Diário do Nordeste Fortaleza, 30 de julho de 2015

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1 Diário do Nordeste Fortaleza, 30 de julho de 2015 Caderno: Polícia Pág. 12 Execução Acusado de matar namorada a tiros por ciúmes vai a Júri Homem confessou o crime em depoimento à Polícia; ele tentou simular um assalto e se autolesionou Será julgado na tarde de hoje o homem acusado de matar com dois tiros a estudante universitária de Nutrição Lara Cibele Silva Anastácio em julho do ano passado, no bairro Cidade dos Funcionários, em Fortaleza. Sam Michel Alberto de Oliveira será levado a julgamento pela 3ª Vara do Júri do Fórum Clóvis Beviláqua, às 14h de hoje. A sessão judicial será presidida pelo juiz Eli Gonçalves Júnior. A acusação ficará a cargo do promotor de Justiça Humberto Ibiapina, e a defesa terá à frente o defensor público Eduardo Vilaça. O réu é acusado de homicídio duplamente qualificado, por motivo fútil e com uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima, e fraude processual, pois ele teria se ferido com o objetivo de alterar a cena do crime e dificultar a apuração. Crime Lara Cibele, de 19 anos, foi encontrada morta com dois tiros nos olhos, no começo da manhã de 3 de julho de 2014, dentro de um Chevrolet Corsa Classic. O veículo estava estacionado na Rua Doutor Waldemar Alcântara, naquele bairro. A mulher estava no banco do passageiro. No banco do motorista, estava o então namorado, Sam Michel. Ele também estava ferido, apresentando um tiro de raspão no pescoço. Naquela manhã, como era de costume, Sam Michel foi buscar Lara Cibele para levá-la à faculdade. Durante o percurso, Michel desviou o caminho. Seguiu para o bairro Cidade dos Funcionários. Parou o carro e efetuou dois disparos. Com a chegada de populares ao local, o homem afirmou que ele e a namorada haviam sido vítimas de um assalto. Entretanto, as próprias pessoas que prestaram os primeiros socorros afirmaram ter visto apenas o veículo guiado por Sam Michel no local e também disseram não ter percebido nada de anormal naquele lugar e àquela hora. Michel, que ainda era consideram vítima, foi levado ao Instituto Doutor José Frota (IJF) no Centro. A mulher, estava morta. Apresentava duas lesões a bala nos olhos. E nenhum pertence do casal havia sido levado. No dia seguinte, a família sepultou Lara Cibele no Cemitério Jardim Metropolitano, no município de Eusébio, Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).

