Efeito da Densidade de Sementes na Germinação da Couve-da-Malásia.

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1 Efeito da Densidade de Sementes na Germinação da Couve-da-Malásia. Marli A. Ranal 2 ; Silése T M Rosa Guimarães 1 ; Pedro Carlos Pereira 1 ; Marcio Hedilberto Cunha Borges 1 1 Agrônomo (a), mestrando em Agronomia, Instituto de Ciências Agrárias. 2 Bióloga,Dr a, Prof a Adjunta, Dep. de Biociências, UFU, Caixa Postal 593, CEP Uberlândia, MG. RESUMO Avaliou-se a influência da densidade de sementes na germinação da Brassica chinenses var. parachinensis. O experimento foi conduzido no Laboratório de Ecofisiologia da Germinação da Universidade Federal de Uberlândia-MG. As sementes foram colocadas para germinar em caixas gerbox, numa câmara de germinação, à temperatura de 25 ºC e UR de 35%. Utilizou-se um delineamento inteiramente casualizado com 4 repetições. Os tratamentos constaram de: 20, 60, 100, 140 e 200 sementes/gerbox, totalizando 20 parcelas. As medidas analisadas foram: percentual de germinação (G%), tempo médio (tm), velocidade (vm, VE, ERI mod e T mod ), uniformidade (CV t ) e sincronia (Ē e Z). Não houve diferença entre os tratamentos, exceto para VE, cujo resultado foi influenciado pela diferença de quantidade de sementes entre os tratamentos, e para o qual foi proposta uma modificação com a finalidade de eliminar esta interferência. Não foi verificada interferência de substâncias, que possam ser liberadas durante o processo de germinação. Palavras-chave: Brassica chinenses, germinabilidade, sincronia. ABSTRACT Effect of density of seeds at germination of couve-da-malasia. It was analyzed the influence of seeds density at germination of Brassica chinenses var. parachinensis. The experiment was conducted at the Laboratory of Germination Ecophisiology of Biology at Universidade Federal de Uberlandia-MG. The seeds were putted for germinate in gerbox, in germination chamber, temperation 25 o C and relativity umidity of 35%. It was used a whole casualized delineament with 4 repetitions. The treatments consisted of: 20,60,100,140, and 200 seeds/gerbox totalizing 20 portions. The germination measures analyzed were: the germination percentage (G%), the germination time (tm), the speed (vm, VE, ERI mod and T mod ), the uniformity (CV t ) and the germination synchrony (Ē and Z). It wasn t observed significative difference between the treatments, except VE whose result was influenced by the difference at quantity of seeds between the treatments, and for which was proposed one modification to eliminate this effect. No dormancy inductor substance or stimulant of germination was detected during the process.

2 Key-words: Brassica chinenses, germinability, synchrony. A Brassica chinenses var. parachinensis (couve-da-malásia), pertence à família das brassicaceas, a mais numerosa das oleraceas cultivada no Brasil, na qual se destacam, repolho, couve-flor, couve-manteiga e brócolos, como as espécies mais cultivadas (Filgueira, 2000). Segundo Kimoto (1993) essas brássicas tem um custo de produção relativamente baixo em comparação às outras espécies olerícolas. A couve-da-malásia, assim chamada no Brasil, foi introduzida no ano 1992 por W. E. Kerr para o consumo de folhas, talos e flores. Essa brássica possui um excelente nível nutricional, contendo aproximadamente 2305 de caroteno eq. de vitamina A, ultrapassando os níveis da couve-flor em 37 vezes, o do repolho em 10 vezes e do brócolo em 3,5 vezes (Opeña et al citado por Mota, 2001). A germinação de sementes da couve-da-malásia foi estudada por Ferreira & Ranal (1999), que avaliaram o seu padrão de germinação e o crescimento de plântulas, em laboratório e em campo. Verificaram que em laboratório, as sementes foram indiferentes à luz e mostraram baixa sensibilidade a escarificação por hipoclorito de sódio. Segundo as autoras, o ácido giberélico, KNO 3, a escarificação e a estratificação não modificaram sua germinabilidade, nem o tempo médio de germinação. Segundo Ranal (2003, informação pessoa), a couve da Malásia tem sido muito utilizada em experimentos na área de fisiologia vegetal devido à sua capacidade de possibilitar a obtenção de resultados rápidos. Informações diversas apontam para o fato de que determinadas espécies vegetais apresentam maior velocidade média e sincronia de germinação quando colocadas para germinar em maior número. Um produtor de mudas de maracujá em Araguari-MG, por exemplo, constatou que sementes levadas ao laboratório não germinavam na mesma proporção que no viveiro, apresentando um baixo índice de germinabilidade, embora, permanecessem viáveis. Posteriormente, verificaram que o tempo de germinação, e a sincronia, aumentavam se as sementes fossem colocadas para germinar em maior quantidade (informação pessoal, 2003). Sugere-se que esse evento ocorra devido a determinadas substâncias liberadas durante o processo de germinativo, fazendo com que a germinação de algumas sementes estimule as demais, e provoque um boom de germinação. Alguns trabalhos têm demonstrado esse comportamento na germinação de esporos e grãos de pólem. Em relação às sementes, poucos são os trabalhos relativos ao assunto. Segundo Nascimento (2000) há evidências que comprovam a influência do etileno nos processos bioquímicos da semente. Todavia, não há nenhum trabalho que comprove este fato.

