CAPÍTULO 7 As revoluções inglesas, 105 CAPÍTULO 8 O iluminismo e a construção de novos paradigmas, 115 CAPÍTULO 9 A Revolução Industrial, 134

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1 CAPÍTULO 7 As revoluções inglesas, 105 CAPÍTULO 8 O iluminismo e a construção de novos paradigmas, 115 CAPÍTULO 9 A Revolução Industrial, 134 CAPÍTULO 10 A Independência dos EUA, 149 CAPÍTULO 11 A Revolução Francesa, 164 CAPÍTULO 12 A Era Napoleônica e o Congresso de Viena, 188 A Liberdade conduzindo o povo, Eugène Delacroix. 104 A imagem de abertura desta unidade é uma reprodução da obra Liberdade conduzindo o povo, do pintor francês Eugène Delacroix ( ). A tela foi feita em 1830, durante as convulsões revolucionárias liberais na França, que instaurou a Segunda República. Entretanto, as referências políticas e culturais presentes neste quadro ainda refletem o denso impacto da Revolução Francesa.

2 As revoluções Inglesas As Revoluções ocorridas na Inglaterra no século XVII são consideradas pelos historiadores como um marco no continente europeu. Isso porque, entre os anos de 1640 e 1688, a burguesia aliada à pequena nobreza assumiu o governo e lançou os pilares para a formação de uma nova ordem, expressa na consolidação do regime parlamentarista. Esse processo revolucionário teve grandes proporções, desde a Revolução Inglesa ou Puritana ( ) até a culminância na chamada Revolução Gloriosa (1688). O primeiro evento foi responsável pela queda e execução do monarca Carlos I e a implantação da República de Cromwell. Já o segundo completou o período revolucionário coordenado pela burguesia. As transformações geradas por ambos os movimentos foram determinantes para a desestruturação e superação da produção feudal, do Antigo Regime e de suas respectivas instituições. Essas modificações possibilitaram a ascensão da burguesia e o desenvolvimento do capitalismo na Inglaterra. Príncipe William e Kate Middleton cercados por crianças. A cerimônia de casamento do sucessor do trono real inglês ocorreu em abril de 2011 e provocou grande repercussão na imprensa internacional. A monarquia parlamentarista foi estabelecida na Inglaterra após as convulsões revolucionárias, que teve a culminância na Revolução Gloriosa. Muitos historiadores afirmam que o processo revolucionário do século XVII criou condições bastante favoráveis para a eclosão da Revolução Industrial (XVIII), uma vez que eliminou os entraves que serviam como empecilhos para o fortalecimento da produção capitalista. Além disso, houve uma intensa liberação de camponeses para os grandes centros urbanos, enfraquecendo, assim, as tradicionais corporações e seus domínios e gerando as precondições para a Revolução Industrial. Para o historiador Eric Hobsbawn: Havia assim um conflito latente, que logo se tornaria aberto entre as forças da velha e da nova sociedade burguesa, que não podia ser resolvido dentro da estrutura do regime político existente. HOBSBAWN, Eric J. A Era das Revoluções: ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, p

3 Para compreender o pioneirismo inglês no processo de industrialização torna-se fundamental analisar as Revoluções Inglesas do século XVII, que geraram condições favoráveis tanto nos aspectos políticos quantos nos econômicos no desenvolvimento e amadurecimento do pensamento liberal burguês. Ao acabar com o absolutismo monárquico e estabelecer um governo liberal, o processo revolucionário do século XVII lançaram criaram elementos essenciais para aperfeiçoamento e consolidação das atividades produtivas industriais. A Inglaterra às vésperas da revolução Após a morte da rainha Elizabeth I, em 1603, a Inglaterra vivencia uma crise sucessória, uma vez que não foi deixado herdeiros diretos. Dessa forma, o governo inglês foi repassado para Jaime Stuart, primo de Elizabeth. Jaime era defensor da teoria do direito divino dos monarcas e das ideias anglicanas do poder dividido entre os governantes e os bispos. O governo de Jaime recebeu pouco apoio político dos ingleses. A relação entre Jaime e os seus súditos tornaram-se mais tensas, quando o rei, por volta de 1610, impôs medidas bastante restritivas, entre elas, o monopólio das indústrias têxteis. Com o falecimento de Jaime I em 1625, assume o trono, o seu filho Carlos Stuart que passa a governar a Inglaterra e a Escócia. Ao assumir o cargo, ele foi obrigado a assinar a Petição de Direitos, documento que proibia o monarca de convocar o exército e implantar medidas econômicas sem a anuência prévia do Parlamento. Carlos I, entretanto, desrespeitou tais restrições, agindo de maneira autoritária, principalmente, nos âmbitos religiosos e econômicos. Um dessas ações abusivas ocorreu quando o monarca tentou impor o anglicanismo aos escoceses, que eram em sua maior parte adeptos do presbiterianismo. Essa medida contribuiu para o acirramento entre escoceses e ingleses. Em 1634, Carlos I implantou uma antiga cobrança de impostos, conhecida como Ship Money. Esse tributo, já em desuso, foi estendido para todo o reino, sendo cobrado nas cidades portuárias e nas regiões litorâneas. Os conflitos religiosos e os problemas econômicos acabaram proporcionando uma crise política. Nessa perspectiva, o rei vivia um momento difícil. Para piorar a situação de Carlos I, os representantes do povo reivindicavam reformas e passaram a fazer uma oposição organizada e sistemática contra às medidas reais. O ponto máximo dessa crise, ocorreu quando os parlamentares exigiram que o rei cumprisse a lei que não permitia a dissolução do legislativo e que previa reuniões da assembleia no mínimo uma vez cada triênio. Porém, Carlos I rejeitou tais pedidos, agindo de maneira enérgica e mandando prender os principais líderes que lhe faziam oposição. Essas atitudes precipitadas provocaram uma prolongada guerra civil, entre 1640 e Carlos I recebeu apoio dos lordes e segmentos da nobreza. Em contrapartida, os grupos dos populares foram representados pela Câmara dos Comuns. O Parlamento inglês compunha-se de duas câmaras: a Câmara dos Lordes e a Câmara dos Comuns. As cadeias da Câmara dos Lordes eram ocupadas pelos Lordes Espirituais, isto é, pela cúpula do clero anglicano, e pelos Lordes Temporais. Esses nobres titulados (duques, barões, condes e outros) pertenciam às grandes famílias aristocráticas e herdavam seus lugares na assembleia, juntamente com enormes extensões de terras. Constituíam o grupo mais rico e poderoso da Inglaterra, pois detinham boa parte das propriedades rurais e, com elas, uma parcela essencial do poder: o monopólio da administração, funções de polícia e de justiça. BRAICK, Patrícia Ramos; MOTA, Myriam Becho. História: das cavernas ao terceiro milênio. Volume único. 3 ª ed. reform. e atual. São Paulo: Moderna, As etapas do processo revolucionário O processo revolucionário inglês pode ser dividido em alguns momentos, os quais possuem características próprias e projeções políticas distintos. Nesse contexto, as principais fases das revoluções inglesas foram: Grande Rebelião ( ): fase em que o Parlamento, defendendo os interesses da gentry (pequena nobreza rural) e da burguesia, rebelou-se contra o monarca Carlos I e suas práticas absolutistas. A partir de então, acirraram-se os atritos entre o Parlamento e a monarquia absolutista da dinastia Stuart, que permaneceu no governo inglês até Essas tensões foram resultados de uma longa disputa pela hegemonia do poder político. 106

