Gestão de Estoques de Produto Acabado AmBev Filial Águas Claras do Sul

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1 UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS UNISINOS CENTRO DE CIÊNCIAS ECONOMICAS CURSO DE ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS CLOVIS BALBINÓT Gestão de Estoques de Produto Acabado AmBev Filial Águas Claras do Sul São Leopoldo 2005

2 CLOVIS BALBINÓT Gestão de Estoques de Produto Acabado AmBev Filial Águas Claras do Sul Trabalho de conclusão de curso apresentado como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Administração de Empresas pela Universidade do vale do Rio dos Sinos UNISINOS Orientador : Prof. Dr. Carlos Alberto Diehl São Leopoldo 2005

3 CLOVIS BALBINÓT Gestão de Estoques de Produto Acabado AmBev Filial Águas Claras do Sul Trabalho de Conclusão apresentado à Universidade do Vale do Rio dos Sinos UNISINOS, como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Administração de Empresas Aprovado em de. BANCA EXAMINADORA Professor. Professor. Professor.

4 Dedicatória Dedico este trabalho a minha esposa Nara B.da S. Balbinot, minha filha Janine da S. Balbinot, que estiveram ao meu lado em toda minha trajetória, que no início era um sonha, e agora tornou-se uma conquista. Também dedico aos meus pais, Victorio e Lourdes, que foram o início de tudo, e conseguiram mostra-me o caminho correto na vida, com simplicidade, honestidade e caráter educaram seus três filhos.

5 Agradecimento... Agradeço ao meu Orientador Prof. Dr. Carlos A. Diehl, que com seu entusiasmo, dedicação, paciência e excelente orientação tornou possível a realização deste trabalho. Aos colegas de aula que mesmo nos momentos de desavenças, contribuíram para meu crescimento acadêmico, profissional e pessoal. Aos meus colegas da AmBev, pelo apoio, ajuda e compreensão.

6 RESUMO Este trabalho é um estudo de caso realizado na Companhia Brasileira de Bebidas AmBev, Filial Águas Claras do Sul, uma empresa do ramo alimentício, produtora de cerveja, refrigerante e chopp, distribuindo seus produtos para os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e parte do Paraná. Inicialmente é apresentada uma revisão bibliográfica dos conceitos de Logística, Administração de Materiais e Estoques, entre outros, foi desenvolvida para embasar a análise e possibilitar sugestões de melhorias ao final do estudo. Em seguida é desenvolvida uma descrição completa do sistema atual da gestão de estoques de produto acabado da unidade, desde a elaboração da programação de produção até a etapa final que é a venda do produto. Através das entrevistas, consultas a dados secundários e as observações, conseguiu-se obter as informações necessárias para realização do estudo de caso, e posterior comparação a revisão bibliográfica, com o intuito de apresentar a análise final, as sugestões de melhorias e a conclusão. PALAVRAS CHAVES: estoque, produção, vendas, programação. PERÍODO: 2005/2.

7 LISTA DE FIGURAS Figura 01: Processo de Previsão Eficaz...28 Figura 02: Período de Replanejamento...30 Figura 03: Comportamento Dinâmico do Processo de Previsão...30 Figura 04: Fluxo Primário de Informações...34 Figura 05: Variação de Estoque - Dente de Serra...40 Figura 06: Gráfico dos Estoques no Modelo de Alto Giro...41 Figura 07: Gráficos dos Estoques no Modelo de Baixo Giro...41 Figura 08: Vista Parcial da Unidade Águas Claras do Sul AmBev...66 Figura 09: Horizontes de Planejamento da AmBev...67 Figura 10: Fluxo de Informações da Malha...69 Figura 11: Armazenamento de Produto Acabado Dois de Alto...83 Figura 12: Produto em Analise Tranca Palete...84 Figura 13: Dispersão de Vendas Cerveja 600ml Janeiro Figura 14: Dispersão de Vendas Cerveja Lata Janeiro Figura 15: Dispersão de Vendas Cerveja 600ml Fevereiro Figura 16: Dispersão de Vendas Cerveja Lata Fevereiro Figura 17: Dispersão de Vendas Refrigerante Janeiro Figura 18: Dispersão de Vendas Refrigerante Fevereiro Figura 19: Dispersão de Vendas Skol Lata Jan/Jul Figura 20: Dispersão de Vendas Pepsi Cola Light Jan/Jul

