Sumário. 3. Diversidade Sexual Ética, Moral, Valores e Postura Profissional... 19

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2 Formação Social Sumário 1. Relações de Gênero X Mercado de Trabalho Introdução aos Direitos Humanos Diversidade Sexual Relações Raciais no Mundo do Trabalho Ética, Moral, Valores e Postura Profissional Impacto da Tecnologia no Mercado de Trabalho e Direitos Trabalhistas Código de Defesa do Consumidor e Meio Ambiente Sustentabilidade e Processo Seletivo de Lixo Úmido e Seco Apresentação Pessoal e Atendimento ao Cliente Empreendedorismo Bibliografia

3 Formação Social 1. Relações de Gênero X Mercado de Trabalho 1.1 Categoria Gênero no Brasil No âmbito da História a produção historiográfica sobre as mulheres vem crescendo e pretende-se aqui pontuar brevemente algumas questões sobre esta produção. O estudo sobre as mulheres vem passando por transformações nos últimos tempos tendo em vista a incorporação da categoria gênero nesta área, bem como a indicação de que as mulheres assim como os homens foram sujeitos históricos de seu tempo. 1.2 Conceito de Gênero Vamos iniciar este estudo discorrendo sobre o conceito de gênero, cuja origem semântica está no vocábulo inglês gender, que significa conjunto de pessoas pertencentes a um ou a outro sexo. Gênero é um recurso utilizado para se referir à construção social desigual baseada na existência de hierarquia entre os sexos e as consequências que daí se origina. Essa diferença não é só conceitual, tem efeitos políticos, sociais e culturais. 1.3 O conceito de gênero passou por três etapas. a) Primeira etapa Caracterizada pela adoção do modelo unidimensional da determinação biológica, que prevaleceu até meados do século XX. De acordo com esse modelo, a natureza dos homens é diferente da natureza das mulheres, logo, a harmonia entre os distintos componentes do gênero, como traços de personalidade, atitudes, valores, preferências de comportamento, induz à conclusão de que o homem tem inclinações naturais para funções viris, e a mulher possui inclinações naturais para a esfera doméstica e privada, como evidencia a sua capacidade de ser mãe. Ocorre que a natureza não é a única responsável por esses componentes do gênero. 3

4 b) Segunda etapa Com início dos anos sessenta, o conceito de gênero passou a ser construído sob o modelo bidimensional, mostrando, com amparo na mensagem da liberação. As categorias tradicionais de masculino e feminino com sua qualidade oposta e mutuamente excludente. Não constituem algo imposto de modo arbitrário à pessoa humana, pois reduz o seu potencial. Afirma Foucault que a sexualidade, vista sob o prisma de categorias biológicas absolutas, visa não só evitar declarar a verdade, mas impedir que ela aflore. É sabido que a sexualidade se produz numa convergência crucial do fisiológico, do psicológico, do social, do econômico, do cultural e do estático, com forças políticas. c) Terceira etapa Inicio nos anos oitenta, conhecida como etapa da teoria do gênero, com a construção do modelo pluridimensional, mediante o qual o gênero conceitua-se não como uma propriedade simples dos indivíduos, mas como uma dinâmica integral das ordens sociais que produz, reproduz e legitima as escolhas e limites que se predicam nas categorias sexuais. Tem sido apontada como complicador na teoria do gênero a tese neoessencialista, segundo a qual a investigação científica vem apresentando determinantes biológicos das diferenças de atitude e comportamentos entre homens e mulheres, isto é, pode haver mais coisas no gênero do que, as que apresentam a sociedade. Por exemplo, as estatísticas dizem que as aptidões linguísticas da mulher situam em uma região mais frontal do que a do homem; o hipotálamo (que intervém no comportamento sexual) de um homem heterossexual sói ser maior que o de uma mulher ou de um homem homossexual; o corpus callosum que enlaça os dois hemisférios cerebrais sói ser mais largo nas mulheres, o que indica mais comunicação inter-hemisférica e possivelmente mais intuição, etc. Afirmam-se, ainda, com base em testes realizados, que as mulheres são superiores aos homens em testes verbais, e brilham nas tarefas motoras de precisão, o que as conduz a controlar com maior rapidez e exatidão a musculatura dos dedos e da mão, bem como de realizar melhor complicadas sequências de movimentos, o que poderia induzir à conclusão de que são mais hábeis para as tarefas manuais. Já os homens demonstram um talento superior para a orientação espacial, o que os ajusta na visualização mental de figuras tridimensionais e em habilidades motoras. 4

