IMUNIDADE PARLAMENTAR

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2 UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS Departamento de ciências jurídicas WANDIRLEY RODRIGUES DE SOUZA FILHO IMUNIDADE PARLAMENTAR Monografia apresentada à Banca Examinadora da Universidade Católica de Goiás, como exigência parcial para obtenção do título de Bacharel em Direito, sob a orientação do professor Dr. Ari Ferreira de Queiroz. GOIÂNIA

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4 Dedicatória Ao meu pai e à minha mãe; aos meus irmãos, a minha avó Olinda Rodrigues de Moraes, ao meu padrinho e minha madrinha, aos meus tios e tias, aos meus primos, a minha namorada Daniela Cristina Borges e Silva e ao meu orientador, professor Dr. Ari Ferreira de Queiroz. Agradecimentos Em primeiro lugar a Deus. Ao meu pai e à minha mãe, pelo amor e carinho dedicados a minha pessoa, pela educação que me proporcionaram e por todos os esforços que fizeram para que eu pudesse estudar. Aos meus irmãos, tios e tias, primos e primas e a minha avó Olinda Rodrigues de Morais, pelo incentivo ao estudo. Ao meu padrinho e a minha madrinha, pela atenção e satisfação que sempre demonstraram pela minha vida estudantil. A minha namorada Daniela Cristina Borges e Silva, pela ajuda na escolha do tema da monografia e pelo estimulo prestado nos momentos de dificuldades. Ao professor Dr. Ari Ferreira de Queiroz, pela orientação, pelo empenho enquanto educador e pelo notório saber jurídico colocado a disposição. A todos os amigos presentes, fisicamente ou espiritualmente, que contribuíram para realização dos meus estudos, em especial a esta monografia, dando força e coragem para prosseguir nessa caminhada. 4

5 RESUMO: O Poder Legislativo é um dos pilares que sustentam a República do Brasil. Estão a frente deste Poder os parlamentares, a qual são conferidas imunidades por suas opiniões, palavras e votos, contra prisão e possibilidade de sustação de processo contra ele intentado, para que possam exercer suas atividades de representantes da população. Ocorre que o Poder Legislativo enfrenta uma enorme crise, pois imagem dos parlamentares brasileiros a cada dia que passa está mais arranhada, devido escândalos envolvendo os seus nomes, que se tornam cada vez mais comuns e raramente são esclarecidos, transmitindo uma sensação de impunidade. Em torno desta crise que cerca o Legislativo brasileiro, urge se discutir o instituto da imunidade concedida aos parlamentares, verificar se esta é prerrogativa realmente necessária para o exercício das atividades inerentes do Poder Legislativo ou privilégio pessoal concedida aos nossos mandatários. PALAVRAS-CHAVE Parlamentar. Imunidade. Material. Formal. Prerrogativa. Privilégio. 5

6 Sumário 1 CAPÍTULO I: HISTÓRICO DAS IMUNIDADES PARLAMENTARES ORIGEM IMUNIDADE PARLAMENTAR NAS CONSTITUIÇÕES BRASILEIRAS Constituição de Constituição de Constituição de Constituição de Constituição de Constituição de Constituição de CAPÍTULO II: TIPOS DE IMUNIDADES CONCEITO DE IMUNIDADE PARLAMENTAR DISTINÇÃO ENTRE IMUNIDADE E INVIOLABILIDADE ESPÉCIES DE IMUNIDADES PARLAMENTARES CAPÍTULO III: IMUNIDADE MATERIAL E IMUNIDADE FORMAL IMUNIDADE MATERIAL Noções Conceito Objeto Natureza jurídica Características da Inviolabilidade Absoluta Permanente De Ordem pública

7 Irrenunciável Abrangência da imunidade material IMUNIDADE FORMAL Noções Conceito Objeto Natureza Jurídica Características da imunidade formal De ordem pública e irrenunciável Relativa Temporária Extinção da licença prévia Imunidade formal em relação à prisão Imunidade formal em relação ao processo Imunidades e estado de sítio CAPÍTULO III: IMUNIDADE PARLAMENTAR: PRERROGATIVA OU PRIVILÉGIO? CONCEITO DE PRERROGATIVA CONCEITO DE PRIVILÉGIO IMUNIDADE PARLAMENTAR: PRIVILÉGIO OU PRIVILÉGIO? Argumentos favoráveis à imunidade parlamentar como prerrogativa Argumentos desfavoráveis à imunidade parlamentar como prerrogativa CONCLUSÕES REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

