A DANÇA NO ENSINO FUNDAMENTAL: UMA EXPERIÊNCIA COM O ESTILO HIP-HOP 1

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1 A DANÇA NO ENSINO FUNDAMENTAL: UMA EXPERIÊNCIA COM O ESTILO HIP-HOP 1 Claudiane da S. EUSTACHIO Dayana Pires Alves GARCIA Fátima RODRIGUES Jean de J. SANTANA 2 Juliana CESANA 3 Ana Lucia de Carvalho MARQUES 4 RESUMO Este trabalho propõe uma mudança nas aulas de Educação Física através da dança, com o intuito de levar um conhecimento novo dentro da escola para os alunos. Essa oportunidade foi fundamental para permitir a inserção dos educandos na Cultura Corporal por meio do conteúdo dança. O objetivo da participação de bolsistas de iniciação à docência com os alunos foi trabalhar aspectos motores e cognitivos, por meio do estilo hip-hop, possibilitando a exploração da criatividade e proporcionar diversas vivências corporais para que os alunos ampliassem a consciência corporal por meio desse conteúdo. As aulas de Educação Física ministradas pelos bolsistas do Projeto Pibid/2013 Unifeb Subprojeto Educação Física ocorreram com duas turmas do sexto ano do Ensino Fundamental na Escola Estadual Professor Benedito Pereira Cardoso. A participação dos alunos de inclusão foi efetiva nas aulas, inclusive, uma conduta analisada em ambas as turmas mostrou no comportamento de companheirismo e amizade existente entre os alunos sem deficiência perante os alunos com deficiência. Em relação à questão de gênero observamos que os meninos tiveram um avanço significativo em relação à concepção sobre dança, pois nos primeiros contatos esses meninos ficaram inseguros em participar das aulas, entretanto, no decorrer do período de intervenção, após os debates e explicações, demonstraram mais participativos e interessados em ampliar o repertório de movimentos. Portanto, o resultado obtido por meio desse período de intervenção com os alunos do sexto ano foi condizente com o objetivo proposto no inicio da intervenção, pois os educandos demonstraram uma evolução satisfatória nos aspectos motores e cognitivos. Palavras-chaves: Educação Física; Cultura Corporal de Movimento; Inclusão. I INTRODUÇÃO Esse trabalho é um relato de experiência referente ao Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência concedida aos graduandos participantes do Pibid/2013 Unifeb Subprojeto Educação Física. 1 Trabalho realizado com o apoio material e financeiro do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência PIBID, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior CAPES. 2 Alunos do curso de Licenciatura em Educação Física do Centro Universitário da Fundação Educacional de Barretos UNIFEB 3 Coordenador do Pibid/2013 Unifeb Subprojeto Educação Física Doutora em Educação Física/ UNICAMP 4 Professor Supervisor Educação Física

2 1 A Educação Física é uma das disciplinas pertencentes à área de Linguagens, Códigos e Tecnologias e tem o intuito de contribuir para a formação de cidadãos autônomos, críticos e reflexivos, para isso, os eixos de conteúdos ministrados no ambiente escolar como os jogos, esportes, danças e atividades rítmicas, lutas, ginásticas, favorecem para que os alunos sejam inseridos na cultura corporal (BRASIL, 2008). A Proposta Curricular do Estado de São Paulo destaca o termo se movimentar, priorizando com isso, maiores vivências corporais para que os alunos sejam beneficiados ao adquirirem um amplo repertorio de movimentos. Tal termo significa a relação que o sujeito estabelece com essa cultura a partir de seu repertório (...) de sua história de vida, de suas vinculações socioculturais e de seus desejos (SÃO PAULO, 2008, p. 43). Ao explicitar como deve ser aplicada a dança na escola, Gaspari (2011, p. 203) sugere que indica-se aliar o trabalho de ritmo de uma forma mais didática, ao som musical, pois a receptividade à musica é um fenômeno corporal e a motivação torna-se maior. Podemos identificar a dança como uma expressão do corpo humano, pois a mesma tende a melhorar a coordenação, ritmo, percepção sensorial, a socialização dentre outros. E dentro da prática pedagógica ela é educativa assim como os jogos, esportes e brincadeiras. Além disso, precisa ser quebrado o preconceito de que dança é só para as meninas. Daólio (1995, p ) em seu referencial antropológico sobre o corpo, afirma que: O homem por meio do seu corpo, vai assimilando e se apropriando dos valores, normas e costumes sociais, num processo de incorporação. Diz-se corretamente que um indivíduo incorpora algum novo comportamento ao conjunto de seus atos, ou uma nova palavra ao seu vocabulário ou, ainda, um novo conhecimento ao eu repertório cognitivo. Mais do que um aprendizado intelectual, o individuo adquire um conteúdo cultural, que se instala no seu corpo, no conjunto de suas expressões. Em outros termos, o homem aprende a cultura por meio de seu corpo. Dessa forma o corpo reflete a cultura na qual a pessoa esta inserida, sendo que por meio dos seus gestos e sua fala é possível conhecer o cotidiano do aluno por meio da sua expressividade. Para Marques (2001, p. 36 apud Gaspari, 2011, p. 202), o maior objetivo das aulas que abordam o conteúdo dança se resume em (...) considerar a dança como fonte de autoconhecimento, e não como técnica acabada, para isso cabe ao professor de Educação Física dentro do ambiente escolar a brilhante missão de oferecer oportunidades para que os alunos possam entrar em contato com novas informações, conhecimentos, argumentos e com isso se tornarem cidadãos reflexivos. Ao abordar sobre a dança, Gaspari (2011, p. 202) afirma que o aluno por meio das diversas vivências corporais pode ampliar a sua criatividade permitindo a exploração

