Chave para superar o problema criado pela crise estará na forma como sua origem for percebida.

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1 Pensamento do Dia Economistas analisam a Economia, o Brasil e o mundo, na mídia diária 20 a Valor Econômico - 22/03/2010 Crises facilitam reformas Leszek Balcerowicz Chave para superar o problema criado pela crise estará na forma como sua origem for percebida. Episódios como a crise financeira atual perturbam gravemente o crescimento econômico. Mas a pergunta que deveríamos estar formulando refere-se ao impacto de episódios como esse sobre o desenvolvimento de longo prazo. E essa pergunta, surpreendentemente, atraiu pouca atenção. As teorias de crescimento tradicionais se concentram em forças sistemáticas - por exemplo, acúmulo de capital, emprego e mudança técnica - que, por definição, operam o tempo todo, embora com diversos graus de intensidade. Algumas teorias também consideram fatores institucionais subjacentes como propriedade privada, concorrência de mercado, encargos tributários e regulatórios, e o nível do Estado de direito. Outra corrente de pesquisa lida com gestão de crises, mas sem examinar o impacto sobre crescimento de longo prazo. No caso de uma crise financeira, isso geralmente inclui alívio fiscal e monetário, bem como operações de resgate para instituições financeiras de maior porte. A abordagem dominante para gestão de crises tem sido de curto prazo e,como foi amplamente demonstrado durante essa crise mais recente, está baseada no que chamo de doutrina justificadora da intervenção. A doutrina sustenta que, da mesma forma como jamais deveríamos nos preocupar por ter despejado muita água para apagar um incêndio, sejam quais forem as medidas de gestão de crises adotadas, elas serão justificadas, pois as alternativas terão sido piores e até poderiam ter provocado uma catástrofe e/ou um colapso dos mercados financeiros. Mas a metáfora do incêndio desconsidera questões elementares, como assegurar que medidas anti crise não enfraquecem as forças da recuperação do mercado, ou como medir as consequências de longo prazo de tais medidas. Esse último problema só recentemente começou a despontar em debates sobre estratégias de "saída" de níveis extremamente elevados de endividamento público e de base monetária.

2 Integrar essas correntes distintas de análise numa abordagem coerente para o crescimento econômico representa um enorme desafio tanto para formuladores de políticas públicas como para acadêmicos. Mas uma série de pontos me parece relevante na situação atual. Primeiro,considerando que crises financeiras tão profundas como a mais recente são socialmente tão custosas, é mais do que natural tentar evitá-las.mas, a exemplo do que ocorre na medicina, isso requer um diagnóstico preciso das causas do problema. O motivo imediato para todas as crises financeiras é expansão de crédito excessiva - uma forte expansão que se esfarela. Mas os motivos subjacentes para a expansão variam de crise para crise. No caso presente, como ressaltou um relatório do ano passado, elaborado por um grupo liderado por Jacques de Larosière, um ex-diretorgerente do FMI,um importante fator contribuinte foi uma grave deficiência das políticas públicas. Por exemplo, muitos bancos centrais seguiram a política monetária excessivamente frouxa do Federal Reserve. Outros fatores incluíram regulamentações financeiras falhas, políticas fiscais expansionistas em países como Estados Unidos, Reino Unido e Irlanda, uma ausência de regulamentações prudenciais, e assim por diante. As medidas preventivas, portanto, deveriam se concentrar nessas falhas das políticas públicas em vez de se degenerarem, transformando-se em hostilidade em relação aos fundos de hedge e outros instrumentos de private equity. Meu segundo ponto é que existem vários canais econômicos óbvios por meio dos quais grandes expansões que se esfarelam afetam o crescimento. Eles incluem aumento no desemprego, redução dos excessivos encargos da dívida e, portanto, dos gastos movidos a crédito, a reestruturação de setores que se expandiram em reação ao excesso de gastos, e a restrição da concessão de empréstimos por instituições financeiras demasiadamente endividadas. Não existem políticas que possam suspender todas essas vinculações sem prejudicar o crescimento de longo prazo. A expansão fiscal continuada