PRÁTICAS E PERSPECTIVAS DE DEMOCRACIA NA GESTÃO EDUCACIONAL

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1 PRÁTICAS E PERSPECTIVAS DE DEMOCRACIA NA GESTÃO EDUCACIONAL

2 Coleção EDUCAÇÃO SUPERIOR Coordenação editorial: Claudenir Módolo Alves Metodologia Científica Desafios e caminhos, Osvaldo Dalberio / Maria Célia Borges Dalberio Um abominável mundo novo? O ensino superior atual, Regis de Morais Práticas e perspectivas de democracia na gestão educacional, Carlos Betlinski

3 Carlos Betlinski PRÁTICAS E PERSPECTIVAS DE DEMOCRACIA NA GESTÃO EDUCACIONAL

4 Direção editorial: Claudiano Avelino dos Santos Assistente editorial: Jacqueline Mendes Fontes Revisão: Thiago Augusto Dias de Oliveira Cícera Gabriela Sousa Martins Diagramação: Dirlene França Nobre da Silva Capa: Marcelo Campanhã Impressão e acabamento: PAULUS Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Betlinski, Carlos Práticas e perspectivas de democracia na gestão educacional / Carlos Betlinski. São Paulo: Paulus, (Coleção Educação superior) Bibliografia. ISBN Democracia 2. Educação - Filosofia 3. Escolas - Administração e organização 4. Gestão educacional 5. Política educacional I. Título. II. Série CDD Índices para catálogo sistemático: 1. Gestão educacional democrática ª edição, 2013 Paulus 2013 Rua Francisco Cruz, São Paulo (Brasil) Tel.: (11) Fax: (11) ISBN

5 SUMÁRIO Dedicatória 7 Introdução 9 Capítulo I Das intenções e contradições das práticas DE gestão democráticas 15 Capítulo II Algumas referências conceituais sobre cultura POLítica Estrutura política e formação da cultura política Sobre o conceito de cultura política Um Estado para a sociedade: a dimensão ética no exercício do governo Dimensão ética da gestão pública na perspectiva freireana 55 Capítulo III Democracia como processo em disputa E em construção Democracia representativa elitista Democracia participativa Concepções não hegemônicas de democracia na contemporaneidade A democracia brasileira 91 Sumário 5

6 Capítulo IV Políticas públicas de gestão da educação NO estado neoliberal Descentralização e participação Relações entre Estado e sociedade civil na gestão educacional Conselhos gestores e o controle social sobre o Estado Contradições no papel político dos conselhos setoriais 119 Capítulo V Conselhos de educação: concepções e funções 129 Capítulo VI Indicadores para a avaliação das práticas DEMOCRÁTICAS nas relações entre Estado E sociedade civil Processo de avaliação de cultura política subjetiva de subgrupos participacionistas Indicadores de participação na gestão educacional municipal O papel dos conselhos na gestão municipal da educação 175 Conclusão A cidadania ativa como perspectiva DE qualificação das práticas democráticas 187 Referências bibliográficas práticas e perspectivas de democracia na gestão educacional

7 DEDICATÓRIA Para aqueles que sempre foram submetidos ao silêncio, para as cidadãs e cidadãos que sempre foram excluídos e impedidos de decidir sobre os interesses coletivos, que não puderam satisfazer suas necessidades e garantir os direitos que os conduziriam a uma vida digna, e àqueles a quem a cidade foi negada, a política é a arte e a razão da vida em sociedade. É preciso resgatar a politicidade da existência coletiva para se ter mais vida, para que seja possível a humanização. A ideologia neoliberal tem o poder de controlar as mentes e os corpos, de tal forma que se aceita com naturalidade que alguns decidam sobre os assuntos de interesse de todos, que utilizem o poder que emana do povo para benefícios próprios e não da coletividade. Será a política a astúcia para extrair vantagens pessoais? Os povos trabalhadores continuam sua luta exaustiva pela sobrevivência, permanecendo prostrados diante do cansaço da longa jornada de serviço e de transporte a que são submetidos nas metrópoles ou, o que é pior, permanecem alienados diante dos espetáculos produzidos pela mídia, que tem a intenção de despolitizar os problemas sociais. A vida indigna, a desgraça, a miséria e a violência se tornam espetáculos. A corrupção, a pi- Dedicatória 7

