Módulo V PLANEAMENTO DAS NECESSIDADES DE MATERIAIS E DE RECURSOS: MRP/MRPII

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1 Disciplina de Gestão de Operações Módulo V PLANEAMENTO DAS NECESSIDADES DE MATERIAIS E DE RECURSOS: MRP/MRPII por Prof. Pedro F.Cunha Ano lectivo 1999 / 2000 Curso de Engenharia de Informática de Gestão

2 Índice 1. das Necessidades de um Sistema Produtivo Base de Dados de Produção Sistema de MRP : das Necessidades de Materiais Objectivos e Filosofia do MRP Componentes base do sistema Sistema de MRPII : dos Recursos de Produção RCCP - Rough Cut Capacity Planning CRP - das Necessidades de Capacidade Avaliação e Instalação de um Sistema de MRP Custos de Instalação Etapas dum Processo Instalação Dificuldades Típicas na Instalação...22 Anexo V.1 - Aspectos Gerais Associados aos Sistemas de MRP/MRPII...28 Disciplina de Gestão de Operações V-2

3 1. das Necessidades de um Sistema Produtivo O modelo de Wilson é um modelo matemático, desenvolvido para controlar os stocks a montante (stocks de matérias primas e componentes adquiridos para serem incorporados no produto) e a jusante do sistema produtivo (stocks de produtos acabados). Assim este tipo de conceitos que foram desenvolvidos com a introdução da gestão económica dos stocks podem ser introduzidos ao nível do planeamento das necessidades de materiais de um sistema produtivo. As necessidades quer de materiais quer de recursos produtivos são geridas pelos sistemas habitualmente referidos de planeamento e controlo da produção. Na figura seguinte apresenta-se esquematicamente a interligação que poderá existir entre as várias actividades de da Produção. Estratégico da Empresa Financeiro Previsão empresarial do produto e do mercado de recursos (capacidades) Longo Prazo agregado da produção Previsão de artigos Plano director de produção (MPS) Esboço de planeamento de capacidades (RCCP) Médio Prazo Programação de montagem final de materiais de necessidades de capacidades Controlo de Actividades de Produção e Controlo de Compras e controlo de input/output Curto Prazo Tendo presente o que foi apresentado no módulo anterior, o inventário que existe ao nível da produção, não pode ser tratado como sendo constituído por items independentes, excepto os Disciplina de Gestão de Operações V-3

4 produtos acabados ou peças para serviços. A procura para um determinado componente é dependente da procura para as montagens da qual eles fazem parte. Uma vez feita a programação para as necessidades a um nível superior, pode ser calculado um escalonamento (planeamento detalhado) em termos de tempo para todos os componentes. Consequentemente faz pouco sentido fazer previsões sobre eles. É de realçar que as considerações que tem por base modelos de controlo de stocks, envolvem normalmente uma procura uniforme ou pelo menos um modelo de procura muito bem definido. No entanto a dependência da procura de um componente em relação à procura dos seus parentes, dá origem a um fenómeno de descontinuidade da procura ao nível do componente (aspecto já referido no módulo anterior). Procura Procura dependente Tempo A existência de um sistema informático fornece as capacidades de processamento de informação para desempenhar de uma forma eficiente os cálculos necessários para o planeamento das necessidades. Os sistemas de MRP-Material Requirement Planning 1, em particular, são exemplos de sistemas de da Produção e pretendem responder a questões que os outros sistemas/modelos não abordam, como seja: a utilização descontínua de materiais; a procura de materiais directamente dependentes da produção de outros produtos semiacabados ou de produtos acabados. Os objectivos principais de um sistema de MRP são controlar os níveis de stock, atribuir prioridades das operações para os artigos e planear a capacidade para carregar o sistema de produção, a fim de melhorar o serviço aos clientes, minimizar o investimento em stocks e maximizar a eficiência das operações de produção. Dito por outras palavras, pretendem: Manter o nível de stocks o mais baixo possível. Assegurar que para a produção nunca faltem materiais, componentes ou produtos; Assegurar que para o consumidor nunca faltem produtos. Planear as actividades de compra e de fabrico gerindo os respectivos prazos de entrega ou períodos de duração. 1 Denominado em Português por das Necessidades de Materiais. Disciplina de Gestão de Operações V-4