4 Guerra Civil ( ): momento em que intensificou-se o confronto entre o rei e o Parlamento, motivado também pelas questões religiosas e ideológicas, transformando essa disputa num conflito armado. Os choques religiosos podem ser entendidos pela vontade do monarca em tornar o anglicanismo em religião oficial do país e, consequentemente, em base ideológica do fortalecimento do poder real. República de Cromwell ou República Puritana ( ): Após o julgamento e execução do monarca Carlos I, foi instaurada a República Puritana em janeiro de Desde então, o exército revolucionário (o New Model Army) comandado por Oliver Cromwell, no decorrer da guerra, adquiriu grandes poderes. Durante a República Puritana, também conhecida Commonwealth (Comunidade Britânica), o poder foi concentrado nas mãos de Cromwell, que com o apoio do exército governou sob o título de Lorde Protetor. Nesse período, os bens da Igreja Anglicana, que era aliada do rei, foram confiscados e vendidos, aumentando, dessa forma, a concentração capitalista sobre as propriedades. Oliver Cromwell por Gaspard de Crayer. Em 1651 foi aprovado o primeiro Ato de Navegação, importante atitude de Cromwell e que refletiu a perspectiva do mercantilismo inglês. Segundo essa medida, todo transporte de produtos entre a Inglaterra e suas colônias na América, na Ásia e na África poderia ser realizado exclusivamente por navios ingleses. Assim, estava terminantemente proibido o comércio externo realizado por navios de outros países, denotando, assim, um ato nacionalista e protecionista, o que prejudicou os interesses econômicos da Holanda, que, nesse momento detinha importante força no comércio marítimo. Essa medida econômica tomada por Cromwell provocou um conflito contra os holandeses ( ), resultando na vitória dos ingleses que passaram a deter a hegemonia marítimo-comercial. Em 1653, foi implantada uma ditadura militar na República Puritana. Nesse mesmo ano, o Parlamento foi dissolvido. Aglutinando interesses burgueses e da gentry, os grupos mais radicais foram perseguidos e eliminados do exército, divulgadores de um conjunto de ideias políticas que perpassavam os limites da burguesia no processo revolucionário. As propostas mais radicais foram defendidas pelos levellers (niveladores) que tinham por objetivo principal aprofundar o ideal da revolução, com a formação de uma república de pequenos proprietários. Nesse contexto, também se destacaram os true levelles (verdadeiros niveladores) ou diggers (escavadores), em referência explícita a valorização da terra e sua melhor distribuição entre as massas camponesas. Eles defendiam o fim da propriedade privada e legitimavam seus posicionamentos políticos na bíblia sagrada. O principal líder e defensor dessa ideologia política foi Winstanley. Sobre esse tema, o historiador Christopher Hill, em seu livro O Mundo de Ponta-cabeça, comentou: 107

5 No princípio dos tempos, o grande criador, a Razão, fez a terra para ser esta um tesouro comum onde conservara os animais, os pássaros, os peixes e o homem (...). Nesse princípio não se disse palavra alguma que permitisse entender que uma parte da humanidade devesse governar outra (...). E essa terra, que na criação foi feita como um celeiro comum para todos, é comprada, vendida e conservada nas mãos de uns poucos, o que constitui enorme desonra para o Grande Criador, como se este fizesse distinção entre as pessoas, deleitando-se com a propriedade de alguns e regozijando-se com a miséria mais dura e as dificuldades de outros. Mas, no princípio, não era assim (...). HILL, Christopher. O Mundo de Ponta-cabeça, São Paulo: Companhia das Letras, p A análise da ideologia defendida pelos true levellers significou uma reação dos grupos populares rurais contra a etapa de cercamento de terras comunais, que foi iniciado na Inglaterra no século XVI e se desenvolveu no século XVII. Restauração Monárquica ( ): fase em que compreende a morte de Cromwell (1658) à Revolução Gloriosa. Preocupado com os excessos ou radicalismos da revolução, o Parlamento restabeleceu a monarquia Stuart, com Carlos II ( ) e, em seguida, Jaime II ( ). Desse modo, a restauração monárquica representou um meio de evitar o retorno e difusão das reivindicações de caráter radical e popular feitas pelas massas camponesas. Revolução Gloriosa ( ): resultado dos desdobramentos das transformações políticas ocorridas nas fases anteriores. Por causa das tentativas do rei Jaime II em restabelecer privilégios do antigo regime e de fortalecer as concepções católicas da religião anglicana, o Parlamento inglês compreendeu que seria imprescindível instaurar um novo regime. Nesse contexto, Jaime II foi destituído após um golpe de Estado conhecido como Revolução Gloriosa. Sem derramamento de sangue ou convulsões sociais, o Parlamento firmou um acordo com o protestante Guilherme de Orange, governante da Holanda e casado com Maria Stuart, filha de Jaime II. A elaboração da Declaração de Direitos (The Bill Rights, 1689), fundamentada nas ideias de John Locke, subordinava definitivamente o rei ao Parlamento, consagrando, assim, o princípio da monarquia parlamentarista, pautado na concepção de que o rei reina, o Parlamento governa. Guilherme III, conhecido também como Guilherme de Orange. 108

6 TEXTO COMPLEMENTAR Ambos os lados em confronto estavam perfeitamente conscientes dos riscos que podia implicar um apelo ao povo comum;porém, constituía um fato inegável que não havia modo de vencer os realistas a não ser armadndo e tributando o conjunto da população. O leveller (nivelador) Richard Overton imaginava os líderes parlamentares dizendo: O povo inteiro deve ser envolvido nesta luta ; Mas como conseguiremos isso? ; Pra, temos de nos associar à parte do clero que atualmente se encontra por baixo mas precisamos tomar cuidado para que o poder supremo não caia nas mãos do povo. (...) Mas não devemos duvidar da sinceridade dos inúmeros pregadores que proclamavam que a causa do Parlamento era a de Deus e que não importando quais pudessem ser as intenções subjetivas de Carlos I o seu governo estava defendendo, objetivamente, a causa do Anticristo romano. O realistas formavam o partido anticristão. (...) Um pouco de imaginação nos mostrará que o efeito dessas previsões teriam em tempos de crise econômica e política, quando o próprio Parlamento, pela primeira vez na história, estava convocando o povo comum a agir politicamente, quando pregadores reconhecidos do verbo divino não apenas proclamavam que o milênio se aproximava, porém ainda diziam a vocês de condição mais mesquinha, a você, a gente comum que deve ser sua a liderança no combate pela causa de Cristo. HILL, C. O mundo de Ponta-cabeça: ideias radicais durante a Revolução Inglesa de São Paulo: Companhia das Letras, p Analisando o texto 1. Após a leitura do texto, pode-se afirmar que religião revê um papel relevante nos processos políticos na Inglaterra no século XVII. Que aspectos foram esses? Comente-os. 2. O autor do texto cita um grupo radical que participou das convulsões revolucionárias inglesas. Que grupo era esse? Quais as suas principais reivindicações? 109

7 FAZENDO HISTÓRIA 1. Comente as medidas tomadas durante a República Puritana e qual a sua importância no contexto político da limitação do poder absoluto dos reis na Inglaterra. 2. (UFMG) Sob o domínio dos Tudor ( ), o absolutismo inglês firmou-se, principalmente, durante o reinado de Elizabeth I ( ). Com a ascensão dos Stuarts, inicia-se um período de tensão que desencadeou uma fase revolucionária, em muitos aspectos, típica dos conflitos políticos da modernidade. Acerca da Revolução Puritana ( ), responda: a) Qual a liderança que organizou o exército puritano na luta contra o Absolutismo? b) ldentifique os aspectos políticos e sociais da Revolução Puritana. 3. Apresente os principais fundamentos da Bill of Rights e explique por que este documento foi essencial para o estabelecimento do regime político liberal na Inglaterra. 4. (Unicamp-SP) A Revolução Gloriosa selou um compromisso entre a burguesia e a nobreza proprietária de terras, fortaleceu o Parlamento, e criou condições favoráveis ao desenvolvimento econômico inglês e à instauração do capitalismo industrial na Inglaterra. a) Explique os interesses dos seguintes sujeitos socais na Revolução Inglesa: monarquia, nobreza e burguesia. b) De que maneira a Revolução Inglesa contribuiu para fazer da Inglaterra a maior potência econômica da época? 5. (UFV-MG) A Revolução Gloriosa, ocorrida na Inglaterra entre 1688 e 1689, interrompeu o reinado de Jaime II e colocou no trono inglês um príncipe da Holanda, Guilherme de Orange. Entre os fatores que levaram à revolução estão as lutas entre o poder real e o parlamento, a necessidade de superação do absolutismo e lutas religiosas. Aponte os principais reflexos da Revolução Gloriosa em termos de transformação política e econômica da Inglaterra e do mundo como um todo. 110

