1-RELATÓRIO 2- FUNDAMENTAÇÃO PARECER: 41 / 2009

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1 PARECER: 41 / 2009 ASSUNTO: Descabimento da exigência de nota fiscal de serviços para pagamento de valores de aluguel contratados com a Administração Pública. ENTIDADE INTERESSADA: UESPI- Universidade Estadual do Piauí 1-RELATÓRIO Trata-se de consulta feita pela UESPI, em nome de sua Reitora, Valéria Madeira Martins Ribeiro, através do Ofício GR/UESPI nº 0473, de 30 de junho de 2009, para nossa manifestação acerca da obrigatoriedade de exigência ou não de nota fiscal de serviços por ocasião de pagamentos de valores de aluguel contratados com a Campanha Nacional de Escolas da Comunidade- CNEC, CNPJ / , entidade imune à tributação. A Campanha Nacional de Escolas da Comunidade-CNEC possui imóvel alugado para a UESPI e pretende deixar de emitir nota fiscal de serviços quando do recebimento de valores mensais dos aluguéis, justificando-se pela imunidade tributária constitucional que é possuidora, em razão de ser uma entidade educacional. É o Relatório. 2- FUNDAMENTAÇÃO Abordaremos dispositivos legais que atestam a desnecessidade da exigência de nota fiscal de serviços por ocasião do pagamento de locação de imóvel. Alega a CNEC que, em razão de ser entidade imune, não deveria estar emitindo as notas fiscais de serviços para o recebimento da renda referente ao contrato de locação de imóvel pactuado com a UESPI.

2 Cabe razão à pleiteante quando pretende deixar de emitir nota fiscal. De fato, a imunidade tributária a exime do pagamento de determinados impostos. Porém, esta não é a razão preponderante e definidora de sua não obrigatoriedade de emissão do referido documento. Em verdade, o motivo que inviabiliza a exigência da cobrança da referida nota fiscal de serviços por parte da UESPI é a impossibilidade de incidência do imposto sobre serviços em contratos de aluguel de imóveis pelo fato de não haver previsão legal na legislação tributária brasileira e municipal sobre a matéria. Senão vejamos. A Lei Complementar federal nº 116, de 31 de julho de 2003 estabelece normas gerais sobre o Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza-ISSQN, de competência dos Municípios e do Distrito Federal. A Lei Tributária do Município de Teresina é a Lei Complementar Nº 3.606, de 29 de dezembro de 2006, que dispõe sobre o sistema tributário municipal e sobre as normas gerais de direito tributário aplicáveis ao Município. O artigo 1º da Lei Complementar federal nº 116/2003 dispõe que o ISSQN tem como fato gerador a prestação de serviços constante em sua lista anexa, in verbis: Art. 1 o O Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, de competência dos Municípios e do Distrito Federal, tem como fato gerador a prestação de serviços constantes da lista anexa, ainda que esses não se constituam como atividade preponderante do prestador. Ocorre que a locação de bens imóveis não constitui uma prestação de serviços, mas disponibilização de um bem para utilização do locatário, sem a prestação de um serviço. As leis federal e municipal acima citadas possuem anexos idênticos que trazem uma relação de atividades onde pode ocorrer incidência do Imposto sobre serviços. A partir da constatação da presença de determinada atividade na lista, é possível a cobrança do respectivo tributo. Ocorre, porém, que tanto na lista de serviços anexa à Lei Complementar nº 116 de 2003, bem como no rol da Lei Complementar Nº

3 3.606 de 2006, não consta atividade de locação de imóveis dentre aquelas passíveis de tributação pelo ISSQN. Desse modo, não há possibilidade de ocorrer o fato gerador de tal obrigação tributária. Tais listas de serviços são taxativas ou numerus clausus, daí a impossibilidade de exigência do documento nota fiscal para fins de recebimento do valor referente à receita de aluguel. Esse entendimento de necessidade de enumeração taxativa pode ser compreendido com a lição de Ricardo Lobo Torres, conforme abaixo: "O ISS é um imposto residual. Incide sobre os serviços que não estejam essencial e indissoluvelmente ligados à circulação de mercadorias, à produção industrial, à circulação de crédito, moeda estrangeira e títulos mobiliários, pois em todos esses fatos econômicos há parcela de trabalho humano. Em outras palavras, incide sobre os fatos geradores não incluídos na órbita dos outros impostos sobre a produção e circulação de riquezas (IPI, ICMS, IOF) e por essa extrema complexidade carece da enumeração taxativa da lei complementar." (Torres, Ricardo Lobo. Curso de direito financeiro e tributário. 11ª ed. atual. até a publicação da Emenda Constitucional n. 42, de Rio de Janeiro: Renovar, 2004, pp.397 e 398) Em relação a outras atividades da CNEC em que possa haver enquadramento e tipificação dentre as atividades enumeradas na lista de serviços constante da Lei 116/2003, a título de orientação sugerimos que a UESPI exija a documentação que assegure o gozo pela CNEC da imunidade constitucionalmente prevista. Não basta para a Administração Pública a mera declaração da entidade contratada afirmando ser imune à tributação. Para gozar do benefício, as entidades abrangidas pelo instituto da imunidade necessitam de declaração fornecida pela Fazenda Pública.

