O COORDENADOR PEDAGÓGICO E OS DESAFIOS DA FUNÇÃO

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1 1 O COORDENADOR PEDAGÓGICO E OS DESAFIOS DA FUNÇÃO Bruna Riboldi 1 Jaqueline Zanchin Josiane Melo Ketelin Oliveira Natália Moré Paula T. Pinto Nilda Stecanela2 Samanta Wessel3 Resumo Este artigo tem por objetivo apresentar os resultados da pesquisa Coordenador Pedagógico: Desafios da profissão, realizada na disciplina de Análise Crítica da Prática Docente ministrada pela professora Nilda Stecanela do curso de Pedagogia da Universidade de Caxias do Sul. Com o intuito de compreender a verdadeira função do coordenador pedagógico e os desafios enfrentados por estes profissionais realizamos uma pesquisa de opinião (contendo questões abertas e fechadas) com coordenadores pedagógicos de diferentes instituições de ensino. Assim, pudemos analisar que o trabalho com a coordenação pedagógica trás diversas reflexões e grandes aprendizagens, bem como o conhecimento sobre a área trabalhada e a sua própria função. Percebemos que a função do coordenador varia de acordo com os diferentes lugares trabalhados, pois são espaços distintos que necessitam de diversas experiências conforme descoberto através da pesquisa na qual fez-se uso das entrevistas para conclusão do mesmo. Palavras Chaves: Coordenador Pedagógico, Instituição de ensino, Desafios. Introdução Nossa pesquisa veio ao encontro de procurar conhecer e compreender qual é a importância de um coordenador pedagógico dentro da instituição escolar. O que lhe cabe como cargo frente à gestão. Tivemos por base alguns conhecimentos prévios, como a responsabilidade de um coordenador na organização escolar, nas reuniões pedagógicas e demais assuntos burocráticos envolvidos na gestão. Buscamos explorar mais esses conhecimentos nos aprofundando na verdadeira função do coordenador, pois é sabido que a gestão escolar torna-se o coração da escola, e o papel do coordenador para o bom andamento da mesma é de extrema importância. 1 Acadêmicas do Curso de Pedagogia na Universidade de Caxias do Sul. 2 Orientadora. Doutora em Educação pela Universidade de Caxias do Sul. Diretora do Centro de Filosofia e Educação e docente de Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade de Caxias do Sul (UCS). Professora da rede Municipal de Caxias do Sul. Coordenadora do Observatório de Educação da UCS. 3 Acadêmica de Psicologia e monitora da disciplina Análise Crítica no semestre 2012/2.

2 2 As hipóteses referentes ao tema coordenador foram muitas: facilitador, está na escola para melhoria da mesma, tem ampla visão sobre ela; participação na construção do Projeto Político Pedagógico (PPP); participação e coordenação de reuniões pedagógicas; resolução de problemas diversos; atendimentos aos pais e alunos; mediador de conflitos; formador de professores, entre tantas outras que envolvem a função do coordenador pedagógico. Hipóteses essas que foram desenvolvidas em nossa pesquisa. A metodologia adotada foi a Pesquisa de Opinião, que consistiu na coleta de opiniões do público-alvo determinado, através de um questionário, composto por sete questões, sendo quatro fechadas e três abertas. Foram entrevistados seis coordenadores pedagógicos, pessoalmente, em suas instituições. Dessas instituições três são de educação infantil privadas, duas são de educação infantil públicas e uma é de educação profissional. Partindo das concepções abordadas até o momento, o presente projeto de pesquisa teve como objetivo identificar os maiores desafios encontrados na gestão do ensino, em especial na coordenação pedagógica. Assim, foi possível discutir o tema em destaque através do trabalho de campo, de forma a qualificar o estudo do problema em foco em nossa formação enquanto acadêmicas do curso de Pedagogia. E por meio dos resultados da pesquisa tivemos a oportunidade de nos qualificar como futuras profissionais da educação e poder divulgar os resultados obtidos aos que tiverem interesse pelo assunto abordado. 1 Função do Coordenador Diante de algumas dúvidas e curiosidades sobre a gestão do ensino procuramos tentar entender melhor e discutir como é o trabalho do coordenador pedagógico diante das instituições de ensino-aprendizagem. Sabemos que seu papel, assim como o de toda gestão, é fundamental e muito importante para o bom andamento da instituição. A gestão do ensino e o coordenador pedagógico devem ser vistos com outros olhos perante a comunidade educacional e não somente como a parte administrativa da instituição. Mais do que uma atividade burocrática, a gestão do ensino é uma atividade essencialmente política e pedagógica. O gestor deve conhecer as dimensões que