8 LISTA DE TABELA Tabela 01: Quadro Comparativo entre Opções de Inventário...57 Tabela 02: Vendas de Cerveja Prevista x Real Jan/Fev Tabela 03: Vendas de Refrigerante Prevista x Real Jan/Fev Tabela 04: Vendas Cerveja Prevista x Real Jan/Jul Tabela 05: Vendas de Refrigerante Prevista x Real Jan/Jul Tabela 06: Quadro de Sugestões de Melhorias...103

9 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS 2F: Sistema de Emissão de Notas Fiscais da AmBev 2P: Sistema de Marcações de Puxadas da AmBev CDD: Centro de Distribuição a Distância EFF: Estoques Fora de Faixa ERP: Enterprise Resources Planning Sistema de Gestão Empresarial FIFO: First in First out Primeiro Que Entra primeiro que Sai MRP: Materials Requirements Planning MSN: Messenger PCP: Planejamento e Controle de Produção PDV: Ponto de Venda PEF: Programa de Excelência Fabril SAC: Serviço de Atendimento ao Consumidor SAP : Systemanalyse and Programmentwicklung Sistemas, Aplicações e Produtos de Processamento de Dados Set-up: Troca de Produto na Linha de Produção SKU: Stock Keeping Unit Número de Itens ou Produto Estocado

10 SÚMARIO 1 INTRODUÇÃO Situação Problema Definição do Problema Objetivos...13 A seguir será descrito quais os objetivos deste trabalho Objetivo Geral Objetivos Específicos Justificativa GESTÃO DE ESTOQUE Definição de Logística Dados Gerais do Estoque Características Básicas de Controle de Estoque Custos de Estoque Objetivos de Estoques Funções dos Estoques Estoque de Antecipação Estoque de Segurança Estoque de Tamanho de Lote Previsões de Estoques Considerações Gerais Natureza da Demanda Componentes das Previsões Abordagens de Previsão Processo de Elaboração de Previsões Técnicas de Previsões Planejamento e Controle de Produção PCP Gerenciamento de Estoques Planejamento de Estoques Incertezas Política de Estoques Níveis de Estoques Estoque Mínimo Estoque Máximo Estoque Ponto de Pedido Gerenciamento de Depósitos Funções de um Depósito ou Armazém...44

11 Estocagem Estratégica Armazenamento de Estoque Localização dos Estoques Técnicas de Estocagem Movimentações de Estoques Manuseio de Materiais Paletização Sistemas de Manuseio de Estoques Inventário MÉTODO Tipo de Pesquisa Definição da Área Alvo de Estudo Coleta de Dados Análise de dados Limitações do Método ESTUDO DE CASO : AMBEV- FILIAL ÁGUAS CLARAS DO SUL Caracterização da Empresa Caracterização da Área de Logística Situação Atual do Planejamento de Estoques Sistemas Utilizados na Unidade de Águas Claras do Sul Malha Planejamento e Programação de Produção (PCP) Programação de Produção Reunião de Produção Negociação de Produção e Distribuição Ajuste da Malha Gestão da Política de Estoques Fechamento de Produção Diária Sistema de Armazenamento Inventário de Estoques Programação de Distribuição :Prevista x Realizada Análise e Considerações Planejamento de Estoques - Determinação dos Níveis de Estoques Planejamento e Controle de Estoques (PCP) Produção das linhas de Envasamento Outras Considerações Sugestões de Melhoria Treinamento dos Analistas e Conferentes Contagem Diária Físico x Contábil Sistema de Codificação dos Estoques Utilização dos Gráficos da Política de Estoques Antecipação da Produção de Cerveja Lata Considerações Finais CONCLUSÃO REFERÊNCIAS APÊNDICE A: Roteiro de Perguntas Utilizados na Pesquisa APÊNDICE B: Fontes de Dados Utilizadas na Pesquisa ANEXO 1: Exemplo de Gráfico Política de Estoques ANEXO 2: Exemplo Protocolo de Justificativas de Estoques Fora de Faixa