4 Deve ficar claro que a norma constitucional cria a imunidade, e cada ente da federação, dentro de sua competência, a faz cumprir através de atos, sempre de forma declarativa. Na Prefeitura Municipal de Teresina tal documento é o Certificado ou declaração de isenção, não incidência ou imunidade tributária, que é emitido após a comprovação pelo requerente das condições de enquadramento legal, nos termos da Lei Complementar Nº 3.606, de 29 de dezembro de Dessa forma, cabe à UESPI, quando encontrar-se diante de casos em que haja enquadramento na lista de serviços (e sendo a contratada imune), solicitar da mesma o documento a fim de resguardar-se da responsabilidade quanto ao imposto sobre serviços de qualquer natureza ISSQN. A alegação que possui imunidade sem a devida apresentação do documento expedido pelo Fisco Municipal ocasiona inexatidão relativa a elementos que influenciam na base de cálculo do imposto. Saliente-se que, nesses casos em que poderiam ser tributados, mas que se encontram excluídos por força de regra constitucional, as obrigações acessórias permanecem, donde se conclui que a emissão do documento fiscal deve existir, mesmo que seja avulsa e não contenha o devido destaque do imposto. Assim respalda o art.168, 5º do Decreto municipal 7.232, de 15 de maio de 2007, que regulamenta a lei 3.606/2006. Art.168 A emissão de Nota Fiscal de Serviços Avulsa fica condicionada ao prévio recolhimento do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza-ISS, referente aos serviços constantes na referida nota fiscal. (...) 5º Poderá ser emitida Nota Fiscal de Serviços Avulsa, por solicitação de Pessoa Jurídica que goze de isenção ou imunidade, sem o prévio pagamento do imposto, com exceção do disposto no 2º do artigo anterior. No Recurso Especial REsp / RS, em recente julgamento no STJ, em abril deste ano, o voto do Relator Ministro Luiz Fux nos fundamenta

5 nesse sentido, embora tratando de outro imposto, quanto ao cumprimento de obrigações acessórias por entidades imunes: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. CDA. MULTA POR INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ENTREGA DE GIA. ICMS. EMPRESA ISENTA. LEGALIDADE DA MULTA. 1. O interesse público na arrecadação e na fiscalização tributária legitima o ente federado a instituir obrigações, aos contribuintes, que tenham por objeto prestações, positivas ou negativas, que visem guarnecer o fisco do maior número de informações possíveis acerca do universo das atividades desenvolvidas pelos sujeitos passivos (artigo 113, do CTN). 2. É cediço que, entre os deveres instrumentais ou formais, encontramse "o de escriturar livros, prestar informações, expedir notas fiscais, fazer declarações, promover levantamentos físicos, econômicos ou financeiros, manter dados e documentos à disposição das autoridades administrativas, aceitar a fiscalização periódica de suas atividades, tudo com o objetivo de propiciar ao ente que tributa a verificação do adequado cumprimento da obrigação tributária" (Paulo de Barros Carvalho, in "Curso de Direito Tributário", Ed. Saraiva, 16ª ed., 2004, págs. 288/289). 3. A relação jurídica tributária refere-se não só à obrigação tributária stricto sensu (obrigação tributária principal), como ao conjunto de deveres instrumentais (positivos ou negativos) que a viabilizam. 4. Os deveres instrumentais (obrigações acessórias) são autônomos em relação à regra matriz de incidência tributária, aos quais devem se submeter, até mesmo, as pessoas físicas ou jurídicas que gozem de imunidade ou outro benefício fiscal, ex vi dos artigos 175, parágrafo único, e 194, parágrafo único, do CTN ("Art Excluem o crédito tributário: (...) Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela conseqüente".; 3- CONCLUSÃO A UESPI não deve exigir da CNEC a emissão de nota fiscal de serviços no valor do aluguel mensal para fins de pagamento do valor contratual. A UESPI deve respaldar-se no instrumento contratual e em recibo da entidade CNEC para efetivar o pagamento dos valores mensais de locação do imóvel contratado. Nos casos em que a UESPI venha a contratar serviços previstos no rol taxativo do anexo da Lei Complementar municipal Nº 3.606, de 29 de dezembro de 2006, e sendo a entidade imune, deve a contratada fornecer a

6 nota fiscal, mesmo que seja emitida de forma avulsa na Prefeitura de Teresina, sem destaque no ISS. É o parecer, S.M.J.. Teresina, 8 de julho de 2009 Inácio Henrique Carvalho Auditor Governamental- OAB Pi Visto: De acordo: Maria Milde Miranda Lemos Gerente de Controle Interno Walter de Sousa Setúbal Diretor da Unidade de Auditoria

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