CURSO DISCIPLINA PROFESSOR

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1 CURSO EDUCAÇÃO E GESTÃO AMBIENTAL DISCIPLINA AUDITORIA AMBIENTAL PROFESSOR DJALMA GONÇALVES RAMIRES

2 AUDITORIA AMBIENTAL Breve retrospectiva do desenvolvimento das atividades de auditoria no Brasil 1 Álvaro Ricardino I ; L. Nelson Carvalho II I Professor Doutor do Curso de Mestrado do Centro Universitário Santo André - SP II Professor Doutor do Depto. de Contabilidade e Atuária da FEA-USP - Campus Capital RESUMO É difícil determinar a exata data em que foi procedido o primeiro trabalho de Auditoria no Brasil, mas, há exatamente um século, o balanço da São Paulo Tramway Light & Power Co., relativo ao período compreendido entre junho de 1899 e 31 de dezembro de 1902, foi certificado pela empresa canadense de Auditoria Clarkson & Cross - atualmente Ernst & Young. Este artigo procura recuperar a memória desse período, basicamente sob três ângulos: técnicooperacional, acadêmico e legal.em termos operacionais, a primeira empresa de Auditoria Independente a se estabelecer no Brasil foi a DeloitteToucheTohmatsu, que instalou seu primeiro escritório no Rio de Janeiro, em 1911, e o segundo em Recife, em Àquela época, o país estava longe de ter qualquer tipo de preocupação com o assunto. Um dos primeiros artigos sobre esse tema foi publicado, em 1928, pela Revista Paulista de Contabilidade, com o título "Contabilidade na Grã-bretanha". O primeiro livro sobre Auditoria foi publicado apenas em 1957 e denominado "Curso de Auditoria". No que se refere ao aspecto legal, os conceitos e técnicas de auditoria foram formalmente introduzidos no ensino universitário por força do Decreto-Lei 7.988, de 22 de dezembro de 1945, o qual regulamentava a educação superior nos cursos de Economia, Contabilidade e Ciências Atuariais. Ainda no âmbito das leis, somente em 1965, pela primeira vez, foi introduzida afigura do Auditor Independente em um diploma legal. Esse foi um 2

3 marco de enorme importância para a evolução da profissão e das práticas contábeis. Desde então, tanto as práticas de Auditoria quanto seu ensino acadêmico se consolidaram no país, de forma a atender seu principal objetivo: opinar a respeito da adequação das demonstrações contábeis publicadas, no que diz respeito aos seus aspectos mais relevantes. 3

4 HISTÓRICO FACULDADE DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS E DE ADMINISTRAÇÃO DO VALE DO JURUENA A auditoria ambiental surgiu nos Estados Unidos no final da década de 70, com o objetivo principal de verificar o cumprimento da legislação. Ela era vista pelas empresas norte-americanas como uma ferramenta de gerenciamento utilizada para identificar, de forma antecipada, os problemas provocados por suas operações. Essas empresas consideravam a auditoria ambiental como um meio de minimizar os custos envolvidos com reparos, reorganizações, saúde e reivindicações. Muitas empresas aplicavam, também, a auditoria para se prepararem para inspeções da Environmental Protection Agency - EPA e para melhorar suas relações com aquele órgão governamental. Na Europa, a auditoria ambiental começou a ser utilizada na Holanda, em 1985, em filiais de empresas norte-americanas, por influência de suas matrizes. Em seguida, em outros países da Europa, a prática da auditoria passou a ser disseminada em países como Reino Unido, Noruega e Suécia, também por influência de matrizes americanas. É na Europa, em 1992, no Reino Unido, que surgiu a primeira norma de sistema de gestão ambiental, a BS 7750 (BSI, 1994), baseada na BS 5770 de Sistema de Gestão da Qualidade, onde a auditoria ambiental encontra-se ali normalizada. Na seqüência, outros países, como, por exemplo, França e Espanha, também apresentam suas normas de sistema de gestão ambiental e de auditoria ambiental. Em 1993, começou a ser discutido o Regulamento da Comunidade Econômica Européia - CEE no 1.836/93, em vigor a partir de 10 de abril de 1995, que trata do sistema de gestão e auditoria ambiental da União Européia (Environmental Management and Auditing Scheme - Emas). HISTÓRICO NO BRASIL No Brasil, a auditoria ambiental surgiu, pela primeira vez, por meio da legislação, no início da década de 90, quando da publicação de diplomas legais sobre o tema, citados a seguir: Lei no 790, de 5/11/91, do Município de Santos-SP; Lei no 1.898, de 16/11/91, do Estado do Rio de Janeiro; 4

