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1 C I R A N D A revista plural versão digital

2 EDIÇÃO CIRANDA MARÇO 18 Todos os textos aqui publicados são de responsabilidade de seus respectivos autores. Participe enviando seu material, sugestões ou criticas para Próxima Edição Que tal um café? junho 2018

3 C i r a n d a Projeto Editorial: Lunna Guedes Acompanhe nossas publicações em:

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5 Anne Sexton aos quarenta Pensava num filho. O ventre não é um relógio nem um sino que toca, mas no décimo primeiro mês da sua vida sinto o Novembro do corpo assim como o do calendário. Daqui a dois dias será o meu aniversário e como sempre a terra terá entregue a sua colheita. Neste tempo procuro a morte, a noite para a qual me inclino, a noite que desejo. Bem, pois então fala dele! Durante todo este tempo esteve no ventre.

6 Obdulio Nuñes Ortega

7 7 Sempre soube, desde pequeno, que mulheres escrevem... fui seguidor de Agatha Christie e fiquei fascinado pelo Morro dos Ventos Uivantes de Emily Brontë, a começar pelo título. Amava Clarice Lispector e Lygia Fagundes Telles. Gostei de Éramos Seis, de Maria José Dupré. Florbela Espanca e Cecília Meirelles me trouxeram poemas... que repito até hoje. Virgínia Wolf me seduziu com As Ondas...

8 Por tudo isso, afirmo que foi um Navegar pela infância... ler as crônicas, contos, poemas desta CIRANDA... na condição de leitor, fui jogado para todos os lados, como se estivesse a bordo de uma nau desgovernada. Enquanto passageiro inseguro sobre os próprios pés, me deixei levar pelas palavras-furacões que assolam as páginas-vidas, virando-as a contento. 08 Revista Plural

9 ... E uma vez nesse vórtice, me permiti descompreender o que é ser mulher. Não é um segredo, embora muitos poetas-homens-e-mulheres-igualmente assim o pensem, por considerar impossível se desdobrar em tantas pessoas-seres, sem perder jamais uma generosa porção de si. O convite está feito, sentem-se em um canto qualquer e permita-se... C I R A N D A 09

10 A Ciranda das Mulheres... sóbrias a mulher na literatura

11 NIC CARDEAL Devo escrever sobre uma ciranda. Ou estar nela? Dançar conforme a música da vida ou seguir ao embalo da própria? Sigo a intuição e a intenção, com integridade e intensidade... Devo escrever sobre essa grande ciranda de mulheres que escrevem... E que lêem. E que se lêem. Deus nos dê, enfim, a liberdade da mulher livre no livro! Dançando a ciranda da palavra dita, sentida, vivida até a última gota do seu suor, do seu sangue, da sua lágrima, do seu ventre lago quente de vidas... Clarissa Pinkola Estés, autora do célebre Mulheres que correm com os lobos', também escreveu, em 2007, A ciranda das mulheres sábias', no qual trata acerca do feminino e da maturidade, da velhice e da sabedoria da velhice feminina. Penso que aqui nesse breve relato C I R A N D A 11

12 minha 'ciranda' será mais específica. Quero falar da 'sobriedade' (moderação, temperança, equilíbrio) do ato de escrever no mais improvável sentido do termo é que fui incumbida de tratar, em breve ciranda de linhas, sobre a mulher na literatura, através de um olhar específico de quem escreve (ainda que inéditos sejam meus escritos no meio literário oficial) e/ou lê. Devo de antemão esclarecer sóbrio é o indivíduo que está consciente, firme na concepção de seus atos e pensamentos... Não, mas não quero pensar na mulher como simples sujeito de atos controlados, disciplinados, contidos, restritos. Não. Que sejam também muito bem-vindas todas as loucuras que nos avizinham! Porque: Lugar de mulher é na asinha livre leve solta concentrada ou absorta. Modo de usar: asas à indignação.(*) 12 Revista Plural

13 Sendo assim, lugar melhor não há para a mulher: a literatura feminina exige passagem! Clarice Lispector muito bem sabia disso, e disse: Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado. Mulheres sempre escreveram. Arrisco dizer que escreveram primeiro do que os homens, embora lhes tenha sido negado o aprendizado da escrita/leitura por longo tempo... Mas mulheres escrevem desde o princípio (é bom lembrar que já 'no princípio era verbo!') afinal, dar à luz não é escrever (inscrever) no mundo a vida o verbo? Parir um filho, parir um livro, para o seio (anseio) do mundo... Milhares de mulheres escrevem. Milhões de mulheres lêem. É preciso resistir. E prosseguir... Enquanto isso, uma pergunta central ainda lateja em minhas veias: como sinto, consumo, absorvo a literatura escrita por mulheres? Penso que meu olhar seja mais vasto enquanto leitora... Outrora disse Kafka que um livro deve ser um machado para quebrar o mar congelado dentro de nós (citado por Estés, in: Libertem a mulher forte, Rocco, 2011, p. 7). Devo então quebrar meus gelos in- C I R A N D A 13

14 ternos, fazendo-me derreter na emoção do verbo, quando este machado (de letras) atinge-me, ao lento da brisa, ou mesmo de súbito, no hemorrágico do verbo, bem fundo, o meu 'sótão interno' (sorrateiro) de treinar equilíbrios... Assim está feita a missão do livro... Talvez ainda me atreva a outra vez repetir Clarice: Minha vida me quer escritor e então escrevo. Não é por escolha: é íntima ordem de comando (de Um sopro de vida, in: As Palavras, Curadoria Roberto Corrêa dos Santos, Rocco, 2013, pg. 13). Então está combinado, entre mim aquela que lê e aquela de mim que também ousa escrever o ato de absorver leituras escritas por mulheres. Escrevo (e leio) como mulher. Escrevo porque minha garganta não suporta palavras à beira de serem ditas. Escrevo porque em mim já não cabem incertezas da vida, incontáveis descompassos, instrumentos de medição de nós mesmos no mundo. Escrevo porque me atrevo, me arrisco, me modifico. Entre um dia e outro, sou um sussurro, um suspiro, um ponto de interrogação. Escrevo porque sou rascunho, obra não terminada, predestinada ao final do capítulo. Escrevo porque nas- 14 Revista Plural

15 cem palavras deixadas à margem do precipício do mundo, não ditas, desditas, no céu da minha boca, no véu da minha vida. Escrevo porque vivo. Estou viva porque escrevo. Por tudo isso leio. Releio. Decoro. Mulheres, homens, mulheres. Afinal, seremos nós neste mundo apenas canetas com tinta/com quem alguém escreve a valer o que nós aqui traçamos? Fernando Pessoa, Obra poética, Nova Aguilar, 2001, p Como se dá, portanto, meu olhar sobre essa realidade, nessa tão vasta ciranda das mulheres sóbrias e loucas e sábias e vestidas da vastidão de mundo? Muito além da margem, da imagem ou da imaginação: C I R A N D A 15

16 Mulher de Vênus teu lugar pleno no mundo no fundo na superfície na borda no centro ao redor transborda comporta conspira transpira respira inspira. 16 Revista Plural

17 Mulher Afrodite acredite melhor inteira completa repleta partida desfeita refeita vestida desnuda alheia anseia C I R A N D A 17

18 Mulher Maria Joana Madalena Geni teu lugar é aqui: legar negar rasgar entregar existir resistir parir partir largar Alargar 18 Revista Plural

