PLANO DE GESTÃO INTEGRADA SUL DO AMAZONAS

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1 PLANO DE GESTÃO INTEGRADA SUL DO AMAZONAS

2 PLANO DE AÇÃO DE GESTÃO INTEGRADA de terras indígenas e unidades de conservação no sul do amazonas Brasília, junho de 2017 AMARI- Associação Dos Moradores Agroextrativistas da Resex Ituxi APADRIT- Associação dos Produtores Agroextrativistas da Assembleia de Deus do Rio Ituxi. APIJ Associação do Povo Indígena Jiahui APITEM Associação do Povo Indígena Tenharin Morõgita. APITIPRE-Associação do Povo Indígena Tenharin do Igarapé Preto. APREA- Associação dos Produtores (as) Rurais Extrativistas da Resex Arapixi Associação Extrativista Deus é Amor do Rio Inauini ATAMP- Associação dos Trabalhadores Agroextrativistas do Médio Purus CNS- Conselho Nacional das Populações Extrativistas FOCIMP Federação das Organizações e Comunidades Indígenas do Médio Purus AM OPIAJ Organização dos Povos Indígenas Apurinã e Jamamadi. OPIAJBAM Organização dos Povos Indígenas Apurinã e Jamamadi de Boca Acre/Amazonas. OPIAM-Organização dos Povos Indígenas do Alto Madeira OPIPAM Organização do Povo Indígena Parintintin do Amazonas. STTR- Sindicato dos Trabalhadores (as) Rurais de Pauini AM

3 SUMÁRIO 1. Introdução 2. As frentes de ocupação do sul do Amazonas 3. O interflúvio Purus-Madeira: um olhar sobre os municípios com gestão integrada de áreas protegidas 3.1 Boca do Acre 3.2 Pauini 3.3 Lábrea 3.4 Humaitá 4. A elaboração do Plano de Ação de Gestão Integrada 5. O Plano de Ação de Gestão Integrada: objetivos, ações e áreas prioritárias 6. Considerações Finais 7. Referência Bibliográfica Anexos I: Lista das Instituições participantes na elaboração do Plano de Ação Anexo II: Lista dos participantes do Curso de Gestão Integrada Anexo III: Áreas protegidas participando das ações de gestão integrada Anexo IV: Mapa das terras indígenas e unidades de conservação

4 INTRODUÇÃO

5 O Plano de Ação de Gestão Integrada de Terras Indígenas e Unidades de Conservação no Sul do Amazonas é parte de um processo mais amplo voltado para a resolução de conflitos socioambientais e para a gestão territorial e ambiental conjunta de áreas protegidas na região. Demandas por um maior diálogo entre os moradores das terras indígenas (TIs) e das unidades de conservação (UCs) no sul do Amazonas, bem como dos gestores públicos destas, despontaram com grande urgência nos últimos anos, especialmente nos municípios de Lábrea, Pauini, Boca do Acre e Humaitá. Em 2012, o Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) promoveu o Seminário Gestão Participativa de Unidades de Conservação no Sul do Amazonas, Nordeste de Roraima e Norte de Mato Grosso ¹. Neste evento, os extrativistas e gestores do ICMBio e FUNAI ressaltaram a necessidade de construir um espaço de diálogo sobre a relação entre TIs e UCs. Posteriormente, em 2015, esta demanda, com expressiva participação indígena e contando com gestores da FUNAI e ICMBio foi acentuada durante o Curso Formar PNGATI, realizado pelo IEB em 2014². A importância da discussão na região foi novamente ressaltada, desta vez com forte participação de indígenas, extrativistas e gestores públicos durante o Seminário Gestão Territorial e Ambiental no Sul do Amazonas: oportunidades e desafios, promovido pela Operação Amazônia Nativa (OPAN)³. Diante desse contexto, em 2015, com apoio da Fundação Moore, o IEB iniciou o projeto Gestão Integrada de Terras Indígenas e Unidades Conservação no Sul do Amazonas, por meio de um processo formativo que resultou na elaboração deste Plano 5

6 de Ação. Este documento, portanto, é fruto de um longo processo que vem sendo construído de baixo para cima. A gestão integrada na região não foi imposta de fora para dentro, ela parte das demandas do sul do Amazonas. Contribuindo com essas demandas, o processo formativo que propiciou a elaboração do Plano contou com reuniões de articulação política, oficina para construção de um curso e realização do seminário de Gestão Integrada. Ao longo desse processo, o plano foi construído, especialmente durante o curso, complementado e pactuado durante o seminário,que ocorreu em abril de Participou desse processo uma rede de instituições governamentais e não governamentais: IEB, OPAN, CR1 do ICMBio, três CRs da FUNAI (Madeira, Alto Purus, Médio Purus), 8 associações indígenas (OPIAM, APITEM, OPIPAM, APITIPRE, APIJ, OPIAJIBAM, OPIAJ e FOCIMP) e 7 instituições representativas dos extrativistas (AEDARI, AMARI, APADRIT, APREA, ATAMP, CNS e STTR Pauini). Essa rede engloba ao todo 19 instituições, sendo 17 da sociedade civil e 2 governamentais (anexo 1). O número de organizações envolvidas com a gestão integrada no sul do Amazonas demostra não apenas a relevância dessa agenda, mas a preocupação em gerir de forma conjunta e mais planejada as áreas protegidas da região. 6

7 Por ser uma agenda que envolve diversos conflitos relativos à sobreposição de limites entre as áreas protegidas, ao uso comum por indígenas e extrativistas de determinados recursos naturais e à administração pública das áreas feita por órgãos de governo com atribuições distintas, a criação de um espaço público a partir da formação/capacitação se mostrou a via mais eficaz para realizar a gestão integrada e minimizar os conflitos. A própria terminologia empregada na discussão, como o termo gestão integrada, foi construída ao longo da formação. Os representantes das diversas instituições que compõem a rede, durante o curso, definiram gestão integrada como gestão conjunta, um modelo que respeita as diferenças e as especificidades. Com essa compreensão, indígenas e extrativistas, juntamente com os gestores públicos, avançaram na discussão, respondendo a uma pergunta central: o que nos une? A resposta construída coletivamente foi a gestão integrada das TIs e UCs, bem como o fortalecimento das instituições locais, para que todos consigam lidar com o avanço do desmatamento no sul do Amazonas, considerado um forte inimigo comum. Com os desdobramentos dos diálogos em torno da gestão integrada, o Plano de Ação foi concebido como mais uma ferramenta para fortalecer a discussão e, além disto, apontou caminhos para a realização de ações concretas. Entendido como um documento dinâmico e maleável que, com o tempo, será passível de revisões e atualizações, o Plano de Ação de Gestão Integrada serve para orientar as instituições parceiras em relação as ações prioritárias para o avanço da gestão integrada no sul do Amazonas, em detrimento de ações de desmatamento que se agravam diariamente. O Plano do sul do Amazonas permite ainda que as instituições atuem de modo mais holístico, sistêmico, olhando para a região como um mosaico não oficial 7

8 de áreas protegidas, entremeado por uma ampla rede institucional. Para tanto, as estruturas de governança que atualmente existem, os comitês regionais e os conselhos consultivos e deliberativos, precisam ser fortalecidos. Estes são espaços públicos privilegiados para o fomento da gestão integrada no sul do Amazonas. Neles, os objetivos estratégicos, as ações prioritárias e as ações transversais do Plano de Ação podem encontrar ressonância regional. Construído a partir de objetivos e ações de caráter regionais, o Plano inicialmente apresenta de forma sintética o histórico de ocupação do sul do Amazonas por indígenas, extrativistas e, posteriormente, por frentes econômicas diversas direcionadas para a exploração dos recursos naturais de forma degradante, gerando o aumento do desmatamento na região. Em seguida, o documento aborda os municípios de Lábrea, Pauini, Boca do Acre e Humaitá, identificando as principais áreas protegidas com potencial para a gestão integrada. Somente após esta contextualização, o processo formativo que resultou nas propostas de gestão integrada para o sul do Amazonas passa a ser detalhado, criando o cenário adequado para uma real compreensão dos objetivos estratégicos, ações previstas e áreas prioritárias para a gestão integrada no sul do Amazonas. Nas considerações finais, o documento aponta para diretrizes voltadas ao futuro, para desdobramentos da agenda de gestão integrada. 1 - Instituto Internacional de Educação do Brasil. Seminário Gestão Participativa de Unidades de Conservação no Sul do Amazonas, Nordeste de Rondônia e Norte de Mato Grosso, 09 a 11 de outubro de Brasília: IEB, Instituto Internacional de Educação do Brasil. Propostas de Implementação da PNGATI na Amazônia. Brasília: IEB, www. Acessado em 29/06/

9 2. AS FRENTES DE OCUPAÇÃO DO SUL DO AMAZONAS 4

10 O sul do Amazonas é uma região de grande diversidade social, cultural e biológica. A paisagem local engloba áreas de campos amazônicos, várzeas, rios de águas brancas, igapós, florestas densas e igarapés. Diversos povos indígenas e extrativistas habitam a região e possuem uma organização social e cultural estreitamente vinculada ao meio ambiente e ao uso sustentável dos recursos naturais. Entre os indígenas do sul do Amazonas estão os povos Apurinã, Paumari, Jamamadi, Kamadeni, Jarawara, Deni, Banawá, Katukina, Kokama, Karipuna, Katauixi, Kaxarari, Zuruahá, Hi-Merimã, Mamori, Mura, Tikuna, Juma, Parintintin, Tenharim, Jiahui, Pirahã, Miranha, Munduruku e Torá, pertencentes a distintos troncos linguísticos e distribuídos em várias terras indígenas situadas nas calhas dos rios Madeira e Purus. Há ainda mais de uma centena de comunidades tradicionais extrativistas e ribeirinhas que ocupam reservas extrativistas e florestas nacionais, algumas dessas localizadas no entorno de parques nacionais que ali foram criados. A distribuição geográfica das aldeias e comunidades destes distintos grupos sociais, que tem modos de vida bastante similar, guardadas as devidas distinções, remonta a séculos atrás e foram estabelecidas por meio de diversas lutas pela conquista dos seus territórios, cada um a seu modo e tempo. 10