12 1 INTRODUÇÃO As empresas e instituições em geral, vem buscando incessantemente a excelência em seus processos. Tal busca visa oferecer produtos e serviços cada vez melhores a preços competitivos; reduzir custos sem comprometer a qualidade; gerar benefícios aos acionistas e funcionários; oferecer aos clientes produtos de qualidade e preço acessível; obter lucro, que é o que todos almejam, com isto garantido a sobrevivência das organizações. Este processo contínuo de melhoria não é apenas uma opção a mais que as empresas possuem para traçar suas diretrizes gerenciais, mais sim uma questão de sobrevivência em ambiente fortemente competitivo. Possuir estoques em níveis adequados, analisar, programar e controlar as diversas variáveis que os estoques sofrem, tornou-se uma das questões de sobrevivência, principalmente no ramo que bebidas, ramo este que versará o trabalho. Os estoques de produto acabado, representam capital parado, capital que poderia ser utilizado em outro investimento, mas sem eles as empresas não conseguem atender às incertezas do mercado. Neste contexto, é inevitável possuir uma gestão de estoques que garanta o atendimento dos clientes e também que não

13 12 impacte no negócio, mantendo o capital empregado nos estoques em níveis que não comprometam o resultado final da organização. 1.1 Situação Problema Definição do Problema O ramo de bebidas brasileiro, mais precisamente o cervejeiro, modificou-se muito com a fusão da Brahma e Antarctica, pois esta união consolidou as duas maiores cervejarias brasileiras em uma só, sendo alvo de protestos e ações dos concorrentes contra a fusão. Mesmo sendo líder de mercado, a AmBev compete acirradamente com os concorrentes por cada ponto percentual de aumento de venda, mantendo uma estratégia de crescimento fundamentado em princípios de gerenciamento de receita e persegue continuamente a maior eficiência em custos. Um dos desafios para se manter competitivo, rentável, adaptar-se as incertezas do mercado e buscar possibilidades de minimizar custos, é possuir um sistema de gestão de estoques adequados às necessidades de distribuição dos produtos produzidos. Segundo Ching (1999), a política de estoques exerce influência muito grande na rentabilidade da empresa. Os estoques absorvem capitais que poderiam estar sendo investidos de outras maneiras, desviam fundos de outros usos potenciais e têm o mesmo custo de capital que qualquer outro projeto de investimento da empresa.

14 13 Os estoques ajudam a maximizar o atendimento aos clientes, protegendo a empresa das incertezas do mercado. (ARNOLD, 1999, p.271). Tentando alcançar este equilíbrio, conciliando as incertezas do mercado com o volume de produtos produzidos, não só na Filial Águas Claras do Sul, como também em todas as filiais da AmBev, tenta-se programar a produção a mais próxima possível da realidade, utilizando as previsões de vendas das áreas comerciais, comparando com as vendas de anos anteriores e buscando indicadores que possam antever possíveis variações nas vendas dos produtos. Atualmente a forma utilizada pela área de logística para programar e controlar os estoques vem encontrando grande dificuldade, pois devido ao grande número de variáveis, externas e internas, ocorrem grandes mudanças no decorrer do mês, mudanças estas que interferem diretamente nos níveis de estoques, acarretamento muitas vezes indisponibilidade de produto acabado ou sobra, conseqüentemente onerando o capital empregado da companhia. Neste contexto, a questão do problema de pesquisa é: Quais os meios necessários para que a AmBev, Filial Águas Claras do Sul, possa manter uma política de estoques de produto acabado adequado às necessidades do mercado? Objetivos A seguir será descrito quais os objetivos deste trabalho.

15 Objetivo Geral Identificar e analisar o Sistema de Gestão de Estoques existentes na AmBev, Filial Águas Claras do Sul Objetivos Específicos Analisar a programação de produção na AmBev, Filial Águas Claras do Sul ; Identificar as práticas adotadas na gestão de estoques na AmBev, Filial Águas Claras do Sul; Identificar problemas na gestão de estoques da AmBev, Filial Águas Claras do Sul; Propor ações, que possam ser adequadas para melhorar a gestão de estoques da AmBev, Filial Águas Claras do Sul Justificativa Uma preocupação constante em qualquer empresa é os níveis de estoques, portanto, fica imprescindível um controle eficaz na Gestão de estoque. Diante disso, torna-se indispensável uma cadeia logística eficiente e sob controle permanente para obter uma vantagem competitiva que garantirá supremacia em relação aos concorrentes.