5 Conclui-se dizendo, com base na estrutura cerebral ou hormonal, que pelas diferenças entre os sexos aqui descritas não se pode inferir em que medida homens e mulheres se adequariam melhor a determinada profissão. São antes pontos fortes e pontos fracos de cada um que determinam o interesse em certas atividades. É de supor que alguém dotado de péssima capacidade de orientação espacial não queira ser piloto de avião, assim como alguém com baixo desempenho linguístico tampouco almejará o curso de letras, independentemente de seu sexo genético ou hormonal. Sustenta-se, ainda, que, se as consequências desses traços em matéria de conduta fossem reais, poderiam situar as diferenças de gênero numa perspectiva ligeiramente distinta. Entretanto, nenhum elemento neurobiológico poderá desmentir a evidência de que o gênero sofre uma influência significativa de natureza sociocultural. Assim, supondo-se que os elementos essencialistas sejam verdades científicas, é possível que não sirvam para muito mais do que desviar o debate de assuntos básicos que afetam hoje em dia a mulher. Isso porque a razão de ser da política social é criar um ambiente em que todas as pessoas possam elevar-se acima de suas características naturais. Além do mais, a biologia tem suas limitações. Outra argumentação é a de que as capacidades masculinas e femininas são diferentes. Esse fundamento desvaloriza o potencial das capacidades humanas, além de menosprezar a força da política socioeconômica para desenvolvê-las. No tocante às qualidades presumidamente naturais dos homens ou das mulheres, longe de serem incompatíveis, são indissociáveis, o que merece ser chamado humano. Outros autores têm sido mais felizes na construção do gênero, reconhecendo as implicações das diferenças físicas, biológicas e reprodutivas no seu conceito, sem, entretanto, arriscar-se a procurar as causas da segregação profissional entre os sexos, numa remota possibilidade neurobiológica na divisão entre inclinações e aptidões masculinas e femininas. Fato é que as mulheres não se encontram mais confinadas nos gineceus; penetra em um mundo edificado pelos homens, num momento histórico em que o fator biológico ainda era considerado essencial, daí a dificuldade de se aceitar a influência sociocultural na formação do gênero. 1.4 Conceito de Cidadania Evolução Efeitos na Relação de Trabalho Nesse contexto, como se processa a conquista da cidadania em face das relações de gênero? E qual a influência da cidadania e do gênero nas relações de trabalho? A palavra cidadania tem origem etimológica latina, está voltada para o termo civitas, que abrange, dentro de um conceito único, cidade, Estado e cidadão. Entre os romanos, cidadão era o homem livre. A cidade de Roma, segundo a tradição, foi fundada em 753 a.c. Suas instituições e formas de governo originais foram estabelecidas pelos etruscos, detentores do poder por longo período. Uma característica da cidadania legada pelos etruscos foi o relevante papel feminino na sociedade. Às mulheres era conferido o direito de participarem de banquetes, de assistirem aos espetáculos, e eram representadas na pintura e na escultura. Na época etrusca, as romanas não se confinavam nos gineceus, como ocorria com a mulher na Grécia Antiga. A sociedade grega, no período clássico, era vista como um 5