19 liberdade na verdade igualdade na cama na calma na alma na vida no caminho no destino destemido. C I R A N D A 19

20 Mulher sem medos sem modos sem metades sem contornos sem retornos sem condutas sem culpas sem limites sem juras sem juros sem muros sem insultos parindo desejos infinitos cara ou coroa depois da margem 20 Revista Plural

21 PA-LAVREAR SILVANA SCHILIVE Nasci nas entranhas das cavernas selvagens, esculpidas nas paredes úmidas em formatos e tamanhos diferentes. Os dedos moldando o barro, o carvão castigado na pedra e o metal entalhando a madeira. Pelas vias humanas ganhei espaço. Me despedacei em milhões. Apareço. Desapareço... sigo um fluxo mágico, indeterminado-inexplicável. Minhas raízes profundas me sustentam numa fina estrutura, conforme as bocas me cospemsugam-entoam-sussurram-gritam! C I R A N D A 21

22 Eu me transformo... me redescubro-recrio. Morrer é quase um luxo... mesmo morta sou sempre citada por bocas eruditas. SOU ONIPRESENTE... me defino e incorporo onde sou usada-explorada-deplorada-depravada. Me permitindo ser transformada. NÃO POSSUO CORPO... vulva-pênis-pele-pelos. Sou o que me fazem: macho-fêmea... comum de dois gêneros! Comum? N u n c a Revista Plural

23 Serei sempre uma devassa mal interpretada ao bel prazer de quem me toma... usada pela torpe governança, para escravizar e usurpar a massa negra das senzalas mundiais. Não me olhe assim... Você também me usa! conforme bem lhe convém... nos trocadilhos dos diálogos inflamados... sou a mesma, disputada por razões disparates... Ah! Meu deleite... Quando sou jorrada pelos hormônios fluidos da conquista, minha sina em romances transcendem olhares, bocas, sexos latentes, peles arrepiadas... Eu sou assim! Quando bem usada, adentro corpos humanos dilacerando sentimentos, corrompendo opiniões, causando gozos supremos em até virgens adolescentes! C I R A N D A 23

24 Há em mim uma magia, que cuidadosamente observada, revela detalhes íntimos de quem me profere! De onde vens, o que tens, a quem pertences! Sou tão maldita, quanto bendita! Posso salvar ou condenar numa raio de segundo. Não sou fácil. Para me dominar é necessário autocontrole, estudos minuciosos, rendição... e me amar profundamente. Habito no discurso do poder, e nas histórias da submissão. Sou a parte dominante do comércio, a luz eterna da religião. Sou a discórdia das divisas... a ponte sobre águas turbulentas, o arame farpado e jardins perenes. Me lavra qualquer mão, pois sou a palavra... sem vulva-pênis! Despida de preconceito me encontro ou desencontro com o leitor. Quem 24 Revista Plural

25 faz de mim quem sou... não é o macho, não é a fêmea... é a essência que carrega cada ser. Sou parida das experiências vividas, observadas, recriadas ou estudadas.mercadores me vendem, marqueteiros me exploram, entretanto minha magia esta espalhada em todos e há muitos campos a desbravar! Usem-me, usem-me, usem-me! Sem cuidado ou moderação. C I R A N D A 25

26 ENTÃO DISSE ADÃO: A MULHER QUE ME DESTE POR COMPANHEIRA, ELA ME DEU DA ÁRVORE, E COMI. Gênesis 3:12 A literatura escolheu a mulher

27 EMERSON BRAGA Desencadeadoras do bem e do mal. Assim são retratadas as mulheres na literatura universal desde tempos imemoriais. Na oralidade, em histórias contadas nas paredes das cavernas que abrigavam nossos ancestrais, como também nas narrativas que se desenharam sobre folhas de palmeiras, vasos de barro, tábuas de madeira, papiros, pergaminhos e, finalmente, nos livros e tablets de nossa vida moderna, sempre houve uma mulher figurando como ponto de inflexão entre o início e o fim das muitas histórias contadas pela Humanidade. Graças às aulas de catecismo, tive contato com a primeira mulher fantástica a ganhar minha admiração. Seu nome era Eva e ela havia desobedecido (talvez por julgála ridícula) à ordem expressa de um deus. Não é à toa que o fruto do conhecimento é dado pela mulher ao homem, e não o contrário. São as mulheres as portadoras e transmissoras da cultura desde as eras mais remotas. Enquanto os homens caçavam em silêncio, a fim de não afugentar as presas, as mulheres desenvolviam, aperfeiçoavam e sofis- C I R A N D A 27

28 ticavam entre elas mesmas e no trato com seus filhos a linguagem. Foram as primeiras contadoras de histórias. E as fábulas por elas criadas serviam não para entreter, mas para educar, construir o caráter e garantir uma maior expectativa de vida às suas proles. Para experienciar sua encarnação terrena, a Literatura escolheu a mulher como sua sacerdotisa, sua escriba e seu avatar no mundo físico. A mulher está no cerne da Literatura, não apenas como personagem ou autora, mas como inauguradora de uma modalidade artística que se manifesta não através da beleza da forma, mas das possibilidades estéticas da palavra falada e escrita. Os livros não seriam os mesmos sem a Capitu de Dom Casmurro, uma criatura mui particular, mais mulher do que eu era homem. Um personagem masculino jamais descobriria o que Macabéa descobriu: que existir não é lógico. Iracema, Gabriela, Lucíola... Quantas mulheres de carne e osso não foram inspiradas por estas criaturas mágicas, feitas de tinta e celulose? Que menina não 28 Revista Plural

29 quis viver aventuras ao se deparar com as reinações de Narizinho ou com as memórias de Emília? E, mesmo que muitos de nós jamais tenhamos deixado as fronteiras do Brasil, quantas vezes fomos levados pelas mãos de Lolita, Scheherazade, Julieta Capuleto, Catherine Earnshaw, Ema Bovary e Ana Karenina a viajar pelo planeta inteiro? Todas nos apresentaram a uma geografia misteriosa, escondida por detrás das sutilezas do dia a dia e sob o véu de subjetividade que tanto substancia essas mulheres. Com exceção daquelas criadas por Clarice Lispector e Emily Brontë, todas as demais personagens citadas nos dois parágrafos anteriores foram desenvolvidas por homens, o que talvez leve muitas leitoras a encará-las com alguma incredulidade ou desconfiança. Porém, cada vez mais nossa contemporaneidade nos premia com personagens femininas mais complexas, concebidas por escritoras. Celie, de A cor púrpura livro escrito pela vencedora do Pulitzer, Alice Walker é uma personagem que C I R A N D A 29

30 inspirará mulheres para sempre. O Conto de Aia, de Margaret Atwood, apesar de seu espaço cênico desenrolar-se em um futuro distópico, na essência debate temas que fazem referência à repressão sofrida pelas mulheres hoje, a- gora mesmo, enquanto você lê este artigo. Chimamanda Ngozi Adichie e seu livro Americanah também merecem destaque, pois nos apresentam uma história de amor dentro de um contexto fora daquele com o qual estamos habituados, ou seja, além do olhar branco e masculino. Enfim, as mulheres na literatura, sejam elas personagens ou escritoras, estão nos arrancando de nossos bolhas de machismo e misoginia e nos convidando para ver o mundo de uma perspectiva diferente. O que tem sido não só para as próprias mulheres, mas também para os homens sensíveis às demandas femininas uma experiência maravilhosa. Acredito que minha editora, Lunna Guedes, tenha me sugerido escrever este texto devido ao respeito que dirijo às habitantes de Vênus encarnadas em meus trabalhos literários. Ou talvez tenha me feito o convite por eu ser um 30 Revista Plural