3 3 compõem a escola e acompanhar as transformações que nela acontecem e no mundo em geral, sejam políticas, culturais, econômicas, atingindo os mais diversos sujeitos. É necessário que se leve em conta o saber prévio dos alunos, suas relações e vivências, como nos diz Aranha, em seu artigo, na obra Gestão Educacional: novos olhares, novas abordagens, organizado por Maria Auxiliadora Monteiro Oliveira (2010) Levar em conta o saber desses alunos, não estigmatizá-lo simplesmente como errôneo, senso comum, etc., não se reduz apenas a um recurso metodológico para melhor introduzirmos o verdadeiro saber, o saber escolar, sistematizado. Não pode ser reduzido simplesmente a um mecanismo de motivação. Trata-se de uma questão epistemológica, de reconhecimento e valorização de outros saberes. E, como todo saber, esse saber do aluno deve ser problematizado, historicizado e não idealizado. Mas, desconhecê-lo é, em parte, desumanizar o sujeito que o detém. (ARANHA, 2010, p. 79). Todo o educador que considera seu aluno como tábula rasa está partindo de uma idéia totalmente errada. Demo diz: Não é educativa a atitude do professor que, como ponto de partida, reduz os alunos a tábula rasa, transformando-os em cabeças vazias que, agora, serão recheadas de coisas que vêm de fora para dentro e de cima para baixo (2007, p. 25). As crianças chegam às escolas carregadas de conhecimentos prévios adquiridos no decorrer de suas vidas e, cabe a gestão do ensino juntamente com os professores desenvolver melhor esses conhecimentos para que eles ampliem seu aprendizado e estabeleçam relações com o que já conhecem. O papel da instituição não é despejar conteúdos em cima dos alunos como se fossem objetos, e sim possibilitar que eles construam seu conhecimento e se façam sujeitos a partir do é proposto em sala de aula. Devemos considerar o aluno como parceiro e não como um indivíduo qualquer, valorizando sempre seu trajeto cultural para assim conseguir fazer um bom trabalho, onde tanto professor e gestão quanto aluno saem satisfeitos por terem aprendido e ensinado muitas coisas uns aos outros. Trabalhando juntos, a gestão, a coordenação e os professores irão promover um ambiente educativo muito rico que irá possibilitar aos seus alunos construírem um amplo campo de conhecimento que será aumentado a cada dia. Para isso

4 4 acontecer é necessário que haja união entre toda a gestão do ensino. Só assim o trabalho trará resultados positivos para todos os envolvidos. Na educação formal, cruza-se um conjunto de vetores. Destacarei os políticos, os administrativos os curriculares e os pedagógicos. Se toda educação formal pressupõe uma política e exige um apoio administrativo, esse dois vetores devem coordenar-se com as dimensões curriculares e pedagógicas de tal maneira que não se trabalhe em compartimentos estanques e obstaculizantes, mas em uma ambiência colaborativa e facilitadora. (ALARCÃO, 2000 p. 22). Como a área de atuação do coordenador é a instituição escolar existem diferentes grupos de pessoas, onde as opiniões podem divergir ou concordar, dependendo o tema abordado. Essa situação exige que o tema seja discutido no grupo para que se construa uma opinião que contemple a maioria dos aspectos, evitando que se gerem conflitos desnecessários. Problemas existem e fazem parte do processo. No que se refere à coordenação pedagógica os problemas vão desde o ambiente escolar até a própria equipe da gestão. O trabalho em equipe exige que as pessoas colaborem, respeitem e saibam ouvir as diferentes opiniões para que juntos construam uma base sólida que traga resultados positivos. Assim, como relata Piaget: Conhecer um objeto é agir sobre ele e transformá-lo, aprendendo os mecanismos dessa transformação, vinculados com as ações transformadoras. Conhecer é, pois, assimilar o real às estruturas de transformações (que) são as estruturas elaboradas pela inteligência enquanto prolongamento direto da ação. (PIAGET, 1988, p. 37). Para obter as informações deste artigo o grupo realizou um trabalho em equipe, buscando e pesquisando em vários lugares e entrevistando coordenadoras pedagógicas que davam a resposta de sua ação sobre o objeto. 2 Gestão do Ensino: Reconstruindo atitudes e práticas Ao nos depararmos com as entrevistas realizadas conseguimos entender melhor quais são as reais funções do coordenador pedagógico dentro da instituição de ensino bem como os desafios enfrentados diariamente.

