PROPOSTA DE MANUAL DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE EM CAMPANHA

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1 MINISTÉRIO DA DEFESA EXÉRCITO BRASILEIRO DEP - DEE - DEPA ESCOLA DE ADMINISTRAÇÃO DO EXÉRCITO E COLÉGIO MILITAR DE SALVADOR PROPOSTA DE MANUAL DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE EM CAMPANHA Salvador 2008

2 MINISTÉRIO DA DEFESA EXÉRCITO BRASILEIRO DEP - DEE - DEPA ESCOLA DE ADMINISTRAÇÃO DO EXÉRCITO E COLÉGIO MILITAR DE SALVADOR 1º Ten Ana Emília Oliveira dos Santos Ferreira da Rocha 1º Ten Carlos André Malafaia Pereira 1º Ten Fabio Fasano Pimentel 1º Ten Fernando Savadovsky 1º Ten Flávio dos Santos Marques 1º Ten Jailton da Silva Neves 1º Ten Patricia Regina Carelli Teixeira da Silva 1º Ten Rafael Nunes Coutinho 1º Ten Ricardo de Mello Pereira 1º Ten Thiago Bortone Godoi PROPOSTA DE MANUAL DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE EM CAMPANHA Projeto Interdisciplinar apresentado à Comissão de Avaliação da Divisão de Ensino da Escola de Administração do Exército, como exigência parcial para obtenção do título de Especialização em Aplicações Complementares às Ciências Militares. Orientadora: Cap Orlange Sodré Rocha Salvador 2008

3 Membro 1 Membro 2 Membro 3

4 A garantia de nos tornarmos invencíveis está em nossas próprias mãos. Tornar o inimigo vulnerável só depende dele próprio. (...) A invencibilidade está na defesa; a possibilidade de vitória, no ataque. Sun Tzu

5 RESUMO Este Projeto Interdisciplinar, apresentado à Comissão de Avaliação da Divisão de Ensino da Escola de Administração do Exército, como exigência parcial para obtenção do título de Especialização em Aplicações Complementares às Ciências Militares, tem por finalidade a elaboração de um Manual de Vigilância em Saúde em Campanha. Está apresentado em três peças: este trabalho que se constitui em exposição e defesa do manual produzido; o artigo científico que tem a mesma finalidade, porém se apresenta de forma sumária; o Manual de Vigilância em Saúde em Campanha, inserido como apêndice deste. A principal linha de defesa da necessidade e importância da adoção deste manual baseia-se em reconhecer o elemento humano como o principal e mais caro valor do exército. Fora utilizados como referência regulamentos de instituições nacionais e internacionais, tais como a Organização Mundial de Saúde, OTAN, ANVISA, Ministério do Trabalho, e outros regulamentos e manuais do Exército Brasileiro. O Manual de Vigilância em Saúde em Campanha não está limitado em assuntos de vigilância sanitária, mas abrange também regras de saúde física e mental da tropa. Palavras-chave: Exército Brasileiro. Manual. Campanha. Vigilância Sanitária. Saúde em campanha. Manual de saúde.

6 ABSTRACT The Interdisciplinary Project, presented to the Evaluation Board of the Educational Division of Administration School of the Army (Escola de Adminisrtação do Exército) as part of the evaluation for obtaining the title of Specialization in Complementary Applications to Military Science, aims to produce a Field Manual of Health Surveillance in a Campaign Environment. It consists of three parts: this paper which consists of presentation and defense of the need of the manual; an article with the same purpose, but not in such a thorough way as the paperwork; the Field Manual of Health Surveillance in a Campaign Environment, inserted as an appendix. The main line of defense of the need and importance of the adoption of the manual is based on the recognition of the human being as the greatest value of the Army. Manuals and regulations from diverse national and international institutions, such as World Health Organization, NATO, ANVISA, The Ministry of Labor (Ministéro do Trabalho), and other manuals and regulations of the Brazilian Army were taken as reference and object of research. The Field Manual of Health Surveillance in a Campaign Environment is not limited to matters involving sanitation only, it also covers both physical and mental health of the troops. Keywords: Brazilian Army. Field Manual. Campaign. Sanitation. Health.

7 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO DO DESENVOLVIMENTO DE DOUTRINA PRÓPRIA PARA SERVIR AO EXÉRCITO EM CAMPANHA A PROPOSTA FRENTE À DOUTRINA DE RESISTÊNCIA O CONCEITO DA PROPOSTA DO MANUAL DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE EM CAMPANHA MATÉRIA ABORDADA E SUA ABRANGÊNCIA DO CAPÍTULO: GESTÃO DOS RISCOS EM CAMPANHA SAÚDE FATORES DE RISCO VIGILÂNCIA SANITÁRIA GESTÃO DOS RISCOS EDUCAÇÃO AMBIENTAL E SANITÁRIA MEDIDAS PROFILÁTICAS VIGILÂNCIA EM INSTALAÇÕES VIGILÂNCIA SANITÁRIA EM ÁGUA SEGURANÇA NA QUALIDADE DE ALIMENTOS CONTROLE DE PRAGAS E VETORES Controle de vetores Pragas Animais sinantrópicos Controle de animais sinantrópicos PROTEÇÃO CONTRA ANIMAIS PEÇONHENTOS E VENENOSOS DO CAPÍTULO: EDUCAÇÃO AMBIENTAL E SANITÁRIA...30

8 8 DO CAPÍTULO: MEDIDAS PROFILÁTICAS PARA A TROPA DO CAPÍTULO: VIGILÂNCIA NAS INSTALAÇÕES DO CAPÍTULO: VIGILÂNCIA SANITÁRIA EM ÁGUA DO CAPITULO: SEGURANÇA NA QUALIDADE DOS ALIMENTOS DO CAPÍTULO: CONTROLE DE PRAGAS E VETORES DO CAPÍTULO: PROTEÇÃO CONTRA ANIMAIS PEÇONHENTOS E VENENOSOS CONCLUSÃO...45 REFERÊNCIAS...47 APÊNDICE A PLANOS DE AÇÃO APÊNDICE B ARTIGO CIENTÍFICO APÊNDICE C MANUAL DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE EM CAMPANHA

9 8 1 INTRODUÇÃO Um exército que exerce precipuamente as funções de força de paz, de vigilância de linhas de fronteiras, de operações de garantia da lei e da ordem e de manutenção dos poderes constitucionalmente constituídos, tem a preocupação em manter o adestramento e a motivação de seu contingente. Conseqüência decorrente das transformações no cenário de segurança nacional e mundial e do emprego da Força Terrestre brasileira, aumenta em importância a geração de doutrina militar de combate e de apoio ao combate. As áreas de prioridade em segurança nacional e o crescente engajamento em missões internacionais, trazem para o Exército Brasileiro a necessidade de se atentar para a eficiência das atividades desempenhadas pelas tropas federais, seja em solo nacional ou estrangeiro. Essa eficiência, para que seja atingida, deve seguir a trilha que conduz à máxima operacionalidade da tropa. Para que os combatentes estejam em condições de emprego a todo instante, já que a atividade de defesa nacional é perene, reconhece-se a necessidade de adoção de medidas que venham a manter a sua higidez física e mental. Neste assunto saúde física e mental e operacionalidade da tropa várias vertentes podem ser trabalhadas, como o preparo físico pelo treinamento físico militar, como exercícios constantes em diferentes tipos de terrenos e situações, como o desenvolvimento de tecnologias que aumentem ou garantam a operacionalidade desejada, desenvolvimento de técnicas na área médica, dentre outros. O presente Projeto Interdisciplinar tem por objetivo a elaboração de doutrina militar de apoio ao combate na área de vigilância sanitária e ambiental, saúde e prevenção de acidentes, o que se convencionou, durante o desenvolvimento dos trabalhos, chamar de Vigilância em Saúde em Campanha. O objetivo desejado com o desenvolvimento dessa produção é a criação de um Manual de Vigilância em Saúde em Campanha, um trabalho que venha a agregar conhecimentos e técnicas para que se possa prover o combatente de meios para se prevenir contra malefícios desnecessários e riscos controláveis; pois, se sua atividade é eminentemente de risco, há alguns deles que podem ser evitados.

10 9 Fala-se aqui de doenças a que o combatente está sujeito em decorrência da má gerência dos meios colocados à sua disposição meios de alimentação, abrigo, saneamento etc. A idéia é a de que se o combatente tiver que vir a tombar, que seja enfrentando o inimigo, e não como vítima de procedimentos internos, ou dos perigos conhecidos da região onde se encontra. O conhecimento prévio dos riscos em campanha é uma vantagem tática que não deve ser ignorada, mas deve ser empregada para a salvaguarda das tropas amigas, e se possível, como meio de se prejudicar o sucesso do inimigo. É um trabalho de tema sugerido pela instituição, e que tem a ambição de servir não só a determinada seção de uma unidade militar, tampouco a de servir a uma atividade secundária das forças armadas, mas visa a servir todo o contingente do Exército Brasileiro em sua atividade-fim, proporcionando à Força Terrestre mais um meio para que nada venha a impedi-la de cumprir com sua missão de vencer o combate.

11 10 2 DO DESENVOLVIMENTO DE DOUTRINA PRÓPRIA PARA SERVIR AO EXÉRCITO EM CAMPANHA Dentre os mais recentes empregos do Exército Brasileiro, destaca-se em importância, popularidade, aceitação e tem revertido em benefícios para a força terrestre do Brasil, o emprego do Exército Brasileiro em Operações de Manutenção da Paz (OMP). De várias formas tem contribuído para a formação de um exército forte, adestrado, respeitado mundialmente, expressivo no continente sul-americano, a mobilização dos contingentes nacionais para a execução de missões de manutenção da paz. De maneira honrosa têm sido as participações nacionais em missões desse jaez, não só no âmbito militar, mas desde o escalão diplomático, que já se acostumou a estar em posições de elevada importância e que tem trazido para o Exército Brasileiro as oportunidades de participações em âmbito internacional. Assim, o Exército Brasileiro tem fortalecido os meios a atingir as aspirações de ampliar a participação do Brasil nos foros decisórios internacionais. Mais robusto tem ficado o sistema multilateral nas relações diplomáticas brasileiras, assim o Brasil buscou a construção de uma ordem nacional mais democrática, e o Exército Brasileiro tem participado da execução desse planejamento. A missão das Forças Armadas de participar de Operações de Manutenção da Paz não constitui finalidade primária, conforme podemos deduzir de leitura do art. 142 da Constituição Federal, mas ainda assim, é missão delegada pela Lei Complementar 97/99, que estatui em seu art. 15 que o emprego das Forças Armadas na defesa da Pátria e na garantia dos poderes constitucionais, da lei e da ordem, e na participação em operações de paz, é de responsabilidade do Presidente da República (grifo dos autores). O art. 13, em seu parágrafo primeiro, do mesmo diploma legal, reza que o preparo das Forças Armadas compreende, entre outras: as atividades permanentes de planejamento, organização e articulação, instrução e adestramento, desenvolvimento de doutrina e pesquisas específicas (grifo dos autores), inteligência e estruturação das Forças Armadas, de sua logística e mobilização.

12 11 A possibilidade de haver essa previsão decorre de preceitos constitucionais, insertos nos Princípios Fundamentais, conforme expõe o art. 4º da Constituição Federal 1. O pendor nacional pela solução pacífica dos conflitos, a existência de um exército eminentemente de manutenção da paz interna no âmbito de defesa nacional, o engajamento das Forças Armadas em sua missão de colaborar com o desenvolvimento nacional, deram ao Exército Brasileiro a confiabilidade e o adestramento necessários para que pudesse ser de forma confiável empregado em Operações de Manutenção da Paz em diversos momentos históricos, em vários países. A Escola Superior de Guerra (1998, p. 54) conceitua a projeção do Poder Nacional como o processo pelo qual a Nação aumenta, de forma pacífica, sua influência no cenário internacional, através da manifestação produzida com recursos de todas as expressões do Poder Nacional. Assim a participação brasileira em OMP muito contribui com o aumento da projeção do poder nacional. O poderio militar se constitui em grande expressão do Poder Nacional, aliado à capacidade de pressões econômicas, de produção industrial e intelectual etc. Na aplicação desse recurso de forma pacífica, temos não só a demonstração de força, mas de força legítima. Por esses motivos, inclusive, é que autores que se dedicam aos assuntos afetos à defesa nacional, chegam a afirmar que a participação do Brasil nas Operações de Manutenção de Paz das Nações Unidas é um dos principais fatores que têm possibilitado ao Brasil melhorar e ampliar suas credenciais de credibilidade e de autoridade para atuar na comunidade de nações (PINTO, 2004, p. 4). Vê-se que, quando se trata de doutrina militar, conforme já afirmou Bebler, a par do nível de minudência, cada doutrina militar (de defesa) mesmo implícita, reflete e resume os mais importantes elementos da engrenagem civil-militar de uma determinada sociedade (1988, p. 36, grifo nosso). De tudo o que tem sido visto, de tudo que tem sido argumentado, de toda a reação da comunidade internacional e nacional, é de se concluir que a importância das atividades voltadas a bem nutrir esse trabalho que o Exército Brasileiro vem realizando em terras alheias 1 CF/88, Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios: I - independência nacional; II - prevalência dos direitos humanos; III - autodeterminação dos povos; IV - não-intervenção; V - igualdade entre os Estados; VI - defesa da paz; VII - solução pacífica dos conflitos; VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo; IX - cooperação entre os povos para o progresso da humanidade; X - concessão de asilo político.

13 12 é relevante; que os esforços para que seja formada uma doutrina a ser aplicada nos cenários de campanha de Operações de Manutenção da Paz não são vãos, nem de somenos importância. Acima de todas as qualificações de adestramento, de poderio bélico e estratégia, se encontra a importância da produção e estabelecimento de doutrina. É a doutrina militar que qualifica e diferencia os exércitos, influenciando o comportamento dos inimigos e imprimindo em suas ações a adaptação genuína às suas capacidades, aos seus valores, à sua realidade política quando observados dentro do contexto na comunidade que defendem. O projeto de manual apresentado não se limita às condições de operações de paz. Ele trata das medidas de gestão de riscos em campanha. Foi tratada com mais profundidade a presença brasileira em missões de paz no presente capítulo, somente para que se dê importância imediata ao manual apresentado, já que se especula ser de remota ocorrência a entrada do Brasil em algum conflito armado. As instruções contidas no manual são úteis para toda tropa em exercício ou em emprego em regiões do país ou do exterior que não oferecem condições estruturais e de saneamento nos padrões mínimos necessários a se manter a higidez física e mental do combatente.

14 13 3 A PROPOSTA FRENTE À DOUTRINA DE RESISTÊNCIA A doutrina de resistência é a doutrina que está na base da formação militar brasileira. Isso foi levado em consideração, em alta conta, quando foram tratadas as medidas de gestão de riscos em campanha É que, no contexto da resistência, a permanência no combate depende de fatores muito variados. Um deles é a condição de saúde do combatente. Neste aspecto, contribui de forma máxima a adoção de um manual de vigilância em saúde, que contemple vigilância sanitária em água, em instalações, medidas profiláticas e outras medidas preventivas para a saúde em campanha. Os cuidados com o asseio e higiene nas práticas com os alimentos, o armazenamento de alimentos; os cuidados com a água que será utilizada para o banho da tropa, para o consumo e preparo de alimentos; o tratamento devido aos resíduos e aos corpos de vítimas no cenário da campanha; todos esses fatores são determinantes para que haja a permanência no combate. A derrota para as limitações internas é atestado de incompetência, de imprevisão, de falta de adequação da doutrina militar à realidade do exército. Nesse diapasão, a presente proposta de se adotar um manual de vigilância em saúde em campanha se alinha à doutrina já implantada em nosso país, não contradiz padrões de conduta do nosso exército e se constitui em medida de avanço para a instituição, na medida em que se torna mais um meio de defesa da integridade do combatente. O Brasil não precisa se arrimar em produção internacional para toda atividade que vier a desempenhar, desde que se atente para a necessidade de trazer para si a responsabilidade de produzir o que sua própria instituição sabe que precisa, e de forma adequada a sua necessidade. Seja como forma de expressão do poder nacional, seja como meio pragmático de solução de suas deficiências, a adoção de um manual de vigilância em saúde em campanha traz soluções simples para questões prioritárias dentro do exército brasileiro.

