ARRANJO PRODUTIVO LOCAL DA BANANA LUIS ALVES SANTA CATARINA 2005 Compilado no BRDE

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1 ARRANJO PRODUTIVO LOCAL DA BANANA LUIS ALVES SANTA CATARINA 2005 Compilado no BRDE 1. Contextualização e Caracterização do Arranjo a) Os mercados tornam-se cada vez mais exigentes em relação ao consumo de alimentos que atendam altos requisitos de qualidade e ambientalmente sadios, o que sinaliza a necessidade de implementação de mudanças nos sistemas de produção, beneficiamento e distribuição. Em 2002, em Luis Alves iniciou-se um projeto com o objetivo de implantar o Sistema de Produção Integrada de Banana PIB, sob a coordenação da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina S.A. - EPAGRI. O PIB desenvolve com maior intensidade os aspectos da organização e capacitação do produtor. Dentro dos objetivos específicos do PIB, contempla-se a busca de recursos para viabilizar as adequações nas infra-estruturas exigidas ou recomendadas pela Produção Integrada de Frutas. No segundo semestre de 2003 foi realizado contato com o BADESC objetivando viabilizar recursos para o financiamento das adaptações das unidades de beneficiamento conhecidas como Casas de Embalagens. Deste contato e tendo em vista o nível de organização já existente na cadeia produtiva com processos organizados e controlados e produtores capacitados, houve a formação de um pool de entidades dispostas a investir neste arranjo produtivo. Inicialmente participavam, além da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina S/A - EPAGRI e da Associação dos Bananicultores de Luis Alves - ABLA, a Agencia de Fomento do Estado de Santa Catarina S.A. - BADESC o Banco do Brasil S.A. a Cooperativa de Crédito Rural com Interação Solidária de Luis Alves CRESOL Luis Alves, a BANALVES - Empresa de Aviação Agrícola e o Serviço de Apoio às Micro Pequenas Empresas de Santa Catarina - SEBRAE SC que passaram atuar segundo um enfoque global para o Arranjo Produtivo Local. Através da parceria entre a EPAGRI e o Ministério de Agricultura, um conjunto de agricultores familiares associados tem realizado esforços no sentido de implementar instrumentos de monitoramento de todo o sistema de produção, tornando a bananicultura na região economicamente viável, ambientalmente correta e socialmente justa. O Arranjo Produtivo da Banana de Luis Alves revela avanços já conquistados por esta aglomeração de produtores em diversos campos tais como: reestruturação produtiva no meio rural; desenvolvimento e disseminação de tecnologias avançadas de formação de mudas, plantio, manejo e controle de pragas. b) Num exame mais apurado identificou-se a formação de encadeamento em nível local, desde: produção de mudas; fornecedores de insumos (sobretudo de madeiras para caixas); prestadores de serviços de apoio técnico especializado (planejamento e a avaliação de controle de pragas e pulverização); treinamento de pessoal, orientação técnicas aos produtores; empacotadores (nas casas de embalagens) e transportadores. Há também um importante instrumento de crédito a CRESOL Sistema de Cooperativas de Crédito Rural Interação Solidária. c) Existem 800 produtores gerando 2000 empregos diretos e 4000 indiretos.