certamente não é a resposta, já que ela acaba prejudicando o gasto privado e também o investimento empresarial. Há reformas, porém, que podem facilitar o ajuste econômico e, portanto, aliviar o sofrimento social combatendo o crescimento no desemprego de longo prazo. Essas reformas incluem medidas para remover os rigores do mercado de trabalho enquanto também aceleram o conserto dos balanços patrimoniais dos bancos. A velocidade da recuperação econômica basicamente refletiria até que ponto essas medidas foram tomadas. Um terceiro ponto, destinado a todos exceto aos que ainda acreditam num almoço grátis, é que as implicações de emprego e crescimento decorrentes dos compromissos de um país na área da política de mudança climática precisam ser cuidadosamente analisadas. Multiplicar o número de encargos que incidem sobre uma economia não é a melhor política a ser instituída na esteira de uma crise de vulto. Quarto,é difícil superestimar a importância da disciplina fiscal em relação ao crescimento de longo prazo. É fácil demais encontrar exemplos de países que sofreram devido à expansão fiscal prolongada. Da mesma maneira, não consigo imaginar nem uma única economia cujas perspectivas decrescimento de longo prazo tenham sido prejudicadas por excesso de mesquinhez fiscal. Dado o legado fiscal da crise atual, nenhum esforço deve ser poupado para se atrelar a disciplina fiscal firmemente nos países da União Europeia. Medidas institucionais como

3 estruturas fiscais e limites ao endividamento público podem ajudar muito. No fim das contas, porém, a opinião pública será aquela que determinará as posturas fiscais do governo, daí que uma opinião pública fiscalmente conservadora será um grande trunfo econômico, já que ela inibirá a prodigalidade dos formuladores de política. Meu ultimo ponto é que reina um amplo consenso de que crises, embora desagradáveis, também facilitariam reformas estimuladoras decrescimento. Esse nem sempre é o caso, porém, à medida que as conclusões extraídas de uma crise dependem em grande parte daquilo queo público percebe como sendo a causa da crise. Se a opinião pública responsabilizar as reformas de mercado iniciais pela crise atual, as lições políticas poderão rumar na direção errada. Esse foi o caso na Rússia em 1998 e na Argentina, em 2000: nos dois casos, grande parte da opinião pública culpou as reformas anteriores pela crise, ainda que ambas tenham sido causadas por irresponsabilidade fiscal e reformas insuficientes. Desta vez, igualmente, a chave para superar a difícil herança da crise estará na forma como suas origens forem percebidas. Se a opinião pública atribuir a crise a erros de política ou a falta de reformas, existe uma possibilidade de que as lições políticas corretas sejam aprendidas, e que resultem em sólidas políticas de crescimento. LeszekBalcerowicz foi vice-premiê e ministro das Finanças da Polônia( ; ); foi também presidente do Banco Nacional dapolônia ( ) O Estado de S.Paulo - 22/03/2010 Muito bravo, quando atacado, defende-se Marcelo de Paiva Abreu Em 2002 o Brasil iniciou procedimentos, na Organização Mundial do Comércio (OMC), para obrigar os Estados Unidos à reformulação de sua política de financiamento às exportações de algodão, pois resultavam em redução dos preços mundiais. Isso afetava desfavoravelmente os demais exportadores de algodão, inclusive países africanos muito pobres como Benin, Burkina Fasso, Chade e Mali. Em agosto do ano passado houve decisão final da OMC homologando a vitória do Brasil, quatro anos depois da primeira decisão. Quem tiver ânimo pode consultar os calhamaços eletrônicos que registram as sucessivas derrotas dos Estados Unidos nos vários foros de decisão da organização durante esse longo período em De acordo com as regras da OMC, o Brasil foi autorizado a retaliar, aumentando as tarifas sobre US$ 591 milhões de bens importados dos Estados Unidos e suspendendo pagamentos relativos à propriedade intelectual até US$ 238 milhões. Embora a Rodada Uruguai, concluída em 1994, tenha resultado em melhoria do sistema de solução de controvérsias, o avanço foi modesto. Retaliar aumentando tarifas sobre bens significa que o fornecedor retaliado, que era supostamente o que oferecia menor preço, é deslocado por outro supridor menos eficiente. Retaliar em propriedade intelectual poderá afetar fluxos futuros de investimento.