15 14 4 O CONCEITO DA PROPOSTA DO MANUAL DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE EM CAMPANHA Trata-se de uma proposta de manual de vigilância em saúde em campanha como forma de solução de vários inconvenientes causados à saúde da tropa mobilizada, e como forma de lhe dar capacidade combativa e de duração na ação. Essa proposta vem com o intuito de, produzindo doutrina originalmente nacional, oferecer ao comando, de forma simplificada, medidas para manter melhores níveis sanitários nas instalações, alimentos, água e para deixar a tropa em condições de se prevenir contra males, quer sejam à saúde do corpo quer à saúde mental. Esse trabalho vem num momento em que o Brasil tem intensificado suas participações em missões operacionais internacionais. É dentro desse esforço de deixar a Força mais combativa e adestrada que, no cenário atual de valorização da participação brasileira em missões no exterior, foram vistas a necessidade e a oportunidade de se pensar na adoção de medidas unificadas de gestão de riscos em campanha. O conceito não é inovador. Grandes organizações mundiais, como Organização Mundial de Saúde (OMS), Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), já têm produção nesse sentido (Field Manual da OTAN e Field Manual da OTAN por exemplo), e ofereceram ao presente trabalho algumas linhas e contornos para orientação das necessidades sanitárias e de saúde de uma tropa em campanha. Vê-se que a intenção de produzir o presente manual não é idéia fora de contexto, nem de valor ultrapassado. É da moderna técnica a produção de manuais de saúde, vigilância sanitária e gestão de riscos em geral, para a orientação das ações militares, quer sejam atividades de instrução, quer sejam atividades de operação. Nesse diapasão, o manual apresentado tem grande valor e abrangência. É resultado do aprendizado adquirido nas operações em que o Brasil tem-se engajado, e além disso, é resultado do reconhecimento da necessidade desse conhecimento, ou, pelo menos, de sua grande utilidade. Bento (2006), expõe que:

16 15 Hoje, uma Doutrina Militar consta de um enorme contexto de documentos que constituem em seu conjunto o Corpo de Doutrina, que para entrar em vigor necessita de regulamentação. Além disso, do conhecimento, do estudo e da prática por parte de todos os possíveis executantes, apoiados em manuais específicos (grifo dos autores), como os traduzidos pelo Estado-Maior da Zona Interior da Força Expedicionária Brasileira que funcionou na Casa de Deodoro, no Rio de Janeiro. Um Corpo de Doutrina do Exército, nestas condições, tem sido o grande desafio aos historiadores, pensadores, instrutores, planejadores e chefes militares do Exército. O autor não só fala sobre o que vem a ser a criação da doutrina militar, em que peças ela se materializa, mas vem dizer da necessidade e da grata satisfação da criação daquilo que o autor chama de doutrina tupiniquim 2. Contribui-se com o sonho antigo de grandes generais brasileiros, que não por vaidade queriam a produção caseira de doutrina militar, mas por perceber que quanto mais adaptada a doutrina de um exército à suas características territoriais, culturais e econômicas, mais essa força armada consegue colocar-se em uso de forma eficiente. O articulista informa ainda que, dentre aqueles ilustres que adaptaram doutrinas militares estrangeiras às nossas realidades operacionais, o Duque de Caxias, desponta como pioneiro, ao adaptar, em 1863, como Ministro da Guerra, às realidades operacionais que ele vivenciara no Maranhão, em São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e na Guerra contra Oribe e Rosas (1851/52), as Ordenanças de Portugal ou a Doutrina Militar Portuguesa, de influência inglesa. Como resultado, os nossos derrotados inimigos da época testemunharam a eficiência atingida. A iniciativa adotada para nortear o manual aqui apresentado, de utilizar legislação nacional, bem como internacional, em nada desnatura a nacionalidade da criação doutrinária, nem lhe diminui ou desmerece no âmbito de aplicabilidade em caso de adoção pela força terrestre brasileira. Pelo contrário, o estudo das tendências mundiais de emprego de ações de gestão de riscos em campanha aponta o caminho que poderá vir a ser percorrido pelo inimigo e a adaptação desse conhecimento às nossas necessidades oferece uma vantagem em combate. A vantagem decorre do conhecimento do modus operandi internacional aliada à aplicação diferenciada de procedimentos adaptados à realidade brasileira. 2 Como historiador militar terrestre que me tornei desde que saí da ECEME e estimulado pelas idéias que ali colhi, passei a sonhar que o Brasil, disporia um dia de uma doutrina militar terrestre genuína, como as que possuem as grandes potências e as grandes nações. Doutrina "Tupiniquim" como a que sonhava, o pensador militar Marechal Humberto de Alencar Castello Branco, patrono da ECEME. (BENTO, 2006).

17 16 Ainda dentro da análise do conceito do trabalho que é apresentado, vê-se que uma doutrina militar considera duas constantes o homem e sua contínua mudança e o resultado dessas constantes agindo conjuntamente deve ser a modernização de métodos e a ampliação do conhecimento.

18 17 5 MATÉRIA ABORDADA E SUA ABRANGÊNCIA O trabalho contempla uma gama de estudos e assuntos correlacionados, que dão ao usuário do manual uma visão muito completa das variantes e determinantes da saúde de sua tropa. Com a ampliação da exposição do combatente brasileiro a diferentes riscos ambientais, foi identificada a necessidade de serem trabalhados muitos dos conceitos tradicionalmente aventados em estudos de vigilância sanitária e saúde em campanha, de maneira a atender às necessidades específicas das tropas militares no desempenho de suas atividades. Em sua estruturação por assuntos o manual de vigilância em saúde em campanha apresenta o seguinte sumário: CAPÍTULO 1 - GESTÃO DOS RISCOS EM CAMPANHA ARTIGO ÚNICO - Generalidades CAPÍTULO 2 - EDUCAÇÃO AMBIENTAL E SANITÁRIA ARTIGO I - Introdução ARTIGO II - Dejetos Humanos ARTIGO III - Depósito e Destinação do Lixo ARTIGO IV - Lixo Hospitalar e Contaminantes CAPÍTULO 3 - MEDIDAS PROFILÁTICAS PARA A TROPA ARTIGO I Introdução ARTIGO II Importância e Responsabilidades ARTIGO III Medidas de Prevenção ARTIGO IV Saúde Mental do Combatente

19 18 CAPÍTULO 4 - VIGILÂNCIA SANITÁRIA NAS INSTALAÇÕES ARTIGO I - Introdução ARTIGO II - Áreas de Descanso ARTIGO III - Áreas de Saneamento ARTIGO IV - Áreas Destinadas ao Serviço de Saúde ARTIGO V - Instalações e Equipamentos Destinados ao Preparo de Alimentos CAPÍTULO 5 - VIGILÂNCIA SANITÁRIA EM ÁGUA ARTIGO I - Introdução ARTIGO II - Qualidade da Água ARTIGO III - Recomendações aos Combatentes CAPÍTULO 6 - SEGURANÇA NA QUALIDADE DOS ALIMENTOS ARTIGO I - Introdução ARTIGO II - Doenças Transmitidas por Alimentos ARTIGO III - Manipuladores de Alimentos ARTIGO IV - Preparação de Alimentos CAPÍTULO 7 - CONTROLE DE PRAGAS E VETORES ARTIGO I - Introdução ARTIGO II - Principais Doenças e seus Vetores ARTIGO III - Pragas ARTIGO IV Medidas de Prevenção Contra Pragas e Vetores CAPÍTULO 8 - PROTEÇÃO CONTRA ANIMAIS PEÇONHENTOS E VENENOSOS ARTIGO I - Introdução

20 19 ARTIGO II - Animais Peçonhentos e Venenosos ARTIGO III - Medidas Preventivas Fruto de delongada e profunda pesquisa acerca de cada assunto, cada tópico foi cuidadosamente selecionado e introduzido no trabalho final. Os assuntos tratados têm sua razão de ser no corpo do manual e são considerados conhecimentos minimamente bastantes para se desenvolver as atividades de emprego de tropa em campanha com gestão dos riscos ambientais e sanitários em níveis de segurança dentro do esperado. As medidas de gestão de riscos consideraram, em cada área de atuação de cada capítulo, as principais doenças registradas em todas as regiões do mundo 3, sendo que tropas que estejam mobilizadas nessas regiões estarão sujeitas a essas ocorrências. Todos os títulos acima expostos são tomados como imprescindíveis em um manual que tem por ambição ser completo e exeqüível, reconhecendo-se que matérias podem vir a ser acrescentadas, de modo a se aumentar o conhecimento contido no manual, pois este trabalho não é à prova de críticas. Porém, se aumentá-lo pode vir a ser recomendável se assim apontarem estudos futuros, diminuí-lo pode vir a ser um erro. Em seguida, será feita a apresentação de cada um dos assuntos, com o fito de se expor sua abrangência. 3 Informação extraída de : CENTER FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Traveler s health Destination. Disponível em: <wwwn.cdc.gov/travel/destinatiolist.aspx>. Acesso em: 22 maio 2008.

21 20 6 DO CAPÍTULO GESTÃO DOS RISCOS EM CAMPANHA 6.1 SAÚDE A saúde é definida pela Organização Mundial da Saúde como o estado de completo bem-estar físico, mental e social, não apenas a ausência de doenças e enfermidades. Embora o conceito apresentado pelo organismo internacional seja um dos mais difundidos, foi objeto de diversas críticas, por transformar a idéia de saúde em um ideal a ser atingido em decorrência do emprego do vocábulo completo. Dentre os vários conceitos de saúde oferecidos pela literatura especializada, para os fins desse manual, adotar-se-á uma noção funcional: saúde é o estado físico, mental e social de aptidão do militar para o combate. 6.2 FATORES DE RISCO Vários fatores podem influenciar a geração de riscos à integridade da saúde das pessoas. Merecem destaque os fatores biológicos, os fatores sociais, os fatores ambientais e os fatores políticos. Os fatores biológicos estão relacionados às características individuais carregadas por cada pessoa. Estão ligados, sobretudo, à herança genética recebida, a qual pode aumentar ou diminuir a propensão de se contrair enfermidades. Os fatores sociais relacionamse principalmente com estilo de vida. Os fatores ambientais estão vinculados às condições geográficas e os fatores políticos associam-se, em síntese, à qualidade da estrutura de atendimento oferecida à população. Todos esses fatores podem, em maior ou menor grau, sofrer influências decorrentes da ação humana. Os cuidados concernentes à saúde têm por escopo a redução do risco acarretado pelos fatores mencionados.

22 VIGILÂNCIA EM SAÚDE A vigilância em saúde é definida como sendo uma maneira de pensar e agir que apresenta instrumentos de análise das diversas situações de saúde, considerando as diferenças geográficas, as situações de incidência e distribuição de doenças (epidemiologia), bem como suas conseqüências, a organização social da localidade, os recursos e a capacidade técnico-operacional. A expressão Vigilância Sanitária, utilizada algumas vezes no manual proposto, é menos abrangente que a Vigilância em Saúde. É dirigida para aspectos de prevenção e controle de doenças, seus agentes causadores e seus vetores, em detrimento a estudos epidemiológicos e de impactos ambientais. Envolve medidas sobre o meio, a água, os alimentos e resíduos. 6.4 GESTÃO DOS RISCOS A eficiência dos militares alocados para o combate está diretamente relacionada à manutenção de sua saúde. Naturalmente, isso só será possível se os devidos cuidados forem observados. Para tanto, o militar deve conhecer, dominar e aplicar corretamente as técnicas relacionadas às medidas de vigilância sanitária, conforme sua esfera de responsabilidade. Visando a minimizar a possibilidade de agravos à saúde da tropa em campanha, há, portanto, a necessidade de implementação de ações de vigilância sanitária e vigilância ambiental no âmbito de atuação do Exército. Todos os fatores que podem envolver direta ou indiretamente a saúde dos recursos humanos interessam à vigilância sanitária militar. Tomando por base a situação de campanha na qual podem as tropas do Exército Brasileiro eventualmente se encontrar, há alguns aspectos essenciais que são abordados pelo presente manual, quais sejam: a educação ambiental e sanitária, as medidas profiláticas, a vigilância em instalações, a vigilância sanitária em água, a segurança na qualidade dos alimentos, o controle de pragas e vetores e a proteção contra animais peçonhentos e venenosos. O capítulo Gestão dos Riscos tem caráter introdutório. Nele são apresentados alguns dos conceitos básicos utilizados no manual, como saúde, vigilância sanitária e fatores de risco. Sem a apresentação desses conceitos, os usuários do manual poderiam ter

23 22 dificuldades ao abordar idéias mais complexas enfrentadas nos capítulos seguintes. É uma questão de didática. O conceito de saúde foi extraído da Organização Mundial de Saúde (World Health Organization) e pode ser encontrado na Constituição da Organização Mundial da Saúde (Constitution of the World Health Association). As idéias de fatores de risco empregadas pelo manual podem ser facilmente verificadas na literatura especializada. Superado esse breve intróito, o capítulo de gestão de riscos em campanha passa a tratar dos principais temas abordados em cada um dos capítulos seguintes. É feita uma descrição dos temas englobados pelo manual, com uma rápida passagem atinente aos riscos associados a cada assunto - educação ambiental e sanitária, medidas profiláticas, vigilância sanitária em instalações, vigilância sanitária em água, segurança na qualidade dos alimentos, controle de pragas e vetores, proteção conta animais peçonhentos e venenosos. 6.5 EDUCAÇÃO AMBIENTAL E SANITÁRIA A educação ambiental e sanitária abrange, essencialmente, a necessidade da gestão eficiente de detritos para se evitar a contaminação do solo, do ar ou da água. Pela manutenção da higidez dos militares é proporcionada uma ação integrada com os outros pontos críticos a serem implementados. A observação cuidadosa das normas de educação ambiental e sanitária permite, por exemplo, que sejam evitados problemas como o lixo mal manuseado, o qual pode atrair roedores e estes, por conseguinte, serpentes nesse caso estarse-ia evitando a disseminação de doenças e do risco de acidente ofídico. Com a adoção de medidas simples podem ser evitadas baixas significativas do contingente envolvido nas operações, pois uma vez que se permita que o lixo seja jogado ou deixado no meio ambiente, há o risco de se trazer problemas de implicação direta para a tropa. 6.6 MEDIDAS PROFILÁTICAS A identificação antecipada de situações de risco visa a impedir a ocorrência de moléstias na tropa ou a minimizar seus efeitos. As medidas profiláticas abrangem tanto a saúde física quanto a mental, haja vista que ambas são vitais para que a missão seja cumprida eficazmente.