2 d) Representa 50% da ocupação da economia local / regional. e) O Arranjo Produtivo da Banana está concentrado em Luís Alves, e em processo de espraiamento para as áreas próximas e contíguas do município,através do PIB, o que disseminará novas técnicas e práticas modernas para municípios como: Barra Velha, Corupá, Massaranduba, Schoeder, Piçarras, São João do Itaperiú e Garuva. f) Diferentemente do que ocorre com o setor industrial, no âmbito rural e especialmente neste arranjo, o produtor tem o privilégio de receber treinamento e orientação técnica de profissionais altamente qualificados. Do ponto de vista de infra-estrutura e de serviços técnicos especializados salienta-se o papel exercido pela BANALVES que congrega 22 produtores locais, constituindo-se em exemplo de ação conjunta para equacionar problemas de natureza fito-sanitária, mediante a disponibilização de equipamentos e métodos modernos A Associação dos Bananicultores de Luis Alves ABLA e a CRESOL, congregam e organizam os produtores, oferecendo serviços estratégicos, alem de realizar a aquisição conjunta de insumos. No setor governamental, sublima-se a influência da EPAGRI, através de suporte técnico como os de : laboratórios, centro de pesquisas, universidades e centro de capacitação de pessoal. A CRESOL, o BADESC e mais recentemente, o BRDE associaram-se aos esforços dos atores locais e de diferentes esferas governamentais na promoção do desenvolvimento local, criando, aprimorando e articulando instrumentos de políticas públicas, destacando-se os de financiamento-crédito e aval. O Banco do Brasil oportuniza novos canais de comercialização através da Sala de Agronegócios. O Apoio em estudos e soluções tecnológicas como,por exemplo, projetos de soluções dos problemas de operação das casas de embalagens durante o inverno, de tecnologias de transporte da banana no campo e o de adequação do desempenho dos canhões de pulverização, estão sendo providenciados pela Fundação de Ciência e Tecnologia de Santa Catarina - FUNCITEC, da Sociedade Educacional de Santa Catarina - SOCIESC e da Universidade Federal de Santa Catarina UFSC. O SEBRAE -SC está executando programa de capacitação gerencial visando maior qualificação dos bananicultores para promover a competitividade e a sustentabilidade do arranjo local. g) Liderança local: Associação dos Bananicultores de Luis Alves ABLA, Cooperativa de Crédito Rural de Interação Solidária CRESOL, BANALVES Aviação Agrícola Ltda, Federação dos Bananicultores do Estado de Santa Catarina FEBANANA. Instituições de suporte: Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina S.A EPAGRI, Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Santa Catarina SEBRAE/SC, Banco de Desenvolvimento de Santa Catarina BADESC, BRDE, Banco do Brasil, fundação de Ciência e Tecnologia de Santa Catarina FUNCITEC, Sociedade Educacional de Santa Catarina SOCIESC, Prefeitura Municipal de Luís Alves, Secretaria de Desenvolvimento Regional. Grupo Gestor Multidisciplinar: Associação dos Bananicultores de Luis Alves ABLA, Cooperativa de Crédito Rural de Interação Solidária CRESOL, BANALVES Aviação Agrícola Ltda, Federação dos Bananicultores do Estado de Santa Catarina FEBANANA, Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina S.A EPAGRI, Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Santa Catarina SEBRAE/SC, Banco de Desenvolvimento de Santa Catarina BADESC, BRDE,