31 homem cuja sexualidade passeia livremente pelo feminino. Como a Eva da Gênesis bíblica, minhas protagonistas oferecem-me do conhecimento que não me é próprio. É um fruto muitas vezes amargo, rançoso, difícil de engolir, mas como me faz um ser humano mais doce! C I R A N D A 31

32 P o e s i a MUNIQUE DUARTE nasceu e vive em Santos Dumont-MG. É jornalista sindical, formada pela UFJF. Tem textos publicados em sites, revistas e jornais literários e dois livros lançados, Espelho Oxidado (contos) e O salto do guepardo (romance). É colunista da Philos Revista de Literatura da União Latina. Bloga em textosimperdoaveis.blogspot.com. É idealizadora e apresentadora do Literatura na Rádio Cultura, na cidade onde mora. 32 Revista Plural

33 Balbúrdia Balbúrdia, Balbina! Menina de barbante brilhante de lata de goiabada no anel no dedo fingida de noiva noiva de barbante brilhante no olhar lábios borrados Balbina alva, linda boba, finda cortes no coração balbúrdia confusão beba, Balbina! Até o fim diamante brilhante anel de barbante que a chuva levou. Balbúrdia, Balbina! Alva, linda ioiô com barbante anel de menina. C I R A N D A 33

34 1983 Jogou a bacia no chão Irritada No alumínio mais um arranhão Uma coleção acumulada em montanha-russa compassada Dentro de si cabem tantas E todas As que trabalham e recebem As que trabalham e não ganham nada As que batem a roupa na soleira do rio As que riem porque têm seus esmaltes intactos As que a esbarram e apontam caminhos Os caminhos que ela corta não a indicaram O sabão em barra acabou Ficou miudinho feito a tampa da gasosa Oferecida a ela em 13 de março de 1983 Caiu feito patinha Coitada da bacia Dentro dela cabem muitas e todas E todas fugiram Só ficou ela Moldando à força a soleira do rio. 34 Revista Plural

35 Cemitério provisório Enterrou todas as fitas cor-de-rosa Enterrou as agulhas de tricô Enterrou bem fundo meia dúzia de retratos E também seu pequeno perfume favorito Não esqueceria a aliança de ouro Tampouco seu lenço, presente da avó Enterrou todos os retalhos da última costura Todos os alfinetes de cabeça dourada O relógio sueco tão fino Duas fronhas bordadas Quatro livros de cabeceira Duas sandálias importadas Enterrou mais e mais lembranças De décadas vividas Mais e mais artigos, propósitos Encerrou com algumas lágrimas pingadas Tapou com a terra, vigor em pazadas Tudo fundo, fundo, muito fundo Para depois poder se lembrar de tudo Os soldados já estavam chegando. C I R A N D A 35

36 Colã rosa Saiu de lá de dentro onde fazia um calor infernal do lado de fora frio alarmante de 10 graus atravessou a rua e perdeu o táxi que bom que economizaria então a mixaria que ganhava dentro de um colã vermelho dançando o que não entendia do cantarolar inglês da birosca de calor infernal. Não escolheu nada daquilo era uma fada quando criança fez balé em colã rosa sonhava flores na porta depois de campainha tocada a vida dá pontapés em quem não espera. Imagina trocar a cor do colã e ainda sonha com sapatilhas as flores ela deixará para depois se ajeita no casaco no frio invernal amanhã é outro dia, quem sabe? Ela sabe muito bem. O colã não trocará de cor. 36 Revista Plural

37 Rose and Jose Com a mesma idade Com aparências tão diferentes Pele com sol Pele com lua Cabelos nigérrimos em uma Longos Cabelos amarelados em outra Luzidios Alta ou não Falam Falam Falam Adoro Ouvi-las Sorrisos brancos Úteros não mais virgens Casos e sonhos Sentaram-se em dias tão diferentes Em minha poltrona de chenille escarlate Que pena que se levantaram antes do café Rose and Jose ainda têm uma vida enorme pela frente. C I R A N D A 37

38 Tão urbana Da cama, penso no próximo ano Catar caranguejos Na lama Em vez de percevejos No meu abajur Mas eu Tão urbana Da cama, penso em apagar a luz Preguiça de esticar as pernas Mas eu nem gosto tanto assim De pensar na vida Quando ainda é apenas fevereiro. 38 Revista Plural

39 Rebecca Navarro, nasceu em São Paulo. Publicou seu primeiro livro independente, Ensaios sobre a Terra, aos 23 anos. Foi coeditora do Jornal da praça com o fotógrafo Eduardo Barrox a estilista Lilian Alves, e do tabloide Café Literário, ambos com distribuição gratuita. Assina o conteúdo literário, gráfico e artístico do fanzine O barulho do vento também com distribuição gratuita e desta vez multiplicável (cada edição sugere que o exemplar seja passado adiante). De tanto recitar, resolveu ficar com aquela parte legal da vida: de escrever, ouvir música, beber cerveja com amigos amados, cuidar de João e Maria e celebrar isso de inspiração que dizem nascer nas noites de todas as Luas. C I R A N D A 39

40 I Faço minhas, as tuas mãos 40 Revista Plural

41 II Dos absurdos ocultos Pode uma fala Confundir-se na pele Ser o som ambiente A cantiga promíscua Sem plateia a Intimação uma gota de suor perdida na língua alheia C I R A N D A 41

42 III não peço nada que desabotoe a noite nada que pareça doce que escorra feito o tempo nada que desapareça numa só mordida nada de seco que não seja vinho nada de linho que não seja cama não peço nada que contamine a alma nada que adormeça agora que derrube casas & rosas nada de valsas atropeladas nada de entrega que não seja plena nada, apenas dentro de mim 42 Revista Plural

43 IV É acordar e esquentar a casa com a fumaça amarga do café É transbordar numa tarde de inverno como bolo na pia É brindar com pássaros Toda utopia Torcer a cabeça feito girassóis É gostar mais do vinho que do cristais E lambuzar-se de sorrisos mais do que com cremes anti-idade É saber o (a)preço da liberdade e Ainda sem vontade Vestir um batom na boca Caber num pedaço só teu no mundo E num puto segundo Deixar uma lágrima correr Toda ela Toda fraca Toda lenta Toda eterna Toda linda de viver C I R A N D A 43

44 V Quero só me entregar Até que sintas o sabor de todas as cores (o endereço das flores fica além do caminho sem volta) Quero só me desperdiçar Até que os planetas estejam desalinhados E que o mundo pare Em qualquer rua sem saída (onde moro tem janelas e hortaliças) Quero só me levar Pelo encanto da voz Até que os pássaros desafinem E que a distância entre o abismo e a terra Seja a mesma Do teu corpo No meu 44 Revista Plural

45 VI Intimamente deixar-se poeta Ainda que um vulto Despido na Sé Infinitamente saber-se poeta Desses sem costas Nem pingos d água nós na garganta travas nos dedos estes cheios de Sim Me Toques e duzentos caracteres desses que se desfazem em frases e distraem mariposas como se fossem seres de carne alma e outras esquisitices C I R A N D A 45