6 clube de homens. Não permitia o acesso da mulher ao saber, excetuando algumas cortesãs, como Aspásia, companheira de Péricles, cuja inteligência foi reconhecida por Sócrates. Modernamente, cidadania é um conceito que advém da Revolução Francesa de 1789 e designa o conjunto de membros da sociedade que têm direitos e decidem o destino do Estado (FUNARI, op. cit., p. 49). O fundamento essencial da cidadania é a liberdade, e o voto secreto vem sendo considerado pelo cristianismo como sua pedra de toque. Observa-se que, durante a Revolução Francesa, as mulheres combateram a tirania e lutaram pela liberdade. Por ocasião da Declaração dos Direitos do Homem, não faltou um projeto de Declaração dos Direitos da Mulher, sustentado por uma atriz francesa chamada Olympe de Gouges, cujo texto dispõe que: A mulher nasce livre e mantémse igual ao homem no direito. O princípio da soberania reside na nação, ou seja, na reunião dos homens e das mulheres. Todas as cidadãs e todos os cidadãos - iguais diante da lei - devem ser igualmente admitidos em todos os cargos, em todos os postos e empregos públicos, segundo a sua capacidade, sem outra distinção sem ser a sua virtude ou o seu talento. Conclui dizendo que se a mulher tem o direito de subir ao cadafalso, deve ter o direito de subir à tribuna. Em 3 de novembro de 1793, Olympe de Gouges foi guilhotinada, ficando proibidas as organizações de mulheres. As mulheres não obtiveram, com a Revolução Francesa, o reconhecimento de seus direitos, e a legislação civil e política subsequentes que predominaram na Europa reforçaram a ideia da inferioridade feminina. Para as mulheres não se estendeu o conteúdo do lema: liberdade, igualdade e fraternidade. Um pouco antes da Revolução Francesa, durante a Revolução Americana de 1776, em que o povo fundamentava seu desejo de independência nos princípios da cidadania, a sociedade americana estava longe de almejar os mesmos direitos a todos os seus componentes. Índios, escravos e mulheres continuavam sem direitos políticos e civis. Apenas em 1830, quando as mulheres americanas começaram a lutar pela abolição da escravidão, perceberam que a liberdade para escravos estava interligada com a questão da liberdade para as mulheres. 6

7 Observa-se, portanto, que, em muitos dos momentos históricos de ampliação de direitos, as mulheres não foram por eles abrangidas, o que contribuiu para retardar o seu direito à plena cidadania, cujo conceito sofreu modificações no curso da história. Vista popularmente, a cidadania se resume no direito de votar e ser votado e no dever de servir à pátria. Esse conceito sofre a influência do Direito Público clássico, que relacionava a cidadania com a questão da nacionalidade e dos direitos políticos dela advindos. Sucede que o conceito de cidadania tem se ampliado para abranger também os direitos civis, direitos sociais e econômicos. No contexto da Ciência Política, o conceito de cidadania abrange dois aspectos: 1º) Todo cidadão tem o direito de ser consultado sobre a direção da sociedade política e o dever de contribuir com algo para esse método de convivência em sociedade; 2º) Inversamente, o cidadão que tem o direito de ser consultado tem o dever de aceitar os resultados da consulta. A moderna cidadania não é encarada apenas como atributo inerente ao exercício dos direitos políticos, mas passa, a partir do exercício desses direitos, para os direitos sociais. Mesmo após a Revolução Americana e Francesa, as mulheres encontravam-se entre os desfavorecidos pela cidadania, pois não desfrutavam dos avanços legislativos, os quais, muitas vezes, sonegavam-lhes não só direitos políticos e civis, mas também o direito à educação. A conquista do direito ao voto, por exemplo, que é a pedra de toque da cidadania, foi obtido na década de 1930 pela mulher no Brasil, sendo que em alguns lugares suíços, essa conquista só ocorreu em Esse atraso na conquista da cidadania acarretará reflexos nas relações de emprego, inclusive em atividades eletivas. E assim, é que, no campo do trabalho, mormente das relações coletivas, registramos a oposição sindical à integração das mulheres nos seus quadros no início do século XX. Essa resistência está bem refletida na posição do Sindicato dos Tapeceiros e Trabalhadores da Indústria Têxtil de Kidderminster, na Grã-Bretanha, que permitiu o ingresso das mulheres nos seus quadros, mas estipulou no estatuto que um voto masculino equivalia a vinte e cinco votos femininos. Na maioria dos sindicatos, a mulher conta com uma representação inexpressiva nos seus quadros e nos órgãos de direção. Estudo minucioso realizado no Brasil, respectivamente, pela Comissão Nacional, Departamento Nacional e Secretaria Nacional da Mulher Trabalhadora da CUT, CGT e Força Sindical, e executado tecnicamente pelo DIEESE, constatou a ausência das 7

