CRIAÇÃO E EXPANSÃO DAS ESCOLAS DA REDE ESTADUAL DE EDUCAÇÃO DE MARINGÁ

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1 CRIAÇÃO E EXPANSÃO DAS ESCOLAS DA REDE ESTADUAL DE EDUCAÇÃO DE MARINGÁ Ivana Veraldo/UEM A escolha do terreno para erigir a cidade de Maringá (Pr) obedeceu a certos critérios: um terreno com privilegiada situação geográfica, escolhido para ser um dos principais centros urbanos da região, cortado por vias de acesso às glebas e patrimônios e pela estrada de ferro que continuaria até Guaíra. A cidade, planejada e construída pela Companhia Melhoramentos Norte do Paraná (Cia), surgiu como centro propulsor do progresso para uma vasta e promissora área agrícola. A Cia tinha um projeto urbanístico arrojado para a expansão da cidade. Naquela época, aqueles que já estavam em condições de freqüentar a escola secundária, cujos pais tinham posses, estudavam em outros centros maiores, como Londrina, Jacarezinho ou São Paulo. Alguns pais assumiam o encargo de ensinar seus próprios filhos e outros incumbiam alguém com mais instrução para fazê-lo. Maringá foi fundada em 10 de maio de Nasceu e cresceu sob o signo do planejamento moderno. Coube ao engenheiro Dr. Jorge de Macedo Vieira traçar o plano geral e definitivo da cidade. Previu, inclusive, a localização e a função dos bairros, que seriam divididos em residencial, residencial popular, industrial, operário e de armazéns 1. O planejamento previa também espaços para a construção de escolas. A rede municipal foi a primeira a se constituir na cidade. Depois dela, consolidou-se a rede estadual e a particular. Há poucos estudos sobre a história da educação em Maringá. O texto escrito por AMARO & RODRIGUES, intitulado Educação municipal em Maringá, uma história em meio século (In: DIAS & GONÇALVES, 1999) reconstitui um pouco da história da criação da rede municipal de ensino. Os autores chegam a propor uma periodização para essa história: - de 1953 a 1971: período que, iniciando-se com a construção da primeira escola municipal, dando assim início à rede municipal de ensino, vai até a decretação da reforma educacional sob a Lei 5.692/71. A rede municipal atendia apenas a zona rural (sic); 1 É possível perceber nessa divisão, que de fato ocorreu, a legitimação de espaços específicos para as diferentes classes sociais que compunham a sociedade.

2 - de 1972 a 1985: período de reformulação e implantação da Lei 5.692/71, quando em nível municipal dá-se o processo de nuclearização da rede e passa a ocorrer a criação de escolas municipais na zona urbana; visava-se primordialmente à melhoria da parte infraestrutural da rede; - de 1986 a 1988: momento em que, após a reestruturação em nível de legislação de ensino e de infra-estrutura, as preocupações se voltam para o campo pedagógico, com a instauração da divisão por áreas do núcleo comum; - de 1989 a 1992: ocasião em que ocorreu a implantação do sistema de escolas cooperativas ; - de 1993 até o presente: ações voltadas para o resgate do modelo anteriormente estabelecido, de gerenciamento público e investimento em nível pedagógico (AMARO & RODRIGUES, In: DIAS & GONÇALVES, 1999, p. 372/3). Concluem sua reflexão informando que se trata de um estudo preliminar, com o propósito de instigar novas pesquisas que aguardam outras evidências e discussões... (AMARO & RODRIGUES, In: DIAS & GONÇALVES, 1999, p. 388). As discussões apresentadas por esses autores se constituem no único estudo mais abrangente sobre a história da educação em Maringá. Excetuando esse texto, o que existe são estudos com recortes bem definidos, como, por exemplo, o livro O público e o privado na educação: a experiência da privatização do ensino em Maringá e temas afins, organizado por Reginaldo B. Dias (1995) com o objetivo de avaliar a experiência das escolas cooperativas de 1991 a Assim, até hoje, a história da constituição da rede estadual de ensino em Maringá não foi escrita. Maringá foi alçada a município pólo de uma região metropolitana e em muito interessa resgatar essa história, principalmente com o objetivo de garantir a identidade que nossa cidade deve preservar no que se refere à sua contribuição para a constituição de um Núcleo Regional de Ensino que abrange vários municípios da região. A História da Educação do município de Maringá se constitui do somatório e do entrelaçamento das redes estadual, municipal e particular. Sem essas redes de oferta de ensino a cidade pouco teria se desenvolvido nesse campo. É imprescindível recuperar essa história.