46 Intimidade, garota! Descobrirás assim que abrires os olhos e amanheceres sete dias depois da primeira vez que lavares tua calcinha. Intimidade, minha linda, será uma boca perdida na tua bem no momento em que não sabes se é guerra lá fora ou somente um gemido 46 Revista Plural

47 Maria Florêncio, parida na acidez de Áries, em uma madrugada de Abril... sob as águas mornas de uma cidade litorânea tupiniquim qualquer. Não gosta das ondas calmas. Brinca até hoje com todas as Manias que lhe habitam. Rabisca suas emoções desde que lhe 'disseram' ser gente, entre grafites e tintas. Aprendeu com os Anciões que linhas possuiam formas-dores e alegrias e cabiam em envelopes. Vive com os pés na Lua. Alma sem raízes ou culpas. Sorve bebidas quentes por compulsão... se veste de nostalgia para ir à guerra. Perde-se entre amores irracionais e ilógicos. Cansou de delegar ambições alheias. Jogou folhas e contratos ao vento e voltou a respirar. É mãe por acaso-pretensão instintiva e cheia de porquês... Sem respostas. C I R A N D A 47

48 A corda? Esse malear de curvas-bambas ao equilibrista. E um sopro de vento que se carrega nos ombros dando uma massa de força invisível. O peso do descuido por onde pende o corpo e abocanha a linha sob os pés. Os passos serão sempre sinuosos aos que nasceram enxergando além de prumo. E Bendigo! 48 Revista Plural

49 A enforcar-me... Os dias suspensos em que me atrevo a descer e esmagar o chão que não me pertence. Um voo átimo! Um desembrulhar sem pontas soltas. Prefiro o sorriso solto em partícula de céu...enquanto pulo. C I R A N D A 49

50 A. (Vamos pular-corda?) Um pacotinho de cetim com a cor dos meus olhos. O despetalar uníssono subindo o ramo de alecrim. O dentinho de leite ( de seu sorriso infantil ). Um abraço apartado...febril. A ida que nunca me desceu. Não existiu. A diferença entre ser e estar em mim. Esse pular de cordas entre os dias, Em memória de nossas peripécias... Nunca desfiz o nó, nem do presente nem da garganta. 50 Revista Plural

51 precisamos falar sobre madame Deneuve Por Virginia Finzetto Em 1995 estreava na telona o filme Disclosure, do diretor norte-americano Barry Levinson, baseado no livro de mesmo título do escritor Michael Crichton. Embora classificado como suspense, muitos se enganaram com o sex appeal do casal protagonista nas imagens de divulgação da estreia e no apelo da tradução do título do filme no Brasil. C I R A N D A 51

52 Mas as cenas picantes poucas são meras coadjuvantes, nesse caso. Depois de tanto tempo não é mais spoiler lembrar que o tema central da história não fala de romance, cantada ou sedução. Trata-se de um caso de assédio sexual em uma hipotética empresa de informática na costa leste dos EUA. Para deixar claro que assédio nada tem a ver com sexo ou ser uma prática exclusiva dos homens, a escolha da figura feminina para representar esse papel foi bem inteligente. Jovem, bela e sexy mulher, a executiva Meredith Johnson (Demi Moore) usa de seu poder para forçar Tom Sanders (Michael Douglas), com quem ela já havia se envolvido no passado, a manter relações sexuais com ela. Disputando o mesmo cargo pelo qual Johnson acabou ocupando, Sanders casado e pai de família recusa-se a entrar no jogo de sua atual chefe. Para se vingar, ela ameaça destruir a carreira dele como diretor de produção na empresa. 52 Revista Plural

53 OH Darling, O episódio vai parar na presidência, que tenta manipular um acordo entre os envolvidos, para abafar o caso e não prejudicar as negociações comerciais de sua fusão em andamento. Mas Sanders, recusando-se a aceitar a injusta pecha de tarado, busca orientação para provar sua inocência. O caso se espalha internamente, extrapola os limites da empresa... e vai parar na justiça. Da fantasia à realidade, da tela aos estúdios, eis que assistimos no final do ano passado à onda de denúncias envolvendo o diretor de cinema norte-americano Harvey Weinstein. Contra ele pesa um número considerável de acusações de assédio sexual e estupro por atrizes do porte de Angelina Jolie e Gwyneth Paltrow, para citar apenas dois exemplos. C I R A N D A 53

54 Vir a público uma história de assédio sexual, guardada em segredo durante anos, encorajou a abertura da caixa de Pandora. E, como efeito dominó, outros famosos, denunciados por abuso de poder, desfilaram no rastro dos holofotes revelando um subterrâneo nada romântico nos bastidores de Hollywood. O que não se esperava nessa programação de baixa fidelidade e alta audiência era a interferência de um elemento incompatível... uma provocação batendo de frente à movediça crise revelada pela mídia. Do outro lado do Atlântico, misturando os fatos como quem prepara nitroglicerina com polpa de celulose, o Jornal Le Monde publica uma carta-aberta, elaborada por cem ilustres mulheres francesas, em resposta ao espocar das denúncias feitas pelas, por elas chamadas, feministas norte-americanas. Entre as signatárias do manifesto estão celebridades atrizes, escritoras, pesquisadoras e jornalistas 54 Revista Plural

55 como a atriz Catherine Deneuve reivindicando o direito de defender a liberdade dos homens de importunar e de se opor à onda de denúncias que surgiu após o escândalo Weinstein... e alegando que o estupro é um crime, mas cortejar de forma insistente ou desajeitada não é um delito, assim como o galanteio não é uma agressão machista. E assim, misturando alhos com bugalhos, após a explosão dessa carta-bomba, instaura-se uma confusão na mídia e nas redes sociais. Grupos se digladiando em discussões sem pé nem cabeça, tomando partido de um ou de outro lado... de dois assuntos completamente distintos colocados na mesma balança de julgamento. Será necessário desenhar que assédio, independentemente do gênero humano de quem o pratica, não diz respeito a sexo, cortejo, cantada, mas sim a poder? Voltemos a cena do filme Disclosure, na qual Catherine Alvarez (Roma Maffia), advogada de Sanders, C I R A N D A 55

56 interpela sua oponente após ouvirem a fita gravada com as provas da inocência de seu cliente: Srta Johnson, pode definir o que é sexo consensual? Sexo consensual é quando as duas partes concordam em participar. Quantas vezes ouviu o Sr Sanders dizer não, Srta Johnson? Não sei, eu estava mais preocupada em resolver o serviço. 31 vezes. Não quer dizer não. Não é o que as mulheres dizem? Os homens merecem menos? O fato é que você controlou o encontro, marcou a hora, trancou a porta, pediu o serviço e aí ficou furiosa quando ele não a atendeu. Decidiu se vingar. A única coisa que prova é que uma mulher no poder pode ser tão abusada quanto um homem. 56 Revista Plural

57 Uma coisa é cortejo, outra totalmente diferente é assédio. São distintos. Não se comparam e de maneira alguma são excludentes Pode-se ser a favor do cortejo e contra o assédio, mas não se deveria questionar o justo rechaço ao assédio com argumentos que defenderiam apenas o cortejo. Ou poderíamos considerar falta de tolerância da parte das várias atrizes que tiveram de arrastar móveis para a porta de um quarto de hotel na tentativa de impedir a insistência alfa dos galanteios do senhor Weinstein? EM NOME DESSE DISCERNIMENTO É QUE PRECISAMOS FALAR SOBRE DENEUVE.... C I R A N D A 57

