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1 Um tumor é uma massa anormal em qualquer parte do corpo. Ainda que tecnicamente ele possa ser um foco de infecção (um abcesso) ou de inflamação; o termo habitualmente significa um novo crescimento anormal (neoplasia) que pode ser maligno (canceroso) ou benigno (não canceroso). Na maioria das partes do corpo, um tumor benigno causa poucos ou nenhum problema, mas qualquer crescimento anormal no cérebro pode causar danos consideráveis. Os tumores podem lesar o cérebro de duas formas. Um tumor em desenvolvimento pode destruir diretamente o tecido ou, pelo fato do crânio ser duro e o seu conteúdo não poder se expandir, a pressão da massa tumoral pode lesar determinadas áreas distantes da mesma. Os tumores localizados na medula espinhal também podem causar lesões devido à pressão exercida sobre zonas cruciais do tecido nervoso. Os neurofibromas, que são tumores moles de tecido nervoso anormal, podem lesar nervos periféricos (aqueles localizados fora do cérebro e da medula espinhal) e também raízes nervosas que emergem da medula espinhal. Finalmente, outros cânceres localizados em qualquer parte do corpo podem afetar o sistema nervoso, acarretando o desenvolvimento de síndromes paraneoplásicas TUMORES CEREBRAL Um tumor cerebral benigno é uma massa de tecido cerebral anormal, mas não canceroso. Um tumor cerebral maligno é qualquer câncer do cérebro que pode invadir e destruir tecidos vizinhos ou que se disseminou (produziu metástase) para o cérebro e é originário de qualquer outra parte do corpo através da corrente sangüínea. Vários tipos de tumores benignos podem crescer no cérebro. Eles são denominados de acordo com as células ou tecidos específicos que lhes deram origem: os schwannomas originam-se das células de Schwann que envolvem os nervos; os ependimomas são originários de células que revestem a superfície interior do cérebro; os meningiomas são originários das meninges, o tecido que reveste a superfície exterior do cérebro; os adenomas são originários de células glandulares; os osteomas, de estruturas ósseas do crânio; e os hemangioblastomas, dos vasos sangüíneos. Certos tumores cerebrais benignos (p.ex., craniofaringiomas, cordomas, germinomas, teratomas, cistos dermóides e angiomas) podem inclusive estar presente no momento do nascimento.

2 Esses tumores ocorrem mais freqüentemente em mulheres e quase sempre surgem entre os quarenta e sessenta anos de idade, mas também podem começar a se desenvolver na infância ou mais tarde. Os sintomas e os perigos inerentes a esses tumores dependem do seu tamanho, da rapidez de seu crescimento e de sua localização no cérebro. Se eles crescerem muito, podem causar uma deterioração mental semelhante à demência. Os tumores cerebrais malignos mais comuns são as metástases de um câncer originado em outra parte do corpo. Os cânceres da mama e do pulmão, o melanoma maligno e os cânceres de células sangüíneas (p.ex., leucemia e linfoma) podem disseminar-se para o cérebro. As metástases podem desenvolver-se em uma única área do cérebro ou em várias partes diferentes. Os tumores cerebrais primários originam-se no interior do cérebro. Mais freqüentemente, são gliomas, os quais desenvolvem-se a partir de tecidos que circundam e dão sustentação às células nervosas. Vários tipos de glioma são malignos e o glioblastoma multiforme é o tipo mais comum. Outros tipos incluem o astrocitoma anaplásico de crescimento rápido, o astrocitoma de crescimento lento e os oligodendrogliomas. Os meduloblastomas, mais raros, geralmente afetam crianças antes da puberdade. Os sarcomas e os adenocarcinomas são cânceres mais raros que se desenvolvem a partir de estruturas não nervosas. Os tumores cerebrais ocorrem com igual freqüência em homens e mulheres, mas alguns tipos são mais comuns em homens e outros, mais freqüentes em mulheres. Por razões desconhecidas, os linfomas do cérebro têm ocorrido com maior freqüência, sobretudo em pessoas com AIDS. SINTOMAS Os sintomas aparecem quando o tecido cerebral é destruído ou quando a pressão sobre o cérebro aumenta. Essas circunstâncias podem ocorrer quer o tumor seja benigno ou maligno. No entanto, quando o tumor cerebral é uma metástase de um câncer distante, o indivíduo também pode apresentar sintomas relacionados a esse câncer. Por exemplo, o câncer pulmonar quase sempre produz tosse com expectoração sanguinolenta ou o câncer de mama pode produzir um nódulo mamário. Os sintomas de um tumor cerebral dependem de seu tamanho, da velocidade de seu crescimento e de sua localização. Os tumores localizados em determinadas partes do cérebro

