Pense Autismo. A importância do diagnóstico precoce no TEA Transtorno do espectro Autista. Autor: Dr. Marcone Oliveira Médico Neuropediatra

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1 Pense Autismo A importância do diagnóstico precoce no TEA Transtorno do espectro Autista Autor: Dr. Marcone Oliveira Médico Neuropediatra

2 Declaração de Responsabilidade e Conflito de Interesse O autor abaixo, declara publicamente a inexistência de conflito de interesses em relação ao presente trabalho. Declara também não ser patrocinado por nenhum laboratório, clínica, ou instituição. Ipatinga, MG, 31/03/2015

3 Porque estudar o TEA?

4 Porque estudar o TEA? Só se cumprimenta quem se conhece

5 O que é o TEA? TEA é um distúrbio do desenvolvimento neurológico de base biológica caracterizados por deficiências em dois domínios principais: Comunicação Social Interesses Restritos e Comportamentos Repetitivos DSM V, 2013

6 Comunicação Social Ausência da fala Atraso fala Ecolalia Fala rebuscada DSM V, 2013

7 Comunicação Social Com os Pares Compartilhar prazer Reciprocidade Entender sentimento

8 Comunicação Não-Verbal Olhar Expressão facial Apontar Pedir Mostrar

9 Comunicação Não-Verbal Klin A, Chawarska K, Rubin M, Volkmar F. 2006

10 Comunicação Social

11 Estereotipias Motoras

12 Comportamentos Repetitivos Enfileirar Parear Interesse por partes de objetos Uso inadequado de objetos

13 Restrição Alimentar

14 Interesses Restritos

15 Alterações Sensoriais

16 Transtorno do Espectro Autista Leve (1) Moderado (2) Grave (3)

17 Quando as características do TEA se tornam aparentes?

18 Quando as características do TEA se tornam aparentes? Déficits sociais, em geral até os 24 meses, Déficits de comunicação, em geral até os 24 meses. Déficits restritivo pode não ser aparente até os 36 meses. Lord, 1995; Stone Lee, Ashford, Brissie, Hepbum,Conrod 1995

19 Indicadores Precoces: 0-6 meses Crianças Típicas Viram a cabeça quando chamadas, Seguem a direção do olhar da mãe, Respondem a afetos, Respondem a emoções Crianças Autistas São mais passivas e quietas, Demonstram respostas afetivas mínimas, Não respondem as pistas sociais. Zwaigenbaum, 2005; Dawson et. Al., 2004; Werner et. Al., 2000

20 Indicadores Precoces: 7-12 meses Crianças Típicas Começam a demonstrar atenção compartilhada, Demonstram Referência Social (procura informação emocional na face de adultos em situações incertas), Comunicação vocal simples. Crianças Autistas Maior incidência de posturas anormais, Necessitam de maior estímulo para responder o nome, Hiperorais ( levam tudo a boca ), Falta o sorriso social. Zwaigenbaum, 2005; Dawson et. Al., 2004; Werner et. Al., 2000

21 Indicadores Precoces: meses Crianças Típicas Comunicação receptiva e expressiva, Maior incidência de fazde-conta, Exibem atenção compartilhada, Crianças Autistas Atenção compartilhada limitada, Ausência de funções prélinguísticas (apontar), Não demonstram jogo imaginativo. Zwaigenbaum, 2005; Dawson et. Al., 2004; Werner et. Al., 2000

22 Indicadores Precoces: 24 meses Crianças Autistas Falta de respostas dentro do contexto, Falta de apontar, Falta de vocalizar com consoantes, Falta de brincar com uma variedade de brinquedos. WHETERBY A; WOODS J; ALLEN LL; CLEARY J; DICKINSON H; LOR C; Journal of autism and developmental disorders, 34 (5): , 2004

23 M-Chat Adaptado de Autismo, perspectivaas do dia a dia, 2013

24 Parâmetros práticos para TEA Indicações ABSOLUTAS para referir IMEDIATAMENTE para avaliação detalhada Ausência de balbucio aos 12 meses, Ausência de gestos aos 12 meses (apontar, abanar) Ausência das primeiras palavras aos 16 meses, Ausência de combinações de duas palavras espontâneas (não ecolálicas) aos 24 meses Qualquer perda de linguagem ou habilidades sociais em qualquer idade. Child Neurology Society and American Academy of Neuology (Felipek, Accardo, Beranek, et. Ak. 1998)

25 Etiologia Teoria psicológica resultante de mães frias Teoria cognitiva distúrbio de interconexões neuronais e alterações de colunas de neurônios Teoria da poda neuronal alguns neurônios devem morrer para dar espaço a uma nova remodelação Fatores biológicos evidentes (gemelares, história familiar, síndromes) Problema neurobiológico ( ambientais + genéticos)

26 Etiologia

27 Etiologia

28 Fatores de Risco Irmão com autismo, História familiar de esquizofrenia ou psicose, História familiar de transtorno afetivo, História familiar de transtorno mental ou comportamental, Gestação com mais de 40 anos, Pai com mais de 40 anos, Prematuridade (< 35 semanas) Baixo peso ao nascer < 2500g. The NICE Guideline Mercadante, 2011

29 Fiz o Diagnóstico qual caminho seguir? Em português aproximadamente resultados. Em inglês aproximadamente resultados. Não vacinação, dietas livres de glúten, dietas sem caseina, oxigênio hiperbárico, oxitocina, omega-3, secretina, canabidiol... etc, etc, etc...

