A EVOLUÇÃO DA PROBLEMÁTICA DA VIOLÊNCIA DE GÊNERO NA LEGISLAÇÃO BRASILEIRA

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1 CAROLINA ELOÁH STUMPF REIS Advogada especialista em Direito Civil com ênfase em Direito de Família e Sucessões pelo IDC de Porto Alegre/RS, mestranda em Direito das Relações Internacionais pela Universidad de La Empresa de Montevideo, Uruguay A EVOLUÇÃO DA PROBLEMÁTICA DA VIOLÊNCIA DE GÊNERO NA LEGISLAÇÃO BRASILEIRA Porto Alegre 2008

2 RESUMO O presente trabalho tem como objetivo discorrer sobre a problemática da violência de gênero, doméstica e familiar contra a mulher, analisando-a sob uma perspectiva histórico-cultural e legislativa. Abordam-se primeiramente questões históricas e culturais relacionadas ao desenvolvimento da violência contra a mulher na sociedade, verificando-se as formas de violência e suas implicações. Após, apresenta-se uma evolução legislativa dos instrumentos de proteção à mulher, tanto no plano internacional, com tratados e convenções de direitos humanos, quanto no plano nacional, com a legislação pátria, verificando-se a sua importância para a sociedade. Por fim, será focalizada uma análise mais detida sobre a Lei 11340/06, conhecida como Lei Maria da Penha, que trata da prevenção e do combate à violência doméstica e familiar contra a mulher. Objetiva-se, assim, identificar as mudanças e inovações trazidas pela aludida Lei e a sua implementação na realidade brasileira, tentando relacionar os dispositivos teóricos com a sua aplicação na prática forense. PALAVRAS-CHAVE: Mulher. Violência Doméstica. Violência de Gênero. Lei Maria da Penha.

3 ABSTRACT The present paper aims at presenting the problematic of gender, domestic and family violence against women, analyzing it from a historical, cultural and legislative perspective. Firstly, it talks about historical and cultural issues related to the development of violence against women in society, verifying the ways of violence and its implications. After, it shows a legislative evolution of the protective instruments for women both in the international level, with treaties and human rights conventions, and in the national level, with intern legislation, analyzing its importance for society. Finally, it analyses more deeply the Law /06, known as Maria da Penha s Law, which deals with prevention and combat of domestic and family violence against women. Therefore, the objective is identifying the changes and innovations brought by Maria da Penha s Law and its implementation in the Brazilian reality, trying to connect the theoretical devices with its application in forensic practice. KEYWORDS: Women. Domestic Violence. Gender Violence. Maria da Penha s Law.

4 SUMÁRIO INTRODUÇÃO CONTEXTUALIZAÇÃO DA VIOLÊNCIA Breve Consideração Sobre a Violência Formas de Manifestação da Violência Violência de Gênero Formas de Violência Doméstica e Familiar O Ciclo da Violência de Gênero Contexto Histórico-Social da Violência de Gênero Evolução do Feminismo no Plano Internacional Evolução do Feminismo no Brasil EVOLUÇÃO LEGISLATIVA Convenção Interamericana sobre a Concessão dos Direitos Civis à Mulher e Convenção Interamericana sobre a Concessão dos Direitos Políticos da Mulher Convenção sobre os Direitos Políticos da Mulher Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos Convenção Americana de Direitos Humanos Pacto de San José da Costa Rica Comissão Interamericana de Direitos Humanos e Corte Interamericana de Direitos Humanos Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher Convenção de Belém do Pará... 43

5 4 2.7 Legislação pátria sobre a violência contra a mulher Decreto Lei 2848/40 - Código Penal Constituição Federal Lei 10224/ Lei 10455/ Lei 10714/ Lei 10778/ Lei 10886/ Lei 11106/ Lei 9099/95 Lei dos Juizados Especiais A LEI MARIA DA PENHA LEI / Considerações sobre a Lei / Inovações da Lei Maria da Penha Das Medidas Protetivas de Urgência e das Providências Policiais Da Garantia do Trabalho Os Delitos e as Penas Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher Relatório da Anistia Internacional Entrevistas CONCLUSÃO REFERÊNCIAS... 94