24 VIGILÂNCIA SANITÁRIA EM INSTALAÇÕES As instalações utilizadas pela tropa em campanha são partes fundamentais das operações de combate, mas, se indevidamente manutenidas, podem constituir um foco de problemas sob o ângulo da saúde. Instalações mal organizadas, incorretamente higienizadas, ou planejadas de forma inadequada, estão sujeitas a aumentar o risco de contaminação e de propagação de doenças e moléstias. Basta lembrar que as instalações são áreas de grande concentração de pessoas, logo, a possibilidade de transmissão de agentes causadores de enfermidades é significativamente maior. O capítulo descreve as normas a serem observadas para a manutenção das condições de higiene e segurança nas instalações. Os tipos de instalações de interesse para o manual são, primeiramente, todas as instalações referentes à áreas de descanso partindo-se da idéia de se estar em campanha, o manual aborda tanto as medidas a serem adotadas em situações de campo acampamentos, acantonamentos e bivaques quanto as medidas relacionadas a instalações mais complexas, situadas na zona de administração ou em trechos mais recuados da zona de combate. Nessas localidades, a tendência é a de serem montadas estruturas mais elaboradas, verdadeiros alojamentos. Em certos casos, até mesmo construções de alvenaria serão encontradas. O manual estabelece normas para todas esses casos. A principal fonte de consulta utilizada nessa parte foi a Norma Regulamentadora nº 24 do Ministério do Trabalho, a qual trata das Condições Sanitárias e de Conforto nos Locais de Trabalho. Em seguida, há uma seção destinada às áreas de saneamento. Pouca atenção é reservada às instalações de esgoto, pois além de incomuns na situação de campanha (embora possam ser construídas), já são objeto de manual específico (vide Capítulos 6 e 7 do C 5-39). Mais atenção é destinada às instalações sanitárias. Não é abordada a questão das latrinas de campanha ou outros componentes assemelhados, pois já são objeto de explicações mais detalhadas no Capítulo 2. As poucas referências feitas às instalações de esgoto foram retiradas do C 5-39, enquanto o regramento relacionado às instalações sanitárias foi consultado na mencionada Norma Regulamentadora nº 24 do Ministério do Trabalho. A terceira parte do capítulo cuida das áreas destinadas ao serviço de saúde. As regras ali sistematizadas incidem sobre qualquer tipo de instalação de saúde, seja um posto de saúde, seja um centro de saúde, seja um hospital ou uma clínica. Há grande preocupação com o dimensionamento adequado para os diversos tipos de ambiente. A principal fonte de

25 24 consulta foi a Resolução RDC nº 50 de 21 de fevereiro de 2002, atualizada pela Resolução RDC nº 307 de 14 de novembro de 2002, ambas da ANVISA. A RDC 50/2002 dispõe sobre o planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. Finalmente, a última parte do capítulo versa sobre as instalações e equipamentos destinados ao preparo de alimentos. São abordados três assuntos: cuidados com as instalações, cuidados com os equipamentos, e higienização. Aqui foram utilizadas como fonte de consulta a Resolução nº 216 de 15 de setembro de 2004, da ANVISA, que dispõe sobre as boas práticas para os serviços de alimentação, e a Portaria Nº 854/SELOM, de 4 de julho de VIGILÂNCIA SANITÁRIA EM ÁGUA Como elemento essencial de sobrevivência ao ser humano, a gestão da quantidade e da qualidade da água fornecida exerce papel crucial dentre as atividades de vigilância. Por meio da água, a transmissão de grande veiculação de patógenos é potencializada. Seus principais pontos de controle são: captação, tratamento e reservatórios. No atual estágio de conhecimento sobre os riscos envolvidos com o consumo de águas de fontes diversas, é seguro afirmar que o tema Vigilância Sanitária da Água em Campanha é muito importante. Com a imensa quantidade de doenças que podem ser transmitidas pelo uso de água contaminada, seja pela bebida, seja pelo seu uso na higiene e na preparação de alimentos e utensílios envolvidos, é fundamental que o comando das operações volte sua atenção para esse assunto. A importância desse assunto é tal que muitas organizações internacionais, desempenhando missões em diversas partes do mundo, bem como exércitos estrangeiros, possuem publicações cujos objetivos são a prevenção e a redução dos riscos associados à qualidade das águas disponíveis. Fontes de água contaminadas, seja a contaminação acidental, seja por atos de sabotagem por parte das forças adversas, ou mesmo por atos de bioterrorismo, quando contaminantes das mais diversas naturezas são lançados propositalmente pelo inimigo, são passíveis de ocasionar muitas baixas, com severos prejuízos ao êxito das operações. Tais contaminações podem ocorrer em qualquer ponto desde a captação da água para tratamento até que seja distribuída aos usuários. A falta de controle da qualidade da

26 25 água, mesmo dos reservatórios após o tratamento, poderia condenar a ação ao fracasso, mesmo antes que ocorresse o combate. Os usuários, por sua vez, abastecem seus cantis, ou, no caso de cozinhas e hospitais, seus respectivos recipientes, e ainda têm que se preocupar com medidas de higiene para evitar contaminações decorrentes de locais por onde passem, ou por usar seus recipientes para colocar soluções não autorizadas que possam oferecer risco à saúde. Designar uma equipe de militares para aplicação de medidas de vigilância sanitária, com um nível mínimo de conhecimento técnico e preparado para cuidar da qualidade da água que os soldados utilizarão, sem dúvida poderá aumentar muito a possibilidade de os combatentes durarem na ação. O manual apresenta, em linguagem simples, para permitir a compreensão por qualquer militar com grau mínimo de estudo, medidas práticas para se controlar a qualidade da água utilizada pela tropa e recomendações a serem adotadas para cada usuário que servirão para prevenir problemas de saúde decorrentes da utilização da água. Para a análise da água, foi indicado um kit rápido, que oferece resultados confiáveis e em tempo reduzido, sem demandar infra-estrutura laboratorial ou conhecimentos técnicos dos analistas. O processo de tratamento da água não foi abordado, pois essa atividade é atribuição da Engenharia, cabendo à equipe de vigilância sanitária apenas as atividades de inspeção da água antes da captação e ao longo do processo de distribuição para os usuários. As atividades de educação da tropa quanto à necessidade de se adotarem as medidas de higiene para a manutenção das boas condições de seus cantis, canecos, marmitas e talheres, bem como as orientações de utilização dos comprimidos desinfetantes foram bem exploradas. Os parâmetros de aceitabilidade da água recomendados no presente manual foram extraídos de legislação específica, publicada pelo Ministério da Saúde para sistemas de abastecimento públicos de água, descartando, obviamente, os critérios que não serão analisados em uma situação de campanha. 6.9 SEGURANÇA NA QUALIDADE DE ALIMENTOS A segurança na qualidade de alimentos é garantida por meio da apreciação das condições sanitárias dos gêneros alimentícios a serem consumidos pela tropa. Tais medidas

27 26 devem sempre ser implementadas, pois a alimentação da tropa pode atuar como um mecanismo generalizador dos efeitos de doenças pela padronização da sua elaboração. É, desse modo, de extrema importância a mantença de uma análise de perigos e pontos críticos de controle dos alimentos. Esse capítulo foi baseado na Resolução nº 216 de 15 de setembro de 2004, da ANVISA e na Portaria Nº 854/SELOM, de 4 de julho de Outras normas foram consultadas, mas optou-se por esses sistemas pelos motivos abaixo explicados. Primeiramente, por se tratar de entidades pátrias, o que confere maior grau de afinidade de suas normas com a realidade enfrentada pelo Exército Brasileiro. O recurso a sistemas e mecanismos estrangeiros, ainda que mais avançados, pode criar um distanciamento entre a norma e seu efetivo cumprimento, por não estar plenamente adaptado à realidade brasileira. Logo, preferível o embasamento das normas num sistema articulado por entidades nacionais. O segundo motivo reside na facilidade encontrada em se manusear as informações ali contidas. As fontes de consulta, se suficientemente abrangentes, traduzem-se em praticidade e economicidade, sem oferecer a dificuldade de harmonização de regras esparsas. Tomaram-se por base fontes de consulta completas e organizadas provendo sintonia entre o normatizado e o aplicável. Para a confecção da tabela de doenças transmitidas por alimentos, utilizou-se o quadro elaborado pela entidade americana US Food and Drug Administration, o qual é designado, no original, Onset, Duration, and Symptons of Foodborne Illness CONTROLE DE PRAGAS E VETORES Outro fator importante reside no controle de pragas e vetores. A higienização dos ambientes ocupados pelos militares terá pouca valia se agentes transmissores puderem acessar tais localidades trazendo consigo as doenças. Visando a diminuição desse tipo de contaminação, é importante adotar medidas específicas dependentes de suas características epidemiológicas. No mesmo sentido, deve ser buscado esclarecimento dos militares sobre os processos e riscos à saúde causados pelos vetores de doenças em atividades operacionais.

28 Controle de Vetores Define-se como controle de vetores o controle de artrópodes que podem veicular um determinado agente etiológico ou veneno, provocando várias doenças ou danos ao homem e animais; o controle de roedores que podem transmitir a peste, a leptospirose e outras doenças; e o controle de animais domésticos, como gatos e cães e outros responsáveis pelos casos de raiva humana. São muitas as enfermidades transmitidas por, ou associadas a vetores que exigem controle sistemático e permanente. São doenças que requerem várias medidas de saúde pública, como saneamento ambiental, controle veterinário, adequação dos sistemas de esgoto e resíduos sólidos e outras medidas específicas dependentes de suas características epidemiológicas. O manual apresenta a descrição e principais características das doenças de importância epidemiológica para os militares, que devem ser consideradas em planejamentos de ocupação de áreas, assim como orientações para prevenção de agravos à saúde. O capítulo tem por objetivos principais oferecer conhecimentos à tropa, sobre as principais doenças transmitidas por vetores, sua forma de transmissão e as características epidemiológicas pertinentes aos procedimentos de prevenção e controle; esclarecer os militares empregados em atividades operacionais sobre os processos e riscos à saúde causados pelos vetores de doenças; reduzir a morbidade por doenças veiculadas por ou associadas a vetores Pragas Animais que causam danos à saúde humana, bem como perda de gêneros alimentícios em estoque; representados no manual, para fins de prevenção e controle, pelos animais sinantrópicos.

29 Animais Sinantrópicos Animais sinantrópicos são aqueles que se adaptaram a viver junto ao homem, a despeito da vontade deste. Destacamos, dentre os animais sinantrópicos, aqueles que podem transmitir doenças, causar agravos à saúde do homem. Os animais sinantrópicos, como todos seres vivos, necessitam de três fatores para sua sobrevivência: água, alimento e abrigo A água não é fator limitante no nosso meio, mas podemos interferir nos outros dois fatores alimento e abrigo de modo que espécies indesejáveis não se instalem ao nosso redor Controle de Animais Sinantrópicos As atividades de controle de animais sinantrópicos têm o objetivo de minimizar o risco de ocorrência de agravos à saúde humana. Estas atividades compreendem um conjunto de ações que recebem o nome de manejo integrado, consistindo na adoção de medidas preventivas, de manipulação ambiental, educação em saúde e utilização racional de produtos aplicados no controle dos animais sinantrópicos, desinfestantes PROTEÇÃO CONTRA ANIMAIS PEÇONHENTOS E VENENOSOS A gestão dos riscos relativos à presença de animais peçonhentos e venenosos deve seguir as recomendações de uma análise prévia das características do local onde se restringirá a atividade operacional. O conhecimento da fauna e da aplicação das medidas preventivas fazem parte de ações integradas que devem ser colocadas em prática com as situações acima expostas. Estas ações vislumbram uma aplicabilidade das medidas de Vigilância de Saúde em Campanha. Toda a análise de risco que o combatente possa vir a estar sujeito é alvo de adoção de medidas preventivas e que possivelmente envolverão a ação integrada com outros protocolos de vigilância em saúde. Ao se restringir em uma situação operacional, o militar precisará ter um certo conhecimento de como colocar as medidas preventivas contra o ataque de animais

30 29 peçonhentos e venenosos em prática. Sua responsabilidade neste aspecto deve existir como disciplina consciente mesmo na ausência dos fatores que contribuam. A Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (FUNDACENTRO) e a Fundação Nacional da Saúde destacam o assunto pela importância da atuação da medicina preventiva no trabalho. O Comando de Material e Pesquisa Médica do Exército dos Estados Unidos também foca para a manutenção da saúde do combatente e orienta quanto aos agravos relacionados com os acidentes por animais peçonhentos e venenosos. O presente manual visa dar conhecimentos para que o combatente possa identificar, atuar e prevenir todo malefício que os acidentes por animais peçonhentos e venenosos possa ocasionar, bem como fornecer noções básicas de primeiros socorros em um acidente ofídico.

31 30 7 DO CAPÍTULO: EDUCAÇÃO AMBIENTAL E SANITÁRIA Nesta parte do trabalho é tratada a destinação dos detritos, sendo estes todos os tipos de resíduos resultantes das atividades vitais humanas ou animais, sendo abordados os dejetos humanos (fezes e urina), lixo comum e lixo hospitalar. Foi tratada a destinação dada a cada tipo de detrito de acordo com a manobra estratégica empregada e localização da unidade. Ressalta-se a importância médica do assunto, para que se venha a evitar a ocorrência de doenças, citando-se febre tifóide e paratifóide, diarréias infecciosas, amebíase, ancilostomíase, esquistossomose, teníase, ascaridíase, o cólera e outras doenças que podem se tornar prevalentes. No capítulo são conferidas responsabilidades e atribuições. Para a eliminação dos dejetos foram consideradas várias hipóteses em que a tropa pode se encontrar e dispositivos foram sugeridos, com ilustrações, como tipos de latrinas e mictórios, poços ou valas de absorção, caixas de gordura, etc. Para os tipos de dispositivos de eliminação de detritos foram traçados parâmetros para a seleção do tipo mais conveniente, do local a serem instaladas, normas para manutenção e seu fechamento. No manual também foi contemplada a temática da utilização de equipamentos de proteção individual (EPI) e nesse tocante, também de forma ilustrada, foi sugerido o equipamento. O RUE (Regulamento de Uniformes do Exército) em seu Art. 5º prevê: É proibido alterar as características dos uniformes, bem como sobrepor, aos mesmos, peças, insígnias ou distintivos, não previstos neste Regulamento. Parágrafo único. É admitido o uso de: I - crachá de identificação, quando exigido pela segurança orgânica, no âmbito do órgão considerado; e II - telefone celular com capa preta, preso ao cinto, no lado esquerdo, exceto nos uniformes 1º, 2º e 3º A, pelo militar isolado. No Art. 7º: Contingente de tropa brasileira no exterior, quando as condições particulares de sua área de operações indicarem, poderá utilizar peças complementares, não previstas neste Regulamento, mediante autorização de seu Comandante.

32 31 Como pode se constatar o regulamento não autoriza o uso dos equipamentos de proteção individual (EPI) em conjunto com o uniforme 4ºA1. Como é imprescindível o uso desses equipamentos citados, sugere-se uma proposta de atualização do referido regulamento com artigo que autorize a necessária combinação.

33 32 8 DO CAPÍTULO: MEDIDAS PROFILÁTICAS PARA A TROPA Neste capítulo foram tratados assuntos de reconhecida importância e privilegiou-se a inovação. Segundo Costa (1993) a Vigilância Sanitária é o conjunto de ações dirigidas à defesa e a proteção da saúde coletiva, cuja função é identificar e controlar permanentemente os fatores de risco à saúde individual e coletiva. Para se ter melhor entendimento, é necessário definir fator de risco. Considera-se fator de risco toda característica ou circunstância que acompanha um aumento da probabilidade de ocorrência do fator indesejado, sem que o dito fator tenha de intervir necessariamente em sua causalidade (CLAP-OPAS/OMS, 1988). A partir do exposto acima, é possível entender a importância da promoção da saúde coletiva e individual da tropa, que pode ser desenvolvida pela prevenção dos agravos à saúde, visando diminuir os fatores de risco, que aumentam a probabilidade de ocorrência de agravos e doenças. As condições de saúde dos membros de uma tropa são extremamente importantes para a permanência no combate, contribuindo sobremaneira na qualidade e sucesso da missão. Sendo assim, este capítulo visa a contribuir com o líder da unidade fornecendo informações sobre como promover e manter a saúde dos soldados em campanha, através da identificação antecipada de situações de risco para a saúde, a fim de minimizar os efeitos desses riscos ou impedir a ocorrência dos mesmos. Na busca de condições favoráveis à prevenção de agravos e doenças, é necessário vislumbrar as necessidades básicas individuais e coletivas que garantam, em circunstâncias especiais de campanha, uma melhor qualidade de vida para a tropa no desenvolvimento de suas atividades em campo. Desta forma, optou-se por desenvolver um capítulo cujo conteúdo abordasse as medidas profiláticas para os combatentes. Dentre as medidas preventivas, estão aquelas voltadas para o indivíduo, baseado no binômio saúde doença; e para a coletividade, que tem como suporte científico a saúde pública. Das medidas individuais, foram descritas aquelas relativas a higiene pessoal, a higiene mental e proteção contra fenômenos atmosféricos, levando em consideração os cuidados com o ambiente que circunda o combatente, tendo como objetivo cuidar da saúde física e mental do soldado, a fim de promover precondições para evitar o adoecimento e os agravos à saúde.