2 Confissão Diante das controvérsias, as investigações policiais comandadas pelo delegado titular do 26º DP (Edson Queiroz), Marx Quaresma, e pelo delegado da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa, George Monteiro, apontaram que o crime teria sido passional, e não latrocínio (roubo seguido de morte), conforme estava sendo levantado por Sam. Cerca de 10 dias após a morte de Lara Cibele, os policiais solicitaram e cumpriram mandado de prisão preventiva contra o namorado da vítima. Caía a versão por ele apresentada e, de vítima, Sam Michel passou à principal suspeito de cometer o crime. Já preso, ele confessou. Matou a namorada por ciúmes. Depoimento Após a prisão, os delegados que capturaram Sam Michel informaram, em entrevista coletiva, que o preso havia admitido o crime em depoimento. Conforme os delegados, ele disse que não havia premeditado o crime, tendo agido exclusivamente por impulso naquela manhã em que ele pretendia somente ameaçá-la. Após uma discussão, conforme o acusado, Lara Cibele reagiu tentando derrubar a arma. Sam, então, efetuou os disparos. A Polícia, por sua vez, apresentou outra hipótese. Para os investigadores, Sam Michel teria, sim, a intenção de matar Lara Cibele naquele dia. Para os delegados, a comprovação estaria no local escolhido por ele para estacionar o carro e efetuar os tiros. A via em que o veículo estava é próxima a um antigo emprego de Sam Michel. Naquele local específico, existe um ponto cego das câmeras de segurança da região. Para os investigadores, apenas alguém com conhecimento da região e com a intenção de se utilizar da falha poderia escolher o determinado local. Além disso, ele se autolesionou após supostamente ter matado a namorada. Para a Polícia, o ato refletiria objetivo de ludibriar os investigadores e fazer os policiais acreditarem em uma tentativa de assalto. Constam nos autos do inquérito policial que Sam Michel e Lara Cibele mantinham um relacionamento desde o ano de O namoro era marcado por brigas e discussões. Dias antes de morrer, a mulher teria terminado a relação com o acusado. Este ato teria motivado Sam a planejar e cometer o crime. Em janeiro deste ano, a denúncia apresentada pelo Ministério Público foi aceita pela Justiça, que determinou ao réu ser levado a júri popular. Desde julho, quando foi preso, ele aguarda a decisão do Conselho de Sentença da 3ª Vara do Júri da Comarca de Fortaleza. Caderno: Política Pág. 14 Subcomissão da câmara federal Moroni e Ronaldo querem debater crime organizado A subcomissão de Combate ao Crime Organizado, presidida na Câmara Federal pelo deputado Moroni Torgan, deve iniciar, no retorno das atividades legislativas, em agosto, visitas aos estados para discutir temas debatidos pelos sub-relatórios do grupo no primeiro semestre. Ronaldo Martins é um dos sub-relatores e ficou responsável por fazer um trabalho de pesquisa sobre o tráfico de

3 pessoas no País. O colegiado priorizou discussões, ao longo de três meses de trabalhos, sobre formas de combater o crime organizado no Brasil em alguns segmentos. O grupo, instalado em abril por sugestão de Torgan, está vinculado à Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado e tem até o fim da atual legislatura, em janeiro de 2019, para encerrar os trabalhos, já que funciona de forma permanente. Os temas em análise são tráfico de drogas, de armas e de pessoas; roubo de cargas e valores; homicídios; lavagem de dinheiro; roubo e furto de veículos; e terrorismo. Cada um desses temas é analisado por um sub-relator. Ao final das atividades, todos os relatórios parciais serão reunidos em um único texto pelo relator-geral, o deputado João Campos (PSDB-GO). Segurança Durante a disputa eleitoral do ano passado, Moroni Torgan, deputado federal mais bem votado no Ceará no pleito de 2014, destacou, durante a campanha, que a segurança pública seria o principal ponto tratado por ele nos quatro anos como parlamentar. Em seu primeiro mandato como deputado, em 1991, foi autor da proposta de instalação da CPI do Narcotráfico e, no fim dos anos 1990, com nova versão do inquérito, investigou esquema que utilizava aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) para o tráfico de drogas, o que resultou na cassação e prisão do deputado federal Hildebrando Pascoal e no indiciamento de 26 pessoas. A ideia do parlamentar no trabalho realizado atualmente na subcomissão é apresentar medidas práticas, e não somente estudos teóricos que se transformam apenas em relatórios que ficam arquivados em instituições, como Ministério Público e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Segundo a assessoria parlamentar de Moroni, a partir do segundo semestre, as visitas de interesse do colegiado serão realizadas, objetivando encontrar o maior número possível de informações sobre os temas relatados no primeiro semestre. Diligências serão feitas em cada um dos estados brasileiros para discutir o assunto com especialistas das unidades federativas. Convites A última atividade realizada pela subcomissão ocorreu antes do recesso, quando o deputado Delegado Edson Moreira solicitou o envio de convites aos Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e aos secretários de Segurança Pública dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná para reuniões nos dias 4, 11, 18 e 25 de agosto. Já o deputado Ronaldo Martins aguarda respostas da presidência da Câmara Federal, da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), do Ministério da Justiça, das Relações Exteriores e da Procuradoria-Geral da República sobre as providências tomadas pelas referidas instituições, a partir de encaminhamentos da CPI que investigou o tráfico de pessoas no Brasil. Na última reunião puxada pela subcomissão, o deputado Moroni Torgan explicou que, no primeiro semestre de atuação, foi concluída a apresentação das propostas de trabalhos das sub-relatorias. Ele destacou que, no segundo semestre, aguarda o início das audiências públicas, seminários e encontros.

