VI Conferencia Regional de voluntariado IAVE. Guayaquil Ecuador

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1 VI Conferencia Regional de voluntariado IAVE Guayaquil Ecuador 2013 PerguntAção no Programa de Voluntariado Promon: conectando o conhecimento para criar, construir e transformar Autora: Marisa Villi (Assessora de Projetos do Instituto Paulo Montenegro) Co-autor: Fábio Risério (Gerente de Responsabilidade Social da Promon Engenharia) Agosto de

2 Resumo Este trabalho pretende sistematizar e refletir sobre a implantação do programa PerguntAção, do Instituto Paulo Montenegro, no Programa de Voluntariado Promon. O processo foi desenvolvido nas unidades de e Rio de Janeiro da Promon, entre abril e setembro de O foco de investigação definido pelo grupo de atuação foi compreender como promover o engajamento dos diferentes atores que compõem o Programa de Voluntariado a partir de suas diversas perspectivas. Palavras-chave: voluntariado empresarial; participação; articulação de rede; pesquisa participativa. 2

3 Contexto O Grupo Promon atua no desenvolvimento de diversos segmentos da infraestrutura no Brasil e em outros mercados no ramo de engenharia e gerenciamento de empreendimentos, oferecendo prestação de serviços profissionais, integração de sistemas e desenvolvimento de projetos. Desde sua fundação, em 1960, o Grupo incentiva atividades de voluntariado, consideradas como parte integrante de seu compromisso com a responsabilidade social. O Programa de Voluntariado Promon 1, coordenado pela área de Responsabilidade Social, tem como foco a Educação e sua atuação funciona como uma rede social do bem, por intermédio da qual os profissionais da empresa e seus convidados podem encontrar meios de se envolver com o voluntariado. O programa atua em quatro frentes: reforço escolar, preparação para o mercado de trabalho, apoio à gestão das organizações e apoio à infraestrutura. Em sua criação, os alicerces do programa foram delineados em um processo de dialogo, interação e compartilhamento de conhecimentos e informações entre os dirigentes das empresas, os voluntários e os dirigentes das organizações sociais parceiras. Com isso, um dos principais objetivos do programa tem sido garantir a máxima sinergia entre as entidades, que precisam de conhecimento para desenvolver e impulsionar seus projetos, e aqueles que estão dispostos a compartilhar suas competências. Ao completar quatro anos de atividades após um primeiro diagnóstico, 2013 foi considerado um ano oportuno para mais uma vez coletar e sistematizar a 1 Para saber mais sobre o Programa de Voluntariado Promon, acesse: https://voluntariadopromon.v2v.net/ 3

4 percepção de todos os participantes sobre o que vem sendo realizado, conhecer suas expectativas e compreender os relacionamentos entre os diferentes públicos para consolidar as aprendizagens e fortalecer as perspectivas do programa. Ao mesmo tempo, identificou-se a necessidade de retomar o processo de diálogo entre os públicos envolvidos, renovando a participação qualificada dos representantes da empresa, dos voluntários, das organizações sociais e também das crianças e adolescentes beneficiados pelas ações voluntárias. Para este fim, a Promon buscou o Instituto Paulo Montenegro para implantar a metodologia de PerguntAção, que promove o uso de consultas participativas de opinião como instrumento de articulação e mobilização. O Instituto Paulo Montenegro é uma organização sem fins lucrativos, criada em 2000 pelas empresas associadas ao Grupo IBOPE, para desenvolver e executar projetos de responsabilidade social, empregando sua expertise e conhecimento acumulado na área de pesquisas em ações com focos na educação e na mobilização social. Ao longo de mais de 10 anos de atuação, o Instituto Paulo Montenegro 2 consolidou o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), e os programas Nossa Escola Pesquisa sua Opinião (Nepso) e PerguntAção. O desenho da metodologia O programa PerguntAção têm como objetivo fortalecer a articulação de diferentes grupos sociais para promover ações que transformem sua realidade local. Por meio de consultas participativas de opinião, busca promover a construção 2 Para conhecer mais os programas do Instituto Paulo Montenegro, acesse: ou migre.me/fsblz 4