8 INTRODUÇÃO O Poder Legislativo brasileiro tem sua credibilidade cada vez mais abalada em razão da inoperância do Congresso Nacional, mas principalmente pelo fato de alguns congressistas estarem envolvidos em escândalos como o mensalão, dólar na cueca e etc. Acontecimentos como estes se tornam cada vez mais comuns e raramente são esclarecidos, em razão disso tornado se questionável as prerrogativas parlamentares concedias aos nossos representantes do poder legislativo. Esta monografia focará o estudo da imunidade parlamentar, prerrogativa conferida aos congressistas no exercício de suas funções, buscando esclarecer se esta é privilégio ou prerrogativa e confrontando a necessidade e a forma que tem sido utilizada. Para entender a situação atual da imunidade parlamentar e distinguir se é privilégios ou prerrogativa, se faz necessário reportar a 1688, ano da Revolução Inglesa, onde se originou, para estudar o contexto histórico do seu surgimento e compreender a necessidade aos parlamentares durante o mandato. No Brasil, a imunidade parlamentar foi abordada pela primeira vez na Constituição de 1824 para assegurar tranqüilidade aos deputados e senadores no exercício de suas atividades, tendo sido contemplada nas constituições posteriores. Desta forma, verificar se a imunidade parlamentar é utilizada de forma correta, desde o seu surgimento no ordenamento jurídico brasileiro, é uma maneira de entender como este instituto tem sido aplicado nos dias atuais, mas principalmente uma forma de buscar mecanismos que possam neutralizar excessos e possíveis desvios de sua finalidade, que ocorrem atualmente e poderão se alastrar nos próximos anos. 8

9 1 CAPÍTULO I: HISTÓRICO DAS IMUNIDADES PARLAMENTARES 1.1 ORIGEM Os primeiros relatos acerca das prerrogativas parlamentares surgem na Inglaterra 1, no ano de 1397, com intuito de proteger o parlamento contra as arbitrariedades dos monarcas absolutistas. Pedro Aleixo assevera sobre o surgimento desta prerrogativa: Antes, muito antes, mesmo da elaboração doutrinária do sistema representativo, surgiu na Inglaterra a prerrogativa de proteger-se o membro do Parlamento contra as prisões arbitrarias determinadas pelo rei. 2 O primeiro caso de conflito entre o monarca absolutista e o parlamento é o de Haxey, que teria proposto com aprovação da Câmara dos Comuns, a redução das despesas da Casa Real, o que motivou a prisão do proponente e censuraras de Ricardo II àquela Câmara, em 1397, relata Carlos Maximiliano: O primeiro caso de conflito entre o rei e a Câmara dos Comuns, que costuma ser citado, é o de Haxey, que teria proposto com aprovação da Câmara dos Comuns, a redução das despesas da Casa Real, o que motivou a prisão do proponente e censuraras de Ricardo II àquela Câmara, em Dois anos depois Haxey foi libertado, quando subiu ao trono 1 As franquias parlamentares encontram suas raízes na Inglaterra, onde surgiu e se estruturou o regime representativo, ao qual são inerentes, concorrendo para a independência dos mandatários do povo. FALCÃO, Alcino Pinto. Apud ALMEIDA, Fernanda Dias Menezes de. Imunidades parlamentares. Brasília: Câmara dos Deputados p ALEIXO, Pedro. Imunidades parlamentares. Minas Gerais: Revista brasileira de estudos políticos, p. 23 9