4 Caderno: Negócios Coluna: Vaivém Pág. 5 Maioridade Lucas Azevedo, presidente da Associação Cearense do Ministério Público, no DF, onde participa da XIV Reunião do Conamp, que discute a análise da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 171, que trata da redução da maioridade penal.

5 O Estado Fortaleza, 30 de julho de 2015 Caderno: Ceará Pág. 14 Assaré O promotor de Justiça da comarca de Assaré, David Carlos Fagundes Filho, destinou, ao comando da PM naquela cidade, representado pelo sargento Araújo, o primeiro dos seis decibelímetros, com registrador eletrônico, previstos para serem entregues nos próximos dias. Caderno: Direito & Justiça Pág. 7 Ceará se destaca em desmandos em Gestão Pública O poder judiciário cearense liderou, no Nordeste, os julgamentos em ações de improbidade administrativa e de combate à corrupção, referentes à Meta 4, do ano de Segundo relatório divulgado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), 77,69% das ações foram de improbidade e 59,70%, de corrupção. Instituída pelo CNJ, a Meta 4 teve por finalidade identificar e julgar as ações de improbidade administrativa e penais relacionadas a crimes contra a Administração Pública que ocorreram até 31 de dezembro de Um Grupo de Auxílio foi designado para dar celeridade ao cumprimento da meta. Para o advogado especialista em Direito Criminal, Leandro Vasques, o resultado mostra que houve uma proatividade bastante produtiva e sintonizada entre o Ministério Público do Ceará (MPCE) e o Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE). Os processos foram concluídos, não ficaram se arrastando e, portanto, a resposta que o judiciário deu revela um compromisso, que certamente existiu, nessa demanda, das ações de improbidade, destaca. O advogado pontua, contudo, que apesar de um resultado positivo, é também preocupante. Vasques aponta que, à medida que se assiste o judiciário dando respostas às ações do Ministério Público nesse segmento, constata-se, ao mesmo tempo, um cenário em que o Estado se destaca em desmandos na gestão pública. Ele ressalta, ainda, que o desejo dos cidadãos é de uma organização mais ampla, com um número de servidores e auxiliares adequados, para atender com o mesmo esforço outras demandas, como ações penais em geral e de indenização contra Munícipio e Estado, por exemplo. Improbidade A improbidade administrativa é utilizado para conceituar corrupção administrativa. Refere-se às práticas contrárias à boa-fé e honestidade dentro da administração pública. Conforme lembra Leandro Vasques, tal conduta é de natureza cível, ou seja, não implica que alguém será sentenciado com a pena de reclusão. As repercussões podem ser a suspenção do cargo; a perda de poderes políticos; impedimento de contratação com serviço público, no caso de empresários; e, principalmente, a obrigação de ressarcimento aos cofres públicos de verbas desviadas. Paralelo a ação de improbidade administrativa, existe a ação penal que pode repercutir na limitação da liberdade e dar prisão. Existe uma série de crimes que podem ser investigados a partir da ação de improbidade, por exemplo: lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, crimes licitatórios, corrupção ativa e passiva, explica o especialista.

6 Entenda a Meta 4 Anualmente, o CNJ estabelece diretrizes estratégicas direcionadas a garantir um serviço judiciário efetivo, célere e seguro. Trata-se de metas nacionais e específicas que são aprovadas em encontro nacional do judiciário. A Meta 4 é referente a priorização de julgamento dos processos que envolvem corrupção e improbidade administrativa na justiça estadual. Para este ano, a meta estabelecida é o julgamento de pelo menos 70% de ações de crimes contra a administração pública distribuídos até 31 de dezembro de 2012.

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