6 INTRODUÇÃO A violência contra a mulher, principalmente a doméstica, está presente na sociedade através dos tempos. Segundo Wânia P. Izumino 1, a mulher ainda é vista como propriedade do homem chefe de família, pois, na maioria dos casos, depende desse vínculo para manter sua subsistência. A violência contra a mulher é um processo amplo de opressão, sendo impossível determinar o período da história em que se iniciaram os abusos físicos e psicológicos no âmbito familiar. Com o desenvolvimento da sociedade e a emancipação da mulher, que passa a trabalhar fora da esfera familiar, essa dependência diminuiu, entretanto, a violência não. A legislação brasileira, há bastante tempo, vem tutelando os direitos da mulher, evoluindo no que se refere à sua proteção; exemplo disso é a nova Lei /06, chamada Lei Maria da Penha. Contudo, os mecanismos de proteção ainda não se mostraram eficazes nem capazes de coibir a prática da violência de gênero. A relevância de estudos sobre essa temática se dá em razão dos impactos sociais que tais abusos provocam. A violência de gênero ocorre em todas as camadas da sociedade, sendo interesse de cada cidadão que esse tipo de ato seja combatido e punido. As relações sociais ficam fragilizadas quando esferas íntimas das pessoas, como os seus lares, são palco de condutas criminosas praticadas por entes queridos. Encarar a violência de gênero como crime e efetivamente combatêla como tal é essencial para o sucesso da proteção da mulher frente às agressões praticadas pelos homens. Em vista dessas circunstâncias, procurou-se, com este trabalho, identificar em que contexto histórico-legislativo surgiram as primeiras leis que trataram da 1 IZUMINO, Wânia Pazinato. Justiça e violência contra a mulher o papel do sistema judiciário na solução dos conflitos de gênero. São Paulo: Annablume, 2004.

7 6 violência de gênero como um problema social, bem como analisar as modificações ocorridas nessas legislações ao longo dos anos, por que isso foi necessário e se a problemática pode ser resolvida com a legislação em vigor. Tentar-se-á, então, responder aos seguintes questionamentos: Em que momento histórico brasileiro a questão da violência de gênero passou a ser vista como um problema social? A legislação em vigor é capaz de solucionar os conflitos e oferecer segurança às vítimas de violência de gênero? No primeiro capítulo, dessa forma, serão analisados aspectos referentes à violência em sentido amplo e em sentido estrito, ligado diretamente à violência de gênero. Após, averiguar-se-á o contexto histórico-social em que se fomentou a discussão sobre a problemática da violência de gênero, traçando uma breve evolução do feminismo no âmbito internacional e no Brasil. A seguir, no segundo capítulo, procura-se identificar os tratados e convenções internacionais e as leis internas que trataram da violência de gênero, apontando as principais mudanças trazidas por cada estatuto. Por fim, no terceiro capítulo, será abordada a última legislação sobre a violência de gênero, a Lei Maria da Penha, identificando-se as principais inovações por ela apontadas. Após, verificar-se-á a sua capacidade em cumprir o papel a que se destina, qual seja, proteger a mulher da violência praticada pelo homem na esfera familiar.

8 1 CONTEXTUALIZAÇÃO DA VIOLÊNCIA 1.1 BREVE CONSIDERAÇÃO SOBRE A VIOLÊNCIA A violência 2 é um comportamento que causa dano a outra pessoa, ser vivo ou objeto, utilizando excessivamente a força. Nega-se a autonomia, a integridade física ou psicológica e mesmo a vida de outro. O termo deriva do latim violentia (que por sua vez é amplo, deriva de vis, força, vigor); é a aplicação de força contra qualquer coisa ou ente. Sabe-se que é um fenômeno cultural e histórico presente em todos os períodos da humanidade, seja em maior ou menor grau. Para Minayo 3, a violência é uma construção histórica que tem a cara da sociedade que a engendra. A explosão da violência é um traço marcante da modernidade, pois talvez seja, justamente a violência, o bem cultural mais democraticamente distribuído, já que os bens materiais produzidos e consumidos em excesso são distribuídos de modo desproporcional para a coletividade 4. Revela-se a violência na sociedade como um elemento estrutural intrínseco ao próprio fato social, atingindo qualquer grupo humano ou civilização. O sociólogo Gilberto Dimenstein 5 afirma que a violência no Brasil teria atingido um nível tão alarmante que se poderia asseverar que viveríamos atualmente em uma guerra civil. Embora muito se tenha lutado em prol de dignidade e de direitos para os cidadãos, a noção do que seja realmente cidadania e da sua importância para a vida 2 DICIONÁRIO Eletrônico Wikipédia. Disponível em <http://pt.wikipedia.org/wiki/viol%c3%aancia>. Acesso em: 19 março MINAYO, M. C. S.. Bibliografia comentada da produção científica brasileira sobre violência e saúde. Rio de Janeiro: Escola Nacional de Saúde Pública, 1990, p BRANCHER, Leoberto. Um novo olhar para a violência cotidiana. In: Educação em Revista, ano XI, n 64, v. 11, p. 5. Porto Alegre, DIMENSTEIN, Gilberto. O Cidadão de papel. São Paulo: Ática, 2005.