58 Assédio é crime. Crianças, jovens e adultos, independentemente do gênero, qualquer pessoa pode sofrer esse tipo de abuso de poder. Fazer uma denúncia pública, nesse caso, exige que a vítima reúna muita coragem para superar o trauma e enfrentar todo o tipo de constrangimento quando os fatos se tornarem públicos. Além disso, deve reunir provas suficientes para conseguir que o criminoso seja levado à justiça. Uma tarefa nada fácil, pois o autor do abuso tem poder suficiente para ameaçar e obrigar sua vítima ao silêncio e fazê-la desistir, já que ninguém acreditaria em sua história. Portanto, não se pode comparar assédio com casos de paqueras insistentes, em que parte-se do princípio que até estas devem ter um limite. Em nome do apelo a uma liberdade de importunar, indispensável à liberdade sexual para os homens, teria sido justo incluir o apoio à liberdade de qualquer pessoa recusar um envolvimento. 58 Revista Plural

59 Madame Deneuve, com o devido respeito pela sua brilhante carreira de atriz, mas, mesmo depois de todo esclarecimento sobre pontos que obviamente não haviam ficado explícitos, como seu pedido de desculpas às vítimas de assédio e de estupro, se a sua intenção ao assinar o manifesto fosse dourar a flecha do cupido, creio que errou feio o alvo. À luz desse eclipse oculto, só invocando Caetano Veloso: como se o coração tivesse antes que optar entre o inseto e o inseticida Ooo0ooO C I R A N D A 59

60 EU GOSTO DE SER MULHER 60 Revista Plural

61 Por Maria Vitória Eu. Não gosto. Eu. Não sou. DEFINA, SER MULHER? Uma vez que meu reflexo não consente minha própria imagem. E eu me olho pouco, mas o suficiente para que eu veja que há algo de errado comigo. Que eu sou diferente. Que eu sou um tanto além da dita carne. Neste instante que a derme me reveste eu boto minha língua no céu da boca impedindo que o oxigênio transcorra para me dar mais dois goles de vida, então o que seria ser mulher uma vez que eu me saboto para morrer eternamente só? O homem me soma, uma vez que eu somo o homem. E falando em soma, isso me remete a literatura. Ou ao menos uma soma de linhas adquiridas ao decorrer de toda nossa glória. C I R A N D A 61

62 Mas, pensando no fato de ser mulher no ramo dos livros eu me vejo tão pequena no meio deste vasto mar. Mas, o mar não é tão grande que meus braços não dão conta de se tornarem remos, remos fortes e resistentes. Sabe, meus poucos momentos íntimos com homens foram através dos livros. De toda uma abordagem literal, vez ou outra consentida, vez ou outra não. E esses poucos homens me mastigaram e trituraram todo o ínfimo ser que eu carrego em mim, e isso é gostoso pra caralho, uma vez que todas essas introjeções formaram meu casulo uma morada mais corpulenta e quente. Não, não virarei uma borboleta de asas longas e cores vivas, cheia de fome de flores e sede de pólen. Mas virarei algo uno, sem distinção de gênero, cor ou credo. Ao fim, serei eterna poesia que será declamada até a eternidade. 62 Revista Plural

63 Mas ainda em solo terreno, como na condição atual de mulher, me sinto não tão fértil. Não tão folheada. Me sinto carente de irmãs. Olha que temos mais mulheres do que homens neste passageiro planeta. Mesmo assim, são poucas as que têm permissão ou melhor, direito a um papel e caneta. Vou mais além, poucas a que são permitidas a vomitar sobre si mesma, expor sua própria feminilidade, dar vazão ao seu próprio procedimento de escrita. Pois assim como a vida, o meio literário possui bolas peludas e murchas sem sustentação alguma. Eu. Não culpo. Não descrimino. Apenas sinto. Apenas vejo. Creio fielmente que o sol é para todos. Meu sol está dia a dia a brilhar. Mas não me colocarei diante destas breves linhas e direi "eu gosto de ser mulher". Pois mulher jamais serei porque sou poesia lírica de uma estrofe só. C I R A N D A 63

64 Por Tatiana Kielberman A mulher dos meus sonhos... Sinto inveja da mulher que vai para cama comigo todas as noites. Ousada. Arredia. Cheia de si. Tomada de ideias para um possível dia seguinte. Ela manda e desmanda, sugere, opina. Traça metas, horários, faz um planner mental como ninguém. Encontra até um partner no meio do caminho, se bobear... Essa dama me faz perder o sono. Percorre viagens insanas de corpo e alma por onde eu sempre desejei ir, mas nunca me permiti estar. 64 Revista Plural

65 Rolo entre lençóis, vou com ela e desoriento meus sentidos entre imaginação e realidade... me pulverizo. Quando desperto, exausta de tanto sentir-pensar-sonhar, existo apenas eu, com o que restou da madrugada uma receita qualquer de mim... E permaneço inerte, à espera da mulher-madame-senhora-de-si... a pedir que ela não se demore na noite que chega. C I R A N D A 65

66 A violência é tão fascinante... Marcelo Moro Sempre fui insone! Bem antes de Bellaugusta Já contei exaustivamente essa história para algumas pessoas, sou insone desde de nove anos de idade, o que colaborou para a paixão que tenho pela leitura, pelos filmes, por música e pelo rádio. Com a chegada maldita ou bendita das redes sociais, ali pelo meio da primeira década dos anos dois mil, todo insone encontrou nelas um alento Assim ficamos menos sozinhos- muitas vezes mal acompanhados, mas foda-se! Até tarde da noite tinha sempre alguém interagindo: notívagos, vampiros, gente maluca... Frequentava então uma comunidade, entre as centenas com o mesmo nome, Insônia, essa diziam ser a original, a primeira, seu fundador e administrador era um psicólogo falido, especialista em distúrbios do sono, 66 Revista Plural

67 uma espécie de Freddy Krueger que falava difícil. Essa comunidade tinha mais de trezentos mil membros mas nas madrugadas mesmo, como um botequim de quinta categoria, em que se declarava aberta ficavam uns poucos mais que cinquenta logados e mais da metade notívagos, insones mesmo uns dez ou vinte. Nas madrugadas Fábio666 rolava sua rádio rock, para embalar os assuntos, as risadas, as bebedeiras virtuais, onde cada um fazia a sua em casa parecendo um caramujo mas com ares de festa. Foi numa dessas noites que apareceu Bellaugusta. Dizia-se DJ e o ápice dos seus prováveis shows era virar com discos de vinis, ainda não tão distantes mas já bem desaparecidos. Relíquias. Miúda, de bom papo, inteligentíssima participava quase de todas as rodas de conversas e debates com notoriedade, gerando interesse nos rapazes e despertando ciúme nas garotas ou vice e versa e não na mesma ordem, o que não tinha em Bellaugusta era caretice ou qualquer traço antiquado, o que contracenava de forma contundente com os discos de vinis, suas roupas e os gostos pessoais, que hoje se diriam Cult. C I R A N D A 67