10 Henrique IV, que reconheceu a ilegalidade da prisão. 3 No decorrer dos anos ocorreram outros entre o parlamento e o monarca absolutista e até com a Corte Judiciária, fatos este que acabaram por estabelecer o princípio da liberdade de expressão do parlamento inglês, liberdade que foi assegurada pelo Bill of Rights de Esta situação é explicitada por Pedro Aleixo: Entre outros conflitos entre a Câmara dos Comuns e a Coroa e até em conflito daquela com a Côrte Judiciária, acabou sendo afirmado o principio da liberdade de opinião para os membros do Parlamento. Os incidentes, em que se verificava a contestação da liquidez e da certeza da prerrogativa, foram afinal resolvidos coma vitória da tese que proclama como consta o Bill of Rights de 1689 The freedom of speech or debates or proceedings in Parliament ought not to be impeached or questioned in any Court or place out of Parliamente. Mantido é o uso de reivindicar o speker, ao ser investido de suas funções a liberdade da palavra nos debates e a imunidade que subtrai a toda a prisão os membros da Câmara dos Comuns. 4 Diante de tantos conflitos a imunidade parlamentar torna se instrumento imprescindível no combate às arbitrariedades contra os mandatários do povo. Alexandre de Moraes remete a presença deste instituo entre os romanos: Importante relembrar que foi basicamente o direito europeu que consolidou as imunidades parlamentares, dando-lhes os contornos atuais, porém, elas não passaram 3 MAXIMILIANO, Carlos. Apud ALEIXO, Pedro. Imunidades parlamentares. Minas Gerais: Revista brasileira de estudos políticos, p. 23., (reporta se a Anson, Lei e Prática Constitucional da Inglaterra). 4 ALEIXO, Pedro. Imunidades parlamentares. Minas Gerais: Revista brasileira de estudos políticos, p

11 despercebidas pelo povo romano, pois eram intangíveis, invioláveis (socrosancta) as pessoas dos tribunos e dos edis, seus auxiliares; tendo o povo romano outorgado-lhes por lei essa inviolabilidade e, para torná-la irrevogável, santificou-a com um juramento (lês socrata), punindo com a pena de morte os atentados contra esta regulamentação. Esta inviolabilidade do tribuno garantia-lhe no exercício das suas funções ou fora delas e obstava a que ele pudesse ser acusado, preso ou punido. 5 No direito norte-americano o instituto da imunidade parlamentar também está presente. A jurisprudência e a doutrina norte-americana, historicamente, pacificaram se no sentido de imunidade processual ser impeditiva de prisão tão-somente em procedimentos cíveis. Por sua vez, a imunidade material se encarrega de defender o parlamentar, geralmente através da constituição de comissão parlamentar de inquérito, afirma Alexandre de Moraes: A jurisprudência e a doutrina norte-americana, historicamente, pacificaram se no sentido de a freedom from arreste ser impeditiva de prisão tão-somente em procedimentos cíveis. Por sua vez, a freedom of speach considera que o privilégio pertence à própria Casa Legislativa, a qual se encarrega de defendê-lo, geralmente através da constituição de comissão parlamentar de inquérito. Em relação à abrangência, também a origem histórica do instituto aponta que somente as palavras e os votos proferidos dentro do recinto das sessões ou das comissões é que são cobertos pela imunidade material, inclusive se o pronunciamento for considerado perigoso à segurança do Estado. Posteriormente, as imunidades parlamentares foram inscritas constitucionalmente na Carta Magna dos Estados Unidos da América ( ) afirmando: 5 MORAES, Alexandre de. Direito constitucional. 21. ed., (atualizada até a EC n 53/06). São Paulo: Atlas, 2007, p

12 Em nenhum caso, exceto traição, felonia e violação da paz, eles (senadores e representantes) poderão ser presos durante sua freqüência às sessões de suas respectivas Câmaras, nem quando elas se dirigirem, ou delas retornarem; e não poderão ser incomodados ou interrogados, em qualquer outro lugar, por discursos ou opiniões omitidos em uma ou outra Câmara (art. 1º, seção 6). 6 No direito francês a imunidade parlamentar se faz presente É no direito público francês que estão as origens da imunidade contra processos criminais 7, sendo que estas origens já encontravam-se antes da Revolução Francesa de 1789 A afirmação da inviolabilidade parlamentar já se fizera, por ocasião da reunião dos Estados Gerais, que precedeu a Revolução de Esmein acrescenta sobre o surgimento da imunidade parlamentar no direito francês: Aos 23 de junho daquele ano 9, reunido o terceiro estado em Versalhes, recusa-se a Assembléia popular a obedecer a ordem de Luiz XVI, no sentido de dissolver e, sob a inspiração de MIRABEAU, decreta a inviolabilidade dos deputados afirmando que nenhum deles poderia ser inquirido, perseguido, detido ou preso, por motivo de proposta, parecer, opinião, ou discurso feito aos Estados Gerais MORAES, Alexandre de. Direito constitucional. 21. ed., (atualizada até a EC n 53/06). São Paulo: Atlas, 2007, p ALMEIDA, Fernanda Dias Menezes de. Imunidades parlamentares. Brasília: Câmara dos Deputados p ESMEIN, A., Elements de droit costitutionnel francais et compare, Paris: Recuell Sirey, ed., v.ii, p.419. Apud ALMEIDA, Fernanda Dias Menezes de. Imunidades parlamentares. Brasília: Câmara dos Deputados p ano que aconteceu a Revolução Francesa. 10 ESMEIN, A., Elements de droit costitutionnel francais et compare, Paris: Recuell Sirey, ed., v.ii, p.422. Apud ALMEIDA, Fernanda Dias Menezes de. Imunidades parlamentares. Brasília: Câmara dos 12