16 15 O mercado de bebidas, principalmente na região sul, sofre muito com a sazonalidade devido aos períodos de frio, portanto, as incertezas da demanda são maiores, e para que sejam minimizados seus efeitos, um controle muito mais efetivo dos estoques faz-se necessário, e se não garante, ao menos minimiza os custos que geram os estoques, ou falta de produto no mercado. Este trabalho proporcionou um levantamento de informações da AmBev, Filial Águas Claras do Sul, com foco no sistema de Gestão de Estoques e suas peculiaridades, para que se possa identificar como a empresa consegue administrar e compor seus níveis de estoques. O Controle de estoques é a parte vital do composto logístico, pois estes podem absorver de 25 % a 40% dos custos totais, representando uma porção substancial do capital da empresa. (BALLOU, 1993, p. 204). Portanto, é importante a correta compreensão do seu papel do controle de estoques na logística e de como devem ser gerenciados

17 2 GESTÃO DE ESTOQUE Frente uma realidade onde são crescentes as exigências em termos de produtividade e de qualidade do serviço oferecido aos clientes, a logística assume um papel fundamental entre as diversas atividades da empresa, para atingir seu objetivos e se manter vivas e competitivas. O ambiente competitivo, aliado ao fenômeno cada vez mais amplo da globalização dos mercados, exige das empresas maior agilidade, melhores performances e constante procura pela redução de custos (CHING, 1999,p.16). Um dos pontos que poderão fazer diferença se bem administrado é a gestão de estoque, uma vez que a organização que possuir total controle sobre esta gestão, terá vantagens sobre seus concorrentes, pois conseguirá manter-se competitivo atendendo as necessidades do mercado, sem onerar o capital da empresa. 2.1 Definição de Logística Novaes e Alvarenga (2000), não definem explicitamente seu conceito de logística, mas a dividem em: logística de suprimento, logística no sistema industrial e logística de distribuição e marketing, deixando claro que ela trata da identificação

18 17 das necessidades do cliente, através do marketing e da sua satisfação, indo buscar as matérias primas nos fornecedores, processando os materiais através da produção industrial, até suprir os clientes pela distribuição dos produtos acabados. Segundo Ching (1999,p.18): A logística moderna passa a ser a maior preocupação dentro das empresa. Ela deve abranger toda a movimentação de materiais, interna e externa à empresa, incluindo chegada de matéria prima, estoques, produção e distribuição até o momento em que o produto é colocado nas prateleiras à disposição do consumidor final. Logística é processo que integra, coordena e controla: a movimentação de materiais, inventário de produtos acabados e informações relacionadas; fornecedores através da empresa; para satisfazer a as necessidades dos clientes. (IMAM, 1997, p.1). Logística integra o gerenciamento do fluxo físico que começa com a fonte de fornecimento e termina no ponto de consumo. Segundo Ballou (1995, p.24): Logística empresarial trata de todas as atividades de movimentação e armazenamento que facilitam o fluxo de produtos desde o ponto de aquisição da matéria prima até o ponto de consumo final, assim como os fluxos de informação que colocam os produtos em movimento, com o propósito de providenciar níveis e serviços adequados aos clientes a um custo razoável. A logística é uma área de extrema importância e essencial no atendimento aos clientes e na estratégia competitiva das organizações. Entre as atividades desenvolvidas pela logística está a gestão de estoques, se bem planejada e controlada é o elemento chave para o sucesso de qualquer organização.

