MARCO ANTONIO DE ALMEIDA GESTÃO DA PRODUÇÃO E ENTREGA DE MUDAS DE EUCALIPTO CLONAL UTILIZANDO CONCEITOS DE MRP

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1 MARCO ANTONIO DE ALMEIDA GESTÃO DA PRODUÇÃO E ENTREGA DE MUDAS DE EUCALIPTO CLONAL UTILIZANDO CONCEITOS DE MRP Monografia apresentada como requisito parcial para a obtenção do título de Especialista em Agronegócio no curso de Pós-Graduação em Agronegócio, Departamento de Economia Rural e Extensão, Setor de Ciências Agrárias, Universidade Federal do Paraná. Orientador Prof. Dr. Vitor Afonso Hoeflich CURITIBA 2010

2 Dedico a minha esposa Vanessa, meu filho Marco Júnior e minha filha Maria Eduarda, pelo incentivo e pela compreensão enquanto estive dedicando-me aos estudos. Dedico também à minha mãe Adelina e a meu pai Geraldo, que apesar de não estarem presentes, serviram de motivação para que eu pudesse prosseguir. Agradeço a Deus pela oportunidade.

3 SUMÁRIO Introdução PARTE I Revisão da Literatura e Metodologia de Pesquisa Sistema Agroindustrial Conceituação inicial O reflorestamento no setor de papel e celulose Sistemas Produtivos Conceituação inicial Classificação e seleção de sistemas produtivos Gestão da Produção Conceituação inicial Planejamento e controle da produção O conceito MRP Conceituação inicial Dinâmica MRP Componentes de um sistema MRP Entradas (Inputs) Saídas (Outputs) Tecnologia de informação de difusão do conhecimento Metodologia de pesquisa PARTE II Estudo de Caso e Modelagem do Sistema Estudo de caso Apresentação da organização Sistema produtivo de mudas florestais... 31

4 7.3. Planejamento da produção de mudas florestais O fator conhecimento na organização Modelagem do Sistema PARTE III Apresentação do Sistema Adaptação de um modelo para a produção de mudas florestais Detalhamento do funcionamento do sistema Portal Sistema MRP Fluxograma do viveiro florestal Abertura do sistema Entradas (Inputs) Saídas (Outputs) Considerações Finais Bibliografia Anexos... 97

5 RESUMO O objetivo desse trabalho foi desenvolver um sistema de gestão de produção e entrega de mudas, utilizando aplicativo simples que é o Excel, para que o usuário possua familiaridade na utilização, além de subsidiar de forma adequada a atividade de planejamento da produção, aumentando a confiabilidade da função produção e, como conseqüência, reduzir os riscos de não atendimento da demanda, além de estar difundindo o conhecimento, dada a complexidade do processo produtivo de mudas florestais bem como sua importância na cadeia produtiva florestal. Foi desenvolvido um software que podemos visualizar todo o sistema produtivo, levando em consideração cada elo, cada processo e memória de cálculo, preocupando-se com a cadeia de suprimentos - Suplly Chain Management e com mecanismos eletrônicos confiáveis, cada alteração no fluxo da rede, pode ser absorvida de forma e no momento adequado, permitindo as correções necessárias. O sistema de gestão para a produção e entrega de mudas florestais, traz a confiabilidade para os clientes e para a cadeia produtiva florestal, operacionalizado de forma simples, com a utilização de recursos como as planilhas eletrônicas do tipo Excel e atende principalmente a necessidade de gestão de produção de mudas para fins comerciais, pois com base no conceito do MRP - Material Requirements Planning - Planejamento das Necessidades de Materiais podemos perceber que o sistema avalia as necessidades para poder gerar o resultado com as possibilidades de compromissos de entregas de mudas, possibilitando o cumprimento de prazos, e conseqüentemente refletindo na agilidade e assertividade das decisões operacionais. Palavras-chave: mudas, eucalipto, planejamento, software, MRP.

