UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS DEPARTAMENTO DE CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO CURSO DE BIBLIOTECONOMIA

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1 3 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS DEPARTAMENTO DE CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO CURSO DE BIBLIOTECONOMIA DIEGO MARADONA SOUZA DA SILVA REPRESENTAÇÃO DESCRITIVA NA CONTEMPORANEIDADE: O CASO DOS REQUISITOS FUNCIONAIS PARA REGISTROS BIBLIOGRÁFICOS (FRBR) E DA RECURSOS: DESCRIÇÃO E ACESSO (RDA) NATAL- RN 2012

2 DIEGO MARADONA SOUZA DA SILVA REPRESENTAÇÃO DESCRITIVA NA CONTEMPORANEIDADE: O CASO DOS REQUISITOS FUNCIONAIS PARA REGISTROS BIBLIOGRÁFICOS (FRBR) E DA RECURSOS: DESCRIÇÃO E ACESSO (RDA) Monografia apresentada ao Departamento de Ciência da Informação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte como parte dos requisitos para obtenção do grau de Bacharel em Biblioteconomia. Orientadora: Prof.ª MsC Mônica Marques Carvalho NATAL- RN 2012

3 Catalogação da Publicação na Fonte S586r Silva, Diego Maradona Souza da. Representação Descritiva na Contemporaneidade: o caso dos Requisitos Funcionais para Registros Bibliográficos (FRBR) e da Recursos: Descrição e Acesso (RDA) / Diego Maradona Souza da Silva. Natal: UFRN, f. : il. Orientadora: Profª. M.Sc. Mônica Marques Carvalho. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Biblioteconomia) Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Centro de Ciências Sociais Aplicadas. Departamento de Ciência da Informação. 1. Representação Descritiva da Informação. 2. Requisitos Funcionais para Registros Bibliográficos - FRBR. 3. Recursos: Descrição e Acesso - RDA. 4. Universidade Federal do Rio Grande do Norte. I. Carvalho, Mônica Marques. II. Representação Descritiva na Contemporaneidade: o caso dos Requisitos Funcionais para Registros Bibliográficos (FRBR) e da Recursos: Descrição e Acesso(RDA). RN/UF/BCZM CDU 621

4 DIEGO MARADONA SOUZA DA SILVA REPRESENTAÇÃO DESCRITIVA NA CONTEMPORANEIDADE: O CASO DOS REQUISITOS FUNCIONAIS PARA REGISTROS BIBLIOGRÁFICOS (FRBR) E DA RECURSOS: DESCRIÇÃO E ACESSO (RDA) Monografia apresentada ao Departamento de Ciência da Informação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte como parte dos requisitos para obtenção do grau de Bacharel em Biblioteconomia. MONOGRAFIA APROVADA EM 20/ 12 /2012 PROFª. MSC. MÔNICA MARQUES CARVALHO ORIENTADORA PROFª. MSC. JACQUELINE APARECIDA DE SOUZA MEMBRO PROFª. ESP. EPONINA EILDE DA SILVA PEREIRA MEMBRO

5 3 AGRADECIMENTOS Em primeiro lugar, agradeço a DEUS por tudo. Agradeço a Ele, por todas as alegrias e horas de felicidade, mas trago maior gratidão por todos os momentos de angústia e dificuldade, pois sei que nesses momentos, fui carregado nos braços de Sua Infinita Misericórdia! Sem Ele, razão do meu viver, não estaria eu neste momento a realizar mais um sonho. Sonho este que foi primeiro sonhado por Ele, e apenas deixe-me guiar por Sua Vontade! Gratidão também a minha família, principalmente na pessoa da minha amadíssima mãe. Através do exemplo de pessoa, dos valores repassados e da força em todas as horas alcancei mais um momento importante na minha vida. Obrigado minha amiga, minha guerreira, minha confidente! Obrigado por existir! Uma pessoa que com todo o mérito merece destaque aqui chama-se Mônica Carvalho. Essa mulher foi responsável pelo nascimento intelectual deste filho (que por diversas vezes acreditei que não iria nascer.) Além de orientadora esta se passou por conselheira, auxiliadora em todos os momentos de dificuldade, psicóloga e o mais importante: AMIGA. Obrigadão Mônica por tudo! Sem sua paciência, carinho e atenção dificilmente eu teria chegado aqui. Um grande abraço de agradecimento por todos aqueles que conheci no curso de Biblioteconomia e que tenho o prazer de chama-los de amigos e companheiros de todas as horas. A minha querida turma de , um abraço saudoso e cheio de carinho a cada um. Entre os queridos biblios ressalto os nomes de Carla Beatriz, Edson Marques, Christiane Gomes, Edvânia Machado, Aline Nascimento, Eduardo Medeiros, Bruna Nascimento, Midinai Bezerra, Gleiciany Barbosa, Raimunda Fernanda, Eros Gibson e Rafael Galvão. De forma equivalente, agradeço a todos aqueles que contribuíram com o meu crescimento e evolução profissional através das práticas e experiências de estágio que vivenciei. Chefinhos e chefinhas, muito obrigado por tudo! Sei que serei um profissional melhor diante de tudo o que vi e aprendi com vocês! Um abraço especial para Kaline Bezerra, Íthalo Araujo, Euzébia Pontes, Jackeline Pinheiro, Denise Tavares e Sônia Lopes.