34 33 Ao profissional responsável pela saúde da tropa cabe uma importante parcela da ação preventiva: a decisão técnica, a ação preventiva e parte da ação educativa. O sucesso da prevenção em termos genéricos, só depende parcialmente dos especialistas, pois é necessário um amadurecimento dos comandantes das missões em acatar ou não o assessoramento, além disso, a falta de um instrumento regulador para as ações de promoção da saúde em campanha dificulta a homogeneidade das atividades comuns de prevenção. O caráter educativo desenvolvido pelos profissionais responsáveis pela missão visa a desenvolver no combatente a conscientização de que suas ações são importantes para garantir a sua saúde, envolvendo-o no processo. Para que a promoção seja eficaz, é necessário ter conhecimento dos múltiplos fatores relacionados com o agente, o suscetível e o meio ambiente, e com a evolução da doença ao acometido (ROUQUAYROL, 2003). Para atender a este pressuposto foram elaboradas medidas de prevenção primária específica através da vacinação dos indivíduos susceptíveis antes da exposição aos agentes patogênicos. Foram descritas as vacinas consideradas obrigatórias para o uso no Exército Brasileiro (DGP, 2003); além de propor outras vacinas que abranjam outras doenças de importância epidemiológica para o local onde serão designados os soldados. Para atingir este objetivo foi realizado uma pesquisa nos sites da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde (MS), correlacionando as regiões geográficas do Globo Terrestre com as doenças infecciosas mais comuns e de maior prevalência, visando auxiliar os assessores do Comandante da missão, a fim de estabelecer o esquema vacinal mais eficaz e compatível com as necessidades da região de destino. No entanto, tal análise deve se ater ao dinamismo das doenças, sendo usada apenas como fonte de consulta, não excluindo a verificação do panorama epidemiológico do local de destino, para interpolar com maior precisão as medidas preventivas. No capítulo foi abordada, também, a promoção de saúde pela adoção de medidas coletivas, através do controle de veículos transmissores de doença e cuidados com a qualidade da água e alimentação. Todas estas medidas foram escolhidas por permitir a neutralização dos fatores de risco à saúde através da sua implementação na tropa. Estas medidas têm caráter coletivo, pois para serem realizadas com sucesso é necessário um comprometimento de todos na tropa; por exemplo: se todos os militares realizarem a vacinação contra a febre amarela e apenas um único combatente não for imunizado, este corre o risco de ser infectado pelo vírus e transmitir para os outros combatentes através da picada do mosquito; caso a fonte de água não tenha a qualidade desejada, vários indivíduos poderão ser acometidos por doenças do trato gastrointestinal, como por exemplo, verminoses, que

35 34 poderão circular pela tropa mediante a própria água ou pelo consumo de alimentos contaminados pela falta de higienização das mãos e de utensílios utilizados pelos indivíduos infectados. Conforme foi visto nos parágrafos anteriores, a prevenção deve permear todas as ações da tropa, a fim de evitar ou minimizar os agravos/doenças entre os indivíduos. As doenças infecciosas têm, normalmente, o poder de vitimar vários indivíduos em curto espaço de tempo, o que seria catastrófico para qualquer operação militar, pois os números de baixas cresceriam exponencialmente. Além disso, deve-se oferecer aos indivíduos condições mínimas de sobrevivência, com o objetivo de garantir a melhor qualidade de vida possível durante a atividade de campanha que é por si só estressante e desgastante para o combatente. Defende-se no capítulo, após se definir a profilaxia como a ação antecipada, tendo por objetivo interceptar ou anular a evolução de uma doença, a importância da adoção dessas medidas. São definidas responsabilidades, enumeradas e explicadas medidas de prevenção e promoção da saúde, medidas como asseio corporal, higiene oral, cuidado com os pés, alimentação e bebidas, proteção contra as intempéries, proteção específica contra doenças infecciosas, contra veículos transmissores de doenças e saúde mental, sob a epígrafe de controle e combate ao estresse. Na maior inovação inserida no manual, figura o subitem saúde mental do combatente, onde são abordadas questões de controle e combate ao estresse. Inserido no ambiente de profilaxia e prevenção de doenças, o assunto é tratado com a seriedade que merece num nível de profundidade capaz de surtir efeitos no moral do combatente. Estresse é definido como uma reação do organismo, com componentes físicos e/ou psicológicos, causada pelas alterações psicofisiológicas que ocorrem quando uma pessoa se confronta com uma situação que, de um modo ou de outro, a irrite, amedronte, excite ou confunda, ou mesmo que a faça imensamente feliz. É uma resposta da mente e do corpo a qualquer exigência do ambiente. O que aciona este processo que leva a mudanças tão sérias no funcionamento do organismo é o que denominamos estressor, para diferenciar a reação do estresse do estímulo que elicia esta reação. Qualquer situação geradora de estado emocional forte que leve a uma quebra da homeostase interna e exija alguma adaptação pode ser chamada de um estressor.

36 35 Defende-se a idéia de que um exército eficiente deve reunir forças estratégicas contra toda a gama de ameaças dentro dos mais variados teatros operacionais. Em áreas de maior preocupação estratégica, o exército deve estar preparado para lutar em batalhas de extensão e intensidade sem precedentes. Cada cenário envolve a sua própria combinação única de estressores que devem ser controlados para assegurar que as nossas forças atuem em suas melhores condições. Este assunto é tratado dentro da ótica dos desafios a serem enfrentados nos ambientes de batalha, considerando-se algumas implicações para a luta contra o estresse do combatente em situação de campanha. São feitas, então considerações sobre os efeitos da batalha nos combatentes, e fica exposto que sob o domínio dos fatores estressores observa-se que a vigilância deteriora, determinações e cálculos tornam-se imprecisos, relatórios tornam-se defeituosos, as decisões tornam-se lentas e imprecisas, as ordens são mal entendidas e esquecidas, as armas são utilizadas abusivamente ou subutilizadas, manutenção e prevenção são esquecidas, a motivação para desempenhar funções diminui, a eficácia dos líderes diminui, a formação torna-se ineficaz. Há ainda considerações acerca do controle e combate ao estresse, e o capítulo finaliza com a exposição de maneiras pelas quais se pode controlar e combater o estresse.

37 36 9 DO CAPÍTULO: VIGILÂNCIA SANITÁRIA NAS INSTALAÇÕES A vigilância sanitária nas instalações compreende o conjunto de medidas observadas quanto à manutenção da infra-estrutura de campanha em atenção à garantia dos padrões e condições de higiene necessários para a preservação da saúde do pessoal. Para os fins do capítulo, entende-se por instalações todas as partes componentes da infra-estrutura física empregada pela tropa em campanha. Incluem-se também no conceito as áreas ocupadas para o estacionamento das frações, ainda que nelas haja grau mínimo de intervenção humana. O capítulo trata das instalações categorizando-as em: áreas de descanso, abrangendo as áreas de acampamento, acantonamento, bivaque e alojamentos, conforme o caso; áreas de saneamento, que compreendem as instalações sanitárias e instalações de esgoto; áreas destinadas ao serviço de saúde, não havendo um tratamento específico para os diferentes tipos de edificação, sendo as normas aplicáveis para postos de saúde, centros de saúde, hospitais ou qualquer outra instalação destinada ao serviço assistencial de saúde em campanha; instalações e equipamentos destinados ao preparo de alimentos, compreendendo-se toda as áreas destinadas à preparação de alimentos para o consumo pela tropa, como cozinhas de campanha, depósitos de alimentos, áreas de consumo e locais de estacionamento, utensílios, ferramentas, máquinas e móveis empregados no preparo de alimentos. São traçadas diretrizes a serem adotadas quanto aos espaços a serem ocupados, seu dimensionamento mínimo, ventilação, circulação de pessoas, condutas de segurança, materiais recomendados a serem utilizados na estruturação e guarnição das instalações, iluminação, condições de asseio e higiene, e outros.

38 37 10 DO CAPÍTULO: VIGILÂNCIA SANITÁRIA EM ÁGUA De extrema importância a temática da produção, entrega e manutenção da água potável, o capítulo se preocupa com a situação das fontes e os métodos de tratamento desse recurso. Mesmo sendo de certa forma redundante a reafirmação do papel da transmissão hídrica de diversos patógenos (bactérias, vírus, protozoários e helmintos) e a transmissão oral de doenças associadas ao consumo de água, o manual não se furtou de tratar o assunto com seriedade e profundidade necessários para uma boa proteção da tropa. O capítulo oferece uma tabela relacionando as principais doenças e seus agentes patogênicos e lida com o assunto orientando o combatente em três pontos críticos no trato com a água, quais sejam: captação, tratamento e reservatório. Essas são as unidades que constituem o risco potencial de comprometimento da qualidade da água. Os principais riscos à qualidade da água se verificam nos seguintes fatos: descarga acidental de agentes contaminantes no sistema de captação; lançamento clandestino de efluentes no sistema de captação; problemas operacionais e de manutenção diversos na estação de tratamento coagulação incorreta, produto químico adulterado, lavagem ineficiente de filtros, comprometimento do leito filtrante, danos em equipamentos de manuseio de produtos químicos que podem resultar em distribuição de água não potável; penetração de contaminantes diversos nos reservatórios, sendo latas, pipas ou sacos Lyster; ausência de manutenção dos reservatórios. O conhecimento da qualidade da água fornecida à tropa ocorre com a inspeção do produto após o tratamento. Essa inspeção do produto ocorre mediante a realização de análises físico-químicas e microbiológicas, estrategicamente planejadas, para conjuntos de parâmetros de qualidade, visando atender aos padrões de potabilidade. A concepção desse procedimento é probabilística, dessa forma procura-se determinar, por uma amostragem no sistema, o risco da qualidade da água à saúde.

39 38 O capítulo oferece a forma de análise de água viável de ser desempenhada, dando atenção para: a determinação dos locais de coleta de água para análise; estabelecimento de procedimentos para a coleta das amostras; estabelecimento de critérios de avaliação; aponta um kit prático para uso de qualquer combatente, sem a necessidade de grande instrução, que determina parâmetros de potabilidade. O foco na construção do capítulo, bem como do manual, é levantar questionamentos e dar respostas, dessa forma o capítulo é bem específico em determinar o que se deve e o que não se deve fazer. Há outras tabelas que apresentam os seguintes conteúdos: padrão microbiológico de potabilidade da água para consumo humano; padrão de turbidez para água pós-filtração ou pré-desinfecção; número mínimo de amostras mensais para o controle da qualidade da água de sistema de abastecimento, para fins de análises microbiológicas, em função da população abastecida; número mínimo de amostras e freqüência mínima de amostragem para o controle da qualidade da água de solução alternativa, para fins de análises físicas, químicas e microbiológicas, em função do tipo de manancial e do ponto de amostragem. As informações ali contidas terão cabimento ora para o combatente em geral, ora para os responsáveis pela captação, tratamento e armazenamento da água. Decidiu-se, então, como forma de atender a uma necessidade que pode ser verificada com freqüência em situação de campanha, dedicar algumas linhas de conteúdo geral para o combatente no final do capitulo, dando-lhe informações úteis e orientações para o trato com a água.

40 39 11 DO CAPITULO: SEGURANÇA NA QUALIDADE DOS ALIMENTOS O controle de qualidade dos alimentos consiste no conjunto de medidas destinadas a apreciar as condições sanitárias dos gêneros alimentícios a serem consumidos pela tropa em campanha. Tais medidas devem ser conhecidas, observadas e aplicadas por todo o pessoal envolvido na operação militar, conforme suas respectivas esferas de atribuições. Esclarece que a não observância das medidas de controle relacionadas naquele capítulo acarreta o risco de contaminação da tropa. Em caso de efetiva contaminação, as conseqüências variam conforme as características fisiológicas de cada indivíduo e o tipo de moléstia contraída. Os casos simples costumam gerar dores, diarréias e vômitos, enquanto situações mais graves podem levar o indivíduo à internação e até mesmo à morte. Assim, logo no início do capítulo, em suas considerações gerais, há a defesa da importância da matéria, o modo como a falta de segurança na qualidade dos alimentos pode vir a causar danos à tropa em campanha. Conforme o nível de gravidade das moléstias contraídas em decorrência da contaminação, o resultado prático, no mais das vezes, é a incapacitação para o combate. Outro aspecto relevante que é lembrado no manual é o risco de generalização do estado patológico, haja vista que a alimentação distribuída à tropa em campanha é padronizada e distribuída de forma massificada, e quando houver contaminação, em regra, um grande número de pessoas será atingido. A preparação de alimentos em larga escala é particularmente suscetível à contaminação em razão das formas de armazenamento e de manipulação exigidas pelas circunstâncias. Considerando a importância do controle de qualidade de alimentos, no manual se oferece ao militar o conhecimento das medidas correspondentes, deixando-o apto a implementar tais medidas em campanha. O capítulo estabelece responsabilidades e dá definições para termos que são abordados no manual, para que haja maior segurança no entendimento da matéria. Em seguida, passa-se a tratar das doenças transmitidas por alimentos, sendo estas definidas como moléstias contraídas por seres humanos em decorrência do consumo de

41 40 gêneros alimentícios contaminados. A contaminação dos alimentos causadores de doenças decorre de substâncias ou agentes físicos, químicos ou biológicos. O capitulo chama especial atenção para alimentos ricos em proteínas, como carnes, aves peixes, e frutos do mar, pois estão freqüentemente relacionados a surtos de moléstias alimentares, e isso se dá por duas razões: alimentos ricos em proteínas tendem a ser de origem animal, logo nesses alimentos há a presença de microorganismos com relativa freqüência; alimentos de origem animal são ricos em proteínas que bactérias utilizam para a quebra de aminoácido, são fonte de energia para alguns tipos de microorganismos, tornandose ambiente propício para sua instalação e reprodução. Expõe os principais sintomas apresentados por doenças transmitidas por alimentos, de forma pormenorizada, com uma tabela que relaciona o tempo do início dos sintomas, os sintomas apresentados, e os microorganismos e toxinas relacionadas a tais males. O manual não se detém em enumerar os sintomas e prováveis agentes, ele cumpre com sua função ao indicar a atitude a ser tomada. Nesse momento, a penetração da matéria é tímida, pois o objetivo do trabalho é fazer a gestão dos riscos, é prevenir que haja os focos de contaminação, é impedir que áreas críticas venham a se tornar áreas de proliferação de doenças. Vencido esse ponto, o capítulo trata dos manipuladores dos alimentos, que são todos os militares ou civis que entram em contato direto ou indireto com os gêneros alimentícios destinados ao consumo da tropa durante as etapas de preparação. São apontados os cuidados a serem observados por esses agentes, como asseio, limpeza dos uniformes, conduta em caso de os agentes apresentarem lesões ou sintomas de enfermidades, e proíbe condutas, tais como fumar, cantar, assobiar, cuspir, tossir e outros atos que podem vir a contaminar os alimentos no momento de sua confecção. Não só condutas dos manipuladores dos alimentos são objeto de estudo do capítulo, mas também condutas com relação aos referidos manipuladores, como o controle de sua saúde, supervisão de suas atividades, treinamentos. No tocante à preparação dos alimentos, há o cuidado dispensado à matériaprima, como seleção e avaliação dos fornecedores, ingredientes e embalagens, transporte das matérias, cuidados no seu recebimento e acondicionamento, inspeção, manuseio, e medidas a serem adotadas em caso de ocorrência de alterações nesses quesitos.

42 41 Especial atenção é dada ao manuseio das matérias-primas, sendo dedicado um subitem que lista as boas práticas de manuseio dessas matérias, como acondicionamento, utilização, abertura de embalagens, utilização parcial do conteúdo de uma embalagem e seu consumo posterior, cuidados com datas de validade, rotulação de embalagens, e outras medidas tratadas amiúde. O capítulo trata também da destinação final dos alimentos, sua exposição para o consumo, cuidando das instalações, equipamentos, móveis, utensílios, sua higienização, disposição, uso e armazenamento.

43 42 12 DO CAPÍTULO: CONTROLE DE PRAGAS E VETORES Este capítulo define a ação de controle de pragas e vetores, e esclarece que são muitas as enfermidades transmitidas por, ou associadas a vetores que exigem controle sistemático e permanente: dengue, dengue hemorrágico, febre amarela, encefalite, dracunculose, filariose, leishmaniose, malária, esquistossomose, tripanossomíase, raiva, toxoplasmose, ornitose, leptospirose, peste, salmonelose, triquinose, oncocercose, cólera e outras. São doenças que requerem várias medidas de saúde pública, como saneamento ambiental, controle veterinário, adequação dos sistemas de esgoto e resíduos sólidos, e outras medidas específicas dependentes de suas características epidemiológicas. São traçados os principais objetivos das ações de controle, quais sejam: a redução da morbidade por doenças veiculadas por ou associadas a vetores, e esclarecer os militares empregados em atividades operacionais sobre os processos e riscos à saúde, fornecendo subsídios para a identificação dos problemas e a elaboração de estratégias de combate a vetores de diferente doenças. Aos militares responsáveis pelo controle de pragas e vetores são dadas atribuições no sentido de se operacionalizar as ações de controle. Em seguida passa a analisar as principais doenças e seus vetores, descrevendo as características dos vetores, esclarecendo acerca dos sintomas que são apresentados em cada doença, e provê informações sobre sazonalidade, hábitos do vetor, o que ajudará na prevenção da doença. São indicadas medidas de proteção individual, de proteção do efetivo, e medidas de controle dos vetores. Foram contempladas nos estudos do manual a dengue, a doença de Chagas, a febre amarela, a febre maculosa brasileira, as hantaviroses, a leishmaniose tegumentar americana e a leishmaniose visceral, a leptospirose, a malária, a peste e a raiva.