13 Alexandre de Moraes comenta a presença do instituto da imunidade no direito francês: Anote-se ainda que na França, em 23 de junho de 1789, houve nova proclamação das imunidades, ante a ameaça de dissolução do Terceiro Estado; a assembléia decretou inviolabilidade dos seus membros e declarou traidor, infame e digno de morte quem pusesse a mão sobre eles. 11 Apesar da presença deste instituto já no ano de 1789, ele se solidifica no direito francês com a constituição de 1799, afirma Fernanda Dias Menezes de Almeida: (...) Com a Constituição de 1799, a imunidade formal adquire os contornos que se vão sedimentando no Direito Constitucional francês, impedindo que qualquer processo, em matéria criminal, pudesse ser iniciado contra deputados, sem prévia autorização do Legislativo. 12 O que se pode notar é que as imunidades surgem e são normatizadas em meio a vários conflitos (monarcas e parlamentos) na tentativa de igualar os poderes existentes no Estado. Pedro Aleixo afirma em ralação ao surgimento e da normatização desse instituto: Com o sentido de garantia contra a opressão, de proteção contra as violências do Poder armado e, muitas vezes, como epílogo de lutas pela liberdade, foi que se concebeu e se Deputados p MORAES, Alexandre de. Direito constitucional. 21. ed., (atualizada até a EC n 53/06). São Paulo: Atlas, 2007, p ALMEIDA, Fernanda Dias Menezes de. Imunidades parlamentares. Brasília: Câmara dos Deputados p

14 formulou nas leis a imunidade parlamentar. 13 Ante este contexto histórico, na Roma antiga, Inglaterra, França e Estados Unidos, visualiza se a importância do surgimento e da normatização das imunidades parlamentares no direito público, que buscam garantir a liberdade de opinião (freedom of speach) e proteção processual (freedom from arreste) dos parlamentares, para que desta forma possam exercer com tranqüilidade as suas funções. 1.2 IMUNIDADE PARLAMENTAR NAS CONSTITUIÇÕES BRASILEIRAS Constituição de 1824 A imunidade parlamentar começa a se formar no ordenamento jurídico brasileiro no ano de 1823, por meio do projeto da constituinte, buscando assegurar aos deputados e senadores a inviolabilidade por suas opiniões, conforme tratava o art. 72.: Os Deputados e Senadores são invioláveis pelas suas opiniões proferidas na Assembléia. Os deputados e senadores não poderiam ser demandados ou executados por causas cíveis, nem ter andamento os processos pendentes, salvo com seu consentimento, conforme disposto no art. 73.: Art. 73. Durante o tempo das sessões, e um termo marcado pela lei, segundo as distancias das províncias, não serão demandados ou executados por causas cíveis, nem progredirão as que tiverem pendentes, salvo com seu consentimento. No que diz respeito à prisão dos deputados e senadores, eles não poderiam ser presos durantes as sessões, salvo em flagrante delito, sem que essa prisão fosse 13 ALEIXO, Pedro. Imunidades parlamentares. Minas Gerais: Revista brasileira de estudos políticos, p