6 INTRODUÇÃO O objetivo desse trabalho foi desenvolver um sistema de gestão de produção e entrega de mudas, utilizando aplicativo simples que é o Excel, para que o usuário possua familiaridade na utilização, além de subsidiar de forma adequada a atividade de planejamento da produção, aumentando a confiabilidade da função produção e, como conseqüência, reduzir os riscos de não atendimento da demanda, além de estar difundindo o conhecimento, dada a complexidade do processo produtivo de mudas florestais bem como sua importância na cadeia produtiva florestal. A principal motivação para o desenvolvimento deste trabalho foi à inexistência, por parte das empresas florestais, de sistemas formais para o planejamento de viveiro florestal, mais especificamente, para o caso de gestão da produção de mudas e principalmente no caso de produção de mudas para fins comerciais. Neste ramo de atividade existem informações necessárias para a tomada da decisão mais adequada com relação ao gerenciamento das atividades do processo de produção das mudas. Elas podem também ser utilizadas no caso de decisões de níveis mais abrangentes, que necessariamente deverão exigir a utilização de ferramentas computacionais para o cálculo e processamento dos dados. Como em todo planejamento, fatores como flexibilidade do sistema operacional, rapidez na atualização de dados, confiabilidade e objetividade das informações geradas, são de grande importância para subsidiar o processo de tomada de decisão neste ramo de atividade. Normalmente, os profissionais atuantes na área acabam por desenvolver planilhas individuais, geralmente específicas e fragmentadas. Em muitas oportunidades estas planilhas tornam-se ou demasiadamente complexas ou muito superficiais. Em ambos os casos, acabam sendo inadequadas para dar um melhor respaldo à tomada de decisão no

7 âmbito da produção de mudas, aumentando o risco da ocorrência de falhas operacionais que possam comprometer a cadeia produtiva desde o seu início. No mercado, já existem alguns softwares que fazem apenas o controle das operações, mas que não utilizam o conceito MRP (tanto na forma de Material Requirement Planning MRPI quanto na forma de Manufacturing Resources Planning MRPII, que possibilitam que os recursos produtivos estejam disponíveis na quantidade adequada e no momento adequado). O desenvolvimento de um software com base neste conceito (mais simples, mais amigável, com uso de tecnologia mais acessível) é uma alternativa para viabilizar a elaboração de um modelo de planejamento operacional para os viveiros florestais, visando atender a maioria das necessidades dos mesmos. A formalização de procedimentos e conhecimentos necessários para operacionalizar tal modelo (fruto de experiências individuais) possibilita, também, maior disponibilidade e facilidade de acesso ao conhecimento, potencializando a difusão do mesmo. Inicialmente, este trabalho apresenta noções sobre os seguintes tópicos: Sistema agroindustrial; Sistema produtivo; Gestão da produção; Metodologia MRP; Tecnologia de informação e difusão de conhecimento. Estes conceitos estão colocados de forma resumida, com a exemplificação dos mesmos, na etapa seguinte, momento em que será caracterizada uma organização atuante no ramo de produção de mudas, com detalhamento de sua produção de mudas florestais (e apresentação de especificidades e necessidades deste tipo de atividade). Finalmente, será apresentada a dinâmica do modelo de gestão da produção, como apoio ao planejamento específico para a área de produção de mudas de espécies florestais.

8 PARTE I REVISÃO DE LITERATURA E METODOLOGIA DE PESQUISA

9 1. Sistema Agroindustrial 1.1 Conceituação inicial A evolução da economia tornou obsoleta a noção da agricultura baseada em atividade do setor primário. Atualmente, como coloca Araújo (2003, p.16), existe todo um complexo de bens, serviços e infra-estrutura que envolve agentes diversos e interdependentes. Esta visão mais abrangente começa a tomar corpo, em nível mundial, ao final da década de 50 e, no Brasil, na década de 80. A abrangência desta nova visão, agora denominada como Complexo Agroindustrial, Agribusiness, Cadeia Agroeconômica ou Sistema Agroindustrial pode ser mais bem entendida com a seguinte conceituação: Todos os participantes envolvidos na produção, processamento e marketing de um produto específico. Inclui o suprimento das fazendas, as fazendas, operações de estocagens, processamento, atacado e varejo envolvidos em um fluxo desde a produção de insumos até o consumidor final. Inclui as instituições que afetam e coordenam os estágios sucessivos do fluxo do produto, tais como governo, associações e mercados futuros (Araújo (2003, p.16)). Para este trabalho, em específico, faz-se necessário o detalhamento do conceito de Sistema Agroindustrial utilizado pelo autor e em acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Alimentação ABIA, datada de 1993: Sistema Agroalimentar, como o conjunto das atividades que concorrem à formação e à distribuição dos produtos alimentares (p.20); Sistema Agroindustrial Não Alimentar, como o conjunto das atividades que concorrem à obtenção de produtos oriundos da agropecuária, florestas e pesca não destinada à alimentação, mas aos sistemas energéticos, madeireiro, couro e calçados, papel, papelão e têxtil (p.20).