8 QUESTÕES DE VESTIBULARES 1. (UFPR) "... um nobre, um cavalheiro, um pequeno proprietário rural: eis aí um sólido e importante interesse da nação. Não foi a magistratura da nação quase espezinhada graças ao despeito e ao desprezo demonstrados por homens de princípios niveladores? E esses princípios não tendiam a reduzir todos à igualdade? Qual seria seu desígnio, a não ser tornar o ocupante de terras tão afortunado quanto seu proprietário? Era uma voz agradável a soar no ouvido de todos os homens pobres e certamente bem-vinda a todos os homens maus."oliver Cromwell dirigindo-se ao Parlamento, em in Hill, Christopher. O Eleito de Deus. São Paulo: Companhia das Letras, Assinale a alternativa correta sobre as Revoluções Inglesas do século XVII. a) O discurso acima afirma o caráter burguês da Revolução Puritana ao negar a concessão da igualdade a todos os ingleses. b) Oliver Cromwell foi o líder da Revolução Gloriosa que implantou um governo republicano na Inglaterra. c) Os niveladores eram membros da alta burguesia inglesa que pediam a igualdade de status em relação aos nobres. d) A Revolução Puritana foi a primeira revolução burguesa da história e estabeleceu a monarquia parlamentar na Inglaterra. e) O discurso acima reflete a intenção de estender o direito de ocupação das terras aos mais pobres da sociedade inglesa. 2. (PUC-RJ) Leia o testemunho de Baxter, puritano inglês: Uma grande parte dos cavaleiros e gentis-homens de Inglaterra [...] aderira ao rei [Carlos I, ]. [...] Do lado do Parlamento estavam uma pequena parte da pequena nobreza de muitos dos condados e a maior parte dos comerciantes e proprietários, especialmente nas corporações e condados dependentes do fabrico de tecidos e de manufaturas desse tipo. [...] Os proprietários e comerciantes são a força da religião e do civismo no país; e os gentis-homens, os pedintes e os arrendatários servis são a força da iniqüidade. Adaptado de HILL, Christopher. A revolução inglesa de O testemunho acima ilustra, em parte, as polarizações sociais e políticas que caracterizaram a Revolução Puritana, na Inglaterra, entre 1642 e Dentre as afirmativas a seguir, identifique a única que não apresenta de modo correto uma característica dessa revolução: a) Dela resultou o enfraquecimento do poder do soberano, contribuindo para a afirmação das prerrogativas e interesses dos grupos que apoiavam o fortalecimento das atribuições do Parlamento. b) Ela inseriu-se no conjunto de conflitos civis europeus, da primeira metade do século XVII, marcadamente caracterizados pela superposição entre identidade política e identidade religiosa. c) Ela ocasionou uma sangrenta guerra civil, estimuladora, entre outros aspectos, da proliferação de seitas não-conformistas, profundamente condenadas e reprimidas pelos puritanos mais moderados. d) Ela estimulou a crescente aplicação de concepções liberais, defendidas em especial pelos comerciantes, particularmente no que se referia às relações mercantis com os colonos da América. e) Ela representou um dos primeiros grandes abalos nas práticas do absolutismo monárquico na Europa, simbolizado não só pelo julgamento, mas, principalmente, pela decapitação do monarca Carlos I. 3. (Fuvest-SP) No século XVII, a Inglaterra conheceu convulsões revolucionárias que culminaram com a execução de um rei (1649) e a deposição de outro (1688). Apesar das transformações significativas terem se verificado na primeira fase, sob Oliver Cromwell, foi o período final que ficou conhecido como Revolução Gloriosa. Isto se explica porque: a) em 1688, a Inglaterra passara a controlar totalmente o comércio mundial tornando-se a potencia mais rica da Europa. 111

9 b) auxiliada pela Holanda, a Inglaterra conseguiu conter em 1688 forças contrarevolucionária que, no continente, ameaçavam as conquistas de Cromwell. c) mais que a violência da década de 1640, com suas execuções, a tradição liberal inglesa desejou celebrar a nova monarquia parlamentar consolidada em d) as forças radicais do movimento, como Cavadores e Niveladores, que assumiram o controle do governo, foram destituídas em 1688 por Guilherme de Orange. e) só então se estabeleceu um pacto entre a aristocracia e a burguesia, anulando-se as aspirações políticas da gentry. 4. (UFRGS-RS) O Bill of Rights (Declaração de Direitos) resultou de um processo histórico que apresentou importantes desdobramentos políticos na Inglaterra do século XVII e que se caracterizou: a) pelo conflito político-militar que opôs a burguesia manufatureira à nobreza dos cercamentos. b) pela consolidação de uma república social que estendeu aos niveladores e cavadores os privilégios da aristocracia proprietária. c) pelo confronto entre o absolutismo da dinastia Stuart e as idéias do Parlamento, concluído com a execução de Henrique VIII. d) pela aproximação econômica entre a burguesia comercial-manufatureira e a nobreza dos cercamentos configurada na Revolução Gloriosa. e) pelo avanço dos setores católicos na economia industrial, em detrimento dos puritanos, mantenedores da ordem feudal. 5. (FUVEST-SP)"... cabanas ou pequenas moradias espalhadas em grande número, nas quais residem os trabalhadores empregados, cujas mulheres e filhos estão sempre ocupados, cardando, fiando etc., de forma que, não havendo desempregados, todos podem ganhar seu pão, desde o mais novo ao mais velho " Daniel Defoe, Viagem por toda a ilha da Grã-Bretanha, Essa passagem descreve o sistema de trabalho: a) manufatureiro, no qual um empregador reúne num único local dezenas de trabalhadores. b) da corporação de oficio, no qual os trabalhadores têm o controle dos meios de produção. c) fabril, no qual o empresário explora o trabalha do exército industrial de reserva. d) em domicilio, no qual todos os membros de uma família trabalham em casa e por tarefa. e) de cogestão, na qual todos os trabalhadores dirigem a produção. 6. (ARAPORÃ) Durante o século XVII, o processo da Revolução Inglesa alterou as bases econômicas, sociais e políticas da Grã-Bretanha. Nesse sentido, pode-se afirmar que: I. Na Revolução Inglesa do século XVII participaram não só os líderes do parlamento, os presbiterianos, mas também os niveladores e os sectários das classes inferiores ou subalternas. II. A estrutura agrária foi transformada, intensificando o processo de cercamento, possibilitando assim, o surgimento da grande propriedade capitalista e a proletarização do trabalho no campo. III. O clero anglicano perdeu os seus bens e sua autonomia; a pequena nobreza rural, gentry, expandiu seu alcance econômico com a intensificação dos cercamentos. IV. A Declaração dos Direitos, de 1689, restringiu o poder político real e abriu caminho para a entrada da Inglaterra numa era de prosperidade, reforçando sua modernização econômica. Assinale a opção que apresenta as afirmativas corretas: a) Apenas I e II. b) Apenas II e IV. c) Todas as afirmativas estão corretas. d) Apenas I e III. e) Apenas II e III. 7. (UFRN) As Revoluções Inglesas do século XVII podem ser consideradas burguesas porque: a) durante seu desenvolvimento a burguesia conseguiu afastar os grupos sociais concorrentes e, após seu desfecho, foi montada na Inglaterra uma estrutura jurídicopolítica que atendia a seus interesses. 112