5 Como foi dito anteriormente as questões chave em relação aos stocks são: Encomendar o componente certo Qual...? Encomendar a quantidade certa Quanto...? Encomendar no momento certo Quando...? Em termos de prioridades Encomendar com a data devida correcta Conservar válida a data devida Ao nível das capacidades Planear para uma carga completa Planear uma carga exacta Planear para um período adequado para ver cargas futuras MRP / Os sistemas de MRPII, também conhecidos por "Manufacturing Resource Planning 2 ", é basicamente um alargamento dos conceitos aplicados no desenvolvimento de um sistema de MRP, para gestão dos stocks em toda a empresa Qualquer dos sistemas anteriormente referidos funcionam através de software concebido para este fim e que tira partido da quantidade significativa de informação que possui armazenada e que processa. 2. Base de Dados de Produção As bases de dados para além de permitirem armazenar um conjunto de informação de uma forma estruturada, possibilitam executar um conjunto de procedimentos com grande interesse na organização do sistema produtivo e na sua gestão corrente. Alguns exemplos são apresentados na listagem em baixo. I - Controlo do Sistema Calendarização oficinal Parâmetros de controlo Tabelas com: taxas de utilização de M.O. e Equipamento, Análises ABC, etc. II - Controlo Tecnológico Ficheiro mestre para cada componente (estão definidos todos os items do produto) Estrutura do Produto (determina a relação entre cada um dos componentes do produto) 2 Denominado em Português por dos Recursos Produtivos. Disciplina de Gestão de Operações V-5

6 Ficheiro de fabrico, i.e. "Routing file" (definição de todas as operações a que o componente irá estar sujeito) Ficheiro sobre as Estações de Trabalho, i.e. "work centre file" (informação sobre os recursos na empresa) Ficheiro de ferramentas (referência as várias ferramentas) III- Controlo de Materiais Balanço de inventário por localização Controlo de Ordens Controlo de inventário Esquematicamente, uma base de dados para a produção pode ser representada pelo seguinte esquema: Inventário Lista Materiais (BOM) Estações de Trabalho Base de Dados Sequências de Fabrico Projecto / Engenharia do Processo da Produção Manutenção Controlo do Processo ACompras e Vendas... Ferramentas e Sist.Fixação Na literatura Inglesa: Item Master file Bill of Materials file Routing file Work Centre file Tool file 3. Sistema de MRP : das Necessidades de Materiais Com base no Plano Mestre de Produção o sistema de MRP faz uma programação em que são identificados os items específicos e os materiais requeridos para produzir o produto final, indicando as quantidades exactas em que são necessárias e as datas para o lançamento das ordens em que estes deverão ser adquiridos ou fabricados, de forma a garantir um determinado ciclo de produção. Um dos aspectos relevantes destes sistemas de MRP é a facilidade de executar mudanças rápidas e em grande escala, utilizando os meios informáticos que suportam estes sistemas. Disciplina de Gestão de Operações V-6

7 3.1. Objectivos e Filosofia do MRP O principal objectivo de um sistema de MRP consiste em controlar o nível de inventário, assinalando prioridades de fabrico para os vários items, e em planear a capacidade de funcionamento do sistema de fabrico. Isto corresponderá a dizer que, Em termos de Inventário: encomendar os items certos, na quantidade certa e no tempo certo; Em termos de Prioridades: encomendar com a data certa em que vão ser necessários e mantendo essa data válida; Em termos de Capacidade: planear para uma carga completa e precisa, realizando o planeamento num período de tempo que permita visualizar as futuras cargas. Fazer chegar os materiais certos, no local certo e no instante certo. Lista de objectivos habitualmente referidos: Melhora o serviço a clientes Melhora o fluxo de informação Minimiza o investimento em stocks Maximiza a eficiência das operações Aumenta as vendas Reduz o preço de venda Aumenta o controlo do nível de stocks Aumenta a facilidade de alterar o Plano Director Melhora a resposta às mudanças de mercado Reduz das interrupções do processo Reduz os tempos não produtivos Derruba barreiras internas Melhora a preparação para as funções de gestão Adicionalmente o sistema de MRP permite: Atrasar ou cancelar ordens Alterar quantidades encomendadas Antecipar ou atrasar datas Adicionar capacidade de planeamento Fornecer em avanço informação que permita visualizar o planeamento realizado antes das ordens serem lançadas A gestão dos stocks que é feita, utilizando um sistema de MRP, permitirá melhorar o serviço a clientes, minimizar o investimentos em stocks e maximizar a eficiência das operações de fabricação. Disciplina de Gestão de Operações V-7

