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1 ISO14001 ISO14001 ISO14001 ISO14001 ISO14001 ISO O Paradgma Cuidar do meio ambiente melhora a imagem da sua organização. Ao mesmo tempo, o controle apropriado das emissões ambientais contribui positivamente para o lucro econômico e aumento da competitividade da organização. A demonstração de um enfoque ambiental responsável está se tornando um critério essencial de compra. As organizações comprometidas com o meio ambiente preferem fazer negócios com empresas que funcionem como elas, que possam demonstrar o seu compromisso através de padrões reconhecidos internacionalmente como a série ISO Benefícios para a sua organização A ISO é parte de uma série de Normas Internacionais desenvolvidas pela International Organization for Standardization (ISO) e que estabelecem diretrizes sobre a área de gestão ambiental dentro de empresas, aplicáveis a qualquer organização. Baseada no ciclo PDCA - Plan-Do-Check-Act, a ISO especifica os requisitos mais importantes para identificar, controlar e monitorar os aspectos do meio ambiente de qualquer organização, bem como, administrar e melhorar o processo de gestão ambiental. Alguns benefícios são: Melhoria na confiança de clientes, investidores e a comunidade em geral demonstrando compromisso; Melhoria no controle de custos através da conservação de matériasprimas e energia; Redução da possibilidade de multas por não cumprimento a requisitos legais, uma vez que estes são gerenciados para fins de seu completo atendimento; Redução do risco de incidentes cujo resultado é a confiabilidade e, conseqüentemente, a redução dos custos de apólices e seguros.

2 Histórico Os impactos ambientais gerados pelo desenvolvimento industrial e econômico do mundo atual constituem um grande problema para autoridades e organizações ambientais. No início da década de 90, a ISO viu a necessidade de se desenvolverem normas que falassem da questão ambiental e tivessem como intuito a padronização dos processos de empresas que utilizassem recursos tirados da natureza e/ou causassem algum dano ambiental decorrente de suas atividades. Comitê de criação No ano de 1993, a ISO reuniu diversos profissionais e criou um comitê, intitulado Comitê Técnico TC 207 que teria como objetivo desenvolver normas (série 14000) relacionadas à algumas áreas envolvidas com o meio ambiente. O cômite foi dividido em vários subcomitês, conforme descritos abaixo: Subcomitê 1: Desenvolveu uma norma relativa aos sistemas de gestão ambiental. Subcomitê 2: Desenvolveu normas relativas às auditorias na área de meio ambiente. Subcomitê 3: Desenvolveu normas relativas à rotulagem ambiental. Subcomitê 4: Desenvolveu normas relativas a avaliação do desempenho (performance) ambiental. Subcomitê 5: Desenvolveu normas relativas à análise durante a existência (análise de ciclo de vida). Subcomitê 6: Desenvolveu normas relativas a definições e conceitos. Subcomitê 7: Desenvolveu normas relativas à integração de aspectos ambientais no projeto e desenvolvimento de produtos. Subcomitê 8: Desenvolveu normas relativas à comunicação ambiental. Subcomitê 9: Desenvolveu normas relativas às mudanças climáticas.

3 Subcomitês de criação Subcomitê 1: Sistemas de gestão ambiental Este subcomitê desenvolveu a norma ISO que estabelece as diretrizes básicas para o desenvolvimento de um sistema que gerenciasse a questão ambiental dentro da empresa, ou seja, um sistema de gestão ambiental. É a mais conhecida entre todas as normas da série Estrutura da norma ISO Introdução Esta é primeira parte da norma onde é abordado o contexto histórico em que foi desenvolvida, ressaltando a necessidade das empresas estabelecerem parâmetros para a área ambiental. É falado sobre a estrutura e importância dos requisitos descritos nela. Alguns pontos fundamentais descritos: As auditorias e análises críticas ambientais, por si só, não oferecem evidência suficientes para garantir que a empresa está seguindo as determinações legais e sua própria política; O sistema de gestão ambiental deve interagir com outros sistemas de gestão da empresa; A norma se aplica a qualquer tipo de empresa, independente de suas características, cultura, local, etc.; A ISO tem como foco a proteção ao meio ambiente e a prevenção da poluição equilibrada com as necessidades sócioeconômicas do mundo atual; A norma tem vários princípios do sistema de gestão em comum com os princípios estabelecidos na série de normas ISO 9000; Escopo Esta área fala dos objetivos gerais da norma, tais como: Estabelecer a criação, manutenção e melhoria do sistema de gestão ambiental;