10 b) com elas a burguesia conquistou definitivamente a hegemonia econômica na Inglaterra ao instituir, por meio da ação do Estado, os monopólios comerciais e a regulamentação das atividades econômicas. c) o fracasso das duas revoluções provocou a imigração em massa da burguesia inglesa para a América do Norte, onde foram fundadas as colônias de povoamento que originaram os Estados Unidos. d) serviram de modelo para os movimentos políticos que ocorreram posteriormente, como a Revolução Americana e a Revolução Francesa, além de espalhar os ideais burgueses e liberais por todos os continentes. e) o sucesso das duas revoluções permitiu que a burguesia impusesse ao demais grupos da sociedade inglesa seu modelo de organização política, a república parlamentarista, que deu grande estabilidade ao país. 8. (FUNCAB) Embora recebesse do Parlamento o título de Lorde Protetor, Cromwell também foi visto como tirano porque: a) impôs leis de incentivo à marinha mercante. b) esmagou os e diggers levellers. c) suprimiu o Parlamento. d) apoiou a ocupação de terras do clero. e) restringiu a liberdade religiosa dos calvinistas. 9. (VUNESP) A deposição de Carlos I (1648), segundo rei da dinastia dos Stuart, permitiu a emergência da primeira ditadura moderna, liderada pelo lorde Cromwell, que se manteve no poder por nove anos, principalmente em função: a) do apoio do rei Carlos I, da aliança com a Espanha e a Holanda e da perseguição aos nobres, que relutavam em delegar poderes ao rei. b) da debilidade dos republicanos, do apoio da nobreza em função das derrotas impostas por Cromwell ao rei e da tolerância religiosa. c) do controle do Exército, do apoio dos burgueses em função das vantagens comerciais e da vitória nas guerras contra espanhóis e holandeses. d) da manutenção da composição do Parlamento após a deposição de Carlos I, da intolerância religiosa e da liberação dos costumes. e) do apoio da grande nobreza, da derrota infringida a Carlos I e da criação de um conselho composto pelos 40 nobres mais poderosos da Inglaterra. 10. (FURG ) A Revolução Gloriosa ( ), na Inglaterra, trouxe como uma de suas decorrências o Bill of Riths, ou Declaração dos Direitos. Sobre ela, podemos afirmar que: a) foi causa da Guerra dos Trinta Anos, devido à discriminação econômica e religiosa contra os holandeses. b) orientou as decisões do período chamado de Restauração Stuart, idealizada por Oliver Cromwell. c) visava a garantir os interesses dos lords em oposição aos interesses da nascente burguesia liberal. d) inspirou-se nas idéias utópicas de Thomas Morus, que em seguida foi decapitado por ordem de Henrique VIII Tudor. e) teve parte de seus princípios incorporados às dez primeiras emendas norte-americanas e à Declaração dos Direitos do Homem da França, em (UNIOESTE) Sobre a Revolução Gloriosa na Inglaterra (1688/1689) é correto afirmar que a) foi uma Revolução política que pôs fim ao Absolutismo, consolidando a supremacia do parlamento sobre a autoridade real. b) constituiu-se na vitória de setores reacionários no aspecto político inglês e o retorno à descentralização política típica do mundo medieval. c) o holandês Guilherme de Orange foi coroado como Guilherme III, depois de ter assinado a Bill Of Rights imposta pelo Parlamento, que ampliava os poderes da monarquia sobre este. d) solapou a supremacia da teoria da separação dos três poderes e de um Estado democrático baseado no sufrágio. e) representou uma vitória da teoria do direito divino sobre a teoria do contrato entre o soberano e o povo. 113

11 OLHARES HISTÓRICOS LIVROS Conspiração da pólvora: terror e fé na revolução inglesa. FRASER, Antonia. Rio de Janeiro: Record, A bíblia inglesa e as revoluções do século XVII. HILL, Christopher. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, Causas da Revolução Inglesa ( ). STONE, Lawrence. Bauru: Edusc, CINEMA O Discurso do Rei Inglaterra, Direção: Tom Hooper. Desde os 4 anos, George é gago. Este é um sério problema para um integrante da realiza britânica, que frequentemente precisa fazer discursos. George procurou diversos médicos, mas nenhum deles trouxe resultados eficazes. Quando sua esposa, Elizabeth, o leva até Lionel Logue, um terapeuta de fala de método pouco convencional, George está desesperançoso. Lionel se coloca de igual para igual com George e atua também como seu psicólogo, de forma a tornar-se seu amigo. Seus exercícios e métodos fazem com que George adquira autoconfiança para cumprir o maior de seus desafios: assumir a coroa, após a abdicação de seu irmão David. Fonte:Sinopse extraída do site Cromwell, o homem de ferro, Inglaterra, Direção: Ken Hughes Clássico sobre a guerra civil inglesa, abrangendo desde a crise de 1640 até a ascensão de Cromwell ao posto de Lorde Protetor da Grã-Bretanha. Duração: 145 min. Morte ao rei, EUA, Direção: Mike Barker. Filme sobre a guerra civil inglesa e os conflitos posteriores entre lorde Fairfax, comandante militar da revolta, e Oliver Cromwell acerca dos rumos da revolução. Duração: 102 min. O outro lado da nobreza, EUA/Inglaterra, Direção: Michael Hoffman. Filme obre um estudante de medicina na época da Restauração Stuart na Inglaterra (1660). Duração: 113 min. 114

12 O Iluminismo e a construção de novos paradigmas As ideias iluministas tiveram um importante papel na construção de uma renovada visão de mundo fundamentado em inovadores e ousados projetos sociais, políticos e econômicos. São inegáveis as contribuições do pensamento ilustrado para o mundo contemporâneo. Os pensadores liberais lançaram caminhos fundamentais para as transformações ocorridas no final do século XVIII. Além disso, contribuíram para o posterior fortalecimento do capitalismo. O iluminismo combateu o Antigo Regime e suas estruturas tradicionais, ou seja, o absolutismo, o mercantilismo e os privilégios da nobreza. Os intelectuais iluministas promoveram uma verdadeira revolução na mentalidade do homem moderno. A defesa da ideia de que a humanidade percorria para o caminho do progresso e do desenvolvimento, da liberdade e da procura da felicidade, trouxe um grande impacto para o pensamento intelectual da época. As teorias liberais tiveram ressonância mundial. O pensamento dos principais iluministas ultrapassou as fronteiras europeias, chegando às colônias da América, onde serviu como suporte teórico para diversos movimentos de independências. Na gravura O Sono da razão produz monstros, de 1799, o espanhol Francisco Goya procuraou retratar o impacto das ideias da ilustração no tempo das revoluções. Segundo o historiador Antônio Paulo Rezende, o pensamento liberal produziu uma grande utopia moderna: a ideia do progresso. Desde então, os homens passaram a acreditar que alcançariam sua total autonomia em relação a natureza, conseguindo dominar o meio, aprimorando paulatinamente suas condições de vida através do esforço e do trabalho alicerçados nos instrumentos técnicos. O saber tornou-se o caminho essencial para libertar a humanidade dos preconceitos e superstições. Desse modo, o homem deveria trilhar os preceitos da ciência e da razão. O homem deveria romper com o passado, com o antigo, só dessa maneira, ele poderia buscar a modernidade, tendo a possibilidade de planejar e 115

