ANAIS DA CERSC RIO DE JANEIRO 2008

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1 ANAIS DA CERSC RIO DE JANEIRO 2008

2 CONFEDERAÇÃO NACIONAL DO COMÉRCIO Brasília SBN Quadra 1 Bloco B n o 14, 15 o ao 18 o andar Edifício Confederação Nacional do Comércio CEP PABX (61) Rio de Janeiro Avenida General Justo, 307 CEP Rio de Janeiro Tel.: (21) Fax (21) Web site: Publicação Projeto gráfico: Coordenação de Documentação e Informação/Unidade de Programação Visual Produção: Divisão Sindical Impressão: Gráfica MCE CNC. Comissão de Enquadramento e Registro Sindical do Comércio Anais da Comissão de Enquadramento e Registro Sindical do Comércio Rio de Janeiro: Confederação Nacional do Comércio, p. 1. Comissão de Enquadramento e Registro Sindical do Comércio. I Confederação Nacional do Comércio

3 APRESENTAÇÃO A Comissão de Enquadramento e Registro Sindical do Comércio CERSC, criada em 1991, cumpre, no âmbito do Sistema Confederativo da Representação Sindical do Comércio Sicomercio, função antes exercida pela Comissão de Enquadramento Sindical do Ministério do Trabalho, extinta com o advento da Constituição da República de 1988, que vedou a interferência do Estado (leia-se Poder Executivo) na organização sindical. Como órgão auxiliar do sistema, a CERSC responde a consultas de empresas e entidades sindicais do comércio, realizando, no primeiro caso, enquadramento individual e, no segundo, enquadramento coletivo. Opina também a CERSC, quando consultada, acerca de conflitos de representação revelados por entidades integrantes do Sicomercio. A CERSC é constituída de sete membros efetivos e sete suplentes, com mandato de três anos, designados pelo Presidente da Diretoria da Confederação Nacional do Comércio. Em 5 de julho de 2005 foram empossados os membros titulares e suplentes que integrarão a Comissão de Enquadramento e Registro Sindical do Comércio no triênio 2005/2008. São eles: Titulares: Carlos Fernando Amaral (Presidente), Natan Schiper (Vice-Presidente), Daniel Mansano, Francisco Valdeci de Sousa Cavalcante, Lázaro Luiz Gonzaga, Luciano Figliolia, Renato Turk Faria (substituído por Joel Carlos Köbe). Suplentes: Edno Bressan, Edy Elly Bender Kohnert Siedler, João de Barros e Silva, José Domingues Vinhal, José Epaminondas Costa, Luso Soares da Costa e Manoel Jorge Vieira Colares.

4 A Divisão Sindical da CNC, órgão de assessoramento da CERSC, promove suporte administrativo e técnico, inclusive, por meio da elaboração de pareceres e estudos técnicos, com vistas a subsidiar a Comissão no referente à apreciação e resposta às consultas formuladas. Divisão Sindical

5 SUMÁRIO PARECERES 1. Processo nº Enquadramento sindical de flats, apart-hotéis, hotéis residência e residenciais com serviços Processo nº Enquadramento sindical de empresa prestadora de serviços de intermediação financeira Processo nº Enquadramento sindical de empresa distribuidora de brindes em geral Processo nº Enquadramento sindical das atividades de administração de imóveis, administração de condomínios e de controle de pragas Processo nº Consulta de conflito de representação sindical em negociação coletiva Processo nº Enquadramento sindical de padarias (confeitarias e padarias de conveniência) Processo nº Enquadramento sindical das atividades econômicas pertencentes ao plano do comércio com base na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) Processo nº Enquadramento sindical de empresa prestadora de serviços de editoração eletrônica Processo nº Enquadramento sindical (coletivo) do Sindicato dos Locadores de Equipamentos, Máquinas e Ferramentas de Pernambuco Processo nº Enquadramento sindical de holdings (participação em outras empresas e administração de bens de sua propriedade)... 53

6 11. Processo nº Enquadramento sindical das empresas retroportuárias Processo nº Enquadramento sindical de empresa que comercializa máquinas e equipamentos reprográficos, de computação, processamento de dados e automação de escritório Processo nº Enquadramento sindical de empresas de desmanches de veículos leves e pesados e motocicletas e tratores usados e sinistrados ANEXOS Glossário Quadro de Atividades e Profissões * (art. 577 da CLT) Índice Remissivo * Recepcionado pela Constituição Federal de 1988 (STF Ac. de no RMS , in Rev. LTr., São Paulo, jan. 1992, págs. 13 e 14).