5 Lei no , de 16/1/92, do Estado de Minas Gerais; Lei no 4.802, de 2/8/93, do Estado do Espírito Santo; Projeto de Lei Federal no 3.160, de 26/8/92; CONCEITO A auditoria ambiental consiste em processo sistemático de inspeção, análise e avaliação das condições gerais ou especificas de uma determinada empresa em relação a fontes de poluição, eficiência dos sistemas de controle de poluentes, riscos ambientais, legislação ambiental, relacionamento da empresa com a comunidade e órgão de controle, ou ainda do desempenho ambiental da empresa. OBJETIVO A auditoria ambiental consiste em processo sistemático de inspeção, análise e avaliação das condições gerais ou especificas de uma determinada empresa em relação a fontes de poluição, eficiência dos sistemas de controle de poluentes, riscos ambientais, legislação ambiental, relacionamento da empresa com a comunidade e órgão de controle, ou ainda do desempenho ambiental da empresa. A auditoria fornece recomendações de ações emergenciais, de curto, médio e longo prazo que deverão ser tomadas para proporcionar a melhoria ambiental da empresa. De forma sucinta, pode-se dizer que a auditoria ambiental compara resultados com expectativas ambientais. NBR ISO (ABNT 1996c) auditoria ambiental é o processo sistemático e documentado de verificação, executado para obter e avaliar, de forma objetiva, evidências de auditoria para determinar se as atividades, eventos, sistema de gestão e condições ambientais especificados ou as informações relacionadas a estes estão em conformidade com os critérios de auditoria, e para comunicar os resultados deste processo ao cliente. 5

6 TIPOS DE AUDITORIAS AMBIENTAIS Para empreendimento habitacional A auditoria interna, executada pelos moradores, por meio de uma associação representativa e, se necessário por auditores independentes contratados, tem seus resultados (conclusão da auditoria) de uso interno ou condominial. A auditoria externa é realizada, necessariamente, por auditores independentes externos à organização, sendo seus resultados avaliados por terceiros, como organização de certificação, e seu uso deve ser atinente ao Poder Público, por meio de órgãos responsáveis por políticas habitacionais e/ou ambientais, e mesmo disponibilizados para consulta pública, principalmente no caso de determinadas leis. Auditoria dos impactos ambientais: Onde é feita uma avaliação dos impactos ambientais no ar, água,solo e comunidade de uma determinada unidade industrial ou de um determinado processo com objetivo de fornecer subsídios para ações de controle da poluição, visando a minimização destes impactos. Auditoria dos riscos ambientais: Onde é feita uma avaliação dos riscos ambientais reais ou potenciais de uma fábrica ou de um processo industrial especifico. Auditoria da legislação ambiental: Onde é feita uma avaliação da situação ambiental de uma determinada fábrica ou organização em relação ao cumprimento da legislação vigente. AUDITORIA DE SISTEMAS DE GESTÃO AMBIENTAL: É uma avaliação sistemática para determinar se o sistema da gestão ambiental e o desempenho ambiental de uma empresa está de acordo com sua política 6