8 Resultados médios dum inquérito a utilizadores de sistemas de MRPII Aumento de produtividade 16% Melhoria do serviço a clientes 28% Redução dos custos de aquisição 11% Redução de stocks 40% Redução de dívidas a clientes 15% Aumento da rotação de stocks 50% Retorno anual do investimento implementado % de todos os utilizadores de sistemas de MRPII referiram que o sistema igualou ou excedeu as expectativas Componentes base do sistema Com os inputs que recebe, o sistema de MRP calcula as necessidades globais para o período de planeamento em causa, dando informações sobre o que encomendar; quanto encomendar e quando encomendar. Por sua vez permite obter uma saída das listas de materiais de acordo com as necessidades. Previsões da procura agregado da produção Ordens de clientes Alterações de projecto de engenharia MRP inputs MRP operativo MRP outputs Plano Director de produção (MPS) Ficheiro da lista de materiais de materiais Programa de MRP Relatórios principais Ordens planeadas Avisos de lançamentos de ordens Alterações de datas devidas Cancela. e suspensão de ordens Dados do estado dos stocks Relatórios da actividade de produção (i.e. controlo de stocks e de produção) Relatórios secundários Relatórios de planeamento Realtórios de excepção Relatórios de controlo de desempenho Transações de stocks Ficheiro de registo de stocks Transações dos stocks O sistema, genericamente é composto por: Inputs Plano Director de Produção (MPS) 3 Lista de Materiais (BOM) Estado dos Stocks (Inventory File) Outputs Ordens de Encomenda Ordens de Fabrico. 3 Também denominado Plano Mestre de Produção. Disciplina de Gestão de Operações V-8

9 Plano Director de Produção (MPS) É uma exposição de quais os items finais (produtos acabados ou montagens ou módulos utilizados para os fabricar) que a empresa planeia produzir em termos de quantidade e de calendário. Plano Director de produção (MPS) Melhor Estratégia de Fabrico Semana Número Item: X Quantidade Exemplo de um Plano director para o Produto Final X: Algumas das funções do Plano Director de Produção são as seguintes : Programa as ordens de produção e de aquisição para os items existentes no plano director. É o principal input do sistema de MRP. É a base para determinar as necessidades em termos de recursos. Fornece a base para garantir as entregas prometidas aos clientes Um bom Plano Director, deve: Incluir todos os tipos de procura, i.e. relacionados com as vendas dos produtos, reabastecimentos dos armazéns, sobressalentes e necessidades internas da fábrica. Manter sempre como referência o plano agregado. Haver um envolvimento com os compromissos das encomendas dos clientes. Estar disponível a todos os níveis de gestão. Procurar conciliar os vários tipos de conflitos (ex.: produção, marketing e engenharia). Identificar e comunicar todos os problemas. Os principais inputs do Plano Director: Plano de produção Informação sobre a procura Estado do inventário Política de encomenda Disciplina de Gestão de Operações V-9

10 Estado dos Stocks MPS Ordens de fabrico Ordens de aquisição MRP Ficheiro mestre dos items Ficheiro de inventário Estrutura do produto (BOM) Lançamento de um planemento com de ordens de aquisição e de. fabrico Inventário Alguma da informação referente ao inventário é a seguinte: Referência do item Descrição da item Unidades de medida Política de dimensionamento de lotes Dimensão do lote Stock de segurança Factor de perda Tempo de duração (lead time) Código de fabrico ou de aquisição Código do fornecedor Locais de armazenamento Código de Plano Mestre Código de nível (Low level code) Custos standard Custos de Material Lista de Materiais (BOM) A descrição das várias referências que constituem os diversos produtos é organizada nos sistemas de MRP ao nível do Bill of Materials, também denominado estrutura de produto ou nomenclaturas. Esta informação é por sua vez utilizada a diversos níveis na empresa e por diversas funções. A informação contida na Estrutura de Produto inclui, entre outros dados, os seguintes: Referência do componente; Quantidade em que é incorporado no produto; Tempo de fabrico ou de aquisição; Se é fabricado ou comprado; Unidade em que é medido. Disciplina de Gestão de Operações V-10