7 RELATÓRIO Processo nº Rio, 2 de fevereiro de 2007 Consulta sobre Enquadramento Sindical A FEDERAÇÃO DO COMÉRCIO DO ESTADO DO CEARÁ, visando atender à solicitação do SINDICATO INTERMUNICIPAL DE HOTÉIS E SIMILARES NO ESTADO DO CEARÁ, formula consulta acerca do enquadramento sindical dos empreendimentos ou estabelecimentos empresariais que explorem ou administrem a prestação de serviços de hospedagem mediante unidades mobiliadas e equipadas e outros serviços oferecidos aos hóspedes, sendo estes denominados flats, ou qualquer outra denominação. PARECER A organização sindical está regulada por lei e é estruturada em categorias cuja existência constitui pressuposto para associação em sindicatos, nos termos do art. 511 da CLT. O enquadramento deve ser feito por categoria profissional ou econômica, observado o Quadro de Atividades e Profissões a que se refere o art. 577 da CLT, no qual as atividades estão distribuídas por diversos grupos. Empreendimentos ou estabelecimentos empresariais que explorem ou administrem a prestação de serviços de hospedagem mediante unidades mobiliadas e equipadas e outros serviços ofere- ANAIS DA CERSC 7

8 cidos aos hóspedes podem ser denominados apart-hotéis, hotéis residência, residenciais com serviços, flats etc. São empreendimentos imobiliários em forma de condomínio em que os apartamentos ou unidades habitacionais são construídos para utilização mista, isto é, podem ser ocupados tanto por moradores, que utilizam os serviços de hotelaria ali desenvolvidos, quanto destinados ao aluguel temporário para fins de locação por períodos de tempo variados, como em um hotel. Assim, pode-se concluir que apart-hotéis, hotéis residência, residenciais com serviços ou flats são constituídos como edifícios multidisciplinares como a maioria dos edifícios, porém com a peculiaridade de oferecerem algum tipo de serviço serviço de lavagem de roupa, de mensageiro, de arrumadeira e similares. A Lei nº 8.245/91 reconhece a existência dessa modalidade de empreendimento. O parágrafo único do art. 1º determina que a locação em apart-hotéis, hotéis residência ou equiparados, assim considerados aqueles que prestam serviços regulares a seus usuários e como tais sejam autorizados a funcionar continua sendo regulada pelo Código Civil e pelas leis especiais. A par da legislação civil, a lista de serviços anexa à Lei Complementar nº 116, de 31 de julho de 2003, que dispõe sobre o Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza, no item 9 serviços relativos a hospedagem, turismo, viagens e congêneres, notadamente no subitem 9.01 prevê a incidência do referido tributo sobre serviços de hospedagem de qualquer natureza em hotéis, apart-service condominiais, flat, apart-hotéis, hotéis residência, residence-service, suite service, hotelaria marítima, motéis, pensões e congêneres; ocupação por temporada com fornecimento de serviço, ressalvando que o valor da alimentação e gorjeta, quando incluído no preço da diária, fica sujeito ao Imposto Sobre Serviços. Ultrapassada a questão, no que toca à definição (natureza jurídica) dos estabelecimentos empresariais que explorem ou administrem a prestação de serviços de hospedagem mediante unidades mobiliadas e equipadas e outros serviços oferecidos aos hóspedes, 8 ANAIS DA CERSC