6 4 Um grande obrigado aos Mensageiros de Cristo, minha verdadeira família, e aos amioos da minha nova Família: Valdenira, Marcos, Polyane, Hilton, Rômulo, Rayssa, Rammon, Helô, Thiago, Paulinho, Lucyanne, Juh e Tarcila,., Sem vocês meus amigos em Cristo, tudo teria sido mais difícil. Amo muito cada um de vocês! Aos meus amigos que mesmo não sendo do curso me ofereceram em sua amizade e carinho suporte para cumprir este desafio, meu muito obrigado. E essa vai para Allison Ferreira, Dayvson Melo, Marcelo Júnior e Andréa Melo. Enfim, a todos que contribuíram de forma significativa, direta ou indiretamente na realização desta obra, deixo expresso nestas singelas palavras o meu agradecimento!

7 Graças Pai, por Teu amor e Tua bondade, por Tua força e amizade. Por Seres um Pai leal, sempre leal. Graças Pai, pelas dores e alegria, por estar sempre ao meu lado. Por Teu grande amor, meu Senhor! [...] Graças! (Ribeiro, 2012a) 5

8 6 RESUMO O impacto que o excesso de informação presente na atual sociedade da informação cria necessidades de melhor desenvolver estratégias que garantam uma organização, tratamento e disseminação da informação. Nesse sentido, a organização da informação e sua representação torna-se uma estratégia que visa sua melhor difusão. Diante disso o presente trabalho visa traçar um panorama da evolução da Catalogação desde os tempos remotos até a atualidade com vistas a apontar novas tendências no tratamento descritivo da informação. Especificamente consiste em caracterizar e identificar as práticas da Representação da Informação enfatizando a Representação Descritiva da Informação; Apresentar um breve histórico da catalogação no intuito de revelar o surgimento e evolução do catálogo; Analisar o conceito e tipologias do catálogo como instrumento de representação da informação. Descrever o modelo conceitual dos Requisitos Funcionais para Registros Bibliográficos FRBR; Apresentar de forma sucinta o novo formato de catalogação denominado Recursos: Descrição e Acesso - RDA bem como apontar possíveis mudanças e vantagens trazidas para os usuários, instituições e profissionais da informação. A metodologia aplicada consistiu em pesquisa bibliográfica e eletrônica relevante ao tema proposto. Para tanto, foram utilizadas fontes de informação convencionais bem como a pesquisa eletrônica, a qual forneceu maior subsídio informacional a esta monografia. As principais fontes informacionais no meio digital foram: os mecanismos de busca, os catálogos de bibliotecas nacionais e internacionais, sites, base de dados, portais de informação e outros. Ao final considera-se que existe uma necessidade de evolução dos padrões de tratamento da informação e que os novos padrões e formatos precisam estar contextualizados às necessidades da sociedade atual. Palavras-Chave: Representação Descritiva da Informação. Requisitos Funcionais para Registros Bibliográficos. Recursos: Descrição e Acesso.