4 Ou seja, para atingir os Estados Unidos é preciso, em alguma medida, dar um tiro no próprio pé, penalizando o consumidor brasileiro e comprometendo investimentos. A lista de produtos definida pelo governo brasileiro inclui US$ 318 milhões de importações de trigo - mais da metade da retaliação permitida -, com elevação de direitos de 10% para 30%. Há quem veja nessa opção uma barretada aos produtores nacionais de trigo, que há muito tempo andam pressionando por aumento de proteção. As reações norte-americanas incluíram desde queixas sobre o açodamento brasileiro - depois de oito anos de protelações, boa parte delas gerada pelos Estados Unidos - até ameaças destemperadas. Que os senadores dos Estados algodoeiros norte-americanos, com destaque para a senadora pelo Arkansas Blanche Lincoln, presidente da Comissão de Agricultura, brandissem a ameaça de exclusão do Brasil do Sistema Geral de Preferências (SGP), programa de preferências tarifárias para países em desenvolvimento, não é surpreendente. Causa mais espécie a declaração do novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil, que, em vez de se dedicar a encontrar uma saída para as dificuldades bilaterais, mencionou possíveis represálias dos Estados Unidos. É certo que as trapalhadas da diplomacia brasileira em relação a Irã, Honduras e Cuba não contribuem para criar clima para uma solução de compromisso. Mas as acusações norte-americanas ao Brasil fazem lembrar o delicioso aforismo: "Esse animal é muito bravo, quando atacado, defende-se." Depois de oito anos, não restava ao Brasil alternativa senão tratar de implementar a decisão da OMC, que culmina uma grande vitória da diplomacia econômica brasileira. Mas fica a impressão de que o timing das decisões brasileiras deveria ter levado em conta que um negaceio mais prolongado quanto à retaliação poderia facilitar resultados positivos. Em especial quando se reconhece que dificilmente o governo dos Estados Unidos terá condições de promover, antes de 2012, a aprovação de reforma da Farm Bill que atenda aos interesses algodoeiros prejudicados. Mas, em face da disparidade de poder de barganha, não é fácil tornar a retaliação crível. É improvável que os Estados Unidos não façam um gesto concreto, combinado com promessas quanto a medidas futuras, que permita a suspensão das sanções brasileiras. Sabe-se que o entusiasmo de Washington pelo sistema de regras comerciais multilaterais não é grande, mas custa acreditar que haja disposição para apostar de forma acintosa na desmoralização do sistema de solução de controvérsias. Do ponto de vista brasileiro, a OMC é importante, pois aos países com poder de barganha modesto interessa que exista uma polícia com credibilidade que os defenda das truculências dos mais fortes. É também relevante lembrar que - do ponto de vista dos consumidores - a credibilidade das disciplinas multilaterais é essencial para conter as demandas dos lobbies protecionistas internos. DOUTOR EM ECONOMIA PELA UNIVERSIDADE DE CAMBRIDGE, É PROFESSOR TITULAR NO DEPARTAMENTO DE ECONOMIA DA PUC-RIO O Estado de S.Paulo - 21/03/2010 Que se aprovem os royalties, já

5 Alberto Tamer Não há razão alguma para atrasar a aprovação da lei do pré-sal no Congresso. Só a política menor, quase paroquial, está provocando isso. Temos até passeata no Rio contra a nova distribuição dos royalties. O governador Cabral chorou. Sem os royalties, não dá para sediar a Copa - que sacrilégio! Mas não é nada disso. Ninguém pode atrasar a atração de investimentos e as obras do pré-sal, que vai nos dar em alguns anos a independência absoluta, agora sim, de petróleo e derivados, porque os Estados fronteiriços às jazidas querem receber mais. Afinal, como disse o deputado Ibsen Pinheiro, o petróleo está a 300 km das suas fronteiras. Ficam só olhando... RJ, SP e ES podem ter de gastar mais, sim, com as instalações em terra, mas ganharão muitíssimo com a arrecadação de impostos, geração de emprego, atração de investimentos. Poderão se transformar em novos polos petroquímicos e industriais. Santos é um exemplo. Está trabalhando bem. O pré-sal sem royalties. Eis a verdade que