9 passamos ao enquadramento sindical da atividade desempenhada por esses empreendimentos. Nesse ponto, cabe esclarecer que já foi formulada consulta análoga pelo Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis e dos Condomínios Residenciais e Comerciais em todo Estado do Rio de Janeiro (Processo CERSC nº 914) acerca do enquadramento sindical de apart-hotéis, tendo a CERSC, acolhendo parecer técnico, decidido da seguinte forma: (...) a) Os apart-hotéis têm administração nitidamente hoteleira, como componentes da categoria de hotéis, bares, restaurantes e similares, do 5º grupo do plano da CNC. b) Esclarecer que: 1) somente compõem a categoria de hotéis os apart-hotéis que têm administração tipicamente hoteleira, nela abrangidas as relativas aos hotéis, flats, hotéis residence e assemelhados; 2) não estão abrangidos pela deliberação os aparthotéis que possuam administração não hoteleira, ou seja, os que possuem administração própria, ou os que são administrados por empresas contratadas ou ainda os que são administrados por um pool de empresas, nos termos definidos pelo sindicato interessado, no expediente em evidência, os que integram a categoria econômica de empresas de compra, venda, locação e administração de imóveis residenciais e comerciais, e são representados pelos Secovis, dentro dos limites das respectivas bases territoriais, respeitados os casos em que porventura tenha havido dissociação com formação de sindicato por categoria específica. Vale aqui transcrever alguns trechos do parecer técnico lavrado pelo advogado e assessor Ubiracy Cuóco nos autos do referido processo, em relação à diferenciação feita entre condomínios e flats, apart-hotéis, hotéis residência, residence-service, suite service etc., principalmente no que toca à sua administração. No caso em exame, o gênero é condomínios, na forma expressada na legislação pertinente, mas as especificidades podem ser tantas quantas venham a existir em decorrência do desen- ANAIS DA CERSC 9

10 volvimento econômico do Brasil. Os apart-hotéis constituem uma delas. (...) Os apart-hotéis são, indiscutivelmente, modalidades de condomínios, com características próprias que, quando ligadas ao ramo hoteleiro, integram o comércio hoteleiro. (...) O que, na realidade pretendeu foi definir que os apart-hotéis, quando sujeitos à administração hoteleira, integram o setor do comércio hoteleiro. Essa distinção também faz parte do documento apresentado pelo Secovi. Ele distingue entre os que são administrados por hotéis e os que têm administração própria, autônoma e que compreendem três modalidades diferentes: a) os que têm administração própria, com execução dos serviços por intermédio de empregados do condomínio; b) os que têm administração contratada com empresas administradoras de condomínios; c) os que são administrados por um pool de empresas conforme refere o sindicato. Tudo depende do que está contido na convenção que institui o condomínio ou de deliberação da assembléia geral dos condôminos. (...) Evidencia-se que se o apart-hotel está sujeito à administração hoteleira integra categoria do grupo do comércio hoteleiro. Nos demais casos, constituem condomínio comum, compondo categoria representada pelo Secovi. (...) Posto isto, opinamos no sentido de que sejam acolhidas as razões expostas no documento para, esclarecer que: a) Somente são considerados como integrantes do ramo do comércio hoteleiro os apart-hotéis que vinculados a determinado hotel, ou grupo de hotéis, tenham administração nitidamente hoteleira. Tendo administração hoteleira, o apart-hotel integrará categoria do grupo do 10 ANAIS DA CERSC

11 comércio hoteleiro; b) E os demais apart-hotéis que não se encaixem na situação acima prevista (os três casos acima referidos), integram categorias incluídas na representatividade do Secovi (de São Paulo e de outros Estados); c) O Secovi representa, assim, todos os condomínios exceto os relativos apart-hotéis que estejam sob administração nitidamente hoteleira. CONCLUSÃO Ante o exposto, concluímos que o enquadramento sindical dos empreendimentos ou estabelecimentos empresariais que explorem ou administrem a prestação de serviços de hospedagem mediante unidades mobiliadas e equipadas e outros serviços oferecidos aos hóspedes apart-hotéis, flats, hotéis residence e assemelhados deve seguir a decisão proferida pela CERSC no Processo nº 914, no sentido que: a) quando tiverem administração nitidamente hoteleira devem integrar a categoria econômica hotéis, bares, restaurantes e similares, do 5º grupo do plano da CNC turismo e hospitalidade; e b) não estão abrangidos por essa categoria econômica hotéis, bares, restaurantes e similares, os apart-hotéis, flats, hotéis residence e assemelhados que possuam administração não hoteleira, ou seja, os que possuem administração própria, ou os que são administrados por empresas contratadas ou ainda os que são administrados por pool de empresas. É o parecer, submeto à consideração superior. Lidiane Duarte Nogueira Advogada ANAIS DA CERSC 11