9 7 LISTA DE FIGURAS Figura 1 Pirâmide do Conhecimento 15 Figura 2 Relações de primeiro nível 42 Figura 3 Relações de responsabilidade 42 Figura 4 Relações de assunto 43

10 8 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ORGANIZAÇÃO E REPRESENTAÇÃO DA INFORMAÇÃO REPRESENTAÇÃO DESCRITIVA DA INFORMAÇÃO: BREVE HISTÓRICO O CATÁLOGO E SUA TIPOLOGIA: A IMPORTÂNCIA DA CATALOGAÇÃO TENDÊNCIAS PROMISSORAS: EM BUSCA DE UM PADRÃO VISANDO A RECUPERAÇÃO DA INFORMAÇÃO REQUISITOS FUNCIONAIS PARA REGISTROS BIBLIOGRÁFICOS - FRBR RECURSOS: DESCRIÇÃO E ACESSO - RDA As mudanças da norma Recursos: Descrição e Acesso Vantagens trazidas pela norma Recursos: Descrição e Acesso CONSIDERAÇÕES FINAIS...58 REFERÊNCIAS...60 APÊNDICES...62

11 9 1 INTRODUÇÃO Ao observar o contexto da chamada Sociedade da Informação, percebe-se que o principal insumo, desejado e consumido em proporções cada vez maiores, é a própria informação. Esta é responsável pela evolução social, política, promove a cidadania e sua falta ocasiona situações de grande prejuízo para o homem e para a sociedade como um todo. No período hodierno em que vivemos nos deparamos com uma grande massa informacional em um invólucro de desorganização e caos, onde obter a informação que se deseja torna-se um ofício quase que impraticável. Surgem então, como medidas para tentar sanar essa dificuldade, as representações da informação como estratégias de organização informacional, no qual se destaca neste trabalho, a representação descritiva da informação. A Representação Descritiva da Informação, que apresenta como objetivo descrever os materiais do seu ponto de vista físico, pode ser utilizado como estratégia para promover o tratamento adequado, a representação e recuperação informacional, derrubando assim as barreiras e ruídos que se intervenham entre o usuário e a informação. Logo, o tema central abordado neste trabalho é voltado para a Representação Descritiva da Informação. Dessa forma, indagou-se a respeito de como se encontra a Organização e Representação do Conhecimento na atualidade; que novas propostas no campo da padronização e representação da Informação se apresentam para ajudar a tratar e organizar o excesso informacional da atualidade e quais as mudanças e benefícios trazidos por estes novos modelos e normas à Representação Descritiva da Informação. Para responder tais indagações se realizou a pesquisa em tela que tem como objetivo geral traçar um panorama da evolução da Catalogação, desde os tempos remotos até a atualidade, com vistas a apontar novas tendências no tratamento descritivo da informação. Especificamente, o trabalho consiste, em caracterizar e identificar as práticas da Representação da Informação enfatizando a Representação Descritiva da Informação; traçar um breve perfil histórico do instrumento catálogo e da catalogação; conceituar o que seja o

12 10 catálogo e apresentar sua tipologia, além de explicitar a importância da catalogação; caracterizar e descrever o modelo conceitual FRBR bem como analisar os Recursos: Descrição e Acesso - RDA, as mudanças e benefícios trazidos. O interesse inicial pelo tema central desta monografia se deu através do contato e do estudo sobre as formas de Representação da Informação durante a graduação. Ademais, algo que fomentou o crescimento deste interesse veio da observação do pouco estudo na área, o que em alguns momentos ocasionou em dificuldades na realização desta obra. De maneira específica, o interesse sobre a RDA e os FRBR surgiu a partir dos recentes estudos sobre estas temáticas e o anseio em conhecer e caracterizar estes novos recursos de fundamental importância para as práticas de catalogação de nossa atualidade. Para a realização deste trabalho e por se tratar de uma pesquisa qualitativa, utilizou-se como principal metodologia a pesquisa (bibliográfica e eletrônica) relevante ao tema proposto. Para tanto, foram utilizadas fontes de informação convencionais bem como a pesquisa eletrônica, a qual forneceu maior subsídio informacional a esta monografia. As principais fontes informacionais no meio digital foram: mecanismos de busca, catálogos de bibliotecas nacionais e internacionais, sites, base de dados, portais de informação e outros. Para promover o compreendimento inteligível por parte do leitor, dividiuse o conteúdo temático desta obra em três capítulos. No primeiro, o enfoque é dado sobre a organização e representação da informação, abordando questões inicias como a evolução do homem e da sociedade, analisando conceitos sobre a informação e o seu excesso na sociedade atual e destacando as formas de representação da informação como alternativas para o controle informacional. No segundo capítulo, traz-se de forma breve, um passeio histórico contemplando a história do catálogo e da catalogação. Em outro momento discute-se a respeito do catálogo, de sua tipologia e da importância da catalogação. No último capítulo teórico, trata-se das tendências da representação descritiva da atualidade, destacando o modelo FRBR Requisitos Funcionais para Registros Bibliográficos e a nova norma de

13 11 catalogação Recursos: Descrição e Acesso - RDA. Por fim, seguem-se as considerações finais desta obra.