10 O autor ressalta também a importância de algumas especificidades da produção agropecuária, que a diferencia da produção de outros bens manufaturados: A sazonalidade da produção (como conseqüência das condições climáticas), a influência de fatores biológicos (como doenças e pragas) e, em muitos casos, a rápida perecibilidade. Uma última conceituação apresentada por Araújo (2003) a ser utilizada neste trabalho refere-se aos setores antes da porteira (ou a montante da produção agropecuária), dentro da porteira (produção agropecuária propriamente dita) e após a porteira (a jusante da produção agropecuária). O primeiro setor é composto basicamente pelos fornecedores de insumos e serviços, o segundo setor é o conjunto de atividades desenvolvidas dentro das unidades produtivas agropecuárias, e o último setor corresponde às atividades de armazenamento, beneficiamento, industrialização, embalagens, distribuição e consumo. 1.2 O reflorestamento no Brasil O plantio de florestas no Brasil tem aumentado muito, tendo como explicação a escassez de madeira, principalmente de cerrados, florestas nativas, que foram sendo substituídas por reflorestamento principalmente de eucalipto e pinus, além das restrições legais a extração de florestas nativas. A área reflorestada com eucaliptos ocupa 4,2 milhões de hectares, ou 65% da área total de florestas plantadas, que é de 6,6 milhões de hectares. O crescimento médio desta cultura no país é de 7,5% ao ano. É importante destacar que apesar das florestas de eucalipto representar no Brasil uma das maiores áreas plantadas no mundo, ou seja, aproximadamente 21% dos 20 milhões de hectares de eucaliptos plantados no mundo segundo estimativas da Unicamp Universidade de Campinas, esta ocupação corresponde a apenas 0,6% do território brasileiro, cuja dimensão é de 8,5 milhões de km². Alia-se a este cenário, a alta taxa de produtividade obtida pelo eucalipto no Brasil em relação a outros países do mundo.

11 2. Sistemas Produtivos 2.1 Conceituação inicial De acordo com Harding (1987), sistema pode ser entendido como uma atividade contínua envolvendo um conjunto de partes inter-relacionadas, as quais atuam de acordo com padrões estabelecidos (regras de operações) sobre inputs (entradas) no sentido de produzir outputs (saídas). A dinâmica da produção pode ser entendida pela figura a seguir: Materiais, informações e consumidores Instalações, pessoal Bens e serviços produzidos INPUT PROCESSAMENTO OUTPUT Fig.1: Dinâmica da produção. Fonte: Yokoyama (2004)) Já um exemplo da inter-relação entre as diversas atividades pertinentes à produção de bens e serviços pode ser visualizado na seguinte figura: Desenvolvimento de produto/serviço Engenharia de suporte técnico Marketing Produção Recursos Humanos Contabilidade e Finanças Compras Fig.2: Um enfoque sistêmico para a função produção. Fonte: Yokoyama (2004) Neste sentido, sistema produtivo, ou a função produção (conceito utilizado por Slack (2002) tem uma abrangência muito maior do que um processo de transformação. Esta noção ampliada leva em consideração todas as áreas de uma

12 organização que atuam de forma integrada e coordenada para agregar valor (transformar inputs em outputs e, neste processo, agregar valor). 2.2 Classificação e seleção de sistemas produtivos Uma classificação tradicional de sistemas de produção é fornecida por Moreira (2002): Sistema de Produção Contínua ou de Fluxo em Linha; Sistema de Produção por Lotes ou por Encomenda (Fluxo Intermitente); Sistema de Produção de Grandes Projetos sem Repetição. Slack (1999) apresenta uma versão mais abrangente, ao inserir a categoria de serviços, como pode ser observado na tabela a seguir: Processos em manufatura Processo de Projeto Processos em Serviços Serviços Profissionais Processo de Jobbing Processo em Lotes ou Bateladas Loja de Serviços Processo de Produção em Massa Processos Contínuos Serviços de Massa Tab.1: Tipos de Processos Fonte: Slack (1999) Ressalte-se que cada tipo de sistema produtivo possui características distintas: lay-out, equipamentos, mão-de-obra, mix/volume de produção, programação da produção, grau de contato com o consumidor, etc. A seleção do tipo de processo mais adequado deve levar em consideração os objetivos da função produção que, baseando-se em Slack (2002) podem ser agrupados em: Qualidade, Velocidade, Confiabilidade (ou Pontualidade), Flexibilidade e Custo (ou

