A DESCRIÇÃO DO NOVO PERFIL PROFISSIONAL EXIGIDO EM PROCESSOS SELETIVOS DO RJ A ATUAÇÃO DO PROFESSOR- INTÉRPRETE NA EDUCAÇÃO DE SURDOS.

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1 A DESCRIÇÃO DO NOVO PERFIL PROFISSIONAL EXIGIDO EM PROCESSOS SELETIVOS DO RJ A ATUAÇÃO DO PROFESSOR- INTÉRPRETE NA EDUCAÇÃO DE SURDOS. RENATA DOS SANTOS COSTA BORGES (INSTITUTO NACIONAL DE EDUCAÇÃO DE SURDOS/RJ) Resumo expandido do trabalho apresentado durante a I Jornada de Tradutores/Intérpretes de Libras do Rio de Janeiro Niterói, dezembro/2014

2 1. INTRODUÇÃO Essa situação desperta alguns questionamentos: Qual o tipo de formação acadêmica e profissional adequada para atuar na área educacional? É possível atuar simultaneamente como professor e interprete em sala de aula? Quais as possíveis perspectivas da exigência de profissionais com dupla formação de professor-intérprete? É possível ensinar Libras e/ou outros conteúdos das disciplinas escolares quando se atua como tradutor e interprete em sala de aula? Em razão da recente amplitude de ofertas de vagas para Tradutores e Intérpretes de Língua de Sinais e Português (doravante TILSP) para atuar em diversas instituições públicas e educacionais de municípios do Estado do Rio de Janeiro, por intermédio de concursos públicos, considerou-se investigar o perfil exigido desses profissionais que atuam como mediadores linguísticos no processo educacional experenciado por alunos surdos. As propostas educacionais mais fortemente presentes na política educacional vigente das instituições públicas de ensino que atendem alunos surdos são propostas educacionais de Educação Bilíngue ou de Educação Inclusiva. Diante deste cenário, é possível identificar um momento polêmico e conflituoso na área profissional de atuação dos profissionais tradutores e interpretes de Libras devido a vários fatores. Sabe-se que, na educação inclusiva, apenas a inserção do profissional tradutor e interprete de Libras não garante e não é suficiente para que ocorra de fato uma educação bilíngue adequada. Essa situação desperta alguns questionamentos: Qual o tipo de formação acadêmica e profissional adequada para atuar na área educacional? É possível atuar simultaneamente como professor e interprete em sala de aula? Quais as possíveis perspectivas da exigência de profissionais com dupla formação de professor-intérprete? É possível ensinar Libras e/ou outros conteúdos das disciplinas escolares quando se atua como tradutor e interprete em sala de aula?

3 2. OBJETIVOS Investigar os pressupostos da exigência da formação de professorintérprete, nos editais de alguns concursos públicos; Refletir acerca dos questionamentos iniciais que envolvem os profissionais que já atuam no serviço público do Estado do RJ no cargo de professor-intérprete; Analisar as discussões teóricas concernentes aos conhecimentos construídos a partir das propostas educacionais defendidas pelas instituições na qual os TILSP atuam 3. ABORDAGENS TEÓRICO-METODOLÓGICAS A compreensão da realidade profissional de professores-interpretes da área educacional, contará com o embasamento teórico dos parâmetros legais da Libras e do regulamento da profissão dos TILSP e das reflexões teóricas relevantes. Realizou-se uma investigação através de pesquisa de campo com uso de questionário com perguntas fechadas e abertas sobre o entendimento dos próprios professores-interpretes, de três escolas de um município do Estado do Rio de Janeiro que atendem alunos do Ensino Fundamental. Em seguida, foi feito um levantamento de municípios do Estado do RJ que realizaram concursos para o cargo de TILSP que exigiram como pré-requisito a formação de professores (Curso Normal ou Licenciatura) ou apenas a formação em Ensino Médio regular. 4. RESULTADOS PROVISÓRIOS Os discursos variam de acordo com a formação acadêmica que possuem. As profissionais formadas na área de educação (Curso Normal, Pedagogia e Normal Superior), em geral, são favoráveis a priorizar o ensino, ao invés da interpretação, quando os alunos surdos não acompanham os conteúdos. Por outro lado, as alunas com formação em outras áreas de licenciatura (Letras, Biologia, matemática, dentre outras) discordam que o interprete deve realizar qualquer tarefa além da tradução e interpretação.

4 Mais precisamente nos últimos cinco anos - posteriormente a oficialização da Lei de Libras \2002, do Decreto 5.626\2005 que regulamentou a Lei de Libras, do início da certificação do Prolibras (2006) e da inauguração do Curso de Letras Libras (2006) é que se iniciaram (2008) as primeiras vagas para o cargo de tradutores e interpretes de Libras e português em concursos públicos de municípios do Estado do Rio de Janeiro. Lacerda (2007) salienta que o profissional que atua na área educacional precisa ter conhecimentos específicos para que sua interpretação seja compatível com o grau de exigência e possibilidades dos alunos que está atendendo. As respostas não indicaram a presença de professores de Libras na rede de ensino do município, o que aponta mais uma vez que só a presença dos TILS não garante a implementação de um projeto de educação bilíngue para surdos. Porém, nas pesquisas realizadas, os alunos surdos ainda estão em processo inicial de aquisição da Libras enquanto primeira língua (L1). Lacerda (2007) esclarece que é importante que o professor regente da classe conheça a língua de sinais, não deixando toda a responsabilidade da comunicação com os alunos surdos para o intérprete, delimitando que o papel principal do TILS é interpretar e a responsabilidade de ensinar é do professor. Entretanto, Não há, na instituição investigada, um padrão de normas ou códigos de conduta que delimitem as atribuições que deveriam ser cumpridas. Observa-se a necessidade de construção de um documento que organize e respalde, coletivamente, o perfil profissional e as demandas pertinentes ao cargo exercido. Há urgência de formação continuada através de um curso específico de formação para tradutores e interpretes que atendam a enorme demanda de formação e capacitação desses profissionais. É fundamental refletir sobre a relevância de construir estratégias específicas de organização do trabalho dos TILSP através da criação de documentos internos e específicos a cada escola ou instituição educacional. 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BELÉM, Laura Jane Messias. O profissional interprete de Libras no Ensino Fundamental: uma nova realidade na rede municipal de educação. Anais do X Congresso Internacional e XVI Seminário Nacional do INES. Rio de Janeiro, BRASIL. Lei nº , de 1º de setembro de Regulamenta a profissão de Tradutor e Intérprete da Língua Brasileira de Sinais LIBRAS. Brasília, 2010.

5 . Decreto nº de 22 de dezembro de Regulamenta a Lei nº , de 24 de abril de 2002, Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais Libras. Brasília, Lei nº , de 24 de abril de Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais LIBRAS e dá outras providências. Brasília, GOES, Adriana Ramos Silva. Desmistificando a Atuação do Intérprete de LIBRAS na Inclusão. Revista Virtual de Cultura Surda e Diversidade, v. 09, p. 2-x, LACERDA, Cristina B. F. de.. O intérprete de língua de sinais: investigando aspectos de sua atuação na educação infantil e no ensino fundamental. Relatório de Pesquisa. Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo Proc /05, p.1-84, QUADROS, Ronice. O BI em bilingüismo na educação surdos. In: FERNANDES, Eulália (org.). Surdez e Bilingüismo. Porto Alegre: Mediação, 2005, p ROSA, Andréa da Silva. Entre a visibilidade da tradução da língua de sinais e a invisibilidade da tarefa do intérprete. Campinas, SP. Dissertação de Mestrado, UNICAMP, 2005.

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