ACOMPANHAMENTO FAMILIAR NA ASSISTENCIA SOCIAL: UMA PROPOSTA DE METODOLOGIA PARA O ESTADO DO RIO DE JANEIRO

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1 ACOMPANHAMENTO FAMILIAR NA ASSISTENCIA SOCIAL: UMA PROPOSTA DE METODOLOGIA PARA O ESTADO DO RIO DE JANEIRO Subsecretaria de Assistência Social e Descentralização da Gestão

2 O PAIF NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO O PAIF/RJ foi implantado no estado do Rio de Janeiro, em 1999, como uma estratégia de trabalho social operacionalizadora dos princípios e diretrizes da LOAS. Descentralização da gestão Centralidade na família Integração das ações NAFs ACOMPANHAMENTO FAMILIAR INTERDISCIPLINAR Articulação setorial e intersetorial DESENVOLVIMENTO DO ACOMPANHAMENTO FAMILIAR POR MEIO DO PAIF Condução estatal do trabalho social com famílias Defesa do atendimento integral Reconhecimento da complexidade das demandas e da necessidade de organização em rede para atendê-las.

3 A IMPORTÂNCIA DO REFERENCIAL METODOLÓGICO PARA O ACOMPANHAMENTO FAMILIAR Os resultados do processo de acompanhamento familiar relaciona-se decisivamente com a forma como ele é operacionalizado. Por isso, priorizamos a questão metodológica. REFERENCIAL TEÓRICO PROCEDIMENTOS ABORDAGEM METODOÓLICA Procedimentos metodológicos são utilizados para operacionalizar a metodologia proposta (Visitas Domiciliares, Entrevistas, Encaminhamentos); Abordagem metodológica é o que dá relevância aos procedimentos. Tem a ver com a direção que será dada à metodologia, com a intencionalidade. Referencial teórico-metodológico é o que explicita os fundamentos teóricos e os princípios éticopolíticos que direcionam a intervenção. Trata-se dos conhecimentos científicos, teorias, concepções e posturas ideológicas sob as quais se apoiam a realização de um trabalho

4 ABORDAGEM METODOLÓGICA A escolha da abordagem metodológica é uma atribuição técnica. Esta tarefa requer estudo sobre as teorias sociais, conhecimentos específicos e habilidades profissionais para a definição de técnicas, métodos e estratégias adequadas ao alcance dos objetivos. estudo e o debate sobre as temáticas comuns ao trabalho social; ter clareza do que pretende com o trabalho social; voltar atenção para a realidade do território, para a dinâmica das relações e para os recursos disponíveis; respeitar as diretrizes já estabelecidas na Política Nacional de Assistência Social; resguardar coerência com os princípios éticos previstos no código profissional de cada categoria envolvida com o desenvolvimento da metodologia de trabalho social. Não há prática desconectada da teoria. Elas são complementares e devem estar em um movimento contínuo e necessário de interação.

5 É uma ingenuidade pensar que exista um conjunto de métodos e técnicas neutras para uma ação que se dá entre homens, em uma sociedade que não é neutra. Isto só seria possível se o trabalhador social não fosse um homem submetido, como os demais, aos mesmos condicionamentos da estrutura social, que exige dele, como de todos, uma opção frente às contradições constitutivas da estrutura. (Freire,1983;49-50)

6 PROPOSTA DE ABORDAGEM METODOLÓGICA PARA O ACOMPANHAMENTO FAMILIAR NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO Postura teórica crítica (atuação profissional orientada para a emancipação social) Referencia teóricometodológica no pensamento e nas concepções de Paulo Freire Abordagem metodológica dialógico-reflexiva horizontalizada e participativa

7 PROPOSTA METODOLÓGICA DE ACOMPANHAMENTO FAMILIAR PARA O RIO DE JANEIRO Propomos uma metodologia única para desenvolvimento do acompanhamento familiar no âmbito do PAIF e do PAEFI, porque estamos considerando a totalidade da proteção social. Acreditamos que a divisão da política em níveis de proteção é uma questão organizativa que não deve fragmentar ou polarizar as estratégias de trabalho social. Ainda que esta metodologia seja operacionalizada por meio do PAIF ou do PAEFI, estes serviços não podem ser pensados isoladamente. Os Serviços de convivência e fortalecimento de vínculos, entre diversas outras ações socioassistenciais também podem e devem- compor a estratégia de acompanhamento familiar.