11 Controlo das alterações ao nível do design Plano Mestre de Produção (MPS) Controlo de inventário Custos dos componentes e produtos B.O.M. das capacidades Montagem Lista de Items em Stock das necessidades Lista Materiais (BOM) Bicicleta de Materiais Um sistema de MRP tem a facilidade de poder tratar alterações realizadas: no Plano Mestre de Produção; na Estrutura de fabrico; nos prazos de entrega; nos lotes mínimos. Nestes casos faz-se um replaneamento e se o processo já tiver sido iniciado, ele pode proceder a um ajustamento que se concretiza com uma saída de listagens de planeamento, onde é dito o que se deve fazer. O MRP satisfaz três objectivos principais: O planeamento da produção ou ordens de aquisição para componentes e materiais necessários para suportar o Plano Director (MPS). Disciplina de Gestão de Operações V-11

12 A manutenção de prioridades pela actualização das datas devidas em relação às ordens, sempre que as condições se alterarem. Fornece o principal input ao planeamento das necessidades de capacidades (CRP), a fim de projectar os recursos necessários para satisfazer o MPS. Alguns do inputs para o MRP, como tem sido referido, são os seguintes: O Plano Director de Produção (MPS) A Estrutura de Produto do ficheiro Lista de Materiais (BOM) Informação do ficheiro de Registo de Stocks: estado dos stocks, L.T., stock de segurança, dimensão das quantidades a encomendar, factor de perda, custos de encomenda e de posse. Esta informação é assim utilizada no desenvolvimento do planeamento das necessidades de materiais. Durante esse desenvolvimento vários aspectos são considerados na concepção do sistema de MRP: Items a incluir. Horizonte de planeamento. Comprimento das unidades de tempo. Categorias de ordens. Stock de segurança. Lead time de segurança. A lógica associada ao funcionamento do das necessidades de materiais (ou MRP), consiste no seguinte: Determinar as necessidades brutas. Determinar as necessidades líquidas. Dimensionar o lote. Compensar as necessidades Em seguida apresentam-se alguns exemplos que pretendem demonstrar essa lógica de funcionamento. Para tal tem-se por base as estruturas de produto, em baixo ilustradas. Lead time em unidades de tempo A 2 B 1 C 2 D 3 C E 2 1 F(2) 3 F(2) 3 Quantidade por... Disciplina de Gestão de Operações V-12

13 Lógica de Funcionamento: Determinação das necessidades brutas Exemplo 1: Determinação das necessidades brutas para o item C. Plano Director de Produção para os items A e B nos próximos 12 períodos. Item A Períodos Recebimento de ordem 60 Lançamento de ordem 60 Item B Períodos Recebimento de ordem Lançamento de ordem Informação adicional: Item C Ordem de serviço: quantidade 10, período de entrega 7 Expedição entre fábricas: quantidade 12, período de entrega 6 Item C Períodos Necessidades brutas Lógica de Funcionamento: Determinação das necessidades líquidas Necessid. Líquidas = Necessid. Brutas - Stock em - Recebim. Armazém Planeados Exemplo 2: Determinação das necessidades líquidas para o item C. Descrição: Item C Stock Segurança.: Quant.Stock: Tempo Duração: Quant.Atrib.: Dimensão Lote: Lote-por-lote Quant. Total Req Recebimentos Plan Stock Liq.em Armaz Quant. Req. Liquida 39 Necessid. Líquidas = Necessid. Brutas - Stock em - Recebim. + Stock de Armazém Planeados segurança Disciplina de Gestão de Operações V-13