12 RELATÓRIO Processo nº Rio, 7 de fevereiro de 2007 Consulta sobre Enquadramento Sindical A FECOMERCIO/RJ encaminha consulta à Comissão de Enquadramento e Registro Sindical do Comércio CERSC solicitando o enquadramento sindical da empresa ROLUGI PROMOTORA DE VENDAS LTDA. PARECER Muito embora a consulta não esteja instruída com o contrato social da empresa, informa a Fecomercio/RJ (fls. 04) que a mesma desenvolve atividade empresarial de: prestação de serviços e implementação de produtos, serviços e negócios, voltado ao desenvolvimento empresarial, especificadamente, intermediação financeira, recepção e encaminhamento de pedido de empréstimo e financiamentos entre o consumidor e a instituição financeira, em conformidade com as Resoluções 3.110/03 e 3.156/03 do banco central. Ressaltamos ainda que referidas informações foram prestadas à Fecomercio/RJ diretamente pela empresa objeto de consulta, tendo como base seu contrato social, em resposta a formulário disponibilizado no endereço eletrônico da federação, conforme se observa às fls. 02/03. A empresa também informou que exerce, dentre as atividades 12 ANAIS DA CERSC

13 constantes do contrato social, como atividade principal, a intermediação financeira (fls. 02). Complementando a consulta, a empresa forneceu seu Código e Descrição da Atividade Econômica Principal: /99 outras atividades auxiliares de intermediação financeira, não especificadas anteriormente. Analisando os elementos captados, podemos, numa primeira análise, observar que nem toda prestação de serviço conduz ao enquadramento sindical como atividade própria do comércio. Porém, no caso em análise, esse serviço, ou melhor, assessoramento, está voltado para captação documental, depuração, pesquisa cadastral e remessa para eventual concessão de empréstimo ou financiamento, entre consumidores e instituições financeiras. Cumpre esclarecer que o citado Código e Descrição da Atividade Econômica Principal diz respeito à Classificação Nacional de Atividades Econômicas Fiscal CNAE 1.0, razão pela qual, apesar de constituir relevante elemento para análise do caso concreto, não define o enquadramento sindical. Isto porque o enquadramento sindical é definido pela aplicação do Quadro de Atividades e Profissões a que se refere o artigo 577, da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, que foi recepcionado pela Constituição Federal de 1988 (STF RMS , Relator Ministro Marco Aurélio Farias de Mello, Acórdão de ). Daí porque se uma empresa exerce, por exemplo, atividade econômica de arrendamento mercantil (leasing) e muito embora conste na CNAE versão 2.0 no grupo referente a atividades financeiras, de seguro e serviços relacionados com Código de nº (Código 64 atividades de serviços financeiros), seu enquadramento está inserido no 3º grupo do plano do comércio agentes autônomos do comércio. De qualquer forma, é relevante informar que pela nova versão da Classificação Nacional de Atividades Econômicas Fiscal CNAE 2.0, que entrou em vigor a partir de 1º de janeiro de 2007, o Código e Descrição da Atividade Econômica Principal da empresa foi alterado para: atividades auxiliares dos serviços ANAIS DA CERSC 13

14 financeiros não especificadas anteriormente (Código 66 atividades auxiliares dos serviços financeiros, seguros, previdência complementar e planos de saúde). Considerando, porém, o que consta do CNAE (antiga e nova versão) e o objeto do contrato social, vê-se que as atividades formalmente atribuídas à empresa objeto de consulta intermediação financeira, recepção e encaminhamento de pedido de empréstimo e financiamentos entre o consumidor e a instituição financeira, em conformidade com as Resoluções 3.110/03 e 3.156/03 do banco central representam basicamente prestação de serviços para fins de assessoramento ao tomador de serviço (que pode ser um banco, sociedade de crédito, financeira de loja de departamentos, etc.). Nesse passo, podemos identificar que o real significado da expressão intermediação financeira pode ser interpretada como o assessoramento, o serviço de busca cadastral e a pesquisa realizada pela empresa na coleta de informações de consumidores que, eventualmente, busquem empréstimos ou financiamentos em determinada instituição financeira. A atividade é mera prestação de serviço. Referido posicionamento se afina, inclusive, com decisão proferida pela extinta Comissão de Enquadramento Sindical CES, do então Ministério do Trabalho, que entendeu: Empresa que se dedica a intermediação, em operações de financiamento, enquadra-se na categoria empresas de assessoramento, perícias, informações e pesquisas (Proc. Mtb /76, Rel. Antonio Maria T. Cortizo, DOU , p In: Dicionários LTr Enquadramento Sindical Volume II, 1986, p. 120, grifos nossos). Também, podemos citar outra decisão proferida pela referida Comissão de Enquadramento Sindical CES, que analogicamente se aplicaria também à hipótese em exame, vejamos: Considerando que a atividade desenvolvida pela firma requerente é a de prestação de serviços de assessoria administrativa a terceiros, resolve a CES opinar pelo seu enquadramento sindi- 14 ANAIS DA CERSC