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9 ACOMPANHAMENTO FAMILIAR: PRINCIPAL ESTRATÉGIA DE TRABALHO SOCIAL COM FAMÍLIAS NO ÂMBITO DA ASSISTÊNCIA SOCIAL. Vai além dos serviços assistenciais continuados, mobilizando e articulando os diversos serviços, benefícios, programas e ações, setorial e intersetorialmente, na perspectiva do atendimento integral; Por ser sistemático e processual, possibilita ultrapassar o atendimento às necessidades emergenciais; Pressupõe a adoção de atividades e práticas qualificadoras do trabalho social, como o estudo continuado, o monitoramento e a organização gerencial; Tem a potencialidade de contribuir para a formação do pensamento crítico e do agir autônomo dos usuários da política, e por isso, defendemos que seja operacionalizado com o compromisso explícito de transformar a realidade social;

10 ACOMPANHAMENTO FAMILIAR : APROXIMAÇÃO CONCEITUAL Estratégia de trabalho social sistemático que promove o planejamento, a execução monitorada e a avaliação participativa de ações promotoras de acesso a direitos fundamentais e de oportunidade de reflexão e critica do cotidiano na perspectiva do fortalecimento da cidadania, visando a transformação da realidade social.

11 Estrutura do documento I INTRODUÇÃO II ACOMPANHAMENTO FAMILIAR E A PERSPECTIVA DA INTEGRALIDADE DA PROTEÇÃO SOCIAL 1.1- O acompanhamento familiar do PAIF no Estado do Rio de Janeiro breve histórico 1.2-Sistema de Proteção Social 1.3A centralidade da família nas ações de Proteção Social no âmbito da Assistência Social III - ACOMPANHAMENTO FAMILIAR NO ÂMBITO DO SUAS NO ESTADO DO RIO JANEIRO 3.1- Acompanhamento Familiar no âmbito do SUAS: aproximações conceituais 3.2- Importância do referencial teórico-metodológico 3.3-Definição da abordagem metodológica 3.4- Proposta de abordagem metodológica para acompanhamento familiar no Estado do Rio de Janeiro IV - PROPOSTA DE METODOLOGIA PARA O ACOMPANHAMENTO FAMILIAR NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO: ATIVIDADES E FLUXOS. 4.1 Atividades que compõem o acompanhamento familiar Fluxo do acompanhamento familiar no âmbito do PAIF Fluxo do acompanhamento familiar no âmbito do PAEFI Considerações gerais sobre a metodologia de acompanhamento família Acompanhamento das famílias beneficiárias do Programa Renda Melhor V- CONDIÇÕES INDISPENSÁVEIS PARA O DESENVOLVIMENTO DO ACOMPANHAMENTO FAMILIAR Organização do trabalho social com famílias Planejamento Registro e sistematização de informações 5.2 Gestão do território Mapeamento da rede Articulação socioassistencial e intersetorial

12 Marco Legal para o acompanhamento familiar Política Nacional da Assistência Social PNAS,2004; Decreto Federal nº de 11 de novembro de Resolução SEASDH nº. 079, de 21 de fevereiro de 2008; Resoluções SEASDH nº. 78 e 81, ambas de 21 de fevereiro de 2008; Resolução CIT nº 5 de 3 de maio de 2010 ; Resolução CIT nº 5 de 3 de maio de 2010; Resolução CIB Nº 12 de 26 de abril de 2011; Ainda que já existam diretrizes e procedimentos metodológicos preestabelecidos, os municípios possuem autonomia para definir de que forma abordarão esta metodologia e em quais referências pautarão a execução das atividades previstas.

13 Temos claro que a Assistência Social enquanto política institucionalizada, não poderá, isoladamente, promover a superação desta forma de organização societária, eliminando os fatores geradores de desigualdades. Contudo, acreditamos que esta é uma política essencialmente articuladora, que pode - e deve - canalizar recursos e esforços na perspectiva da garantia da vida digna - sem a qual não se pode avançar, viabilizar às famílias vulneráveis acesso aos serviços públicos e a oportunidades de gozo dos direitos, além de oportunizar espaços de reflexão e de critica, para que estas famílias, ao compreender melhor a realidade em que estão inseridas, possam atuar sobre ela.