11 Inicialmente, as terras indígenas foram regularizadas, a exemplo da primeira delas, Seruini/Marienê, que teve como marco de reconhecimento por parte do Estado a instalação de um posto do Serviço de Proteção ao Índio/SPI, em Os registros existentes da localidade narram conflitos onde morreram aproximadamente quarenta Apurinã e sete seringueiros. O posto foi posteriormente desativado, mas a terra foi reconhecida como de ocupação Apurinã anos mais tarde, em 1917, e homologada somente 83 anos depois, em 13/09/2000. Outras terras passaram por processos de regularização fundiária talvez não tão demorados, mas sempre permeados pela morosidade do Estado. Na calha do rio Madeira há registros da presença Parintintin desde os anos 30, quando tentativas de pacifica-los ocorreram. Suas terras, no entanto, foram formalmente reconhecidas somente na década de A maior parte das terras indígenas situadas hoje no sul do Amazonas teve seu processo de regularização iniciado nas décadas de 1980 e 1990, mas muitas outras ainda aguardam por definição. A situação também não foi pacífica para os extrativistas e o reconhecimento dos seus territórios foi bastante moroso. Entre o final do século XIX e início do século XX, a região do sul do Amazonas passou a ser vista como um promissor local para exploração econômica dos recursos naturais. Teve início, então, um movimento de ocupação e exploração patrocinado por aviadores de Manaus e de Belém para que migrantes oriundos do norte e nordeste habitassem a região, em especial para a exploração de borracha. Essa ocupação não ocorreu sem conflitos, pois não se tratava de um vazio demográfico, já que a região era habitada 11

12 por indígenas. O contingente populacional que se deslocou para o sul do Amazonas não recebeu um tratamento digno por parte dos aviadores, sendo explorados economicamente durante décadas. Com o declínio da frente de expansão da borracha, os extrativistas se reorganizaram social e culturalmente, e passaram a residir em comunidades ao longo das calhas dos rios da região. Na segunda metade do século XX, a região passou a ser explorada também por frentes econômicas da agropecuária, da extração ilegal de madeira e da mineração, com um intenso processo de grilagem de terras e ocupação dos territórios dos povos indígenas e extrativistas. Nesse novo contexto, houve resistência por parte dos indígenas e extrativistas frente ao avanço do desmatamento, destruição dos seringais, castanhais e seus locais tradicionais de ocupação. Esses grupos sociais eram contrários a um modelo de ocupação excludente e injusto proporcionado pelo próprio Estado. 12

13 Os extrativistas, por meio de empates, fizeram enfrentamentos e demonstraram que se opunham ao modelo degradante vigente. Assim nasceu a forma de ocupação do território que ficou conhecida como reserva extrativista. O maior líder do movimento que protagonizou tal modelo, Chico Mendes, foi assassinado em 1989, um ano antes da assinatura do primeiro Decreto que regulamentou as reservas extrativistas. Esta modalidade de área protegida só ganhou espaço na região sul do Amazonas no século XXI, entre os anos de 2006 e Posteriormente, vieram a ser criados o Parna Mapinguari e o Parna Campos Amazônicos. Entretanto, outras modalidades de Unidades de Conservação foram criadas anteriormente, as Flonas das calhas do rio Madeira e Purus, decretadas entre os anos de 1988 e

14 2.1. AS AMEAÇAS E PRESSÕES INCIDENTES NA REGIÃO Mesmo com a existência de territórios considerados protegidos, a região é fortemente marcada por vários tipos de ameaças e pressões. O sul do Amazonas sofre impactos de rodovias tais como a BR 163, noroeste do Mato Grosso, extremo nortenordeste de Rondônia e centro-sul do Pará; a BR 169, conhecida por ligar Porto Velho/Rondônia a Manaus/Amazonas; a BR 317 ou Interoceânica que liga a região sul da Amazônia (Amazonas, Rondônia e Acre) ao Peru; e a BR 230, também denominada como Transamazônica. Diante deste cenário pode ser considerada como uma das áreas mais críticas em termos do avanço do desmatamento na Amazônia brasileira e palco deste incisivo fenômeno com seu avanço e interiorização. Alguns dos municípios que compõem a região sul do Amazonas, como Boca do Acre, Lábrea, Pauini e Humaitá, localizados na zona de fronteira entre os estados do Acre, Rondônia e Mato Grosso, sofrem com o processo ilícito de supressão florestal que resulta do vazamento dos vetores de pressão do desmatamento destes estados limítrofes. 4 - Texto elaborado a partir da base de informação de TOMASI, André. Desmatamento, Integridade Territorial e Vetores de Pressão Regionais- Sul do Amazonas. Nota Técnica/IEB, 2016 (no prelo). 14

15 O desmatamento acaba sendo apenas parte das ameaças que pairam na região e colocam inúmeras situações de conflito, violação de direitos, esbulho, violência no campo e grilagem de terras. Há um contexto regional de fortes disputas territoriais e litígios socioambientais latentes. E, tal como ocorre em outras regiões da Amazônia, os principais vetores deste processo de desmatamento é a ocupação irregular de terras públicas para fins de especulação patrimonial (grilagem), a extração seletiva ilegal de madeira (corte raso e degradação florestal) e a pecuária extensiva de corte (consolidação de pastagens em larga escala em face à supressão de áreas florestadas). O contexto ambiental na região sul do estado do Amazonas pode ser considerado como um dos mais críticos e preocupantes na Amazônia brasileira. Relatórios mensais do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (IMAZON), apontam que do total de 474 km2 de desmatamento para o mês de maio de 2016, Lábrea foi o município que mais desmatou no bioma, com 74,4 km2, ou 15,7% do número desmatado. Tal dado fez com que o Amazonas liderasse o ranking de estados que mais desmataram, para o período mencionado, com 37% do desmatamento total da Amazônia brasileira, caso sejam incluídos os municípios de Novo Aripuanã (segundo município que mais desmatou em maio de 2016 com 44,7 km2, ou 10% do total desmatado) e Manicoré (sétimo município que mais desmatou em maio de 2016 com 26,9 km2, ou 5,6% do total desmatado), seguido por Rondônia (22%), Pará (21%) e Mato Grosso (15%). 15

16 Segundo dados do PRODES, o município de Lábrea concentrou a maior parte da área desmatada no sul do Amazonas. A maior parte desse desmatamento está localizada na porção sul-sudoeste do município, zona da tríplice fronteira e área de influência das BR 364, BR 317 e BR 319. Outro município que vem apresentando taxas preocupantes de desmatamento é Boca do Acre; após um boom de desmatamento entre 2003 e 2004 e uma sucessiva queda e constância entre os anos de 2005 e 2011, nota-se que a partir de 2012/2013 os índices começam novamente a aumentar para o sul do Amazonas, conforme pode ser percebido no gráfico abaixo. Gráfico 1 - Desmatamento no sul do Amazonas (Km2) - PRODES Fonte: PRODES/INPE,

17 O avanço da pecuária extensiva (abertura de fazendas) vem ocorrendo principalmente no eixo das rodovias BR 317, BR 364, BR 319 e BR 230. Boca do Acre e Lábrea aparecem como os municípios mais impactados pelo avanço desta atividade ao passo que a cadeia produtiva da carne bovina está organizada prioritariamente via Boca do Acre, sede dos dois principais frigoríficos do sul do Amazonas. Embora o município de Lábrea não apareça nas estatísticas sobre rebanho bovino do Amazonas é fato conhecido que grande parte do rebanho abatido em Boca do Acre tem origem nas fazendas localizadas na porção limítrofe (sudoeste) de Lábrea; ambos municípios se tocam nesta região e os rebanhos bovinos oriundos de Boca do Acre, são na verdade, de origem labrense. É também sabido que os municípios de Boca do Acre e Lábrea sofrem com um grave problema de evasão de divisas na medida em que a comercialização da produção local do rebanho bovino tem como destino os mercados do Acre, Rondônia, Manaus e centro-sul do país, atestando a ilegalidade da atividade e a falta de garantias de procedência e origem do produto consumido. O segundo maior rebanho bovino do estado do Amazonas localiza-se na região de influência da BR 230 (Transamazônica), nos municípios de Manicoré, Novo Aripuanã e Apuí, vizinhos a Humaitá e região com forte tendência agropecuária. Existem, nestes quatro municípios, 20 Projetos de Assentamento contabilizando ,88 hectares com capacidade para assentar 17