3 podem desenvolver-se até atingirem um tamanho considerável antes dos sintomas se manifestarem. Por outro lado, em outras partes do cérebro, mesmo um tumor pequeno pode produzir efeitos devastadores. A cefaléia é freqüentemente o primeiro sintoma, apesar da maioria das cefaléias ser devida a outras causas que não um tumor cerebral. A cefaléia causada por um tumor cerebral em geral recorre freqüentemente ou é sentida constantemente, sem alívio, é freqüentemente intensa, pode aparecer em alguém que não sofria de dor de cabeça anteriormente, ocorre à noite e já está presente ao despertar. Outros sintomas iniciais e comuns de um tumor cerebral são a falta de equilíbrio e de coordenação, tontura e visão dupla. Os sintomas mais tardios incluem a náusea e o vômito, febre intermitente e freqüência respiratória e de pulso ageralmente elevadas ou baixas. Pouco antes de falecer, o indivíduo pode apresentar oscilações acentuadas da pressão arterial. Alguns tumores cerebrais causam convulsões. Estas são mais comuns com os tumores cerebrais benignos, meningiomas e cânceres de crescimento lento (p.ex., astrocitomas) do que com os cânceres de crescimento rápido (p.ex., glioblastoma multiforme). Um tumor pode causar fraqueza ou paralisia de um membro superior ou inferior ou de um lado do corpo e pode afetar sensibilidade ao calor, ao frio, à pressão, a um contato leve ou à picada de um objeto pontiagudo. Ele também pode afetar a audição, a visão e a olfato. A pressão sobre o cérebro pode causar alterações da personalidade e pode fazer com que o indivíduo torne-se sonolento, confuso e incapaz de pensar. Esses sintomas são extremamente graves e exigem atenção médica imediata. O médico suspeita de um tumor cerebral quando o paciente apresenta qualquer um dos sintomas característicos. Apesar do médico poder freqüentemente detectar uma disfunção cerebral através do exame físico, outros procedimentos são realizados para a confirmação do diagnóstico. Radiografias simples do crânio e do cérebro são de pouca utilidade no diagnóstico de tumores cerebrais (com a ocasional exceção de um meningioma ou de um adenoma hipofisário). Todos os tipos de tumores cerebrais são evidenciados em uma tomografia computadorizada (TC) ou em uma ressonância magnética (RM), as quais podem medir o tamanho do tumor e a sua localização exata. Quando um tumor cerebral aparece em uma TC ou em uma RM, são realizados exames complementares para se determinar o seu tipo exato. Os tumores hipofisários geralmente são descobertos quando eles comprimem os nervos da visão.

4 DIAGNÓSTICO Exames de sangue revelam níveis anormais dos hormônios hipofisários e o tumor comumente pode ser diagnosticado com o auxílio de uma TC ou de uma RM. Alguns tipos de tumores também produzem níveis anormais de hormônios no sangue, apesar da maioria não fazê-lo. Para se determinar o tipo de tumor e se ele é maligno ou não, deve ser realizada uma biópsia (uma amostra é removida e examinada ao microscópio). Algumas vezes, o exame microscópico do líquido cefalorraquidiano, obtido através de uma punção lombar, revela a presença de células cancerosas. Se existirem evidências de aumento da pressão intracraniana, a punção lombar não pode ser realizada, pois a súbita mudança de pressão poderia causar uma herniação, uma das complicações mais perigosas de um tumor cerebral. Na herniação, o aumento da pressão intracraniana força o tecido cerebral para baixo através da estreita abertura na base do crânio, comprimindo dessa maneira a parte inferior do cérebro (tronco encefálico). Como resultado, ocorre a desestabilização das funções críticas controladas pelo tronco encefálico (respiração, freqüência cardíaca e pressão arterial). Sem um diagnóstico e um tratamento rápidos, a herniação pode levar ao coma e à morte. Geralmente, uma biópsia pode ser realizada durante a cirurgia, na qual é realizada a remoção total ou parcial do tumor. Algumas vezes, os tumores localizados em partes profundas do cérebro são inacessíveis e não podem ser abordados com segurança e diretamente. Nestes casos, pode ser realizada uma biópsia com agulha guiada por uma técnica de orientação tridimensional. Trata-se de uma técnica através da qual a agulha é guiada até o tumor com o auxílio de um equipamento de visualização especial. Células tumorais são extraídas por aspiração. TRATAMENTO O tratamento de um tumor cerebral depende de sua localização e de seu tipo. Quando possível, ele é removido cirurgicamente. Muitos tumores cerebrais podem ser removidos sem causar lesão ou causando pouca lesão cerebral. No entanto, alguns desenvolvem-se em uma área que torna a sua remoção difícil ou impossível sem que estruturas essenciais sejam destruídas.

5 Algumas vezes, a cirurgia causa uma lesão cerebral que pode acarretar paralisia parcial, alterações da sensibilidade, fraqueza e déficit intelectual. Apesar disso, a remoção de um tumor é essencial quando ele ameaça estruturas cerebrais importantes. Mesmo quando a remoção cirúrgica não consegue curar o câncer, a cirurgia pode ser útil para reduzir o volume do tumor, aliviar os sintomas e ajudar o médico a determinar o tipo específico do tumor e se outros tratamentos, como a radioterapia, são justificáveis.

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