13 controlar o seu futuro. A exaltação exagerada do progresso conduziu ao um mundo tecnicista atual, preocupado cada vez mais com as produções industriais e caracterizado por crises econômicas e rígida burocracia do Estado. Segundo Antônio Paulo, as ideias liberais contribuíram para a formação de um mundo onde o espaço dos sonhos e dos desejos foi assaltado pela propaganda, pelo consumo e pela ostentação sem limites, onde o homem está distanciando da natureza e submetido ao trabalho mecanizado. O progresso, enfim, ameaça voltar-se contra seu próprio criador esse homem que acreditou ser Deus e destruí-lo com as modernas tecnologias militares e com a degradação do meio ambiente. A concepção de individualismo, que desde o Renascimento transformara-se um dos pilares do homem moderno, adquiriu mais força no pensamento iluminista. Segundo Eric Hobsbawn, em sua obra A Era das Revoluções, esse individualismo era secular, progressista e racionalista: Libertar o indivíduo das algemas que o agrilhoavam era o principal objetivo: do tradicionalismo ignorante da Idade Média, que ainda lançava sua sombra pelo mundo, da superstição das igrejas (distintas da religião racional ou natural ), da irracionalidade que dividia os homens em uma hierarquia (...) de acordo com o nascimento ou algum critério irrelevante. A liberdade, a igualdade e em seguida, a fraternidade de todos os homens eram seus slogans. No devido tempo se tornaram os slogans da Revolução Francesa. (...) A apaixonada crença no progresso que professava o típico pensador do Iluminismo refletia os aumentos visíveis no conhecimento e na técnica, na riqueza, no bem-estar e na civilização que podia ver em toda a sua volta e que, com certa justiça, atribuía ao avanço crescente de suas ideias. No começo do século, as bruxas ainda eram queimadas; no final, os governos do iluminismo, como o austríaco, já tinham abolido não só a tortura judicial mas, também, a servidão. O que não se poderia esperar se os remanescentes obstáculos ao progresso, tais como os interesses estabelecidos do feudalismo e da Igreja fossem eliminados? HOBASBAWN, Eric J. A era das Revoluções: Rio de Janeiro: Paz e Terra. p Diversos estudiosos afirmam que as origens do movimento iluminista têm suas origens no século XV. Nesse século, os intelectuais renascentistas trouxeram novos valores como individualismo, o humanismo, o método científico e o racionalismo, que fundamentaram várias áreas do saber, tais como a filosofia, a ciência e a arte. Essas percepções foram bastante incorporadas, discutidas e aprofundadas pelos pensadores do iluminismo. O iluminismo contribuiu para formação de novos hábitos que se espalharam com certa rapidez no continente europeu. A partir de então houve a privatização das condutas, ou seja, começaram a surgir diversos espaços individuais. O domínio da leitura e da escrita constituíam numa magnífica conquista, pois simbolizava a possibilidade de obter maior conhecimento, maior autonomia e melhor compreensão das transformações sociais. Segundo Antônio Paulo longe da dispersão que marcava as leituras coletivas, o leitor solitário podia concentrar-se nas suas dúvidas e descobertas, consolidando-se assim mais uma prática individualista do mundo moderno. A leitura e a escrita desempenharam um extraordinário papel na construção do mundo moderno. De acordo com os pensadores ilustrados, para o homem alcançar sua independência seria necessário se apropriar do saber produzido. Assim, a leitura e a escrita tiveram um valor incomensurável, uma vez que se tornaram imprescindíveis para o projeto que objetivava libertar os homens por meio da razão. Diversos pensadores ilustrados elaboraram severas críticas à Igreja Católica, chegando alguns a defender concepções religiosas fundamentadas na razão. Surgiram, assim, os deístas, os quais concebiam um Deus bastante afastado da humanidade, com o qual era impossível manter algum contato, e os panteístas, acreditavam que em todas as coisas da natureza havia presença divina. Os defensores de ambos os grupos negavam os valores e as funções das entidades religiosas. Em relação à concepção da natureza racional e lógica de Deus, o filósofo inglês David Hume ( ) escreveu: 116

14 Lançai um olhar em redor do mundo; contemplai o todo e cada uma das suas partes; vereis que não é senão uma grande máquina, subdividida em infinito número de máquinas menores, que por sua vez admitem subdivisões num grau que para além do que os sentidos e as faculdades humanas podem captar e explicar. (...) (...) Se, portanto, os efeitos se assemelham entre si, estamos obrigados a inferir (...) que também as causas são semelhantes, e que o Autor da Natureza se parece em algo com a mente humana, ainda que as suas faculdades sejam muito mais consideráveis, em proporção com a grandeza da obra que executou. HUME, David. Diálogos Sobre a Religião Natural. In: FREITAS, Gustavo de. 900 textos e documentos de história. Lisboa: Plátano Editorial, s.d. p v. II. Assim, as reflexões estabelecidas pelos pensadores iluministas criticaram os tradicionais sistemas religiosos e propuseram a relação existente entre razão-natureza-deus. O universo seria regido por uma ordem natural. Os filósofos iluministas não admitiam a revelação divina. Sobre esse tema o intelectual ilustrado Voltaire, de maneira criativa e irônica, argumentou: O deísta é um homem firmemente persuadido da existência de um Ser supremo tão bom como poderoso, que formou todos os seres extensos, vegetantes, sensíveis e reflexivos (...) Reunido neste princípio com o resto do universo, não abraça nenhuma das seitas, que todas elas contradizem. A sua religião é a mais antiga e a mais extensa; pois a simples adoração de um Deus precedeu todos os sistemas do mundo (...). Crê que a religião não consiste nem nas opiniões de uma metafísica ininteligível, nem vão aparatos ou solenidades (...). O maometano grita-lhe: Tem cuidado, se não fazes a peregrinação a Meca! Desgraçado de ti, diz-lhe um franciscano, se não fazes uma viagem a Nossa Senhora do Loreto! Ele ri-se de Loreto e de Meca; mas socorre o indigente e defende o oprimido. VOLTAIRE, François-Marie Arouet. Dicionário Filosófico. In: FREITAS, Gustavo de. 900 textos e documentos de História. Lisboa: Plátano Editorial.s.d. p.11. v. II. Racionalismo e ciência No decorrer do século XVII, alguns intelectuais europeus permaneciam desenvolvendo suas teorias na crença de que a razão era o único caminho e legítimo caminho para se alcançar o verdadeiro conhecimento científico. Assim, o fundamento de todo o saber sobre os homens e a natureza estava pautado na razão humana e não nas concepções divinas e transcendentais. Esse paradigma racionalista levou os pensadores a se colocarem contra à religião e o clero. De acordo com eles, apenas o método racional possibilitaria que o homem atingisse as verdades da ciência. Esse método dava condições para que o homem pudesse entender as leis naturais de um acontecimento, todas elas experimentadas, demonstradas e comprovadas por meios científicos. No entanto, segundo alguns intelectuais, todos esses procedimentos empíricos só teria resultados mais amplos, se os mesmos fossem empregados em favor do desenvolvimento da humanidade. Ao longo do século XVII, o avanço da ciência ( Revolução Científica ) e de seus métodos racionais se estruturou a partir de importantes debates e questionamentos gerados por Galileu ( ), René Descartes ( ), Francis Bacon ( ), Isaac Newton ( ), e Immanuel Kant ( ). As novas concepções de mundo trazidas por esses intelectuais, essencialmente racionalistas e fundamentadas nas leis naturais que regem o Universo, tornaram-se a base do pensamento iluminista. René Descartes, matemático e filósofo francês, é considerado o pioneiro do racionalismo moderno. Segundo ele, o princípio científico estava fundamentado na dúvida metódica, ou seja, deve-se duvidar de todas as coisas para atingir à verdade e acreditar somente naquilo que razão puder entender. Assim, somente a razão humana não pode ser colocada em dúvida, uma vez que sua existência era notoriamente evidenciada pelo simples fato dela própria existir. 117