18 pessoas, muito embora hoje, segundo dados do INCRA, existam em torno de cadastradas na Relação de Beneficiário (RB). E uma das estratégias utilizadas por grileiros de terras, madeireiros e fazendeiros, é a utilização de assentamentos do INCRA como porta de entrada para a região, seja pela facilidade de viabilizar licenciamentos florestais fraudulentos ou pela possibilidade de compra de lotes e aliciamento/barganha de assentados da reforma agrária. No mesmo sentido, as rodovias BR-319 (Manaus - Porto Velho) e BR-230 (Transamazônica) são responsáveis pelo incremento do fenômeno do desmatamento. Esses eixos rodoviários concentram espacialmente as principais atividades econômicas como a agricultura, a pecuária e a exploração madeireira que, embora em menor intensidade, também se desenvolvem em torno do rio Madeira e contribuem no computo geral deste indicador para a região. Em média, para o período compreendido entre 2000 e 2014, segundo dados do INPE/ PRODES, os municípios de Humaitá, Manicoré, Novo Aripuanã e Apuí contribuíram, anualmente, com 176,17 km2 ou 26,23% do total desmatado no estado do Amazonas. Nesse contexto de desmatamento, há outro aspecto que também chama a atenção. Existe pelo menos cinco processos minerários requeridos e incidentes sobre as TIs. A TI Tenharin do Igarapé Preto, localizada na porção sul do município de Novo Aripuanã/AM, e ao norte do município de Colniza/MT, está sob influência da rodovia do Estanho (estrada construída pela empresa minerária Paranapanema S.A. nos anos 80). É habitada pelo povo Tenharin e foi homologada em 2004 com área de hectares. Até 2014 possuía em torno de hectares desmatados, principalmente nas áreas das lavras de exploração 18

19 de cassiterita, mineral abundante e exaurido do subsolo da TI, fato este que ainda gera especulação e conflito em relação à exploração econômica na região em torno da atividade mineral. Soma-se a estes vetores de desmatamento, a possibilidade eminente de construção da UHE de Tabajara, no rio Ji-Paraná, afluente do rio Machado, município de Machadinho d Oeste/ RO. Com previsão inicial de Kw os impactos do barramento hidrelétrico iriam além da construção física do empreendimento: a chegada de levas de construtores à vila de Tabajara, o tráfego incessante de máquinas e homens, a demanda por recursos e moradias, o aumento da violência e danos ao patrimônio cultural e ambiental do povo Tenharim são alguns dos impactos identificados. 19

20 Outro vetor de pressão importante e que repercute sobre o uso dos recursos naturais regionais é a Hidrovia do Madeira, que se constitui, atualmente, como uma das mais importantes do país por ela passam balsas graneleiras que dão escoamento à produção do Centro Oeste brasileiro e de Rondônia para Itacoatiara e Belém e de lá, para o comércio exterior. Esta rede de transporte de grande escala, de escoamento de commodities importantes para a balança comercial brasileira, atrela de forma concreta a região sul do Amazonas aos mercados globais, repercutindo sobre o usufruto coletivo de recursos hídricos por parte das grandes empresas que se beneficiam deste corredor logístico nacional. Apesar do sul do Amazonas estar inserido em um contexto intenso de pressão e desmatamento, a região possui um considerável mosaico de áreas protegidas em processo de consolidação com grande potencial para a conservação e uso sustentável dos recursos naturais. No Purus, há 34 terras indígenas demarcadas, 27 áreas reivindicadas e sete unidades de conservação federais. Já no Madeira são dez terras indígenas demarcadas, três áreas reivindicadas e cinco unidades de conservação federais. 20

21 3. O INTERFLÚVIO PURUS-MADEIRA: UM OLHAR SOBRE OS MUNICÍPIOS COM GESTÃO INTEGRADA DE ÁREAS PROTEGIDAS

22 3.1 BOCA DO ACRE O Município de Boca do Acre possui quatro terras indígenas regularizadas e outras seis que aguardam sua regularização fundiária 5. Os indígenas estão reunidos por meio da OPIAJBAM (Organização dos Povos Indígenas Apurinã e Jamamadi de Boca do Acre, Amazonas), umas das associações de base da organização regional FOCIMP (Federação das Organizações e Comunidades Indígenas do Médio Purus). No Município encontram-se também a Resex Arapixi, a Flona Mapiá-Inauini e a Flona Purus, estas duas últimas incidindo também em parte do município de Pauini. As terras indígenas e unidades de conservação localizadas no município têm como principais vetores de pressão a BR 317 que rasga os limites de duas TIs (Apurinã do Km 124 e Boca do Acre) e sob influência das áreas vizinhas abertas para pecuária e grilagem incessante de terras que circundam seus limites. As fazendas crescem quase sempre sobre terras onde vivem indígenas, além de pequenos agricultores e extrativistas, ocasionando conflitos. Indígenas, extrativistas, posseiros e fazendeiros disputam a ocupação decorrente da complicada sobreposição de interesses: há demanda por regularização fundiária de terras indígenas e unidades de conservação, por projetos de assentamentos para reforma agrária, por regularização fundiária de pequenos e médios proprietários, para a expansão da pecuária extensiva e grilagem irrestrita de terras. O asfaltamento da BR 317, iniciado em 2002 e ainda 22

23 inconcluso, representa a ampliação dos impactos vividos pelas populações indígenas desde a abertura da estrada nos anos Dentre eles destacam-se: o aumento do desmatamento, contaminação do solo e dos recursos hídricos, mortalidade da fauna local, alterações no microclima local, aumento da violência e embates. Tal asfaltamento preocupa pelo acirramento da tensão já deflagrada nesta porção sul do município. O trecho da BR-317 entre a cidade de Boca do Acre (AM) e a divisa dos Estados do Acre e Amazonas tem uma extensão total de 110,7 quilômetros, interceptando ou margeando os limites das terras indígenas Apurinã da rodovia. Esse traçado impacta não só aqueles que não tem terras regularizadas ou que estão em processo de reconhecimento, mas também é um problema a ser enfrentado pela população indígena residente, dada a forte pressão para que a obra se concretize. Outra situação que merece atenção no município diz respeito a sobreposição de terras indígenas e unidades de conservação. A Flona Mapiá-Inauini possui 1,39% de sua área sobreposta a TI Inauini/Teuini. A Resex Arapixi, por sua vez, onde moram mais de 300 famílias, possui uma área sobreposta a Terra Indígena Maracaju, cuja regularização fundiária tem sido reivindicada pelos Jamamadi que residem na área desde a década de A criação da Resex Arapixi foi fruto de um processo de lutas e reivindicações desde 1997, que teve apoio do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Boca do Acre e do então Conselho Nacional dos Seringueiros. A unidade recebeu títulos de Concessão de Direito Real de Uso (CDRU) dos imóveis constituídos por uma área de ,6534 ha, localizados no município. 5 - As terras indígenas regularizadas são: Camicuã, Apurinã do Km 124, Boca do Acre e Capãna. As que aguardam regularização são: Caiapucá, Lourdes/Cajueiro, Valparaíso, Goiaba, Monte e Iquirema. 23

24 3.2 PAUINI As Terras Indígenas em Pauini estão parcialmente conectadas com os processos de expansão da fronteira do desmatamento, em menor intensidade quando comparadas as de Boca do Acre. Apresentam um índice muito baixo de desmatamento, comprovando sua alta integridade territorial. Mas há invasões de caçadores e pescadores, conflitos por uso de recursos e destinação territorial, além das ameaças que começam a ocorrer com a abertura ou ampliação de ramais que tem origem no município de Boca do Acre. A população indígena de Pauini está distribuída em 35 aldeias situadas em sete terras indígenas regularizadas e em quatro terras em processo de demarcação 6. Os indígenas do município estão organizados em torno da OPIAJ (Organização dos Povos Indígenas Apurinã e Jamamadi), que também é base da FOCIMP. Os extrativistas, por sua vez, residem na Flona do Purus, na Flona Mapiá-Inauini e na Resex Médio Purus. As duas primeiras incidem parcialmente no Município de Boca do Acre e a última tem a sua maior parte no Município de Lábrea. No município ocorrem alguns conflitos em função do uso comum dos recursos naturais situados em TI ou UCs. O caso mais recente ocorreu na região da TI Seruini/Marienê, no dia 19 de abril de 2016, quando houve o homicídio do indígena Damião Ferreira Ramos, próximo a aldeia Kamarapu, na TI Catipari/Mamoriá, envolvendo extrativistas moradores da Resex Médio 24

25 Purus. O ocorrido resultou de conflitos não resolvidos que são anteriores a própria criação da Resex. A TI foi demarcada em 1997, quando já havia tentativas de realizar reuniões conjuntas para tratar de estabelecer acordos sobre o uso dos recursos pelas diferentes comunidades, bem como demandar apoio das instituições e lidar com limites territoriais. Com o intuito de minimizar os problemas e tensões, três diferentes acordos foram estabelecidos entre as comunidades Kamarapu, Kakuri, São Jeronimo e Santo Antônio do Catipari, da TI Catipari/Mamoriá, e comunidades Nazaré e Estirão do Humaitá, da Resex Médio Purus. A situação nas Flonas do município é menos tensa, apesar de existir uma sobreposição entre a Flona Purus e a Flona Mapiá-Inauini com a TI Inauini/Teuini, de ocupação do povo indígena Jamamadi. A Flona do Purus possui aproximadamente 24 % do território sobreposto. Ela foi decretada em 1988 e seu conselho consultivo instalado em O igarapé Mapiá é o mais ocupado e onde está localizada a Vila Céu do Mapiá, com considerável fluxo de atividade de turismo religioso. O acesso a Vila, no entanto, se dá pelo rio Purus e Igarapé Mapiá, vindo de Boca do Acre. A Flona recebeu Concessão de Direito Real de Uso (CDRU) da área denominada "Gleba Puruini". 6 - As terras indígenas regularizadas são: Kamadeni, Catipari/Mamuriá, Seruini/Marienê, Gajahaã, Água Preta/Inari, Peneri/ Tacaquiri, Inauini/Teuini. As reivindicadas são: Baixo Seruini, Sãkoã/Santa Vitória, Kanakuri/Água Preta, Kapira/Lago da Vitória 25