44 43 13 DO CAPÍTULO: PROTEÇÃO CONTRA ANIMAIS PEÇONHENTOS E VENENOSOS Este capítulo é resultado da importância dos riscos de acidentes ofídicos. O capítulo esclarece que no mundo todo existem, aproximadamente, 2900 espécies de serpentes. Destas, 351 são conhecidas no Brasil, das quais 70 são consideradas peçonhentas e pertencentes a dois grupos, Crotalíneos e Elapíneos, e quatro gêneros, Bothrops, Crotalus, Lachesis e Micrurus sendo responsáveis por cerca de 20 mil vítimas por ano. Apesar da importância do prévio conhecimento dos animais peçonhentos da fauna brasileira, os militares em campanha devem evitar o contato com animais estranhos, devido ao fato do possível desconhecimento das espécies da fauna local. Muitos destes podem causar danos significativos variando de pequenas feridas e irritação da pele até o envenenamento rapidamente fatal. O capítulo dá as definições de animais peçonhentos e animais venenosos, traçando a distinção entre os vocábulos, logo em seguida começa a tratar dos tipos de animais peçonhentos e venenosos, começando com as serpentes, descrevendo as características das serpentes, seus hábitos e habitats, de forma a dar ao combatente subsídios para evitar os acidentes. No capítulo também se encontram informações acerca dos ferimentos deixados pelas diferentes serpentes e efeitos de seus venenos. Mantendo o foco de dar orientações quanto ao que fazer em caso de acidentes, há as sugestões de procedimentos básicos, tais como: Não amarrar o braço ou a perna acidentada. O torniquete ou garrote dificulta a circulação do sangue, podendo produzir necrose ou gangrena e não impede que o veneno seja absorvido; Não se deve cortar e nem furar o local da picada. Alguns venenos podem provocar hemorragias e o corte aumentaria a perda de sangue; Não adianta fazer a sucção do local da picada. É impossível retirar o veneno do corpo, pois ele entra imediatamente na corrente sanguínea. A sucção pode piorar as condições do local atingido;

45 44 Não colocar nada sobre o local da picada, pois não impedirá que o veneno vá para o sangue. Ao contrário, podem provocar uma infecção, assim como os cortes; Evitar que o acidentado beba qualquer substância tóxica que, além de não neutralizar a ação do veneno, podem causar intoxicação; Manter o acidentado deitado, em repouso, com a parte atingida em posição mais elevada, evitando que ele ande ou corra; Retirar anéis, pulseiras ou qualquer outro objeto que possa impedir a circulação do sangue; Levar imediatamente o acidentado ao serviço de saúde, para que ele receba soro e atendimento adequado; O soro quando indicado, deve ser aplicado o mais breve possível e em quantidade suficiente, por profissional habilitado. Deve ser específico para a serpente que o picou. São orientações práticas e simples, são medidas que podem vir a salvar vidas quando os meios de prevenção não tiverem sido suficientes, e são dadas mais algumas informações técnicas a respeito do tratamento do envenenamento O capítulo então passa a estudar outros animais peçonhentos de interesse médico em campanha, citando-se as aranhas, escorpiões, abelhas, vespas, formigas e marimbondos, com menor ênfase em relação às serpentes e se encerra com regras gerais de medidas preventivas.

46 45 14 CONCLUSÃO Em âmbito de Defesa Nacional trabalha-se com o conceito de esforço de guerra, que em política e planejamento militar, refere-se a uma mobilização social coordenada de recursos industriais e humanos visando ao suporte de uma força militar. Dependendo de vários fatores como a militarização da cultura, o tamanho relativo das forças armadas, o estilo de governo e o suporte popular aos objetivos militares, tal esforço de guerra pode abranger de uma pequena indústria ao comando completo da sociedade. São esforços que não podem ser medidos quando se trata de vencer o combate, já que há um regramento constitucional e internacional dos meios que são empregados em caso de mobilização militar. Foi desenvolvido o presente manual com olhos voltados para a necessidade de se utilizar com eficiência os recursos mais caros e insubstituíveis de uma força armada, os recursos que são determinantes no teatro de operações e que efetivamente fazem a vitória: o combatente. É com foco na proteção do combatente contra riscos evitáveis que foi elaborado o manual que ora é apresentado. Inicialmente a proposta era de elaboração de um Manual de Vigilância Sanitária em Campanha, o que traria benefícios incontestes aos militares em atividades de campanha. Porém, com o desenrolar das pesquisas e desenvolvimento dos tópicos o resultado atingido foi maior e mais abrangente que o inicialmente planejado. O trato de questões de vigilância sanitária limitava em muito a produção de um trabalho que pudesse ser profundamente eficiente na melhora das condições de salubridade em campanha. Assuntos afetos a saúde em campanha vieram a ser considerados indispensáveis no corpo do texto do manual, e daí veio a maior contribuição em termos de novidade em criação de doutrina de saúde, que foi o tratamento dado à saúde mental da tropa. Chamamos de novidade a forma como foi tratado e inserido o assunto no contexto da pesquisa, pois registra-se que Napoleão atribuía ao influxo da força moral três

47 46 quartos da eficiência militar, da qual apenas um quarto depende do fator físico (BILAC, 1917, pág. 105). O preparo e o bem estar mental influem na eficiência do combatente. Ocorre que o que se inseriu foi o resultados de novas pesquisas a respeito da vulnerabilidade a doenças em virtude de um mal gerenciamento de fatores causadores do estresse. Não se descuidou em tratar sobre o assunto segurança dos alimentos, das instalações, e outros, sob a ótica da higiene e asseio, mas também sob o aspecto da salubridade mental. Ainda que o presente manual se constituísse em compilação de dados, informações e instruções existentes e esparsas, ele já se constituiria em valioso trabalho, somente pelo fato de se facilitar o acesso às informações em um único volume. O manual é muito mais que isso. É resultado da pesquisa séria e orientada para o emprego em atividade de campanha militar, com sua adequação às necessidades específicas das forças armadas, e preocupada em dar operacionalidade às determinações do projeto de manual produzido, tornando-o de possível aplicação prática. Não é um trabalho à prova de críticas, é um trabalho que tem todas as condições de ser submetido à avaliação, e merece ter sua aplicabilidade colocada em prática. Na confiança de aqui se propor um produto de valor ao Exército Brasileiro, um produto que tem a possibilidade de elevar o nome da instituição que o subscreve, um produto que dá azo a novos paradigmas em âmbito de gestão de riscos, encerra-se o presente trabalho.

48 47 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Resolução RDC nº 216: dispõe sobre Regulamento Técnico de boas práticas para serviços de alimentação. Brasília, Disponível em: <e-legis.anvisa.gov.br/leisref/public/showact.php?id=12546>. Acesso em 03 maio AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Resolução RDC nº 50: dispõe sobre o Regulamento Técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos de sáude. Brasília, Disponível em: <www.anvisa.gov.br/legis/resol/2002/50_02rdc.pdf>. Acesso em: 26 abr BEBLER, Anton Alex. A Doutrina Iugoslava de Defesa Total. A DEFESA NACIONAL, Rio de Janeiro, nº737, p , maio/jun BENTO, Cláudio Moreira. Reflexões sobre a doutrina militar terrestre brasileira. (s.l.) Disponível em: <http://www.militar.com.br/modules.php?name=historia&file=display &jid=168>. Acesso em 22 jul BILAC, Olavo. A Defesa Nacional (Discursos). Rio de Janeiro: Liga da Defesa Nacional, BRASIL. Constituição Federal de CAMPOS, Francisco Eduardo de; WERNECK, Gustavo Azeredo Furquim; TONON, Lídia Maria. Vigilância Sanitária. Belo Horizonte: Coopmed, CARDOSO, João Luis et al. Animais Peçonhentos no Brasil: Biologia, Clínica e Terapêutica dos Acidentes. Sarvier Ltda, CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Traveler s health Destination. Disponível em: <wwwn.cdc.gov/travel/destinatiolist.aspx>. Acesso em: 22 maio CENTRO LATINO-AMERICANO DE PERINATOLOGIA E DESENVOLVIMENTO HUMANO (CLAP-OPAS/OMS), Montevidéu. Saúde perinatal. Trad. Thais de Azevedo. Brasil, Tradução de artigos selecionados de Salud Perinatal, boletim do CLAP, 179p. CODEX ALIMENTARIUS. CAC/RCP Code of Hygienic Practice for Precooked and Cooked Foods in Mass Catering. Disponível em: <www.codexalimentarius.net/download/standards/25/cxp_039e.pdf>. Acesso em 03 maio COMANDO DE MATERIAL E PESQUISA MÉDICA DO EXÉRCITO DOS ESTADOS UNIDOS, FORT DETRICK, MARYLAND Manutenção da Saúde e Desempenho do Soldado no Haiti: Orientação Para Líderes de Pequenas Frações. Traduzido do Original por: Clério Alves da Silva (1 Ten QCO/Vet), Jennifer Baldez da Costa, (1 Tem QCO/Vet) e José Roberto Pinho de Andrade Lima (Cap QCO/Vet). Salvador- BA, 2004.

49 48 COMANDO GENERAL DE LAS FUERZAS MILITARES DE COLÔMBIA. Manual de Gestión Integral de Residuos Hospitalarios para el Subsistema de Salud de las Fuerzas Militares. Primera Edición, Disponível em: <www.resol.com.br/trabtec3.asp?id=878>. Acesso em: 26 abril COSTA, E. A. Vigilância sanitária e a saúde do consumidor. In: Rouquayrol, M. Z., FILHO, N. de A. Epidemiologia & Saúde. 4. ed. Rio de janeiro : MEDSI, 1993: EDUARDO, Maria Bernadete de Paula. Saúde e Cidadania para Gestores Municipais de Serviço de Saúde. Vigilância Sanitária. São Paulo: Instituto para o Desenvolvimento da Saúde IDS e Núcleo de Assistência Médico-hospitalar NAMH/FSP USP, ESCOLA SUPERIOR DE GUERRA (Brasil). Fundamentos doutrinários da Escola Superior de Guerra. Rio de Janeiro: ESG, EXÉRCITO BRASILEIRO. DEPARTAMENTO GERAL DE PESSOAL. Aprova as Normas Técnicas sobre Vacinação e Uso de Imunobiológicos no Exército. Portaria n. 069, de 17 de abril de FUNDAÇÃO JORGE DUPRAT FIGUEIREDO DE SEGURANÇA E MEDICINA DO TRABALHO. Prevenção de Acidentes com Animais Peçonhentos. São Paulo, FUNDAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE. 2º Caderno de pesquisa de engenharia de saúde pública. Brasília: Funasa, FUNDAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE. Manual de saneamento. Brasília: Fundação Nacional de Saúde, 3ª ed, FUNDAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE. Manual prático de análise de água. Brasília: Fundação Nacional de Saúde, 1ª ed., FUNDAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE. Potenciais fatores de risco à saúde decorrentes da presença de subprodutos de cloração na água utilizada para consumo humano. Brasília: Funasa, GAYTÁN, Jorge Antonio Ortega. La Guerra irregular. Un reto para la doctrina militar postmoderna? Military Review, Septiembre-Octubre Guerras de Bush: Saúde mental de soldados debilitada em conflitos. Diário on-line internacional. Disponível em: <http://www.diarioon.com.br/arquivo/4865/internacional /internacional htm>. Acesso em: 01 jul LIPP, M.E.N. Mecanismos Neuropsicofisiológicos do Stress: Teoria e Aplicações Clínicas. São Paulo: Casa do Psicólogo, MINISTÉRIO DA SAÚDE. Evolução Institucional da Saúde Pública. Brasília: MINISTÉRIO DA SAÚDE. FUNDAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE. CENTRO NACIONAL DE EPIDEMIOLOGIA. Controle de Vetores - Procedimento de Segurança. Brasília: Ministério da Saúde, 1ª ed., 2001, 208p.

50 49 MINISTÉRIO DA SAÚDE. SECRETARIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE. Boas práticas no abastecimento de água: procedimentos para a minimização de riscos à saúde. Brasília: Ministério da Saúde, MINISTÉRIO DA SAÚDE. SECRETARIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE. DEPARTAMENTO DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA. Doenças infecciosas e parasitárias: guia de bolso. Brasília: Ministério da Saúde, 6ª ed., p. MINISTÉRIO DA SAÚDE. SECRETARIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE. Guia de vigilância epidemiológica. Brasília: Ministério da Saúde, 6ª ed., 2005, 816 p. MINISTÉRIO DA SAÚDE. SECRETARIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE. Manual de procedimentos de vigilância em saúde ambiental relacionada à qualidade da água para consumo humano. Brasília: Ministério da Saúde, MINISTÉRIO DA SAÚDE. SECRETARIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE. Vigilância e controle da qualidade da água para consumo humano. Brasília: Ministério da Saúde, MINISTÉRIO DA SAÚDE: FUNDAÇÃO NACIONAL DA SAÚDE. Manual de Diagnóstico e Tratamento de Acidentes por Animais Peçonhentos. Segunda Edição. Brasília, MINISTÉRIO DO TRABALHO. Norma Regulamentadora nº 24: condições sanitárias e de conforto no local de trabalho. Disponível em: <www.mte.gov.br/legislacao/ normas_regulamentadoras/nr_24.asp>. Acesso em: 26 abr ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Constituição. Nova Iorque, Disponível em: <www.unifran.br/mestrado/promocaosaude/docs/constituicaodawho1946.pdf>. Acesso em: 26 abr OTAN. Field Manual Headquarters Department of the Army, Washington, D.C., EUA, 11 jul Disponível em: <www.globalsecurity.org>. Acesso em: 15 jul OTAN. Field Manual Leader's Manual for Combat Stress Control. Booklet 1. Headquarters Department of the Army, Washington, D.C., EUA, 29 set Disponível em: <www.globalsecurity.org>. Acesso em: 15 jul PINTO, Alexandre da Silva. O Brasil nas Operações de Paz das Nações Unidas: uma visão analítica para a projeção do poder nacional. A DEFESA NACIONAL, Rio de Janeiro, ano CX, nº 799, p. 3-10, maio/jun/jul/ago RANGÉ, B. Psicoterapia Comportamental e Cognitiva: pesquisa, prática, aplicações e problemas. Vol. I. Campinas: Editora Livro Pleno, ROUQUAYROL, M. Z., FILHO, N. de A. Epidemiologia e Saúde. 6.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, p.

51 50 Saúde mental dos soldados no Iraque preocupa os EUA, diz jornal. G1. São Paulo, 6 abr Disponível em: <http://g1.globo.com/noticias/mundo/0,,mul ,00.html>. Acesso em: 03 jul SUN TZU. A Arte da Guerra. Porto Alegre: L&PM POCKET, UNITED STATES FOOD AND DRUGS ASSOCIATION. Foodborne Pathogenic Microorganisms and Natural Toxins Handbook: Onset, Duration, and Symptoms of Foodborne Illness. Rockville, Disponível em: <www.cfsan.fda.gov/~mow/ chap36.html>. Acesso em: 03 maio 2008.