15 A síntese do axioma cartesiano pode ser fundamento na sua famosa frase Penso, logo existo. A sua principal obra foi O discurso do método. Guiado por outros conceitos racionalistas, o cientista e filósofo inglês Francis Bacon, considerado o criador do empirismo, acreditava que o verdadeiro objetivo da ciência era ajudar a melhorar as condições de vida dos seres humanos. Seu pensamento contribuiu para a valorização da experiência através do método indutivo. Outro destaque dessa época foi o físico, matemático e filósofo, Isaac Newton que realizou várias interpretações matemáticas sobre o dinamismo do universo. Baseando-se, nas descobertas de Kepler e Galileu, analisou os movimentos da Terra e do universo, concluindo que eles funcionam mecanicamente através de suas próprias leis. Newton também é responsável pela formulação da conhecida Lei de Gravitação Universal ou Lei de Gravidade. Immanuel Kant buscou fazer uma síntese entre o racionalismo puro e o empirismo. Ele defendia que a razão possuía uma dimensão humana e não transcendental, desse modo, seria incapaz de ter acesso à essência total das coisas. Kant também acreditava que a razão humana só permitia o conhecimento de algo material. Iluminismo: conceito e características Tradicionalmente costuma-se designar por Iluminismo, Filosofia das Luzes ou Ilustração o movimento de renovação intelectual e filosófica que teve início no século XVII e alcançou sua maior expressão e maturidade na França, no século XVIII, no chamado Século das Luzes (esse termo faz referência à razão identificada como luz que ilumina as trevas da obscuridade e da ignorância). Os filósofos ilumisnitas se auto-proclamavam militantes do combate da razão (a luz ), contra as concepções culturais e institucionais conservadoras, as trevas. Em suas obras, os filósofos iluministas pregavam que só por intermédio do uso da razão os homens alcançariam o progresso, em todos os aspectos. A razão possibilitaria a instauração de uma nova ordem no mundo, marcada pela felicidade e bem-estar de todos. A universalidade, a individualidade e autonomia eram os três princípios fundamentais exaltados pelos pensadores iluministas para elaboração de um moderno projeto civilizatório. Como o movimento de renovação intelectual e filosófica, o Iluminismo consagrou preceitos fundamentais que agradaram imensamente os burgueses emergentes, os quais buscavam afirmação no cenário político. A maioria dos integrantes na França possuía origem burguesa. O movimento iluminista não foi homogêneo e não chegou a constituir numa escola filosófica ou num conjunto de teorias completamente organizado e finalizado. Os pensadores ilustrados propuseram, acima de tudo, uma nova mentalidade, ou seja, uma ousada maneira de agir e pensar o mundo, que teve grande penetração na sociedade europei da época, especialmente, entre os burgueses. O pensamento divulgado pelos filósofos das luzes teve grande associação com à ascensão da burguesia, além de formar uma doutrina de oposição ao Antigo Regime e lutar por uma nova postura do indivíduo e por uma sociedade diferente, o que impulsionou o surgimento de vários movimentos revolucionários na Europa e na América nos século XVIII e XIX. Entretanto, os intelectuais ilustrados não defendiam uma revolução, mas uma grande reforma. Mesmo no caso francês, onde a Revolução de 1789 difundiu o culto à razão, não podemos afirmar que os ideais revolucionários, em sua essência, foram colocados em prática. O projeto iluminista conduziu a burguesia a posicionar-se criticamente em relação às concepções tradicionais e absolutistas, fazendo surgir, dessa forma, um mundo liberal burguês. Principais teóricos iluministas O pensador inglês John Locke ( ) desenvolveu uma célebre teoria sobre o Estado constitucional, sendo considerado o pai do liberalismo político ou da teoria política. Em sua obra Segundo tratado sobre o governo civil, Locke defende a ideia de que todos os homens possuem direitos naturais, como à vida, à liberdade e à propriedade privada. Além disso, pregava que o direito à felicidade, a igualdade entre os homens e a rebelião contra os governantes despóticos. Locke desenvolveu a teoria do governo limitado, segundo a qual afirmava que as relações entre governantes e governados deveria ser fundamentadas através de um contrato que apresentassem os deveres e obrigações para ambos os grupos. Esse acordo seria regido por uma Constituição. 118

16 No pensamento de Locke, a autoridade e poder dos governantes poderiam ser suspensos ou retirados, pois as pessoas mantinham o direito de modificar ou derrubar um governo despótico. Locke condenava o absolutismo monárquico, considerando que o Executivo era uma simples agente do Legislativo. Ele rejeitava, fortemente, a plena concessão de poder aos representantes do povo, justificando que o governo seria estabelecido entre os indivíduos para preservação da propriedade privada. John Locke. Defensor a ideia de que todos os homens possuem direitos naturais, como à vida, à liberdade e à propriedade privada. Locke sustentava que a política e as diferentes maneiras de seu exercício eram criações humanas. (...) Contudo, com qualquer sociedade política não pode existir nem subsistir sem ter em si o poder de preservar a propriedade e, para isso, castigar as ofensas de todos os membros dessa sociedade, haverá sociedade política somente quando cada um dos membros renunciar ao próprio poder natural, passando-o às mãos da comunidade em todos os casos que não lhe impeçam de recorrer à proteção da lei estabelecida. (...) Os que estão unidos em um copo, tendo lei comum estabelecida e judicatura para qual apelar, com autoridade para decidir controvérsias e punir os ofensores, estão em sociedade civil uns com os outros; mas os que não têm essa apelação em comum, quero dizer, sobre a terra, ainda se encontram no estado de natureza, sendo cada um, onde não há outro, juiz para si e executor, o que constitui, conforme mostrei anteriormente, o estado de perfeita natureza. (...) LOCKE, John. Segundo tratado sobre o governo civil. In: WEFFORT, Francisco C. (org.) Os clássicos da política. São Paulo: Ática, v.1. Um pensador que assumiu uma postura extremamente crítica do ideário ilustrado foi Voltaire ( ), cujo nome verdadeiro era François Marie Arouet. Um dos mais importantes intelectuais franceses defendia um governo com poderes limitados, concebido como um mal necessário. Assim como Locke, ele afirmava que os direitos à vida, à propriedade privada e à proteção das leis pertencem naturalmente aos homens. As principais ideias de Voltaire foram difundidas em peças teatrais, novelas e obras filosóficas. Voltaire criticou fortemente os privilégios da nobreza e do clero, mesmo acreditando em Deus. Por isso, foi exilado na Inglaterra, onde teve a oportunidade de entrar em contato com as concepções de Locke e Newton. Voltaire combateu incansavelmente o absolutismo, porém reconhecia em suas análises políticas que alguns países os mais tradicionais teriam que ser comandados por monarcas centralizadores auxiliados por teóricos iluministas, propondo, assim, o despotismo esclarecido. Sobre isso, as historiadoras Patrícia Ramos Braick e Myriam Becho Mota comentaram: Voltaire não pode ser considerado um teórico democrata, tendo em vista suas reservas quanto à participação do povo no poder político. Ao contrário, sentia forte inclinação pela ideia de uma monarquia esclarecida, ou despotismo esclarecido, exercida pelas classes abastadas. Ainda assim, sofreu perseguições na França pelas críticas e ironias que dirigiu à realeza e à Igreja Católica. Foi preso diversas vezes e exilou-se na Inglaterra. Durante o exílio publicou as Cartas inglesas, nas quais atacava a religião e o absolutismo. BRAICK, Patrícia Ramos; MOTA, Myriam Becho. História: das cavernas ao terceiro milênio. Volume único. 3 ed. reform. e atual. São Paulo: Moderna, p.317. Um dos poucos filósofos iluministas de tradição nobre foi Charles-Louis de Secondat, o conhecido barão de Montesquieu ( ). Em sua expressiva obra, Espírito das Leis, defendia a divisão do poder em três ramos: o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. Cada setor desses poderes deveria atuar com autonomia e ao mesmo tempo fiscalizar as ações dos outros dois. Segundo Montesquieu, a implantação desse sistema seria necessária para evitar o abuso de autoridade por parte dos governantes, uma vez que é tendência natural dos homens agirem 119