14 12 2 ORGANIZAÇÃO E REPRESENTAÇÃO DA INFORMAÇÃO Antes de aprofundar a discussão sobre a organização e representação da informação, e assim apresentar a questão da representação descritiva da informação, se torna imprescindível conhecer o objeto de estudo das práticas do fazer bibliotecário: a própria informação. No decorrer da história, é perceptível a necessidade que o ser humano sempre demonstrou em utilizar e registrar a informação, onde procurou armazenar estas informações nos mais variados tipos de suporte. Na préhistória, por exemplo, um dos grandes indícios de tal interesse são as próprias pinturas rupestres. Nesses registros o homem primitivo procurava através de representações imagéticas demonstrar cenas de seu cotidiano, como a contagem de alimentos e animais. Ao analisar a sociedade a partir de sua evolução, também se percebe o quanto o homem necessitou da informação como insumo essencial para o seu próprio desenvolvimento. De acordo com Toffler (1995) o ser humano nos seus primórdios, logo após se desvincular do nomadismo com o desenvolvimento da agricultura, constituiu a primeira estrutura da sociedade humana: a Sociedade Agrícola ou atravessa, como diz o próprio autor, a primeira onda. O foco desta sociedade era possuir informações para prover o próprio sustento através do trabalho e cultivo da terra. Dando sequência a história e tendo em vista o aumento populacional somado ao êxodo do campo e a mecanização dos meios de produção, a sociedade que antes se relacionava diretamente com o campo, onde obtinha a sua sobrevivência, é impulsionada pela era do industrialismo. A estrutura social, agora denominada Sociedade Industrial, apresentava como interesse maior obter informações com o intuito de ter o melhor controle dos processos industriais e aperfeiçoar os meios de produção. Desse modo, como afirma Reis (2006), observa-se grandes diferenças nos modos de produção, transporte, comunicação, além da criação do capitalismo, aumento dos lucros e do consumo que se dá através da invenção

15 13 de maquinários aprimorados para o transporte de mercadorias e que necessitam de orientações e informações sobre o seu correto uso e manuseio. Logo, a solução encontrada em conformidade com as ideias de Reis, seria a obtenção da informação para a produção do conhecimento. Em razão desses acontecimentos, o modelo organizacional e econômico da sociedade mundial sofreu uma nova modificação: a Sociedade Industrial transforma-se em Sociedade da Informação, configurando-se como modelo que se mantém até os dias atuais. Mas então, como definir e compreender esta sociedade? De acordo com o Livro Verde para a Sociedade da Informação de Portugal, este termo refere-se a um modo de desenvolvimento social e económico em que a aquisição, armazenamento, processamento, valorização, transmissão, distribuição e disseminação de informação conducente à criação de conhecimento e à satisfação das necessidades dos cidadãos e das empresas, desempenham um papel central na actividade [sic] económica, na criação de riqueza, na definição da qualidade de vida dos cidadãos e das suas práticas culturais (LIVRO, 1997, p. 5) Já Castells ao utilizar o termo Sociedade Informacional afirma que tal sociedade é caracterizada por uma forma específica de organização social em que a geração, o processamento e transmissão da informação tornam-se fontes fundamentais de produtividade e poder devido as novas condições tecnológicas surgidas nesse período histórico. (CASTELLS, 2007, p. 65) Werthein (2000) infere ainda que o fator-chave desta nova sociedade não seria mais os insumos baratos de energia comuns na sociedade industrial, mas sim os insumos de informação que são obtidos pelos avanços tecnológicos nos campos da microeletrônica e das comunicações. De acordo com os autores é possível compreender que este processo social, além de estar intrinsecamente ligado ao desenvolvimento da sociedade, tem sua referência com a questão econômica de todo o mundo. Esta nova

