PROCESSO DE CRIAÇÃO E EXPANSÃO DA PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO-SENSU EM EDUCAÇÃO/EDUCAÇÃO ESPECIAL NO BRASIL

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1 PROCESSO DE CRIAÇÃO E EXPANSÃO DA PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO-SENSU EM EDUCAÇÃO/EDUCAÇÃO ESPECIAL NO BRASIL SILVA, Régis Henrique dos Reis - NUPEFI/CEPAE/UFG SILVA, Sarah Maria de Freitas Machado - ESEFEGO/UEG e PPGE/UFU RESUMO Este estudo tem como objeto de análise o processo de criação e desenvolvimento dos Programas de Mestrado e Doutorado em Educação/Educação Especial no Brasil. Primeiramente, analisamos o contexto de criação e de desenvolvimento dos Programas de Pós-graduação stricto-sensu no Brasil, especialmente da área de Educação/Educação Especial. Posteriormente, realizamos uma análise da distribuição geográfica do Sistema Nacional de Pós-graduação, e mais precisamente, dos Programas da área de Educação/Educação Especial, e finalmente, desenvolvemos um estudo sobre os objetivos, as áreas de concentração e/ou linhas de pesquisa e principais alterações curriculares dos Programas objeto de nossa análise. INTRODUÇÃO Este estudo tem como objeto de análise o processo de criação e desenvolvimento dos Programas de Mestrado e Doutorado em Educação/Educação Especial no Brasil. A partir do levantamento bibliográfico que realizamos, verificamos que apesar de encontrarmos pesquisas desenvolvidas, nos anos 70, relacionadas ao tema foi a partir dos anos 80 e 90 do século XX que elas se intensificaram, possibilitando assim o surgimento de preocupações específicas e discussões de questões ainda sem resposta, auxiliando assim o incremento dos cursos. No que diz respeito às pesquisas realizadas nos anos 70 e 80 destacamos os estudos de Gouveia (1971), Almeida (1972), Di Dio (1976), Cunha (1979), Goergen (1981), Sánchez Gamboa (1982 e 1987), Gatti (1983), Feldens (1983) e Córdova; Gusso e Luna (1986). A partir dos anos 90, dentre as pesquisas que se preocuparam com a PG stricto-sensu em Educação/Educação Especial, no País, citamos os estudos realizados por Warde (1990), Weber (1992), Costa (1994), Nunes; Ferreira e Mendes (1997 e 2003), Barros (1998), Sousa (1999), Lima (2003), Santos (2003), Bittar (2004), Pôrto Júnior (2004), Velloso (2004) e Silva (2006). A análise desses estudos possibilitou-nos visualizar que, embora ainda de modo incipiente, já existe há algum tempo interesse por parte dos pesquisadores da área, em sistematizar informações a respeito dos Programas de PG em Educação/Educação Especial, ora analisando a produção científica da área, ora apresentando aspectos relacionados às políticas de financiamento, à criação de novos cursos e às características dos Programas. Verificamos também a inexistência de trabalhos que se propuseram a analisar o processo de criação e desenvolvimento dos Programas de PG em Educação com área de concentração e/ou linha de pesquisa em Educação Especial, no cenário nacional.

2 2 Em virtude disso, nos propomos a desenvolver este estudo partindo da seguinte questão indagadora: Quais os limites e as possibilidades ocorridas no processo de criação e desenvolvimento dos Programas de Pós-graduação em Educação/Educação Especial? Para responder a esta questão formulamos os seguintes objetivos específicos: a) Analisar o contexto de criação e de desenvolvimento dos Programas de PG stricto-sensu no Brasil, especialmente o processo de implantação e desenvolvimento dos Programas de Mestrado e Doutorado em Educação/Educação Especial no Brasil; b) Analisar a distribuição geográfica do Sistema Nacional de Pós-Graduação (SNPG) e mais precisamente dos Programas de PG stricto-sensu em Educação/Educação Especial; c) Identificar, a partir do material bibliográfico-documental obtidos nos sítios dos próprios Programas de PG em Educação com área de concentração e/ou linha de pesquisa em Educação Especial, informações gerais a respeito das características internas desses Programas, tais como: objetivos, áreas de concentração e/ou linhas de pesquisa e principais alterações curriculares. Acreditamos que estudos como estes contribuem com as áreas de conhecimento, pois além de identificar as transformações, avanços e lacunas ainda enfrentadas pelos Programas de Mestrado e Doutorado, nos possibilitam fornecer um conhecimento sistematizado, continuado e atualizado sobre as características e tendências dos Programas de PG, as quais poderão ser úteis não só aos Programas e pesquisadores como também aos formuladores de políticas de financiamento de pesquisas e PG. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Este estudo caracteriza-se como do tipo bibliográfico-documental. As fontes utilizadas para coleta dos dados foram: estudos realizados sobre o contexto de criação e desenvolvimento dos Programas de PG, no Brasil, de uma forma geral e mais especificamente na área de Educação/Educação Especial; base de dados da Capes e das instituições que oferecem cursos de Mestrado e Doutorado em Educação/Educação Especial. As principais técnicas adotadas para coletar os dados foram os levantamentos bibliográfico e documental. As etapas para a coleta dos dados foram: a) Registro dos aspectos históricos relacionados aos Programas de Mestrado e Doutorado no Brasil; b) Consulta a estudos e a documentos sobre o contexto de criação e desenvolvimento dos Programas na área da Educação/Educação Especial, por meio das bases de dados das instituições; c) Pesquisa na base de dados da Capes para obtenção de estatísticas da PG no Brasil; d) Identificação de informações gerais a respeito das características internas dos PG em Educação com área de concentração e/ou linha de pesquisa em Educação Especial, tais como: objetivos, áreas de concentração e/ou linhas de pesquisa e principais alterações curriculares e e) Análise dos dados coletados. Para a análise das fontes bibliográficas e documentais elegemos as categorias da totalidade, do lógico e do histórico, da contradição, tendo em vista as articulações existentes entre elas. O processo de análise utilizado foi o hermenêutico-crítico, que consiste na abordagem crítica dos resultados obtidos pela análise interpretativa. RESULTADOS CONTEXTO DE CRIAÇÃO E DE DESENVOLVIMENTO DOS PROGRAMAS DE PÓS- GRADUAÇÃO STRICTO-SENSU NO BRASIL

