Centro de Saúde Escola

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1 Centro de Saúde Escola No plano de gestão de nossa Diretoria, apresentamos à comunidade acadêmica nossa disposição em trabalhar pela consolidação do Centro de saúde Escola (CSE) enquanto Unidade Auxiliar da UNESP. Com o forte propósito de discutir e traçar um plano de metas para o CSE, incentivamos a atual coordenação da Unidade, Professoras Janete Pessuto Simonetti e Maria Dionísia do Amaral Dias, a desenhar uma oficina com a participação de todos os servidores do CSE, assim como membros da FMB, da Secretaria de Estado da Saúde (SES), da Secretaria de Município da Saúde (SMS) e também representante da comissão da UNESP que avalia as Unidades Auxiliares da UNESP. A Prof. Janete abriu as discussões apresentando como está estruturado o CSE hoje. A Enfermeira Daniela Cristina da Silva (Gerente Técnica da Fundação UNI) mostrou como está estruturado o sistema de saúde do Município de Botucatu. O representante da SES, Dr. Arnaldo Sala fez um excelente histórico do papel dos CSEs no Estado e nos mostrou a visão da SES sobre os centros de saúde escolas na atualidade. O Prof. Dr. Cassio Maia, professor da UNESP, representando a Pró-Reitora de Extensão, falou sobre o papel das Unidades Auxiliares da UNESP e o Prof. Dr. João Terra Filho, professor da FMRP-USP, nos contou como transformou o CSE da FMRP-USP e que medidas foram responsáveis para o sucesso do mesmo. Em seguida, aconteceram mais três períodos de trabalhos em grupos, que resultaram nas definições da missão e metas do CSE. O que descreveremos a seguir tem relação com os motivos que nos levaram a esta proposta.

2 Dados históricos Os centros de saúde escola ligados aos cursos de Medicina surgiram na década de 70, apoiados na idéia de levar os alunos para fora dos muros da Universidade. O Departamento de Saúde Pública, que já tinha a filosofia de aproximar o alunado da comunidade, levando-o aos municípios vizinhos de Itatinga e Óleo, criou o CSE. Desde a sua criação, o CSE muito colaborou não só com o ensino de Graduação e pós-graduação em Medicina, Enfermagem e Nutrição, mas também com a Saúde da população botucatuense. Mas, como o tempo que é o senhor de todas as coisas não para, muitas mudanças aconteceram na saúde pública desde a criação do CSE, assim como também aconteceram mudanças no ensino médico, na própria estrutura da FMB e no atendimento à saúde no nosso município. A FCMBB, que albergava o CSE, passou por profunda mudança quando da criação da UNESP, quando nos tornamos a FMB, uma Unidade Universitária da UNESP. O SUS, que nasceu em época semelhante ao CSE, com a filosofia da equidade e ampla abertura para a saúde integral do povo brasileiro, desencadeou em todos os níveis profundas mudanças na atenção à saúde brasileira, trazendo conceitos do escalonamento da assistência à saúde, com o sistema baseado em unidades básicas de saúde (UBSs), hospitais menos complexos (secundários) e hospitais terciários. Para não falar da estruturação das DRSs, das RAS e do papel dos Hospitais Universitários, enquanto base para atendimento SUS. O Governo, recentemente, cria e incentiva o Programa de Saúde da Família. Olhando para a FMB percebemos mudanças intensas no ensino, na tentativa de nos alinharmos com as diretrizes curriculares do MEC e de responder aos editais do Governo Federal, que impulsionam para o ensino na comunidade. Iniciativas como o Pró-