68 Seguríssima, se dizia vítima de um relacionamento abusivo, impetuoso, com o qual lidava por querer e todos ali, embora soubesse o que significava, riam achando engraçado que uma moça com aquela construção pudesse de fato tolerar tais atos no mínimo estava rindo e fazendo troça com o cara só poderia ser uma piada. O fato é que ninguém, no tocar de suas vidinhas de merda se atentou aos sinais de fumaça da moça, ao seu possível pedido de socorro. Isso se arrastou por muitas noites, talvez meses, o tempo naquela loucura virtual toda parecia diferente do normal, aliás tudo era uma distorção do real e aquilo consumia nossas vidas de maneira diferente. Eu trabalhava como relações públicas em um hotel decadente fazendo o período da noite, aquela época tinha decidido aproveitar minha insônia para ganhar algum dinheiro. Atendia grupos de pessoas que vinham às compras de tecido e armarinhos, fazia o meio de campo ali até acomoda-los. O hotel era um pequeno museu com peças e obras de 68 Revista Plural

69 arte, antiguidades, realizada a visita aos interessados, o restante da madrugada era dedicado as redes sociais e a um ou outro desgarrado que aparecesse para hospedagem, depois da hora morta virava também recepcionista e gerente, tudo, ficava sozinho por lá. Tinha muito tempo para a Insônia Comunidade seus debates e resenhas, suas intrigas e tudo que permeava aquela segunda vida e para todos ali, tudo, absolutamente tudo era normal e resumia-se a apenas um concordo ou não concordo, participo ou não participo. Bellaugusta pedia socorro e os amigos achavam peça de diversão ou apenas davam de ombros, a dor da pimenta no rabo alheio é mesmo um anestésico aos fracos de espírito. Ao som de um rock industrial pesadíssimo Bellaugusta abriu uma câmera num chat privado para cinco pessoas, uma câmera oculta que mostrava a sala do apartamento, ao fundo a sacada aberta. Entrou em cena o jovem diabo, agarrou-lhe pelas duas orelhas sacudindo seu miúdo e borrado rosto em lágrimas e num tapa jogou de joelhos no tapete da sala. As janelas de privado começaram a subir entre os cin- C I R A N D A 69

70 co, pânico instaurado sempre precisamos do visual e do que não tem volta para agir... agir? Ninguém sabia quem era Bellaugusta, onde morava, u- ma câmera a conectava ao nosso mundo mas de que inferno viria? No chão a moça abre a bolsa e ao levar um chute nas costelas cai deitada mas consegue segurar algo nas mãos vira-se e num grito aterrorizante atira duas vezes, o corpo cai parecendo um pacote de pano. Ouve-se o áudio de um dos amigos Meu Deus do Céu! Mas Deus habita nossa fé e não move contra nossa impotência. Bellaugusta levanta-se com dificuldade se apoiando na poltrona e numa corrida desenfreada se joga, aos gritos de pavor e mordidas de dedos dos cinco companheiros distantes, pela janela voa para a liberdade. Um a Um os fakes se desfazem, apagam-se em total e irrestrita covardia, Loop um de nós naquela plateia sinistra, um hacker entra invadindo e apaga a transmissão, nenhum sinal, nenhum um rastro desse crime compartilhado em stream. A TV informou minutos depois que uma jovem matara 70 Revista Plural

71 o namorado e cometera suicídio pulando da sacada do seu apartamento no Meier, o delegado Nogueira falou ao vivo que motivo, tudo indicava, ciúme doentio da jovem moça. Talvez tivesse um nome, e era Cristiane. Sete dias depois, quando a desonra sobre Bellaugusta e a dor haviam caído como tempestade sobre sua família e após vermos na TV o Pai de Cristiane dizer que deveriam ter tratado a moça e a Mãe dizer que faltou palmada... O delegado Nogueira recebeu uma carta anônima deixada na caixa de cartas do prédio do Meier... um relato breve e a assinada Os Cinco....e nossas vidas são tão normais! C I R A N D A 71

72 Ana e a Biclicleta... Emerson Braga Perpétuo era uma dessas cidades erigidas por homens e condicionadas para atender necessidades masculinas. Seus bares, clubes e barbearias mantinham as cores e formas de suas sacadas condizentes com a macheza dos habitantes. Apenas a floricultura e o Salão Donzelinha escola de bons modos para moças de família, afamada por seus ricos arabescos violáceos e rococós dourados destoavam da arquitetura local. Naquela segunda-feira, Ana pedalava por Perpétuo com a intimidade de quem tamborila uma velha cantiga, exibindo sua natureza serena de criatura avessa a movimentos bruscos. Entendia a própria existência como um maravilhoso presente do destino, apesar das promessas da revista de horóscopo jamais terem se cumprido. Às vezes sentia-se cansada de tanto fingir, mas a disciplina imposta desde a infância garantia o 72 Revista Plural

73 apropriado desempenho do papel que lhe fora designado. Ao dobrar a esquina da fábrica de coldres Arconte & Filhos, Ana deparou-se com o sorriso largo do gerente de linha de seu setor. Poderia ter sido mais um dia como todos os outros por ela vividos, mas uma sensação invasora de livramento a impediu de apertar os freios. Depois de tantos anos de abuso e servidão, Ana mostrava seu dedo médio ao malfeitor de todas as costureiras da empresa. Pela primeira vez em sua vida não temia trespassar a desaprovação alheia e ferir a imobilidade dos que sempre constrangeram seus ímpetos. Buzinava, sorria e se distanciava da linha de montagem que há anos a desmantelava. As previsíveis ruas de Perpétuo foram surpreendidas por uma mulher de cabelos soltos e rosto sem rubor. O vento levantava sua bem-comportada saia de operária, escandalizando os passantes que, desde a Idade Média, não condenavam mulheres pelo crime de levitação. O roçar da corrente nas catracas impelia movimento e ritmava indomáveis batidas cardíacas. Ana avançava. C I R A N D A 73

74 A bicicleta, não mais transporte nem desporto, transformava-se em extensão da mulher, ambas fundidas em uma mesma criatura bela e elegante. Cansadas de todos os mecanismos e automaticidades, desrespeitaram o trânsito organizado e não se importaram com o asfalto enfeado pelo acabamento perfeito. Não temiam atalhos, subiam calçadas, lançavam-se na contramão de todos os fluxos. Espalharam-se sem freios sobre poças d água, enlameando sapatos Berluti e coturnos bélicos. Que voassem pelos ares todos os espaços devidos, sinalizações, cavalos de frisa e gestos de censura! Nenhuma paz institucionalizada silenciaria aquele inaugural discurso interior. Refrescante era a umidade que fluía da vulva para o selim espargindo lirismo sobre o inflexível varão. A deliciosa frescura de não ser senhora, de não ser máquina e então profanar regramentos sagrados. Daquele dia em diante não viveriam mais em um mundo de leis escritas em pedra, preferiam canções. O som dos pneus contra o cascalho da zona rural trouxe-a de volta às coisas conhecidas e ordenadas. Ana franziu o cenho e, resoluta, prosseguiu até os limi- 74 Revista Plural