15 apreciada pela primeiramente pela Assembléia, situação essa preceituada no art. 74.: Em causas criminais não serão presos durante as sessões, exceto em flagrante, sem que a respectiva sala decida que o deve ser, para que sejam remetidos os processos.. A prerrogativa concedida aos parlamentares abrangia-os somente enquanto estivesse no exercício de suas funções, situação essa que fica evidenciada no art. 75: No recesso da Assembléia (os Deputados e Senadores) seguirão a sorte dos demais cidadãos. Nota-se que o projeto da constituinte de 1823 tem como base os princípios do Bill of Rights, protegendo aos parlamentares de possíveis desmandos e perseguições por parte do imperador, além de assegurar ao parlamentares as condições necessárias para o exercício de suas funções. A imunidade parlamentar que começou a se formar no ordenamento jurídico brasileiro no ano de 1823, foi normatizada no ano de 1824, com a Constituição Política do Império do Brasil, que trazia nos artigos 26, 27 e 28 as prerrogativas concedidas aos congressistas. Alexandre de Moraes discorre acercar do surgimento desta prerrogativa concedia aos parlamentares e sua abrangência: No Brasil, a Constituição Imperial de 1824, concedia aos membros do Parlamento as inviolabilidades pelas opiniões, palavras e votos que proferissem no exercício das suas funções, bem como a garantia do parlamentar não ser preso durante a legislatura, por autoridade alguma, salvo por ordem se sua respectiva Câmara, menos em flagrante delito de pena capital. Além disto, previa-se a necessidade de licença da casa respectiva para o prosseguimento da ação penal MORAES, Alexandre de. Direito constitucional. 11. ed. (atualizada até a EC n 35/01). São Paulo: Atlas, 15

16 A constituição de 1824 tratava da inviolabilidade pelas palavras proferidas no seu art. 26: Os membros de cada uma das Câmaras são invioláveis pelas suas palavras que proferirem no exercício de suas funções.. A respeito da inviolabilidade prevista no art. 26., Pedro Aleixo afirma: Para que melhor se compreenda, o relevo da expressão invioláveis, empregada no art. 26 daquela constituição, deve ser observado que no art. 99 da mesma se dizia que a pessoa do Imperador era inviolável e sagrada, explicando-se: ele não está sujeito a responsabilidade alguma. 15 A imunidade contra prisão encontra-se prevista no art. 27. Nenhum Senador, ou Deputado, durante a sua deputação, pode ser preso por autoridade alguma, salvo por ordem de sua respectiva Câmara, menos em flagrante delito de pena capital.. Já a licença para o prosseguimento da ação penal está prevista no art. 28, que diz: Art. 28 Se algum Senador, ou Deputado for pronunciado, o Juiz, suspendendo todo ulterior procedimento, dará conta à sua respectiva Câmara a qual decidirá se o processo deva continuar, e o membro ser, ou não preso, suspenso no exercício de suas funções. Nota se que as prerrogativas conferidas aos parlamentares na Constituição Política do Império do Brasil de 1824, não fazem referências aos membros das Assembléias Provinciais, situação que foi apreciada no Ato Adicional de 1834 no art. 21, que diz Os membros das Assembléias Provinciais serão invioláveis pelas opiniões que emitirem no exercício de suas funções. 2002, p ALEIXO, Pedro. Imunidades parlamentares. Minas Gerais: Revista brasileira de estudos políticos, p

17 1.2.2 Constituição de 1891 A Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil, promulgada no ano de 1891, tratou da imunidade parlamentar nos arts. 19 e 20, garantindo a inviolabilidade dos Deputados e Senadores por suas opiniões, palavras e votos além de não poderem ser presos e nem processados criminalmente, sem licença da sua Câmara, salvo em flagrante delito. A Constituição de 1891 tratava da inviolabilidade concedias aos parlamentares por suas opiniões palavras e votos no seu art. 19: Os Deputados e Senadores são invioláveis por suas opiniões, palavras e votos no exercício do mandato.. Os Deputados e Senadores não poderiam ser presos e nem processados criminalmente, sem prévia licença de sua respectiva Casa, exceto no caso de flagrante delito, conforme dispunha o art. 20 da Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil: Art. 20. Os Deputados e Senadores, desde que tiverem recebidos diploma até a nova eleição, não poderão ser presos e nem processados criminalmente, sem prévia licença de sua Câmara, salvo caso de flagrante delito. Neste caso, levado o processo até a pronúncia exclusiva, a autoridade processante remeterá os autos à Câmara respectiva para resolver sobre a procedência da acusação, se o acusado não optar pelo julgamento imediato. A presença do instituto da imunidade parlamentar, prévia a imunidade material e a imunidade formal, e estavam elencadas nos arts 19 e 20, da Constituição de 1891, afirma Alexandre de Moraes: A Constituição da República de 1891, em seus arts. 19 e 20, prévia as imunidades 17