9 8 em sociedade parece um pouco distante. Cidadania pode ser interpretada como um direito de viver decentemente, ou como o poder de expressar livremente uma idéia. Pode também, nos dizeres de Dimenstein 6, ser o direito de ser negro, índio, homossexual, mulher, sem ser discriminado. De praticar uma religião sem ser perseguido. Assim, a negação do exercício da cidadania estaria diretamente ligada com a explosão da violência na sociedade, pois, quanto menos reconhecidos os direitos dos cidadãos, mais desigualdades e injustiças ocorreriam, incentivando a violência, num eterno ciclo vicioso. Hodiernamente, pode-se dizer que presenciamos um paradoxo entre a sensibilização da sociedade frente ao sofrimento humano e a escalada constante e cada vez mais abrangente da violência. Se por um lado não se aceitam mais atos atrozes como os presenciados em guerras, com o total desrespeito aos direitos humanos e às minorias discriminadas, de outro, estamos cada vez mais impassíveis com a violência e a criminalidade urbana, que avança assustadoramente. Segundo Gauer 7, essa incongruência gera uma deteriorização generalizada da sociedade, tendo como conseqüência uma indiferença face à realidade violenta, que passa a ser encarada como cotidiana, assim, passamos a ser permissivos e cúmplices da mesma. A incorporação da violência na nossa cultura, em virtude de todo esse contexto, não se esgota somente nos atos de agressão física; insere-se também corriqueiramente em nossa linguagem. A realidade violenta se apresenta através de violência real e simbólica, física e verbal, num amplo campo de atitudes e realidades que se caracterizam pelos excessos e abusos de poder 8. A globalização, fenômeno que pode ser entendido como o crescimento da interdependência de todos os povos e países da superfície terrestre 9, está associada a uma aceleração do tempo e do deslocamento de pessoas e informações no espaço. Tudo muda rapidamente. É, no entender de Terra e Coelho 10, um conjunto de mudanças que estão ocorrendo na esfera econômica, financeira, comercial, social e cultural. No contexto de intercâmbio cultural, a violência surge também como 6 DIMENSTEIN, Gilberto. O Cidadão de papel. São Paulo: Ática, p GAUER, R. M.; GAUER, G. J. (orgs.). A fenomenologia da violência. Curitiba: Juruá, BRANCHER, Leoberto. Um novo olhar para a violência cotidiana. In: Educação em Revista, ano XI, n 64, v. 11, p. 5. Porto Alegre, VESENTINI, José William. Sociedade e espaço geografia geral e do Brasil. São Paulo: Ática, COELHO, Marcos de Amorim; TERRA, Lygia. Geografia Geral o espaço natural e socioeconômico. São Paulo: Moderna, 2001.

10 9 reação dos excluídos, onde a lógica do sistema capitalista, baseada na competição, desenvolve uma crescente cultura da violência na sociedade 11. Assim, a globalização, ao proporcionar uma expansão de valores e culturas entre os povos, atingindo diversos grupos sociais, provoca uma banalização dos atos violentos. Há poucas décadas quase não tínhamos acesso aos fatos que ocorriam fora do nosso meio, exemplo clássico data de 1865 quando Abraham Lincoln, então Presidente dos Estados Unidos, foi assassinado. A notícia de sua morte levou treze dias para chegar à Europa 12. O atentado terrorista às Torres Gêmeas, ocorrido em Nova York em setembro de 2001, em contrapartida, foi transmitido ao vivo pela televisão e pela internet, pois hoje temos a possibilidade de presenciar, em tempo real, acontecimentos no outro lado do globo. Tal facilidade acaba por nos colocar perante situações de violência, brutalidade e incompreensão, deixando-nos quase que anestesiados com o que se passa ao nosso lado Formas de Manifestação da Violência A violência pode se manifestar de diversas formas e, no Brasil, Minayo 13, classifica-a em três categorias, sendo elas a violência estrutural, a violência revolucionária ou de resistência e a violência da delinqüência. A violência estrutural é aquela criada pelo sistema social e se aplica tanto às estruturas organizadas e institucionalizadas como aos sistemas econômicos, culturais e políticos. Caracterizase pelo destaque na atuação das classes, grupos ou nações econômica ou politicamente dominantes, que se utilizam de leis e instituições para manter sua situação privilegiada frente aos grupos menos favorecidos, como se isso fosse um direito natural. Refere-se às condições extremamente adversas e injustas da sociedade para com a parcela mais desamparada de sua população. Ela se expressa pelo quadro de miséria, má distribuição de renda, exploração dos trabalhadores, fome e desemprego. Trata-se, portanto, de uma população de risco, 11 ANDRIOLI, Antônio Inácio. Efeitos culturais da globalização. Revista Espaço Acadêmico, ano III, n 26, j ulho, Disponível em: <http://www.espacoacademico.com.br/026/26andrioli.htm>. Acesso em 02 abril VESENTINI, José William. Sociedade e espaço geografia geral e do Brasil. São Paulo: Ática, MINAYO, M. C. S.. Bibliografia comentada da produção científica brasileira sobre violência e saúde. Rio de Janeiro: Escola Nacional de Saúde Pública, 1990.