16 14 sociedade que oculta o simples desejo dos insumos energéticos e apresenta uma maior valorização da informação, necessita de amparo tecnológico eficiente e cada vez mais avançado para prover e executar as suas atividades. Assim, torna-se evidente que esta sociedade tem o foco essencial sobre a informação, desde a geração e aquisição até a sua transmissão, mediante os avanços e condições tecnológicas atuais. A informação neste contexto identifica-se como elemento essencial para o homem, para a sociedade e também à economia mundial. Posta a importância e inter-relação da informação durante a história e na atual conjuntura social e econômica, um novo questionamento surge: o que é informação? Para responder esta interrogativa convém relembrar outros dois conceitos que se encontram vinculados à significação da informação: os dados e o conhecimento. Estes três elementos (os dados, a informação e o conhecimento) participam do que muitos autores denominam como pirâmide ou ciclo do conhecimento. De maneira breve e ilustrativa, trazem-se rápidos conceitos destes elementos para elucidar a compreensão do tema. A ideia de dados conforme Setzer (1999) está ligada a visão de símbolos que são quantificados ou quantificáveis. Em outras palavras, pode-se afirmar que dados são signos ou símbolos que, por si só, não apresentam significado. Eles são de fácil quantificação, transmissão e organização. Exemplo básico deste conceito são as letras do alfabeto. São símbolos que isoladamente não apresentam um sentido, um significado intrínseco. Podem ser simplesmente contadas, transmitidas e organizadas. Os dados quando se encontram inter-relacionados e representam algum significado para um indivíduo, se configuram como informação. Logo, pode-se afirmar num primeiro momento que a informação se configura como dados que, reunidos e relacionados entre si, apresentam significância e sentido. Exemplificando o que seja informação e voltando o caso das letras do alfabeto, se podem citar as palavras como exemplos básicos de informação, onde as letras se relacionam e produzem significado compreensível.

17 15 Por último, e não menos complexo, se tem o conhecimento. Este pode ser justificado como o resultado de um conjunto de informações, assimilado e que apresentam significância intrínseca a um indivíduo. Neste caso, uma informação só pode ser considerada conhecimento quando realmente assimilada e compreendida. Caso esse processo não ocorra seja por falta de capacidade cognitiva do indivíduo, seja por falta de eco no repertório informacional ou desinteresse e rejeição pessoal, a informação preserva-se em sua essência (BARRETO,1999). Ao contrário dos dados, o conhecimento não pode ser quantificado, e também não apresenta a mesma facilidade em transmissão e organização. Isso se deve pela razão de ser este processo de caráter subjetivo e intimamente ligado a capacidade cognitiva de cada indivíduo. Finalizando esta rápida conceituação, tem-se abaixo uma possível representação do que foi anteriormente explanado e comentado sobre o ciclo do conhecimento. Fig. 1 - Pirâmide do Conhecimento A informação, como diria Aldo Barreto, sintoniza o mundo (1999, p.1). É a partir dela que a sociedade se renova, vive e evolui. A necessidade em se possuir informação, como já foi comentado, remonta os primórdios da civilização humana e, no período hodierno, pode ser identificada em variadas circunstâncias e ambiências. Desde a tomada de decisões em grandes organizações e instituições, até o desejo de suprir uma dúvida em uma receita de bolo, o desejo em se obter a informação se realiza. Logo, para que essa ansiedade informacional seja saciada se faz preciso favorecer e facilitar o

18 16 acesso à informação. Para se entender melhor acerca deste tipo de acesso, analisemos como esse processo era realizado. Adentrando rapidamente na história das bibliotecas na Idade Média constatamos que estas se apresentavam apenas como localidades meramente armazenadoras e detentoras de informação, (e não disseminadoras!) As bibliotecas monásticas da antiguidade são grandes ilustrações dessa realidade. Estas bibliotecas se caracterizavam por salvaguardar sobre sete chaves os materiais informacionais com conteúdo sigiloso e confidencial do restante da população. Um detalhe importante a ser frisado nesta época se refere aos meios de reprodução das informações produzidas. Neste ponto histórico é relevante a presença e contribuição dos monges copistas. Como conta-nos a história, estes eram encarregados em transcrever manualmente, livro por livro, boa parte das informações existentes. Analisando esta sintética passagem histórica, se pode observar que o acesso à informação era realizado apenas a uma pequena parcela da população, enquanto todo o restante era privado das informações e do conhecimento armazenados. Esta situação só começa a mudar com o surgimento das primeiras universidades datadas, de acordo com Oliveira (2007), em meados do séc. XIII. Com a chegada das universidades, houve uma maior democratização e acesso as informações antes limitadas a poucos. Sequenciando a história, e evidenciando outro grande marco para o acesso informacional, datando por volta do séc. XV, temos a invenção da imprensa de Gutenberg. Com os tipos móveis, a imprensa se tornou um instrumento de muita importância na divulgação das informações produzidas. Assim, o conhecimento se descentraliza das mãos de grupos seletos e alcança agora os cidadãos comuns da sociedade. Entretanto, apesar de promover a democratização e acesso informacional, toda a facilidade em se obter informação acabou por incitar na sociedade um maior consumo e, logo, uma maior demanda informacional. Assim se instaura o fenômeno denominado como explosão informacional.