7 ambiental, e se o sistema esta efetivamente implantado e adequado para atender aos objetivos ambientais da organização. A auditoria de sistema de gestão é uma ferramenta de gestão, compreendendo uma avaliação sistemática, documentada, periódica e objetiva sobre como os equipamentos, gestão e organização ambiental estão desempenhando o objetivo de ajudar a proteger o meio ambiente. A maioria das auditorias ambientais é uma combinação de uma e outra forma de auditoria. Contudo, o objetivo principal de qualquer auditoria ambiental e a realização de um diagnóstico da situação atual para verificar o que está faltando e promover ações futuras que tragam a melhora do desempenho ambiental da empresa. ESTRUTURA DE AUDITORIA Auditor - Pessoa com competência para realizar uma auditoria. Cliente da Auditoria - Organização ou pessoa que solicita uma auditoria. Auditado - Organização que está sendo auditada. Constatação de Auditoria - Resultados da avaliação de evidências de auditoria coletada e comparada com os critérios de auditoria. Evidência de Auditoria - Registros, apresentação de fatos ou outras informações pertinentes aos critérios de auditoria, e verificáveis. Critério de auditoria - Conjunto de políticas, procedimentos ou requisitos. NBR ISO O PDCA pode ser brevemente descrito como 7

8 Planejar Estabelecer os objetivos e processos necessários para atingir os resultados em concordância como a política ambiental da organização. Executar Implementar os processos Verificar Monitorar e medir os processos em conformidade com a política ambiental, objetivos, metas, requisitos legais e outros, e relatar os resultados. Agir Agir para continuamente melhorar o desempenho do sistema de gestão ambiental PODEMOS ORGANIZAR AS AUDITORIAS EM Planejamento Organização da auditoria como recurso de preparação Forma de realização inicial(condução) Produção de documento de auditoria Área que receberá auditoria Avaliação da auditoria Análise da auditoria (reunião e definições da questão final da auditoria) QUALITIFCAÇÃO TÉCNICA Formação acadêmica, superior ou técnica, apropriada à atividade, produto ou serviço associado ao sistema de gestão. Registros profissionais e/ou outros requisitos exigidos pela organização ou entidade auditora (por exemplo, CREA, CRA etc). Formação específica em técnicas e mecanismos de auditoria e/ou certificação como auditor por entidade específica ou conforme a necessidade. Conhecimento de estilos, tipos e fundamentos de gerenciamento utilizados. Conhecimento e aplicação de um código de ética ou outras diretrizes específicas. Conhecimento de disciplinas contábeis e sistemas de custeio 8

9 Conhecimento de técnicas de planejamento e investigação e resolução de problemas. Experiência em todas as etapas do processo de auditoria. Conhecimento de técnicas estatísticas de uma maneira geral, particularizada para cada sistema de gestão. Conhecimento da cultura da organização, o que abrange as suas estratégias de negócios, seus hábitos, comportamentos, atitudes e crenças, particularmente o tratamento dado ao conflito entre o compromisso com a melhoria contínua o real interesse, necessidade e/ou a exequibilidade de melhoria. Conhecimento da teoria da crise gerencial e de sua inter-relação com o intercruzamento de fatores como custos, comprometimento, estrutura e disciplina organizacional, contingências, paradigmas, poder, status, comunicação, tempo e recursos. Conhecimento e capacidade de discernimento para verificar a consistência entre a política, os objetivos, as metas e o conteúdo do programa documental que constitui os sistema. Conhecimento das normas aplicáveis ao sistema de gestão da qualidade (ISO 9001, por exemplo), bem como outras normas pertinentes (ASTM, SAE, JIS, DIN, ABNT e etc). Conhecimento de técnicas específicas de custeio da qualidade. Conhecimento de técnicas estatísticas aplicáveis a inspeções por amostragem, projetos de experimentos, confiabilidade, controle estatístico de processo e outros tópicos aplicáveis da estatística descritiva e inferencial. 9

