SOLVÊNCIA DE PLANOS DE BENEFÍCIOS, COMPARTILHAMENTO DE RISCOS E SEUS EFEITOS NA GESTÃO DAS EFPC. João Marcelo Carvalho

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1 SOLVÊNCIA DE PLANOS DE BENEFÍCIOS, COMPARTILHAMENTO DE RISCOS E SEUS EFEITOS NA GESTÃO DAS EFPC João Marcelo Carvalho

2 Agenda COMPARTILHAMENTO DE RISCOS SOLVÊNCIA CONCLUSÕES 2

3 Agenda COMPARTILHAMENTO DE RISCOS SOLVÊNCIA CONCLUSÕES 3

4 Compartilhamento de riscos Perspectivas Apólices que devem ser demandadas. A EFPC quer contratar seguro para riscos atuariais? 30% 20% 25% 23% Sim Não 10% 11% 10% 10% 0% 61% 39% Fonte: GAMA / ABRAPP Apresentação Pesquisa Raio-X 2ª Edição º Congresso Brasileiro de Fundos de Pensão Pesquisa realizada com base na resposta de 109 Entidades. 4

5 Compartilhamento de riscos No Brasil Revoga a Resolução CGPC nº10/2004 Introduz a sobrevivência do assistido e o desvio de hipóteses biométricas no rol de riscos com possível compartilhamento Foi aprovada em reunião do CNPC em 30/03/2015 a Resolução CNPC nº 17/2015 (publicada DOU de 13/04/2015). Elaboração e aprovação de estudo técnico prévio que indique a viabilidade de contratação do seguro A contratação do seguro deverá ser aprovada pelos órgãos estatutários da EFPC A previsão para contratação deverá constar do regulamento e o detalhamento na NTA. Documentos à disposição das partes e fiscalização Mantém vedação quanto ao pagamento direto de valores aos participantes/assistidos e à transferência de participantes/assistidos ou de reservas garantidoras, exceto no caso de planos de CD (autorização excepcional pela Previc) 5

6 Compartilhamento de riscos Cobertura de riscos As EFPC estão autorizadas a contratar (parcial ou total) seguro específico com a finalidade de dar cobertura aos riscos decorrentes de (exemplificativo): Invalidez de participante Morte de participante ou assistido Sobrevivência do assistido Renda vitalícia diferida ou anuidades Swap ou stoploss Desvios das hipóteses biométricas A contratação do seguro dependerá da prévia realização de estudos técnicos pela EFPC, que demonstre sua viabilidade econômico-financeira e atuarial, e de sua aprovação pelos órgãos estatutários da entidade. A PREVIC poderá determinar a contratação de seguro! 6

7 Compartilhamento de riscos Fundos Previdenciais AS EFPC PODEM AVALIAR FORMAS ALTERNATIVAS DE MITIGAREM DETERMINADOS RISCOS, POR EXEMPLO, VIA FORMAÇÃO DE FUNDOS PREVIDENCIAIS ESPECÍFICOS A cobertura de risco pode ser realizada via Fundos Previdenciais constituídos e administrados no próprio Plano; Exemplo mais conhecido é o Fundo Previdencial das FUNPRESP que tem por objetivo a cobertura dos riscos de invalidez, morte e sobrevivência; Fundos Previdenciais podem ser constituídos com a finalidade de cobrir total ou parcialmente qualquer risco (previdencial), podendo ser conjugado com um contrato de seguro; A criação de Fundos Previdenciais para cobertura de riscos requer estudos específicos que possibilitem mitigar o risco de insuficiência de recursos em casos de sinistros. 7

8 Agenda COMPARTILHAMENTO DE RISCOS SOLVÊNCIA CONCLUSÕES 8

9 Contexto Normativo Fev/14: Portaria CNPC 01/14 cria CT 4 Mar/14: ABRAPP cria Comissão AD HOC Ago/14: ampliação escopo CT 4, via Portaria CNPC 04/14 Nov/14: Res. CNPC nº 15 e 16/ : Solvência!!! Avaliar normas de precificação de Ativos e Passivos Respaldo técnico, inclusive pelo assento da ABRAPP no CNPC Incluir avaliação de normas sobre Solvência Soluções para a precificação de Ativos e Passivos Necessidade de fechar o conjunto normativo precificação e solvência 9

10 Contexto Normativo Define Duração do Passivo (Duration) Resolução CNPC nº 15/2014 Corredor para definição da Taxa de Juros segundo a Duration Resolução CNPC nº 16/2014 Prazo de amortização de insuficiências pela Duration Definição do ajuste de precificação a ser observado na apuração dos resultados, na destinação e utilização de superávit e no equacionamento de déficits dos Planos Instrução PREVIC nº 19/2015 Definição de critérios a serem observados no cálculo da Duração do Passivo, na determinação da Taxa de Juros Parâmetro, no Ajuste de Precificação e no Equilíbrio Técnico Ajustado. 10