3 3 De acordo com Silva (1997) já eram previstas e realizadas iniciativas para a criação da pósgraduação no Brasil desde 1931, com a Reforma Campos, mas somente no ano de 1965 o Governo Federal adotou medidas voltadas para a pós-graduação, tomando como referência o modelo de pós-graduação norte-americano. No período entre 1974 a 1989 foram criados três Planos Nacionais de pós-graduação visando aprimorar o sistema. Entretanto no período de 1990 a 2004 não houve planejamentos nacionais que norteassem oficialmente o desenvolvimento do setor, fato que voltou a ocorrer, a partir, de 2005 com o intitulado V Plano Nacional de Pós-Graduação relativo ao qüinqüênio A institucionalização e a expansão da pós-graduação no Brasil estiveram atreladas aos interesses governamentais e de setores sociais que buscavam o crescimento do modo de produção capitalista no Brasil. Hoje percebemos uma grande expansão de cursos de pósgraduação, fato este que pode ser explicado pelo aumento da quantidade de cursos de graduação, pela exigência do título stricto-sensu para o credenciamento de universidades e recomendação de novos programas. (SILVA, 1997 e KOKUBUN, 2003). DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DO SISTEMA NACIONAL DE PÓS- GRADUAÇÃO E MAIS PRECISAMENTE DOS PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO-SENSU EM EDUCAÇÃO/EDUCAÇÀO ESPECIAL No que diz respeito à distribuição geográfica do SNPG e dos Programas de Pós-graduação na área da Educação/Educação Especial os dados coletados nos permitem afirmar que há um desequilíbrio regional e intra-regional dos Programas de Pós-graduação no Brasil e que as dificuldades regionais para consolidação da pesquisa e da Pós-graduação obedecem a critérios perversos de financiamento (vinculado principalmente à avaliação da pósgraduação), cuja tendência é privilegiar os centros de excelência e os programas já consolidados, os quais se concentram, na grande maioria, na região Sudeste. A distribuição geográfica dos Programas revela a desigualdade da produção científica e tecnológica no Brasil no que se refere à localização dos Programas, havendo a preponderância da região Sudeste sob as demais regiões do Brasil. A região Sul, especialmente em relação ao número de cursos, discentes e docentes vinculados ao SNPG, ocupa uma posição intermediária. Mas, nota-se, nos vários aspectos apresentados, que a situação mais grave é enfrentada pelas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste.