52 APÊNDICE A PLANOS DE AÇÃO PARA O PROJETO INTERDISCILPINAR O QUÊ? QUEM? COMO? QUANDO? ONDE? POR QUÊ? Levantamento de material para estudo Confecção do manual Levantamento da viabilidade econômica do projeto Eventuais pesquisas de campo Confecção da Proposta Formatação e ajustes Entrega do trabalho final Todos Todos Todos Ten Al Malafaia Todos Todos Todos Consulta às fontes de pesquisa Aplicação dos conhecimentos adquiridos em forma de manual Realizar levantamentos dos insumos necessários à execução do projeto Realizar entrevistas ou aplicação de questionários Confeccionar monografia contendo conceito, abrangência, importância e justificativa do tema Consultar as normas da ABNT e contato com as Orientadoras Entrega do trabalho conforme as normas exigidas Até 25 ABR Até 23 MAI Até 20 JUN Até 20 JUN Até 25 JUL Até 08 AGO Bibliotecas, Internet, livros, manuais, etc Instalações da EsAEx Instalações da EsAEx Instituições do EB ou fora dele Instalações da EsAEx Instalações da EsAEx Obter maior número de fontes bibliográficas possível Aliviar a miséria da existência humana Tornar o projeto economicamente viável ao Exército Brasileiro Aproximar o manual da realidade encontrada pelo EB Convencer os escalões superiores da necessidade de se ter um manual de vigilância sanitária em campanha Ajustar o trabalho de acordo com o padrão exigido Até 15 AGO EsAEX Concluir o trabalho

53 APÊNDICE B ARTIGO CIENTÍFICO PROPOSTA DE MANUAL DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE EM CAMPANHA 1º Ten Al Ana Emília Oliveira dos Santos Ferreira da Rocha, 1º Ten Al Carlos André Malafaia Pereira, 1º Ten Al Fabio Fasano Pimentel, 1º Ten Al Fernando Savadovsky, 1º Ten Al Flávio dos Santos Marques, 1º Ten Al Jailton da Silva Neves, 1º Ten Al Patrícia Regina Carelli Teixeira da Silva, 1º Ten Al Rafael Nunes Coutinho, 1º Ten Al Ricardo de Mello Pereira, 1º Ten Al Thiago Bortone Godoi. RESUMO Artigo Científico elaborado como parte integrante do Projeto Interdisciplinar apresentado à Comissão de Avaliação da Divisão de Ensino da Escola de Administração do Exército, como exigência parcial para obtenção do título de Especialização em Aplicações Complementares às Ciências Militares, versa sobre a elaboração de um Manual de Vigilância em Saúde em Campanha. O artigo expõe as matérias que são abordadas no manual ao trazer seu sumário no capítulo 4; bem como esclarece quais as necessidades que vêm a ser sanadas com a adoção do manual apresentado e sua adequação à realidade atual do Exército Brasileiro, mostra a importância do tema e os benefícios que podem ser proporcionados à tropa ao serem adotadas as medidas simples que são apontadas no manual. Palavras-chave: Exército Brasileiro. Manual. Campanha. Vigilância Sanitária. Saúde em campanha. Manual de saúde. INTRODUÇÃO Um exército que exerce precipuamente as funções de força de paz, de vigilância de linhas de fronteiras, de operações de garantia da lei e da ordem e de manutenção dos poderes

54 constitucionalmente constituídos, tem a preocupação em manter o adestramento e a motivação de seu contingente. As áreas de prioridade em segurança nacional e o crescente engajamento em missões internacionais, trazem para o Exército Brasileiro a necessidade de se atentar para a eficiência das atividades desempenhadas pelas tropas federais, seja em solo nacional ou estrangeiro. Essa eficiência, para que seja atingida, deve seguir a trilha que conduz à máxima operacionalidade da tropa. Para que os combatentes estejam em condições de emprego a todo instante, já que a atividade de defesa nacional é perene, reconhece-se a necessidade de adoção de medidas que venham a manter a sua higidez física e mental. Neste assunto saúde física e mental e operacionalidade da tropa várias vertentes podem ser trabalhadas, como o preparo físico pelo treinamento físico militar, como exercícios constantes em diferentes tipos de terrenos e situações, como o desenvolvimento de tecnologias que aumentem ou garantam a operacionalidade desejada, desenvolvimento de técnicas na área médica, dentre outros. O presente Projeto Interdisciplinar tem por missão a elaboração de doutrina militar de apoio ao combate na área de vigilância sanitária e ambiental, saúde e prevenção de acidentes, o que se convencionou, durante o desenvolvimento dos trabalhos, chamar de Vigilância em Saúde em Campanha. 1. DO DESENVOLVIMENTO DE DOUTRINA PRÓPRIA PARA SERVIR AO EXÉRCITO EM CAMPANHA Dentre os mais recentes empregos do Exército Brasileiro, destaca-se em importância, popularidade, aceitação e tem revertido em benefícios para a força terrestre do Brasil, o emprego do Exército Brasileiro em Operações de Manutenção da Paz (OMP). De várias formas tem contribuído para a formação de um exército forte, adestrado, respeitado mundialmente, expressivo no continente sul-americano, a mobilização dos contingentes nacionais para a execução de missões de manutenção da paz. De maneira honrosa têm sido as participações nacionais em missões desse jaez, não só no âmbito militar, mas desde o escalão diplomático, que já se acostumou a estar em posições de elevada importância e que tem trazido para o Exército Brasileiro as oportunidades de participações em âmbito internacional.

55 Assim o Exército Brasileiro tem fortalecido os meios a atingir as aspirações de ampliar a participação do Brasil nos foros decisórios internacionais. Mais robusto tem ficado o sistema multilateral nas relações diplomáticas brasileiras, dessa forma o Brasil buscou a construção de uma ordem nacional mais democrática, e o Exército Brasileiro tem participado da execução desse planejamento. A missão das Forças Armadas de participar de Operações de Manutenção da Paz não constitui finalidade primária, conforme podemos deduzir de leitura do art. 142 da Constituição Federal, mas ainda assim, é missão delegada pela Lei Complementar 97/99, que estatui em seu art. 15 que o emprego das Forças Armadas na defesa da Pátria e na garantia dos poderes constitucionais, da lei e da ordem, e na participação em operações de paz, é de responsabilidade do Presidente da República. Mais é previsto no art. 13, em seu parágrafo primeiro, do mesmo diploma legal, que reza que o preparo das Forças Armadas compreende, entre outras, as atividades permanentes de planejamento, organização e articulação, instrução e adestramento, desenvolvimento de doutrina e pesquisas específicas (grifo dos autores), inteligência e estruturação das Forças Armadas, de sua logística e mobilização. A possibilidade de haver essa previsão decorre de preceitos constitucionais, insertos nos Princípios Fundamentais, conforme expõe o art. 4º da Constituição Federal 4. O pendor nacional pela solução pacífica dos conflitos, a existência de um exército eminentemente de manutenção da paz interna no âmbito de defesa nacional, o engajamento das Forças Armadas em sua missão de colaborar com o desenvolvimento nacional, deram ao Exército Brasileiro a confiabilidade e o adestramento necessários para que pudesse ser de forma confiável empregado em Operações de Manutenção da Paz em diversos momentos históricos, em vários países. A Escola Superior de Guerra (1998, p. 54) conceitua a projeção do Poder Nacional como o processo pelo qual a Nação aumenta, de forma pacífica, sua influência no cenário internacional, através da manifestação produzida com recursos de todas as expressões do Poder Nacional. Assim a participação brasileira em OMP muito contribui com o aumento da 4 CF/88, Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios: I - independência nacional; II - prevalência dos direitos humanos; III - autodeterminação dos povos; IV - não-intervenção; V - igualdade entre os Estados; VI - defesa da paz; VII - solução pacífica dos conflitos; VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo; IX - cooperação entre os povos para o progresso da humanidade; X - concessão de asilo político.

56 projeção do poder nacional. O poderio militar se constitui em grande expressão do Poder Nacional, aliado à capacidade de pressões econômicas, de produção industrial e intelectual, etc. Na aplicação desse recurso de forma pacífica, temos não só a demonstração de força, mas de força legítima. Por esses motivos, inclusive, é que autores que se dedicam aos assuntos afetos à defesa nacional, chegam a afirmar que a participação do Brasil nas Operações de Manutenção de Paz das Nações Unidas é um dos principais fatores que têm possibilitado ao Brasil melhorar e ampliar suas credenciais de credibilidade e de autoridade para atuar na comunidade de nações (PINTO, 2004, p. 4). Vê-se que, quando se trata de doutrina militar, conforme já afirmou Bebler, a par do nível de minudência, cada doutrina militar (de defesa) mesmo implícita, reflete e resume os mais importantes elementos (grifo nosso) da engrenagem civil-militar de uma determinada sociedade (1988, p. 36). De tudo o que tem sido visto, de tudo que tem sido argumentado, de toda a reação da comunidade internacional e nacional, é de se concluir que a importância das atividades voltadas a bem nutrir esse trabalho que o Exército Brasileiro vem realizando em terras alheias é relevante; que os esforços para que seja formada uma doutrina a ser aplicada nos cenários de campanha de Operações de Manutenção da Paz não são vãos, nem de somenos importância. Acima de todas as qualificações de adestramento, de poderio bélico e estratégia, se encontra a importância da produção e estabelecimento de doutrina. É a doutrina militar que qualifica e diferencia os exércitos, influenciando o comportamento dos inimigos e imprimindo em suas ações a adaptação genuína às suas capacidades, aos seus valores, à sua realidade política quando observados dentro do contexto na comunidade que defendem. O manual apresentado não se limita às condições de operações de paz. Ele trata das medidas de gestão de riscos em campanha. Foi tratada com mais profundidade a presença brasileira em missões de paz no presente capítulo, somente para que se dê importância imediata ao manual apresentado, já que se especula ser de remota ocorrência a entrada do Brasil em algum conflito armado. As instruções contidas no manual são úteis para toda tropa em exercício ou em emprego em regiões do país ou do exterior que não oferecem condições estruturais e de saneamento nos padrões mínimos necessários a se manter a higidez física e mental do combatente.

57 2. A PROPOSTA FRENTE A DOUTRINA DE RESISTÊNCIA No contexto da resistência, a permanência no combate depende de fatores muito variados. Um deles é a condição de saúde do combatente. Neste aspecto, contribui de forma máxima a adoção de um manual de vigilância em saúde, que contemple vigilância sanitária em água, em instalações, medidas profiláticas e outras medidas preventivas para a saúde em campanha. Os cuidados com o asseio e higiene nas práticas com os alimentos, o armazenamento de alimentos; os cuidados com a água que será utilizada para o banho da tropa, para o consumo e preparo de alimentos; o tratamento devido aos resíduos e aos corpos de vítimas no cenário da campanha; todos esses fatores são determinantes para que haja a permanência no combate. A derrota para as limitações internas é atestado de incompetência, de imprevisão, de falta de adequação da doutrina militar à realidade do exército. Nesse diapasão, a presente proposta de se adotar um manual de vigilância em saúde em campanha se alinha à doutrina já implantada em nosso país, não contradiz padrões de conduta do nosso exército e se constitui em medida de avanço para a instituição, na medida em que se torna em mais um meio de defesa da integridade do combatente. 3. O CONCEITO DA PROPOSTA DO MANUAL DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE EM CAMPANHA Trata-se de uma proposta de manual de vigilância em saúde em campanha como forma de solução de vários inconvenientes causados à saúde da tropa mobilizada, e como forma de lhe dar capacidade combativa e de duração na ação. Essa proposta vem com o intuito de, produzindo doutrina originalmente nacional, oferecer ao comando, de forma simplificada, medidas para manter níveis sanitários melhores nas instalações, alimentos, água e para deixar a tropa em condições de se prevenir contra males, quer sejam à saúde do corpo quer à saúde mental. Esse trabalho vem num momento em que o Brasil tem intensificado suas participações em missões operacionais internacionais. É dentro desse esforço de deixar a Força mais combativa e adestrada que, no cenário atual de valorização da participação brasileira em missões no exterior, foram vistas a

58 necessidade e a oportunidade de se pensar na adoção de medidas unificadas de gestão de riscos em campanha. O conceito não é inovador. Grandes organizações mundiais, como Organização Mundial de Saúde (OMS), Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), já têm produção nesse sentido (Field Manual da OTAN e Field Manual da OTAN por exemplo). Vê-se que a intenção de produzir o presente manual não é idéia fora de contexto, nem de valor ultrapassado. É da moderna técnica a produção de manuais de saúde, vigilância sanitária e gestão de riscos em geral, para a orientação das ações militares, quer sejam atividades de instrução, quer sejam atividades de operação. Nesse diapasão, o manual apresentado tem grande valor e abrangência. É resultado do aprendizado adquirido nas operações em que o Brasil tem-se engajado, e além disso, é resultado do reconhecimento da necessidade desse conhecimento, ou, pelo menos, de sua grande utilidade. O Cel Cláudio Moreira Bento, em artigo intitulado Reflexões sobre a Doutrina Militar Terrestre Brasileira, de 2006, assim expõe que: Hoje, uma Doutrina Militar consta de um enorme contexto de documentos que constituem em seu conjunto o Corpo de Doutrina, que para entrar em vigor necessita de regulamentação. Além disso, do conhecimento, do estudo e da prática por parte de todos os possíveis executantes, apoiados em manuais específicos (grifo dos autores), como os traduzidos pelo Estado-Maior da Zona Interior da Força Expedicionária Brasileira que funcionou na Casa de Deodoro, no Rio de Janeiro. Um Corpo de Doutrina do Exército, nestas condições, tem sido o grande desafio aos historiadores, pensadores, instrutores, planejadores e chefes militares do Exército. O autor não só fala sobre o que vem a ser a criação da doutrina militar, em que peças ela se materializa, mas vem dizer da necessidade e da grata satisfação da criação daquilo que o autor chama de doutrina tupiniquim 5. Contribui-se com o sonho antigo de grandes generais brasileiros, que não por vaidade queriam a produção caseira de doutrina militar, mas por perceber que quanto mais 5 Como historiador militar terrestre que me tornei desde que saí da ECEME e estimulado pelas idéias que ali colhi, passei a sonhar que o Brasil, disporia um dia de uma doutrina militar terrestre genuína, como as que possuem as grandes potências e as grandes nações. Doutrina "Tupiniquim" como a que sonhava, o pensador militar Marechal Humberto de Alencar Castello Branco, patrono da ECEME. (BENTO, 2006).

59 adaptada a doutrina de um exército à suas características territoriais, culturais e econômicas, mais essa força armada consegue colocar-se em uso de forma eficiente. O articulista informa ainda que, dentre aqueles ilustres que adaptaram doutrinas militares estrangeiras às nossas realidades operacionais, o Duque de Caxias, desponta como pioneiro, ao adaptar, em 1863, como Ministro da Guerra, às realidades operacionais que ele vivenciara no Maranhão, em São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e na Guerra contra Oribe e Rosas (1851/52), as Ordenanças de Portugal ou a Doutrina Militar Portuguesa, de influência inglesa. Como resultado, os nossos derrotados inimigos da época testemunham a eficiência atingida. A iniciativa adotada para nortear o manual apresentado, de utilizar legislação nacional, bem como internacional, em nada desnatura a nacionalidade da criação doutrinária, nem lhe diminui ou desmerece no âmbito de aplicabilidade. Pelo contrário, o estudo das tendências mundiais de emprego de ações de gestão de riscos em campanha aponta o caminho que poderá vir a ser percorrido pelo inimigo e a adaptação desse conhecimento às nossas necessidades oferece uma vantagem em combate. A vantagem decorre do conhecimento do modus operandi internacional aliada à aplicação diferenciada de procedimentos adaptados à realidade brasileira. Ainda dentro da análise do conceito do trabalho que é apresentado, vê-se que uma doutrina militar considera duas constantes o homem e sua contínua mudança e o resultado dessas constantes agindo conjuntamente deve ser a modernização de métodos e a ampliação do conhecimento. 4. MATÉRIA ABORDADA E SUA ABRANGÊNCIA O trabalho contempla uma gama de estudos e assuntos correlacionados, que dão ao usuário do manual uma visão muito completa das variantes e determinantes da saúde de sua tropa. Com a ampliação da exposição do combatente brasileiro a diferentes riscos ambientais, foi identificada a necessidade de serem trabalhados muitos dos conceitos tradicionalmente aventados em estudos de vigilância sanitária e saúde em campanha, de maneira a atender às necessidades específicas das tropas militares no desempenho de suas atividades.

