Comissão Europeia Direcção-Geral da Justiça B-1049 Bruxelas N/Ref. Ent de 25/07/2012

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1 Comissão Europeia Direcção-Geral da Justiça B-1049 Bruxelas N/Ref. Ent de 25/07/2012 ASSUNTO: Resposta da Ordem dos Advogados de Portugal à Consulta Pública sobre Prazos de Prescrição dos Pedidos de Indemnização das Vítimas de Acidentes Rodoviários Transnacionais na União Europeia 2. DIMENSÃO PRÁTICA DO PROBLEMA Questão 1: Já teve experiência de não ter beneficiado de qualquer indemnização de danos sofridos devido à prescrição dos prazos para introdução de um pedido ou tem conhecimento desse tipo de situações que afetaram uma vítima de um acidente rodoviário transnacional? Queira apresentar mais informações desse caso ou casos. Questão 2: A situação teria sido diferente se o acidente não tivesse ocorrido no estrangeiro? Em caso afirmativo, queira explicar por que razão. A Ordem dos Advogados de Portugal não responde a estas duas questões, por as mesmas envolverem a experiência de pessoas concretas, em casos concretos. 3. SOLUÇÕES POSSÍVEIS PARA O PROBLEMA RELATIVO AOS PRAZOS FIXADOS PARA «VÍTIMAS DE ACIDENTES NO ESTRANGEIRO» OPÇÕES do QUESTIONÁRIO: Opção 1: Melhorar a informação para as «vítimas de acidentes no estrangeiro» em casos concretos, através do incentivo às companhias de seguros para, de forma voluntária, colocar essas informações à disposição dos interessados. Opção 2: Melhorar a informação para as «vítimas de acidentes no estrangeiro» em casos concretos, obrigando as companhias de seguros a disponibilizar às vítimas as informações sobre os prazos de prescrição e caducidade aplicáveis no caso de um acidente rodoviário transnacional. Página 1 de 5

2 Opção 3: Melhorar a informação de caráter geral relativa aos prazos de prescrição e caducidade, disponibilizando, através da Comissão Europeia, informações de caráter geral sobre as regras nacionais de prescrição e caducidade para os pedidos de indemnização por danos causados por acidentes rodoviários transnacionais. Opção 4: Novas regras de harmonização de prazos de prescrição e caducidade para acidentes rodoviários transnacionais. Esta harmonização poderá ser parcial, por exemplo, abordar apenas as razões para a suspensão ou a interrupção do decurso do prazo ou completa no sentido de que todos os aspetos relevantes (prazo, início, fundamentos para a suspensão/interrupção) seriam harmonizados. O âmbito da harmonização poderia limitar-se aos pedidos para danos corporais relativos aos acidentes rodoviários transnacionais ou alargar-se a qualquer pedido extracontratual num contexto transnacional. Questão 3: Acha que as opções acima apresentadas seriam adequadas para resolver os problemas mencionados e, em caso afirmativo, por que motivo? Tem uma ordem de preferência relativa a estas opções e, em caso afirmativo, por que motivo? Questão 4: No que se refere à opção 1, quem deve ser responsável pela prestação de informações relevantes à «vítima de acidente no estrangeiro», a própria seguradora da «vítima de acidente no estrangeiro» ou a seguradora de responsabilidade civil do responsável pelo acidente? Qual é a melhor forma de prestar essa informação? Questão 5: Considera que seria útil melhorar as informações de caráter geral sobre as regras nacionais relativas aos prazos de prescrição e caducidade para os pedidos de indemnização por perdas e danos em acidentes rodoviários transnacionais? A Ordem dos Advogados de Portugal considera que, num primeiro momento, a opção mais adequada seria a Opção 3: Melhorar a informação de caráter geral relativa aos prazos de prescrição e caducidade, através da elaboração, pela Comissão, de fichas nacionais que descrevam o sistema nacional dos prazos de prescrição e/ou caducidade em cada Estado- Membro e da publicação dessas fichas no sítio Web do Portal da Justiça em todas as línguas da União. A razão de se considerar mais adequada a opção que se indicou fundamenta-se na circunstância de a informação a prestar à ou às vítimas, seja pela sua própria seguradora, seja pela seguradora responsável pelos danos, poder não ser completa e adequada, por qualquer das seguradoras não possuir informação fiável e actualizada, quer sobre a lei do Estado em que ocorreu o acidente, quer sobre a lei do estado a que pertence o tribunal em que foi proposta a acção de indemnização, as quais podem não coincidir com a lei do Estado em que a seguradora Página 2 de 5

