao longo dos anos, considerando a possibilidade de recriação dessa prática corporal. Portanto, nestas Diretrizes, o esporte é entendido como uma atividade teórico-prática e um fenômeno social que, em suas várias manifestações e abordagens, pode ser uma ferramenta de aprendizado para o lazer, para o aprimoramento da saúde e para integrar os sujeitos em suas relações sociais. (DIRETRIZ CURRICULAR, p.33, 2008). As práticas esportivas aparecem de forma predominante na maioria das escolas, mas se estas forem trabalhadas de acordo com a necessidade dos alunos, aproximando seus praticantes contribuindo assim para o combate da exclusão como é colocado: Na prática esportiva, é preciso combater signos sociais que expressam preconceito racial e/ ou étnico, discriminação entre gêneros, violência moral decorrente de singularidades entre o grupo. Assim, o esporte, como conteúdo de Educação Física, deve estar acessível em igualdade de condições para todos os alunos. (DIRETRIZ CURRICULAR, 2006, p. 23) Por meio das aulas de Educação Física e do esporte, é possível realizar um trabalho significativo no sentido de incluir a criança numa escola comum e facilitar sua aprendizagem, cultivando sempre a cooperação.

5 O grande educador faz do jogo uma arte, um admirável instrumento para promover a educação para as crianças ( FROEBEL, 1861). CONCLUSÃO Após esse trabalho, concluo que, embora a escola esteja passando por várias dificuldades para resolver os problemas já existentes, é possível que se desenvolva práticas que torne a escola mais inclusiva e menos excludente. Outro fator importante é que quando o professor se coloca disponível e quando a aula planejada atende ao interesse dos alunos, dando possibilidades para que os mesmos tomem decisões, a atividade proposta se torna mais interativa e participativa. Acredito que a participação dos alunos em jogos fora da escola, onde estes podem adquirir experiências que ficarão guardadas na vida destes alunos, contribuindo assim para a valorização do convívio uns com os outros. Apresar de a escola ser ainda muito excludente, a mesma apresenta muitas possibilidades de se tornar mais inclusiva. Destaco a importância e a contribuição que pode vir da disciplina de Educação Física, onde, nós, professores devemos planejar aulas com práticas que promovam a participação e a inclusão entre todos os alunos. Referências Bibliográficas: BARROS, Juliana Monteiro Gramático. Jogo Infantil e Hiperatividade. Rio de Janeiro: Sprint, CUNHA, N.H. da Silva. Brinquedo, desafio e descoberta. Rio de Janeiro: Fae-mec, DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS FERREIRA, Vanja. Educação Física: Interdisciplinaridade, Aprendizagem e Inclusão. Rio de Janeiro: Sprint, 2006.

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