11 10 sofrendo no dia-a-dia os efeitos da violação dos direitos humanos, confirmando as palavras de Mahatma Gandhi: a pobreza é a pior forma de violência. A violência de resistência é aquela expressa por manifestações de classes e grupos sociais discriminados, constituindo-se das diferentes formas de resposta dos grupos, classes, nações e indivíduos oprimidos à violência estrutural. Esta categoria de pensamento e ação geralmente não é naturalizada; pelo contrário, é objeto de contestação e repressão por parte dos detentores do poder político, econômico e/ou cultural. A violência da delinqüência, por sua vez, é aquela que se revela nas ações fora da lei socialmente reconhecida, compreendendo roubos, seqüestros, tiroteios, delitos sobre efeito de álcool e outras drogas, etc. A análise deste tipo de ação necessita passar pela compreensão da violência estrutural, que não só confronta os indivíduos uns com os outros, mas também os corrompe e impulsiona ao delito. Embora essa última forma seja a mais comentada pelo senso comum, pode-se dizer que a violência estrutural é a grande causadora da violência familiar, embora se saiba que não é a sua única determinante. A banalização da violência doméstica, para Maria Berenice Dias 14, é responsável pela violência generalizada e desenfreada na sociedade, pois entende a ilustríssima desembargadora que uma criança, por exemplo, que presencia durante toda sua infância a violência, só pode considerar normal o uso da força física para resolver seus impasses. Além disso, a invisibilidade desse crime, por ocorrer na esfera íntima da família, gera um grande efeito multiplicador, uma vez que os seus agentes reproduzem o comportamento vivenciado em casa. A família, nesse contexto, vem refletindo em seu seio as grandes mudanças pelas quais a sociedade vem passando, ao perpetuar, mesmo que inconscientemente, a violência. 1.2 VIOLÊNCIA DE GÊNERO A violência de gênero pode ser entendida como aquelas ações ou circunstâncias em que o homem submete física e/ou emocionalmente, de forma visível ou não, uma mulher, sendo que essas práticas inserem-se em um contexto 14 DIAS, Maria Berenice. A Lei Maria da Penha na Justiça. São Paulo: RT, 2007.

12 11 social de opressão que se perpetua através dos tempos. As relações de gênero, assim, são também consideradas relações de poder. A definição de gênero, nesse contexto, tem importância porquanto se situa em uma esfera social e cultural, definindo os papéis de homens e mulheres na sociedade; o entendimento de sexo, por sua vez, situa-se em uma esfera biológica, anatômica. Gênero é um termo que busca enfatizar a construção social da identidade mulher e homem, visando diferenciar o social do biológico 15. A autora americana Judith Butler afirma que o sexo é, ele próprio, uma categoria tomada em seu gênero, não fazendo sentido definir o gênero como uma interpretação cultural do sexo. O gênero, assim, não deve ser concebido meramente como inscrição cultural de significado num sexo previamente dado, tem de designar, também, o aparato de produção mediante o qual os próprios sexos são estabelecidos 16. Nesse mesmo sentido, Maria Amélia Teles 17, [...] gênero se constrói socialmente de acordo com o tempo histórico vivido em cada sociedade, enquanto a expressão sexo teria uma caracterização biológica com destaque para os aspectos físicos do ser feminino ou do ser masculino. Assim, é a própria estrutura da sociedade e sua dinâmica que transformam as diferenças sexuais em desigualdades sociais tendo em vista atender interesses de determinados grupos. Nas ciências sociais e humanas, papel social de gênero é um conjunto de comportamentos associados com masculinidade e feminilidade, em um grupo ou sistema social. Todas as sociedades conhecidas possuem um sistema sexo/gênero, ainda que os componentes e funcionamento deste sistema varie bastante de sociedade para sociedade. Gênero refere-se às diferenças entre homens e mulheres, ainda que gênero seja usado como sinônimo de sexo, nas ciências sociais refere-se às diferenças sociais, conhecidas nas ciências biológicas como papel de gênero. Historicamente, o feminismo posicionou os papéis de gênero como construídos socialmente, independente de qualquer base biológica PAZINATO, Wânia Izumino. Justiça e violência contra a mulher o papel do sistema judiciário na solução dos conflitos de gênero. São Paulo: Annablume, BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio da Janeiro: Civilização Brasileira, TELES, Maria Amélia de Almeida. O que são direitos humanos das mulheres. São Paulo: Brasiliense, 2006, p DICIONÁRIO Eletrônico Wikipédia. Acesso em: 08 abril Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/papel_social_de_g%c3%aanero>.