8 lhagem dos impostos vão se naturalizando, e permanece o silêncio. Não existem classes, não temos a nossa cidade, não há comunidades, existem indivíduos, números, existem mônadas. Na sociedade do hedonismo e do consumo, não há espaço para a política, para a mobilização comunitária. Só existe o mercado, o prazer, o indivíduo... É preciso reaver o sentido da vida em comunidade, tecer a rede da ética e da política na cidade. 8 práticas e perspectivas de democracia na gestão educacional

9 INTRODUÇÃO A temática desenvolvida neste livro destina-se aos alunos de todos os cursos de licenciatura e, em especial, aos do curso de pedagogia. O conteúdo desenvolvido também é de interesse significativo para os estudantes dos cursos de Serviço Social, Administração Pública e Ciências Políticas, além de interessar de forma direta a todos os profissionais que atuam na gestão de instituições públicas que prestam serviços à sociedade brasileira. A expectativa do autor é apresentar um texto que possa contribuir para o debate sobre democracia e suas práticas, contribuindo, dessa forma, para a formação dos profissionais que irão atuar na educação escolar e na gestão dos equipamentos públicos, especialmente das instituições educativas. Tanto na função de professores quanto na função de gestores, eles irão enfrentar o desafio da prática democrática e, para isso, precisam de um suporte teórico para avaliar e fazer suas experiências no campo da democracia. Embora acreditando que não exista receita pronta para os processos de educação em democracia, pode-se afirmar que somente os profissionais com uma formação sólida e crítica poderão contribuir, principalmente pelo seu exemplo e comprometimento, com os processos de formação para a democracia social. O texto discorrerá sobre os fundamentos teóricos e práticas de democracia existentes na relação entre Estado e so- Introdução 9

10 ciedade civil, especialmente as experiências de democracia existentes nos órgãos ou mecanismos institucionalizados que viabilizam a atuação política da sociedade civil junto ao Estado. O foco principal da análise são as práticas participativas existentes nos conselhos municipais de educação, mas as categorias e conceitos aplicam-se a todos os conselhos setoriais e a qualquer outro espaço ou mecanismo de participação cidadã, tais como os fóruns, audiências públicas, conselhos escolares. Para efeito de compreensão sobre qual participação e qual matriz de democracia perpassam as práticas políticas nas diferentes instâncias de atuação dos cidadãos, especialmente nos conselhos setoriais, as análises incidirão sobre três eixos ou aspectos principais: 1. A cultura política subjetiva dos cidadãos participantes, que podem espelhar o pensamento, princípios e os valores hegemônicos ou contra-hegemônicos existentes na sociedade brasileira e que poderão ser captados na observação das ações políticas existentes nos espaços institucionalizados, e mesmo na observação da prática da democracia como exercício da liberdade e como virtude. O interesse por política, adesão aos valores democráticos e extensão dos direitos políticos, ativismo político, autoavaliação sobre capacidade de influenciar e grau de confiança nas instituições políticas são algumas categorias fundamentais para entender a cultura política, desde um pequeno grupo participante de um conselho até de toda uma sociedade. 2. O tipo e grau de participação que norteiam a relação existente entre o Estado e a sociedade civil, onde destacaremos algumas características próprias dessa relação, tais como: estímulo à participação por parte dos governos locais, 10 práticas e perspectivas de democracia na gestão educacional