19 Dados Gerais do Estoque Os estoques são materiais e suprimentos que a empresa ou instituição mantém, seja para vender ou para fornecer insumos ou suprimentos para o processo de produção. Freqüentemente, os estoques constituem uma parte substancial dos ativos das empresas, conforme Arnold, (1999). Segundo Arnold (1999), a administração de estoques é responsável pelo planejamento e controle de estoque, desde o estágio de matéria-prima até o produto acabado entregue aos clientes. Como o estoque resulta da produção e distribuição, os dois não podem ser administrados separadamente. A formulação de políticas de estoques, requer o conhecimento do papel do estoque nas áreas de produção e marketing, deve-se ter uma visão da magnitude dos ativos nele investidos. (BOWERSOX, 2001, p.224). Conforme Bowersox (2001), existem muitas oportunidades para melhorar a produtividade de estoques. Elas derivam da capacidade que a cadeia de suprimentos integrada têm com o intercâmbio de informações e do esforço gerencial para reduzir incertezas na demanda e nos tempos do ciclo de processamento. 2.3 Características Básicas de Controle de Estoque O controle de estoques envolve as tarefas de coordenação dos fornecedores, condições físicas, armazenamento, distribuição e registro das existências de todas as mercadorias. (GURGEL, 2000, p.67).

20 19 Segundo Ching (1999), existem características que são comuns a todos os problemas de controle de estoque, não importando se são matérias primas, material em processo ou produtos acabados Custos de Estoque Qualquer empresa que deseja possuir uma gestão estoques adequada, tendo controle em todos os níveis, desde matéria-prima ao produto acabado, deve ter bem definido os custo que representam os estoques. Conforme Arnold (1999), os custos relacionados abaixo, são utilizados nas decisões sobre a administração de estoques: a) custo por item: é o preço pago por um item comprado, consiste no custo desse item e de qualquer outro custo direto associado ao mesmo, pode-se incluir transporte, seguro e estocagem; b) custo de manutenção; este custo consiste em todas as despesas que a empresa incorre em função do volume de estoque mantido. Pode-se dividir em três categorias distintas: custo de capital, custo de armazenamento e custo de riscos; c) custos de pedidos: os custos de pedidos em uma fábrica incluem: custo de controle de produção, custos de preparação e desmontagem, custo de capacidade perdida e custos de pedidos de compra; d) custo de esvaziamento de estoque: quando a demanda do lead time excede a previsão, pode-se esperar uma falta de estoque, tornando-se caro devido aos custos de pedidos não atendidos;

21 20 e) custos relacionados à capacidade: este fator aparece quando é necessário alterar os níveis de produção, podendo haver um aumento nas horas extras, contratações treinamentos e demissões. Segundo Ballou (2001), as três classes de custos importantes para determinar a política de estoques são: custo de obtenção, custo de manutenção e custos por falta de estoque Objetivos de Estoques O objetivo principal do gerenciamento de estoque é assegurar que o produto esteja disponível no tempo e nas quantidades desejadas, segundo Ballou (2001). Conforme Arnold (1999), uma empresa que deseja maximizar seu lucro deve possuir um investimento mínimo em estoque. Ballou descreve: Os estoques servem para uma série de finalidades. Ou seja, eles melhoram o nível de serviço, incentivam economias na produção, permitem economias de escala nas compras e no transporte, agem como proteção contra aumento de preços, protegem a empresa de incertezas na demanda e no tempo de ressuprimento e servem como segurança contra contingências. (BALLOU, 1995, p.205)

22 Funções dos Estoques Segundo Arnold (1999), o propósito básico dos estoques é separar o suprimento da demanda. O estoque serve como um armazenamento intermediário entre: 1) oferta e demanda; 2) demanda dos clientes e produtos acabados; 3) produtos acabados e a disponibilidade dos componentes; 4) exigências de uma operação e resultado da operação anterior. Embora manter estoques tenha um custo, o estoque pode indiretamente reduzir custos operacionais em outras atividades e pode ainda compensar o custo de sua manutenção. Manter estoques pode incentivar as economias de produção por permitir rodadas de produção mais amplas, mais longas e de maior nível, com isto, aumentando a produtividade dos equipamentos devido à redução de set-ups (troca de produto na linha de produção), segundo Ballou (2001). Conforme Bowersox (2001), existem quatro principais funções desempenhadas pelos estoques, que estão representadas desta forma: especialização geográfica, estoques intermediários, equilíbrio entre o suprimento e demanda e gerenciamento de incertezas.