13 12 Impõe-se salientar que somente na década de 90 a categoria de gênero foi incorporada aos estudos sobre a violência contra a mulher, embora esta questão já fosse discutida por grupos feministas desde os anos Para Edison da Silva Jr. 20, as relações entre mulheres e homens são historicamente desiguais, sendo marcadas pela tentativa de subordinação do feminino pelo masculino que impõe valores e normas de conduta, consistindo a formação educacional em submissão e obediência, e as devidas correções ao seu descumprimento, culturalmente toleradas e até incentivadas. Igual entendimento possui Maria Berenice Dias 21 ao afirmar que O fundamento da violência é cultural e decorre da desigualdade no exercício do poder e que leva a uma relação de dominante e dominado. Os diversos estudos relacionados ao gênero expressam o quanto a população feminina, de um modo geral, tem sido subordinada ao poder masculino. Tal conclusão foi obtida, também, por Sorj 22, ao perceber que o poder encontra-se presente nas relações de gênero, mas não é uniformemente distribuído entre os sexos, cabendo às mulheres uma posição subalterna na organização social. A Conferência Mundial sobre Direitos Humanos, ocorrida em Viena (Áustria), no ano de 1993, reconheceu pela primeira vez, em um foro internacional, o direito das mulheres como direitos humanos. Esse avanço significativo na luta pelo reconhecimento dos direitos femininos foi incluído na Declaração e Programa de Ação de Viena, estabelecendo que "os direitos humanos das mulheres e das meninas são inalienáveis e constituem parte integral dos direitos humanos universais" 23. A IV Conferência Mundial da Mulher, também conhecida como Conferência de Beijing 24, ocorreu na China, em Foi através dela que se aprovou uma Declaração e uma Plataforma de Ação com a finalidade de fazer avançar os objetivos de igualdade e desenvolvimento para todas as mulheres, fortalecendo o consenso e progresso das Conferências Mundiais anteriores. Foram reconhecidos 19 PAZINATO, Wânia Izumino. Justiça e violência contra a mulher o papel do sistema judiciário na solução dos conflitos de gênero. São Paulo: Annablume, SILVA JR, Edison Miguel. Disponível em: <http://www.direitonet.com.br/artigos/x/29/26/2926/>. Acesso em 20 outubro DIAS, Maria Berenice. A Lei Maria da Penha na Justiça. São Paulo: RT, p SORJ, B. O feminismo na encruzilhada da modernidade e pós-modernidade. In: A. de O. Costa e C. Bruschini (org). Uma questão de gênero. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos/FFC, PROCURADORIA Geral do Estado de São Paulo. Declaração e Programa de Ação de Viena. Disponível em: <http://www.pge.sp.gov.br/centrodeestudos/bibliotecavirtual/instrumentos/viena.htm>. Acesso em 26 março NAÇÕES UNIDAS. IV Conferência Mundial da Mulher. China, Beijing, 4 15 set., Disponível em: <http://www.un.org/esa/gopher-data/conf/fwcw/off/a--20.en>. Acesso em: 19 março 2008.

14 13 definitivamente os direitos da mulher como direitos humanos ao questionar a legitimidade do exercício de poder pelo homem. Tal concepção foi um marco na concepção mundial a respeito dos direitos humanos da mulher ao considerar que qualquer ato de violência baseado em sexo, que ocasione algum prejuízo ou sofrimento físico, sexual ou psicológico às mulheres, incluídas as ameaças de tais atos, coerção ou privação arbitrárias da liberdade que ocorram na vida pública ou privada afeta os seus direitos humanos. A evolução no entendimento de que a violência contra a mulher viola os direitos humanos, propiciou um maior diálogo a respeito desse problema, ao deparar a sociedade com uma realidade até então velada. Importante ressaltar que o entendimento de violência contra a mulher é abrangente por não restringir o campo de ocorrência da violência. Conforme disposição do artigo 5 da Lei 11340/06 25, [...] configura violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial. A violência doméstica, no entendimento da lei, é, assim, qualquer dessas ações ou omissões praticadas contra a mulher em razão do vínculo de natureza familiar ou afetiva. Deste modo ensina Sérgio Souza 26, ao afirmar que o termo violência doméstica se apresenta com o mesmo significado de violência familiar ou intrafamiliar, compreendendo assim a prática de maltrato desenvolvida no âmbito domiciliar, residencial ou referente ao lugar que habite um grupo familiar. Importante ressaltar o aspecto espacial no qual ocorre a violência, pois é restringido a um determinado ambiente doméstico, familiar ou de intimidade. Entretanto, segundo o autor, não há a priorização do sujeito violentado no conceito de violência doméstica, pois a vítima pode ser qualquer pessoa integrante do grupo familiar que venha a sofrer agressões físicas ou psíquicas praticadas por um agressor que seja membro do mesmo grupo. Assim, embora a violência doméstica tenha profunda relação com a violência contra a mulher, ambas não possuem o mesmo significado. Nessa mesma compreensão, Salo de Carvalho e Carmen Hein de Campos 27, afirmam que 25 BRASIL. Lei n , de 07 de agosto de Congresso Nacional. Brasília, DF: Presidência da República, Disponível em: < Acesso em: 25 março SOUZA, Sérgio Ricardo. Comentários à lei de combate à violência contra mulher. Curitiba: Juruá, CAMPOS, Carmen Hein; CARVALHO, Salo. Violência doméstica e Juizados Especiais Criminais: Análise desde o Feminismo e o Garantismo. Revista de Estudos Criminais, n 19, Ano V, p. 57, julho-setembro Porto Alegre: Fonte do Direito.