19 17 Os efeitos deste grande boom informacional, são vividos (e sentidos) até hoje. Umberto Eco há algum tempo, escreveu um texto onde analisa a quantidade de informação existente no mundo e o grande caos que isto ocasiona. Nesta tempestade de informações, como ele mesmo se refere, somos obrigados diariamente a filtrar e rejeitar informações enquanto somos bombardeados por tantas outras ao mesmo tempo. Nos dias atuais, fenômenos com a globalização e o avanço constante das Tecnologias da Informação e Comunicação TICs, aceleram e amplificam ainda mais os efeitos deste casamento paradoxal: o aumento da democratização e acesso às informações e a maior desorganização, e consequentemente, o caos informacional. Com referência ao que foi exposto, o homem nos dias atuais apresenta uma nova necessidade relacionada à obtenção e uso informacional: a promoção da organização e representação do recurso informação. Nesta perspectiva, surgem ciências e metodologias que têm por objetivo ordenar e expressar este universo de dados e informações almejando minimizar os danos deste caos informacional e assim, trazer a praticidade e comodidade para receber e utilizar este importante insumo. A Biblioteconomia, por exemplo, considerada um ramo da Ciência da Informação, apresenta como missão a função de organizar e representar as informações com o objetivo de disseminá-las e fornecê-las ao usuário de forma eficiente. Uma alternativa para promover tal ação é através da Representação da Informação. De acordo com Novellino (1996, p.38), a Representação da Informação RI, pode ser compreendida como o processo que visa substituir a entidade linguística longa e complexa do documento por uma breve descrição. Maimone, Silveira e Tálamo (2011, p.28) acrescentam que a RI apresenta como principal objetivo proporcionar a comunicação dos documentos e os usuários da informação. Em outras palavras, pode-se afirmar que a Representação da Informação é responsável por sintetizar todas as informações contidas em

20 18 determinado documento, buscando destacar o essencial e apresenta-las de forma sucinta, visando uma melhor organização e recuperação informacional mediante a facilitação da comunicação e do acesso a informação entre os usuários e os documentos. Segundo Maimone, Silveira e Tálamo (2011) a RI se subdivide em dois tipos: a Representação Temática da Informação e a Representação Descritiva da Informação. A Representação Temática pretende representar o assunto dos documentos com o propósito de aproximar e recuperar materiais relevantes com temáticas semelhantes. Para tal, são estudadas e adotadas linguagens documentárias e instrumentos para promoção de um vocabulário controlado. Alguns dos instrumentos de destaque utilizados são as classificações (Classificação Decimal de Dewey- CDD, a Classificação Decimal Universal CDU, e outras), os tesauros e as ontologias. A Representação Descritiva configura-se como o método de representação que procura individualizar o documento e representá-lo a partir de características específicas dos documentos. Este método de classificação ainda é responsável por criar e padronizar pontos de acesso 1 e unir documentos semelhantes por informações similares como autor em comum ou série (MAIMONE, SILVEIRA E TÁLAMO, 2011). O principal instrumento utilizado por este tipo de representação é o próprio catálogo. Apresentados em um contexto geral os principais temas propedêuticos desta obra, aprofundaremos o estudo sobre a Catalogação e a Representação Descritiva da Informação. 1 Os pontos de acesso são nomes ou expressões na Representação Descrita que auxiliam na procura ou o acesso da informação pelo usuário em um sistema ou em um catálogo.