8 mulheres na organização de trabalhadores nos locais de trabalho, pequena participação nas atividades sindicais e, consequentemente, na direção dessas entidades. Foram apontadas, nesse estudo, como causas específicas desse fato as seguintes: a) O desproporcional lastro de responsabilidades familiares e encargos domésticos que recaem sobre os ombros da mulher, aliás, em todas as sociedades, privando-a de tempo para se prepararem para se dedicarem às atividades sindicais; b) Disputa por espaço político nos sindicatos; c) Inibição de sua participação pela família, principalmente maridos ou companheiros; Cultura machista nas organizações de trabalhadores nos locais de trabalho, em setores onde a presença de mulheres é escassa. Como efeitos dessa situação, as questões relativas ao cotidiano de trabalho das mulheres não encontram espaço adequado para manifestação, havendo dificuldade de ver e descobrir problemas específicos das mulheres nos locais de trabalho, em que se situam as questões do assédio moral e do assédio sexual, ao lado de situações mais antigas como a desigualdade de remuneração, de oportunidades e a ausência nos cargos de direção. A ausência da mulher nas assembleias sindicais permite que ali se negociem preceitos imperativos constantes de textos constitucionais, alterando redação mais favorável à empregada. Exemplo disso consiste na inserção em norma coletiva, por alguns sindicatos de empregados, de cláusula condicionando a licençamaternidade à comunicação prévia ao empregador sobre a gravidez da empregada. Ora, o texto da Constituição (art. 10, II, b, do ADCT) faz menção à confirmação, isto é, à ratificação, que não tem sentido de comunicar ou avisar, mas apenas de tornar uma coisa certa. 1.5 Direito do Trabalho Histórico Durante a Primeira Guerra Mundial o comércio internacional experimentou um amargo declínio o que fortaleceu o aumento das atividades industriais. Isso desencadeou também muitas greves no período de 1917 e Foi a partir desse período que começaram no país o debate sobre os problemas sociais e o que seria necessário para combatê-los. Os operários queriam melhorar as condições de vida, de trabalho e de salário e a classe empresarial queria garantir a continuidade do processo de produção e 8

9 acumulação de capital, por isso essa classe considerava até a possibilidade de fazer concessões aos operários. A partir daí que começaram a surgir leis protecionistas à classe trabalhadora. Nomenclatura Evolução da terminologia: Legislação Social Legislação industrial Direito do operário Direito corporativo Direito Social Direito do Trabalho e Direito Previdenciário Princípios (Fundamentos) Constituição Federal: art. 1º IV art.193 (primazia do trabalho humano) Princípio do valor social do trabalho. O art. 193 da Constituição Federal após dizer do primado do trabalho fala em Justiça Social que ontologicamente tem vários significados. Conceito Romano: Digesto Ulpiano escreveu o conceito: é a vontade constante e permanente de dar a, cada um, o que é seu. (Platão/Aristóteles/Sócrates criticaram dizendo que é um tipo de justiça conotativa em parte disseram que justiça é a redução de desigualdades entre os homens, portanto, o direito atua para reduzir e não fazer desaparecer as desigualdades). Para igualar o trabalhador ao patrão é preciso existir uma justiça para os hipossuficientes. Art.3º III - A justiça é o instrumento para reduzir as desigualdades sociais. Art.3º I - Solidária é uma solidariedade entre os membros de um grupo. Surgiu assim um MUTUALISMO cada um se cotizava para ajudar aquele que precisava. Isso nasceu no movimento operário. A Constituição diz que para que uma sociedade tenha justiça social ela deve ser solidária. Alguns dizem que a SOLIDARIEDADE é o primeiro princípio da Seguridade Social. 1.6 Relação de Trabalho e Relação de Emprego Relação de trabalho É gênero. É a relação existente entre qualquer tomador e prestador de serviço. Ex.: Tomador = empresa Prestador = Estagiário, autônomo, eventual, temporário Relação de emprego É espécie. Só existe quando ocorrer vínculo empregatício. Para ocorrer o vínculo empregatício é preciso existir: Pessoalidade Habitualidade Subordinação 9

10 Onerosidade Pessoalidade Caracteriza-se pelo fato do empregador não poder se fazer substituir por um terceiro. A relação é pessoal. a) Habitualidade Todo aquele que trabalha de maneira não eventual. Existe uma habitualidade. Há que se observar, porém, o período de tempo dessa habitualidade. Exemplo: Se o indivíduo trabalhou durante 10 anos de 15 em 15 dias será considerada a habitualidade. Se trabalhar só um mês de 15 em 15 dias, não há habitualidade. b) Subordinação Para a teoria jurídica subordinação significa que o empregado está hierarquicamente subordinado ao patrão, sendo que este é que assume os riscos do negócio e não o empregado. c) Onerosidade É preciso existir um pagamento em contrapartida aos serviços prestados na relação de emprego. Se for gratuito não é caracterizado o vínculo. O que caracteriza a onerosidade é o pacto de pagamento. d) Empregador É a pessoa física, jurídica ou pessoa moral (de fato), que: Assuma os riscos da atividade econômica, admita pessoal, pague salários, efetivamente comanda. É considerado para o direito do trabalho qualquer forma ou qualquer tipo de empresa que o empregador utilizar para formar o seu negócio. (art.2º da CLT). Observação: O juiz pode desconsiderar a personalidade jurídica com base na teoria da desconsideração da pessoa jurídica e atingir os bens dos sócios. Pessoas Jurídicas Direito Público Interno Externo Direito Privado, Sociedade Civil, Comercial, Associação e Fundação. Pessoas Físicas 10