15 14 Entende-se por violência doméstica são aquelas condutas ofensivas realizadas nas relações de afetividade ou conjugalidade hierarquizadas entre os sexos, cujo objetivo é a submissão ou subjugação, impedindo ao outro o livre exercício da cidadania. A violência doméstica contra as mulheres é uma forma de expressão da violência de gênero. A lei, entretanto, ao estipular o que é violência doméstica, estabeleceu especificamente que a vítima seria do sexo feminino, restringindo assim o entendimento da expressão e suprimindo dúvidas ulteriores Formas de Violência Doméstica e Familiar O artigo 7 da Lei 11340/06 28 doméstica e familiar contra a mulher, entre outras: estabelece que são formas de violência I a violência física, [...]; II a violência psicológica, [...]; III a violência sexual, [...]; IV a violência patrimonial, [...]; V a violência moral, [...]. Entende-se por violência física (I) o uso da força física que ofenda a integridade do corpo ou da saúde da mulher, ainda que não deixe marcas aparentes. A lei não limita as possibilidades de agressão física, pois essa pode se manifestar das mais variadas formas. Importante ressaltar que não só a lesão dolosa, mas também a culposa que constitui violência física, porquanto a lei não distinguiu a intenção do agressor. Constitui a expressão vis corporalis 29. A violência psicológica (II), também chamada de violência ou agressão emocional, foi incorporada ao conceito de violência contra a mulher na Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência Doméstica. Consiste na agressão emocional, demonstrada por ameaças, rejeição, humilhação da vítima pelo agressor, que sente prazer em inferiorizar o outro; a manipulação da vítima pode 28 BRASIL. Lei 11340/2006. Brasília, DF: Presidência da República, Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato /2006/lei/l11340.htm>. Acesso em: 25 março DIAS, Maria Berenice. A Lei Maria da Penha na Justiça. São Paulo: RT, 2007.

16 15 dificultar o entendimento de que está sendo alvo de violência doméstica, não buscando ajuda. É configurada pela vis compulsiva. É provavelmente a forma mais freqüente de violência e a menos denunciada 30, pois, muitas vezes, nem a própria vítima tem noção de que está sendo alvo deste tipo de abuso. Ao mesmo tempo, este tipo de violência é de difícil mensuração, uma vez que seus efeitos dependerão da carga emocional da vítima, isto é, a repercussão que a violência sofrida traz para vida da pessoa, que varia de indivíduo para indivíduo. A violência sexual (III) foi reconhecida inicialmente pela Convenção de Belém do Pará, mas recebeu resistência por parte da doutrina e da jurisprudência pátria em ser admitida como forma de agressão, pois a tendência sempre foi de identificar o exercício da sexualidade como um dever do casamento, legitimando, assim, a insistência do homem. Consiste em obrigar a mulher a manter relação sexual não desejada. Os delitos sexuais são configurados no Código Penal como crimes de ação privada, dependendo da representação da vítima; ocorrendo, entretanto, no âmbito familiar ou doméstico, passam ao abrigo da lei especial, sendo crimes de ação pública incondicionada 31. A violência patrimonial (IV) encontra definição no Código Penal entre os delitos contra patrimônio furto, roubo, dano, apropriação indébita, etc. Normalmente não ocorre sozinha, servindo como meio para atingir a vítima física ou psicologicamente. Divergência surgiu na doutrina com relação à aplicabilidade das imunidades previstas nos artigos 181 e 182, CP, que postulam que os crimes contra o patrimônio, quando cometidos em prejuízo do cônjuge, são isentos de pena. Maria Berenice Dias 32 entende que, com o reconhecimento da violência patrimonial como forma de violência doméstica, não se aplicam as imunidades absolutas ou relativas dos referidos artigos. Guilherme de Souza Nucci 33, em contrapartida, questiona a utilidade do dispositivo da lei especial, entendendo que tais imunidades não deixam de ser observadas na seara penal. Por fim, a violência moral (V) encontra proteção penal nos delitos contra a honra injúria, calúnia e difamação. De modo geral ocorrem juntamente com a 30 DIAS, Maria Berenice. A Lei Maria da Penha na Justiça. São Paulo: RT, IBIDEM. 32 IBIDEM. 33 NUCCI, Guilherme de Souza. Leis penais e processuais penais comentadas. São Paulo: RT, 2006.