3 2 corporal, pois permite (...) conhecer as diversas manifestações da Cultura Corporal de Movimento, discuti-las e atentar para a criatividade de suas possibilidades de movimentação corporal, transformando as em dança (...). Inclusive, toda essa experiência transformada em dança permite a reprodução das manifestações já existentes, e por meio desse conhecimento espera-se que o aluno seja crítico das obras de produções coreográficas. Para modificar as aulas tradicionais de Educação Física visando a melhora da coordenação motora dos alunos, a dança é um conteúdo de caráter importante para ser ministrada nas aulas de Educação Física, de forma que, segundo Gaspari (2011,p. 204) verificando o cenário histórico da Educação Física escolar, percebemos que a dança tem uma presença bastante reduzida nas aulas, devido à predominância de esportes (...). O objetivo da participação de iniciação à docência com os alunos foi trabalhar aspectos motores e cognitivos, por meio da dança, possibilitando a exploração da criatividade e proporcionar diversas vivências corporais para que os alunos ampliem a consciência corporal por meio desse conteúdo. II - METODOLOGIA As aulas de Educação Física ministradas pelos bolsistas do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência ocorreram com duas turmas do sexto ano do Ensino Fundamental na Escola Estadual Professor Benedito Pereira Cardoso. Em nosso primeiro contato com os alunos, juntamente com a professora supervisora, realizamos uma avaliação diagnóstica a fim de conhecer o nível de desenvolvimento motor dos alunos. Em seguida, realizamos outra avaliação diagnóstica, a fim de, decidirmos em qual dança seria pautada as aulas de intervenção. Após analise do contexto social, optamos pelas Danças Urbanas, mais precisamente, por meio do estilo hip- hop. Apresentamos o conteúdo de dança para os alunos com intuito de proporcionar atividades que não fazem parte do seu cotidiano nas aulas tradicionais. Aplicamos as aulas práticas passando passos básicos da modalidade (Figura 1). Foram elaboradas aulas teóricas e práticas do conteúdo com a intenção de passar a parte conceitual para os alunos para que fosse possível iniciar à realização da coreografia. Em uma das aulas para que os alunos sentissem mais a vontade realizamos a apresentação de materiais áudio visuais mostrando a evolução de alunos que tiveram contato com a dança na escola. Em seguida, pedimos para os mesmos um relatório livre sobre as atividades abordadas, para conhecer se haviam compreendido a relação das aulas