23 Estoque de Antecipação Os estoque de antecipação são criados, para atender demandas futuras, através de previsões, programas de promoções ou até mesmo diante de possíveis greves ou férias coletivas agendadas. Através do método de antecipação as empresas podem nivelar seu nível de produção, com isto auxiliando a redução de custos de mudança das taxas de produção Estoque de Segurança O estoque de segurança é a quantidade extra calculada de estoque mantido e é geralmente utilizado como proteção contra a incerteza relativa a quantidade. (ARNOLD, 1999, p.269). O estoque de segurança em qualquer empresa, depende dos fatores interligados a ele, tais como : a) variabilidade da demanda durante o lead time; b) freqüência de novos pedidos; c) nível de atendimento desejado; d) extensão do lead time. Quanto maior o lead time, mais estoque de segurança deve ser mantido.

24 23 Segundo Arnold: O estoque de segurança é mantido para proteger a empresa de flutuações aleatórias e imprevisíveis do suprimento, da demanda ou do lead time. Se a demanda ou lead time são maiores que o esperado, haverá um esvaziamento do estoque. (ARNOLD, 2001, p.269) Estoque de Tamanho de Lote Os itens comprados ou fabricados em quantidades maiores que o necessário criam imediatamente estoque de tamanho de lote, conforme Arnold (1999). Esse tipo de estoque é muito utilizado nas ocasiões quando se quer tirar vantagem dos descontos sobre a quantidade, para reduzir despesas de transporte, os custos de produção e otimizar set-ups das linhas de produção, produzindo lotes mínimos que representam maximização do lucro desejado. Também é conhecido como estoque de ciclo, pois vai diminuindo à medida que os pedidos chegam e é abastecida ciclicamente quando os pedidos aos fornecedores são recebidos. 2.5 Previsões de Estoques As atividades logísticas de planejamento e controle exigem estimativas acuradas dos volumes de produtos e serviços a serem manipulados pela cadeia de suprimentos. Estas estimativas são feitas tipicamente em forma de previsões, conforme Ballou (2001). Segundo Arnold (1999), antes de se fazer planos, deve-se fazer uma estimativa das condições que existem dentro de um período futuro. Como são feitas

25 24 as estimativas e com que precisão, é outro problema; mas não se pode fazer quase nada sem alguma forma de estimativa. A previsão tem a função de orientar o planejamento e a coordenação dos sistemas de informação logística. As previsões tendem a serem projeções de valores e quantidades que poderão ser produzidas, vendidas e enviadas pela expedição da empresa, segundo Bowersox (2001) Considerações Gerais Conforme Bowersox (2001), as previsões dividem-se por local, por quantidade de produto e por período de tempo, com a finalidade de planejamento de operações logísticas. Para desenvolver um processo integrado de previsão, os responsáveis pela logística devem considerar todas as possíveis fontes de informação e as características dos possíveis usuários destas previsões. Os principais componentes da demanda que precisão ser entendidos antes das previsões são: a natureza da demanda, os componentes de previsões e abordagens de previsão Natureza da Demanda Para que materiais e recursos de capacidade sejam planejados com eficácia, todas as fontes de demanda devem ser identificadas, segundo Arnold (2001).

26 25 Prever níveis de demanda é vital à empresa como um todo, conforme Ballou (2001), porque fornece as entradas básicas para o planejamento e controle de todas as áreas funcionais, incluindo a logística, o marketing, a produção e as finanças. Bowersox (2001), afirma que as previsões de demanda podem ser classificadas em dois tipos distintos: independentes e dependentes. As demandas dependentes são aquelas que podem caracterizar-se por uma seqüência interligada de atividades de compra ou de produção, ou seja, esta demanda é parte integrante de um pedido que depende deste item para se completar. A demanda dependente estende-se a vários níveis do canal, como fornecedores de matérias primas, fabricantes de componentes, montadoras e distribuidoras. São consideradas demandas independentes aquelas que não se relacionam com a demanda de nenhum outro item. A demanda independente é inicialmente determinada por meio de previsões. Geralmente as demandas dependentes são derivadas das demandas independentes Componentes das Previsões A área de logística, mais precisamente a programação de produção e controle, precisa de previsões em quantidades de todos os SKU (Stock Keeping Unit -número de itens ou produto estocados) por local de distribuição. As previsões devem ser semanais, quinzenais ou mensais, dependendo do tipo de produto a ser comercializado. Segundo Bowersox (2001), a quantidade prevista é expressa em um único número, porém é formada por seis componentes básicos: o nível de vendas,