17 dessa maneira. As ideias de Montesquieu foram fundamentais para a formação das instituições políticas do mundo contemporâneo. Atualmente, a maioria dos países adota a tripartição dos poderes. Em sua obra, Cartas Persas, publicada em 1721, Montesquieu satirizou os costumes, hábitos e as instituições francesas da época. Montesquieu também elaborou a concepção de que cada Estado deveria possuir um tipo de governo de acordo com suas dimensões geográficas: para os países pequenos, a república; para os médios, a monarquia constitucional e para as grandes nações, o despotismo esclarecido. Nessa perspectiva, pode-se afirmar que o pensamento de Montesquieu não era revolucionário, uma vez que desconfiava do povo e defendia a manutenção dos privilégios da aristocracia. Diferente da maioria dos intelectuais iluministas, Jean-Jacques Rousseau ( ) tinha origens simples. Para alguns historiadores, ele foi uma dos primeiros integrantes do romantismo. Rousseau também se dedicou aos estudos às questões relacionadas à pedagogia. Em 1762, publicou ensaio Emílio, que abordava uma educação isenta de preconceitos, na qual as mulheres exerceriam papeis essenciais. Uma educação de qualidade evitaria que forças corruptoras da sociedade tivessem domínio sobre os indivíduos, que de acordo com Rousseau, nasciam bons. As ideias de Rousseau divergiram bastante dos demais pensadores liberais. Rousseau não defendia incondicionalmente o racionalismo. As suas obras mais célebres foram O discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens e O Contrato social. No primeiro livro, o autor anunciava que o homem, no seu estado de natural, era bom e integrado ao meio. O homem foi pervertido pela civilização. Já na segunda obra, Rousseau afirmava que a democracia se estruturava no desejo e vontade da maioria, ou seja, na soberania do povo, que era exercida por intermédio do sufrágio universal (o voto). Os governantes escolhidos deveriam se pautar e se guiarem pela vontade geral do povo. Dessa forma, através do contrato social cada pessoa estaria de acordo em está submetido à vontade da maioria. A partir de então, surgiria o Estado. Para Rousseau, a decisão da maioria seria sempre a correta, no aspecto político, a qual se tornava obrigatória para todos os cidadãos. O governo, nesse sentido, se tornaria um mero agente executivo do Estado. Segundo Rousseau, a principal função do Estado era expressar a vontade da maioria: A primeira e a mais importante consequência decorrente dos princípios até aqui estabelecidos é que só a vontade geral pode dirigir as forças do Estado de acordo com a finalidade de sua instituição, que é o bem comum, porque, se a oposição dos interesses particulares tornou necessário o estabelecimento das sociedades, foi o acordo desses mesmos interesses que o possibilitou. O que existe de comum nesses vários interesses forma o liame social e, se não houvesse um ponto em que todos os interesses concordassem, nenhuma sociedade poderia existir. Ora, somente com base nesse interesse comum é que a sociedade dever ser governada. Os pensadores. São Paulo: Nova Cultural, p. 43. O pensamento radical de Rousseau teve forte penetração entre os revolucionários franceses de 1789, principalmente na República Jacobina, entre os anos de 1793 e 1794, momento marcado pela radicalização e perseguição. Os enciclopedistas Os franceses Denis Diderot ( ) e Jean D Alembert ( ) tornaram-se famosos por organizarem a Enciclopédia das Ciências, Artes e Ofício. O filósofo Diderot contestou veementemente o absolutismo monárquico e apontou alternativas para a formação de uma sociedade democrática moderna. Esse pensador se dedicou bastante, junto com matemático D Alembert, à tradução de enciclopédias inglesas (Cyclopedia), consideradas como preciosas raridades. Por isso, esses dois intelectuais ficaram conhecidos como os enciclopedistas. A Enciclopédia era editada por Diderot e D Alembert. Ela sofreu muita pressão do governo e da Igreja. A obra criticava fortemente as concepções científicas, políticas, sociais e intelectuais da Europa do século XVIII. Assim, foi fornecido um útil instrumento de combate ao Antigo Regime. 120

18 (...) Nenhum homem recebeu da natureza o direito de comandar os outros. A liberdade é um presente do céu, e cada indivíduo da mesma espécie tem o direito de gozar dela logo que goze da razão. (...) Toda outra autoridade (que não paterna) vem duma outra origem, que não é a da natureza, Examinando-a bem, sempre se fará remontar a uma destas duas fontes: ou de força e a violência daqueles que lhe são submetidos, por um contrato celebrado ou suposto entre eles e a quem deferiam a autoridade. (...) O poder que vem do consentimento dos povos supõe necessariamente condições que tornem o seu uso legítimo útil à sociedade, vantajoso para a república, e que o fixem e restrinjam entre limites; pois o homem não pode nem deve darse inteiramente e sem reserva a outro homem. O filósofo Diderot contestou veementemente o absolutismo monárquico e apontou alternativas para a formação de uma sociedade democrática moderna. DIDEROT, Denis. Autoridade política. In: FREITAS, Gustavo de. 900 textos e documentos de história. Lisboa, Plátano. A Enciclopédia contou com a participação de importantes pensadores iluministas com Jean- Jacques Rousseau, Turgot, Holbach, Montesquieu, Voltaire e mais 130 colaboradores. Em 1759, o clero francês chegou a proibir a circulação da Enciclopédia, porém, as atividades continuaram. Entre 1751 e 1780 foram publicados mais de 28 volumes dessa expressiva obra do pensamento iluminista. A Enciclopédia constituiu num importante produção do conhecimento do século XVIII. Mesmo poucos sabendo ler, a publicação de uma grandiosa obra como essa simbolizava a circulação das ideias liberais e demonstrava a dedicação dos intelectuais ilustrados em construir um novo projeto para a sociedade. Pretendia-se, desde então, não só conhecer um mundo, mas propor possíveis transformações. Os ideais de liberdade e progresso fazem parte da proposta de mudança social. Os pensadores iluministas defendiam que o homem tinha condições e capacidade de modificar a sociedade, libertandose dos preconceitos, das intolerâncias, educando-se para uma nova realidade que o afastasse, para sempre, das trevas. Desse modo, o conhecimento passa a ser utilizado não só para deleite intelectual, mas passou a ser usado na vida cotidiana das pessoas. Os economistas liberais Frontispício de um dos volumes da Enciclopédia ( ), dirigida por Diderot e D Alembert. (Bibliothèque Municipale, Amiens, França). Os pensadores iluministas não lançaram críticas apenas as instituições políticas e religiosas, ou seja, não se limitaram a combater o absolutismo, a rígida hierarquização e os privilégios aristocráticos. Vários intelectuais criticaram a política econômica do sistema absolutista o mercantilismo considerada um empecilho para o desenvolvimento social e econômico. No final do século XVIII e princípio do XIX, a vida material na Europa Ocidental sofreu uma série de mudanças. Após um longo período de transição, a produção capitalista atingiu sua consolidação, inicialmente, na Inglaterra, com a Revolução Industrial. 121