4 Verificar se a empresa está em conformidade (de acordo) com sua própria política ambiental e outras determinações legais; Permitir que a empresa demonstre isso para a sociedade; Permitir que a empresa possa solicitar uma certificação/registro do sistema de gestão ambiental, por um organismo certificador (empresa que emite o certificado) externo. Referências Normativas Aqui, consta a informação de que não existem referências para outras normas. Definições São especificados algumas definições para os seguintes termos utilizados na norma. São os seguintes: Melhoria contínua; Ambiente; Aspecto ambiental; Impacto ambiental; Sistema de gestão ambiental; Sistema de auditoria da gestão ambiental; Objetivo ambiental; Desempenho ambiental; Política ambiental; Meta ambiental; Parte interessada; Requisitos do Sistema de Gestão Ambiental Nesta área da norma são expostos todos os requisitos que a empresa deve seguir para implantar e manter o sistema de gestão ambiental. Ela está dividida da seguinte forma: Aspectos gerais; Política ambiental;

5 Planejamento; Implementação e operação; Verificação e ação corretiva; Análise crítica pela direção; Anexos. Subcomitê 2: Auditorias na área de meio ambiente No que diz respeito à execução de auditorias ambientais, este subcomitê desenvolveu três normas: ISO 14010, ISO e ISO 14012, em Em 2001, foi desenvolvida a ISO que foi revisada em No ano de 2002 foi criada a norma ISO que substituiu a 14010, 11 e 12. As normas citadas estabelecem: ISO 14010: os princípios gerais para execução das auditorias; ISO 14011: os procedimentos para o planejamento e execução de auditorias num sistema de gestão ambiental; ISO 14012: os critérios para qualificação de auditores (quem executa as auditorias). ISO 14015: as avaliações ambientais de localidades e organizações. ISO 19011: guias sobre auditorias da qualidade e do meio ambiente. Subcomitê 3: Rotulagem ambiental Rotulagem ambiental é a garantia de que um determinado produto é adequado ao uso que se propõe e apresenta menor impacto ambiental em relação aos produtos do concorrente disponíveis no mercado. É conhecida também pelo nome de Selo Verde, sendo utilizada em vários países como Japão, Alemanha, Suécia, Países Baixos e Canadá, mas com formas de abordagens e objetivos que diferem uma das outras. Para estabeler as diretrizes para a rotulagem ecológica, este subcomitê criou várias normas. São elas: ISO 14020: Estabelece os princípios básicos para os rótulos e declarações ambientais (criada em 1998 e revisada em 2002). ISO 14021: Estabelece as auto-declarações ambientais - Tipo II (criada em 1999 e revisada em 2004).

6 ISO 14024: Estabelece os princípios e procedimentos para o rótulo ambiental Tipo I (criada em 1999 e revisada em 2004). ISO TR 14025: Estabelece os princípios e procedimentos para o rótulo ambiental Tipo III (criada em 2001). No ano de 2003 foi iniciada a criação da ISO relativa ao Selo Verde Tipo III que poderá ser usada como empecilho para às exportações dos produtos de países que não estejam adequados e preparados. Subcomitê 4: Avaliação da performance ambiental Para estabelecer as diretrizes para um processo de avaliação da performance ambiental de sistemas de gestão ambiental, este subcomitê, criou as normas ISO em 1999 (revisada em 2004) e ISO também em As normas estabelecem e fornecem: ISO : Diretrizes para a avaliação do desempenho (performance) ambiental. Ela inclui ainda exemplos de indicadores ambientais. ISO 14032: Exemplos de avaliação do desempenho ambiental. Subcomitê 5: Análise durante a existência (análise de ciclo de vida) A análise do ciclo de vida, ou seja, durante a existência da empresa, é um processo criado com o intuito de avaliar os impactos ao meio ambiente e a saúde provocados por um determinado produto, processo, serviço ou outra atividade econômica. A análise abrange todo o ciclo de vida de um produto/processo/atividade aborda, por exemplo: a extração da matéria-prima; o processamento da matéria-prima; a produção; a distribuição; o uso;

