Crises na Colônia Portuguesa e a Chegada da Família Real. Prof.ª viviane jordão

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1 Crises na Colônia Portuguesa e a Chegada da Família Real Prof.ª viviane jordão

2 INTRODUÇÃO Na segunda metade do século XVIII, novas ideias começaram a se difundir pela América portuguesa. Vindas da Europa, elas faziam parte do movimento conhecido como Iluminismo. Na colônia portuguesa, os acontecimentos do mundo ocidental provocou uma sucessão de revoltas, tendo maior destaque Inconfidência Mineira (1789), a Conjuração Baiana (1798) e a Revolução Pernambucana (1817). 2

3 ANTECEDENTES Na origem da crise na colônia portuguesa estavam três processos que deram início à Idade Contemporânea: - Revolução Industrial - A independência dos Estados Unidos da América - Destruição do Antigo Regime na França. Ancorando todos esses movimentos a elite colonial se inspirou no Iluminismo. 3

4 A INCONFIDÊNCIA MINEIRA 1789 Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda. Cecília Meireles, Romanceiro da Inconfidência Bandeira dos Inconfidentes: Liberdade ainda que tardia. 4

5 A partir da segunda metade do século XVIII, a produção de ouro na região das minas começou a declinar em ritmo acelerado, o que afetou profundamente a vida da população. Aos poucos, as dívidas cresciam e a pobreza se alastrou. Apesar disso, enquanto o ouro diminuía, a metrópole aumentava sua pressão fiscal sobre os mineradores. 5

6 A cobrança de impostos aumentou e os atrasados eram exigidos por funcionários da Coroa com a ajuda de força policial. Além disso, o valor mínimo a ser arrecadado foi fixado pela capitania em 100 arrobas de ouro (1500 quilos). Se o total não fosse atingido, seria exigido um tributo especial: a temida derrama. Tal medida, aliada a outras políticas rígidas do governo, indignavam os colonos e fortaleciam o sentimento de liberdade e independência. 6

7 Inconfidência Mineira, foi um movimento de caráter separatista, ocorrido em Minas Gerais no ano de 1789, cujo principal objetivo era libertar o Brasil do domínio português. Um grupo de intelectuais e membros da elite mineira passou a se reunir secretamente para discutir a necessidade de libertar o país de Portugal. 7

8 Tratava-se de um pequeno grupo composto por poetas, escritores, mineradores, militares, padres, entre outros. Entre eles estava Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes ( ). Claudio Manuel da Costa poeta Inácio José de Alvarenga Peixoto - advogado Tomás Antônio Gonzaga poeta 8

9 Os conspiradores chamados inconfidentes, pretendiam iniciar um movimento armado que começasse no dia da cobrança da derrama, proclamar a república, fundar fábricas e criar uma universidade em Vila Rica Entretanto, Joaquin Silvério dos Reis, um dos inconfidentes, avisou o governador do plano. 9

10 A derrama foi suspensa e os líderes do movimento foram presos. Devemos lembrar que o termo inconfidência, originalmente, referia-se à ideia de infidelidade e traição ao rei de Portugal. Já o termo conjuração referia-se à rebelião ou conspiração contra autoridades ou governantes estabelecidos. 10

11 Após os julgamentos, vieram as sentenças: Tiradentes foi condenado à morte e os outros foram exilados. Tiradentes foi enforcado e seu corpo esquartejado: a cabeça ficou em Vila Rica e seus membros pendurados pela estrada que ligava Minas Gerais ao Rio de Janeiro. 11

12 A corda com os nós afrouxados sinaliza o ato do enforcamento, que precedeu o esquartejamento. A violência do sistema colonial está representada nas correntes e algemas usadas para prender Tiradentes. A imagem do crucifixo reforça a analogia entre Tiradentes e Jesus Cristo, sugerindo uma semelhança do drama vivido por ambos. O sangue aparece em lugares estratégicos, sem manchar a pele de Tiradentes, como é de se imaginar que aconteça com o corpo de uma pessoa esquartejada. A farda azul de militar oculta 12 as vísceras expostas.