3 Banco do Brasil, fundação de Ciência e Tecnologia de Santa Catarina FUNCITEC, Sociedade Educacional de Santa Catarina SOCIESC, Prefeitura Municipal de Luís Alves, Secretaria de Desenvolvimento Regional. 2. Processo de Elaboração do Plano de Desenvolvimento a) Pela necessidade de elaboração de Plano de Desenvolvimento que permitisse a visualização de todos os gargalos a serem atacados, o BADESC contratou consultor especial Dr. Idaulo José Cunha, que elaborou proposta de plano que foi amplamente discutida entre as instituições que compõem o Grupo Gestor composto pelo SEBRAE-SC, CRESOL, Banco do Brasil, BADESC, EPAGRI, FEBANANA E ABLA que, a partir desta proposta desenvolveu cronograma de trabalho. Ficando sob responsabilidade do SEBRAE-SC e da CRESOL, o levantamento de informações, através de relatórios de acompanhamento, documentos e contratos para auxiliar a elaboração do mesmo. Foram promovidas diversas reuniões para a confecção do Plano de Desenvolvimento preliminar. Na seqüência a equipe de trabalho se reuniu novamente com o Grupo Gestor Multidisciplinar para apresentação e aprovação. Foram feitas algumas sugestões e após discussão realizadas as alterações, que resultou no Plano de Desenvolvimento definitivo. b) Participaram da elaboração do Plano de Desenvolvimento o SEBRAE-SC, a CRESOL, o BADESC,Banco do Brasil, a EPAGRI, a FEBANANA e a ABLA. c) No total foram necessárias quatro etapas para a elaboração do Plano de Desenvolvimento: Reunião de sensibilização, Levantamento de dados, Reunião de revisão e Correção final. d) Contrato de financiamento entre a Associação de Bananicultores de Luis Alves com o BADESC com recursos do BNDES, com a parceria da CRESOL para a construção e/ou adequação de oito Casas de Embalagens no sistema PIB. Convênio de Cooperação Técnica SEBRAE. Convênio das Associações Municipais de Bananicultores, FEBANANA e a equipe multidisciplinar do Programa de fruticultura Tropical da Estação Experimental de Itajaí/EPAGRI, para implementar o Sistema de Produção Integrada da Banana. Compromisso da EPAGRI para aumentar o quadro de técnicos e engenheiros agrônomos. Convênio com o Banco do Brasil na onde através da Sala de Agronegócios o produtor rural pode obter informações de mercado fornecidas por especialistas, bem como comercializar sua safra, favorecendo a prospeção de novos mercados. Convênio com a FUNCITEC para desenvolvimento de tecnologia para problemas relacionados ao transporte entre a lavoura e as casas de embalagem e para a melhoria das casas de embalagem para os frutos produzidos durante o inverno e para a melhoria dos canhões de pulverização.

4 3. Situação atual desafios e oportunidades de desenvolvimento a) A conclusão da primeira turma do PIB, instalação de novas Casas de Embalagens, capacitação do pessoal Técnico Operacional Gerencial, estudos de Viabilidade em Empresa Rural, Existência de associação extremamente dinâmica que agrega os produtores, a formação de uma empresa aérea de pulverização formada com capital de vários produtores, a mobilização de toda a comunidade em torno do mesmo ideal e a constituição de uma forte cooperativa de crédito. b) Sistema viário interno dos Bananais inadequados; falta de equipamentos adequados para o transporte da fruta em relevo acidentado; falta de conhecimento e/ou implantação da legislação sobre o volume adequado as embalagens; falta de organização no comércio (ex. produtores que mais investem em tecnologias possuem custo mais elevado acabam concorrendo com produtores que fazem poucos investimentos), ausências de pistas para aviação agrícola pavimentadas que ocasionam elevado custo de manutenção dos aviões de pulverização; falta de recursos financeiros e linhas de crédito adaptadas às necessidades específicas com juros e prazos adequados; falta de Centrais de Distribuição e Comercialização; a utilização de insumos poluentes de forma inadequada que acarreta aumento nos custos de produção e um grande impacto ambiental e o controle de doenças e pragas diversas, como Sigatoka e a Nematóide. c) Novos canais de comercialização com a perspectiva de uma estabilidade nos preços praticados, agregação de valor do produto através da padronização e melhorias em embalagens), nichos de mercado, produção de frutas de alta qualidade com diferenciação de produtos de Luis Alves, transportes adequados da fruta até a Casa de Embalagens evitando perdas pela elevada sensibilidade da fruta, melhor aproveitamento de sub-produtos e rejeitos, produzir os frutos dentro de padrões internacionais. d) Luis Alves como excelência em Bananicultura do PIB e modelo integrado de Banana e fixação do homem nos meios rurais com a oportunidade de melhoria nas condições de vida através de geração de emprego e renda. 4. Resultados Esperados 1- Capacitação do SEBRAE que contempla: Tendências e prospecção de mercado, Design adequação de produtos, Administração Rural, Empreendedorismo, Consultoria tecnológica; 2- A certificação aos produtores que poderão receber suas marcas de conformidade com o Sistema de Produção Integrada de Bananas de Luis Alves; 3- Casas de Embalagens com infra-estrutura adequada para o sistema PIB; 4- Criação de Cooperativa de Comercialização, com a finalidade de evitar a fixação do preço pelo comerciante-atravessador;