11 2. Introdução aos Direitos Humanos Os antecedentes históricos dos Direitos Humanos remontam ao Iluminismo Europeu, movimento cultural e filosófico vigente nos séculos XVII e XVIII. Nesta época, Rousseau realizou estudos em sociedades primitivas e nelas redescobriu valores perdidos pela civilização ocidental, tais como liberdade, igualdade e fraternidade. O solo oferecido pelas ideias iluministas é fecundo, pois nele o Homem torna-se o centro das preocupações não mais o império do fanatismo e da fé religiosa, conceitos dominantes na era medieval, mas sim o da razão e o da Ciência. É neste contexto que nascem os direitos humanos. Alguns governos europeus, guiados por estas ideias, vão aos poucos eliminando a tortura e a pena de morte. A Revolução Francesa, ocorrida em 1789, é mais um passo decisivo na direção do estabelecimento de novos valores humanos, de uma sociedade inspirada por uma atmosfera de igualdade social. Sua famosa bandeira de luta é até hoje a que também os adeptos da luta pelos direitos humanos sustentam Liberdade, Igualdade e Fraternidade. O resultado essencial desta sublevação foi a instituição da Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão, promulgada pela Assembleia Nacional Constituinte Francesa, no dia 26 de agosto de Durante o século XIX, na esfera política, clama-se principalmente por igualdade. Enquanto os liberais encontram a solução desta questão no estabelecimento de direitos civis e políticos, os socialistas acalentam a utopia da igualdade socioeconômica. Neste sentido, no auge da Revolução Industrial europeia, que se baseiam sobre o abuso da mão de obra dos operários, as lutas pelos direitos humanos e pela melhoria das condições de trabalho estão profundamente conectadas. Assim seguem associadas, estas reivindicações, pois o aprimoramento das solicitações dos trabalhadores intensifica, por sua vez, o campo das demandas relativas aos direitos do Homem, que trazem em si o germe da justiça social. Isto apesar de os socialistas considerarem estes recursos, durante muito tempo, como algo que apenas mitiga as inúmeras carências dos oprimidos. Contraditoriamente, porém, nos países que conquistaram ao menos certo socialismo, são muitas as denúncias de violações dos direitos humanos, até mesmo dos mínimos direitos civis e políticos, que eles tanto defendiam anteriormente eleições gerais, a existência de vários partidos, uma imprensa livre, entre outros. Esta realidade demonstra o quanto é difícil definir os direitos humanos, uma vez que eles são dinâmicos e intrinsecamente ligados ao contexto histórico. Assim, eles estão constantemente adquirindo novos conteúdos, novas facetas, à medida que também vão surgindo diferentes necessidades. 11

12 A Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 é o primeiro documento a fixar internacionalmente uma relação de direitos pertencentes tanto a homens quanto a mulheres, independente de classe social, raça ou faixa etária. É um passo fundamental para a Humanidade que governos de toda parte do Planeta, pelo menos na teoria, se comprometam a defender estes direitos. Antes dela, a Constituição Mexicana de 1917 era considerada a mais atualizada em termos de direitos sociais. Infelizmente, apesar de todos os avanços, têm sido constantes as violações aos direitos humanos, as denúncias não cessam de brotar aqui e ali, por toda parte em regimes de esquerda e de direita, e mais recentemente no Governo Bush, nos Estados Unidos, em nome da luta contra o terrorismo. Os direitos humanos podem ser resumidos de uma forma bem simples direitos à vida, à integridade física e moral, à igualdade, à liberdade de pensamento, de expressão, de reunião, de associação, de manifestação, de culto, de orientação sexual, à felicidade, ao devido processo legal, à objeção de consciência, à saúde, educação, habitação, lazer, cultura e esporte, trabalhistas, ao meio ambiente, do consumidor, a não ser vítima de manipulação genética. 12