18 matéria e formal, pois os parlamentares eram invioláveis pelas opiniões, palavras e votos, bem como não poderiam ser presos nem processados criminalmente, sem prévia licença de sua Câmara, salvo caso de flagrante em crime inafiançável. 16 Pedro Aleixo ressalta da inviolabilidade parlamentar prevista nos arts. 19 e 20 da Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil promulgada no ano de 1891: No exercício do mandato, eram também invioláveis por suas opiniões e mais por suas palavras e votos os deputados e senadores da República de Nem mesmo processados criminalmente podiam ser, sem prévia licença de sua Câmara, e sem tal licença apenas era permitida a prisão em caso de flagrância em crime inafiançável. Preso o congressista em flagrante delito, instaurava-se e formava-se o processo até a pronúncia inclusive, mas daí por diante sòmente seria autorizado o prosseguimento, se o acusado optasse pelo julgamento imediato ou se a Câmara, de posse dos autos, resolvesse ser procedente a acusação. 17 As prerrogativas parlamentares presentes na Constituição de 1891 da mesma forma que as presentes na Constituição de 1824, mantiveram o princípio de e assegurar aos parlamentares as condições necessárias para o exercício tranqüilo de suas funções Constituição de 1934 A imunidade parlamentar foi abordada na Constituição de 1934, nos arts. 31, 32 e 175, garantindo a inviolabilidade dos Deputados e Senadores por suas opiniões, palavras e votos além de não poderem ser presos e nem processados criminalmente, sendo que 16 MORAES, Alexandre de. Direito constitucional. 11. ed. (atualizada até a EC n 35/01). São Paulo: Atlas, 2002, p ALEIXO, Pedro. Imunidades parlamentares. Minas Gerais: Revista brasileira de estudos políticos, p

19 estas prerrogativas foram estendias ao suplente imediato do deputado em exercício. A inviolabilidade aos parlamentares por suas opiniões palavras e votos foi tratada no art. 31: Os Deputados e Senadores são invioláveis por suas opiniões, palavras e votos no exercício das funções do mandato.. Os Deputados, desde que tiverem recebidos diploma até a expedição dos diplomas para a legislatura subseqüente, não poderiam ser presos e nem processados criminalmente, sem licença da sua Câmara, salvo no caso flagrante de crime inafiançável, além da extensão destas garantias ao suplente imediato, diz o art. 32., que traz a seguinte redação: Art. 32. Os Deputados, desde que tiverem recebidos diploma até a expedição dos diplomas para a legislatura subseqüente,, não poderão ser processados criminalmente, nem presos, sem licença da Câmara, salvo caso de flagrância em crime inafiançável. Esta imunidade é extensiva ao suplente imediato do Deputado em exercício. 1º A prisão em flagrante de crime inafiançável, será logo comunicado ao Presidente da Câmara dos Deputados, com a remessa do auto e dos depoimentos tomados, para que ela resolva sobre a legitimidade e conveniência, e autorize, ou não, a formação de culpa. 2º Em tempo de guerra, os Deputados, civis ou militares, incorporados às forças armadas por licença da Câmara dos Deputados, ficarão sujeitos às leis e obrigações militares. A proteção contra as medidas restritivas da liberdade de locomoção dos Deputados e Senadores encontra-se no art. 175, 4º, que diz: Art.175 (...) 19