21 19 3 REPRESENTAÇÃO DESCRITIVA DA INFORMAÇÃO: BREVE HISTÓRICO No intuito de poder melhor ilustrar sobre o processo de catalogação, torna-se indispensável o olhar sobre o passado em busca das origens e da história dos catálogos e da catalogação. Dessa forma traz-se um breve histórico em conformidade as pesquisas de Ruth French Strout (pioneira no levantamento sobre a história da catalogação), de algumas citações de Alice Príncípe Barbosa e dos pertinentes acréscimos de Eliane Mey e Naira Silveira em sua obra denominada Catalogação no Plural. O início da representação da informação e da catalogação em si, não apresentavam referências com o processo representativo dos dias atuais, entretanto as bibliotecas e unidades de informação em contexto geral sempre apresentaram a necessidade em representar e organizar o conteúdo informacional de seus acervos. De acordo com Ortega (2009), observa-se na biblioteca de Ebla na Síria, (a mais antiga e conhecida biblioteca do mundo), a existência de um acervo de materiais administrativos, científicos e literários que eram registrados em cerca de quinze mil tábulas de argila. Essas tábulas eram organizadas de acordo com o seu conteúdo temático e traziam ainda quinze tábuas pequenas com o conteúdo resumido dos documentos do acervo. Seria, talvez, a primeira tentativa de representação informacional de toda a história, datada antes da Idade Média! Ao longo do tempo, muitas iniciativas e conquistas foram significativas para a formação dos catálogos e da catalogação como processo. Desse modo, um possível precursor do catálogo surgiu na Biblioteca de Assurbanipal, no século VII a.c. em Nínive. Nesta biblioteca foram encontrados cerca de 20 mil fragmentos de tábulas de argila que possuíam informações sobre o título, número ou volume da tábula, primeiras palavras da tábula seguinte, nome do possuidor original, nome do escriba e um selo, possivelmente tratando-se de propriedade real (MEY E SILVEIRA, 2009, p. 60).

22 20 Outro grande exemplo, datado em cerca de 250 a. C., foi o de Calímaco de Cirene, bibliotecário da conhecida biblioteca de Alexandria. Calímaco foi bastante importante na história do catálogo e da organização do conhecimento devido a criação do pinakoi 2. Tratava-se de uma espécie de catálogo, onde Calímaco procurou organizar os documentos primeiramente por assuntos e depois por ordem alfabética de autores e títulos dos livros. Uma última contribuição histórica para a catalogação, ainda na Idade Antiga, veio da Grécia. Os gregos foram os primeiros a utilizar o conceito de autor como ponto de acesso de uma obra. Contribuição tão importante que permanece nas catalogações dos dias atuais. Na Idade Média, se pode destacar a participação e atuação dos monges copistas nas catalogações feitas naquela época. Assim, afirma-se que através do trabalho em elaborar inventários dos livros de seu tempo, estes monges propiciaram a preservação de boa parte da cultura antiga da Europa. No séc. IX surgiam alguns tipos de catálogos um pouco mais estruturados dos que nos anos anteriores. Um bom exemplo a ser dado seria o catálogo do mosteiro Beneditino de Saint Requier, na França, em cerca de 831. Nesse catálogo, o qual o registro era de aproximadamente 246 volumes, notava-se a organização feita pelo autor, o registro do conteúdo dos volumes e o número de volumes referentes a uma obra. Avançando um pouco a história, temos no séc. XIV, o que se afirma ser a representação mais próxima de um catálogo: a lista do convento Saint Martin, localizada em Dover na Inglaterra, em Essa lista era dividida em três partes, onde segundo as autoras a [...] primeira, organizada pelo número de localização do volume na estante, incluía um título breve, o número da página do livro em que o número de localização foi registrado, as primeiras palavras do texto nesta página, o número de páginas do livro e o número de obras contidas no volume. A segunda, também organizada pelo número de localização, registrava o conteúdo de cada volume, com a paginação e as palavras iniciais de cada obra. A terceira é um marco na catalogação: incluía análise das partes (entradas analíticas) e uma lista alfabética, às vezes de autor, outras de título e autor e outras, ainda, de 2 Também conhecida como Pinakes por alguns autores. Palavra de origem grega que significa tábuas, estantes ou mesas (MEY E SILVEIRA, 2009, p. 60).

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