26 3.3 LÁBREA Particularmente na região sul-sudoeste de Lábrea há forte ingerência da fronteira do desmatamento: evasão de divisas, extração seletiva ilegal de madeira, grilagem de terras públicas, corte raso e degradação florestal, abertura de novas áreas para pastagem, aumento da atividade pecuária, conflito agrário, morte e violência no campo. O que difere do restante do município, onde estão localizadas as áreas protegidas. Os indígenas no município estão organizados entorno da FOCIMP e distribuídos em 13 Terras Indígenas 7. Tais terras são habitadas pelos Apurinã, Paumari, Jarawara, Jamamadi, Kanamati e Deni, entre outros. Mas é a TI Caititu, próxima à sede do município de Lábrea, que sofre maior pressão externa para a exploração dos recursos naturais (como caça, pesca, madeira e produtos florestais não-madeireiros). A terra também sofre ameaças de desmatamento por estar no eixo da BR 230 (Transamazônica), que liga Lábrea à Humaitá. Apesar de ser uma estrada não pavimentada que corta uma área consideravelmente florestada do município, a BR 230 não implicou até o momento no avanço intenso do desmatamento pela região, mas já existem dois ramais indo para o interior da TI, além de conflitos fundiários localizados nas proximidades da sede do município. 26

27 Além das terras indígenas, existe em Lábrea duas Reservas Extrativistas: Médio Purus e Ituxi. A Resex Médio Purus foi decretada em 2008 e abriga cerca de 92 comunidades extrativistas. Entre as principais atividades econômicas nessas áreas estão o extrativismo da castanha, da copaíba, da andiroba, da seringa, do açaí, do uricurí, da bacaba e a pesca sustentável de várias espécies. A Resex Médio Purus obteve, em 2016, a CDRU dos imóveis constituídos por uma área de ,9040 ha, localizados nos municípios de Lábrea, Pauini e Tapauá (AM). A Resex ainda é palco de conflitos com os Apurinã e Jamamadi que moram no seu entorno. Com uma ocupação e histórico bastante similar ao da Resex Médio Purus, a Resex Ituxi, também decretada em 2008, abriga áreas de florestas de terra firme, várzea, roçados e capoeiras, aproximadamente 20 comunidades extrativistas. Há uma reivindicação por reconhecimento de território indígena na localidade denominada Pedreira do Amazonas, além de ter sobreposição de cerca de 2,44 % com a TI Jacareúba/Katawixi. A Resex recebeu recentemente o contrato de CDRU. De um modo geral, há preocupação com o avanço do desmatamento e da ocupação econômica protagonizada pelo agronegócio na região sul do Amazonas, particularmente os municípios de Lábrea e Boca do Acre que foram incluídos na lista de municípios prioritários do Ministério do Meio Ambiente. Estes são os dois únicos municípios do estado do Amazonas incluídos nesta lista que foi estabelecida por meio do decreto 6.321/2007, e que impõe uma série de sanções e medidas restritivas para as atividades econômicas que resultem no aumento do desmatamento, além de sugerir a adoção de medidas de integração, monitoramento e controle de órgãos federais, ordenamento territorial e de incentivo a atividades econômicas sustentáveis. 7- Segundo a FUNAI, Lábrea abriga 13 TIs, sendo 09 reconhecidas oficialmente e 4 ainda não regularizadas. As regularizadas são: Caititu, Iminaã, Jarawara/ Jamamadi/Kanamati, Paumari do Lago Marahã, São Pedro do Sepatini, Alto Sepatini, Acimã, Mucuim e Kanacuri. As que ainda não foram regularizadas são: Pedreira do Amazonas, Kurriã, Baixo Tumiã e Igarapé Grande 27

28 3.4 HUMAITÁ O município de Humaitá precisa ser compreendido no contexto dos municípios vizinhos, Manicoré, Novo Aripuanã e Apuí, localizados no interflúvio Madeira-Tapajós, também epicentro do avanço do desmatamento na região sul do estado do Amazonas. De oeste para leste, saindo do entroncamento da BR 230 (Transamazônica) com a BR 319 (que liga Porto Velho à Manaus), em sentido a BR 163 (que liga Cuiabá à Santarém) encontram-se as TIs Nove de Janeiro, Ipixuna e Jiahui, que fazem parte do município de Humaitá, e mais a leste, a TI Tenharin do Igarapé Preto, que está localizada no extremo sul do município de Novo Aripuanã. Entre esta última e as três primeiras Terras Indígenas está a porção sul do município de Manicoré, palco de intenso conflito e disputa por terras para a extração madeireira e abertura de pastagem, sendo a instauração do Projeto de Assentamento (PA) Santo Antônio, no distrito de Manicoré, chamado Matupi, no ano de 1992, um marco importante da transformação do modelo de uso e ocupação deste município. À leste-nordeste da TI Tenharin do Igarapé Preto está o município de Apuí, local de instalação do maior projeto de assentamento da história da América Latina, o PA Rio Juma, criado em 1982, no contexto de abertura da Transamazônica, com área de 689 mil hectares e capacidade para mil famílias; o município de Apuí desenvolve-se, desde então, sobre este assentamento. 28

29 Os vetores de pressão que interagem com a integridade florestal desta região estão atrelados ao processo de criação dos Projetos de Assentamento, bem como a abertura das BR 319 e BR 230. Ambos processos estão conectados ao desmatamento regional, o que faz com que estes municípios (Humaitá, Manicoré, Novo Aripuanã e Apuí) despontem como o segundo rincão mais degradado pela atividade madeireira e agropecuária no sul do Amazonas (em primeiro lugar estão Boca do Acre e Lábrea), graças a tal histórico regional nesta porção do Amazonas. Sob o impacto destas circunstâncias e no mesmo contexto estão ainda a Flona de Humaitá e o Parna Campos Amazônicos. A Flona foi criada por meio do Decreto em 1998, possui área oficial de hectares e está localizada próxima ao município de Humaitá. A Flona tem sobreposição de cerca de 6,59 % com a TI Jiahui. No processo de elaboração do acordo de gestão da Flona, finalizado em 2012, indígenas Jiahui foram envolvidos na construção do plano, contribuindo para a gestão territorial integrada entre TIs e UCs no município de Humaitá. A Flona estava entre as UCs que seriam beneficiarias de títulos de CDRU em 2016, tais como outras unidades na área de influência da BR-319. Na região de Humaitá encontra-se também o Parque Nacional dos Campos Amazônicos que está localizado entre os rios 29

30 Roosevelt, Branco, Madeirinha Guaribas e Ji- Paraná e protege as cabeceiras dos rios Manicoré e Marmelos. O Parna é expressivo por abrigar parte do Cerrado no bioma Floresta Amazônica, também conhecido como savana amazônica. Apesar de apresentar bons números de conservação, há riscos de ser absorvido pela expansão da fronteira agrícola, pela grilagem, pelas queimadas e pelas frequentes investidas por parte do governo estadual de não reconhecer a importância da conservação na região que também é parte do Mosaico da Amazônia Meridional (MAM). Recentemente houve a aprovação de uma zona de amortecimento do Parque que se estende por partes dos estados de Rondônia e Mato Grosso. Tal zona está dividida de forma a possibilitar conectividade com outras áreas protegidas, entre elas a Reserva Extrativista do Guariba (AM), a Floresta Estadual do Aripuanã (AM), a Floresta Nacional do Aripuanã (AM), a TI Tenharin Marmelos, a TI Tenharin do Igarapé Preto (AM), a Floresta Estadual de Desenvolvimento Sustentável Rio Machado (RO), a Reserva Extrativista Rio Preto-Jacundá (RO), a Reserva Biológica do Jaru (RO), a Estação Ecológica do Rio Madeirinha (MT), o Parque Estadual Tucumã (MT) e a Floresta Estadual de Manicoré (AM). A importância da zona de amortecimento está na possível atuação do ICMBio em territórios onde há forte pressão do arco do desmatamento, na fronteira entre os estados de Rondônia, Mato Grosso e Amazonas. 30

31 4. A ELABORAÇÃO DO PLANO DE AÇÃO DE GESTÃO INTEGRADA

32 Considerando o contexto histórico, político, econômico e sociocultural, o Plano de Gestão Integrada de Terras Indígenas e Unidades de Conservação no Sul do Amazonas foi elaborado por meio de um amplo processo formativo voltado para realizar uma reflexão sobre a gestão das áreas protegidas e resolução de conflitos socioambientais. O processo envolveu quatro etapas: 1) reuniões de articulação interinstitucional; 2) oficina de detalhamento do Curso Gestão Integrada; 3) Realização do Curso Gestão Integrada de TIs e UCs no sul do Amazonas; e 4) Seminário Gestão Integrada de TIs e UCs no Sul do Amazonas. Na primeira etapa, realizada ao longo de 2015, foi possível fazer uma série de articulações políticas com diversas instituições regionais interessadas na discussão sobre gestão integrada. Por meio de reuniões, uma rede de instituições foi envolvida no processo formativo: IEB, OPAN, CR1 do ICMBio, três CRs da FUNAI (Madeira, Alto Purus, Médio Purus), oito associações indígenas (OPIAM, APITEM, OPIPAM, APITIPRE, APIJ, OPIAJIBAM, OPIAJ e FOCIMP) e sete instituições representativas dos extrativistas (Associação Extrativista Deus é Amor do Rio Inauini, AMARI, APADRIT, APREA, ATAMP, CNS, STTR Pauini). Ao todo, essa rede engloba 19 instituições, sendo 17 da sociedade civil e duas governamentais, como dito anteriormente. 32