3 O Objetivo geral de nossa pesquisa é avaliar o processo de constituição (criação e expansão) da rede estadual de ensino na cidade de Maringá e verificar quais foram os critérios adotados para a constituição dessa rede. Interessa-nos saber se a expansão da rede estadual acompanhou a tendência planejadora da cidade ou se seu desenvolvimento atendeu a outros critérios, como, por exemplo, critérios políticos ligados à candidatura ou à administração de algum personagem político local. É importante verificar qual foi a posição ocupada pela rede estadual frente à criação e expansão da rede municipal e particular. Indagamo-nos se ocorreram entendimentos e articulações entre essas instâncias com o objetivo de atender às várias demandas vindas dos bairros de Maringá. Igualmente importante é a identificação e a avaliação das experiências educativas levadas a cabo pela Secretaria Estadual de Educação em Maringá, por exemplo, no campo da educação de jovens e adultos (EJA). Temos informações que confirmam que, no Colégio Estadual Brasílio Itiberê, foram efetivadas 160 matrículas nessa área, em Será que a oferta desse tipo de ensino estaria vinculada a uma política de atendimento das necessidades da população mais pobre que, em geral, não tem a oportunidade de frequentar o ensino regular? Ao recuperar essa história, será possível verificar quais foram os primeiros sujeitos educativos da rede estadual de ensino em Maringá (professores, diretores etc.) e qual população foi atendida pela rede estadual. Também é preciso avaliar se a periodização sugerida por AMARO & RODRIGUES pode ser utilizada também na composição da história da rede estadual de educação. Caso contrário, será possível sugerir outra periodização que contemple as singularidades da rede estadual. Segue um quadro identificando as atuais 22 escolas estaduais de Maringá, bem como o número de matrículas no ensino médio (MAT. EM) e no ensino fundamental (MAT. EF). QUADRO DA REDE ESTADUAL DE ENSINO EM MARINGÁ NOME DOS COLÉGIOS MAT. EM MAT. EF Colégio Estadual Adaile M. Leite Colégio Estadual Alberto J. Byngton Jr

4 Colégio Estadual Alfredo Moisés Maluf Colégio EstadualBranca Mota Fernandes Colégio Estadual Brasílio Itiberê Colégio Estadual Duque de Caxias Colégio EstadualGastão Vidigal Instituto Estadual de Educação Colégio Estadual João de Faria Pioli Colégio Estadual João XXIII Colégio Estadual Juscelino K. de Oliveira Colégio Estadual Presidente Kennedy Colégio Estadual Dittert Oberon Colégio Estadual Rui Barbosa Colégio Estadual Santa Maria Goretti Colégio Estadual Silvio M. Barros Colégio Estadual Tancredo de A. Neves Colégio Estadual Tania V. Ferreira Colégio Estadual Theobaldo Miranda dos Santos Colégio Estadual Thomas Edson de A. Vieira Colégio Estadual Unidade Polo Colégio Estadual Vinícios de Morais Total Como podemos verificar é alto o número de estudantes que são atendidos pela rede de escolas estaduais, tanto no ensino médio como no fundamental. Perguntamo-nos se esses números correspondem à máxima potencialidade dessas escolas e gostaríamos de saber, também, se há por parte das escolas, ou do Núcleo Regional de Ensino, alguma política no sentido de aumentar a oferta de vagas em seus estabelecimentos. Para responder a essas e outras questões que possam surgir no encaminhamento da pesquisa, pretendemos consultar as seguintes fontes: os Planos estaduais de educação formulados de 1947 até a atualidade, os Planos elaborados pelo Núcleo Regional de Ensino de Maringá e toda a documentação legal produzida pelas escolas estaduais maringaenses nesse mesmo período (por exemplo, termo de posse de professores e diretores, decretos de

5 autorização de funcionamento das escolas, relatórios anuais das escolas e do Núcleo Regional de ensino, etc.). Além disso, pretendemos realizar algumas entrevistas com as primeiras professoras e diretoras que trabalharam na rede estadual. Nossa intenção é resgatar, através da memória dessas velhas professoras, as dinâmicas históricas, sociais e políticas que se articularam no engendramento da rede estadual de ensino. De antemão, informamos que teremos que garimpar nas escolas documentos que nos ajudem a alcançar nossos objetivos, pois, nas primeiras visitas e nos primeiros contatos que fizemos com o Núcleo Regional de Ensino constatamos que quase não há registros da história da criação e da expansão das escolas estaduais em Maringá. Tem sido praxe nos órgãos públicos jogar fora documentos das gestões anteriores, sem nenhuma preocupação em preservar a memória histórica. A reflexão sobre os documentos, as ações neles registradas e o resultado dos depoimentos colhidos será realizada a partir do entendimento do contexto histórico da cidade, do Estado do Paraná e do Brasil. Acreditamos que a política adotada pelo Núcleo Regional de Ensino de Maringá segue, em linhas gerais, a mesma política definida no plano nacional e no estadual. Como a pesquisa está em andamento (fase inicial) não temos conclusões fechadas, apenas algumas hipóteses. Por exemplo, a de que a criação e a expansão da rede estadual de ensino em Maringá não seguiu os mesmos critérios racionais (planejamento) da criação e expansão da cidade. É possível, até, que a rede estadual tenha se expandido de maneira aleatória, sem nenhum planejamento ou estudo sobre as demandas dos bairros da cidade. Caso essa hipótese seja confirmada, poderemos afirmar que não houve a preocupação, por parte do Núcleo Regional de Ensino, representante local da Secretaria Estadual de Educação, de estabelecer uma política inclusiva de expansão. Isto é, que esses órgãos não se preocuparam em atender às demandas sociais. Outras hipóteses poderão ser elaboradas e confirmadas ou não no decorrer da pesquisa. BIBLIOGRAFIA

6 DIAS, Reginaldo B. (org.) O público e o privado na educação: a experiência da privatização do ensino em Maringá e temas afins. Maringá: Secretaria da Educação do município de Maringá, AMARO, Hudson Siqueira & RODRIGUES, Isabel Cristina. Educação municipal em Maringá: uma história em meio século. In: DIAS, Reginaldo B. & GONÇALVES, José Henrique Rollo. Maringá e o Norte do Paraná: estudos de história regional. Maringá: EDUEM, 1999, p

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