7 o reuso (quando necessário); a manutenção; a reciclagem; a eliminação (disposição final). Para incentivar entidades oficiais e empresas privadas e públicas a abordarem os temas ambientais de forma integrada durante toda a sua existência, este subcomitê, criou diversas normas. São elas: ISO 14040: Estabelece as diretrizes e estrutura para a análise do ciclo de vida (criada em 1997). ISO 14041: Estabelece a definição do escopo e análise do inventário do ciclo de vida (criada em 1998). ISO 14042: Estabelece a avaliação do impacto do ciclo de vida (criada em 2000). ISO 14043: Estabelece a interpretação do ciclo de vida (criada também em 2000). ISO 14048: Estabelece o formato da apresentação de dados (criada em 2002). ISO TR 14047: Fornece exemplos para a aplicação da ISO (criada em 2003). ISO TR 14049: Fornece exemplos para a aplicação da ISO (criada em 2000). Com a finalidade de facilitar a aplicação, as normas 14040, 14041, e 14043, foram reunidas em apenas dois documentos (14041 e 14044). Subcomitê 6: Definições e conceitos Toda a terminologia utilizada em todas as normas citadas anteriormente (relativas à gestão ambiental) é definida na norma ISO 14050, publicada no ano de 1998, criada por este subcomitê. Foi feita uma revisão desta norma, conforme descrito abaixo: ISO Rev. 1: Publicada em 2002 e revisada em 2004.

8 Subcomitê 7: Integração de aspectos ambientais no projeto e desenvolvimento de produtos Este subcomitê estudou como o desenvolvimento de novos produtos interage com o ambiente. Foi criada a seguinte norma: ISO TR 14062: Estabelece a integração de aspectos ambientais no projeto e desenvolvimento de produtos (criada em 2002 e revisada em 2004). Nesta norma foi criado o conceito de ecodesign. Este, oferece inúmeros benefícios as empresas que o utilizam, tais como: Os custos são reduzidos; O desempenho ambiental é melhorado; A inovação é estimulada; São criadas novas oportunidades de mercado; A qualidade do produto é melhorada como um todo. Subcomitê 8: Comunicação ambiental Este subcomitê desenvolveu duas normas relativas à comunicação ambiental. São elas: ISO/TC 207/WG 4: Estabelece diretrizes e exemplos para a comunicação ambiental. ISO 14063: Estabelece o que foi definido sobre comunicação ambiental (criada em 2006). Subcomitê 9: Mudanças climáticas Este subcomitê desenvolveu normas relativas as mudanças climáticas na Terra. Estas, em grande parte, são provocadas por impactos ambientais gerados pelo homem. As normas são: ISO/TC 207/WG 5: Estabelece a medição, comunicação e verificação de emissões de gases do efeito estufa, a nível de entidades e projetos. ISO/TC Parte 1: Relativa aos gases do efeito estufa, diz respeito a especificação para a quantificação, monitoramento e comunicação de emissões e absorção por entidades. ISO/TC Parte 2: Relativa aos gases estufa, diz respeito a especificação para a quantificação, monitoramento e comunicação de emissões e absorção de projetos.

9 ISO/TC Parte 3: Relativa aos gases estufa, diz respeito a especificação e diretrizes para validação, verificação e certificação. ISO/TC 207/WG 6: Estabelece a acreditação. ISO 14065: Relativa aos gases estufa, diz respeito aos requisitos para validação e verificação de organismos para uso em acreditação ou outras formas de reconhecimento. Todas estas normas foram publicadas em Resultados da série ISO Os certificados de gestão ambiental da série ISO atestam a responsabilidade ambiental no desenvolvimento das atividades de uma organização. Para a obtenção e manutenção do certificado ISO 14000, a organização tem que se submeter a auditorias: inicial e periódicas, realizadas por uma empresa certificadora, credenciada e reconhecida pelos organismos nacionais e internacionais. Nas auditorias são verificados o cumprimento de requisitos como: Cumprimento da legislação ambiental; Diagnóstico atualizado dos aspectos e impactos ambientais de cada atividade; Procedimentos padrões e planos de ação para eliminar ou diminuir os impactos ambientais sobre os aspectos ambientais; Pessoal devidamente treinado e qualificado. Entretanto, apesar do fato de que as empresas estejam procurando se adequarem, a degradação ao ambiente continua em ritmo crescente. Apenas um número pequeno de empresas busca a sustentabilidade e as melhorias conseguidas são pequenas diante da demanda crescente por produtos e serviços, originadas do desenvolvimento econômico. Segundo o relatório Planeta Vivo, desenvolvido pela organização WWF em 2002, a humanidade consome cerca de 20% mais recursos naturais do que a Terra é capaz de repor sozinha.