11 exercício da cidadania, empoderamento dos participantes da sociedade civil, dimensão pedagógica, formação política e diálogo. 3. O significado político dos mecanismos de participação, especialmente dos conselhos, no contexto do Estado neoliberal e do Estado democrático, procurando interpretar questões como: concepção de conselhos, processo de institucionalização, descentralização, tipo de participação que se pratica e controle social. Para efeito de organização didática e de estruturação deste texto, estabeleceu-se a seguinte ordem de discussão e de capítulos: No primeiro capítulo, Das intenções e contradições das práticas democráticas, é feita uma breve apresentação das propostas e intenções das práticas democráticas para a gestão dos serviços públicos brasileiros. Essas propostas se constituíram a partir de dois movimentos distintos: os movimentos populares e de oposição ao regime militar que historicamente lutavam pela democratização do Estado e pela criação de canais institucionalizados que permitissem a participação e o controle social sobre todas as instituições; e, por outro lado, o movimento induzido pelo próprio Estado, que, a partir da década de 1990, promoveu uma reforma política de cunho neoliberal, que, embora utilizasse do discurso democrático, implantou vários mecanismos de gerenciamento, controle e gestão dos serviços públicos. No segundo capítulo, Cultura política: referências conceituais, apresenta-se a conceituação de cultura política e faz-se a vinculação desta ao tema da democracia. A partir de referências bibliográficas, discutiu-se a relação das estruturas ou instituições políticas com o processo de formação da cultura política, considerando também a existência e a ação dos Introdução 11

12 movimentos de organizações populares que, no caso brasileiro, foram significativos para a produção de uma cultura política democrática e para a implantação de mecanismos de participação na gestão pública, como é o caso dos conselhos setoriais. No mesmo capítulo, é desenvolvida uma discussão sobre a ética na gestão pública. A partir de uma perspectiva freireana, entender que o processo de democratização se torna muito limitado, ou não chega a se concretizar de fato, sem a consideração de um referencial ético na prática política. No terceiro capítulo, Democracia: um conceito em disputa e em construção, numa perspectiva histórica, apresentam-se as características de dois paradigmas de democracia: a democracia representativa minimalista e a democracia participativa. Além de algumas referências teóricas sobre as duas matrizes de democracia, aponta-se para o movimento de resistência e inovação que vem se produzindo para aproximar o comportamento cidadão da ação política e expandir a cultura participacionista. No quarto capítulo, Políticas públicas e gestão educacional no Estado neoliberal, são analisadas algumas categorias como descentralização e participação, que orientam e explicam o processo de gerenciamento implantado nas políticas públicas a partir dos anos de A intenção é analisar como esses conceitos, que fazem parte do ideário da democracia e das lutas dos movimentos populares, podem ser transvestidos e apropriados estrategicamente pelo Estado neoliberal. No mesmo capítulo, são discutidos processos de implantação e implementação dos conselhos e, mais especificamente, enfatizo as contradições e os limites de ação política dos conselhos municipais de educação para se produzir o contro- 12 práticas e perspectivas de democracia na gestão educacional

13 le social sobre o Estado numa perspectiva de democratização e de garantia do direito à participação e à educação, conforme previsto na própria Constituição Federal. No quinto capítulo, Conselhos de educação: concepções e funções, são apresentadas as prescrições legais sobre a implantação dos conselhos e as tendências de concepções sobre os conselhos. No mesmo capítulo, são discutidas suas funções no contexto da democratização do Estado brasileiro. No sexto capítulo, Indicadores para a avaliação das práticas democráticas nas relações entre Estado e sociedade civil, será feita uma análise crítica dos processos de participação e da cultura política que perpassam as relações entre Estado e sociedade civil, tendo como perspectiva as práticas da democracia participativa. O foco de análise serão os mecanismos institucionalizados, especialmente os conselhos, que viabilizam a experiência da gestão educacional democrática. Nesse capítulo, ainda apresenta-se a metodologia da construção de indicadores de participação, um instrumento que utiliza de critérios quantitativos para avaliar o grau de participação que acontece na gestão municipal mediada pelos conselhos. Também é feita uma análise crítica sobre o papel que os conselhos têm desempenhado no contexto da gestão municipal da educação. São tecidas algumas considerações sobre os limites e as potencialidades que esses mecanismos institucionalizados de participação possuem para a construção da democratização do sistema político brasileiro. Introdução 13

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