15 cal na categoria econômica empresas de assessoramento, perícias, informações e pesquisas, do 3º grupo agentes autônomos do comércio, do plano da CNC, e seus empregados, ressalvadas as diferenciações legais, na paritária categoria profissional (Proc. Mtb 7.764/84, Rel. Márcio Luiz Borges, DOU , p , op. cit., p. 24, grifos nossos) Isto porque, inegavelmente, a atividade de intermediação financeira, na forma exercida para fins de recepção e encaminhamento de pedido de empréstimo e financiamentos entre o consumidor e a instituição financeira, possui nítido caráter de assessoria administrativa a terceiro a instituição financeira que contrata os serviços da empresa em questão. Vale dizer que a empresa no exercício de sua atividade não avalia ou opina pela concessão de crédito, e nem poderia, pois à ela somente cabe a coleta (recepção) de informações e repasse (encaminhamento) de documentos do consumidor para com a instituição financeira (assessoramento). Daí porque em face das peculiaridades de sua atividade empresarial está adstrita às citadas normas editadas pelo Banco Central (que dispõem sobre a contratação com vistas à prestação desses serviços). CONCLUSÃO Diante disso, levando-se em consideração as razões anteriormente expostas, a empresa ROLUGI PROMOTORA DE VENDAS LTDA., para fins de enquadramento sindical está inserida na categoria econômica empresas de assessoramento, perícias, informações e pesquisas, do 3º grupo do plano da CNC agentes autônomos do comércio. É o parecer, que submetemos à consideração superior. Roberto Lopes Advogado ANAIS DA CERSC 15

16 RELATÓRIO Processo nº Rio, 6 de março de 2007 Consulta sobre Enquadramento Sindical A FEDERAÇÃO DO COMÉRCIO DO ESTADO DO RIO DE JA- NEIRO formula consulta acerca de enquadramento sindical da empresa ART HANCOCK SANTOS DISTRIBUIDORA E COMÉRCIO DE BRINDES LTDA. PARECER Na consulta formulada às fls. 02/03, a empresa ART HANCOCK SANTOS DISTRIBUIDORA E COMÉRCIO DE BRINDES LTDA afirma que seu objeto social consiste em distribuição, comércio e confecções de brindes em geral e serviços gráficos (item 24). Especifica, contudo, que dentre as atividades constantes do contrato social, efetivamente, a empresa desenvolve as atividades de personalização na base serigráfica, transfer e resinagem em todos os materiais ligados a brindes; acabamento de material gráfico como pastas, sacolas de papel etc. (item 26). Quanto à natureza da atividade varejo ou atacado, a empresa refere-se apenas à quantidade, informando, porém, que atende a diversos tipos de pedido grande ou pequena quantidade. A quantidade importa tão-somente para fixação do preço do serviço contratado (item 27). 16 ANAIS DA CERSC

17 A fim de obter maiores esclarecimentos acerca da atividade desenvolvida pela empresa, em 16 de fevereiro de 2007, por meio eletrônico, foram formuladas as seguintes questões: 1) qual a atividade efetivamente desenvolvida pela empresa; 2) se o material (pastas, sacolas etc.) no qual é feito o processo de personalização é fabricado pela empresa ou se é adquirido de terceiros; e 3) se os produtos personalizados são destinados à revenda ou se podem ser adquiridos revendidos para o consumidor final. Solicitamos ainda a remessa do contrato social para análise do objeto social (fls. 06). A referida solicitação foi reiterada em 28 de fevereiro de 2007 (fls. 07). Por meio de contato telefônico, em 1º de março de 2007, a Sra. Eliane, na qualidade de representante da empresa, informounos que a maior parte do material destinado à personalização, comercialização e distribuição é fabricado pela própria empresa (viseiras, camisetas, adesivos etc.). Entretanto há produtos que são adquiridos de terceiros, para posterior personalização e distribuição pela empresa (canetas, bolas etc). Assim, vez que até a presente data não nos foi remetida cópia do contrato social nem resposta escrita às indagações formuladas, passamos à análise, em tese, da consulta em questão enquadramento sindical da ART HANCOCK SANTOS DISTRIBUIDORA E COMÉRCIO DE BRINDES LTDA levando-se em conta, para tanto, as informações constantes no formulário de fls. 02/03. A atividade efetivamente exercida pela empresa é personalização na base serigráfica, transfer e resinagem em todos os materiais ligados a brindes bem como acabamento de material gráfico como pastas, sacolas de papel etc. Isto é, a empresa é contratada para fabricar produtos que serão distribuídos pelo contratante, que paga o preço pelo serviço de confecção dos brindes em geral e serviços gráficos, incluindo-se aí a hipótese em que é necessária a aquisição de produtos de terceiros pela empresa contratada, ora consulente. Esse é o serviço por ela oferecido. ANAIS DA CERSC 17