3 da vítima ou em que a seguradora responsável pelos danos têm as respectivas sedes ou representação. Num segundo momento, poder-se-á vir a adoptar a Opção 4: Novas regras de harmonização de prazos de prescrição e caducidade para acidentes rodoviários transnacionais, através de Regulamento comunitário que regule a matéria. Questão 6: No que se refere à opção 4, que aspetos da legislação relativa aos prazos de prescrição ou caducidade deveriam ser abrangidos por um instrumento europeu: a duração do prazo de prescrição, o início e termo do prazo, os motivos de suspensão ou interrupção do prazo, as regras de cálculo dos prazos ou todos os aspetos acima referidos? A Ordem dos Advogados de Portugal considera que, a serem adoptadas regras de harmonização de prazos de prescrição e caducidade para acidentes rodoviários transnacionais, tal harmonização deverá abranger todos os aspectos acima referidos, ou seja, a duração do prazo de prescrição, o início e termo do prazo, os motivos de suspensão ou interrupção do prazo, as regras de contagem dos prazo e ser aplicável a qualquer pedido extracontratual num contexto transnacional, quer diga respeito a danos corporais e morais, quer a danos meramente patrimoniais. Entende-se que esta opção, embora vá interferir com a legislação nacional de cada Estado-membro, não aumentaria, no entanto, o risco de maior complexidade dos sistemas jurídicos nacionais, desde que a sua aplicação fosse restringida, exclusivamente, a acidentes rodoviários transnacionais, na acepção que viesse a ser definida em Regulamento comunitário de harmonização. Ou seja, os Estados-membros só aplicariam as regras harmonizadas, no caso de se estar perante um acidente rodiviário transnacional, podendo continuar a aplicar as respectivas regras nacionais, nas situações que não envolvessem acidentes rodoviários transnacionais. Questão 7: Acha que existem outras ações alternativas que poderiam ser tomadas para melhorar a situação das vítimas de acidentes no estrangeiro, garantindo assim a legítima indemnização de danos causados por acidentes rodoviários? Tais medidas devem ser tomadas pelos Estados-Membros ou pela União Europeia? A Ordem dos Advogados de Portugal considera que, para se garantir a legítima indemnização de danos causados por acidentes rodoviários transnacionais e com aplicação Página 3 de 5

4 exclusiva apenas a esta espécie de acidentes rodoviários, a União Europeia poderia tornar obrigatória a criação um Fundo Europeu de Garantia, constituído e financiado pelas seguradoras com sede ou representação no espaço da União Europeia e que seria ser chamado a intervir nas acções judiciais ou nos procedimentos de indemnização às vítimas de acidentes rodoviários transnacionais, sempre que não hovesse contrato de seguro válido ou a seguradora ou as seguradoras, alegadamente responsáveis, declinassem ou questionassem a sua obrigação de reparar os danos sobre qualquer pedido extracontratual num contexto transnacional, podendo esse Fundo, após o pagamento da indemnização devida às vítimas, prosseguir na discussão com as seguradoras sobre a responsabilidade destas últimas, no tocante ao valor do que tivesse sido adiantado e pago, por esse Fundo. 4. DOIS REGIMES JURÍDICOS PARA OS PEDIDOS DE INDEMNIZAÇÃO DECORRENTES DE ACIDENTES DE VIAÇÃO TRANSNACIONAIS Questão 8: Na sua opinião, pode criar problemas às vítimas o facto de a lei aplicável aos pedidos de indemnização decorrentes de acidentes de trânsito divergir em determinados casos em função do tribunal requerido? Já teve experiência desta situação ou tem conhecimento de uma situação concreta em que isto terá sido problemático para as vítimas? Em caso afirmativo, qual é a solução adequada para resolver os inconvenientes da situação atual? A Ordem dos Advogados de Portugal considera que o facto de a lei aplicável aos pedidos de indemnização decorrentes de acidentes de trânsito divergir em determinados casos em função do tribunal requerido cria problemas e dificuldades às vítimas. Entende, por isso, que para determinar a lei aplicável aos pedidos de indemnização com fundamento em acidentes rodoviários transnacionais ocorridos no espaço da União Europeia deverá ser dada primazia à aplicação do REGULAMENTO (CE) n.º 864/2007 DO PARLAMENTO EUROPEU E DO CONSELHO de 11 de Julho de 2007 relativo à lei aplicável às obrigações extracontratuais («Roma II»), em detrimento de convenções internacionais a que os Estados-membros também se encontrem vinculados, designadamente da Convenção da Haia, de 4 de Maio de 1971, sobre a lei aplicável em matéria de acidentes de circulação rodoviária, devendo modificar-se o n.º 1 do art. 28º do REGULAMENTO (CE) n.º 864/2007 que estabelece que Página 4 de 5

5 "1. O presente regulamento não prejudica a aplicação das convenções internacionais de que um ou mais Estados-Membros sejam parte na data de aprovação do presente regulamento e que estabeleçam regras de conflitos de leis referentes a obrigações extracontratuais.", para aí se establecer que 1. O presente regulamento prevalace sobre a aplicação das convenções internacionais de que um ou mais Estados-Membros sejam parte na data de aprovação do presente regulamento e que estabeleçam regras de conflitos de leis referentes a obrigações extracontratuais. Com esta modificação evitar-se-á a aplicação da Convenção da Haia, de 4 de Maio de 1971, sobre a lei aplicável em matéria de acidentes de circulação rodoviária, sempre que estejam em causa acidentes rodoviários transnacionais ocorridos no espaço da União Europeia. Lisboa, 07 novembro 2012 B368/2012 O Bastonário da Ordem dos Advogados de Portugal António Marinho e Pinto Página 5 de 5

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