4 4 3,50% 15,64% 6,33% 55,19% 19,34% FIGURA 1: Distribuição Geográfica do Sistema Nacional de Pós-Graduação. FONTE: CAPES/MEC (2004) PROCESSO DE IMPLANTAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DOS PROGRAMAS DE MESTRADO E DOUTORADO EM EDUCAÇÃO/EDUCAÇÀO ESPECIAL NO BRASIL No que se refere ao processo de implantação e desenvolvimento dos Programas de Mestrado e Doutorado em Educação/Educação Especial, o primeiro programa brasileiro a ter como área de estudo a Educação Especial foi o Programa de Pós-Graduação em Educação Especial da Universidade Federal de São Carlos (PPGEEs/UFSCar), que inclusive até 2007, configura-se como o único programa específico nessa área de conhecimento, no Brasil. O PPGEEs/UFSCar seguiu as orientações gerais dos cursos de nível congênere, tanto em termos de estruturas organizacionais, quanto no atrelamento às diretrizes políticas nacionais para o setor. (SILVA, 2006) Além do PPGEEs/UFSCar identificamos sete Programas de Pós-graduação em Educação com linhas de pesquisa em Educação Especial, a saber: 1) UFES [Linha de Pesquisa (LP)]: Diversidades e Práticas Educacionais Inclusivas) que estuda a teoria e a constituição de sujeitos imersos nas práticas educativas escolares e não escolares inclusivas, considerando diferentes concepções de aprendizado e desenvolvimento; 2) UERJ (LP: Educação Inclusiva e Processos Educacionais) esta linha foi criada como desdobramento da linha Educação Especial, tendo em vista as mudanças epistemológicas por que tem passado o campo do conhecimento; 3) UFSM (LP: Educação Especial) esta linha desenvolve estudos na perspectiva da transformação das instituições, tornando-as espaços abertos à diferença e à inclusão; 4) UFSC (LP: Educação e Processos Inclusivos), a linha discute os estudos e pesquisas sobre o ensinar e aprender em contextos formais e informais, envolvendo sujeitos com marcas sociais que tenham implicações em seus processos de formação educacional; 5)

5 5 USP (LP: Educação Especial) investiga questões pedagógicas, psicológicas, sociais, filosóficas e históricas presentes na organização e desenvolvimento da educação, do ensino, da aprendizagem e da reeducação de PNEs de ordem física, intelectual, sensorial; 6) UNESP/MAR (LP: Educação Especial no Brasil), cujo objetivo é o estudo das condições biomédicas, psicológicas e sociais de pessoas especiais, que freqüentam escolas no Brasil, recursos utilizados em seu ensino, em sua reabilitação e em sua integração e 7) UNIMEP (LP: Práticas Educativas e Processos de Interação), são investigadas as relações sociais na busca de compreensão das ações, concepções e discursos que constituem a atuação do educador e a experiência do educando, nos âmbitos da educação infantil, ensino fundamental e necessidades educativas especiais 1. Em relação aos principais objetivos dos Programas observamos que desde a sua criação até a presente data (2007) os objetivos inicialmente propostos continuam os mesmos: a formação em pesquisa, docência e a especialização para prestar serviços na área de Educação/Educação Especial. Portanto, os Programas de Pós-graduação brasileiros com área de concentração e/ou linha de pesquisa em Educação Especial, incorporaram muito bem o anseio preconizado na documentação referente à pós-graduação, na medida em que foram criados e desenvolveramse com o objetivo de formar docentes destinados ao ensino superior, bem como formar pesquisadores do mais alto nível para atuar no campo da Educação/Educação Especial. CONSIDERAÇOES FINAIS A distribuição geográfica dos Programas revela a desigualdade da produção científica e tecnológica no Brasil no que se refere à localização dos Programas e das linhas de pesquisa havendo a preponderância da região Sudeste sob as demais regiões do Brasil. Esta situação torna-se mais agravante quando analisamos a distribuição geográfica dos Programas de Pósgraduação em Educação/Educação Especial com área de concentração e/ou linha de pesquisa em Educação Especial, pois a região Sul é contemplada com dois programas (UFSM e UFSC) e a região Sudeste com seis programas (UFES, UERJ, UFSCar, USP, UNESP/MAR e Unimep) e nota-se, nos vários aspectos analisados, que a situação mais grave é enfrentada pelas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Apesar das inúmeras dificuldades e problemas identificados é importante reconhecer que o processo de criação e desenvolvimento da pós-graduação no Brasil, especialmente, na área de Educação/Educação Especial é dinâmico e expressa diferentes tipos de interesses e contradições, assim traz alguns avanços, como, por exemplo, o aumento no número: de Programas e conseqüentemente da produção científica; de doutores atuando nas universidades e centros de pesquisas; de artigos assinados por brasileiros em revistas internacionais indexadas; de menções aos trabalhos nacionais (citações); de Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa e etc. 1 Além desses oito Programas de PG em Educação Especial e Educação com linhas de pesquisa em Educação Especial, identificamos 15 cursos de mestrado e/ou doutorado em Educação que aceitam em suas linhas de pesquisa (p.ex, formação de professores, políticas públicas e etc.) alunos interessados em desenvolver dissertações e teses na área de Educação Especial.

6 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS KOKUBUN, E. Pós-graduação em educação física no Brasil: indicadores objetivos dos desafios e das perspectivas. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, Campinas, v. 24, n. 2, p. 9-26, jan SILVA, R.V. de S. e. Pesquisa em educação física: determinações históricas e implicações epistemológicas f. Tese (Doutorado em Educação) Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SILVA, R. H. dos R. Análise epistemológica das dissertações e teses defendidas no programa de pós-graduação em educação especial da UFSCar: p. (Dissertação em Educação Especial) Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2006.

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