5 coletiva de conhecimento, bem como conhecer demandas no contexto específico de cada iniciativa, a partir da percepção das pessoas. Todas as etapas da metodologia são construídas coletivamente, desde a decisão do tema a ser investigado e das perguntas do questionário até a realização das entrevistas e análise dos resultados. Seu método promove a interação entre diversos atores e promove o empoderamento de grupos articulados ao se organizem participativamente para a realização de um projeto de coleta de dados e opiniões sobre determinado contexto, identificando demandas e necessidades, expectativas e percepções do público-alvo definido, com o intuito de refletir sobre suas realidades para transformá-las. Para desenvolver todo esse processo, é necessário que haja um grupo estruturado e disposto a realizar a coordenação das atividades. Este grupo de atuação participa da concepção, realização e análise da consulta participativa, recebendo para isso uma formação específica promovida pelo Instituto Paulo Montenegro, destinada a orientar esta ação, sempre de forma prática e interativa. No contexto do Programa de Voluntariado da Promon, a proposta era a de promover, entre os próprios voluntários e representantes das ONGs parceiras, a reflexão compartilhada sobre o programa do qual são parte, bem como fortalecer o engajamento dos voluntários. A intenção era também contribuir para uma maior aproximação entre as unidades de negócio de e Rio de Janeiro, com as ONGs parceiras e comunidade em que estão inseridas. Por isso, foi o grupo de atuação selecionado compõe-se por 20 voluntários das duas unidades da Promon, além de 15 representantes de ONGs e 15 jovens atendidos por estas ONGs, também de ambos municípios (Figura 1). 5

6 Figura 1. Perfil das organizações que compõem o Grupo de Atuação Nome da ONG Cidade onde atua Público atendido Missão e área de atuação Ação Comunitária do Brasil crianças, jovens e adolescentes de 0 a 29 anos Inclusão e proteção social com programas focados na educação e na empregabilidade. Associação Ser Cidadão Rio de Janeiro jovens e adultos Desenvolvimento humano, através da educação, da cultura e da capacitação profissional para jovens e adultos procedentes de comunidades com baixo investimento social. CAMP - Círculo de Amigos do Menino Patrulheiro de Vila Isabel Casa do Zezinho CCA Lar Escola Recanto Cristão CCA Santa Teresa Rio de Janeiro jovens de 14 a 18 anos (incompletos) crianças e jovens entre 6 e 21 anos crianças e adolescentes entre 6 e 15 anos crianças e adolescentes entre 6 e 15 anos Fundação Brasil Campeão crianças, jovens e famílias Gotas de Flor com Amor Instituto Bola Pra Frente Junior Achievement Projeto Casulo Rio de Janeiro Rio de Janeiro e São Paulo crianças a partir dos 6 anos, adolescentes e famílias crianças e adolescentes com 6 a 17 anos jovens em fase escolar crianças e jovens de 10 a 29 anos Projeto English For All jovens de 11 a 25 anos Ensino na área de educação profissional de nível básico Criação de condições para a formação do pensamento crítico e o desenvolvimento de potencialidades e da autoconfiança. Educação complementar Melhoria da qualidade de vida das crianças e jovens por meio de atividades pedagógicas. Rodas de Leitura para estabelecer trocas em torno das experiências dos indivíduos Formação integral, seguindo a concepção de educação interdimensional. Oportunidade de promoção social por meio do esporte, educação, arte e cultura e qualificação profissional. Despertar o espírito empreendedor, estimular o desenvolvimento pessoal, introduzir conceitos e práticas do mundo dos negócios e contribuir para seu acesso ao mercado de trabalho. Fomento ao desenvolvimento pessoal e social de crianças, jovens e famílias das comunidades do Real Parque e do Jardim Panorama Ensino da língua inglesa para jovens de baixa renda matriculados em cursos de educação complementar em ONGs parceiras ou empresas. Este grupo recebeu um total de 24 horas de formação. Tendo educadores do Instituto Paulo Montenegro presentes no Rio de Janeiro e em simultaneamente, algumas oficinas ocorreram por meio de videoconferência entre as unidades, possibilitando a troca de experiências regionais ao longo do processo de consulta. Os conteúdos e cargas horárias estão detalhados no quadro a seguir (Figura 2). 6