3 O objetivo deste experimento, foi avaliar o efeito da densidade de sementes na germinação da couve-da-malásia, com a finalidade de verificar a influência de alguma substância indutora (ou mesmo, inibidora) de germinação, que possa ser liberada durante a germinação de sementes de couve-da-malásia. MATERIAL E MÉTODOS O experimento foi conduzido no Laboratório de Ecofisiologia da Germinação do Instituto de Biologia na Universidade Federal de Uberlândia-MG, no período de 10 a 22 de junho de As parcelas consistiram de caixas - gerbox tamanho 11x11x3cm. Os tratamentos constaram de diferentes densidades de sementes, sendo: 20, 60, 100, 140 e 200 sementes/gerbox, com 4 repetições, totalizando 20 parcelas. O delineamento experimental utilizado foi o de blocos inteiramente casualizados. As sementes foram colocadas para germinar na superfície do papel mata-borrão previamente umedecido com 8ml de água destilada. As caixas-gerbox foram colocadas dentro de uma câmara de germinação com temperatura de 25 o C, e umidade relativa do ar de 30 %. As avaliações foram realizadas por meio de contagem-com-retirada das sementes germinadas a cada 3 horas, durante 12 dias, tendo iniciado às 18 horas do dia 10/06/2003. As medidas de germinação analisadas foram o percentual de germinação (G), o tempo médio de germinação (tm), a velocidade (vm, VE, ERI mod e T mod ), a uniformidade (CV t ) e a sincronia ( Ē e Z) (Santana & Ranal, 2000). Os resultados das medidas foram submetidos aos testes de normalidade e homogeneidade Shapiro-Wilk e Levene, respectivamente. Havendo-se constatado normalidade e homogeneidade para todas as medidas, com exceção de CV t, este foi submetido à Análise Estatística não Paramétrica, utilizando-se o teste de Kruskal-Wallis. RESULTADOS E DISCUSSÃO Observa-se que o índice de germinação (G%) (Tabela 1) foi elevado, acima de 99% para todos os tratamentos, não sendo observada nenhuma influência dos tratamentos sobre a quantidade relativa de sementes germinadas. O tempo médio de germinação (tm) foi da ordem de 22,00 (± 2,09) a 22,54 (± 2,49) horas, não havendo diferença entre os tratamentos. Ferreira & Ranal (1999), testando a germinação de couve-da-malásia obtiveram valores próximos (1,03 dia) para sementes germinadas em substrato umedecido com água, na densidade de 50 sementes por gerbox,