14 Exemplo 3: Determinação das necessidades líquidas para o item C, tendo em conta o stock de segurança. Descrição: Item C Stock Segurança.: 5 Quant.Stock: Tempo Duração: Quant.Atrib.: Dimensão Lote: Lote-por-lote Quant. Total Req Recebimentos Plan Stock Liq.em Armaz Quant. Req. Liquida Lógica de Funcionamento: Compensação das necessidades Exemplo 4: Compensação das necessidades para o item C, com e sem LT de segurança de 1 período. Descrição: Item C Stock Segurança.: 5 Quant.Stock: Tempo Duração: 2 Quant.Atrib.: Dimensão Lote: Lote-por-lote Quant. Total Req Recebimentos Plan Stock Liq.em Armaz Quant. Req. Liquida Recepção Ordens Plan. Lançamento Ordens Plan Quant. Total Req Recebimentos Plan Stock Liq.em Armaz Quant. Req. Liquida Recepção Ordens Plan. Lançamento Ordens Plan. Lógica de Funcionamento: Dimensionamento dos Lotes Quantidade Económica de Encomenda (EOQ) Quantidade de Encomenda por Período (POQ) Lote-por-lote (LFL) Exemplo 5: Considere um determinado item possui um custo de posse CP de 1 u.m. por semana, um custo de encomenda CE de 100 u.m.. As necessidades líquidas para o referido item durante as próximas 12 semanas estão apresentadas na figura seguinte. Determinar a dimensão de cada encomenda e avaliar a sua influência no inventário da empresa. Disciplina de Gestão de Operações V-14

15 I) Quantidade de Encomenda Económica (EOQ) Semanas Total Quant. Req. Liquida Recebimentos Plan. Nível de Stock em Armaz. II) Quantidade de Encomenda por Período (POQ) Semanas Total Quant. Req. Liquida Recebimentos Plan. Nível de Stock em Armaz. III) Lote-por-lote (LFL) Semanas Total Quant. Req. Liquida Recebimentos Plan. Nível de Stock em Armaz. 4. Sistema de MRPII : dos Recursos de Produção A APICS define MRP em ciclo fechado como: Um sistema criado em torno do planeamento das necessidades de materiais e incluindo também as funções adicionais de da Produção, de Plano Director de Produção e de das Necessidades de Capacidade. Além disso, uma vez terminada a fase do planeamento e os planos aceites, como realistas e atingíveis, entram em jogo as funções de execução. Estas incluem as funções de controlo da fabricação, de medição do input-output, de Programação e de Expedição detalhadas. Outras funções dizem respeito à execução de Relatórios de Atrasos e de Antecipações, quer da produção quer dos fornecedores, fazendo assim um Seguimento e Controlo das Compras, etc... O termo «ciclo fechado» implica que não só cada um destes elementos esteja incluído no sistema, mas também que haja um retorno de informação das funções de execução, para que o planeamento possa ser mantido sempre válido. (Chase e Aquilano) Quando um sistema de MRP inclui informação sobre todo planeamento da produção da empresa e sobre a actividade económica da empresa, mantendo um ciclo fechado (feed-back) de informação do out-put dos seus módulos, passamos a possuir um sistema de MRPII. A denominação de MRPII surge exactamente para reflectir a ideia de que cada vez existem mais áreas da empresa envolvidas no sistema. Disciplina de Gestão de Operações V-15

16 O MRPII é basicamente uma expansão do MRP que inclui outras funções do sistema produtivo. Poder-se-á referir que um dos objectivos iniciais de um sistema deste tipo, consiste em planear e controlar todos os recursos de uma empresa industrial - produção, marketing, finanças e engenharia - através de um sistema fechado, capaz de gerar um conjunto de informação numérica. Por outro lado, um sistema como o MRPII pretende poder simular o sistema de produção na sua globalidade, podendo planear e testar estratégias a serem tomadas. A utilização deste sistema estende-se a áreas como sejam as compras, o marketing, a produção, as finanças. O MRPII caracteriza-se por possuir um conjunto adicional de informação sobre o sistema de fabrico: Ao nível do Plano Mestre de Produção capacidades disponíveis de mão-de-obra e de equipamentos. Ao nível de cada estrutura de produto mão-de-obra necessária equipamento necessário tempos necessários quantidades necessárias Assim o MRPII consegue obter um plano de produção que tem em consideração as capacidades reais da empresa e adopta-o através de um sistema interactivo. O das Necessidades de Capacidades (CRP) é feito internamente ao sistema e na avaliação das necessidades de materiais, serão analisadas não só os materiais mas ainda os recursos em termos mão-de-obra, ferramentas ou ainda outras facilidades que serão necessárias. Disciplina de Gestão de Operações V-16