13 Preço). Para alguns autores, de forma alternativa, estes objetivos podem ser agrupados em Qualidade, Tempo, Flexibilidade e Custo. Como decorrência destes objetivos, os fatores variedade e volume de produção afetam diretamente a seleção dos processos, numa relação que pode ser exemplificada na figura a seguir: Fig.3: Relação Mix/Volume e Processo em Manufatura Fonte: Slack (1999, p.135) Pode-se observar que componente mix diminui com o aumento da escala de produção, resultando produtos mais padronizados. De acordo com Mayer (1986) os produtos padronizados são aqueles que a empresa produz para estoque. Segundo o autor é possível fazê-lo porque há demanda contínua para esses produtos, além disso, suas especificações são, de certo modo, previsíveis. Finalmente, ressalte-se que a classificação de sistemas produtivos apresentada deve ser utilizada como uma orientação sendo que na prática, é usual a utilização de modelos mistos de processos de manufatura.

14 3. Gestão da produção 3.1. Conceituação inicial Conceituação inicial, iniciando pelas responsabilidades de acordo com Slack (1999): Indiretas: interagir com outros setores da organização para benefício mútuo; Diretas: entender os objetivos estratégicos da produção; desenvolver estratégia de produção; projetar processos de produção; planejar e controlar a produção; melhorar o desempenho da produção. Complementando, em relação às atividades de planejamento / tomada de decisão, Moreira (2002) classifica-as pelo critério de prazo e risco: Nível Estratégico: prazo e risco elevados; Nível Tático: prazo médio, risco moderado; Nível Operacional: curto prazo, baixo risco (decisões de rotina). Ainda, ao se tratar da administração da produção pela abordagem sistêmica, também fica claro que ela é uma atividade que está totalmente dependente de muitos outros sistemas que operam na empresa Planejamento e controle da produção De acordo com Harding (1987), o objetivo do planejamento de produção é atender os prazos de entregas aos clientes com o mínimo custo, via planejamento da seqüência das atividades de produção; ou de forma resumida, segundo Slack (2002), planejamento e controle é a atividade de se decidir sobre o melhor emprego dos recursos de produção, assegurando assim, a execução do que foi previsto.

15 Harding (1987) coloca que o planejamento é necessário, pois em toda unidade de produção há pessoas, maquinários e materiais, recursos dispendiosos, que devem ser usados da melhor maneira a fim de torná-la mais lucrativa. Ainda, o autor complementa que a moderna produção é complexa, tecnológica e deve, portanto, ser planejada cuidadosamente para levar em conta todas as possíveis restrições. Zaccarelli (1999; p.71) coloca que o trabalho do planejamento direta ou indiretamente, afeta toda a organização, como conseqüência dos documentos utilizados no planejamento (roteiro de produção, detalhes de cada operação, tempo de preparação, etc.), ferramentas, estimativas, etc.. Ainda segundo Harding (1987), para realizarmos o planejamento, precisamos de uma programação (listagem de produtos que deve ser realizada em determinado período de tempo e que é usualmente disposta numa seqüência de prioridade). Normalmente ela é baseada numa previsão de demanda. De acordo com Machline (1990), esta previsão pode ser baseada nos pedidos recebidos dos clientes, nas previsões de vendas, ou em ambas. Marinho (2001) reforça a idéia de que o planejamento da produção praticamente se inicia com dados que estipulam quais e quantos produtos devem ser produzidos e quando eles devem estar concluídos; além disso, coloca que, tradicionalmente, nos sistemas produtivos que produzem sob encomenda (make-to-order), esses dados aparecem durante o processo de venda do produto. Slack (2002) cita o exemplo de um construtor de casas que tenha projetos padronizados; ele pode optar por construir cada casa somente quando um consumidor tenha colocado um pedido firme. Neste caso, a operação precisaria de um planejamento e controle do tipo fazer-contra-pedido (make-to-order). Slack (2002) apresenta também o conceito de sistema de planejamento e controle puxado, onde o passo e as especificações do que é feito são estabelecidos pelo cliente (interno ou externo) que puxa o trabalho dos fornecedores (internos ou externos). Assim, o consumidor atua como um gatilho da produção e da movimentação. Se uma requisição não é passada para trás pelo consumidor para o fornecedor, o fornecedor não é autorizado a produzir qualquer coisa ou mover qualquer material. De forma mais detalhada, Slack (2002) menciona que o planejamento e o controle requerem a conciliação do suprimento e da demanda em termos de volume, tempo e