4 e um tempo médio de germinação bem mais elevado (2,03 dias) para sementes tratadas com hipoclorito de sódio, as quais tiveram um atraso de um dia. Não se observou diferença significativa em relação às medidas de velocidade vm, T mod, Eri mod, exceto VE. Em relação ao índice de Maquirre (VE), Santana & Ranal (2000) advertem para o fato de que este índice é influenciado pelo número de sementes que germinam nas condições do experimento, e por isso, é adequado apenas quando os tratamentos apresentam o mesmo número de sementes. Como neste experimento a variável dos tratamentos foi, justamente, a densidade de sementes, os resultados obtidos para o índice de Maguirre foram altamente influenciados, e refletem a diferença de quantidade de sementes colocadas para germinar em cada tratamento. Dado que o índice de Maguirre é bastante utilizado pelos pesquisadores da área de ciências agrárias, ressaltase a importância de se considerar esse efeito a fim de evitar erros. Em relação à uniformidade, não houve diferença entre tratamentos para os valores de dispersão obtidos pelo coeficiente de variação do tempo médio (CV t ). Também não houve diferença, entre os tratamentos, para os índices de sincronia (Ē e Z). O efeito de alguma substancia indutora de germinação liberada durante a germinação deveria provocar um boom, e faria com que houvesse uma tendência das sementes germinarem ao mesmo tempo. Isso resultaria em maior uniformidade e sincronia, menor tempo de germinação, e maior velocidade em relação aos tratamentos onde não houvesse esse efeito. No caso de uma substancia indutora de dormência, haveria de se verificar o contrário. Os resultados obtidos, tanto com relação à velocidade, uniformidade, sincronia, e a própria germinabilidade demonstram que não há efeito de nenhuma substancia indutora de dormência até a densidade de 200 sementes por gerbox, nas condições do experimento. LITERATURA CITADA FERREIRA, W.R. & RANAL, M.A. Germinação de sementes e crescimento de plântulas de Brassica chinensis L. Var. para Chinensis (Bailey) Sinskaja (couve-da-malasia). Pesquisa Agropecuária Brasileira, v.34,n.3,p , março de FILGUEIRA, F.A.R. Novo Manual de Olericultura : agrotecnologia moderna na produção de hortaliças. Viçosa: UFV, KIMOTO, T. Nutrição e adubação de repolho, couve-flor e brócolo. In: FERREIRA, M.E.; CASTELANE, P.D.; CRUZ, M.C.P. (Eds). Nutrição e adubação de hortaliças. Piracicaba: POTAFOS, P

5 MOTA, G.M.F. Cultivo de Brassica chinenses var. parachinensis (Bailey) Sinskaja na ausência de micronutrientes. Uberlândia: Universidade Federal de Uberlândia (Monografia apresentada ao curso de Agronomia). NASCIMENTO, W.M. Envolvimento do Etileno na germinação de sementes. Revista Brasileira de Fisiologia Vegetal, 12 (Edição Especial): , SANTANA, D.G. & RANAL, M.A. Analise Estatística na germinação. Revista Brasileira de Fisiologia Vegetal 12 (Edição Especial): , Tabela 1. Germinabilidade (G), tempo médio de germinação (tm), velocidades ( vm VE, ERI mod e T mod ), uniformidade (CV t ) e sincronia de germinação (Ē e Z) de sementes de Brassica chinenses var. parachinensis em diferentes quantidades de sementes. Uberlândia- MG, UFU, Tratamentos Estatística Avaliada Medidas Média Erro Padrão W F F H Levene Snedecor G (%) a 99,17±0,95 a 99,5 ± 1 a 99,82± 0,36 a 99,50± 0,40 a 0,92-0,93 - tm (hora) 22,05±1,13 a 22,00±2,09 a 22,54± 2,49 a 22,29± 1,55 a 22,50± 0,95 a 0,96 1,1* 0,08 - vm (horas -1 ) 0,04± 0,002 a 0,04±0,004 a 0,04± 0,004 a 0,04± 0,003 a 0,04± 0,001 a 0,96 1,07* 0,08 - VE 0,93± 0,04 e 2,84±0,17 d 4,80± 0,24 c 6,49± 0,49 b 9,13± 0,33 a 0,9 1,52* 629,6 - Tmod(hora) 316,95±1,13a 316,99±2,09 a 316,46± 2,49 a 316,71± 1,54 a 316,49± 0,95 a 0,96 1,1* 0,08 - Eri mod(hora) CVt (%) 313,95±1,13 a 16,19±3,50 a 313,99±2,09 a 26,11±25,74 a 314,21± 2,76 a 47,90± 49,90 a 313,71± 1,55 a 18,85± 2,74 a 313,49± 0,95 a 20,09± 6,53 a 0,92 0,77 1,23* 5,65** 0, ,071* Ē (bitz) 1,86± 0,35 a 1,90± 0,29 a 2,40 ± 0,32 a 2,07 ± 0,23 a 2,21± 0,30 a 0,95 0,06* 2,13 - Z 0,31± 0,13 a 0,35 ± 0,08 a 0,23 ± 0,06 a 0,33 ± 0,087 a 0,29 ± 0,08 a 0,95 0,41* 0,91 - * P 0,05% pelo teste de Levene **P 0,05% pelo teste de Kruskal-Wallis

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