60 Em sua estruturação por assuntos o Manual de Vigilância em Saúde em Campanha apresenta o seguinte sumário: CAPÍTULO 1 GESTÃO DOS RISCOS EM CAMPANHA ARTIGO ÚNICO Generalidades CAPÍTULO 2 EDUCAÇÃO AMBIENTAL E SANITÁRIA ART. I Introdução; ART. II Dejetos Humanos; ART. III Depósito e Destinação do Lixo; ART. IV Lixo Hospitalar e Contaminantes. CAPÍTULO 3 MEDIDAS PROFILÁTICAS PARA A TROPA ART. I Generalidades; ART. II Medidas de Prevenção; ART. III Saúde Mental do Combatente. CAPÍTULO 4 VIGILÂNCIA SANITÁRIA NAS INSTALAÇÕES ART. I Introdução; ART. II Áreas de Descanso; ART. III Áreas de Saneamento; ART. IV Áreas Destinadas ao Serviço de Saúde; ART. V Instalações e Equipamentos Destinados ao Preparo de Alimentos. CAPÍTULO 5 VIGILÂNCIA SANITÁRIA EM ÁGUA ART. I Introdução; ART. II Qualidade da Água; ART. III Recomendações aos Combatentes. CAPÍTULO 6 SEGURANÇA NA QUALIDADE DOS ALIMENTOS ART. I Introdução; ART. II Doenças Transmitidas por Alimentos; ART. III Manipuladores de Alimentos; ART. IV Preparação de Alimentos. CAPÍTULO 7 CONTROLE DE PRAGAS E VETORES ART. I Introdução; ART. II Principais Doenças e seus Vetores. CAPÍTULO 8 PROTEÇÃO CONTRA ANIMAIS PEÇONHENTOS E VENENOSOS ART. I Introdução; ART. II Animais Peçonhentos e Venenosos. Os assuntos tratados têm sua razão de ser no corpo do manual e são considerados conhecimentos minimamente bastantes para se desenvolver as atividades de

61 emprego de tropa em campanha com gestão dos riscos ambientais e sanitários em níveis de segurança dentro do esperado. As medidas de gestão de riscos consideraram, em cada área de atuação de cada capítulo, as principais doenças registradas em todas as regiões do mundo 6, sendo que tropas que estejam mobilizadas nessas regiões estarão sujeitas a essas ocorrências. Todos os títulos acima expostos são tomados como imprescindíveis em um manual que tem por ambição ser completo e praticável, reconhecendo-se que matérias podem vir a ser acrescentadas, de modo a se aumentar o conhecimento contido no manual, pois o trabalho não é à prova de críticas. Porém, se aumentá-lo pode vir a ser recomendável se assim apontarem estudos futuros, diminuí-lo pode vir a ser um erro. CONCLUSÃO Em âmbito de Defesa Nacional trabalha-se com o conceito de esforço de guerra, que em política e planejamento militar, refere-se a uma mobilização social coordenada de recursos industriais e humanos visando ao suporte de uma força militar. Dependendo de vários fatores como a militarização da cultura, o tamanho relativo das forças armadas, o estilo de governo e o suporte popular aos objetivos militares, tal esforço de guerra pode abranger de uma pequena indústria ao comando completo da sociedade. São esforços que não podem ser medidos quando se trata de vencer o combate, já que há um regramento constitucional e internacional dos meios que são empregados em caso de mobilização militar. Foi desenvolvido o Manual de Vigilância em Saúde em Campanha com olhos voltados para a necessidade de se utilizar com eficiência os recursos mais caros e insubstituíveis de uma força armada, os recursos que são determinantes no teatro de operações e que efetivamente fazem a vitória: o combatente. 6 Informação extraída de: CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Traveler s health Destination. Disponível em: <wwwn.cdc.gov/travel/destinatiolist.aspx>. Acesso em: 22 maio 2008.

62 É com foco na proteção do combatente contra riscos evitáveis que foi elaborado o manual que ora é apresentado. Inicialmente a proposta era de elaboração de um Manual de Vgilância Sanitária em Campanha, o que traria benefícios incontestes aos militares em atividades de campanha. Porém, com o desenrolar das pesquisas e desenvolvimento dos tópicos, podendo inclusive ser culpado o caráter interdisciplinar do projeto, o resultado atingdo foi maior e mais abrangente que o inicialmente planejado. O trato de questões de vigilância sanitária limitava em muito a produção de um trabalho que pudesse a ser profundamente eficiente na melhora das condições de salubridade em campanha. Assuntos afetos a saúde em campanha vieram a ser considerados indispensáveis no corpo do texto do manual, e daí veio a maior contribuição em termos de novidade em criação de doutrina de saúde, que foi o tratamento dado à saúde mental da tropa. Não se descuidou em tratar sobre o assunto segurança dos alimentos, das instalações, e outros, sob a ótica da higiene e asseio, mas também sob o aspecto da salubridade mental. Caso o presente manual se constituísse em compilação de dados, informações e instruções existentes e esparsas, ele já se constituiria em valioso trabalho, somente pelo fato de se facilitar o acesso às informações em um único volume. O manual é muito mais que isso. É resultado da pesquisa séria e orientada para o emprego em atividade de campanha militar, com sua adequação às necessidades específicas das forças armadas, e preocupada em dar operacionalidade às determinações do regulamento, tornando-o de possível aplicação prática. Não é um trabalho à prova de críticas, é um trabalho que tem todas as condições de ser submetido à avaliação, e merece ter sua aplicabilidade colocada em prática. Na confiança de aqui se propor um produto de valor ao Exército Brasileiro, um produto que tem a possibilidade de elevar o nome da instituição que o subscreve, um produto que dá azo a novos paradigmas em âmbito de vigilância em saúde e gestão de riscos, encerrase o presente trabalho.

63 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BEBLER, Anton Alex. A Doutrina Iugoslava de Defesa Total. A DEFESA NACIONAL, Rio de Janeiro, nº737, p , maio/jun BENTO, Cláudio Moreira. Reflexões sobre a doutrina militar terrestre brasileira. (s.l.) Disponível em: <http://www.militar.com.br/modules.php?name=historia&file=display &jid=168>. Acesso em 22 jul BILAC, Olavo. A Defesa Nacional (Discursos). Rio de Janeiro: Liga da Defesa Nacional, BRASIL. Constituição Federal de BRASIL. Lei Complementar 97 de 09 de junho de CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Traveler s health Destination. Disponível em: <wwwn.cdc.gov/travel/destinatiolist.aspx>. Acesso em: 22 maio ESCOLA SUPERIOR DE GUERRA (Brasil). Fundamentos doutrinários da Escola Superior de Guerra. Rio de Janeiro: ESG, OTAN. Field Manual Headquarters Department of the Army, Washington, D.C., EUA, 11 jul Disponível em: <www.globalsecurity.org>. Acesso em: 15 jul OTAN. Field Manual Leader's Manual for Combat Stress Control. Booklet 1. Headquarters Department of the Army, Washington, D.C., EUA, 29 set Disponível em: <www.globalsecurity.org>. Acesso em: 15 jul PINTO, Alexandre da Silva. O Brasil nas Operações de Paz das Nações Unidas: uma visão analítica para a projeção do poder nacional. A DEFESA NACIONAL, Rio de Janeiro, ano CX, nº 799, p. 3-10, maio/jun/jul/ago 2004.

64 APÊNDICE C - MANUAL DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE EM CAMPANHA CAPÍTULO 1 GESTÃO DOS RISCOS EM CAMPANHA ARTIGO ÚNICO GENERALIDADES 1-1. SAÚDE a. A saúde é definida pela Constituição da Organização Mundial da Saúde como o estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas como a ausência de doenças e enfermidades. b. Dentre os vários conceitos de saúde oferecidos pela literatura especializada, para os fins desse manual, adotar-se-á a seguinte noção funcional: saúde é o estado físico, mental e social de aptidão do militar para o combate FATORES DE RISCO a. Vários fatores podem influenciar a geração de riscos à integridade da saúde das pessoas. Merecem destaque os fatores biológicos, os fatores sociais, os fatores ambientais, e os fatores políticos. b. Os fatores biológicos estão relacionados às características individuais carregadas por cada pessoa. Estão ligados, sobretudo, à herança genética recebida, a qual pode aumentar ou diminuir a propensão de se contrair enfermidades. Os fatores sociais relacionam-se principalmente com o estilo de vida adotado. Os fatores ambientais estão vinculados à influência das condições geográficas e do meio físico sobre o indíviduo. Os fatores políticos associam-se, em síntese, à qualidade da estrutura de atendimento oferecida à população. c. Todos esses fatores podem, em maior ou menor grau, sofrer influências decorrentes da ação humana. Os cuidados concernentes à saúde têm por escopo a redução dos riscos acarretados pela influência dos mencionados fatores VIGILÂNCIA EM SAÚDE a. Para os fins desse manual, define-se a Vigilância em Saúde como um modo de pensar e agir que apresenta instrumentos de análise das diversas situações de saúde, considerando as diferenças geográficas, as situações de incidência e distribuição de doenças (epidemiologia), suas conseqüências, a organização social da localidade, os recursos e a capacidade técnico-operacional da região.

65 b. A expressão Vigilância Sanitária, utilizada algumas vezes neste manual, é menos abrangente que a Vigilância em Saúde. É dirigida a aspectos de prevenção e controle de doenças, seus agentes causadores e seus vetores. Envolve medidas incidentes sobre o meio, a água, os alimentos e os resíduos. Não aborda, entretanto, temas relacionados a estudos epidemiológicos e de impactos ambientais GESTÃO DOS RISCOS a. A eficiência dos militares alocados para o combate está diretamente relacionada à manutenção de sua saúde. Naturalmente, isso só será possível se os devidos cuidados forem observados. Para tanto, o militar deve conhecer, dominar e aplicar corretamente as técnicas relacionadas às medidas de Vigilância em Saúde e de Vigilância Sanitária, conforme sua esfera de responsabilidade. b. Visando a minimizar a possibilidade de agravos à saúde da tropa em campanha, existe a necessidade de implementação de ações de Vigilância em Saúde e Vigilância Sanitária no âmbito de atuação do Exército. Todos os fatores que podem envolver direta ou indiretamente a saúde dos recursos humanos interessam à vigilância na esfera militar. c. Tomando por base a situação de campanha na qual as tropas do Exército Brasileiro podem vir a se encontrar, alguns aspectos essenciais serão abordados pelo presente manual: a educação ambiental e sanitária, as medidas profiláticas, a vigilância da saúde em instalações, a vigilância sanitária em água, a segurança na qualidade dos alimentos, o controle de pragas e vetores e a proteção contra animais peçonhentos e venenosos EDUCAÇÃO AMBIENTAL E SANITÁRIA A Educação Ambiental e Sanitária abrange, essencialmente, a necessidade da gestão eficiente de detritos para se evitar a contaminação do solo, do ar ou da água. Para garantir a higidez dos militares, deve ser proporcionada uma ação integrada com os outros pontos críticos a serem implementados. A observação cuidadosa das normas de educação ambiental e sanitária reduz o risco de disseminação de doenças oriundas do manuseio inadequado dos detritos e evita a incidência dos demais efeitos adversos interligados direta ou indiretamente a esse tipo de contaminação MEDIDAS PROFILÁTICAS A identificação antecipada de situações de risco visa a impedir a ocorrência de moléstias na tropa e, caso ocorram, a minimizar seus efeitos. As medidas profiláticas

66 abrangem tanto a saúde física quanto a mental, haja vista que ambas são fundamentais para que a missão seja cumprida eficazmente VIGILÂNCIA EM INSTALAÇÕES As instalações utilizadas pela tropa em campanha são parte fundamental das operações de combate, mas, se indevidamente manutenidas, podem constituir um foco de problemas sob o ângulo da saúde. Instalações mal organizadas, incorretamente higienizadas ou planejadas de forma inadequada, estão sujeitas a aumentar o risco de contaminação e de propagação de doenças e moléstias. Basta lembrar que as instalações militares são áreas de grande concentração de pessoas, logo, a possibilidade de transmissão de agentes causadores de enfermidades é significativamente maior VIGILÂNCIA SANITÁRIA EM ÁGUA Como elemento essencial de sobrevivência para o ser humano, a quantidade e a qualidade da água fornecida exercem papel crucial dentre as atividades de vigilância. Por meio da água, a transmissão de grande quantidade de microorganismos causadores de doenças é potencializada. Os principais pontos de controle da qualidade da água destinada ao uso pela tropa em campanha são a captação, o tratamento e os reservatórios SEGURANÇA NA QUALIDADE DE ALIMENTOS A segurança na qualidade de alimentos é garantida por meio da apreciação das condições sanitárias dos gêneros alimentícios a serem consumidos pela tropa. Tais medidas devem sempre ser implementadas, considerando que a distribuição é padronizada e todos consomem os mesmos gêneros alimentícios. Logo, a alimentação da tropa pode facilitar a incidência de doenças de modo generalizado, sendo de extrema importância a contínua análise de perigos e de pontos críticos no controle da qualidade dos alimentos CONTROLE DE PRAGAS E VETORES a. Outro fator importante reside no controle de pragas e vetores. Pragas e vetores são artrópodes, roedores e animais domésticos que podem transmitir ou veicular um determinado agente etiológico ou veneno, provocando doenças ou danos ao homem e aos animais. b. A higienização dos ambientes ocupados pelos militares tem o objetivo de evitar doenças veiculadas por esses agentes. Para isso faz-se necessária a adoção de medidas específicas dependentes de suas características epidemiológicas. No mesmo sentido, deve ser

67 buscado esclarecimento dos militares sobre os processos e riscos à saúde relacionados aos vetores de doenças em atividades operacionais PROTEÇÃO CONTRA ANIMAIS PEÇONHENTOS E VENENOSOS A equipe encarregada pela Vigilância em Saúde deve realizar uma análise prévia das características do local onde ocorrerá a atividade operacional. Em seguida, serão traçadas as recomendações quanto aos riscos relativos à presença de animais peçonhentos e venenosos, com o fim de ser reduzido o número de acidentes a eles relacionados.

68 CAPÍTULO 2 EDUCAÇÃO AMBIENTAL E SANITÁRIA ARTIGO I INTRODUÇÃO 2-1. GENERALIDADES a. A palavra detritos inclui todos os tipos de resíduos resultantes das atividades vitais humanas (inclusive de animais). Neste capítulo, são abordados os seguintes tipos de detritos: (1) Dejetos humanos ou animais (fezes e urina). (2) Lixo comum. (3) Lixo hospitalar. b. O destino a ser dado aos detritos depende do tipo de manobra estratégica e da localização da unidade: (1) Manobras estratégicas: (a) Manobra estratégica ofensiva: existe a movimentação da tropa, sendo mais indicadas as ações de caráter provisório, devido à escassez de tempo. (b) Manobra estratégica defensiva: predominantemente estática, podendo, neste caso, executarem-se ações de caráter mais duradouro, pois se dispõe de mais tempo. (2) Localização da unidade: (a) Próximo à área urbana: deve-se dar prioridade ao envio dos detritos para aterros sanitários. Se não for possível, adotar as medidas que citaremos mais adiante. partir do Artigo II deste capítulo. (b) Próximo a áreas rurais ou florestais: adotar as medidas citadas a c. O enterramento e a incineração são os métodos mais comumente usados em campanha, excetuando-se, é claro, os resíduos hospitalares que terão tratamento especial IMPORTÂNCIA SANITÁRIA Em campanha, acumulam-se diariamente quantidades consideráveis de detritos líquidos e sólidos. Esses detritos devem ser afastados total e prontamente do bivaque ou do acampamento, antes que se tornem criadouros ou meios de cultura de moscas, ratos e outros animais nocivos. As áreas poluídas podem contribuir para a disseminação de doenças de transmissão entérica, tais como febre tifóide, diarréias infecciosas, verminoses, o cólera e outras doenças que se podem tornar prevalentes.

69 2-3. RESPONSABILIDADES a. O comandante da operação é o responsável pelo destino a ser dado aos detritos produzidos na área sob seu comando. Quando não são fornecidos meios para isso, ele deve providenciar a construção e operação de instalações adequadas para o tratamento dos detritos. b. O Serviço de Saúde inspecionará a instalação e a operação dos meios para tratamento dos detritos, recomendando alterações que forem convenientes em benefício da saúde e do bem estar da tropa. Também será responsável pela instalação e operação dos meios para tratamento do lixo hospitalar gerado na área do acampamento. c. Os elementos das frações de Defesa Química Biológica e Nuclear (DQBN) serão responsáveis pela instalação e operação dos meios para tratamento dos detritos químicos, biológicos (à exceção dos tratados nos Artigos II, III e IV), ou nucleares que venham surgir na área de acampamento, conforme suas competências. ARTIGO II DEJETOS HUMANOS 2-4. ELIMINAÇÃO DOS DEJETOS HUMANOS Os dispositivos que se prestam a dar destino aos dejetos humanos, em campanha, variam com as situações: (1) Quando a tropa está em marcha, cada indivíduo deverá confeccionar sua própria latrina, que é uma instalação sanitária improvisada, com uma escavação de aproximadamente 30cm de profundidade, a qual é totalmente fechada após o uso. latrina de campanha. (2) Nos estacionamentos temporários, de um a três dias, é mais conveniente a (3) Nos acampamentos temporários, constroem-se latrinas de fossa profunda e poço de absorção de urina. Usam-se latrinas de campanha enquanto se constroem latrinas de fossa profunda. Qualquer que seja o tipo de latrina usado, a unidade é responsável por sua construção, manutenção e fechamento. (4) Pode-se utilizar também, nos acampamentos temporários e nos permanentes, conforme a disponibilidade, os banheiros químicos, que são instalações sanitárias pré-fabricadas e móveis, fornecidas por empresas civis.