13 3. Diversidade sexual A expressão diversidade sexual só pode ser analisada se for possível compreender e aceitar que a Humanidade pode apresentar similaridades biológicas, mas no que tange às convenções sociais adotadas por cada comunidade de indivíduos, as diferenças podem ser gritantes. Isso porque a estruturação de cada organização social passa pela elaboração de fundamentos, normas e sistemas a ela inerentes, os quais se distinguem dos criados por outros grupos. Este conceito define as diversas faces assumidas pela esfera sexual humana. Quando se leva em conta o grau de complexidade da interação social, das diferenças culturais, dos idiomas e hábitos distintos, entre outros elementos que conferem identidade às diferentes sociedades, é mais fácil compreender a diversidade sexual. Esta diversidade não se limita apenas ao exercício do sexo, mas igualmente a tudo que configura a sexualidade as experiências de vida, os costumes assimilados ao longo da existência, as emoções, os apetites, o modo de agir e a forma como as pessoas se veem e são vistas pelos outros. Engloba a multiplicidade de expressões, práxis, experiências, aspirações, identidades e atuações que divergem dos moldes convencionais, adotados pelos heterossexuais, completamente aceitos e assimilados pela sociedade. Os demais gêneros, considerados socialmente transviados gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transgêneros, entre outros. Encontram geralmente sua forma de expressão na militância cultural e artística. Como bares, boates e eventos como passeatas e Festivais que abordam a Diversidade Sexual. Nestes eventos e encontros focados para as questões ligadas a estas identidades sexuais. A existência de sexualidades heterodoxas não é uma marca do mundo contemporâneo. Desde tempos ancestrais pessoas do mesmo sexo se atraem; na antiga Grécia, era habitual o relacionamento entre homens, pois era um hábito cultural jovem passarem uma fração de sua existência ao lado de um filósofo mais velho, que lhes transmitiria suas experiências não só na esfera filosófica, mas também a arte dos 13

14 combates e do amor. Nesta época não havia preconceito com relação a esta modalidade de interação sexual, pois esta espécie de união era comum, e até mesmo estimulada pelas convenções desta civilização. A homofobia é proibida por leis no Brasil, que através de artigos contidos na Constituição de 1988 protegem as minorias sexuais deste país. Há também um projeto que pretende adicionar o termo orientação sexual no artigo que rege esta questão, para que o preconceito seja completamente erradicado. O Estatuto da Criança e do Adolescente também defende os infantes desta espécie de discriminação. 14

15 As punições contra este assédio vão desde o mero aviso, até a negação da permissão para que a instituição preconceituosa continue atuando, passando pela aplicação de multas ao mesmo. Casais de homossexuais já começam a conquistar o direito de adotar crianças, e a Previdência dá os primeiros passos na direção da concessão de benefícios aos parceiros homossexuais de segurados do INSS e até outros direitos como o casamento entre os parceiros. 15

16 4. Relações Raciais no Mundo do Trabalho Catequeses do medo Num buraco negro No fim do terceiro mundo Um sorriso assustado Uma mãe desesperada Um pai mal pago operário e mudo Catequeses do Medo. Letra e Música: Marcelo Yuka. O Rappa Falar sobre o mercado de trabalho no Brasil, a partir da Segunda metade do século XIX, é antes de tudo nos reportarmos ao longo processo de constituição da ideologia racial implementado por intelectuais e pelas classes dominantes a partir da Segunda metade do século XIX. Isso significa que, esgotada a possibilidade de continuar com o trabalho escravo, tratava-se de branquear o país visando o advento de uma sociedade nos moldes ocidentais. Aqui, civilização era tomada como sinônimo de branco e europeu. Evidenciado através da intervenção do Estado no sentido de financiar a importação de mão de obra da Europa para trabalhar nos cafezais e na nascente indústria no Sudeste, especialmente em São Paulo. A marginalização dos negros ocorre dentro de um contexto histórico, processo de abolição da escravidão e formação econômica moderna, onde a estrutura de classes da sociedade nacional está se constituindo e como consequência terá o posicionamento desfavorável dos negros, devido à forma de inserção desigual na estrutura de classes, no que se refere à renda, escolaridade e ocupação. Em outros termos, poderíamos dizer que o Estado a partir da segunda metade do século XIX, pós 1850, e, principalmente, início do século XX, até meados dos anos 40, foi o veículo primordial da formação de um mercado de trabalho fundado na exclusão dos negros e descendentes. Esse mercado de trabalho, estruturado de cima para baixo pelo poder estatal, privilegiava os indivíduos brancos e dificultava o acesso de outros grupos raciais tendo em vista a crença, então em voga por aqui, a respeito da superioridade dos brancos. Essa ideologia racial irá, evidentemente, dificultar a inserção dos negros no nascente mercado de trabalho tendo em vista sua suposta inferioridade e a discriminação racial será, então, uma das marcas visíveis que o negro encontrará na busca por trabalho. 16