33 Na segunda etapa, após consolidado o interesse desse conjunto de instituições em avançar com as discussões sobre gestão integrada de TIs e UCs no sul do Amazonas, uma oficina de detalhamento do Curso foi realizada, no mês de março de Na ocasião, foi discutida com representantes das 17 instituições envolvidas o conteúdo, a metodologia a ser usada, os critérios de seleção dos participantes, o perfil dos instrutores, os materiais didáticos, a estrutura em módulos presenciais e não presenciais e a data de realização do Curso de Gestão Integrada. Foi concebido, portanto, de modo participativo com diversas instituições comprometidas com a gestão integrada. As informações produzidas e pactuadas durante a oficina permitiram a elaboração de um edital de convocação dos participantes. No edital, foram disponibilizadas 30 vagas para um processo de formação continuada em gestão integrada, composto por três módulos presenciais de uma semana cada, intercalados por atividades entre módulos. O público beneficiário foi composto por lideranças indígenas (10 vagas), lideranças extrativistas (10 vagas), gestores públicos da Funai (5 vagas) e gestores públicos do ICMBio (5 vagas), além de dois monitores, um da FUNAI e outro do ICMBio (anexo 2). A execução do curso, considerada a terceira etapa do processo formativo mais amplo, ocorreu ao longo do ano de 2016 e contou com 136 horas/aula. O objetivo geral foi proporcionar às lideranças indígenas e extrativistas e aos gestores públicos 33

34 da FUNAI e do ICMBio um conjunto qualificado de informações sobre o potencial social, econômico e ambiental da gestão integrada de áreas protegidas na região do sul do Amazonas. O curso utilizou uma metodologia interativa entre facilitadores e participantes, estimulando um diálogo intenso entre o conhecimento indígena, o conhecimento extrativista e a expertise de gestão dos técnicos locais da Funai e ICMBio. Durante a formação, os participantes foram sensibilizados sobre as especificidades culturais, sociais, econômicas, políticas e ambientais do sul do Amazonas, sendo estimulada a interface entre o conhecimento técnico e científico e os saberes tradicionais e regionais para trocas de experiências. O primeiro módulo do curso intitulado O que é Gestão Integrada? Conceitos e Contexto, ofereceu uma base de conhecimentos niveladores para os participantes em relação a gestão de Terras Indígenas e Unidades de Conservação. A partir das experiências dos próprios participantes foram tratados aspectos históricos, conceitos e modelos de desenvolvimento que se instauraram na região do sul do Amazonas e que determinam as relações políticas, institucionais e econômicas no contexto atual. Os participantes também aprenderam a operar ferramentas de diagnóstico e mapeamento. Encerrado o módulo, as atividades desenvolvidas no período de dispersão foram pactuadas. Os participantes foram estimulados a realizarem uma pesquisa sobre as experiências de gestão territorial nas suas TIs ou UCs, a repassar as informações aprendidas no módulo para outros membros da sua comunidade ou da sua instituição e sistematizar as informações produzida para apresentar aos colegas no próximo módulo. 34

35 O segundo módulo, Instrumentos de Gestão, legislação e políticas públicas, proporcionou um maior entendimento dos participantes sobre a estrutura de funcionamento do Estado Brasileiro contemporâneo e o histórico da legislação ambiental, indigenista e de populações tradicionais, bem como das políticas públicas. Com base nos conceitos e instrumental apreendidos anteriormente, e nas informações recolhidas durante a atividade entre módulos, os alunos adensaram seus conhecimentos sobre os instrumentos de gestão formais dos órgãos gestores e apresentaram as experiências de gestão de suas comunidades. Os participantes tiveram a oportunidade de aprofundar seus conhecimentos sobre instrumentos de gestão integrada e normativas disponíveis para casos de sobreposição entre Unidade de Conservação e Terras Indígenas. Ao final do módulo, os participantes foram orientados a realizar a atividade entre módulos. Assim foram estimulados a realizar uma pesquisa sobre as possíveis ações de gestão integrada na região onde moram, repassar o conhecimento aprendido no módulo para outros membros da sua comunidade ou instituição e sistematizar as informações produzidas para apresentar durante o último módulo. 35

36 No terceiro módulo, denominado Instrumentos de Gestão Integrada e construção das propostas locais, o resultado dos diagnósticos e mapeamentos realizados nos módulos anteriores e entre eles foram sistematizados e as propostas de gestão integrada para a região começaram a ser construídas, dando forma ao Plano de Ação de Gestão Integrada. Nesse módulo, os participantes também foram estimulados a refletir sobre os desafios, as oportunidades, as políticas e os programas relacionados com os instrumentos de gestão estudados. Experiências de gestão entre indígenas e extrativistas de outras regiões foram apresentadas, enriquecendo as discussões. Este módulo teve um enfoque menos teórico e foi mais prático e reflexivo. Ao final do módulo, uma primeira versão do Plano de Ação de Gestão Integrada foi consolidada para ser complementada, revisada e pactuada durante a última etapa do processo formativo mais amplo. Na quarta etapa do processo formativo foi realizado o Seminário Gestão Integrada de TIs e UCs no Sul do Amazonas. O seu objetivo foi propiciar um novo encontro entre os participantes do curso para avaliar as possibilidades de fortalecer as alianças, aprofundar e validar o Plano de Ação de Gestão Integrada e pactuar junto a outros parceiros as possíveis ações para a manutenção sustentável das áreas protegidas no sul do Amazonas. O evento foi uma oportunidade de troca de conhecimentos a respeito de experiências de gestão, além de outros debates que ajudaram a ampliar o entendimento sobre a temática, otimizando ações e estabelecendo parcerias. O seminário foi realizado em abril de 2017, na cidade de Lábrea, contando com mais de 100 participantes por meio do apoio 36

37 da Fundação Moore e USAID. Além dos alunos do curso representando suas instituições, o seminário contou com outros representantes indígenas e extrativistas do sul do Amazonas. Estiveram presentes no evento, também, representantes de diversas instituições governamentais e não governamentais apoiadoras das ações de gestão integrada na região, dentre elas: Secretaria de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável (MMA), Coordenação Geral de Gestão Ambiental (FUNAI), Diretoria de Ações Socioambientais e Consolidação Territorial em UCs (ICMBio), Coordenação do Comitê Gestor da PNGATI, Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), Comitê Gestor da PNGATI União das Mulheres Indígenas da Amazônia Brasileira (UMIAB), Operação Amazônia Nativa (OPAN), Instituto Piagaçu-Purus, Centro de Trabalho Indigenista (CTI), Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-bio), Fundo Amazônia - Área de Gestão Pública e Socioambiental (FAM/BNDES), Prefeitura de Lábrea, Fundação Gordon e Betty Moore, Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional (USAID) e Serviço Florestal Americano (UFS). Por meio do seminário, portanto, foi possível não apenas finalizar o processo de formação em gestão integrada e consolidar o Plano de Ação de Gestão Integrada, minimizando os conflitos socioambientais no sul do Amazonas, mas também estreitar o diálogo com apoiadores da iniciativa. Governo, sociedade civil organizada e cooperação internacional tiveram a oportunidade de conhecer o Plano de Ação e de visualizar o apoio que cada instituição pode realizar para a implementação das ações. 37

38 5. O PLANO DE AÇÃO DE GESTÃO INTEGRADA: OBJETIVOS, AÇÕES E ÁREAS PRIORITÁRIAS

39 Os objetivos estratégicos, ações previstas e áreas prioritárias que compõem o Plano de Ação de Gestão Integrada foram elaborados de modo participativo pela rede de instituições envolvidas no processo formativo voltado para discutir a gestão de áreas protegidas, a resolução dos conflitos socioambientais e as ações conjuntas para o sul do Amazonas. O prazo de quatro anos (2017 a 2021) estabelecido para a realização das ações por parte das instituições envolvidas é uma estimativa de tempo factível para sua implementação. Com possibilidade de ser implementado a médio prazo, o plano levou em consideração a necessidade das instituições de promoverem maior articulação política, construírem parcerias, obterem apoio financeiro e realizarem um planejamento detalhado dentro do tempo previsto. Seus seis objetivos foram: 1) gerar acordos de gestão integrada, de uso compartilhado e de convivência territorial para o sul do Amazonas; 2) promover espaços de diálogo (comitês regionais e conselhos de UCs); 3) formar e capacitar lideranças e gestores sobre gestão integrada do território; 4) fortalecer as ações estratégicas de vigilância do território; 5) fortalecer as atividades econômicas e cadeias de valor regionais; e 6) realizar ações de fiscalização e controle do território. Associados a estes objetivos, encontram-se 39 ações propostas para serem desenvolvidas nos quatro municípios do sul do Amazonas. Estas ações dizem respeito apenas ao que pode ser realizado de modo conjunto por extrativistas, indígenas, gestores públicos da FUNAI, ICMBio e parceiros. Diversas outras ações de gestão territorial e ambiental ficaram fora diante da 39

40 impossibilidade de realiza-las por meio da perspectiva de uma gestão integrada, de ações coletivas que envolvam indígenas, extrativistas, gestores e parceiros. Observando os seis objetivos estratégicos é possível perceber a sua amplitude e seu potencial para atividades de gestão integrada que não foram contempladas nesse momento, mas que podem fazer parte do plano de ação em revisões futuras. De modo muito pragmático, os ideólogos do plano de ação elencaram aquelas ações que são prioritárias e que possuem maiores condições de serem de fato implementadas. Algumas possuem um viés transversal aos seis objetivos estratégicos, como por exemplo, ações de capacitação que podem ser mescladas com outras, tais como os acordos de gestão, espaços de diálogo, vigilância, controle territorial e atividades econômicas. Dentre as muitas ações previstas, há aquelas que já estão sendo desenvolvidas pelos indígenas e extrativistas, no diálogo com os gestores públicos do ICMBio e FUNAI. A vigilância das terras indígenas e unidades de conservaçãoé um claro exemplo que carece apenas de mais atenção e apoio para se tornarem mais efetivas. Outras ações demandam uma rede maior de parceria e apoios externos, como aquelas relacionadas a atividades econômicas. As ações que foram pensadas e elencadas vão desde aquelas que já estão em curso e que precisam ser fortalecidas até as que precisam ser iniciadas. Umas exigem maior aporte financeiro e parcerias, outras demandam menos. Todas, no entanto, foram concebidas como um primeiro passo para o avanço da gestão integrada no sul do Amazonas. 40