70 2-5. NORMAS PARA CONSTRUÇÃO, MANUTENÇÃO E FECHAMENTO DE LATRINAS a. Para construção de qualquer tipo de latrina, deve-se levar em consideração o tempo de permanência da tropa, a proximidade de cursos d água, o nível dos lençóis de água, o qual varia de acordo com a região, e as condições do solo. A fim de proteger a água da contaminação, não se deve cavar uma latrina de fossa ou de campanha abaixo do nível da água subterrânea. b. Para a localização das latrinas, dentro da área do acampamento, considerar, em primeiro lugar, a proteção dos alimentos e da água contra a contaminação e, secundariamente, a acessibilidade aos usuários. (1) Para proteção dos alimentos e água contra a contaminação, selecionar local distando, no mínimo, 100m da cozinha e 30m do mais próximo manancial de água. (2) Escolher um local de fácil acesso. c. Depois de prontas as latrinas, deve ser construído o necessário dispositivo de higiene e proteção. drenagem. (1) Colocar cortinas de lonas em torno das latrinas ou barracas sobre elas. (2) Para evitar que a água penetre nos abrigos, cavar, ao seu redor, uma vala de (3) Cada abrigo de latrina deve ser provido de papel higiênico em suportes acessíveis, cobrindo-o com algum material (PVC, lata, etc) a fim de resguardá-lo da umidade, durante o mau tempo. (4) Instalar dispositivos simples para lavar as mãos, à saída de cada abrigo de latrina. Esses dispositivos devem ser mantidos sempre com água, para que cada indivíduo possa lavar suas mãos após as necessidades fisiológicas. (5) À noite, se a situação militar permitir, manter a latrina iluminada. Em caso contrário, estabelecer um balizamento que se prenda às arvores ou estacas até as latrinas, para servir de guia. d. Proceder a uma limpeza completa das latrinas e manter um programa de controle das moscas em toda área do acampamento, a fim de evitar sua procriação e higiene. (1) Manter os assentos da latrina fechados com as respectivas tampas e todas as fendas tapadas para reduzir o odor. (2) Lavar os assentos e as caixas de madeira usadas na construção da latrina com água e sabão, diariamente.

71 (3) Espalhar no interior dos abrigos inseticidas de ação residual, duas vezes por semana. Se existir o problema de moscas, pulverizar inseticida de ação residual na escavação da latrina e no interior das caixas usadas na sua confecção. e. Quando a latrina se tornar repleta de excretas até o nível de 30cm abaixo da superfície ou quando for abandonada, deve-se remover a caixa de madeira usada na construção e fechar a latrina do seguinte modo: (1) Usar um inseticida residual, pulverizar o conteúdo do poço, as paredes laterais e a superfície do solo, numa extensão de 60cm além das paredes laterais. (2) Encher a escavação até o nível do solo, com três camadas sucessivas de cerca de 7cm de terra, espalhando inseticida entre as camadas; depois de preenchido o poço com, no mínimo, 30cm de terra, espalhar novamente inseticida. Isto impede a possível procriação de moscas. (3) Colocar um aviso sobre o local, indicando o tipo de latrina e a data de fechamento TIPOS DE LATRINAS a. Os dispositivos mais usados para tratar e dar destino aos dejetos humanos em campanha são: (1) Latrina de vala. (2) Latrina de fossa profunda. (3) Latrina de incineração. (4) Latrina de monturo. (5) Latrina de buraco. (6) Latrina de balde. (7) Banheiro químico. b. Latrina de Vala (Figura 2-1). A latrina de vala tem uma largura de 30cm por 75cm de profundidade e 1,20cm de comprimento. Deverá acomodar dois homens simultaneamente.

72 Figura 2-1 Latrina de vala. Fonte: Manual de Campanha (C 21-10) c. Latrina de Fossa Profunda (Figura 2-2) É uma fossa profunda com uma caixa de latrina colocada sobre ela. A caixa de latrina padrão tem quatro assentos. Tem 2,40m de comprimento e 75cm de largura na base. Uma unidade de cem homens necessita de quatro latrinas deste tipo. Figura 2-2. Latrina de fossa profunda. Fonte: Manual de Campanha (C 21-10)

73 d. Latrina de Incineração (Figura 2-3) Constroem-se latrinas de incineração quando condições adversas do solo não permitem escavar latrinas de fossa profunda. É recomendável nas áreas onde existem lençóis de água de níveis altos. Para uma unidade de cem homens, são necessárias, no mínimo, oito latrinas. Assento de madeira à prova de mosca Tampa de fechamento Figura 2-3. Latrina de incineração Fonte: Manual de Campanha (C 21-10) e. Latrina de Monturo (Figura 2-4) A latrina de monturo é indicada nos casos de terrenos rochosos ou em que o nível da água do subsolo é muito alto, impossibilitando a escavação de fossa profunda.

74 Figura 2-4. Latrina de monturo. Fonte: Manual de Campanha (C 21-10) f. Latrina de Buraco (Figura 2-5) A latrina de buraco é satisfatória para uma pequena unidade, sendo necessário equipamento mecânico para abrir o buraco. Inclinação para o desvio de fezes e urina Porção inferior do tambor abaixo do nível do solo 38 cm aproximadamente Figura 2-5. Latrina de buraco. Fonte: Manual de Campanha (C 21-10) g. Latrina de Balde (Figura 2-6) Quando as condições do local (área populosa, solo rochoso, pântano) não permitem outros tipos de latrina, constrói-se a latrina de balde.

75 Vista do Água Figura 2-6. Latrina de balde. Fonte: Manual de Campanha (C 21-10) h. Banheiro Químico (Figura 2-7) São instalações sanitárias pré-fabricadas e móveis, fornecidas por empresas civis MICTÓRIOS Figura 2-7. Banheiro Químico. Fonte: Manual de Campanha (C 21-10) a. Uma unidade de cem homens necessita de cinco mictórios de funil. Quando se usam mictórios de calha, esse efetivo necessita de um mictório de 3m de comprimento. Os mictórios devem drenar para um poço de absorção ou para uma latrina de fossa profunda, caso sejam construídos conjuntamente. A urina deve ser drenada para uma latrina de fossa

76 profunda, através de um cano, uma mangueira ou uma calha telada. Utilizando-se um poço de absorção, este deve ter uma área de cerca de 1,5m 2 por 1,20m de profundidade e deve ser preenchido com pedras, tijolos, garrafas quebradas e cascalho. Depois, deve ser coberto com tábuas, papel alumínio e/ou outro material que proteja a madeira do contato direto com a urina. Se o mictório estiver afastado do dormitório, deve ser instalado outro, a uma distância conveniente, para uso durante a noite. (1) Mictório de Funil (Figura 2-7) Os canos devem ter, no mínimo, 2,5cm de diâmetro e aproximadamente 90cm de comprimento. Devem ser introduzidos cerca de 20cm abaixo da superfície do poço, permanecendo os restantes 70cm acima dela, inclinados para fora. Um funil de papel alumínio, folha metálica de bordas lisas, folha de alumínio, material plástico ou similar, é colocado na extremidade superior do cano. Figura 2-7. Mictório de funil Fonte: Manual de Campanha (C 21-10) (2) Mictório de Calha (Figura 2-8) Um mictório de calha de 3m de comprimento deve ser providenciado quando não se dispuser de material para construção de mictório de funil. A calha é feita de folha de metal ou madeira, com as extremidades em forma de V ou U. Se a calha for feita de madeira, deve ser forrada com papel alumínio ou metal. Os cavaletes que dão apoio à calha devem ser cortados ligeiramente mais curtos em uma das extremidades. Na extremidade mais baixa, une-se uma calha rasa ou um cano para

77 conduzir a urina do mictório de calha para o poço de absorção ou para a latrina de fossa profunda. Figura 2-8. Mictório de calha e poço de absorção. Fonte: Manual de Campanha (C 21-10) b. Para que o poço de absorção de urina funcione, é necessário que a tropa não urine sobre sua superfície. Os funis e as calhas devem ser submetidos a limpeza, diariamente, com sabão e água, substituindo-se os funis, se necessário. Graxa e óleo nunca devem ser esparramados dentro do poço, pois podem entupi-lo. Quando o poço for abandonado ou ficar entupido, deve-se, primeiramente, desinfetá-lo com inseticida de ação residual; depois, cobrilo com terra. ARTIGO III DEPÓSITO E DESTINAÇÃO DO LIXO 2-8. DESTINOS DOS RESTOS LÍQUIDOS Os poços ou trincheiras de absorção destinam-se a receber os restos líquidos de cozinha e da água de serventia (banho, lavatório). Para que o solo os absorvam, necessário se torna separar deles a gordura, sabão e partículas sólidas. Por essa razão, uma caixa de separação de gordura faz parte de cada poço ou trincheiras de absorção. Em lugares em que o solo é argiloso, fazem-se canteiros de evaporação, se o clima for quente e seco POÇOS DE ABSORÇÃO

78 Em estacionamento temporário, um poço de absorção de 0,36m 2 de área e 1,20m de profundidade é suficiente para receber restos líquidos de cozinha de uma tropa com efetivo de duzentos homens. Se a tropa permanecer por duas semanas, constroem-se dois poços; cada poço será usado em dias alternados, diminuindo, assim, a possibilidade de entupimento. Cada dispositivo para lavar as mãos ou para banho deve dispor de um poço de absorção, que obedece ao mesmo padrão empregado para a construção de poços de absorção de urina, exceto no que se refere aos canos e funis, que são omitidos. O separador de gordura é providenciado para cada poço, exceto para os dos chuveiros. A área sob os chuveiros e dispositivo de água para beber deve ser escavada alguns centímetros e essa escavação, preenchida de pedras lisas e pequenas. Quando o poço de absorção fica entupido, deverá ser fechado, abrindo-se um novo. O poço será fechado, cobrindo-o cerca de 30cm de terra compacta e colocando um aviso da sua inativação VALAS DE ABSORÇÃO (Figura 2-9) Se houver formações rochosas ou lençol de água subterrâneo próximos à superfície, usam-se valas de absorção em lugar de poços. A vala de absorção consiste de um poço de 20cm de largura e 30cm de profundidade, com uma extensão de 1,80m. As valas têm 30cm de largura e sua profundidade varia de 30cm, na parte central do poço, a 45cm, nas extremidades externas. O poço e as valas são preenchidos com pedras pequenas e lisas. Um efetivo de duzentos homens necessita de duas valas de absorção, para serem usadas em dias alternados. Figura 2-9. Valas de absorção. Fonte: Manual de Campanha (C 21-10) CAIXAS DE GORDURA a. Caixa de Gordura com Separador. (Figura 2-10) (1) Uma caixa de gordura com separador pode ser feita de um tambor ou de uma pequena caixa de água. O tambor é dividido verticalmente em uma câmara de entrada e uma de saída por meio de um separador de madeira. O separador deverá ser colocado de

79 maneira que a câmara de entrada tenha o tamanho duplo da de saída e diste cerca de 3cm, aproximadamente, do fundo do tambor. O filtro (coador) que pode ser feito de uma pequena caixa perfurada, forrada com palha, feno ou aniagem, é inserido dentro da cobertura da câmara de entrada. Um cano é introduzido na câmara de saída, 7,5 a 15cm abaixo da extremidade superior, como um escoadouro para o poço de absorção. (2) A caixa com separador de gordura deve ser convenientemente cuidada para evitar entupimento do poço de absorção. A gordura retida pelo separador deverá ser removida da superfície da água, diariamente ou com a freqüência que for necessária. Será enterrada ou incinerada. A caixa deve ser inteiramente esvaziada e totalmente lavada em água quente e sabão, nas vezes que se fizerem necessárias. Figura Caixa de gordura com separador. Fonte: Manual de Campanha (C 21-10) b. Caixa de Gordura de Barril. (Figura 2-11) (1) Esta caixa de gordura pode ser feita de um barril ou tambor de 115 a 200 litros, com a parte superior removida e o fundo perfurado (com orifícios grandes). Cerca de 20cm de cascalhos ou pedras pequenas são colocados no fundo e recobertos com 30 a 35cm de cinzas ou areia. Um saco de aniagem é preso na parte superior do barril, servindo como filtro grosseiro. A caixa pode ser colocada diretamente sobre o poço de absorção ou sobre uma plataforma com uma calha ligada ao poço.

80 (2) De dois em dois dias, a caixa deve ser esvaziada, lavada e novamente utilizada. O material removido será enterrado. O filtro de aniagem deve ser lavado ou substituído, todos os dias. (3) Um filtro de balde pode ser usado em lugar do de aniagem. Perfuram-se buracos no fundo de um balde de metal ou de uma lata, enchendo-o de grama ou palha. Esse filtro removerá as partículas grossas dos alimentos e pequena parte da gordura. Coloca-se sobre a parte superior da caixa de gordura tipo barril. Defletor Figura Caixa de gordura de barril com defletor. Fonte: Manual de Campanha (C 21-10) CANTEIROS DE EVAPORAÇÃO (Figura 2-12) a. Em terrenos argilosos, evita-se o uso de poços de absorção, de modelo padronizado, podendo, em substituição, serem usados os canteiros de evaporação. b. Constroem-se canteiros de 2,40m x 3m, em número suficiente a fim de permitir uma área de 0,27m 2, por pessoa e por dia, para os restos de cozinha; uma área de 0,18m 2 por pessoa e por dia, para os restos líquidos provenientes do banho e do ato de lavar as mãos. Os canteiros são espaçados de maneira a permitir que os resíduos líquidos possam ser distribuídos a qualquer um deles. Na construção, raspa-se o chão com uma enxada, de maneira a formar um pequeno talude circundando área suficiente; depois, dentro desta, cavase a terra a uma profundidade de 25 a 37cm, fazendo-se canteiros isolados, em fileiras,

81 distanciados de 15cm um do outro. Estes podem ser dispostos transversal ou longitudinalmente, conforme se achar conveniente para melhor distribuição da água. c. Em operação, um canteiro é inundado durante o dia com restos líquidos até as bordas, o que equivale a uma profundidade média de 7,5cm. Os restos líquidos, depois, evaporam e se infiltram. Após 3 ou 4 dias, o canteiro estará suficientemente seco para ser raspado e renovado. Outros canteiros são inundados, nos dias subseqüentes, e a mesma sucessão é observada. d. Atenção cuidadosa deve ser prestada à rotação, manutenção e dosagem dos canteiros de evaporação. É também essencial que os restos de cozinha passem por um separador de gordura antes de entrar em contato com os canteiros de evaporação. Figura Canteiro de evaporação. Fonte: Manual de Campanha (C 21-10) DESTINOS DOS RESTOS SÓLIDOS DE COZINHA Os restos de cozinha podem ser enterrados ou incinerados. (1) Enterramento Quando a tropa está em marcha, em bivaque ou em estacionamento por menos de uma semana, os restos sólidos ou semi-sólidos são enterrados em fossas ou valas. Estas não devem distar mais de 30m do rancho; entretanto, não devem ser enterrados a menos de 30m de qualquer fonte de água usada para cozinhar ou beber. (2) Incineração Nos estacionamentos temporários, de mais de uma semana, os resíduos são freqüentemente queimados em incineradores abertos.

82 Depósito para os restos de cozinha. 3 tambores (de 240 litros aproximadamente) encravados no chão e encaixados. Figura Incinerador de plano inclinado. Fonte: Manual de Campanha (C 21-10) DESTINOS DO LIXO RESULTANTE DAS VARREDURAS a. Nos estacionamentos onde a permanência durar mais de uma semana, o lixo combustível será incinerado num incinerador de barril e o não combustível será enterrado ou removido para lugar designado pela equipe responsável pela Vigilância Sanitária. O incinerador de barril é confeccionado com um tambor de 200 litros, com as tampas, superior e inferior, removidas (Figura 2-14). Figura Incinerador de barril. Fonte: Manual de Campanha (C 21-10) b. Nos estacionamentos temporários ou no bivaque, todo lixo resultante das varreduras será enterrado em poços ou valas. As latas devem ser amassadas e as caixas quebradas antes de serem lançadas ao lixo.

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