poucos falam: o projeto do pré-sal pode ser aprovado sem incluir a distribuição de royalties no texto. Quando o governo mandou os projetos ao Congresso, não falava dos royalties. Isso foi incluído na Câmara. O presidente lembrou esta semana que já previa a briga dos Estados. Por isso, queria essa discussão depois das eleições. Primeiro, o que importa é extrair o petróleo, depois, ver quem fica com quanto. O que o Congresso está fazendo é tentar dividir um bolo que ele mesmo está impedindo que seja feito... Em troca de alguns votos. É tão simples! Mas mesmo agora é simples de resolver o problema, impedindo atrasos que vão prejudicar inclusive os governos que reivindicam mais. Basta o Senado aprovar o projeto sem a cláusula dos royalties e reenviá-lo à Câmara. Se tiver um mínimo de bom-senso, senão quiser causar mais atrasos, basta concordar. Enquanto isso, o processo continua, novas áreas serão licitadas, novas empresas virão ao Brasil e, em alguns anos, estaremos até exportando petróleo e derivados. Isso tem um significado especial para um País que sempre dependeu do exterior e se endividou de forma brutal nos choques de 1973 e 1979 para importar petróleo. A "genialidade" de Geisel optou por endividar o País por décadas em vez de promover racionamento, como o mundo fez (vi gente andar a cavalo nas ruas sem carros, em Londres). O resultado foi a formação de uma dívida em cascata de mais de US$ 200 bilhões da qual agora, quase três décadas depois, estamos nos livrando. Há pressa? Há sim, porque, com a rara exceção do ano passado, as importações de petróleo e derivados sempre representaram a maior carga na balança comercial. Sempre exportamos petróleo pesado e importamos o leve, não processado aqui. Ficamos ao sabor das cotações internacionais. Se não houver atraso, o pré-sal poderá produzir 582 mil barris por dia em cinco anos e 1,85 milhão bpd em Dobra a produção nacional. Ao todo, ela ficará em 5,1 milhões de bpd. A Petrobrás fará em 10 anoso que não fez em 51. Será possível atender plenamente a demanda, que a empresa estima que vá crescer 3,3% em média, ao ano, e ainda exportar,principalmente derivados, de maior valor agregado. Mas é só uma briguinha... Não, não é. Esse impasse poderá ter desdobramentos nos próximos anos. Lula diz que o problema não é mais dele, é do Senado. Não quer

6 desgaste político. Não, o problema é dele,sim, porque deixar para o próximo presidente pode significar adiar tudo por mais um ano. O novo governo não poderá fazer muito até montar a nova base. E problemas urgentes poderão surgir após a ressaca do ano eleitoral. Os projetos do pré-sal deveriam ser aprovados neste ano. Há tudo ainda por fazer Valor Econômico - 22/03/2010 Alta do dólar pode ter vida curta Eduardo Campos O dólar comercial acumulou valorização de 1,93% na semana passada, maior ganho semanal desde o final de janeiro. No entanto, essa puxada de alta pode ter vida curta. A lógica aqui seria a seguinte. Se o Banco Central vai mesmo começar a subir a taxa básica de juros em abril, logo os agentes começariam a se posicionar no câmbio para tirar proveito disso, pois quanto maior a taxa de juros maior a atratividade ao capital externo. E a entrada de mais recursos pode deprimir o preço do dólar. Para que isso se torne verdade basta combinar com a Grécia, já que as renovadas incertezas sobre o endividamento do país responderam por boa parte da valorização que o dólar acumulou na semana passada. No mercado futuro, o dólar para abril subiu 0,55%, e fechou a R$ 1,802, cumprindo objetivo gráfico. Depois de uma semana de recordes de negociação, o mercado de juros futuros voltou à normalidade na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F). O juro curto ficou estável, mas os contratos longos acumularam prêmio de risco. É aqui que cabe alguma discussão. Essa alta no juro longo mostra que o Banco Central ficou atrás da curva, ou seja, demorou para subir a Selic? Ou apenas reflete o sinal proveniente do mercado externo, que, além da Grécia, contou com aumento de taxa de juros na Índia, que subiu sua taxa básica em 0,25 ponto percentual para conter expectativas de