41 Por meio da implementação de tais ações e estratégias, espera-se colocar em prática tudo o que foi discutido, aprendido e compartilhado no processo formativo que resultou na elaboração do Plano de Ação de Gestão Integrada. A medida em que forem implementadas, espera-se ampliar a rede de instituições envolvidas e ramificar a noção e ações de gestão integrada para um número maior de aldeias e comunidades. Não se trata, portanto, de uma lista de demandas, mas de ações pensadas, discutidas, pactuadas e consideradas fundamentais para a gestão integrada de terras indígenas e unidades de conservação no sul do Amazonas. 41

42 PLANO DE AÇÃO DE GESTÃO INTEGRADA DE TERRAS INDIGENAS E UNIDADES DE CONSERVAÇÃO NO SUL DO AMAZONAS 2017 A 2021

43 OBJETIVOS ESTRATÉGICOS AÇÕES PREVISTAS ÁREAS PRIORITÁRIAS 1.1 Realizar oficinas e reuniões para conscientização sobre uso do território e de sua gestão com fortalecimento do diálogo entre as partes. 1.2 Realizar oficina de sensibilização e planejamento entre as associações indígenas, comunidades, sociedade civil e órgãos públicos (FUNAI e ICMBio) para nivelar os conhecimentos dos planos de manejo e planejamentos dos conselhos e comitês para gestão territorial e ambiental entre as TIs e UCs Pauini e Lábrea: TIs TIs Catipari/Mamoria, Água Preta/Inari, Seruini/Mariene, Peneri/Tacaquiri e Inauni/Teuini, Kapyra/Kanakury (em reivindicação), Flona Purus, Resex Médio Purus. 1.2 Humaitá: TIs Diajui, Nove de Janeiro, Igarapé Preto, Ipixuna, Parna Campos Amazônicos e Flona Humaita. 1. Gerar acordos de Gestão Integrada e de convivência territorial para o sul do Amazonas 1.3 Elaborar um acordo de convivência da Resex Arapixi e comunidade indígena de Maracajú. 1.4 Realizar reuniões de esclarecimento sobre o manejo do Pirarucu na aldeia Mabediri da TI Jarawara/Jamamadi/Kanamati e comunidade Jurucuá, com ICMBio, FUNAI e CPT para integrar com ações de gestão territorial. 1.3 Boca do Acre: Resex Arapixi e TI Maracajú (em reivindicação) 1.4 Lábrea: Resex Médio Purus e TI Jarawara/ Jamamadi/Kanamati 1.5. Realizar reuniões de esclarecimentos nas aldeias Jarawara, entre extrativistas, indígenas, ICMBio e FUNAI, acerca da localização e manejo do lago dentro da reserva para maior entendimento entre extrativistas e indígenas Jarawara. 1.5 Lábrea: Resex Médio Purus e TI Jarawara/ Jamamadi/Kanamati

44 OBJETIVOS ESTRATÉGICOS AÇÕES PREVISTAS 1.6. Apoiar a realização do campeonato de língua Paumari na TI Paumari do Lago Marahã que conta com apoio da FOCIMP, Funai, CIMI, universidade Federal Fluminense/RJ, Caravana do Esporte e das Artes, TV índio presente, Prefeitura, IFAM como uma ação que integra com aspectos culturais e que pode envolver os moradores da RESEX Médio Purus que são vizinhos, com vistas ao fortalecimento das redes de parceiros e ampliação da divulgação do evento. ÁREAS PRIORITÁRIAS 1.6 Lábrea: TI Paumari do Lago Marahã e Resex Médio Purus 1.Gerar acordos de Gestão Integrada e de convivência territorial para o sul do Amazonas Promover a revisão do acordo de convivência do Rio Seruini, onde há conflitos entre indígenas e extrativistas, por meio de realização de encontros/ mobilização em conjunto com FUNAI/CTL, ICMBIO, OPIAJ, ATAMP e FOCIMP, além de envolver ações sociais ou de promoção de atividades econômicas de outros órgãos, como o IDAM por exemplo. 1.7 Pauini: Resex Médio Purus e Terras Indígenas de Paulini 1.8. Promover a discussão sobre Acordos de pesca na região mais próxima a cidade para ordenamento pesqueiro e atração de novos atores para a discussão sobre gestão integrada, envolvendo as associações indígenas e extrativistas, Prefeitura de Lábrea, colônia de pesca, CNS e ICMBIO para a gestão e manejo do pescado na região com apoio da FUNAI, ICMBio, Associações e moradores desses territórios. 1.8 Lábrea 1.9. Mobilizar os ribeirinhos, agricultores, extrativistas, indígenas para audiência pública do Programa Terra Legal com vistas a regularização fundiária. 1.9 Pauini 1.10 Complementação e implementação do PGTA da TI

45 OBJETIVOS ESTRATÉGICOS AÇÕES PREVISTAS ÁREAS PRIORITÁRIAS Camicuã envolvendo OPIAJBAM, FUNAI, IEB, ICMBio e FEI/AM; 1.10 Boca do Acre: TI Camicuã 1. Gerar acordos de Gestão Integrada e de convivência territorial para o sul do Amazonas Apoiar a realização de levantamento fundiário (pontos de gps) por parte do STTR, Prefeitura municipal, IDAM e OPIAJ nas áreas do rio Pauini e Purus envolvendo comunidades ribeirinhas das margens dos mencionados rios e que estão fora de Unidades de Conservação e Terras Indígenas Pauini 2.1. Fortalecer a representatividade indígena e extrativista nos Conselhos Gestores das UCs bem como nos Comitês Regionais da Funai com vistas a redução dos conflitos, melhoria da gestão dos territórios e ampliação da conscientização dos moradores sobre suas áreas e de seus vizinhos. 2.1 Boca do Acre, Lábrea, Pauini e Humaitá 2.2. Incluir uma representação indígena da aldeia Maracaju no Conselho Deliberativo da Resex Arapixi. 2.2 Boca do Acre: Resex Arapixi 2. Promover Espaços de Diálogo (Comitês Regionais e Conselhos de UCs) 2.3. incluir representantes das organizações e comunidades indígenas no Conselho Consultivo da Flona Mapiá-Inauini Incluir representantes das organizações e comunidades indígenas no Conselho Consultivo da Flona Purus Incluir representantes indígenas nos conselhos da RESEX Médio Purus e Resex Ituxi Promover a participação de lideranças em reuniões locais e nacionais para fortalecimento do controle social frente a grandes empreendimentos. 2.3 Boca do Acre: Flona Mapiá-Inauini 2.4 Boca do Acre: Flona Purus 2.5 Lábrea e Pauini: Resex Ituxi e Resex Médio Purus 2.6 Boca do Acre, Lábrea, Pauini e Humaitá

46 OBJETIVOS ESTRATÉGICOS AÇÕES PREVISTAS ÁREAS PRIORITÁRIAS 3.1. Promover o protagonismo jovem por meio de atividades realizadas no Parna Campos Amazônicos (campo neutro) com apoio do ICMBio e participação das organizações indígenas e parceiros com o objetivo de diminuir conflitos e preconceitos que ocorrem desde o conflito de dezembro de A proposta é selecionar 10 jovens do Matupi, 10 Tenharin Marmelos, 10 Tenharin Ig. Preto para um processo longo e continuo (2 anos) de formação em educação ambiental emancipatória. 3.1 Humaitá: Sto. Antônio de Matupi, TI Tenharin do Marmelos e TI Tenharin do Igarapé Preto 3. Formar e Capacitar lideranças e gestores sobre gestão integrada do território Realizar uma oficina sobre o REDD e mudanças climáticas que envolva comunidades indígenas e extrativistas, sociedade civil, FUNAI, ICMBio, Secretaria de Estado do Amazonas do Meio Ambiente, IEB e OPAN, em parceria com IPAM e MMA, mobilizando todos para a discussão Promover intercâmbio entre indígenas e extrativistas no centro de medicina da floresta com moradores da Flona Purus para valorização e troca de conhecimentos tradicionais. 3.2 Boca do Acre, Lábrea, Pauini e Humaitá 3.3 Boca do Acre 3.4 Realizar ações de capacitação/sensibilização/ mobilização sobre Manejo Florestal Comunitário na Resex Ituxi que já envolve APADRIT, ICMBio, IFT, AMARI e COOPAGRI. 3.4 Lábrea: Resex Ituxi e entorno 3.5. Promover intercâmbio entre vizinhos para ações que complementem a renda familiar e fortaleçam as comunidades para o manejo sustentável dos recursos. 3.5 Lábrea: Resex Ituxi, Médio Purus e terras indígenas vizinhas 3.6. Realização de um curso modular de formação (para indígenas e extrativistas) em processo de licenciamento 3.6 Boca do Acre, Lábrea, Pauini e Humaitá