17 Estratégico Previsões Encomendas de clientes O que é que...se...? agregado da produção Plano director de produção (MPS) de recursos (capacidade) Esboço de planeamento de capacidades (RCCP) Lista de materiais B.D. Produção Registo de stocks de materiais (MRP) de necessidades de capacidades (CRP) Não Plano realista? Sim Controlo de Actividades de Produção lançamento... controlo de input/output Compras Feed-back das operações Neste fluxograma está representado o funcionamento de um sistema de MRPII, sendo possível observar a localização dos vários módulos na globalidade sistema RCCP - Rough Cut Capacity Planning A sua função é ajudar o utilizador a determinar, com base num determinado período de tempo, quais serão os recursos críticos que estarão a cima ou a baixo das capacidades face a um determinado plano de produção. Estas capacidades são determinadas em termos de médio-longo prazo para um dado plano de produção. Os recursos críticos são aqueles que poderão dar origem a constrangimentos no fluxo de produção. Este módulo permite uma análise rápida para indicar se o Plano Mestre de Produção (MPS) é exequível em face da capacidade existente. Permite ainda analisar várias alternativas a serem propostas na revisão do MPS. O MPS é validado interactivamente através do RCCP até se alcançar o balanço de acordo com as capacidades existentes. Disciplina de Gestão de Operações V-17

18 MPS RCCP Não O.K. Sim MPS MRP 4.2. CRP - das Necessidades de Capacidade O módulo de CRP 4 é utilizado para o planeamento das capacidades a médio curto prazo. O seu objectivo consiste em ajudar o utilizador a determinar quais as capacidades que serão necessárias em cada estação de trabalho para alcançar o MPS. O CRP converte o out-put do MRP em cargas nos diferentes tipos de recursos. O MRP só por si gera um planeamento de materiais ignorando os constrangimentos em termos de capacidades. Assim o CRP, convertendo o out-put do MRP (i.e. as várias ordens planeadas) em ordens de trabalho, identifica Que, Quanto e Quando é que a capacidade será requerida, ao nível de cada centro de trabalho, para alcançar o MPS requerido. Um sistema de MRP com um módulo de CRP permite refazer a programação, sempre que for necessário, de forma a nivelar a capacidade. Este módulo de CRP traduz todas as ordens existentes em horas de trabalho por cada operação/centro de trabalho/fase do processo. O output do CRP será um conjunto de informação (habitualmente na forma gráfica) que representa a carga actual e a planeada, num determinado período de tempo. MPS Recursos O.K Sim Não MRP CRP O.K. Não Sim Controlo O ficinal 4 Denominado em Português por das Necessidades de Capacidades. Disciplina de Gestão de Operações V-18

19 A capacidade produtiva é habitualmente uma determinada quantidade finita e obviamente tem o seu limite. Por este facto, o CRP permite identificar as situações de sub e sobre-carga, através do perfil que é gerado para cada estação de trabalho. Carga (unidades por período) Obras em curso Obras firmes planeadas Ecomendas previstas Período de tempo Estimativa da capacidade instalada: Nível de utilização da capacidade: (nº de máquinas) x (horas máquina) x (percentagem de utilização) x ( eficiência do sistema) (Requerida / Disponível) x 100 Conversão das quantidades necessárias e horas máquina e horas homen necessárias. A informação que servirá de base para todo o funcionamento do módulo de CRP consiste na informação contida nas Fichas de Trabalho, i.e. onde está indicado para onde se deve enviar um trabalho específico, as operações que estão envolvidas, tempos de set-up e tempos de execução para cada peça. Em oposição ao RCCP, o módulo de CRP funciona mais como um elemento de verificação que permite definir uma capacidade finita do nosso sistema. 5. Avaliação e Instalação de um Sistema de MRP Alguns Aspectos Práticos sobre a sua Avaliação Fonte: Baseado em Peter L.Primorose; Investment in Manufacturing Technology; Chapman & Hall; Londres (1991) Ao nível das empresas industriais poderá existir a visão de que os sistemas informáticos, como um sistema de MRP/MRPII, são de algum modo diferentes e não podem ser avaliados em termos de investimento como se avalia uma máquina-ferramenta. Algumas das consequências que podem resultar de uma atitude menos cuidada na avaliação deste investimento são as seguintes: Afastar o apoio dos gestores por não se conseguir identificar os benefícios que poderão resultar do uso dum sistema de MRP. Um sistema pode requerer gastos maiores antes de se conseguir qualquer retorno no investimento, mas a ausência de objectivos faz com que seja difícil acompanhar o progresso do projecto de uma forma que seja compreendida pelos gestores (i.e. custos, benefícios e retorno do investimento). Disciplina de Gestão de Operações V-19