5 5- Criação de Cooperativa de Industrialização, aproveitado a mão de obra familiar com esposa e filhos e os estudos de descartes e subprodutos da banana como a farinha de banana, a banana seca como meio de gerar uma renda e conseqüentemente a fixação do homem no campo, evitando assim o envelhecimento populacional local e o êxodo rural. 5. Indicadores de Resultado a) Conclusão de 100 produtores nos módulos de capacitação do SEBRAE; Certificação de 100 produtores da 1ª turma do PIB; Instalação de 30 Casas de Embalagens prontas e adequadas para a utilização conforme módulo do PIB; Criação de 2 Cooperativas uma de Comercialização e outra de Industrialização. b) Aplicação de Indicadores de desempenho empresarial através de Diagnóstico no início e ao final do programa. 6. Ações Previstas 1. Sistema de Produção Integrada de Banana (PIB) a) Descrição: Com o objetivo de implementar o Sistema de Produção Integrada de Banana os trabalhos estão sendo focados com maior intensidade em aspectos de organização e capacitação do produtor, já dentro do enfoque da Produção Integrada de Frutas, oferecendo opções de Recursos Genéticos adequados; material propagativo; tecnologias de manejo e conservação do solo; levantamento e monitoramento nutricional dos bananais; monitoramento de pragas através de implantação de Sistemas de Previsão; monitoramento dos recursos hídricos; análise de resíduos; implantação de sistema de rastreabilidade e cadernetas de campo e promoção de assistência técnica especializada; e por último a busca de recursos para dar sustentação às adequações na infra-estrutura exigidas ou recomendadas pela PIF. b) Coordenação: Epagri e Grupo Gestor Multidisciplinar. 7. Gestão do Plano de Desenvolvimento Dentro do Plano de Desenvolvimento cada ação citada está sob responsabilidade e execução de uma ou mais entidades, seja ela uma entidade local ou instituição de suporte. Estas instituições possuem relatórios, cronogramas e acompanhamentos distintos e independentes. Por tratar-se de projeto de solução coletiva, em determinados momentos as ações fundem-se, por isso o Programa possui um cronograma físico detalhado com todas as ações previstas que será acompanhada pelo Grupo Gestor Multidisciplinar, formado por todas as entidades e instituições envolvidas. Este Grupo

6 Gestor reúne-se mensalmente para analisar e avaliar a execução dos trabalhos. As análises, sugestões, avaliações e decisões e são lavradas em ata. 8. Acompanhamento e Avaliação a) Atores diretos envolvidos Cooperativa, Associação, Empreendedores Rurais, Federação realizam reuniões a cada 10 dias para a avaliação. Cooperação Técnica e Agrônoma - Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina EPAGRI, Associação dos Bananicultores de Luis Alves - ABLA, Cooperativa de Credito Rural Interação Solidária de Luis Alves CRESOL,Empresa de Aviação Agrícola ltda - BANALVES, Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Santa Catarina - SEBRAE SC, Federação dos Bananicultores do Estado de Santa Catarina FEBANANA. Grupo Gestor Multidisciplinar -, BADESC Agência de Fomento do Estado de Santa Catarina S.A., Banco do Brasil S.A., Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul - BRDE, Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina - EPAGRI, Associação dos Bananicultores de Luis Alves - ABLA, Cooperativa de Credito Rural Interação Solidária de Luis Alves CRESOL, Empresa de Aviação Agrícola ltda - BANALVES, Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Santa Catarina - SEBRAE SC, Federação dos Bananicultores do Estado de Santa Catarina FEBANANA, sendo realizadas reuniões mensais de avaliação. Envolvimento Indireto Secretária de Articulação Internacional SAI, Fundação de Ciência e Tecnologia de Santa Catarina - FUNCITEC, Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC, Sociedade Educacional de Santa Catarina SOCIESC, Secretaria de Desenvolvimento Regional - SDR, Prefeitura Municipal, Comissão da Agricultura da Assembléia Legislativa, realizam reuniões bimestrais para acompanhamento.

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