30 Fiz o Diagnóstico qual caminho seguir? Fantástico, 2015

31 Tratamento Alternativos Podem levar a: perda de tempo, perda de esforço, perda de recursos, perda de oportunidades, Que mal faz estar aberto a todas as possibilidades e tentar de tudo um pouco? Podem interferis com os ganhos terapêuticos já que certas terapias tem filosofias antagônicas, Podem confundir a família e dificultar a implementação de terapias comprovadamente eficazes.

32 Tratamento Evidências Clínicas Suporte fonaudiológico, Jogos simbólicos, Escolarização (estimular a socialização), Técnicas TO de socialização, recreação, PECS, ABA TEACCH, Atividades físicas, Abordagens pedagógicas, Não existe um tratamento eficaz para todos os pacientes, os tratamentos devem ser individualizados. Medicações.

33 Estabelecer Prioridades Intervenções devem ser iniciadas o mais cedo possível Sintomas de TEA podem ser identificados aos 18 meses de idade com segurança. (Charmam et al., 1997; Lord, 1995, Stone et al., 1999) A AAP Academia Americana de Pediatria, recomenda que se faça o screening para TEA 2 vezes antes dos 2 anos de idade. A AAP, recomenda que se iniciem as intervenções quando se SUSPEITA de um paciente com TEA, ao invés de esperar um que um diagnóstico formal seja feito. INTERVENÇÕES PRECOCES LEVAM A UM MELHOR PROGNÓSTICO.

34 Estabelecer Prioridades As terapias devem ser intensivas Intervenções efetivas devem oferecer uma grande quantidade de oportunidade de aprendizado que capture o interesse da criança e que sejam relevantes para o seu desenvolvimento não necessariamente para a sua idade cronológica. (Strain & Hoyson, 2000) Intensidade deve ser definida pelo número das oportunidades de aprendizagem e não necessariamente pelo número de horas de tratamento por dia.

35 Estabelecer Prioridades Envolvimento familiar Programas terapêuticos são mais eficazes quando: Consideram o papel crítico dos familiares no progresso da criança e estabelecem uma relação colaborativa e recíproca. Oferecem treinamento aos familiares (maior chance de atuação em ambientes diversos). Mantém a comunicação efetiva que facilite adaptações, com a mudança de prioridades.

36 Estabelecer Prioridades Acompanhamento Interdisciplinar O tratamento interdisciplinar permite a troca de experiências e a melhor adequação das terapias, Permite a identificação mais cedo de demandas e a tomada de medidas corretivas. Transfere a família melhor segurança, quando todos falam a mesma linguagem.

37 Estabelecer Prioridades Ambiente de aprendizagem estruturado, Os ambientes de aprendizagem devem ser organizados, Rotinas previsíveis e claras, Relação terapêuta/criança que permita atender as necessidades de cada um.

38 Atenção Compartilhada: Intervenção Precoce Porque enfocar em AC? Crianças com 9 meses acompanham figuras mais eficazmente se um companheiro presta atenção nessa mesma figura. (Striano et al., 2006). O tempo de duração do olhar ao invés de freqüência do olhar, prediz desenvolvimento da linguagem. (Brooks & Melzolf, 2007). AC melhora a capacidade de processamento.

39 Atenção Compartilhada: Intervenção Precoce Porque enfocar em AC? Prestar atenção ao que outra pessoa está prestando é fundamental para aprendizagem, comunicação, cultura e competência social. Medidas de AC tem melhorado o entendimento e o diagnóstico precoce de TEA. Intervenções visando AC podem possibilitar a generalização dos efeitos a longo prazo por ensinar elementos de auto organização e aprendizagem.

40 Atenção Compartilhada: Intervenção Precoce

41 A importância da Intervenção Precoce Fatores de risco Processos de risco Resultados Susceptibili dade genética + outros fatores Padrões de interação entre a criança e o ambiente alterados Desenvolvimento anormal do circuito neuronal e TEA Susceptibili dade genética + outros fatores Intervenção dos padrões de interação entre criança e ambiente intervenção Desenvolvimento mais típico do e diminuição dos sintomas de TEA. Adaptado de Geraldini,2010

42 A importância da Intervenção Precoce Avaliaram 48 crianças com TEA (ADOS) entre 18 e 30 meses. 24 receberam intervenções utilizando o método ESDM 20h/terapêutas, > 5h/pais por semana 24 receberam intervenções na comunidade 9h/semana. Davson G., Robson et al., Pediatrics, 2010.

43 A importância da Intervenção Precoce Após 2 anos o grupo ESDM melhorou: QI, Comportamento adaptativo, Mais propensas a experimentar mudança de diagnóstico do TEA. Davson G., Robson et al., Pediatrics, 2010.

44 A importância da Intervenção Precoce A intervenção comportamental precoce está associada a padrões normalizados de atividade cerebral. Testes realizados com latência EEG. J Am Acad Child Adolesc Psychiatry. 2012

45 A importância da Intervenção Precoce Comparou 4 grupos de crianças com TEA de 9 a 36 meses de idade, As crianças submetidas a meses de tratamento apresentaram melhora dos sintomas de autismo, quando comparadas aos outros grupos. J Autism Dev Disord, published on line, 2014.

46 Conclusões Cuidados com sacrifícios extremos, Usar a MOTIVAÇÃO da criança, Cuidados com: Glúten, caseína, vacinas, ômega-3, secretina, oxitocina SEM EVIDÊNCIAS, Observar outras doenças de criança dor, O papel do profissional vai além da sala de aula, do consultório, do laboratório, O Diagnóstico precoce e a intervenção precoce MELHORAM a qualidade de vida dos autistas.

47 "Ela não via uma garça na beira do rio; ela via a beira do rio na beira da garça". Manuel de Barros.

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