17 Nesse sentido, uma das características marcantes do mercado de trabalho brasileiro até hoje é a desigualdade de oportunidades entre os grupos raciais. As estatísticas revelam um quadro aterrador acerca da maneira como brancos e negros estão distribuídos na estrutura ocupacional. Podemos, com certeza, afirmar a existência de uma reserva de mercado em determinadas profissões que privilegia alguns indivíduos em função da cor da pele. Ë o que podemos constatar em amplos setores profissionais na sociedade capitalista brasileira. Enquanto algumas ocupações são deliberadamente preenchidas por brancos, onde estão situados os maiores rendimentos e as melhores oportunidades, outras abrigam aqueles indivíduos com menores possibilidades escolares e profissionais, como é o caso dos negros, auferindo rendimentos inferiores. Estas desigualdades, que se prolongam até o trabalho, estão presentes no interior do processo educacional e observamos isto na baixa escolaridade alcançada por negros em comparação com os brancos; basta conferirmos as estatísticas atuais da FIBGE, Ipea/Ministério do Trabalho ou do Ministério da Educação. De acordo com os dados do Provão/ Inep/Mec, dos formandos que fizeram o provão em 2000 nos cursos de Administração, Direito, Medicina Veterinária, Odontologia, Medicina, Jornalismo e Psicologia, dentre outros, mais de 80% é constituído por brancos (respectivamente, 83,3%, 84,1%, 84,9%, 85,8%, 81,6%, 81,5% e 83,3%). Por sua vez, para os mesmos cursos, os negros aparecem nos seguintes percentuais: 1,6%, 2,0%, 1,1%, 0,7%, 1,0%, 2,9% e 1,6%. Esta pesquisa revela, também, a baixa frequência dos negros nas universidades brasileiras. Enquanto 80% dos universitários são brancos, somente 2,2% são negros. ( Provão revela barreira racial no ensino. Folha de São Paulo, Cotidiano. 14/01/2001) A partir das Universidades podemos ter uma visão perfeita de como estará constituído o mercado de trabalho em algumas profissões. Este funcionará como um espaço de segregação racial uma vez que, concluir o curso superior significará melhores oportunidades de trabalho para brancos, o que nos leva a suspeitar que o Estado através de políticas públicas, notadamente educacionais, alimenta este processo. Em outros termos, existe uma preferência por parte dos empresários capitalistas em um tipo de profissional onde o quesito cor é bem significativo. Isto terá efeitos consideráveis quanto aos rendimentos de brancos e negros. Assim, podemos relacionar educação, trabalho e renda e teremos uma dimensão exata da forma como está organizada a estrutura ocupacional no Brasil, observando a influência recíproca entre esses fatores que tem sua base na inserção do negro na estrutura de classes da sociedade brasileira. Acrescentando a isto a questão da discriminação e da ideologia raciais. As consequências de tudo isso são bem conhecidas: miséria, favelas, violência, perseguição policial como marcas que registram os estereótipos e preconceitos. Segundo a Folha de São Paulo, no Rio de Janeiro, 70,2% dos mortos são de cor preta ou parda; brancos somam 29,8% das vítimas, o que leva a conclusão que a polícia do Rio mata mais negros e pardos. (Folha de São Paulo. Cotidiano. 15/05/2000). Práticas discriminatórias presentes no cotidiano indicam a permanência do racismo. A sociedade brasileira preserva profundas desigualdades raciais, de rendimentos, educacionais e ocupacionais. 17