10 A alma da ISO é a identificação de aspectos e impactos ambientais e a elaboração de um programa para reduzir esses impactos, através de controles, metas e monitoramento a organização começa a reduzir ou eliminar seus impactos ambientais. Grandes negócios como o setor automotivo, petroquímico e atualmente a produção de linha branca estão exigindo a certificação de seus fornecedores e tudo indica que em médio prazo essa norma será critério para a maioria dos clientes na compra de produtos e serviços. A implantação da ISO ajuda a: Fortalecer a imagem e a participação no mercado; Reduzir incidentes que impliquem responsabilidade civil; Conservar matérias-primas e energia; Facilitar a obtenção de licenças e autorizações; Manter boas relações com a comunidade; Atender critérios de certificação do cliente, etc. A estrutura da ISO Meio Ambiente e da OSHAS Medicina e Segurança é a mesma, mais simples que a da ISO 9000 e mais objetiva, completamente baseada no PDCA Plan, Do, Check e Action: Requisitos gerais; Política; Planejamento (aspectos, requisitos, objetivos, metas e programas); Implementação e operação (estrutura, treinamento, comunicação, documentação, operação, emergências); Verificação e ação corretiva (monitoramento, medição, NC, AC e AP, registros, auditorias, análise crítica).

11 Resumo: O objetivo desse trabalho é esclarecer as principais questões problemáticas relativas aos sistemas da gestão ambiental estruturados segundo a norma ISO e como elas foram consideradas na nova versão que entrou em vigor a partir de Foram discutidas as principais críticas e demandas feitas à norma por diferentes partes interessadas, bem como, o processo conduzido no âmbito do Comitê Técnico 207 da ISO para efetuar a revisão da versão anterior, que é de Nesse processo foi dada atenção especial à consulta às partes interessadas e que constituem o núcleo das alterações feitas à versão anterior da norma. Ao discutir a revisão dessa norma, foram apresentadas as principais forças que levaram a criação de normas voluntárias sobre gestão, particularmente o sistema de comercio multilateral pós Rodada do Uruguai e os problemas relacionados com a harmonização das leis ambientais. O trabalho procurou também esclarecer diversos pontos controversos da norma anterior ou pontos mal compreendidos tanto no âmbito das empresas quanto da academia. 1. Introdução A implantação e operação de sistemas da gestão ambiental apoiados em normas da gestão ambiental já acumularam mais de uma década de experiência, se tomarmos como ponto inicial a BS 7750 de As normas ISO e 14004, ambas de 2004, foram adotadas em milhares de organizações no mundo todo, superando as expectativas iniciais. O artigo começa apresentando o contexto da normalização internacional enfatizando a sua relação com o comércio multilateral depois da Rodada do Uruguai. A seguir é feita uma descrição resumida do sistema de normas ISO e do Comitê Técnico encarregado de elaborá-las. Por último é feita uma análise das principais críticas às normas sobre Sistema da gestão Ambiental (SGA). Espera-se que as questões aqui debatidas contribuam para ampliar o conhecimento a respeito das normas da gestão ambiental, que ainda continuam sendo muito incompreendidas na academia e no próprio ambiente empresarial.

12 2. Normas Internacionais da Gestão O momento atual pode ser denominado de era da normalização internacional. Como todo período histórico tem algum evento importante que lhe dá nascimento, pode-se estabelecer o ano de 1979 quando a British Standard Institution (BSI) criou a norma de qualidade BS Vários países seguiram o exemplo da BSI tornando um problema para as exportadoras de um mesmo produto para diferentes países pelo custo adicional resultante da necessidade de atender normas diferentes. A presença de diferentes normas sobre um mesmo assunto cria problemas para a circulação de produtos e serviços em termos internacionais e é um dos modos de criar barreiras técnicas ao comércio. Por isso, não tardou muito para que a International Organization for Standardization (ISO) criasse o Comitê Técnico 176 para tratar desse assunto, resultando a série de normas sobre qualidade ISO Daí em diante a história se repete para outras questões, como as relacionadas com a gestão ambiental. A atividade de normalização internacional, que começa após a criação da International Electrotechnical Commission (IEC), no início do século XX, torna-se mais intensa com a criação da ISO em 1947, uma federação internacional formada por organismos de normalização internacionais. O objetivo da ISO é desenvolver a normalização e atividades relacionadas para facilitar as trocas de bens e serviços no mercado internacional e a cooperação entre os países nas esferas científicas, tecnológicas e produtivas. Historicamente, a ISO esteve direcionada para desenvolver normas técnicas como padrões sobre tamanhos de roscas e parafusos, sensibilidade de filmes fotográficos e formatos de folhas de papel. Até o no início da década de 1980 ela não havia se preocupado com normas de caráter gerencial, do tipo horizontal, aplicáveis a qualquer organização independente do seu porte ou setor de atividade. O movimento da ISO em relação à normalização de sistemas gerenciais, inicialmente na área da qualidade e depois meio ambiente, é notável porque marca uma alteração no foco organizacional mudando das normas técnicas da engenharia para normas que possuem grande impacto e implicações para a sociedade e políticas públicas.