19 Simultaneamente, a sociedade industrial, capitalista e burguesa em ascensão abraçava os ideiais de progresso e desenvolvimento. Nesse cenário, houve o surgimento de um conjunto de teorias, denominadas de Economia Política Clássica que se pautava no princípio do liberalismo. Esse fundamento econômico atendia as aspirações da nova ordem individualista, burguesa e capitalista formada na Europa. Os économistes defendia que a dinâmica da economia era regido por leis naturais, pela liberdade de contrato, pelo individualismo econômico, pela livre concorrência e pela livre iniciativa e calcados no racionalismo. Assim, rejeitava-se qualquer tipo de intervenção estatal na economia. O lema dos économistes era laissez faire, laissez passer, le monde va de lui même, ou seja, deixai fazer, deixai passar (os produtos), o mundo vai por si mesmo. As novas relações sociais de produção passaram a ser definidas por meio da liberdade de contrato que envolvia o capital e o trabalho, fundamentada no livre acordo entre as partes, e não submetidos às tradicionais regras. Obviamente, que o novo mundo econômico, estruturado no desenvolvimento e liberdade de mercado idealizado e sistematizado cientificamente pela Economia Política gerou algumas contradições. Essa nova ordem contribuiu para o surgimento de atritos que passaram a ser considerados inerentes às sociedades liberais, burguesas, capitalistas e industriais. De um lado os proprietários dos meios de produção os capitalistas; do outro, a classe expropriada, forçada a vender sua força de trabalho em troca de baixíssimos salários os proletários. Essas divergências resultantes da relação capital/trabalho foram discutidas com muita intensidade no século XIX, através das críticas formuladas pelos teóricos socialistas. Os fisiocratas Os pensadores do século XVIII eram defensores do fim da intervenção do Estado, promovendo uma densa crítica contra o mercantilismo. Assim, o mercado deveria ser regido pela lei da oferta e da procura. O primeiro grupo de economistas que rejeitavam os princípios mercantilistas surgiu na França. Entre esses pensadores se destacaram François Quesnay, o marquês de Mirabeau, Dupont de Nemours e Robert Turgot. Eles integravam o grupo que passou a ser denominado com Escola Fisiocrata ou Agrarianista da teoria econômica. Esses pensadores abriram os caminhos para o liberalismo econômico. Os fisiocratas afirmavam que as atividades econômicas naturais como a mineração, a agricultura e o extrativismo eram essenciais e indispensáveis para o desenvolvimento do país. Segundo eles, essas atividades eram mais importantes que o comércio, pois este último se restringia em repassar produtos já existentes de uma pessoa para outra, ou seja, não produzia bens, trocava-os. Para os agrarianistas, a indústria basicamente transforma as riquezas extraídas da terra. Nessa perspectiva, a indústria e o comércio eram estéreis, uma vez que não geravam riquezas, apenas transformavam-nas e as faziam circularem. A Escola Clássica ou Escola de Manchester O estudioso britânico Adam Smith ( ) deu continuidade às concepções discutidas pelos fisiocratas, tornando o principal teórico do liberalismo econômico. Sua obra mais importante, publicada em 1776, A Riqueza das Nações: investigação sobre a Natureza e suas causas, transformou-se num referencial para o entendimento da moderna teoria econômica. Tratava-se de intensivos combates às práticas mercantilistas e de uma busca de responder a alguns questionamentos da época, principalmente, aos eventos que ocorriam na Inglaterra. Smith acreditava que as estruturas básicas do mercantilismo estavam superadas, considerando o comércio exterior como grande fonte de riqueza de um país. Além disso, declarava que o trabalho produtivo era verdadeira fonte de riqueza social, tanto na indústria como na agricultura. Página de abertura do segundo volume da Riqueza das Nações. Nessa obra, Adam Smith afirmava que a intervenção estatal na economia era ineficiente e desnecessária, uma vez que o mercado possuía leis naturais. 122

20 Além de criticar os mercantilistas, Smith também discordou com os fisiocratas quanto à origem da riqueza de um Estado, afirmando: Não se veem, por ventura, povos pobres em terras vastíssimas, potencialmente férteis, em climas dos mais benéficos? E, inversamente, não se encontra, por vezes, uma população numerosa vivendo na abundância em um território exíguo, até algumas vezes em terras penosamente conquistadas ao oceano, ou em territórios que não são favorecidos por dons naturais? Ora, se essa é a realidade, é por existir uma causa sem a qual os recursos naturais, por preciosos que sejam, nada são, por assim dizer; uma causa que, ao autor, pode suprir a ausência ou insuficiência de recursos naturais. Em outros termos, uma causa geral e comum de riqueza, causa que, atuando de modo desigual e vários entre os diferentes povos, explica as desigualdades de riqueza de cada um deles; essa causa dominante é o trabalho. Segundo Smith, a divisão social e especialização do trabalho seriam essenciais para o desenvolvimento econômico de uma nação. Concernente à relação entre mercados, riqueza e trabalho especializado, o pai do liberalismo econômico fez a seguinte exemplificação: Tomemos, pois, um exemplo tirado de uma manufatura muito pequena, mas na qual a divisão do trabalho muitas vezes tem sido notada: a fabricação de alfinetes. Um operário não treinado para essa atividade (que a divisão do trabalho transformou em uma indústria específica) nem familiarizado com a utilização das máquinas ali empregadas (cuja invenção provavelmente também se deveu à mesma divisão de trabalho), dificilmente poderia talvez fabricar um único alfinete em um dia, empenhando o máximo de trabalho; de qualquer forma, certamente não conseguirá fabricar vinte. Entretanto, da forma como essa atividade é hoje executada, não somente o trabalho todo substitui uma indústria específica, mas ele está dividido em uma série de setores, dos quais, por sua vez, a maior parte também constitui provavelmente um ofício especial. Um operário desenrola o arame, um outro o endireita, um terceiro o corta, um quarto faz as pontas, um quinto o afia nas pontas para colocação da cabeça do alfinete (...). Vi uma pequena manufatura desse tipo, com apenas 10 empregados (...) Mas, embora não fossem muito hábeis, e portanto não estivessem particularmente treinados para o uso das máquinas, conseguiam, quando se esforçavam, fabricar. (...) mãos do que 48 mil alfinetes por dia. Assim, já que cada pessoa conseguia fazer 1/10 de 48 mil alfinetes por dia, pode-se considerar que cada uma produzia alfinetes diariamente. SMITH, Adam. A Riqueza da Nação. São Paulo: Abril, p v.1. Mesmo concordando com o principio fisiocrata do laissez faire (o mercado é regido por uma mão invisível ), Smith admitia algumas formas de regulamentação estatal na economia, desde que a mesma se voltasse para o combate e prevenção das injustiças e da opressão, ao incentivo da educação e a proteção a saúde pública. A Escola Clássica também contou com a participação de David Ricardo ( ), Stuart Mill ( ), Thomas Robert Malthus ( ) e Jean-Baptiste Say ( ). O economista inglês David Ricardo lançou, em 1817, o livro Princípios de Economia Política e Tributária, na qual explica como ocorre a distribuição da renda e apresenta os principais fatores que influenciaram enormemente o cenário econômico: salário, lucro e renda. Na sua Teoria do Valor-Trabalho, afirmou que as despesas da produção social, em último momento, determinam o preço das mercadorias produzidas. David também analisou as questões salariais. Segundo ele, era inútil aumentar o ganho real dos trabalhadores, pois os salários estarão sempre próximos ao padrão de sobrevivência. Suas ideias influenciaram o pensamento marxista. O filósofo e economista britânico Stuart Mill se dedicou aos estudos das obras de John Locke, Adam Smith e David Ricardo. Apesar de defender o laissez faire, afirmava que seria fundamental a distribuição equilibrada dos benefícios gerados pela economia liberal. O seu livro 123

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