3 Med, Pró-Saúde, Pet-Saúde e outras, motivadoras e facilitadoras da criação da disciplina IUSC fizeram com que os alunos da Medicina e Enfermagem se aproximassem desde o início do curso dos indivíduos e dos problemas do meio em que vivem, descobrindo fatores que interferem no binômio saúde-doença, agora não só dentro do CSE, mas em toda a rede de saúde do Município de Botucatu. Outra iniciativa do Governo foi a criação dos AMEs (ambulatórios médicos de especialidade), que em breve também estará em atividade em nosso município e que deve interferir no que hoje se pratica no CSE. E, mais recentemente, o programa Mais Médicos do governo federal, cujo reflexo em nosso entorno ainda não temos como avaliar. Com a inúmeras mudanças que ocorreram nestes anos todos, há como que uma superposição de papéis entre UBSs, Programa de Saúde da Família, AMEs...e o ideário do CSE. O CSE hoje e seus desafios Desde 2007, o CSE se transformou numa Unidade Auxiliar da UNESP. Esta transformação foi apenas formal, já que nada mudou desde então. Não há como negar que está instalada uma crise de importância para os centros de saúde escolas, não só o de Botucatu, mas todos os demais, pelo redirecionamento do Estado para as múltiplas políticas que aplica, inclusive com a municipalização da saúde. O problema crucial que o CSE enfrenta é a falta de recursos humanos. Há muitos anos estamos delapidando os recursos humanos que atuam no CSE, muito por conta das aposentadorias que acontecem ou por perda de profissionais para o mercado de trabalho da saúde, que se encontra aquecido.

4 Há alguns anos, a SMS nos integrou na rede de assistência à saúde do Município e financia parte dos recursos humanos que atuam no CSE. Durante muitos anos fornecemos treinamentos para a SES, com o intuito de formar recursos humanos para a Atenção Básica e éramos ressarcidos por esta atividade, o que deixou de existir nos últimos anos O CSE está integrado na política da UNESP, participando de editais, cadastrando projetos de extensão junto à PROEX e também requerendo verbas do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) para angariar mais recursos, algumas ações que até já se concretizaram, mas não resolvem o problema. Esta diretoria tem estimulado fortemente os chefes de Departamento a participarem mais do CSE, levando seus alunos e participando do atendimento. Estivemos na DRS e na SES divulgando o CSE e oferecendo nossos serviços em treinamentos, no sentido de melhorar o custeio do CSE. Procuramos a SMS, no que fomos sempre atendidos, reflexo do reconhecimento do papel do CSE na atenção básica. No entanto, a composição de orçamentos que constitui a receita do CSE é insuficiente, reforçando o papel fundamental da oficina, na medida desperta a discussão do papel atual do CSE. Há que se ressaltar que o CSE, que tem um histórico muito positivo no terreno da assistência, ensino e pesquisa, sempre esteve afrente de seu próprio tempo. A missão que foi delineada pelos participantes da oficina O CSE, Unidade Auxiliar da FMB/UNESP, tem como missão ser modelo de promoção da atenção primária à saúde de acordo com os princípios e diretrizes do SUS, integrado ao mesmo, atuando como centro formador de profissionais da saúde, por meio do ensino, pesquisa, extensão e desenvolvimento de tecnologias inovadoras,

5 mostrou que, a vocação do CSE está fortemente voltada para a assistência de qualidade, com um vetor que o diferencia das outras UBSs. Há capacidade instalada para trabalhar tecnologias inovadoras, como um celeiro de idéias e difusão de conhecimentos. Saímos todos revitalizados para aplicar as novas metas traçadas pelos atores da oficina. Gostaríamos, eu e o Prof. Peraçoli, de registrar o nosso entusiasmo pelas novas oportunidades que foram apresentadas. Agradecemos ao GTDRH, em especial à Senhora Sandra Aparecida Andrades da Silva e Jurema Vieira de Souza Leite pelo delineamento e condução da oficina. Neste momento, nos comprometemos com a nossa comunidade por trabalhar em conjunto com o CSE, pelo que se fizer necessário para alinhar as metas da oficina com as da SMS, com o que se espera de uma Unidade Auxiliar da UNESP e com o que a FMB precisa para o seu alunado e professores. Silvana e Peraçoli

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