7 Figura 2. Quadro descritivo das oficinas de formação em PerguntAção realizadas pelo Instituto Paulo Montenegro Nº. da Oficina 1ª Oficina Conteúdo de oficina Apresentação da proposta, qualificação do tema e identificação da perguntaguia Detalhamento das atividades Apresentação do programa PerguntAção e sua metodologia de consultas participativas de opinião; apresentação de dados existentes sobre voluntariado no Brasil; conversa organizada sobre voluntariado; dinâmica para definição da pergunta-guia do grupo. Carga horária 4 horas 1 Dias Local da oficina 4 horas: 3 educadores em, conectados ao Rio de Janeiro em Videoconferência 2ª Oficina Levantamento das hipóteses, elaboração e aplicação de questionário Apresentação da sistematização da discussão para definição da pergunta-guia; discussão orientada, visando definir as hipóteses que o grupo imagina que respondem à pergunta-guia definida; conversa organizada para definição do público a ser consultado; apresentação dos conceitos para elaboração de questionário; exercício conceitual de elaboração de perguntas; desenvolvimento coletivo do questionário; apresentação dos conceitos de amostragem e técnicas de abordagem; treinamento para realização de trabalho de campo. 20 horas 5 4 horas: 1 educador no Rio de Janeiro e 2 educadores em São Paulo, conectados em Videoconferência 8h: 3 educadores em 8h: 2 educadores no Rio de Janeiro 3ª Oficina Análise dos resultados do segundo questionário e divulgação Dinâmica de memória coletiva do trabalho de campo; retomada da pergunta-guia e das hipóteses do grupo; apresentação das tabelas e gráficos resultantes da consulta; discussão coletiva dos resultados apresentados; sistematização da análise coletiva; plano de divulgação dos resultados. 8 horas 2 8 horas: 1 educador no Rio de Janeiro e 2 educadores em São Paulo, conectados em Videoconferência Conectando o conhecimento O processo de qualificação do tema de voluntariado foi bastante rico e importante para alinhar conceitos, expectativas, demandas e reflexões do grupo de atuação. Uma série de perguntas disparadoras de discussão foram levadas pelos educadores, a fim de compreender o imaginário de cada um dos participantes sobre o que se espera de um trabalho voluntário. Nas calorosas discussões entre voluntários, equipes das ONGs e jovens atendidos, os seguintes conceitos (Figura 3) foram associados à motivação para uma pessoa ser ou não ser voluntária: 7

8 Figura 3. Quadro de sistematização da discussão sobre voluntariado Por que ser voluntário? Por que não ser voluntário? Querer ser voluntário é uma questão de cultura da Para doar, ser solidário. sociedade; e não há uma cultura participativa no Brasil. Para melhorar a sociedade; promover mudanças. Falta divulgação dos trabalhos que podem ser realizados voluntariamente. Para trocar e compartilhar conhecimentos. É um prazer e um processo de auto realização. Dificuldade na equalização de expectativas: o voluntário pode estar disponível, mas não tem o perfil adequado para as atividades disponíveis; as ONGs esperam que os voluntários "resolvam tudo". Ausência de capacitação dos voluntários Ao trazer o foco do debate para o Programa de Voluntariado Promon, foram levantados pontos positivos e negativos do programa, bem como sugeridas melhorias ou adequações. Dentre os diversos tópicos discutidos, vale destacar que todos valorizam a gestão e infraestrutura adequada, além do excelente comprometimento dos voluntários. Por outro lado, o grupo levantou que muitas vezes o voluntário não conhece o trabalho realizado pelas instituições nas quais irá atuar. Nesse sentido, muitos questionamentos e demandas foram trazidos pelos participantes ao longo do processo, tais como a necessidade de manter uma comunicação efetiva não apenas entre as ONGs e a Promon, mas também das ONGs entre si; e a importância da relação dos jovens atendidos com os voluntários e com o ambiente de trabalho destes. Tendo este panorama, ficou clara uma inquietude comum a todos do grupo de atuação, que ficou definida como pergunta-guia da consulta: O que é necessário para melhorar a interação entre todos os envolvidos no Programa de Voluntariado da Promon? Diversas hipóteses foram levantadas em conjunto na busca de uma resposta para esta questão (Figura 4): 8