4 3 com os vídeos apresentados e quais suas expectativas (o que eles querem e esperam atingir com a dança). Em relação aos alunos de inclusão, cinco ao todo, foi observado como estes interagiam com os demais e os mesmos apresentaram algumas dificuldades na realização das aulas. III - RESULTADOS E DISCUSSÃO Como bolsistas do Subprojeto de Educação Física no início tivemos dificuldades, pois não eram todos os alunos que queriam participar, principalmente, ao informarmos que o conteúdo a ser trabalhado nas aulas de Educação Física seria o conteúdo dança, uma vez que, esse era um conhecimento novo na escola para eles. Discutimos com os alunos a questão de gênero e contextualizamos a ideia de que homem não dança, um fato muito presente na sociedade. No nosso primeiro contato com os estudantes nas salas os meninos apenas observaram os passos que estavam sendo executados durante a aula, enquanto as meninas dançaram. Entretanto, no decorrer das aulas os meninos mostraram-se mais envolvidos e participativos. A participação dos alunos de inclusão foi efetiva nas aulas, portanto, não ocorreu dificuldades em fazê-los participar do que estava sendo ministrados na aulas. Inclusive, uma conduta observada em ambas as turmas foi o comportamento de companheirismo e amizade existente entre os alunos de inclusão perante os demais. Todas as aulas foram planejadas priorizando a especificidade do conteúdo (Figura 2), ou seja, para uma melhor compreensão por parte dos alunos em relação ao que seria abordado, sempre solicitávamos movimentos que seriam executados posteriormente na coreografia. Outro fator importante como destaca Retondar (2001) diz respeito aos procedimentos que o professor deve apropriar para o ensino do ritmo, por exemplo, inicialmente mais lento para que o aluno possa compreender o movimento. A cada aula, passos diferentes foram sendo incorporados na coreografia, e percebemos que ao incentivar e elogiar os mesmos cada um no seu ritmo, os educandos começaram a explorar mais o movimento do próprio corpo e adquirir uma melhor destreza em relação aos movimentos corporais. Durante o período de intervenção foi possível, além de ministrar o conteúdo dança no ambiente escolar, trabalhar a coordenação motora, visto que nas aulas os alunos

5 4 demonstraram muitas dificuldades. Com isso, a repetição de vários circuitos e testes de coordenação, promoveu melhora destas habilidades. Por meio do relatório livre aplicado aos educandos foi possível observar que esta representou uma experiência produtiva aos mesmos, pois muitos relataram que gostariam de praticar dança fora da escola e participar até de campeonatos. IV CONSIDERAÇÕES FINAIS O professor tem um papel muito importante na formação dos alunos, portanto, para o professor de Educação Física, é necessário sempre oferecer estímulos diferentes para que os alunos possam ser inseridos na Cultura Corporal de Movimento. Portanto, o resultado obtido durante o período de intervenção com os alunos do sexto ano foi condizente com o objetivo proposto no início da intervenção, pois os educandos demonstraram uma evolução satisfatória nos aspectos motores e cognitivos. Em relação à questão de gênero observamos que os meninos tiveram um avanço significativo em relação à concepção sobre a dança. Estes revelaram-se mais compreensivos a partir da desmitificação durante as aulas do tabu de que dança é algo voltado apenas para as meninas. Nos primeiros contatos esses meninos ficaram inseguros em participar das aulas, entretanto, no decorrer do período de intervenção e após os debates e explicações demonstraram estar mais participativos e interessados em ampliar o repertório de movimentos. Destacamos também a participação efetiva dos alunos de inclusão nas aulas de Educação Física, pois em momento algum esses educandos deixaram de participar das atividades, sendo que os próprios companheiros de sala revelaram um comportamento de companheirismo, ou seja, o processo de inclusão realmente está acontecendo nessa escola e isso pode ser observado na conduta dos alunos que não são de inclusão. Por fim, consideramos que ministrar o conteúdo dança na escola por meio do estilo hip-hop, foi relevante para que os alunos compreendessem sobre a expressão corporal, um dos fatores mais discutidos nas aulas, contribuindo para atenção que os alunos deveriam ter em relação a expressão do próprio corpo durante a execução dos movimento e a consciência corporal. AGRADECIMENTOS Agradecemos o apoio financeiro pela CAPES, à professora coordenadora do Subprojeto Juliana Cesana, à escola E.E. Profº Benedito Pereira e à professora supervisora Ana Lucia Marques de Carvalho.

6 5 REFERÊNCIAS DAÓLIO, Jocimar. Da cultura do corpo. Campinas: Papirus, GASPARI, Telma Cristine. Dança. In: DARIDO; Suraya. Educação Física na escola: implicações para a prática pedagógica. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, RETONDAR, Jeferson José Moebus. A importância do ensino rítmico na escola. Perspectiva em Educação Física Escolar, 2(1): 13-24, Disponível em: Acessado em: jan., SÃO PAULO. SECRETARIA DA EDUCAÇÃO DO ESTADO DE SÃO PAULO. Proposta Curricular do Estado de São Paulo: Educação Física São Paulo: SEE, Disponível em:<http://www.rededosaber.sp.gov.br/portais/portals/18/arquivos/prop_edf_comp_red_ md_20_03.pdf>. Acessado em: ago., ANEXO FIGURA 01 Aplicação da Coreografia para os alunos. Conforme a Figura 1 pode-se mostrar os alunos aprendendo os passos basicos do hip-hop.

7 6 FIGURA 02- Aplicação de dinâmicas focando a especificidade do conteúdo. Para uma melhor assimilação do conteúdo, no inicio das aulas por meio de dinâmicas solicitávamos movimentos que seriam executados posteriormente na coreografia.

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