18 Se a empresa fabrica brindes para posterior comercialização e/ ou distribuição, ou seja, se produz o material que comercializa, a atividade comercial é conseqüência natural da produção dos brindes e material gráfico. Cabe esclarecer que mesmo que adquira material de terceiros para posterior comercialização e distribuição, remanesce a atividade original (industrial), ou seja, a confecção dos brindes em geral e serviços gráficos. Isso porque, pelo processo de personalização em base serigráfica, transfer ou resinagem, a empresa transforma esses produtos, agregando-lhes valor. Ela modifica o produto, atribuindo-lhe características próprias, que o diferenciam do material originalmente adquirido. No caso, a atividade desenvolvida pela empresa consulente é industrial, caracterizada pelo processo produtivo de confecção, personalização, acabamento gráfico etc. Ele vende o material por ela produzido, sob encomenda, para sua posterior distribuição. A atividade comercial constitui desdobramento natural da produção dos brindes e material gráfico, que constitui atividade industrial. Nesse sentido já decidiu a extinta Comissão de Enquadramento Sindical: Considerando que a empresa tem por atividade a fabricação e venda de brindes, gravando-os inclusive; considerando que tais brindes são confeccionados em laminados plásticos, tecidos e acrílico, adquiridos de terceiros; considerando o fato de tais atividades não se enquadrarem em qualquer dos grupos da CNI, resolve a CES opinar pelo seu enquadramento no plano da CNI e seus empregados no plano da CNTI (Proc. Mtb /80, Rel. Roberto Luiz K. Battendieri, DOU , p ). CONCLUSÃO Desse modo, levando-se em conta as informações constantes no formulário de fls. 02/03, resta demonstrado que a atividade de- 18 ANAIS DA CERSC

19 sempenhada pela empresa consulente confecção de brindes em geral e serviços gráficos, seguida de sua comercialização e distribuição, não está enquadrada no plano do comércio, descabendo à CERSC, portanto, qualquer definição nesse ponto. É o parecer, submeto à consideração superior. Lidiane Duarte Nogueira Advogada ANAIS DA CERSC 19

20 RELATÓRIO Processo nº Rio, 7 de março de 2007 Consulta sobre Enquadramento Sindical A FEDERAÇÃO NACIONAL DAS EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS DE LIMPEZA E CONSERVAÇÃO solicita o enquadramento sindical das seguintes categorias: I) administração de imóveis, administração de condomínios e II) controle de pragas. Informa ainda que tais segmentos externaram o desejo de filiarem seus respectivos sindicatos na Federação do Comércio de Sergipe. PARECER Inicialmente, destacamos que ambos os segmentos mencionados pela consulente estão previstos no 5º grupo Turismo e Hospitalidade do plano da CNC: I) Empresas de compra, venda, locação e administração de imóveis residenciais e comerciais. II) Empresas de asseio e conservação. Quanto à segunda categoria, vale aqui citar a seguintes decisões da extinta Comissão de Enquadramento Sindical do Ministério do Trabalho. In: Dicionários Enquadramento Sindical, volume II, Editora LTr, 1986: 20 ANAIS DA CERSC