9 Figura 4. Sistematização das hipóteses levantadas pelo grupo de atuação Hipóteses Existe um descompasso entre o que as ONGs querem e o que o voluntário pode oferecer. Para resolver isso seria interessante ter um banco com os dados dos voluntários e os programas das ONGs ser disponibilizados. É necessária uma maior troca de informações entre a Promon e o público atendido, é importante eles saberem o que a empresa faz. Além disso, os jovens/crianças das diferentes ONGs poderiam interagir por meio de visitas dos jovens à outras ONGs. Seria interessante que ONGs que compõe o Programa de Voluntariado da Promon, também pudessem trocar informações e experiências entre si. As ONGs podem estruturar feedbacks, bem como participar de um planejamento, a partir da constituição de uma rede entre elas. Área temática Equalização de expectativas e organização da atuação voluntária Troca de experiências Troca de experiências Feedback É necessário um tempo para trazer integração de verdade, que vá além de uma atividade específica e possa acontecer no decorrer do ano. Por exemplo: existir um dia da semana fixo para criar um vínculo maior entre o voluntário e as ONGs, ele não irá apenas para dar aula, será uma data para realizar outras atividades. Outro exemplo seria realizar semanas temáticas que passem aos jovens conteúdos mais politizados e profundos, como educação e voto consciente. Devem existir capacitações estruturadas para evitar a evasão de voluntários. Falta clareza para os profissionais de que a diretoria apoia o voluntariado. Uma forma de apoiar seria investir em melhoria da estrutura da área de responsabilidade social (que fica centralizada em e não tem ninguém de dedicação exclusiva no Rio de Janeiro) Troca de experiências Retenção de voluntários Apoio da empresa Norteados por esses conceitos e questionamentos coletivos, foram construídos também a muitas mãos três questionários, sendo um direcionado a cada público envolvido no Programa de Voluntariado Promon: profissionais da Promon (voluntários e não voluntários), equipes das ONGs em todos os níveis e público atendido. Após uma série de testes dos questionários e simulações de entrevistas, o grupo de atuação estava pronto para o trabalho de campo. Ainda em curso até o fechamento deste artigo, as entrevistas estão sendo realizadas de modo a já promover maior interação entre públicos: jovens e representantes das ONGs entrevistando profissionais da Promon e vice-versa. Dentro de menos de um mês, o grupo de atuação já consultou mais de 200 pessoas (Figura 5): 9

10 Figura 5. Distribuição das entrevistas realizadas Nº total de Nº de entrevistas Público entrevistas* em Profissionais da Promon que são voluntários, não-voluntários e diretores Funcionários das ONGs, de todos os níveis, que tenham relação com voluntários Crianças a partir dos 11 anos, adolescentes, jovens e demais públicos atendidos pelo programa de voluntariado Nº de entrevistas no Rio de Janeiro Total * A quantidade de entrevistas realizadas reflete o tamanho das unidades de negócios da Promon. Criar, construir e transformar Mesmo ainda em curso, já é possível perceber alguns ganhos com a experiência do PerguntAção no Programa de Voluntariado Promon. A metodologia evidenciou o quanto o Programa de Voluntariado Promon está aberto para a escuta e para o enfrentamento dos desafios enfrentados, ao estabelecer um canal direto de diálogo com seus públicos. Questões estruturais e complexas com as quais o programa se defronta foram apontadas pelo grupo de atuação a partir de diferentes perspectivas. É indiscutível que o PerguntAção foi uma ação inovadora para promover a inclusão e interação dos públicos envolvidos. O processo de consultas participativas de opinião tem conseguido criar espaços para que os públicos envolvidos, que nunca antes haviam dialogado sobre suas práticas, pensem e desenhem as próprias ações. Crianças e jovens foram ouvidos enquanto atores do processo, fugindo da lógica tradicional, em que o público atendido não tem voz na investigação de desafios e na proposição de ações a serem implantadas. O desafio que Promon e Instituto Paulo Montenegro se dispuseram a enfrentar era fazer com que os resultados alcançados na metodologia contagiassem 10

11 o Programa como um todo. E é notável o quanto esse processo de aprendizagem tem propiciado um ambiente de acolhimento, incentivando relações de confiança e respeito ao outro, bem como estimulando a busca de parcerias para mudanças. Ambos os parceiros acreditam que a metodologia tem conseguido contemplar a diversidade presente no Programa de Voluntariado Promon, já que, ao garantir a participação dos diferentes atores em todas as etapas do processo, acolhe a diversidade de visões na reflexão sobre mudanças e sobre o futuro do programa, permitindo maior durabilidade e amplitude às ações. 11

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