20 Sem objectivos financeiros o tipo de sistema seleccionado e a escala de tempo para implementação é decidida por meios subjectivos. Este problema resulta normalmente da falta de experiência na empresa. A introdução de um sistema de MRP representa um compromisso a longo prazo, com o processo de implementação a se estender normalmente por vários anos. Sem definir objectivos financeiros, qualquer interrupção acusada por falhas algures na empresa pode ser associado ao MRPII. Na ausência da justificação financeira, com a decisão para investir a ser feita pelo líder de projecto que está convencido de que é essencial, faz com que o MRPII esteja vulnerável a mudanças de gestão ou reapreciação de novas prioridades. A introdução dum sistema de MRPII pode ser decidido por questões do que é moda` fazer. Como resultado, existe o perigo de se a vantagem financeira não ter sido estimada, o projecto poder ser abandonado se as modas mudarem. Empresas que poderiam alcançar benefícios significativos do sistema de MRPII, podem falhar na sua implementação devido aos elevados custos que estão envolvidos e à incapacidade de demonstrar que o sistema poderá ser lucrativo. Pode-se ainda acrescentar aos benefícios associados a um sistema de MRPII os seguintes: Fonte: Baseado em Peter L.Primorose; Investment in Manufacturing Technology; Chapman & Hall; Londres (1991) Redução do trabalho baseado em registos escritos, reduzindo a quantidade de papel utilizado. Redução das interrupções do processo produtivo. Maior controlo do nível de stocks. Prazos de entrega dos produtos mais curtos e mais fiáveis. Aumento da capacidade de fornecer os clientes com as especificações requeridas para o produto Custos de Instalação Quanto aos Custos é importante realçar os mais relevantes de acordo com as várias etapas do processo de implementação: Fonte: Baseado em Peter L.Primorose; Investment in Manufacturing Technology; Chapman & Hall; Londres (1991) Instalação e Custos de Arranque Hardware. Instalação dos meios informáticos incluindo as alterações nos edifícios. Aquisição de Software. Custos internos para costumização do software adquirido. Custos externos para costumização do software adquirido. Desenvolvimento de software na própria empresa. Custos de consultoria para apoiar na selecção e instalação do sistema. Disciplina de Gestão de Operações V-20

21 Custos da equipa de projecto para selecção do sistema. Acções de formação para os efectivos da empresa, como sejam os gestores que necessitam de compreender como o sistema funciona. Formação e treino dos efectivos que irão trabalhar directamente com o sistema. Custo de efectivos que temporariamente estão em tarefas de introduzir dados ou a funcionar com o sistema. Horas extraordinárias ou duplicação de turnos para os efectivos existentes que introduzam data ou funcionem com o sistema. Custo dos efectivos que temporariamente estão a fazer verificação ou ajustamentos dos níveis de stocks. Horas extraordinárias ou duplicação de turnos para os efectivos existentes que estejam a fazer a verificação ou ajustamentos nos níveis de stocks. Custos das interrupções da produção durante a implementação, incluindo a perca de vendas. Custo de subcontratação ou de horas extras para evitar as paragens de produção durante a implementação. Custos de gastos supérfluos. Custos de Funcionamento Compra por aluguer de hardware e software. Contactos de manutenção de hardware e software. Seguros. Custos de operacionalidade, i.e. electricidade. Consumíveis. Expansão de hardware. Actualizações de software. Gestão do sistema. Efectivos para apoio informático. Educação e formação corrente para novos utilizadores. Efectivos adicionais para tarefas de introdução de dados. Execução de um trabalho de verificação dos níveis de stock. Actualização de conhecimentos dos utilizadores. Custos por horas extraordinárias ou pelos turnos realizados pelos operadores do sistema informático. Concentração na implementação do sistema pode evitar que outras melhorias possam ser planeadas e realizadas Etapas dum Processo Instalação O período de tempo médio para a instalação de um sistema de MRP varia bastante, no entanto podermos dizer que o seu valor médio é de 18 a 24 meses. Disciplina de Gestão de Operações V-21

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