18 O racismo, a discriminação racial tem seus efeitos sobre homens e mulheres negras, sendo que estas sofrem duplamente o preconceito e a discriminação raciais, que procuram caminhos para burlar as portas fechadas no mercado de trabalho. A forma como isso ocorre pode ser notada na crescente formação de grupos antirracistas e pela valorização da cultura negra, bem como pelo surgimento de movimentos negros voltados para a tentativa de exigir do Estado determinadas políticas públicas que venham a beneficiar as populações historicamente discriminadas. O desafio é ultrapassar, através de profundas mudanças culturais e sociais, o preconceito, a discriminação e o racismo. No entanto para que isso ocorra é fundamental tomarmos consciência das marcas impressas pelo racismo: 1) Baixa estima 2) Medo 3) Insegurança 4) Desconfiança 5) Temor. Só assim podemos exterminá-lo. 18

19 5. Ética, moral, valores e postura profissional 5.1 Ética Qual o significado da palavra ética? Segundo o dicionário Aurélio ético significa estudo dos juízos de apreciação referente à conduta humana suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente a determinada sociedade, seja de modo absoluto. Como a ética deve ser entendida? Deve ser entendida como um conjunto de princípios básicos que visam disciplinar e regular os costumes, a moral e a conduta das pessoas. O que é ética profissional? É o conjunto de princípios morais que se deve seguir no exercício de uma profissão. Elementos da Ética Confidencialidade É a capacidade de identificar informações sigilosas e mantê-las em segredo para o bem comum do trabalho e da organização. Sigilo É a capacidade de guardar informações importantes, sejam pessoais e/ou profissionais. Mantenha discrição sempre em relação a assuntos que não lhe dizem respeito, não fazendo perguntas e comentários desnecessários. Honestidade É a capacidade de mostrar a sinceridade, a confiança e a decência. É ter responsabilidade, visando o compromisso em seu ambiente de trabalho. Princípios Éticos Seja educado e cortês com todos os funcionários da empresa. Não utilize recursos da empresa para benefício próprio. Seja discreto no exercício de sua profissão. Siga as normas administrativas. Seja respeitoso com seus superiores hierárquicos e colegas de trabalho. Se vista de forma adequada ao ambiente de trabalho. Não utilize tráfico de influência para conseguir a benevolência (boa vontade) do chefe. Não seja egoísta na transmissão de experiências e conhecimentos aos colegas de trabalho. Não se oponha a colaborar com determinado trabalho que lhe seja solicitado. 19

20 Não se utilize de informações e influências privilegiadas para conseguir vantagens pessoais. Não estimule a discórdia no ambiente de trabalho. Ao usar uniforme não modifique o modelo original. Lembre-se No ambiente de trabalho é importante que o profissional desenvolva uma conduta que tenha como objetivo a correta realização de suas ações. Ética é o nome dado ao ramo da filosofia dedicado aos assuntos morais. A palavra ética é derivada do grego, e significa aquilo que pertence ao caráter. Ética é diferente de moral, pois moral se fundamenta na obediência a normas, costumes ou mandamentos culturais, hierárquicos ou religiosos e a ética, busca fundamentar o modo de viver pelo pensamento humano. Na filosofia, a ética não se resume à moral, que geralmente é entendida como costume, ou hábito, mas busca a fundamentação teórica para encontrar o melhor modo de viver; a busca do melhor estilo de vida. A ética abrange diversos campos, como antropologia, psicologia, sociologia, economia, pedagogia, política, e até mesmo educação física e dietética. Num sentido menos filosófico e mais prático podemos compreender um pouco melhor esse conceito examinando certas condutas do nosso dia a dia, quando nos referimos, ao comportamento de alguns profissionais tais como: um médico, jornalista, advogado, empresário, um político e até mesmo um professor. Para estes casos, é bastante comum ouvir expressões como: ética médica, ética jornalística, ética empresarial e ética pública. A ética pode ser confundida com lei, embora que, com certa frequência a lei tenha como base princípios da ética. Porém, diferente da lei, nenhum indivíduo pode ser compelido, pelo Estado ou por outros indivíduos a cumprir as normas éticas, nem sofrer qualquer sanção pela desobediência a estas; mas a lei pode ser omissa quanto a questões abrangidas pela ética. 5.2 Moral Moral é o conjunto de regras adquiridas através da cultura, da educação, da tradição e do cotidiano, e que orientam o comportamento humano dentro de uma sociedade. O termo tem origem no Latim morales cujo significado é relativo aos costumes. As regras definidas pela moral regulam o modo de agir das pessoas. Está associada aos valores e convenções estabelecidos coletivamente por cada cultura ou por cada 20

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