inflação? O estrategista-chefe da CM Capital Markets, Luciano Rostagno, não acredita que o BC esteja "atrasado", mas aponta que alguns agentes já trabalham com alta de 0,75 ponto percentual na Selic na reunião de em abril, pois acreditam que o BC teria que recuperar o tempo perdido. A questão envolvendo a saída ou não de Henrique Meirelles da presidência do Banco Central também continua em pauta. E isso pesa nas análises envolvendo a estrutura de juros. Segundo Rostagno, no caso da saída de Meirelles, se pressupõe que o novo Copom seria menos conservador, o que resulta em menor chance de aperto monetário em ritmo mais acentuado. Essa deve ser uma discussão que ainda vai longe, ainda mais tendo em vista que faltam cerca de 40 dias para o próximo encontro do colegiado. Ainda assim, a ata referente à reunião do Copom e alguns indicadores de preços que saem esta semana contribuirão para o debate. Hoje, o boletim Focus traz as novas previsões para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2010 e Uma nova elevação nos prognósticos não é descartada. Também será conhecido o desempenho das contas externas brasileiras e uma nova prévia do IGP-M. Não custa lembrar que também entram em vigor algumas das

7 alterações promovidas nos depósitos compulsórios. Já amanhã, o IPCA-15 de março concentra as atenções. O economista-chefe da Máxima Asset, Elson Teles, trabalha com alta de 0,55%, uma considerável desaceleração sobre a leitura de 0,94% registrada em fevereiro. E na quinta, sai a ata do Copom. O Santander espera que o documento ajude a entender os argumentos que levaram à manutenção da taxa básica em 8,75%, assim como o peso atribuído a eles. Também na quinta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra a taxa de desemprego de fevereiro. O Banco Fator estima uma alta dos 7,2% registrados em janeiro para 8%. Eduardo Campos é repórter de mercado financeiro Folha de S.Paulo - 22/03/2010 Resgate da política Luiz Carlos Bresser-Pereira SEMPRE AFIRMO que a política é a mais nobre e a mais importante das profissões. É a mais nobre porque apenas homens e mulheres dotados da capacidade de tomar decisões e de qualidade moral são capazes de exercê-la bem. É a mais importante porque a política influencia nossas vidas para o bem ou para o mal, porque é por meio dela que somos governados. Essa afirmação sobre a nobreza da política sempre causa surpresa em meus interlocutores, porque leem todos os dias notícias sobre a corrupção dos políticos. Assim, a política não estaria associada à virtude da nobreza, e sim ao vício da corrupção. Foi, portanto, com alegria que li no "Estado de S. Paulo" (14/3) uma entrevista de José Serra a Dora Kramer na qual ele defende "uma prática transformadora na política brasileira, começando pelo repúdio ao mote fatalista e reacionário de que a desonestidade é inerente à vida pública, que o poder necessariamente corrompe o homem". Terá razão o governador paulista ao rejeitar a visão reacionária da política? Estarei eu correto quando defendo a política apesar dos constantes deslizes dos políticos? Para responder a essas questões,devemos considerar dois conceitos básicos. O Estado é o sistema constitucional-legal e o aparelho público que o garante; é o instrumento por excelência de ação coletiva da nação; é a lei e a administração pública; é a expressão maior da nossa racionalidade coletiva. A política, por sua vez, é a prática de argumentar e fazer concessões mútuas para alcançar o poder político e é a arte de governar o Estado moderno que foi inicialmente liberal e depois se tornou democrático. É por meio da política que reformamos permanentemente a sociedade e o Estado para que esse cumpra seu papel contribuindo de forma efetiva para os grandes objetivos políticos das sociedades modernas: segurança,autonomia nacional, desenvolvimento econômico, liberdade, justiça social e proteção do ambiente. Podemos obter algum sucesso na busca individual de nossa felicidade e segurança econômica. Entretanto, os demais objetivos políticos, e mesmo esses dois que acabei de citar,somente poderão ser atingidos por meio da construção política do Estado.