21 Empresa que se dedica à profilaxia de residências e estabelecimentos comerciais contra insetos tem seu enquadramento situado na categoria empresas de asseio e conservação. Proc. MTb /78 Rel. Carlos Frederico Pinto da Silva, DOU , p Considerado tratar-se de empresa que se dedica à prestação de serviços no ramo exclusivo de dedetização, opina-se por seu enquadramento no 5º grupo, empresas de asseio e conservação. Proc. MTb /78, Rel. Roberto Luiz K. Battendieri, DOU , p Considerando que a empresa dedica-se a serviços de dedetização, opina-se por seu enquadramento na categoria empresa de asseio e conservação, do 5º. Grupo turismo e hospitalidade. Proc. MTb /84, Rel. Raymundo Menezes Diniz DOU , p Assim, o segmento controle de pragas enquadra-se na categoria empresas de asseio e conservação, cuja representação, na base territorial correspondente ao Estado de Sergipe, é exercida pelo Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação do Estado de Sergipe. No que toca à atividade administração de imóveis, administração de condomínios, a representação natural caberá ao Secovi/SE entidade que, até o momento, não consta dos nossos registros. Caso a categoria não esteja organizada em sindicato, a representação deverá ser exercida, supletivamente, pela federação estadual eclética, qual seja, a Federação do Comércio do Estado do Sergipe. É o parecer. Inez Balbino Advogada ANAIS DA CERSC 21

22 RELATÓRIO Processo nº Rio, 26 de março de 2007 Consulta sobre representação em acordo coletivo A FEDERAÇÃO DO COMÉRCIO DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO FECOMERCIO/ES encaminha à Comissão de Enquadramento e Registro Sindical do Comércio CERSC, consulta formulada pelo Sindicato do Comércio de Exportação e Importação do Estado do Espírito Santo SINDIEX, que solicitou esclarecimentos a respeito da não aplicabilidade aos seus associados da Convenção Coletiva firmada entre a Fecomércio/ES e vários de seus filiados, com o Sindicato dos Empregados no Comércio do Estado do Espírito Santo, questionando o seguinte: I) Qual sindicato com base territorial no Estado do Espírito Santo representa os interesses dos funcionários das empresas (comerciais importadoras e exportadoras) associadas ao Sindiex para efeito de Acordo Coletivo? II) Na hipótese de não haver sindicato, o que fazer? III) Por não existir Acordo Coletivo, como é o caso presente, as empresas associadas do Sindiex estão sujeitas somente às normas da CLT? Sobre a questão, manifestou-se a Fecomercio/ES esclarecendo que as empresas filiadas ao Sindicato do Comércio de Exportação e Importação do Estado do Espírito Santo tem como objeto social, em sua maioria, a importação e exportação de produtos em geral, bem como a importação e exportação de produtos específi- 22 ANAIS DA CERSC

23 cos, além de medicamentos, etc., informando, ainda, que o Comércio Atacadista Exportador encontra-se inserido no 1º Grupo da Confederação Nacional do Comércio Comércio Atacadista e seus empregados na categoria econômica dos Empregados no Comércio (prepostos do comércio em geral). PARECER Foi anexada cópia da Convenção Coletiva de Trabalho firmada pela Fecomercio/ES e seus sindicatos filiados, todos nominados, celebrada com o Sindicato dos Empregados no Comércio do Estado do Espírito Santo, a vigorar durante o período de a (fls 1/23). Juntou-se, ainda, cópia do estatuto social do Sindiex (fls. 24/40), bem como do acórdão TRT 17ª Região , cuja recorrente é a empresa Race Comércio, Importação e Exportação Ltda., e recorrido o Sindicato dos Empregados no Comércio do Estado do Espírito Santo SINDICOMERCIÁRIOS (fls. 41/44). A Ementa da referida decisão proclama que as empresas de importação e exportação são representadas pelo Sindicato do Comércio de Exportação e Importação do Estado do Espírito Santo, não se obrigando ao cumprimento da convenção coletiva firmada entre a Federação do Comércio do Estado do Espírito Santo e o Sindicato dos Trabalhadores no Comércio do Estado do Espírito Santo. O Acórdão deixa claro, portanto, que a Convenção Coletiva em questão não se aplica à Race Comércio, Importação e Exportação Ltda., posto que a mesma é representada pelo Sindicato do Comércio de Exportação e Importação do Estado do Espírito Santo, e não pela Fecomercio/ES. A referida decisão enumera, ainda, todos os Sindicatos repre- ANAIS DA CERSC 23

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