75 tes da cidade que por tanto tempo mantivera seus desejos cativos. Abriu bem os olhos quando um bando de pardais voou rente aos raios da bicicleta. Só então percebeu que já havia cruzado a ponte fronteiriça e que Perpétuo inteira cabia no espelho retrovisor. Quando o apito da fábrica anunciou o início do expediente, as trabalhadoras olharam embevecidas na direção da ponte. Nos olhos encandeados pelo brilho da mudança, luzia o reflexo da descoberta não só da existência da ponte, mas da possibilidade de atravessála. C I R A N D A 75

76 Alfonsina y el mar Adriana Aneli I. A primeira onda lambeu levemente seus pés. O corpo se arrepiou com o frio do pensamento. Já era hora e encarou, em V, seu destino. Mergulhou no silêncio gelado. Esperar. Esperar. Esperar um pouco mais, um pouco mais. No profundo, enlutar-se nas algas e redes. (Se o oxigênio não houvesse faltado, sequer emergiria). Com a lâmina luminosa da água, ao encontro das gaivotas e seus bicos: garras arrancaram nacos da sua carne. O sal, o sangue, a areia. Ergueu-se. Caminhou sob o sol tórrido. Afogada. 76 Revista Plural

77 II. Sorriu para ele ao descer do ônibus. Ele retribuiu, passeando a língua pelos próprios lábios. Ela pressentiu o pior ao vê-lo despontar na esquina. Apressou o passo na rua vazia. Rapidamente já estavam ela e ele, o corpo pesando sobre o seu. Lutou contra a lâmina que roubou o seu destino. Com a boca tapada, não pediu ajuda. Ninguém acudiria. C I R A N D A 77

78 III. Penal e processual penal. Apelação criminal. Crime sexual. Estupro de vulnerável. Laudo sexológico. Ato libidinoso praticado com pessoa menor de 14 anos. Lesão corporal. Declarações da ofendida prestadas em juízo. Coerência, harmonia e lógica razoáveis. Credibilidade. Prova suficiente. Autoria e materialidade demonstradas. Impossibilidade de absolvição. Decisão u- nânime. 78 Revista Plural

79 C O R R E S P O N D E N C I A Carta a menina que fui na ciranda da vida Mariana Gouveia

80 Ciranda, cirandinha vamos todos cirandar! Vamos dar a meia volta volta e meia vamos dar cantiga popular Da minha janela, enquanto uma chuva fina cai, ouço na rua de cima as crianças da casa laranja brincarem. Imagino a roda se formando e os risos me leva até à minha infância. É nesse portal dentro da minha imaginação que te escrevo. Escrevo para você a menina que fui e que corre atrás dos irmãos e ri diante da roda que se forma. Perdi o anel de vidro em alguma história. Ganhei o verso bonito antes de ir embora para além da estradinha que serpenteava seguindo o contorno da floresta. 80 Revista Plural

81 Misturo os momentos nessa ciranda insana palavras da minha bambina em que a vida me jogou. O rio secou lá para os lados onde nasci. Dizem que fizeram uma represa para instalar um monjolo ou uma usina no Norte e nos campos onde corri, a plantação de soja ganhou rumo afora, até onde o horizonte se mistura com o céu. Arriscam de vez em quando, entre uma safra e outra, o brilho dos girassóis e eles brincam de ciranda em torno do sol. As mãos da minha irmã caçula a segurar com força enquanto rodopia no ritmo do vento. A palavra ciranda a ganhar contornos de união nos abraços trocados... tudo se transforma dentro da palavra mágica da saud a d e. P a re c e q u e a l é m d a j a n e l a, ecoa na rua de cima, o vento lá da menina que adorava cirandar e que dentro do tempo corrido, ciranda nas lembranças de lá. Enquanto cubro a menina com o lençol de flanela para os dias de frio desenho o retrato na parede. A mãe e o C I R A N D A 81

82 pai de olho grudado em nós e o laço de fita a soltar da trança e a xícara a fumegar o chá de erva doce. Como as lembranças se chamariam se pudessem falar? Como seria se os álbuns de fotografias pudessem dançar com as cortinas? As palavras cirandam no suspiro... e em frente da minha janela mora uma ciranda na praça que as crianças brincam. O relógio da matriz canta de hora em hora e de repente, eu cresci... Os balanços rodando, rodando. E o mundo acontecendo lá fora. Uma pessoa levanta, outra senta. As sombras parecem pessoas perdidas no lugar. Uma moça passa correndo. O celular ilumina o rosto de alguém na noite em que a chuva fina lembra a frase da mãe, que mandava a gente correr para dentro enquanto a chuva de molhar bobo molhava a gente ninguém queria ser bobo na voz da mãe... A noite é esse brinquedo que risca o chão. E a ciranda do tempo, essa senhora que fica muito tempo sem fazer 82 Revista Plural

83 movimento e depois ganha velocidade da menina que um dia eu fui. Em frente da minha janela moram palavras que viram cartas que é uma multidão. Acho chique nomear a dança de ciranda e endereçar cartas que talvez nunca envie. Que talvez leia em voz alta andando em voltas no quintal e quem sabe descobrir o nome do futuro dentro dos olhos de quem já foi criança comigo. Eu não sei, mas em dias de chuva essa menina parece apenas um vulto. Em dias normais é apenas o gesto do meu pai que cantava baixinho a cantiga popular enquanto seguia estradinha afora rumo ao horizonte. C I R A N D A 83

84 MARCIA TONDELLO A Mulher... na literatura

85 Desenvolvi minha paixão por literatura aos doze anos. Devorava três livros por semana. Sempre que passava na biblioteca da cidade, pegava um Romance Júlia, Sabrina, um livro de Suspense Policial, ou Terror Ágatha Christie, Stephen King, ou Sherlock Holmes e um livro de contos, normalmente de autores nacionais, como Luiz Fernando Veríssimo e outros do gênero. E foi a partir desse mergulho na leitura que descobri que queria escrever. E vou dizer, foi uma escola e tanto. Toda pessoa que se inicia na aventura da escrita... esbarra em vários dilemas: o distanciamento com as personagens, por exemplo. Doamos nossas angústiasmedos-desejos-e-opiniões a elas. Nesse quesito, a mulher, com sua sensibilidade aguçada, olhar detalhista e escuta treinada pela prática da maternidade mesmo que não seja ainda mãe, pois é habilidade que vem de fábrica com especialidade e pós-graduação depois, tem, não um prato, mas um poço cheio. C I R A N D A 85

86 Talvez seja uma vantagem... ou uma trabalheira. Juntese a esse poço o mergulho acima e está criado um poço das bagunças e uma vida inteira para organizá-lo. Como lidar com isso? Como transformar em palavras uma percepção? Qual a medida dos detalhes que nos sequestram a atenção enquanto passam despercebidos por todos os demais, sem sermos acusadas de chatas? Como descrever uma emoção profunda por algo simples, sem ser tida como piegas? Quantas tênues linhas temos que medir com nossa nãointuição? Ih! Acho que ultrapassei aqui uma delas nesse neologismo! Não resisti, faça o que quiser com isso. Como comecei a me aventurar cedo na escrita, logo percebi o quanto emprestava de mim às minhas personagens. Algo que me incomodava... por acreditar que fragilizava minha escrita. Sempre me lia nas mal traçadas linhas. Eram tão minhas aquelas reações-palavras-suspiros- 86 Revista Plural