8 Não podemos esquecer que, conforme ensinou Max Weber, a ética na política é diferente da ética pessoal: é uma ética da responsabilidade, não da convicção. Para governar e promover o bem público, o político deve buscar a maioria e, para isso, é obrigado a fazer acordos ou compromissos que um indivíduo não precisa fazer. Não devemos, porém, confundir com a corrupção essa ética baseada na responsabilidade do político em alcançar bons resultados para a sociedade que governa. Não se justifica, portanto, a tese do caráter intrinsecamente corrupto da política. A política é o grande instrumento de que dispõe a sociedade para reformar seu Estado. Só por meio da lei e da administração pública que a garante progrediremos na busca da segurança, da liberdade e da justiça. A identificação da política com busca exclusiva do poder pessoal e da riqueza é uma tese neoliberal e autoritária que desmoraliza a política para, assim, legitimar o governo das elites. Precisamos ser implacáveis em relação à corrupção, mas não é por meio do moralismo negativista que lograremos atingir nossos grandes objetivos políticos. Para isso, não temos alternativa senão pensar apolítica em termos republicanos de virtude cívica e busca do bem comum. Só assim estaremos fortalecendo nosso grande instrumento de ação coletiva que é o Estado. LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA, 75, professor emérito da Fundação Getulio Vargas, ex-ministro da Fazenda (governo Sarney), da Administração e Reforma do Estado (primeiro governo FHC) e da Ciência e Tecnologia (segundo governo FHC), é autor de "Globalização e Competição" Valor Econômico 22/03/2010 Basileia III Jairo Saddi A indústria bancária vive de precificar riscos. Mas, algumas vezes, os bancos erram e assumem riscos mal avaliados e, como consequência, quebram. Poucos duvidam de que a origem de boa parte da crise de se deve a tais equívocos. Quais lições devem ser apreendidas para isolar o sistema financeiro internacional de aventuras e folias é o que um grupo de banqueiros centrais reunidos na Basileia está propondo como medidas regulamentares a vigorarem em Conhecido como Comitê da Basileia, estamos na terceira edição de suas propostas regulamentares. Vale a pena rememorar suas origens. Quando o Bankhaus Herstatt, na então Alemanha Ocidental faliu, em 1974, por iniciativa de um grupo de dez dirigentes de bancos centrais europeus e americanos, tomou-se a iniciativa, no âmbito do BIS, de constituir um Comitê de Regulação Bancária e Práticas de Supervisão, embrião do futuro Comitê da Basileia. Até 1983, o Comitê atuou em áreas específicas, sempre com o intuito de estreitar brechas na supervisão de bancos estrangeiros comuns a todos os países, aumentando assim a qualidade da supervisão bancária mundial. Naquele ano, o Comitê editou um importante documento intitulado "Princípios para a supervisão de estabelecimentos bancários no exterior", que determinava as normas para a supervisão compartilhada de filiais bancárias no exterior e suas respectivas sedes nos países de origem. O objetivo declarado do Comitê de Supervisão Bancária do BIS, naquela histórica reunião da Basileia, em 1983, estava limitado à minimização dos riscos de insucesso das atividades

9 bancárias por meio de maior alocação de capital dos participantes do sistema bancário internacional. Somente cinco anos mais tarde (em 1988, portanto), é que todos os banqueiros centrais se reuniriam com o objetivo de determinar a adoção de um guia de recomendações mais diretivo, que recebeu o nome de International Convergence of Capital Measurement and Capital Adequacy, ou Convergência Internacional para Mensuração e Adequação de Capital. Recomendou-se às autoridades locais, afiliadas ao BIS e encarregadas do controle e da fiscalização de instituições financeiras, a adoção de um modelo de supervisão cujos princípios fundamentais recaem no estabelecimento de padrões mínimos de capital e patrimônio líquido em função do nível de risco das operações ativas. Esse modelo ficou conhecido como Acordo da Basileia I. Sua revisão - ainda que não explícita - o Acordo de Basileia II - reavaliaria riscos e ponderações sobre o tratamento dispensado aos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, a OCDE. Para tais países, nos critérios de ponderação, seus ativos requereriam menos reserva de capital em relação aos realizados em outras partes do mundo. Quando eclodiu a crise, Lehman Brothers possuía um índice de Basileia equivalente a 11% - ou três vezes o padrão regulamentar americano ou o exigido pelo Banco Central do Brasil, e mesmo assim deu no que deu. Portanto, a recomendação para o Acordo III - de alargar a base de capital e incluir riscos fora do balanço nos requisitos de capitais - soa ingênuo, mesmo considerando que o princípio de comparar passivos existentes com ativos e ponderá-los pelo risco seja ainda o único conceito na praça. Ou em outras palavras, para evitar que bancos quebrem - mas ainda possam preencher a função de intermediação econômica que é tão importante na economia - é preciso tentar definir o quanto de capital um