17 16 violência psicológica e quando perpetrados no âmbito familiar devem ser entendidos como violência doméstica, impondo-se agravamento da pena O Ciclo da Violência de Gênero Conforme aponta Maria Filomena Gregori 35, na maioria das vezes, os motivos que levam as mulheres a denunciarem seus maridos e companheiros não são a busca por uma punição, mas sim uma tentativa de reordenamento de sua vida conjugal. Percebe-se com isso que a mulher, embora em situação crítica no relacionamento, tenta mantê-lo com todas as suas forças e somente em casos extremos consegue romper com tal vínculo afetivo. Fato comum a quase todos os casos de violência na relação é a dificuldade que as mulheres vítimas de agressão sentem ao separar-se do agressor. A maioria delas tem que ser levada para abrigos e instituições de apoio, sendo que quase todas estão fragilizadas emocionalmente. Segundo pesquisa realizada por Nara Maria Cardoso 36, percebe-se que, quando não resolvidos, os incidentes de violência tendem a ser agravados, assim como serem mais freqüentes. Pode-se dizer que o fundamental para o rompimento do ciclo da violência conjugal é o esclarecimento feito às mulheres vítimas de agressão. Quando há a conscientização do papel da mulher na perpetuação desse ciclo, a grande maioria consegue romper com a relação violenta e buscar uma melhora em sua própria vida. A grande problemática é que muitas só reconhecem que não há mais meios de manter o relacionamento em situações extremas de emergência e desespero, quando se encontram com sua integridade física e mental seriamente abaladas. Aliás, o ciclo da violência familiar pode ter fases bem definidas, conforme demonstra Silva Jr.: lua de mel, tensão relacional, violência aberta, arrependimento, reconciliação e, novamente, lua de mel e demais fases, em ciclos cada vez mais 34 DIAS, Maria Berenice. A Lei Maria da Penha na Justiça. São Paulo: RT, GREGORI, Maria Filomena. Cenas e queixas um estudo sobre mulheres, relações violentas e práticas feministas. São Paulo: Paz e Terra, CARDOSO, Nara Mª. Batista. Mulheres em situação de violência conjugal: fatores relacionados à permanência, rompimento e retorno à relação violenta. Veritas, n 165, v. 42, p Porto Alegre, 1997.

18 17 curtos, podendo mesmo ter desfecho fatal 37. Maria Berenice Dias 38 afirma que o ciclo da violência é perverso. Primeiramente o homem silencia, tornando-se indiferente. Depois surgem as reclamações, reprimendas, reprovações aos atos da mulher e iniciam-se as punições e os castigos. As palavras ásperas tornam-se agressões físicas, que com o tempo vão se tornando mais intensas. O homem destrói também os pertences e objetos pessoais da vítima, como forma de humilhação e manipulação. Entretanto, socialmente, o agressor parece ser agradável, tratando bem a mulher para que assim as suas denúncias não ganhem credibilidade. Para romper esse trágico ciclo que viola os direitos humanos, a Lei Maria da Penha ampliou o conceito penal de proteção à mulher, demonstrando maior efetividade. A referida lei visa dar efetividade ao comando constitucional que prevê no seu artigo 226: A família base da sociedade tem especial proteção do Estado., e no parágrafo 8º: O Estado assegurará a assistência à família na pessoa de cada um dos que a integram, criando mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas relações. Proceder-se-á ao estudo detalhado desses dispositivos nos capítulos que seguem. 1.3 CONTEXTO HISTÓRICO-SOCIAL DA VIOLÊNCIA DE GÊNERO Segundo Wânia I. Pazinato 39, a mulher é oprimida em todas as esferas sociais, sendo que não há como averiguar quando exatamente os abusos praticados por homens contra mulheres tiveram início como uma prática corriqueira, podendose dizer que tal circunstância subsiste desde a formação das primeiras entidades familiares. Sabe-se, contudo, que esses acontecimentos da vida privada tornam-se públicos em casos de excessos cometidos pelos agressores. Assim, a sociedade cobra enfaticamente a punição desses agentes em momentos em que é possível perceber a violência de gênero como fenômeno social de forma generalizada e mais aparente. 37 SILVA JR, Edison Miguel. Disponível em: <http://www.direitonet.com.br/artigos/x/29/26/2926/>. Acesso em: 23 outubro DIAS, Maria Berenice. A Lei Maria da Penha na Justiça. São Paulo: RT, PAZINATO, Wânia Izumino. Justiça e violência contra a mulher o papel do sistema judiciário na solução dos conflitos de gênero. São Paulo: Annablume, 2004.