47 OBJETIVOS ESTRATÉGICOS AÇÕES PREVISTAS ÁREAS PRIORITÁRIAS ambiental, promovendo intercambio em local que já foi impactado por grandes empreendimentos de infraestrutura Realizar expedições de vigilância como estratégia para promover maior entendimento e sensibilizar sobre os limites das áreas de uso; para conscientizar as comunidades sobre a importância da proteção dos territórios, integrando TIs e UCs limítrofes, e complementar ações de fiscalização Boca do Acre: TI Camicuã, TI Inauini/Teuini, Resex Arapixi, Flonas Mapiá/Inauini e Purus. Pauini e Lábrea: todas as áreas protegidas dos municípios. Humaitá: TI Diajui e Flona de Humaitá. 4. Fortalecer as ações estratégicas de vigilância do território 4.2. Incluir as atividades de vigilância realizadas pelas comunidades indígenas e extrativistas no planejamento e planos de manejo das UCs e da Funai além de envolver as instituições parcerias, as extrativistas e indígenas bem como outros órgãos de governo que possam contribuir com a promoção de políticas públicas na região Realizar ações de fiscalização e vigilância para a preservação de quelônios no Rio Mamoriá em conjunto com comunidades indígenas e extrativistas no sentido de sensibilizar, fiscalizar, capacitar e monitorar praias e lagos. 4.2 Boca do Acre, Pauini, Lábrea e Humaitá: todas as UCs e TIs dos municípios. 4.3 Pauini: Rio Mamoriá 4.4. Realizar ações de prevenção a incêndios florestais especialmente no enclave de cerrado em seus pontos estratégicos da TI Tenharim e Parna dos Campos Amazônicos onde há queimadas prescritas, em conjunto entre as brigadas indígena e do Parque como prevenção e controle de incêndios florestais. 4.4 Humaitá: TI Tenharim do Igarapé Preto e Parna Campos Amazônico

48 OBJETIVOS ESTRATÉGICOS AÇÕES PREVISTAS ÁREAS PRIORITÁRIAS 5.1. Promover o Manejo Florestal Comunitário na Resex Ituxi que já envolve APADRIT, ICMBIO, IFT, AMARI e COOPAGRI mas que ainda é necessário mobilizar outras comunidades no planejamento e tomadas de decisões. 5.1 Lábrea: Resex do Ituxi 5.2. Fortalecer a cooperativa COOPAGRI para viabilizar a comercialização; estabelecer parcerias com as movelarias do município; promover intercâmbio entre vizinhos para complemento de renda familiar; fortalecimento comunitário para realizar monitoramento territorial; manejo sustentável dos recursos. 5.2 Lábrea: Resex do Ituxi e entorno 5. Fortalecer as atividades econômicas e cadeias de valor regionais Apoiar a limpeza dos furos dos igarapés para melhorar acesso e escoamento da produção das áreas protegidas, bem como contribuir com maior integração das ações entre comunidades ribeirinhas, extrativistas e indígenas. Tais atividades já foram iniciadas, mas é preciso realizar um planejamento conjunto e podem ser replicadas. 5.3 Lábrea: Resex Ituxi, Resex Médio Purus e TI Caititu e TI Jarawara/Jamamadi/Kanamati 5.4. Promover encontro de produtores indígenas e extrativistas em Boca do Acre envolvendo atividades produtivas e de gestão territorial. 5.4 Boca do Acre: TIs Boca do Acre, Apurina do Km 124, TI Camicuã, Resex Arapixi, Flona Purus, Flona Mapiá- Inauini 5.5. Realizar oficinas de gestão de negócios; de capacitação e comercialização; estruturar uma agroindústria de beneficiamento e armazenamento do pescado; buscar infraestrutura de logística (barco e caminhão); câmara fria e túnel de congelamento; implementar rede de negócio; captação de recursos e buscar certificação de origem; garantir capital de giro para agregar valor ao pescado de manejo além da 5.5 Lábrea Humaitá

49 OBJETIVOS ESTRATÉGICOS AÇÕES PREVISTAS ÁREAS PRIORITÁRIAS valorização e implementação dos direitos e melhoria da qualidade de vida das comunidades. 5. Fortalecer as atividades econômicas e cadeias de valor regionais 5.6. Promover o fortalecimento da cadeira produtiva do pescado manejado das Resex Médio Purus e Ituxi e TIs vizinhas com participação das Associações indígenas e extrativistas e apoio da FUNAI, ICMBio, Associações e moradores desses territórios além de parceiros como IEB, SEBRAE, ASPROC, IDSM, ACT, OPAN, FUNAI, ICMBIO, CNS, FOCIMP. 5.6 Lábrea: Resex Médio Purus e Ituxi e TIs vizinhas 5.7. Apoiar as comunidades para acessar o Crédito do INCRA por meio da ATAMP, integrando com implementação de políticas públicas e esclarecendo sobre as diversas categorias de crédito e acesso consciente, bem como divulgando essa política entre indígenas do entorno 5.7 Lábrea: Resex Médio Purus 6.1. Realizar ações de fiscalização do desmatamento no entorno da Resex Arapixi tendo em vista a existência do Projeto de Assentamento Agroextrativista na região de Boca do Acre, envolvendo ICMBio, INCRA e Resex. 6.1 Boca do Acre: Resex Arapixi 6. Realizar ações de Fiscalização e Controle do território 6.2. Realizar ações de fiscalização do desmatamento no entorno da Flona Purus, Flona Mapia/ Inauini e TI Camicuã, TI Água Preta/Inari (zonas de uso/conflito dos beneficiários Médio Purus), envolvendo Flonas, Resex, TIs, ICMBio, FUNAI e com a participação das organizações de base OPIAJBAM e AEDARI 6.2 Boca do Acre e Pauini

50 OBJETIVOS ESTRATÉGICOS AÇÕES PREVISTAS ÁREAS PRIORITÁRIAS 6. Realizar ações de Fiscalização e Controle do território 6.3. Realizar ações de fiscalização nas TIs Juma, Nove de Janeiro, Diajui e Tenharin Marmelos em conjunto com FUNAI, IBAMA, ICMBIO, Exército, Polícia militar e indígenas Inserir as ações de fiscalização conjuntas nos Planos das UCs e nos planejamentos da Funai para integrar as ações de proteção territorial com as comunidades indígenas, órgãos fiscalizadores ambientais e indigenista. 6.3 Humaitá 6.4 Humaitá, Boca do Acre, Pauini e Lábrea

51 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

52 O processo de formação voltado para a gestão integrada de terras indígenas e unidades de conservação no sul do Amazonas não se esgota com a publicação deste documento, esta é apenas mais uma etapa do processo. O grande desafio agora é tirar as ações propostas do papel e coloca-las na prática. Os pilares para este novo momento foram construídos. Um grupo expressivo de lideranças indígenas, extrativistas e gestores públicos estão qualificados para levar adiante a gestão integrada. No entanto, ainda é preciso expandir o processo de formação para as bases, ou seja, fomentar a discussão nas diversas aldeias e comunidades do interflúvio Purus-Madeira. A rede de instituições representadas por lideranças e gestores precisa ser alimentada, com o aprofundamento de ações de formação, mas também com a implementação de ações de vigilância, de fiscalização, de controle territorial, de incentivo a atividades econômicas, de estruturação das instâncias de governança e com o estabelecimento de novos acordos de gestão territorial. A rede constituída para a gestão integrada precisa, sobretudo, ser fortalecida por meio da implementação do Plano de Ação. No atual cenário político brasileiro, com o considerável avanço das frentes econômicas desenvolvimentistas sobre a Amazônia, as ações regionais em rede voltadas para minimizar os impactos ambientais possuem maior eficácia, especialmente se 52

53 promoverem uma maior interação entre as áreas protegidas que já existem. Muitas dessas áreas sofrem pressão de invasões fundiárias, de atividades ligadas à agropecuária, de grandes obras e de extração ilegal de madeira. Ações em rede realizadas de forma mais consistente, como proposto no Plano de Ação, podem potencializar aspectos que visem: - Diminuir conflitos decorrentes de disputas locais pelo uso de recursos; - Melhorar o diálogo e o enfrentamento conjunto por atores distintos em relação à pressão sobre o uso dos recursos naturais; - Reduzir os gastos e aumentar a eficácia institucional, evitando duplicação de esforços e ações desconexas; - Otimizar o tempo despendido nas ações locais por meio de um consenso entre os atores envolvidos; - Propiciar uma interação institucional entre órgãos governamentais (municipais, estaduais e federais) e destes com a sociedade civil organizada; Ressalta-se que as instituições do sul do Amazonas encontraram nas ações de formação uma via para estabelecer um diálogo e potencializar as iniciativas existentes localmente. Os participantes do processo, por sua vez, se apropriaram da oportunidade e a região foi palco de uma discussão que precisa ser enfrentada nacionalmente. Extrativistas e indígenas do sul do Amazonas foram protagonistas e precursores desta discussão que tem grande potencial de ser replicada em outras localidades. 53

54 Importante destacar que houve um esforço para refletir sobre o que era possível fazer localmente e que levasse em consideração a suas características e peculiaridades. Por isso, a opção por discutir gestão integrada. Outro termo teria menor aderência, pois localmente não seria possível compartilhar atividades, tendo em vista que os limites territoriais têm, muitas vezes, implicações conflituosas. Compartilhar territórios não é uma saída no caso do sul do Amazonas. Mas realizar ações que, em determinados momentos, possam ser integradas, faz mais sentido. Além da realização de ações conjuntas, outros desafios permanecem. Uma vez que o Plano de Ação aqui apresentado não pretende ser um dogma, mas precisa ser constantemente revisado e pode orientar as diferentes instituições que estiveram comprometidas com a sua execução, permanece o desafio de pensar e construir espaços de governança que estejam além de estruturas existentes e que tenham como alvo maior fluidez e interação. Persistem, também, o desejo interinstitucional de dar continuidade a ações que promovam o fortalecimento de laços e ampliem oportunidades de diálogos. Com essa capilaridade permanece a maior lição aprendida, de sempre contribuir com uma maior participação e protagonismo dos atores locais para aumentar a governança, não apenas sobre os processos e tomadas de decisão, mas sobre a gestão dos territórios. Sem tais critérios dificilmente os planos terão continuidade e tampouco será possível enfrentar os desafios regionais e tecer estratégias para consolidação de territórios que estão em constante ameaça. 54