13 Antes de atuar no campo das normas da gestão do meio ambiente, a ISO já havia se envolvido com essa área produzindo diversas normas técnicas relacionadas com a qualidade do ar, da água, do solo etc. (MORRISON et al, 2000).Esta guinada na concepção de normas foi viabilizada pelo enorme sucesso da ISO 9001 e a criação do conceito de certificação de sistemas da gestão, uma vez que tornou possível comprovar com uma auditoria de terceira parte, pois como mostra a companhia possui um sistema para gerenciar a qualidade dos seus processos produtivos e não exclusivamente o produto final (LALLY, 1998). Porém, o móvel dessa mudança encontra nas transformações que ocorrem no âmbito da sociedade e que podem ser analisadas segundo duas vertentes bem distintas em termos de propósitos, origens, componentes etc, mas que se interagem em diversos momentos do percurso. Uma dessas vertentes refere-se ao desertar de uma consciência socioambiental planetária, a outra, as transformações ocorridas no âmbito do comércio internacional, principalmente no sistema de comércio multilateral pós Rodada de Uruguai. 3. O Despertar dos Problemas Ambientais Planetários As tentativas de atuar sobre problemas ambientais em escala internacional datam do início do século XX, mas foi na Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente Humano, realizada em Estocolmo em 1972, que a questão ambiental tornou-se uma preocupação verdadeiramente global e integrada. O fato mais significativo dessa Conferência foi a busca de uma nova relação entre meio ambiente e desenvolvimento, cujos desdobramentos futuros geraram os conceitos concernentes ao desenvolvimento sustentável. A Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD), criada pela ONU em 1983, publicou em 1987, o relatório Nosso Futuro Comum, um importante documento sobre a busca do equilíbrio entre desenvolvimento e proteção do meio ambiente, no qual desenvolvimento sustentável é definido como aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade das gerações futuras atenderem às suas próprias necessidades (CMMAD, 1987, 46). Após a divulgação desse relatório, a ONU convocou a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD), que foi realizada no Rio de Janeiro em 1992, onde foram aprovados diversos documentos importantes como a Convenção sobre Mudanças Climáticas, sobre a Biodiversidade e a Agenda 21 (Planejamento com definições de

14 ações, objetivos, metas, meios e responsáveis relacionados à questão ambiental). Paralelamente a CNUMAD, foi realizado o Fórum Global das ONG s, de onde derivou dezenas de documentos sobre problemas planetários, dentre eles, a Carta da Terra. Esse Fórum mostrou ao mundo a importância das ONGs ambientalistas, algo que viria a se repetir em praticamente todos os eventos relacionados com meio ambiente em âmbito internacional, nacional ou local. Esses eventos e a emergência das ONG s continuam promovendo o crescimento da consciência ambiental em todo o mundo. Hoje a temática ambiental já é de domínio público e isso se deve em grande parte a essas organizações. Os empresários criaram suas ONG s para mostrar que estavam afinados com a busca de soluções para esses problemas, como o World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), The Global Environmental Management Initiative (GEMI), Coalition for Environmentally Responsible Economies (CERES), Compromisso Empresarial para a Reciclagem (CEMPRE) e tantas outras. Como resultado desse movimento em torno do desenvolvimento sustentável, as empresas, pelo menos as com maior potencial de degradação ambiental, passam a lidar com uma diversidade de partes interessadas. A legislação ambiental cresce em quantidade e complexidade. Surgem consumidores que levam em conta as características ambientais para selecionar produtos e serviços. Investidores começam a se preocupar com os passivos ambientais. Cuidar do meio ambiente melhora a reputação das empresas e favorece o seu desempenho financeiro e mercadológico, como observaram Miles e Covin (2000). A rapidez com que muitas empresas criaram departamentos e diretorias para lidar com questões ambientais foi em grande escala, para responder às demandas dessas e de outras partes interessadas. As questões ambientais interessam a todos e, conforme o conceito de desenvolvimento sustentável, todos significa os que vivem agora e os que ainda irão nascer. 4. O Sistema de Comércio Multilateral Outra vertente do movimento que pressiona por mudanças no comportamento das empresas em termos ambientais, relaciona-se com o comércio internacional, principalmente no sistema de comércio multilateral pós Rodada de Uruguai. Para muitos, essa é a principal força que move as empresas a se preocupar com o meio ambiente, pois fala mais de perto com as preocupações empresariais, por exemplo, expansão de mercado, competitividade, global sourcing, logística global, estratégia global etc.