87 atitudes! Droga! Eu era cautelosa até como personagem! Eu precisava ser mais atrevida. A personagem precisava confiar em mim. Eu daria um jeito no final. Minha primeira solução para fugir do que chamo de armadilha da personagem espelho, foi escrever a partir de vozes masculinas. Esse recurso inicial me ajudou a desenvolver minha escrita. Que coisa! Eles, os rapazes, confiavam mais em mim. Ou seria eu que me importava menos com o que iria lhes acontecer? Ui! Escrevo em várias linguagens... Letras de músicas, contos e dramaturgia (peças teatrais). Sei bem o que quero escrever e porque; o que vou deixar para a leitura transversal e o que vou mastigar, mas nem sempre sou calculista com as vozes. Divido discursos entre as personagens femininas e masculinas, muitas vezes intuitivamente. Com tanto treino já fico mais confortável para dar voz às persona- C I R A N D A 87

88 gens femininas sem medo. Acredito até que já consiga lhes dar a voz que elas merecem e não mais a minha somente. Mas admito, quando o discurso é tão inegavelmente meu, ainda tendo a emprestá-lo a uma personagem masculina. Seja como for, o importante é que essas vozes não se calem nunca, afinal, tem um poço enorme de bagunças para organizar por aqui. 88 Revista Plural

89 O CORPO FALA... eu me olho no espelho, e percebo a passagem do tempo... as rugas, o olhar que já não é mais o mesmo. Alguns cabelos brancos que começam a surgir de maneira rebelde... Faço uma pausa para o chá... os olhos se fecham, sinto o vento tocar a pele... e um longo suspiro se precipita carregado de vivências. Tudo isso valeu à pena sem dúvida e, como na cena final de um filme da minha própria vida... me vejo olhando para trás. Recordo de forma saudosa todos os amores e as dores que tive. Olho fixamente nesse espelho, e crio pensamentos do que quero me tornar um dia. Sempre há tempo!

90 É difícil conhecer-se bem tão necessário que parece uma conquista do corpo e também da alma... saber com precisão o que gosto e o que não combina mais comigo. Não existe um manual para saber-se deveria, mas não há por isso é preciso experimentar todas as coisas da vida. Estar aberto ao novo, e se permitir olhar todas as coisas, de um ponto de vista diferente... dessa maneira, as situações da vida que, pareciam tão improváveis, mostram-se corriqueiras. O ontem quando se veste de hoje se permitimos. É clichê, mas é verdadeiro: não somos mais o que éramos. 90 Revista Plural

91 E existe o fácil e o difícil?...de certa forma sim, porque depende da maneira como observamos as coisas. Se aprendemos ou não com os nossos erros e acertos. Se somamos os acontecimentos. Se prestamos a devida atenção nas oportunidades... se aceitamos ou recusamos o que a vida nos propõe. Eu sou o resultado de tudo que fiz até hoje... é através de tudo que fiz ou deixei de fazer que me construo e desconstruo um sem fim e vezes. Sendo outra... eu mesma... em cena, em textos alheios ou em escritos meus, na vida que imita a arte e vice e versa.

92 Acredite: nem sempre estou satisfeita... às vezes, não acho justo o resultado final, de tal maneira que dá vontade de sentar e chorar de raiva e ódio devidamente misturados me inquieto... respiro furo e como quem reflete, repasso milhares de vezes os meus passos como um texto que se decora a exaustão das leituras em busca de possíveis explicações para ser melhor numa próxima vez. Nunca há de me faltar dedicação. Confesso, minha maior ambição é ser um dia quem ainda não fui... e meu maior desejo é ser o que o passado moldou através do tempo muito mais forte sempre... e assim sigo nesse ato de colecionar possibilidades, acumulando experiências. Thais Barbeiro

93 rupi kaur

94 De pijamas e virada pra parede, a jovem deitada parece que descansa. Seu cobertor beje estampado de flores, com o qual a princípio se cobria, foi jogado para o lado a fim de que pudéssemos ver a mancha vermelha primeiro entre as pernas e depois no lençol de cama. O enquadramento da imagem, aliado ao contraste com uma paleta de cores pálida, realça a mancha. E no entanto, a posição do corpo e o cobertor tão à vontade evidenciam também a naturalidade daquela cena que se tenta a todo custo esconder, quase como se não existisse ou, pior ainda, não devesse existir. Em outras fotos do mesmo ensaio, a jovem contempla gotas de sangue perto do ralo do banheiro ou o vermelho da menstruação que se sobressai na brancura asséptica da privada. 94 Revista Plural

95 Não me vou desculpar por não alimentar o ego e orgulho de uma sociedade misógina que aceita o meu corpo em roupa interior, mas fica desconfortável com uma perdazinha de sangue disse Rupi Kaur, a jovem da foto, quando sua imagem foi apagada da rede social em que havia sido postada. Com isto, recusavase ainda a internalizar os artifícios e imagens que se naturalizam às custas da biologia do corpo feminino ou dos relacionamentos amorosos. Quem abre seu primeiro livro de poemas, publicado em 2014 nos Estados Unidos (onde encabeçou meses a fio a lista de mais vendidos) e no Brasil este ano, encontrará esta recusa a todo instante. C I R A N D A 95

96 Em uma de suas performances de poesia falada, intitulada i m taking my body back (estou tomando meu corpo de volta), ela narra uma situação de abuso sexual, mas se concentrando na cura que se segue após o trauma. Sua performance nos leva para o sentir do sofrimento, mas acompanha o passar do tempo e depois celebra a cura e o conforto novamente. Essas narrativas e expressões de sentimento contadas por Rupi nos levam para perto das nossas próprias mágoas, inseguranças e ansiedades e as elevam com palavras. O que eu e as minhas amigas sentimos ao lê-las foi uma amostra do que Rupi pretende criar com elas: um momento de conforto e de identificação, de reflexão que leva à mudança e à união. Termino com um dos nossos poemas favoritos, e que, para mim, transmite esse sentimento: meu coração sangra pelas irmãs em primeiro lugar sangra por mulheres que ajudam mulheres como as flores anseiam pela primavera 96 Revista Plural

97 Quando eu nasci, já havia sobrevivido à primeira batalha da minha vida: o feticídio de meninas [prática comum em algumas culturas indianas]. Mas nós enfrentamos tudo. Minha poesia é uma das rotas para isso, explica, em seu website. Milk and honey título original de Outros jeitos de usar a boca, faz menção ao genocídio do povo sikh na Índia etnia do Estado de Punjab, à qual pertence a poeta e sua família. Segundo ela, os sikh, especialmente suas mulheres, saíram do massacre suaves como o leite, mas fortes como o mel. Seguindo a lógica da superação de um grande trauma, o livro tem quatro partes: a dor, o amor, a ruptura e a cura. C I R A N D A 97

98 não me sinto mais a menina que escreveu. outros jeitos de usar a boca. eu me sinto a mãe dela. mas não ela. a menina que escreveu este livro era tão jovem. ingênua. olhos iguais à boca dos peixes bem abertos de vontade todo o processo de escrita das páginas que seguem foi transcendental. ela era transcendental. Uma das dificuldades na tradução dos poemas, segundo Guadalupe, foi justamente propor soluções que respeitassem a mistura que a autora faz de elementos da linguagem. Isso porque Rupi escreve com pontuação restrita e sem utilizar letras maiúsculas, como forma de homenagear a escrita punjabi. O meu coração acordou-me a chorar ontem à noite, precisas de ajuda implorei, o meu coração disse escreve o livro. 98 Revista Plural

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