16 qualidade. Para conciliar o volume e o tempo, quatro atividades justapostas são desempenhadas: Carregamento: a quantidade de trabalho alocado para um centro de trabalho; Sequenciamento: quando o trabalho chega, decisões devem ser tomadas sobre a ordem em que as tarefas serão executadas; Programação é quando ao determinar a seqüência em que o trabalho será desenvolvido algumas operações requerem um cronograma detalhado, mostrando em que momento os trabalhos devem começar e quando eles devem terminar; Controle: intervenção periódica nas atividades da operação. Como exemplo de sequenciamento, de acordo com Slack (2002), algumas operações servem ao consumidor na exata seqüência de suas chegadas, na forma Firts In First Out (Primeiro a Entrar, Primeiro a Sair - FIFO). Ainda segundo o autor, a divisão entre planejamento e controle não é clara, nem na teoria, nem na prática. Todavia, há algumas características gerais que ajudam a distinguir os dois. Um plano é uma formalização do que se pretende que aconteça em determinado momento no futuro. Um plano não garante que um evento vá realmente acontecer, é a declaração de intenção de que aconteça. O controle é o processo de lidar com as variações, podendo significar que os planos precisem ser redesenhados em curto prazo. O planejamento engloba também o controle de estoques. No caso de mudas florestais, o estoque serve para suprir uma eventual oscilação da demanda, pois apesar da demanda ser previsível e de uma garantia de retirada das mudas, a existência de um estoque é importante principalmente em virtude da possibilidade de ocorrência de algum problema operacional e fisiológico, visto a complexidade do trabalho com clones. Complementando, de acordo com Riggs (1981), os métodos quantitativos voltados ao planejamento devem ser utilizados para subsidiar a tomada de decisão, e não como soluções prontas para as questões os problemas de produção. Finalmente, é difícil imaginar uma empresa não fazendo parte de uma rede produtiva maior. Neste contexto, são válidos os conceitos pertinentes ao Suplly Chain

17 Managment (ou Gestão Integrada de Cadeia de Suprimentos), que de acordo com Ching (2001), é todo esforço envolvido nos diferentes processos e atividades empresariais que criam valor na forma de produtos e serviços para o consumidor final. Um exemplo de cadeia de suprimentos é fornecido pela figura a seguir: Informações e Recursos Produtos e Serviços Fontes de Suprimento Fornecedores Empresa Distribuidores Consumidores Logística de suprimentos Logística de produção Logística de distribuição Fig.4: Estrutura de cadeia logística integrada Fonte: Ching (2001, p.91) Na prática, é uma forma integrada de planejar e controlar o fluxo de mercadorias, informações e recursos, desde os fornecedores até o cliente final, procurando administrar as relações na cadeia logística de forma cooperativa e para o benefício de todos os envolvidos. Ou seja, cada elo da cadeia deve realizar o seu planejamento de formar coordenada com os outros elos da cadeia. Ao visualizar o sistema produtivo como um todo, cada elo poderá, através de mecanismos de controles confiáveis, fazer as correções necessárias frente às possíveis alterações de fluxo na rede. Desta forma, poderá colaborar de modo eficaz para que a cadeia possa atingir os seus objetivos.