15 Esse sistema se apóia nas doutrinas do livre comércio, pelas quais a ausência de restrições ao comércio entre países é a melhor maneira de distribuir a riqueza e o bem estar entre eles. Por isso, os governos não deveriam impor restrições ao fluxo de bens e serviços, pois a liberdade de comércio estimula o crescimento econômico que, por sua vez, estimula as práticas voltadas para a melhoria da qualidade ambiental. Esse é, em linhas gerais, o pano de fundo doutrinário das discussões que precederam a criação do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT, de General Agreement on Tariffs and Trade) e das diversas rodadas de negociação multilateral. O GATT foi a principal fonte de ordenação do comércio internacional desde o pós-guerra. Sua origem é um Acordo de 1947 sobre medidas para redução de tarifas. Esperava-se nessa época criar um órgão internacional para administrar esse acordo, mas isso não ocorreu por ter sido vetado pelos Estados Unidos. Em 1994, ao final da última das oito rodadas de negociações multilaterais do GATT, a Rodada Uruguai, é que foi criada a Organização Mundial do Comércio (OMC). Os acordos administrados pela OMC, que são mais de duas dezenas, objetivam a liberalização administrada do comércio internacional de bens e serviços, tendo entre seus instrumentos a redução de tarifas e a eliminação de entraves não tarifários pelos países participantes. As regras básicas, que haviam sido estabelecidas pelo GATT em 1.947, foram aperfeiçoadas em cada rodada de negociações multilaterais e nas soluções dos conflitos entre os países participantes. Entre essas regras está a de que apenas as exceções expressamente listadas poderem ser usadas para restringir o comércio. Duas exceções se tornaram bastante importante para o tema desse trabalho: 1) as medidas necessárias para proteger a saúde e vida das pessoas e dos animais e para preservar os vegetais (Art.XX); b) as medidas relativas à conservação dos recursos naturais esgotáveis, sob a condição de que tais medidas sejam aplicadas juntamente com as restrições à produção ou ao consumo nacionais (Art. XX, g). Mesmo para adotar exceções às regras, torna-se necessário atender o princípio da não discriminação, um dos princípios basilares dos acordos da OMC. As questões ambientais podem, portanto, se tornar restrições admissíveis e legítimas ao comércio. Mas podem ser usadas como pretexto para proteger mercado diante da dificuldade de usar as medidas tradicionais como as tarifas, cotas e entraves burocráticos. A controvérsia sobre a gasolina, resumida no Quadro 1, é um dos casos mais citados de uso