banco precisa para um nível de risco que seja, ao mesmo tempo, aceitável para o acionista e para o sistema como um todo. O Comitê da Basileia pretende realizar importantes testes para definir exatamente quanto de capital seria importante para o chamado "tier-1", ou seja, ativos líquidos e seguros que possam se transformar em caixa rapidamente e sem perdas. Esse índice, nos EUA, era de meros 2% do patrimônio de referência - e já há consenso de que, no novo padrão, ele deverá quadruplicar, já que mais de 4% desse patrimônio simplesmente desaparece numa crise mais acentuada. Segundo a revista "The Economist" (23/01/ 2010), os prejuízos do Citigroup, Merrill Lynch e UBS chegaram a 6-8%, 19% e 13% do patrimônio, respectivamente. É evidente que simplesmente aumentar os níveis de conforto torna a indústria bancária mais cara, já que é preciso que os bancos carreguem ativos mais seguros e, portanto, menos rentáveis. Provavelmente subiriam os juros. Mesmo que não esteja na proposta da Basileia, os EUA estão tentando voltar ao Glass- Steagall Act, lei que separou os bancos comerciais dos bancos de investimento, revogada pelo Gramm-Leach-Bliley Act, que afastou a proibição de as holdings bancárias deterem participações relevantes no mercado de investimento (ações, mercado de capitais), ao mesmo tempo que possuíssem participações em bancos comerciais e seguros, além de impedir que bancos operassem em tesouraria. Realmente, a Basileia III pode não vir a ser o primor que todos esperam, mas ainda é melhor mirar no alvo correto, do que gastar munição errada, como bem julgou Gustavo Loyola neste mesmo espaço (01/02/2010). Existem outras propostas de "quasi-capital" e outros títulos de dívida subordinada, mas precisam ser melhor avaliadas. A única experiência, ao menos por enquanto, é a inglesa, com os Contingent Convertible Capital (Coco), dívida que se transforma automaticamente em participação acionária, usada pelo Lloyds no caso do HBOS. O único

10 problema é também seu custo e, muito provavelmente, investidores poderão exigir um prêmio maior para comprar tais títulos, já que eles em si poderiam causar uma corrida bancária. Não há respostas fáceis, como se vê. Jairo Saddi pós-doutorado pela Universidade de Oxford, doutor em Direito Econômico (USP) e professor e coordenador geral do Curso de Direito do Insper, é árbitro da Câmara de Arbitragem da Anbima - Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais O Estado de S.Paulo - 22/03/2010 A volta do entulho cambial Nathan Blanche A defesa de mudanças na política cambial dentro e fora do contexto político eleitoral equivale a uma aposta contra tudo o que deu certo. Pior, representa voltar ao passado, na medida em que se nega o êxito do processo liberalizante dos controles cambiais e do regime de câmbio flutuante. O êxito do regime de câmbio flutuante fica evidente na análise da evolução dos fundamentos econômicos do Brasil. Na comparação entre 1999 e 2009, o saldo comercial passou de -US$ 1,3 bilhão para +US$ 25,3 bilhões; o saldo em conta corrente, de -4,8% do PIB para -1,6% do PIB; as reservas internacionais subiram de US$ 36 bilhões para US$ 239 bilhões; sem falar na significativa redução da inflação e do prêmio de risco país. Muitos têm defendido que a taxa de câmbio de equilíbrio deveria ser "controlada" em níveis mais depreciados, o que aumentaria a competitividade dos exportadores e, sobretudo, da indústria. Cita-se o exemplo da China, onde o crescimento acelerado, sem inflação, é acompanhado de moeda desvalorizada. Tecnicamente, a comparação com o Brasil é inválida. A poupança doméstica chinesa é de 45% do PIB, enquanto no Brasil é de 15,2% do PIB (o setor privado contribui com 18,5% e o público, com -3,3%). Consequentemente, o consumo doméstico chinês é de 36% do PIB, enquanto aqui é de 60%. A taxa de investimento na China é de 43% do PIB e, aqui, de 16,7%, dos quais a contribuição do governo é de 1,3% e do setor externo, de 1,5%. Na verdade, o exemplo chinês que devemos seguir é o do elevado nível de poupança, que permite aumentar investimentos e, assim, o potencial de crescimento. Sem isso, precisaremos cada vez mais de poupança externa para crescer, e medidas de controle de capitais só limitariam a expansão. Outra falácia é dizer que o Brasil sofre da doença holandesa e, consequentemente, concluir que a desindustrialização nos leva ao atraso tecnológico. É importante destacar que a pauta exportadora brasileira é mais diversificada que a de países como Austrália, Nova Zelândia, Chile e Canadá, cujo peso de commodities nas exportações também é importante e não são considerados países atrasados. Os setores de agronegócios, mineração e siderurgia participam com cerca de 53% na pauta de exportação (2008). Mas sua contribuição no saldo da balança comercial é de 290%. Qualquer barreira nas exportações desses setores afetaria muito os saldos em conta corrente. Para gerar superávits e competir no mercado externo, superando as mazelas e o custo Brasil, tais setores fazem uso de alta tecnologia e não menos que os

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