5 5 As profissionais que se dispuseram a participar da entrevista contribuíram de forma valorosa na realização de nossa pesquisa, pois nos proporcionaram diferentes visões que eram desconhecidas assim como veremos nos dados tabulados. Conforme gráfico abaixo percebemos que o tempo em que os profissionais trabalham na área são distintos, pois a metade dos entrevistados possui apenas experiência de um ano e os demais, a experiência varia de dois a mais de dez anos. O tempo em que as coordenadoras exercem a função pode não significar a experiência vivida dentro da instituição, como nos coloca uma das entrevistadas: Todo trabalho é potencialmente conhecido na prática. É no dia a dia, na empresa ou escola, que nos tornaremos aptos para enfrentar os desafios, onde os processos são conhecidos, podendo, então ser melhorados. Quanto a questão sobre quais os desafios e potencialidades da função, as ideias que se destacaram foram as de alcançar os objetivos propostos de forma a enriquecer o grupo valorizando-o, a fim de poder realizar a boa condução das atividades. A entrevistada de uma das escolas de educação infantil privada destacou também que Estar na coordenação de uma escola é um desafio constante e diário, mas também um aprendizado maravilhoso no qual você cresce e aprende muito com as pessoas sejam alunos, pais e professores. Hoje para mim um dos maiores desafios está em me motivar e motivar o corpo docente que sempre tem muita

6 6 rotatividade e então vejo bastante dificuldade em organizar uma forma de trabalho e mantê-la. Todas as pessoas que passam pela minha vida seja na escola ou fora dela, aluno, pai, mãe, professor, sempre temos algo a aprender. Sobre como se sentem na instituição, ver gráfico abaixo: As respostas ficaram divididas entre muito bem e regular, o que se pode pensar que as respostas variam conforme a situação vivida na instituição, a realidade enfrentada, os problemas que surgem diariamente e as possíveis soluções. Ao serem questionadas sobre as dificuldades do cargo, as respostas vem ao encontro de todos os envolvidos no ambiente. São dificuldades em administrar o tempo que as vezes é escasso, não conseguir conversar com professores, pois estes estão sempre com os alunos, e nos horários de reuniões, o tempo acaba não contemplando todos os assuntos, quando há divergências de opiniões entre a equipe, não conseguindo se chegar em um ponto comum. Uma das entrevistadas, relatou que por ter sido anteriormente professora e passar a fazer parte da coordenação pedagógica da escola, enfrentou vários momentos de falta de respeito das colegas, que não entenderam o fazer pedagógico profissionalmente ali, e sim, entenderam que o subir de cargo passava a ser espionagem. Já outra entrevistada, relatou que não sente maiores dificuldades, pois a equipe é bastante envolvida e participativa, fazendo com que a coordenação

7 7 intensifique a clareza nas informações e o diálogo constante, fazendo com que todos atinjam um objetivo em comum. Após analisar as respostas obtidas pelas entrevistadas, percebemos que há pontos em comum para exercer a função na instituição de ensino. Pontos esses que nos remetem a pensar na educação e na melhoria constante dela, o fazer pedagógico, incluindo etapas de formação, avaliação psicológica, perfil ético, comprometimento, responsabilidade, trabalho em equipe e demais atitudes que são necessárias no dia a dia profissional. CONSIDERAÇÕES FINAIS A função de coordenador varia de acordo com os diferentes lugares trabalhados, pois são espaços distintos os quais necessitam de diferentes experiências, assim como foi descoberto por meio da nossa pesquisa, a qual entrevistou profissionais atuantes em escolas de Educação Infantil (públicas e privadas) e Educação Profissional. Notamos que o tempo de trabalho dos coordenadores pedagógicos é muito distinto; que um dos maiores desafios e potencialidades desta função é alcançar os objetivos propostos de forma a enriquecer o grupo valorizando-o, a fim de poder realizar a boa condução das atividades; que se o coordenador sente-se bem ou não na instituição, depende da situação vivida na mesma, da realidade enfrentada e dos problemas que surgem diariamente. Concluímos então que a Gestão Escolar é uma forma de administrar a escola, na qual o gestor deve possuir grandes responsabilidades e usufruir-se de capacitações, as quais devem ser tanto pedagógicas como políticas. Enfatizamos também que o trabalho em equipe dos gestores é de suma importância para o bom andamento da instituição e que sem ele este espaço não funciona de maneira positiva a proporcionar momentos de ensino-aprendizagem. Referências bibliográficas ALARCÃO, Isabel. Escola reflexiva e nova racionalidade. Porto Alegre: Artmed, 2000.

8 8 BECKER, Fernando. Ensino e Pesquisa: qual a relação? In: BECKER, Fernando e MARQUES; Tânia Beatriz Iwasko (orgs.) Ser professor é ser pesquisador. Porto Alegre: Mediação, 2007, (p ). DEMO, Pedro. O desafio de educar pela pesquisa na educação básica. In: DEMO, Pedro. Educar pela pesquisa. Campinas: Autores Associados, 2007, (p.5-53). OLIVEIRA, Maria Auxiliadora Monteiro. (org.). Gestão Educacional: novos olhares, novas abordagens. 7. Ed. Petrópolis: Vozes, 2010.

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