16 indevido do argumento da proteção ao meio ambiente para disfarçar medidas protecionistas. Quadro 1: O Caso da Gasolina: exemplo de protecionismo sob pretexto de proteger o meio ambiente. Os Estados Unidos proibiram a importação de gasolina da Venezuela em alegando que ela não atendia os padrões de emissões de poluentes veiculares da sua lei ambiental. Em janeiro de a Venezuela faz uma reclamação no Órgão de Solução de Controvérsia (OSC) da OMC, argumentando que a restrição é uma prática discriminatória contrária aos princípios do GATT. Um Grupo Especial foi formado em abril desse ano. O Brasil inicia uma reclamação contra os Estados Unidos nessa mesma controvérsia. Em janeiro de 1.996, esse Grupo emite um relatório ao OSC concluindo que as gasolinas dos países reclamantes são semelhantes às norte-americanas, de modo que a proibição violava os princípios do GATT. O OSC aceita o relatório desse Grupo Especial, os Estados Unidos não aceitam e apelam ao OSC. O Órgão de Apelação da OSC confirma as conclusões do Grupo Especial. Foi estabelecido um prazo de 15 meses após a conclusão da apelação para que os Estados Unidos acatassem as conclusões. Em os Estados Unidos anunciaram que as decisões seriam acatadas. Do início da reclamação até o fim do processo foram 2 anos e sete meses, cabendo o ônus da prova aos reclamantes. Esse é um exemplo do uso indevido do meio ambiente como barreira não-tarifária ao comércio internacional, pois as restrições do governo norte-americano foram feitas para atender os produtores norte-americanos de gasolina. Fonte: OMC, solução de controvérsias. Disponível em em 21/02/04. O Acordo sobre Barreiras Técnicas ao Comércio, outro acordo da OMC, estabelece que as normas ou regulamentos técnicos sobre produtos e processos são admitidos desde que não constituam barreiras ao comércio. Esse Acordo procura assegurar que os regulamentos técnicos, as normas, inclusive requisitos para embalagens, marcação e rotulagem e os procedimentos para avaliação de conformidade com regulamentos técnicos não criem obstáculos desnecessários ao comércio internacional. O que vale dizer, que não podem ser criados para proteger mercados. O Acordo procura estimular os processos de harmonização de normas e regulamentos da forma mais ampla possível através de instituições de normalizações internacionais e faz referências expressas ISO.

17 Conforme o relatório da UNCTAD (1.991, p.5), o acordo sobre barreiras técnicas ao comércio requer o uso de normas internacionais, onde elas existem como base para as regulamentações técnicas. Espera-se que as questões ambientais venham gerar um número crescente destas regulamentações: o estabelecimento de normas de proteção ambiental é, por conseguinte, um assunto urgente. A normalização internacional é um componente importante dos processos de liberação comercial, pois gera maior segurança para os importadores e os órgãos reguladores e fiscalizadores. Porém, a existência de diversas normas relativas a um mesmo assunto adotadas em diversos países atua de modo contrário, pois gera custos adicionais às empresas que quiserem vender seus produtos nesses países, face à diversidade de critérios, exigências e procedimentos de análises e verificação das diferentes normas. Um produto que atenda a norma ambiental exigida pelo importador de um país, poderá não atender as normas de outros países, ou seja, o mesmo produto pode ser considerado ambientalmente correto num país e não em outro. O produtor irá incorrer em custos adicionais para adequar seu produto às diferentes normas, fato este que acaba funcionando como barreira técnica ao comércio internacional. Como se trata de um espaço internacional, a harmonização só é possível mediante normas voluntárias, pois não há como tornar obrigatório o seu uso. As considerações de mercado tornam-se decisivas nesse espaço. Nos âmbitos locais, regionais e nacionais, as leis cumprem um papel fundamental, mas nas relações comerciais internacionais, elas não possuem validade e estão limitadas às disposições dos acordos, de modo que o seu alcance para restringir o comércio sem incorrer em conflito com essas disposições é limitado. Essa é uma das principais razões porque vivemos uma era de normalização internacional, pois exigir normas internacionais não constitui barreira ao comércio. 5. As Normas ISO Após o sucesso das normas de qualidade, como já mencionado, a história se repetiu. O British Standards Institution iniciou a criação de norma sobre SGA no final dos anos 80, resultando daí a BS 7750 em Seguindo o exemplo desse órgão, em vários países foram criadas normas para o mesmo fim, gerando restrições ao comércio internacional.