14 VINCULAÇÃO METODOLOGIA OPERACIONA- LIZAÇÃO CHILE Programa Puente Compõe a estratégia de combate à pobreza Chile Solidário. Atrelado à transferência de renda com condicionalidades (parcelas mensais decrescentes). Abordagem sistêmica psicossocial. Prevê encontros de espaçamento temporal decrescente, que visam articular as demandas familiares e os serviços disponíveis (fazer a ponte). Prioriza as dimensões: Identificação, Saúde, Educação, Dinâmica Familiar, Habitabilidade, Trabalho e Renda. Unidade de referência: famílias Duração de 02 anos e prioridade de acesso aos serviços e benefícios por 05 anos. Após famílias são desligadas. Operacionalizado por meio de visitas domiciliares, feitas por um agente, onde ocorre o atendimento particularizado e atividades educativas. Os agentes não precisam possuir nível superior. URUGUAI COLOMBIA BRASIL (RJ) Programa de Infância, Adolescência e Família Compõe o Plano Nacional de emergência Social. Atrelado à transferência de Renda (Ingresso Cidadão), com condicionalidades, de duração de 2 anos. Abordagem metodológica não explicitada. Prevê inserção em programas sociais e orientação sobre os direitos, visando a prevenção dos riscos sociais. Prioriza a garantia de acesso às políticas de saúde e educação e objetiva garantir acesso às políticas essenciais às pessoas mais vulneráveis. Unidade de referência: pessoas Acompanhamento sem período determinado, mas com possibilidade de desligamento. Operacionalizado por meio de programas sociais executados pela rede privada. Foram implantados polos de serviços de orientação e articulação territorial nas comunidades. Crianças e adolescentes são inseridos em programas específicos de fortalecimento de vínculos ou redução da evasão escolar. Programa Medelín Solidária Compõe o Plano de desenvolvimento da cidade de Medellín. Atrelado à distribuição de benefícios em bens de primeira necessidade ou dinheiro. Abordagem sistêmica. Prevê 12 encontros com as famílias, além de acompanhamento grupal na comunidade, visando fortalecer vínculos familiares e promover socialização da informação sobre direitos. Prioriza as seguintes dimensões: identificação, trabalho, educação, saúde, nutrição, habitação, organização financeira e acesso à instituição bancária, acesso a justiça, fortalecimento da convivência e harmonia da dinâmica familiar. Unidade de Referência: casas Duração de 03 anos e critérios rígidos de desligamento. Operacionalizado por visitas domiciliares feitas por cogestores que não precisam ter nível superior. Cada cogestor acompanha até 115 casas. Acompanhamento Familiar no âmbito do SUAS Compõe a estratégia de proteção Social no âmbito da Assistência Social. Articulado com o Programa Bolsa Família e o Renda Melhor, mas sem vinculação obrigatória. Abordagem dialógico-reflexiva participativa e horizontalizada, pautada na teria social crítica. Prevê atendimento psicossocial, atividades reflexivas e de socialização, articulação setorial e intersetorial, visando garantir acesso aos direitos (sem delimitar quais) e, principalmente, oportunizar espaços de reflexão e crítica da realidade social, na perspectiva de alterá-la. Unidade de Referência: famílias Sem período de tempo determinado. Sem desligamento. Operacionalizado por meio do PAIF e do PAEFI, nos Centros de Referência da Assistência Social, por uma equipe interdisciplinar composta por técnicos de nível superior nas áreas de serviços social e psicologia. GESTÃO Gerido pelo Estado e executado por ONGs. Gerido pelo Estado e executado por ONGs. Gerido e executado pelo governo de Medelín AVALIAÇÃO E MONITORAMENT O Possui sistema Integrado de Informação Social para acompanhamento de famílias e fornecimento de indicadores territoriais. É avaliado pelo Mideplan e pelo Banco Mundial. Estão discutindo a construção de um sistema de informações sociais. É avaliado pelo BIRD. Possui sistemas de registro, instrumentos tecnológicos de acompanhamento e fluxo bem definido de avaliação. Avaliado pelo BIRD. Gestão nacional (SUAS) e execução descentralizada (municípios), em estreita articulação com a rede e com apoio, técnico e financeiro, das demais esferas de governo. Monitoramento permanente e avaliação participativa, realizada entre a equipe técnica e a família. Não está submetido a análise de nenhum organismo financeiro internacional

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