11 Contexto Normativo Define Duração do Passivo (Duration) Resolução CNPC nº 15/2014 IMPORTANTE OBSERVAR: Corredor para definição da Taxa de Juros segundo a Duration A duração do passivo (Duration) é elemento Resolução CNPC central nº 16/2014 no novo conjunto normativo e é Prazo de amortização de insuficiências pela Duration Definição do ajuste de precificação a ser observado na apuração dos resultados, na destinação e utilização utilizada de superávit para e no equacionamento observar de déficits Planos individualidade dos Planos de Benefícios. Instrução PREVIC nº 19/2015 Definição de critérios a serem observados no cálculo da Duração do Passivo, na determinação da Taxa de Juros Parâmetro, no Ajuste de Precificação e no Equilíbrio Técnico Ajustado. 11

12 O Conceito da Solvência Índice de solvência: atualmente, não há na legislação das EFPC uma definição clara sobre esse índice. 12

13 O Conceito da Solvência RESOLUÇÃO CGPC Nº 26/08: Art. 7º (...) constituição de reserva de contingência, até o limite de 25% (vinte e cinco por cento) do valor das reservas matemáticas... Art. 28 (...) I - (...) se o déficit técnico acumulado for superior a dez por cento das provisões matemáticas; NOTA PREVIC 83, de FEV/2014:...tanto para cálculo da reserva de contingência e consequente determinação da reserva especial para revisão de plano, como para apuração do percentual do resultado deficitário (...) a base de cálculo que deverá ser utilizada é a que considera as provisões matemáticas líquidas das provisões a constituir. Índice de Solvência equacionamento déficit: Conjugando a Resolução CGPC nº 26/08 (inclusive redações dadas pelas Res. 13/13 e 14/14) e a Nota nº 83/2014/CGMA/DIACE/PREVIC, pode-se inferir que o Índice de Solvência adotado hoje, para fins de equacionamento de déficit, é a relação entre Resultado e Provisões Matemáticas Totais: Superávit Déficit Acumulado Provisões Matemáticas Totais

14 107,2% 104,6% 102,3% Seca Gerencial Ampla 100,1% 98,5% 95,7% Índice de Solvência nos planos administrados por EFPC no Brasil sem outlier (e sem ajuste de precificação) 97,4% 96,9% 93,0% Utilizada 2014 atualmente 1 Solvência seca : Superávit Déficit Acumulado Provisões Matemáticas Totais Solvência gerencial : Superávit Déficit Total Benefícios Concedidos + Benefícios a Conceder + 1 Sob qualquer ótica, o nível de solvência dos planos brasileiros, sem outlier, já é menor que 100%. Ou seja, em termos gerais, há insuficiência de recursos patrimoniais. 3 Solvência ampla : Superávit Déficit Total BC + BaC + Fundos Previdenciais + 1 Fonte: Atualização de estudo de solvência GAMA x ABRAPP base dezembro de Abrange 95% do total de Ativos e 79% do total de Planos do Sistema. Não considera os ajustes previstos na Resolução CNPC 16/14; Déficit Total: engloba Déficit Acumulado e Provisões a Constituir das partes. 14

15 Contingente de planos em déficit* é cada vez maior Déficit 10% 10% < Déficit 15% Déficit > 15% Dados evidenciam continuidade do processo de agravamento do nível de cobertura dos Planos. Os déficits apresentados não consideram eventual ajuste de precificação realizado conforme a Resolução CNPC nº 16/2014. Fonte: Atualização de estudo de solvência GAMA x ABRAPP em dezembro de Abrange 95% do total de Ativos e 79% do total de Planos do Sistema. Considera o déficit total. 15

16 Índice de Solvência nos planos administrados por EFPC no mundo 110%¹ 96,9% 91%² Embora não sejam diretamente comparáveis (metodologias de contabilização e apuração de solvência variam), vê-se que o Brasil possui um nível de solvência médio superior a de alguns países desenvolvidos. 85%³ 79% 4 ¹ Segundo Aon Hewitt, jan/14. ² Segundo Aon Hewitt, Mar/15. Canadian pension plan solvency declines in 2014, Aon Hewitt survey finds 3 Segundo Pension&Investiments, Jan/15. Funding levels take a tumble in Segundo Mercer, Jan/15. S&P 1500 pension funded status declines 9% in 2014