10 Certificações de engenheiro da qualidade, auditor da qualidade, engenheiro da confiabilidade, gestor da qualidade e outras que possam ser necessárias, dependendo da organização ou entidade auditora. Conhecimento de técnicas de gerenciamento de projetos (PERT e CPM, por exemplo) e ferramentas preventivas de projeto (FMEA e FMECA, por exemplo). Conhecimento de legislação associada a requisitos específicos da qualidade e aplicáveis à atividade, produto ou serviço submetido à auditoria. Conhecimento de técnicas modernas destinadas à melhoria da produtividade, tais como Kan Ban, JIST e TPM dentre outras. Conhecimento da ciência da ergonomia e da engenharia de fatores humanos, particularmente da avaliação da habilidade de vigilância humana em condições de "stress" variável, de cansaço face a situações de tarefas simplórias e repetitivas, bem como dos efeitos das condições ambientais de ruído, vibração, odor, poeira, temperatura e outras. Conhecimento e capacitação para interpretar análises de risco e/ou de situações de perigo no campo da segurança e da saúde ocupacional, com ou sem a inclusão de avaliação probabilística e de criticidade formais Conhecimento e capacitação para interpretar a legislação, os regulamentos, as normas e/ou os acordos formais aos quais a organização auditada se subscreve ou deve se submeter no campo da segurança e da saúde ocupacional. Conhecimento para avaliar fatores econômicos que impactam recursos, ganhos e perdas realizadas pelo sistema. Conhecimento e capacitação para verificar os meios tecnológicos e os resultados de medição da saúde e de proteção da integridade ser humano, do meio ambiente próximo e das instalações, bem como para avaliar os efeitos 10

11 ambientais e de níveis operacionais, inclusive de tempo de trabalho e de exposição, sobre a saúde e sobre a integridade física do ser humano e das instalações. Conhecimento e capacidade de conduta para limitar o reporte da auditoria no nível da organização caso seja detectada desobediência à legislação, regulamentos, normas ou acordos, mantendo ou cancelando a auditoria de acordo com as prescrições de normas que regem o desempenho da auditoria em curso. Boas maneiras para se dirigir às pessoas e expor suas idéias, afinal o auditor está conduzindo a auditoria na "casa do auditado". Integridade, tratando as informações com a devida confidencialidade e respeitando o auditado e habilidade para comunicação verbal, escrita e física, bem como para perceber e entender o contexto dentro do qual a auditoria está sendo conduzida. Habilidade para saber ouvir, com paciência e real interesse, e para se expressar demostrando confiança, segurança e conhecimento e humildade, para aprender junto com o auditado conhecimentos técnicos e experiência no trato das pessoas. Independência de idéias e de espírito, isento de paradigmas e pré-julgamentos que possam comprometer a imparcialidade do auditor, sendo capaz de distinguir entre asserção e avaliação. Organização na forma de questionar, utilizar os documentos de trabalho e se comunicar com o auditado e liderança, se auditor líder, e capacidade de trabalhar em grupo, respeitando cada membro da equipe. Persistente, curioso e determinado na investigação e julgamento justo, habilidades analíticas e tenacidade, para (i) perceber situações de forma 11

12 realista; (ii) entender operações complexas a partir de uma perspectiva ampla; e (iii) compreender o papel de unidades individuais dentro de uma organização Capacidade de obter e avaliar evidência objetiva com justiça; de permanecer fiel ao propósito da auditoria; de avaliar os efeitos das conclusões da auditoria e das interações pessoais Dedicação e suporte ao processo de auditoria; reação efetiva em situações de pressão; conclusões geralmente aceitáveis; e fidelidade a uma conclusão 12

13 GLOSSÁRIO BS Norma de gestão ambiental no Reino Unido (Inglaterra) CEE Comunidade Economica Européia NBR Norma Brasileira de Regulamento ISO Sistema Internacional de Organização CREA - Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura CRA Conselho Regional de Arquitetura ASTM SAE JIS DIN PERT COM - FMEA - FMECA KAN BAN JIST TPM - 13

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