27 26 fatores sazonais, a tendência de crescimento ou queda, os fatores cíclicos, as promoções e os fatores aleatórios. Conforme Corrêa (2000), um dos componentes principais de previsão nas empresas é a estratégia utilizada no sistema de administração da produção. Este sistema deve ser capaz de apoiar o tomador de decisões logísticas a: 1) planejar as necessidades futuras de capacidade produtiva da organização; 2) planejar os níveis de estoques adequados de matérias primas, semiacabados e produtos finais, nos pontos certos; 3) programar atividades de produção para garantir que os recursos produtivos envolvidos estejam sendo utilizados, nos momentos certos e prioritários; 4) ser capaz de informar corretamente a respeito da situação dos recursos disponíveis da empresa (pessoas, equipamentos, produção); 5) conseguir reagir às incertezas do mercado. Considerando os tópicos acima, fica clara a necessidade de um planejamento eficaz do setor de programação da produção, pois, o setor tem o papel fundamental de dar suporte as empresas a atingirem seus objetivos estratégicos. Corrêa (2000), apresente duas definições do conceito de planejar: a) planejar é entender como a consideração conjunto da situação presente e da visão futura influencia as decisões tomadas no presente para que se atinjam determinados objetivos no futuro;

28 27 b) planejar é projetar um futuro que é diferente do passado, por causas sobre as quais se tem controle Abordagens de Previsão As abordagens de previsões podem ser elaboradas sob dois aspectos principais, de cima para baixo (top-down) ou de baixo para cima (bottom-up), conforme Bowersox (2001). A abordagem de cima para baixo também é conhecida como analítica, partindo de uma previsão de unidades a nível nacional para, em seguida, decompor o volume total por diversas localidades, sendo mais adequada para situações de demanda estável, ou quando os níveis de demanda variam uniformemente. Já a abordagem de baixo para cima é descentralizada, pois as previsões são feitas separadamente, com isto, cada previsão pode identificar e considerar com mais rigor as flutuações de demanda em mercados específicos. A abordagem de baixo para cima requer, contudo, sistemas de armazenamento e recuperação de informações mais detalhadas, pois ele não está preparado para uma demanda maior que não seja sistematizada. Conforme Bowersox (2001), o responsável pelas previsões não é obrigado a adotar uma abordagem ou outra, ele deve, no entanto, selecionar uma combinação adequada dos dois tipos de abordagem. Esta combinação deve equilibrar o detalhamento inerente à abordagem de baixo para cima com a facilidade de tratamento da abordagem de cima para baixo.

29 Processo de Elaboração de Previsões As atividades logísticas de planejamento e controle de produção exigem uma melhor estimativa possível das necessidades de volumes a serem fabricados e distribuídos, divididos individualmente por SKU. Bowersox (2001), salienta que é crescente o número de empresas que está adotando processos integrados de previsão, que incluem a coleta de dados de múltiplas fontes, técnicas matemáticas e estatísticas sofisticadas e pessoal treinado e motivado. Conforme Bowersox (2001), o processo eficaz de elaboração de previsões exige a presença de vários componentes, que estão expostos na figura 01: Base de dados de previsão Histórico de táticas de pedidos Processo de previsão Gerenciamento de previsões Técnicas de previsões Sistema de suporte às previsões Usuários das previsões Finanças Marketing Vendas Produção Logística Figura 01: Processo de Previsão Eficaz Fonte: Bowersox, 2001 p.211 Para Dias (1996), a previsão é o ponto de partida de todo planejamento de estoque. Para que se consiga obter êxito nas previsões, deve-se ter algumas informações básicas sobre a demanda de estoque de produto acabado, que segundo o autor, dividem-se em duas categorias, as quantitativas e as qualitativas : a) Quantitativas evolução das vendas no passado;

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