17 Relação entre a duração do passivo e a solvência A definição de diferentes níveis de solvência, positiva ou negativa, devem observar certas características desejáveis: Duração Quanto do mais Passivo curto proporcional o fluxo ao de pagamento prazo do fluxo de benefícios, de pagamentos. maior deve ser o nível de solvência exigido; Quanto Duração maior do Passivo a taxa de inversamente juros, menor a tolerância proporcional a insuficiências; à Taxa de Juros. Quanto Duração mais do Passivo longevas proporcional as tábuas à biométricas, longevidade das maior tábuas abiométricas. tolerância a insuficiências. Quanto maior o prazo, maior a possibilidade de recuperação de insuficiência em face de ganhos Todas atuariais. essas características estão correlacionadas à Duração do Passivo, confirmando a boa relação dessa medida com a Solvência. Quanto maior a taxa de juros, menor a possibilidade de ganhos atuariais futuros, e menor a chance de recuperação (ou não agravamento) de insuficiências. Quanto mais longevas as tábuas, maior a possibilidade de ganhos atuariais futuros, e maior chance de recuperação (ou não agravamento) de insuficiências. 17

18 Relação entre a duração do passivo e a solvência Considere: 1. O Plano com 10% de déficit no tempo zero; 2. Passivo avaliado a 4,0% a.a. (sem inflação); 3. Não haverá contribuição extraordinária para equacionamento desse déficit. Questões: a. Como o déficit se comportará ao longo do tempo? b. Esse comportamento será diferente em planos com diferentes durações de passivo?

19 Meta atuarial: 4,00% a.a. Percentual atual de déficit: 10% Percentual do deficit Percentual do deificit Relação entre a duração do passivo e a solvência Evolução do percentual do déficit frente diferentes percentuais de rentabilidade futura Plano 1 0% -10% -20% -30% -40% -50% -60% -70% Plano 2 0% -10% -20% -30% -40% -50% -60% -70% Duration: 9 anos Seria necessária uma rentabilidade real de 5,86% para equacionar o déficit até o prazo da Duration, sem aplicação de contribuições extraordinárias. 4% a.a. 5,86% a.a Seria necessária uma rentabilidade real de 4,74% para equacionar o déficit até o prazo da Duration, sem aplicação de contribuições extraordinárias. 4% a.a. 4,74% a.a. Duration: 20 anos 19

20 Propostas ABRAPP para a Solvência Atualmente Proposta ABRAPP Limite de déficit de 10% e de reserva de contingência de 25% das Provisões em BD de todos os Planos previdenciais Limites de solvência variáveis de acordo com a Duração do Passivo Gatilho de 3 anos consecutivos para equacionamento de déficits abaixo do limite de 10% e destinação de superávits acima de 25% das PM Prazo de equacionamento máximo igual a duration (Resolução 15/14) Gatilho desnecessário, pois o limite iria variar com a Duração do Passivo Prazo compatível com a duração do passivo, mas não limitado a este 20

21 Agenda COMPARTILHAMENTO DE RISCOS SOLVÊNCIA CONCLUSÕES 21

22 Conclusões Resolução CNPC nº s 15 e 16 e Instrução 19 de 2014 Compartilhamento de risco Proposta para regras de solvência Implementam a política de equidade, dando tratamentos diferenciados ao planos conforme suas especificidades. Pilares para a correta precificação de ativos e passivos, pressuposto fundamental para definir regras de solvência. Visa outorgar às EFPC a autorização para terceirizar alguns riscos do passivo, possibilitando adotar alternativas de proteção além das já existentes. Será necessário avaliar os impactos da contratação de um seguro, elaborando estudos específicos de viabilidade. A operação deverá constar de Regulamento e NTA. A ABRAPP entende como necessária uma proposta com fundamentação técnica sólida, que vise regras de solvência que reconheça a individualidade dos planos. Neste contexto, é necessário termos regras de solvência positiva ou negativa, considerando a duração do plano de benefícios. 22

23 Divulgada ETTJ para 2015! PREVIC divulgou a Portaria nº 197, de 14/04/2015, com ETTJ que define TJP e Limites Superior e Inferior a serem observados para definição da Taxa Real Anual de Juros da AA ,50% 6,00% 5,65 5,86 5,98 5,50% 5,00% 4,50% 4,00% 3,50% 3,00% 2,50% 2,00% Duração = 10 anos TJP(2014) = 5,16% TJP(2015) = 5,25% 3,68 Duração = 20 anos TJP(2014) = 5,37% TJP(2015) = 5,46% 3,82 3,91 Observamos uma elevação da TJP, consequentemente dos limites mínimos e máximos a serem observados em TJP (% a.a.) LI LS TJP (% a.a.) LI LS

24 Conclusões O que está por vir! Mudanças que estão sendo estudadas nas Instruções PREVIC nº s 01/2013 e 07/2013 (fusão das normas), ambas referentes a estudos técnicos de adequação e aderência de hipóteses biométricas, demográficas, econômicas e financeiras dos planos de benefícios. 24

25 Obrigado pela atenção e participação! JOÃO MARCELO CARVALHO Diretor de Operações e Previdência GAMA Consultores Associados 25

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