55 7. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA INSTITUTO INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO DO BRASIL. Seminário Gestão Participativa de Unidades de Conservação no Sul do Amazonas, Nordeste de Rondônia e Norte de Mato Grosso, 09 a 11 de outubro de Brasília: IEB, INSTITUTO INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO DO BRASIL. Propostas de Implementação da PNGATI na Amazônia. Brasília: IEB, TOMASI, André. Desmatamento, Integridade Territorial e Vetores de Pressão Regionais-Sul do Amazonas. Nota Técnica/IEB, 2016 (no prelo). www. Acessado em 29/06/2017. Instituto Socioambiental (ISA) 55

56 ANEXO I: LISTA DAS INSTITUIÇÕES PARTICIPANTES NA ELABORAÇÃO DO PLANO DE AÇÃO Sigla - Nome APIJ APITIPRE APITEM AMARI APREA APADRIT ATAMP AEDARI CNS FOCIMP FUNAI ICMBio IEB OPAN OPIPAM OPIAJ OPIAJBAM OPIAM STTR Associação do Povo Indígena Jiahui Associação do Povo Indígena Tenharin do Igarapé Preto Associação do Povo Indígena Tenharin Morõgita Associação Dos Moradores Agroextrativistas da Resex Ituxi Associação dos Produtores (as) Rurais Extrativistas da Resex Arapixi Associação dos Produtores Agroextrativistas da Assembleia de Deus do Rio Ituxi. Associação dos Trabalhadores Agroextrativistas do Médio Purus Associação Extrativista Deus é Amor do Rio Inauini Conselho Nacional das Populações Extrativistas Federação das Organizações e Comunidades Indígenas do Médio Purus AM Fundação Nacional do Índio Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade Instituto Internacional de Educação do Brasil Operação Amazônia Nativa Organização do Povo Indígena Parintintin do Amazonas Organização dos Povos Indígenas Apurinã e Jamamadi Organização dos Povos Indígenas Apurinã e Jamamadi de Boca Acre/Amazonas Organização dos Povos Indígenas do Alto Madeira Sindicato dos Trabalhadores (as) Rurais de Pauini AM 56

57 ANEXO II: LISTA DOS PARTICIPANTES DO CURSO DE GESTÃO INTEGRADA Nº - Nome Instituição Alcione Dantas Pereira Alex Sena Alberto Tenharin Angelisson Tenharin Adonias das Neves Paumari Benedito Clemente Souza Carlos Alberto Bandeira de Souza Charlivio Bento Queiroz Cleudo Alves Tenharin Douglas Gonçalves da Silva Evangelista Apurinã Francisco Barroso da Silva Francisco de Souza Francisco Ferreira da Silva Irismar Monteiro Duarte Joedson da Silva Quintino José Maria Ferreira de Oliveira Deus é Amor CTL/Pauini APITEM OPITEM FOCIMP ATAMP CTL/Canutama Deus é Amor APITIPRE OPIAJBAM CTL/Pauini CTL/Boca do Acre OPIAJBAM OPIAJ AMARI Resex Ituxi Resex Médio Purus 57

58 ANEXO II: LISTA DOS PARTICIPANTES DO CURSO DE GESTÃO INTEGRADA Nº - Nome Instituição José Roberto de Lima José Raimundo Pereira Lima Leila Mattos Araújo Nápoles Leonardo Konrath da Silveira Marcilio Batalha da Silva Napoleão Ferreira de Oliveira Nilcélio Rodrigues Ramos Raquel Fernandes Freires Solange Maria Gonçalves Ghira Borges Selma Parintintin Toró Regimar Flor de Almeida Vanderleide Ferreira de Souza Wallace Justino Araújo Silva Apurina Marcelo Cavallini Tomás Roque Carvalho STTR/Pauini CTL/Lábrea Flona /Humaitá Resex Arapixi FOCIM ATAMP APIJ APADRIT APREA OPIPAM ATAMP CNS -Lábrea OPIAJ ICMBio/BSB CR-Madeira 58

59 ANEXO III: ÁREAS PROTEGIDAS PARTICIPANDO DAS AÇÕES DE GESTÃO INTEGRADA Nº Áreas Protegidas Esfera de Gestão Área (ha) Associação / Instituição Situação Fundiária Instrumentos de Gestão Situação do conselho UC/ comitê gestor da Funai 1 TI Tenharim Marmelos FUNAI APITEM Reconhecida 12/03/1986 e Homologada 08/01/1996 PGTA em elaboração CR da FUNAI fez a última reunião em junho de TI Nove de Janeiro FUNAI OPIPAM Ident. 10/12/1987 e homologada 04/11/1997 Diagnostico etnoambiental elaborado CR da FUNAI fez a última reunião em junho de TI Ipixuna FUNAI OPIPAM Ident. 24/12/1984 e homologada 04/11/1997 Diagnostico etnoambiental elaborado CR da FUNAI fez a última reunião em junho de TI Tenharim Marmelos (Gleba B) FUNAI APITEM Ident. 11/08/2004 e homologada 06/06/2012 PGTA em elaboração CR da FUNAI fez a última reunião em junho de TI Tenharim do Igarapé Preto FUNAI APITIPRE Ident. 05/03/1985 e homologada 20/04/2004 PGTA em elaboração CR da FUNAI fez a última reunião em junho de TI Jiahui FUNAI APIJ Ident. 01/09/1999 e homologada 17/07/2013 PGTA elaborado CR da FUNAI fez a última reunião em junho de TI Camicuã FUNAI OPIAJBAM Reconhecida 15/09/1982 e homologada 26/12/1991 PGTA em elaboração Sem informação 8 TI Água Preta/Inari FUNAI OPIAJ Ident. 05/09/1986 e homologada 04/11/1997 Plano de Vida Focimp elaborado em 2011 CR da Funai fez a última reunião em janeiro de TI Seruini/Mariene FUNAI OPIAJ Reservada spi 16/10/1917, ident. 05/09/1986, homologada 13/09/2000 Plano de Vida Focimp elaborado em 2011 CR da Funai fez a última reunião em janeiro de TI Catipari/Mamoriá FUNAI OPIAJ Identif. 18/11/1991 e homologada 04/11/1997 Plano de Vida Focimp elaborado em 2011 CR da Funai fez a última reunião em janeiro de TI Caititu FUNAI FOCIMP Declara. 06/08/1986 e homologada 30/10/1991 PGTA elaborado CR da Funai fez a última reunião em janeiro de TI Jarawara/Jamamadi/ Kanamati FUNAI FOCIMP Identif. 15/09/1988 e homologada em 15/04/1998 PGTA parcialmente elaborado CR da Funai fez a última reunião e, janeiro de Resex Médio Purus ICMBIO ATAMP Decreto - s/n - 08/05/2008 e títulos de Concessão de Direito Real de Uso (CDRU) Plano de Utilização aprovado em 2012 Conselho deliberativo criado em Resex Ituxi ICMBIO AMARI e APADRIT Decreto - s/n - 05/06/2008 e títulos de Concessão de Direito Real de Uso (CDRU) Acordo de Gestão em elaboração Conselho deliberativo criado em Resex Arapixi ICMBIO APREA Decreto - s/n - 21/06/2006. Contrato de Concessão de Direito Real de Uso (CDRU) Plano de manejo aprovado em 2010 Conselho deliberativo criado em Flona Humaitá ICMBIO CR1/ICMbio Decreto /02/1998 Acordo de Gestão Aprovado em 2013 Conselho consultivo criado em Flona do Purus ICMBIO CR1/ICMbio Decreto /06/1988 Plano de manejo aprovado em 2009 Conselho Consultivo criado em Flona Mapiá-Inauini ICMBIO Associação Extrativista Deus é Decreto /08/1989 Plano de manejo aprovado em 2009 Conselho Consultivo criado em Parna Campos Amazônicos ICMBIO Amor do Rio Inauini MAM e CR1/ICMBio Lei /06/2012 Plano de Manejo revisado em 2016 Conselho Consultivo criado em 2012

60 ANEXO IV: MAPA DAS TERRAS INDÍGENAS E UNIDADES DE CONSERVAÇÃO

61 AMARI- Associação Dos Moradores Agroextrativistas da Resex Ituxi APADRIT- Associação dos Produtores Agroextrativistas da Assembleia de Deus do Rio Ituxi. APIJ Associação do Povo Indígena Jiahui APITEM Associação do Povo Indígena Tenharin Morõgita. APITIPRE-Associação do Povo Indígena Tenharin do Igarapé Preto. APREA- Associação dos Produtores (as) Rurais Extrativistas da Resex Arapixi Associação Extrativista Deus é Amor do Rio Inauini ATAMP- Associação dos Trabalhadores Agroextrativistas do Médio Purus CNS- Conselho Nacional das Populações Extrativistas FOCIMP Federação das Organizações e Comunidades Indígenas do Médio Purus AM OPIAJ Organização dos Povos Indígenas Apurinã e Jamamadi. OPIAJBAM Organização dos Povos Indígenas Apurinã e Jamamadi de Boca Acre/Amazonas. OPIAM-Organização dos Povos Indígenas do Alto Madeira OPIPAM Organização do Povo Indígena Parintintin do Amazonas. STTR- Sindicato dos Trabalhadores (as) Rurais de Pauini AM

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