20 4º. As medidas restritivas da liberdade de locomoção não atingem os membros da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, da Corte Suprema, do Supremo Tribunal Militar, do Tribunal Superior de Justiça Eleitoral, do Tribunal de Contas, e, nos territórios das respectivas circunscrições, os Governadores e Secretários de Estado, os membros das Assembléias Legislativas e dos tribunais superiores. Pedro Aleixo compara o instituto da imunidade parlamentar presente na Constituição de 1934 com a imunidade presente na Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil promulgada no ano de 1891, e aponta as modificações ocorridas: A Constituição de 16 de julho de 1934 repetiu, em substância, o disposto nos artigos 19 e 20 da Constituição de As modificações feitas se limitaram a conceder imunidade processual ao suplente e a prescrever que logo depois da prisão em flagrante do deputado o fato fosse comunicado ao presidente da Câmara, a quem seriam remetidos os autos e os depoimentos tomados, cabendo à própria Câmara resolver sobre a legitimidade e a conveniência da prisão e autorizar, ou não, a formação da culpa. 18 Constituição de 1934 manteve as disposições referentes a imunidade parlamentar presentes na Constituição de 1891, fazendo com que os congressistas pudessem exercer as atividades suas atividades com tranqüilidade e sem a interferência dos demais poderes da República do Brasil (Executivo e Judiciário) Constituição de 1937 A Constituição dos Estados Unidos do Brasil, outorgada no ano de 1937, contemplou o instituto da imunidade parlamentar nos arts. 42 e 43, no entanto trouxe 18 ALEIXO, Pedro. Imunidades parlamentares. Minas Gerais: Revista brasileira de estudos políticos, p

21 mudanças significativas, pois não isentava a responsabilidade civil e criminal dos membros do Parlamento Nacional por difamação, calúnia, injúria, ultraje à moral pública ou provocação pública de crime, além de possibilitar a perda do cargo. A responsabilidade civil imputada ao congressista, por difamação, calúnia, injúria, ultraje à moral pública ou provocação pública ao crime, no exercício de suas funções, bem como a possibilidade da perda do cargo, por manifestação contrária à existência ou independência da Nação ou incitamento à subversão violenta da ordem política ou social é tratada no art.43, cabeça e parágrafo único, respectivamente: Art. 43. Só perante a sua respectiva Câmara responderão os membros do Parlamento Nacional pelas opiniões e votos que emitirem no exercício de suas funções, não estarão porém isentos de responsabilidade civil e criminal por difamação, calúnia, injúria, ultraje à moral pública ou provocação pública ao crime. Parágrafo Único. Em caso de manifestação contrária à existência ou independência da Nação ou incitamento à subversão violenta da ordem política ou social, pode qualquer das Câmaras, por maioria de votos, declarar vago o lugar do Deputado ou membro do Conselho Federal, autor da manifestação ou incitamento. No que diz respeito às modificações trazidas pela Constituição de 1937, Alexandre de Moraes afirma: A carta de 1937 alterou o tratamento das imunidades parlamentares, pois apesar de prevê-las, tanto a matéria quanto a formal, possibilitava a responsabilização do parlamentar por difamação, calúnia, injúria, ultraje à moral pública ou provocação pública ao crime MORAES, Alexandre de. Direito constitucional. 11. ed. (atualizada até a EC n 35/01). São Paulo: Atlas, 21

22 A imunidade contra prisão e processos criminais é abordada no art. 42. da Carta de 1937, que diz: Art. 42. Durante o prazo em que estiver funcionando o Parlamento, nenhum de seus membros poderá ser preso ou processado criminalmente, sem licença respectiva Câmara, salvo em caso de flagrante em crime inafiançável. Constata-se, que com a outorga da Carta de 1937 as prerrogativas concedidas os parlamentares sofreram significativas mudanças com relação às previsões constitucionais anteriores, pois ocorrem limitações no instituto da imunidade parlamentar, permitindo que o parlamentar pudesse ser processado e até perder o mandato, provocando assim entrave no exercício das funções desenvolvidas pelos congressistas Constituição de 1946 Em 1946, a Constituição dos Estados Unidos do Brasil tratou o instituto da imunidade parlamentar nos arts. 44, 45, e 213, retomando o texto da Constituição 1934 e pondo fim a responsabilidade civil imputada aos parlamentares pela Constituição de Pedro Aleixo discorre acerca das mudanças trazidas pela Constituição de 1946: Restabeleceu a Constituição de 1946 a tradição democrática do Brasil, interrompida clandestinamente com a outorga da Carta de Os dispositivos dos arts. 44 e 45 consagram, em termos praticamente iguais ao da Constituição de 1934, a isenção de responsabilidade de deputados e senadores, no exercício do mandato, por suas opiniões palavras e votos, e a imunidade processual , p ALEIXO, Pedro. Imunidades parlamentares. Minas Gerais: Revista brasileira de estudos políticos, p. 22

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