18 4. O conceito MRP 4.1 Conceituação inicial A conceituação foi baseada em Slack (2002), Moreira (2002), Stevenson (2001), Goodfellow (1996), Gaither (2001), Mark (2001) e Martins & Laugeni (1999). Os sistemas MRP, como atualmente são conhecidos, foram viabilizados na década de 1960 a partir do desenvolvimento da capacidade de processamento dos computadores. Inicialmente, foram utilizados como ferramenta de apoio a sistemas de controle de estoques, para itens de demanda dependente (itens que dependem da demanda de produtos finais; as partes componentes), e denominados Material Requirement Planning (Planejamento das Necessidades de Materiais). A partir da década de 1980 estes sistemas tornaram-se mais abrangentes, integrando áreas como a financeira e a engenharia das empresas. Assim, além dos materiais que já eram tratados, passou-se a considerar também outros insumos como mão-de-obra, equipamentos, espaços disponíveis para estocagem, instalações, etc. Os softwares com tais capacidades de processamento passaram a ser denominados Manufacturing Resources Planning (Planejamentos dos Recursos de Manufatura). Como as iniciais de Manufacturing Resources Planning são as mesmas de Material Requirement Planning, convencionou-se chamar o primeiro de MRPII e o segundo de MRPI. Hoje em dia é cada vez maior o número de autores que chamam o MRP II de ERP (iniciais de Enterprise Resource Planning, ou seja, Planejamento dos Recursos da Empresa). Desta forma, ao longo do tempo o conceito MRP desenvolveu-se de um foco na gestão de operações que auxiliava o e planejamento e o controle das necessidades de materiais para se tornar, em anos mais recentes, um sistema corporativo que apóia o planejamento de todas as necessidades de recursos do negócio. Atualmente, o conceito MRP é extremamente difundido entre os profissionais que direta ou indiretamente lidam com os processos de produção (principalmente de alto volume), tanto de tangíveis (bens) quanto de intangíveis (serviços).

19 4.2 Dinâmica MRP A familiarização com o sistema montado é primordial para a sua operacionalização. Conforme Stevenson (2001), os gerentes precisam estar familiarizados com os principais detalhes dos inputs, dos outputs e do processamento do MRP. A partir da data e da quantidade em que um produto final é necessário, obtém-se as datas e as quantidades em que suas partes componentes (itens de demanda dependente) são necessárias. Assim, os sistemas MRP podem ser entendidos não só como uma técnica de controle de estoque, mas também como uma ferramenta de programação da produção, já que determina quanto deve ser reposto de cada item (adquirido ou processado) e a data que cada item deve estar disponível. Os sistemas MRP permitem estes cálculos com base nos pedidos em carteira, assim como uma previsão para os pedidos que a empresa imagina receber. Na seqüência, verificam, então, todos os ingredientes ou componentes que são necessários para completar esses pedidos, garantindo que sejam providenciados a tempo. A dinâmica de um sistema MRPI pode ser visualizada na figura a seguir: Fig.5: MRPI Fonte: Martins & Laugeni (1999, p. 223)

20 Já a dinâmica de um sistema MRPII, mais abrangente, pode ser observada na figura a seguir: Fig.6: MRPII Fonte: Martins & Laugeni (1999, p.219) As entradas e saídas destes sistemas serão detalhadas nos capítulos a seguir. 4.3 Componentes de um sistema MRP Entradas (Inputs) A qualidade dos dados utilizados é fator primordial. Conforme Goodfellow (1996), a implementação do MRP precisa ser desenvolvida sobre alicerces sólidos de dados muitos acurados. Os inputs básicos estão listados a seguir: Projeção da demanda A partir de uma previsão de vendas inicial é possível elaborar um roteiro de produção (denominado de Programa / Plano Mestre de Produção) que determina para cada tipo de produto fabricado pela empresa, a quantidade e o momento em que ele deverá estar disponível para se atender esta demanda.

21 Estoque: partes e componentes Em resumo, Slack (2002) define estoque como a acumulação armazenada de recursos materiais em um sistema de transformação. Complementando, afirma que não importa o que está sendo armazenado, ou onde ele está posicionado na operação; ele existirá porque existe uma diferença de ritmo (ou de taxa) entre fornecimento e demanda. Martins & Laueni (1998) mencionam que a informação sobre os níveis de estoques para cada item é também essencial para operacionalizar um MRP. Restrições: equipamentos e instalações As restrições de equipamentos e instalações em um sistema têm a preocupação de listar gargalos que podem afetar a capacidade de atendimento das necessidades. Slack (2002, p.344), coloca que as partes que estão trabalhando em sua capacidade máxima é que são as restrições de capacidade de toda a operação. Lista de materiais A lista de materiais dá a base para a continuidade dos cálculos. De acordo com Martins & Laugeni (1999, p.231), é a parte mais difícil e trabalhosa do sistema. Todos os produtos da linha de fabricação devem ser subdivididos em todos os seus componentes, subcomponentes e peças. De acordo com Slack (2002, p.458), um sistema MRP necessita de arquivo dos componentes de cada item, assim como um cozinheiro necessita de uma lista de ingredientes necessários para preparar um prato Saídas (Outputs) Atualização de estoques O sistema, ao processar os dados referentes ao estoques utilizados, automaticamente permite uma atualização dos estoques disponíveis.