18 A ISO entra em cena. Em 1992 criou um grupo de assessoria denominado Strategic Advisory Group on the Environment (SAGE) para estudar as questões decorrentes da diversidade crescente de normas ambientais e seus impactos sobre o comércio internacional. O SAGE recomendou a criação de um comitê específico para a elaboração de normas sobre gestão ambiental, o Comitê Técnico 207 (TC 207). Essas normas que em abril de eram 25 formam um sistema de normas, de acordo com um ciclo PDCA ampliado, como mostra a Figura 1. O núcleo desse ciclo é a ISO (o círculo azul na Figura 1), uma norma também concebida como um ciclo PDCA (Plan-Do- Check-Act). Todas as normas da gestão têm como base o ciclo PDCA, criado na década de 1930 por Walter A. Shewart para efeito da gestão da qualidade, e que passou a ser utilizado para outros propósitos tornando-se uma espécie de modelo padrão de gestão para implementar qualquer melhoria de modo sistemático e contínuo. As normas citadas na Figura 1 são autônomas, podendo ser implementadas de modo isolado. Porém há uma expectativa de que os melhores resultados venham a ser obtidos na medida em que as normas sejam usadas de modo articulado, como será mostrado a seguir em relação a implantação e manutenção de um SGA com base na ISO e ISO A norma ISO não é um guia para a ISO 14001, um equívoco muito comum observado inclusive na literatura acadêmica, mas um guia para um sistema de gerenciamento ambiental genérico e, portanto, mais abrangente que os próprios requisitos da ISO

19 Figura 1 Modelo ISO e suas correlações com as demais normas da série ISO e ISO Sistema de Gerenciamento Ambiental ACTION CHECK DO Priorização dos aspectos ambientais PLAN Monitoração do desempenho ambiental Integração dos aspectos ambientais no projeto e desenvolvimento Comunicação do desempenho ambiental Série ISO Análise do Ciclo de Vida ISO Design Série Selos e declarações ambientais Série Comunicações Ambientais Série Avaliação do desempenho ambiental Série Auditorias do sistema de gerenciamento ambiental Descrição do desempenho ambiental dos Produtos. Melhoria do desempenho ambiental dos produtos. Informações sobre aspectos ambientais dos Produtos. Comunicação do desempenho ambiental. Descrição do desempenho ambiental. Informações sobre o Desempenho do sistema de gerenciamento ambiental Fase do Planejamento (Plan) Para priorizar os aspectos ambientais da nova ISO (requisito 4.3.1) pode-se utilizar (não é obrigatório) as normas da série 14040, elaboradas pelo Subcomitê 5 (SC5) que tratam da Análise do Ciclo de Vida, sumarizadas na Figura 2. A Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) é um instrumento da gestão ambiental aplicável a bens e serviços. O ciclo de vida que interessa à gestão ambiental refere-se aos aspectos ambientais de um bem ou serviço em todos os seus estágios, desde a origem dos recursos no meio ambiente, até a disposição final dos resíduos de materiais e energia após o uso, passando por todas as etapas intermediárias, como beneficiamento, transportes, estocagens e outras. A ACV também é conhecida pela expressão do berço ao túmulo (cradle to grave), berço indicando o nascedouro dos insumos primários mediante a extração de recursos naturais e túmulo, o destino final dos resíduos que não serão reusados ou reciclados.

20 Utiliza-se, ainda, a norma ISO TR (technical report) para integrar a avaliação dos aspectos e impactos ambientais com o projeto e desenvolvimento de produtos. Essa norma fornece conceitos e práticas atuais relativas à integração dos aspectos ambientais no projeto e desenvolvimento de produtos assim ampliando e melhorando os requisitos no item 4.3.1, em especial na cláusula que especifica que a organização deve estabelecer e manter procedimentos para identificar os aspectos ambientais de suas atividades, produtos e serviços dentro do escopo definido de seu SGA, que a organização possa controlar e àqueles os quais possa influenciar, levando em consideração os desenvolvimentos planejados ou novos, ou as atividades, produtos e serviços novos ou modificados (trecho da ISO 14001:2004). ISO ISO ISO ISOTR proporciona Proporcion os a guia para elementos determinar gerais e metodologia s requeridas para uma ACV de produtos e serviços. as metas e o escopo de um estudo de ACV e para o inventário de LCA Proporcion a um guia para a fase de avaliação de impacto de estudo ACV. um de Proporcion a guia para interpretar os resultados de estudo ACV. um de ISO TR Proporcion a informação sobre o formato dos dados para suporte de uma ACV. ISO TR Ilustra com exemplo s como aplicar os guias ISO e ISO Figura 2 - Normas que compõem a série de Análise do Ciclo de Vida (ACV) 5.2. Fase de Execução (Do) Nesta fase, com referência à comunicação (ISO 14001:2004 requisito 4.4.3), pode-se utilizar as normas da série relativas aos selos verdes e declarações ambientais, redigidas pelo TC 207 SC3, resumidas na Figura 3.

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