13 A CONJURAÇÃO BAIANA 1798 A Conjuração Baiana ou Revolta dos Alfaiates aconteceu em 1798 e tinha caráter popular: exigia, a qualquer custo, a independência do domínio português. Teve uma importante influência dos ideais da Revolução Francesa. Além de ser emancipacionista, defendeu importantes mudanças sociais e políticas na sociedade. 13

14 Causas: - Insatisfação popular com o elevado preço cobrado pelos produtos essenciais e alimentos. Além disso, reclamavam da carência de determinados alimentos. - Forte insatisfação com o domínio de Portugal sobre o Brasil. O ideal de independência estava presente em vários setores da sociedade baiana. 14

15 Objetivos: - Defendiam a emancipação política do Brasil, ou seja, o fim do pacto colonial com Portugal; - Defendiam a implantação da República; - Liberdade comercial no mercado interno e também com o exterior; - Liberdade e igualdade entre as pessoas; - Aumento de salários para os soldados. 15

16 Em 12 de agosto de 1798, Salvador amanheceu com panfletos exortando a população à revolta contra o sistema colonial e o monopólio português e pregando a proclamação da república, a abolição da escravidão e a liberdade de comércio. Não tardou para que as autoridades chegassem aos líderes da Conjuração Baiana. Alguns foram presos, outros condenados à morte. 16

17 A CHEGADA DE D. JOÃO AO BRASIL (1808) Em 22 de janeiro de 1808, aportou em Salvador, a Família Real e toda a corte portuguesa, fugindo da invasão napoleônica. Desembarcaram aproximadamente 15 mil pessoas, com todas as suas riquezas pessoais (documentos, bibliotecas, coleções de arte). Assim, em 1808, a capital do reino de Portugal foi estabelecida no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro. 17

18 O primeiro ato de D. João, então príncipe regente de Portugal, foi a abertura dos portos da colônia para as nações amigas. A medida inaugurou o livre comércio na região, acabando com o suporte do sistema colonial (Pacto Colonial). O decreto estabelecia uma taxa de: - 15% para produtos ingleses. - 16% sobre os artigos importados de Portugal - 24% sobre os dos demais países. 18

19 Com a corte no Rio, a cidade se dinamizou rapidamente. Nobres investiam nela seus capitais, a economia foi estimulada, indústrias nasceram e tiveram início obras de construção de estradas e melhoria dos portos. D. João tomou mais algumas medidas: fundou o Banco do Brasil; instituiu a Junta Geral do Comércio e instalou a Casa da Suplicação (Supremo Tribunal). 19

20 Em 1815, a colônia foi elevada a Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Em 1816, D. João VI foi coroado rei após a morte de sua mãe, D. Maria. A partir de 1821, as capitanias passaram a se chamar províncias, administradas pelos governadores que estavam submetidos ao rei. Além disso, D. João VI colocou em prática uma política externa agressiva, que anexou ao Brasil outros territórios, como o Uruguai. 20

21 D. João VI e sua esposa espanhola, Carlota Joaquina. 21

22 REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA (1817) A Revolução Pernambucana foi um movimento social (revolta) de caráter emancipacionista ocorrido em Pernambuco no ano de É considerado um dos mais importantes movimentos de caráter revolucionário do período colonial brasileiro. 22

23 Causas: - Insatisfação popular com a chegada e funcionamento da corte portuguesa no Brasil, desde o ano de Insatisfação com impostos e tributos criados no Brasil por D. João VI. - Fome e miséria, que foram intensificadas com a seca que atingiu a região em

24 Objetivo: - O movimento social pernambucano tinha como objetivo principal a conquista da independência do Brasil em relação a Portugal. Queriam implantar um regime republicano no Brasil e elaborar uma Constituição. 24

25 Ao saber da organização da revolta, o governador de Pernambuco ordenou a prisão dos envolvidos. Porém, os revoltosos resistiram e prenderam o governador. Após dominar a cidade de Recife, os revoltosos implantaram um governo provisório. Para conquistar o apoio popular, o governo provisório abaixou impostos, libertou presos políticos e aumentou o salário de militares. 25

26 Os rebeldes enviaram emissários para outras províncias do norte e nordeste para derrubar os governos e ampliar a revolução. Porém, sem apoio popular significativo, estes movimento não avançaram. Os embates duraram 75 dias, resultando na derrota dos revoltosos. Os líderes foram presos e condenados à morte. 26

27 A bandeira da Revolução Pernambucana inspirou a atual bandeira do estado de Pernambuco. 27

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