19 18 Para Maria Berenice Dias 40, a violência doméstica é, atualmente, um dos crimes de maior ocorrência no país e uma afronta direta ao direito à liberdade, sendo que a sua invisibilidade decorre de sua banalização e da absoluta falta de consciência social sobre as implicações de tais atos. Um de seus efeitos mais cruéis está no fato de envolver todos os membros da entidade familiar, principalmente as crianças, que sofrem sem poderem se defender e tendem, posteriormente, a reproduzir o comportamento vivenciado no âmbito familiar. Ademais, embora já se tenha avançado muito nessas discussões e se tenha alcançado grau considerável de proteção às vítimas, o que continua ocorrendo na prática é preocupante, pois a ideologia patriarcal permanece. Uma forte razão da discriminação feminina, e principalmente da sua dominação pelos homens, decorre da desigualdade sociocultural existente entre eles 41. Tal situação pode ser percebida no fato de que aos homens sempre coube o espaço público (trabalho), enquanto que às mulheres cabia o espaço privado (família e lar); assim, há duas esferas, externa e interna, de dominação e de submissão 42. Essa desigualdade decorre do exercício irregular do poder, que leva a uma relação de dominante e dominado. O problema da violência, desse modo, embora com o tempo e com os avanços femininos tenha passado a ser tratado diferentemente por diversos pensadores e pesquisadores, na prática, permanece quase imutável. Importante ressaltar que as conquistas das mulheres estão diretamente relacionadas com as lutas feministas, que buscam ampliar os espaços ocupados pelas mulheres na sociedade e acabar com o estigma de inferioridade que ainda persiste por força da cultura já arraigada na consciência dos indivíduos. Ainda hoje há a inferiorização da mulher frente ao homem, mesmo quando essa exerce seu direito de igualdade, seja no meio familiar, profissional ou social. É contra esse cenário que humanistas e grupos feministas vêm lutando, buscando a valorização da mulher e da sua auto-estima, como forma de melhorar a vida em sociedade. 40 DIAS, Maria Berenice. A Lei Maria da Penha na justiça. São Paulo: RT, VIANA, Karoline e ANDRADE, Luciana. Crime e Castigo. Leis e Letras: Revista Jurídica, nº6, Fortaleza, DIAS, Maria Berenice. A Lei Maria da Penha na Justiça. São Paulo: RT, 2007.

20 Evolução do Feminismo no Plano Internacional A definição de feminismo como um movimento político de mulheres que lutam pela eqüidade com relação aos homens, embora seja a definição mais recorrente não é a mais precisa. No verbete equivalente em inglês, feminismo é definido como uma ideologia que objetiva a igualdade - ou o que seria mais preciso - a eqüidade entre os sexos. O vocábulo equivalente em francês define feminismo como um conjunto de idéias políticas, filosóficas e sociais que procuram promover os direitos e interesses das mulheres na sociedade civil 43. O feminismo sempre buscou, em sua prática enquanto movimento, superar as formas de organizações tradicionais, permeadas pela assimetria e pelo autoritarismo 44. Na Antigüidade há relatos de mulheres que se organizaram para exigirem seus direitos. Exemplo citado no livro O que é feminismo 45 relata a indignação de mulheres romanas por não terem autorização de utilizar transporte público privilégio exclusivamente masculino. Assim, em 195 AC, ao se dirigirem ao Senado Romano com tal intuito, o senador Marco Pórcio Catão proferiu tal discurso: Lembrem-se do grande trabalho que temos tido para manter nossas mulheres tranqüilas e para refrear-lhes a licenciosidade, o que foi possível enquanto as leis nos ajudaram. Imaginem o que sucederá, daqui por diante, se tais leis forem revogadas e se as mulheres se puserem, legalmente considerando, em pé de igualdade com os homens! Os senhores sabem como são as mulheres: façam-nas suas iguais, e imediatamente elas quererão subir às suas costas para governá-los. Essa afirmação revela com clareza a relação de poder existente entre os sexos. Percebe-se, outrossim, que não se trata somente de domínio e submissão, mas também da relação do Direito como instrumento de perpetuação dessa assimetria, legitimando a inferiorização da mulher. Na Idade Média as mulheres gozavam de alguns direitos, garantidos pela lei e pelos costumes. Quase todas as profissões lhes eram possíveis, assim como o direito de sucessão e de propriedade, havia alguns direitos políticos também. 43 DICIONÁRIO Eletrônico Wikipédia. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/feminismo>. Acesso em 08 abril ALVES, Branca Moreira; PITANGUY, Jacqueline. O que é feminismo. São Paulo: Brasiliense, p IBIDEM.

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