22 Ordens de Produção Chiavenato (1991, p.97), cita que Ordem de Produção é a comunicação para produzir que é enviada para a seção produtiva, autorizando-a a executar determinado volume de produção. Ordens de compras De forma análoga às ordens de produção, são todas as ordens geradas solicitando as compras de materiais, listando o que, quando e quanto, para realização da produção e cumprimento dos prazos. Relatórios gerenciais O sistema permite a geração de relatórios de apoio ao planejamento das operações.

23 5. Tecnologia de informação e difusão do conhecimento Segundo Cruz (2003), tecnologia de informação é todo e qualquer dispositivo que tenha capacidade para tratar e ou processar dados e ou informações, tanto de forma sistêmica como esporádica, que esteja aplicada no processo. Em relação a estes dispositivos, Proença (1995), afirma que os computadores armazenam e tratam as informações, enquanto as redes de comunicação a transportam. Desta forma, computadores e redes formam a infra-estrutura de integração básica das organizações modernas. Yokoyama (2004) apresenta o Inside-out como uma abordagem atual para a formulação de estratégia; nesta abordagem (cujos principais autores são Hamel & Prahalad) a vantagem competitiva é determinada a partir do desenvolvimento, no interior das organizações, de core competencies (competências essenciais, oriundas de recursos valiosos, escassos, sem substitutos e de difícil imitação existentes em uma organização). Neste novo contexto, competência pode ser entendida como o conhecimento valorizado pelo mercado. Neste sentido, ainda segundo Yokoyama, a gestão do conhecimento tem papel essencial, sendo que o desenvolvimento e a difusão do conhecimento são etapas obrigatórias deste processo. Assim, a tecnologia de informação pode ser considerada um mecanismo deste processo, ao permitir disponibilizar e difundir o conhecimento nas organizações.

24 6. Metodologia de pesquisa De acordo com Gil (1991), podemos classificar esta pesquisa como pesquisa exploratória, que tem como principal objetivo proporcionar maior familiaridade com o tema. Em relação aos procedimentos técnicos utilizados, na primeira parte do trabalho utilizou-se o recurso de levantamento bibliográfico sobre os tópicos apresentados. A segunda parte do trabalho baseou-se num estudo de caso, que permite uma análise mais detalhada com base em um único objeto de estudo. Nesta parte, para a coleta de dados, recorreu-se ao levantamento documental, entrevistas informais com profissionais que desempenham atividades na empresa relacionadas com as atividades objeto de estudo. Nesta segunda parte, este trabalho pode também ser considerado, como uma pesquisa-ação, visto que o executor atuou como participante cooperador e responsável pelo processo de desenvolvimento de um novo modelo. Por se tratar de um novo modelo, a pesquisa tem as características de um estudo experimental, do tipo antes-depois, já que o modelo foi desenvolvido a partir da constatação de necessidades específicas, simulado e avaliado para ser incorporado à rotina das organizações. Pode-se enquadrar o desenvolvimento deste modelo dentro do ciclo PDCA de Deming (Martins & Laugeni (1998)): planejar (Plan), fazer (Do), verificar (Check) e agir (Act). Finalmente, o desenvolvimento do modelo obedeceu ao seguinte roteiro: Caracterizar o processo produtivo de mudas; Verificar com usuários as dificuldades e necessidades; Após consulta aos usuários, analisar as necessidades específicas de um planejamento e controle de unidades produtivas de mudas florestais; Formalizar lista de materiais em forma de planilhas. Formalizar cronograma da seqüência de etapas produtivas (cronograma de montagem MRP) em forma de planilhas; Formalizar sistema MRP piloto;

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